When We Were Young
135 To The End
Notas iniciais

TO THE END
HOGWARTS
1978
7th YEAR
—Então, você está ignorando o seu namorado?
—Não. — murmurei, mordendo a parte interna da minha bochecha. — Nós sentamos juntos nas aulas ou na biblioteca e as vezes nós nos beijamos. — respondi. Emmeline arqueou a sobrancelha para mim. — Mas… nós não fazemos sexo ou conversamos sozinhos…
—Então, você está ignorando o seu namorado? — ela repetiu. Revirei os olhos, só que ela continuou me olhando daquele jeito.
—Não. — repeti também.
—Oh, desculpe. — ela debochou. — Então, você ignorando o seu namorado já faz três semanas e continua fingindo que está tudo bem?
—Não… exatamente três semanas, mas... — murmurei, olhando para o meu pé descalço. Pressionei o meu dedão contra o carpete.
—Porque é tão difícil contar para ele? — ela indagou indo até o armário que tinha no dormitório que guardávamos nossos uniformes. Começou a desabotoar sua blusa, ainda me mirando, até ela arregalar os olhos. Me virei e vi Remus em uma vassoura entrando pela janela do meu dormitório.
—Remus! Que porra é essa? — acabei berrando. Remus terminou de entrar pela janela caindo no chão junto da vassoura. Ele se levantou arrumando as roupas.
—Ahn, olhando agora, essa invasão toda parece muito excessiva, mas em minha defesa eu pedi para Emily chamar você e ela me disse que você não estava aqui. — ele se defendeu. — O que é meio grosseiro já que de fato você está aqui.
—Talvez eu só não… quisesse falar com você no momento. — murmurei. Remus suspirou e passou as mãos pelo cabelo.
—Achei que estávamos bem. — ele me disse, com dor nos olhos. — Felizes. — falou. Desviei o olhar dele. — O que está acontecendo com a gente? O que tem de errado com você, Addie?
—Você! Você é o que tem errado comigo. — berrei. — É você, não consegue entender isso?
—Porque? — ele indagou, abrindo os braços. — Não é justo, Adhara.
—E quem te disse que a vida é justa, Remus? — debochei.
—Não! Não me venha com essa Addie má de três anos atrás. — ele me disse. — Não comigo, porque eu sei quem você é. — ele continuou. A vontade de chorar veio junto com o chute que senti em minha barriga. — Sei que tem medo de ficar sozinha depois da morte dos seus pais. — murmurou. — Mas eu não pretendo te deixar, Addie.
—Você não pode controlar isso. — falei chorosa. — Ninguém pode. — disse. — Você pode estar morto amanhã.
—Eu sei disso. — ele falou, se aproximando de mim. Queria me afastar, mas quando vi Remus já estava a centímetros de distância de mim. — Mas vamos viver nossa vida juntos porque… podemos estar mortos amanhã?
—Não é tão fácil. — sussurrei.
—Não é tão fácil? — ele repetiu frustrado. — O que pode ser mais fácil do que só eu e você? — ele encostou a mão no meu pescoço e se curvou para me beijar, mas eu virei a cabeça para o lado. — Do que tem tanto medo, Addie?
—Eu… nada. — sussurrei mais para dentro. Remus me olhou tristemente. — Preciso de tempo, está bem? — falei. — Por favor, saia do meu quarto. — pedi. Remus não mexeu nem um músculo. — Remus, por favor!
—Está bem. — ele sussurrou. Fui até a porta e abri para ele. Remus veio atrás de mim. — Eu amo você, Addie, e sei que me ama também. — ele disse, segurando meu queixo. — Vou te esperar o tempo que precisar. — Assim que Remus saiu eu fechei a porta com tudo e me encostei nela. Comecei a chorar com as mãos no rosto.
Emmeline saiu de dentro do armário caindo no chão e com uma calcinha na cabeça. Ela devia ter se escondido ali enquanto Remus entrava pela janela com a vassoura. Ela se levantou, me mirando com pesar e tirou a calcinha da cabeça a jogando de volta para o armário.
—Você realmente precisa contar para ele.
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—Bom dia. — murmurou Lily, quando entrou embaixo do lençol comigo. Ficamos escondidas pelo lençol apenas vendo o rosto uma da outra. Podia contar suas sardas se eu quisesse.
—Bom dia. — respondi.
—Soube que Remus passou aqui ontem a noite. — ela me disse. Bufei.
—Foi uma droga.
—Eu sei. — ela disse, carinhosamente. — Mas temos que ir para aula.
—Não posso simplesmente ficar aqui? — perguntei enfiando o rosto no travesseiro.
—Infelizmente, não. — ela disse. — Além, disso esse lugar está cheirando a vagina. — ela riu. Eu ri também tentando chutá-la para fora da minha cama. — E acho que você deve usar sua capa fechada hoje… está ficando um pouco óbvio, ainda mais que você vai entrar no quinto mês no final de maio. — ela murmurou para que as outras que estavam se arrumando para aula não escutassem.
—Está tudo tão complicado. — murmurei, zangada. Notei meus cabelos ficando vermelhos e Lily os tocou brincando com os fios. — E meu bebê está… crescendo e Remus nem sabe disso.
—Então, conte para ele, Addie. — disse Lily, simplesmente. — Entendo que pode ser assustador…
—Não você não entende. — eu rebati. — Remus não é como James. — falei, sentindo meus nervos subirem. — Ou Frank… ou qualquer outro garoto nessa escola, está bem? Ele é diferente.
—Ele é gentil, compreensivo. — murmurou Lily, atentamente. — Imensamente apaixonado por você.
Fechei os olhos com força voltando a enfiar minha cara no travesseiro. Resmunguei algo para ela que foi abafado pelo meu travesseiro. Lily começou a me cutucar e a puxar meu lençol de cima de mim. A empurrei com meus pés a escutei cair da cama reclamando. Espiei Lily, tirando minha cabeça de debaixo do lençol. Ela estava sentada no chão com o uniforme amassado e braços cruzados.
—Se você se levantar eu te dou um chocolate.
Me levantei. Lily sorriu animada e levantou do chão. Arrumei-me depressa e no banheiro, longe do olhar de Marlene e Dorcas que ainda não sabiam sobre minha gravidez e assim ficaria até que finalmente contasse a Remus. Fui para o Salão Principal tomar café da manhã acompanhada de minhas amigas, comi o chocolate que Lily havia me prometido e notei que Remus ou nenhum dos meninos além de Frank e Dimitre estavam lá comendo também. Quando perguntei onde os outros estavam, Frank tentou desconversar e Dimitre ficou quieto me olhando esquisito. Depois disso uma sensação ruim fez o chocolate começar a descer mal, parei de comer sentindo um bolo na boca do meu estômago.
O resto do café da manhã passou rápido. Não conseguia me concentrar nas conversas que pareciam um borrão, só consegui pensar no lugar vazio ao meu lado, o lugar que Remus não estava ocupando. Fiquei observando a porta do Salão Principal, mas ele não apareceu.
Segui as meninas para nossa primeira aula do dia um pouco cabisbaixa, agora só tínhamos revisão para o NIEMs o que fazia eu prestar menos atenção ainda nas aulas. Milhões de pensamentos cruzavam minha mente, pensando o pior. Talvez Sirius tivesse contado a Remus que eu estava grávida ou talvez Remus chegou a essa conclusão ele mesmo. E agora os dois me odiariam para sempre por ter mentido por tanto tempo. Porque eu nunca havia mentido tanto em tão pouco tempo, eu mentia todo o mês para Remus dizendo que eu estava enjoada demais para participar da Lua Cheia, mentia para James que o perfume dele era muito forte quando ele tentava me abraçar. Mentia para Sirius quando eu dizia que estava cortando um pouco do baseado e cigarros, quando na verdade eu só não podia fumar. E mentia para Peter quando ele perguntava porque naquela manhã eu estava comendo que nem louca e como em outras manhãs eu quase não tocava na comida.
Mentia o tempo todo e por medo. Eu devia ser uma grifinória e encarar o meu medo. Só que a mera possibilidade de ter Remus olhando para mim com raiva ou como se eu tivesse o traído… seria horrível.
—Eu o perdi! Eu o perdi! — escutamos a voz alta de Sirius quando viramos o corredor.
Em frente a sala de Transfiguração estava Remus encostado na parede ao lado, Peter parecendo nervoso roendo suas unhas, Sirius com uma cara de irritada e James um parecendo não prestar atenção.
—Como assim você o perdeu? — indagou Remus, confuso. Dava para escutar um pouco da conversa enquanto andávamos até eles.
—Filch me encurralou e pegou! — bufou Sirius.
—O que você estava no meio da madruga zanzando pelos corredores? — perguntou Remus. Sirius bufou frustrado.
—E isso importa? Um homem não pode querer andar pela noite sem se questionado, hã? — ele bufou novamente cruzando os braços. Remus revirou os olhos. Eu estava na frente de Lily e pude escutar melhor o que falavam.
—Você estava ansioso pelo Lua-Cheia e foi sair pela Floresta Proibida como Padfoot, não é?
—Você não tem como provar nada. — retrucou Sirius. Ele se virou para James que mas prestava atenção na conversa.- James, será que dá pra prestar aten…
—Lily!
—Argh, brilhante. — resmungou Sirius. James veio até Lily com um sorriso e não pude não notar como Remus desviou o olhar do meu para seus pés.
—O que vocês perderam? — indaguei parando ao lado de Remus. Sirius e Peter me olharam esquisito assim como Dimitre havia feito há meia hora atrás.
—Sirius perdeu o mapa. — sussurrou Peter, olhando de mirrado o resto dos nossos amigos.
—O que? O mapa? — indaguei, desesperada. — Você não pode perder o mapa. — disse. Sirius me olhou exasperado.
—Já perdi. — ele disse. — Precisamos arrumar de volta, invadir a sala do Filch e…
—Invadir o que? — Lily se intrometeu, com o braço de James em seus ombros.
—Sirius, esqueça. — disse James sem realmente prestar atenção. — Não precisamos mais daquilo, já decoramos tudo, não é?
—Com licença? — disse Sirius. Revirei os olhos vendo no que aquilo resultaria
—Isso não vai acabar bem. — sussurrei para meu namorado. Ele me olhou estranho e de lado, assim como os meninos o que me fez franzir a testa e querer bater em todos eles. — Remus… olha, desculpa por ter te expulsado do dormitório daquele jeito e desculpa pela nossa briga e…
—Você poderia gentilmente tirar a sua cabeça do mundo de pentelhos ruivos de Yoko Ono e prestar atenção em que porra eu estou falando? — disse Sirius em voz bem alta. Peter tentou segurar a risada sem sucesso e enfiou a cara no ombro de Dimitre que agora ao lado dele parecia também um pouco chocado.
—O que? O que? — disse James duas vezes. Ele olhou Sirius irritado como antes nunca havia ficado quando ele falava coisas desse tipo sobre Lily. James tirou o braço de volta de Lily.
—Gente… — disse Frank interrompendo os dois. Remus ao meu lado parecia um pouco inquieto, olhando seus pés, não prestando atenção. Ele normalmente que era o que apaziguava as brigas.
—Não. — disse James tirando a mãe de Frank do ombro dele. — Estou cansado de você comparando Lily com Yoko Ono o tempo todo. — ele bufou. — Nós não somos os Beatles! Adhara não encaixaria se fossemos!
—Oh, por favor. — provocou Sirius. — Adhara parou de ser uma marota no quarto ano quando estava mais preocupada em paquerar sonserinos. — ele disse. Eu poderia ficar brava por ele dizer aquilo, mas de certa forma ele estava certo. Eu participava de pegadinhas com eles o tempo todo até o quarto ano que foi quando minhas detenções começaram a diminuir drasticamente.
—Esse não é o ponto.
—Ah, certo. O ponto é que Evans te faz um babaca.
—Bem, talvez eu só tenha aprendido após passar tanto tempo com você.
Comecei a notar que as provocações estavam ficando sem piadas no meio e mais focadas em pontos que machucariam um ao outro. Lily ao lado de James parecia um pouco confusa com o que fazer, parecia nem saber o que estava acontecendo. Porque James e Sirius não brigavam, eram como eu e Remus. A primeira vez que brigamos foi no quinto quando ele me beijou quando ainda namorava Emily e não durou mais de um dia. E depois brigamos novamente no sexto ano quando ele disse que estava apaixonado por mim e eu não disse de volta. E agora brigamos novamente porque eu não tinha a coragem de contar a ele o que estava acontecendo comigo.
E isso era James e Sirius. Uma vez ele e Sirius tiveram uma discussão no terceiro ano sobre uma pegadinha e quase ficaram um dia sem se falar, mas James chorou antes disso e os dois dormiram na mesma cama naquela noite. E outra vez foi quando Sirius não contou que pegava meninos também e James se sentiu como se meu primo não confiasse mais ele, também durou menos de um dia. E agora eles constantemente soltavam provocações por causa de Lily. Porque James era diferente com Lily, porque James com Lily era menos tempo de James com Sirius.
—Eu sou o babaca? — riu Sirius. — Não sou eu quem não dá a mínima mais para os amigos. Onde estava você aquela noite que Remus precisou de você? — ele indagou, se referindo a Lua Cheia. O rosto de Remus corou. — Ou quando Peter estava chorando no dormitório porque era aniversário de Mary? Hã? — ele disse. — Onde que você estava?
—Me desculpe se eu tenho uma vida amorosa onde as coisas realmente dão certo e ninguém precisa trair alguém por isso. — provocou James. Naquele momento até Remus ficou tenso. Nossos amigos olhavam a briga parecendo todos chocados. James e Sirius não brigava. Nunca. Devia ser o que todos estava pensando. — E depois ninguém precisa pôr a culpa em mamãe e papai pelas merdas que…
Sirius socou James no rosto antes que ele ao menos terminasse a frase. Lily gritou assustada, mas James parecia estar esperando aquilo, pois se jogou em Sirius e os dois caíram no chão.
—Parem! Parem! — berrava Peter. — Parem com a violência!
—Por Merlin. — bufou Remus, tentando puxar James de cima de Sirius. Ele conseguiu facilmente e eu me intrometi no meio empurrando Sirius que tentava ir atrás de James. — Vocês são melhores amigos, pelas cuecas de Merlin! São irmãos!
—Vamos, Sirius! — o puxei com força, com Dimitre me ajudando a tirar Sirius dali. Frank e Dorcas haviam se metido segurando James e falando com ele também assim como Emmeline e Marlene que vieram até Sirius.
—Pare! — Marlene brigou com Sirius que ainda estava inquieto. Ela segurou o rosto dele. — Sirius você não quer socar seu irmão na cara. — ela disse. — Só vá esfriar a cabeça, está bem? — ela pediu. Eu puxei Sirius e Dimitre e Emmeline vieram comigo. Meu primo parecia irritado e eu podia ver lágrimas em seus olhos.
—Sirius…
—Eu odeio mudança pra caralho. — ele disse. — E agora tudo está diferente e tudo vai mudar. — falou. Dimitre e Emmeline se entreolharam e eu abracei Sirius que enterrou o rosto em meu pescoço. Ele me puxou contra ele e minha barriga pressionou a dele. — E agora até você está mudando… — disse, achei que ele se referia ao meu bebê. — … terminando com Remus, o que estava pensando? Porque faria isso?
O olhei chocada e me afastei dele. Emmeline parecia chocada também, mas Dimitre e Sirius me olhavam esquisito.
—Eu fiz o que?
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—Porque diabos Remus me disse que você terminou com ele?
Suspirei exasperada, meus cabelos mudando de cor violentamente. Lily ficou me olhando esperando uma resposta. Eu havia cabulado a aula de Transfiguração, assim como Sirius havia feito e todos os outros foram para a aula que deve ter acabado há alguns minutos e agora tínhamos alguns minutos antes da próxima aula.
—Aparentemente, ele está dizendo isso para todo mundo. — eu disse. — E eu não sei porque. — falei completamente irritada. Só era isso que me faltava agora, de algum jeito em nossa briga Remus tirou a conclusão que estávamos dando um tempo ou que eu havia terminado com ele. — O pai do meu bebê acha que eu o odeio… isso não é simplesmente ótimo? — eu ri de forma debochada.
—Você está certa. — murmurou Lily, se jogando no sofá ao meu lado. — Tudo está realmente complicado. — ela disse brincando com o forro de sua saia. Ela parecia um pouco para baixo.
—Como está James? — indaguei. Ela suspirou.
—Ele me disse que está bem. — resmungou. Ela deu um sorrisinho de lado e revirou os olhos. — Mas eu o ouvi chorando no ombro de Remus. — contou. Eu ri assim como ela, porque isso era tão a cara de James. — Addie… foi minha culpa? A briga deles? — questionou. Pensei um pouco para tentar dar a melhor resposta possível.
—Sirius só está chateado. — eu dei de ombros. — James sempre foi o que estava ao lado dele o tempo inteiro, mais do que eu estive, mais do que qualquer outra pessoa. — falei para ela.
—Eu entendo isso. — murmurou Lily. — Não quero atrapalhar isso…
—Mas você atrapalhou, Lily. — a cortei. — E não foi sua culpa, foi James que quis mudar, amadurecer e… quando ele está com você ele não é o James de quando está com Sirius. — tentei explicar da melhor forma que consegui. — Não estou dizendo que ele muda completamente, mas agora você é algo em que ele quer focar e isso talvez o faça deixar os amigos um pouco de lado…
—E isso chateia Sirius. — disse Lily, ainda mexendo no forro da saia. — Porque era ele e James contra o mundo.
—Algo assim. — sorri.
—Acho que sei o que fazer, Addie. — ela me disse com um sorriso. Antes que eu pudesse responder ela a porta da Casa na Árvore se abriu subitamente e Remus entrou ofegando. Ele olhou para nós sem fôlego algum para falar, então Lily me olhou de lado e aproveitou para passar por Remus e sair pela porta, fechando ela atrás de si.
—Remus? — chamei. Ele suspirou quando conseguiu tomar fôlego.
—Sirius me disse que você disse para ele que você não terminou comigo. — ele disse. Revirei os olhos e cruzei os braços.
—Brilhante que você não conseguiu chegar a essa conclusão sozinho. — eu debochei. Remus se sentou ao meu lado no sofá parecendo um pouco tímido. Peguei sua mão com carinho e entrelacei nossos dedos.
—Por favor, não fume. — pedi, quando o vi pegar um cigarro e levar até a boca. Remus não fumava cigarros, isso significava que ele estava nervoso. Ele piscou confuso com meu pedido, mas jogou o cigarro em cima do malão.
—Então… nós não terminamos? — murmurou Remus. Eu revirei os olhos novamente. — Mesmo que você tenha pedido um tempo?
—Quando eu disse que precisava de um tempo, eu quis dizer para pensar naquele momento e não um tempo de você ou do nosso relacionamento. — eu disse para ele. O rosto dele ficou aliviado. — Remus, essa é a última coisa que eu quero. — prometi. Ele sorriu e me mirou, até franzir a testa, notei que eu estava o encarando tristemente.
—O que? — ele quis saber.
—Nada.
—Ia dizer que eu quase estraguei nosso relacionamento? — perguntou, fazendo um carinho na minha mão.
—Não. — murmurei. — Você só.. aluou tudo, como sempre. — disse, com um sorrisinho. Ele sorriu também. — Remus… se… se eu tivesse um problema, um grande problema, você me ajudaria? — indaguei. — Mesmo que te machucasse… você ficaria ao meu lado?
—O que aconteceu?
—Você me ajudaria, Remus? — repeti em um sussurro.
—Eu sempre vou te ajudar, Addie. — ele me prometeu. — Sempre ficarei ao seu lado. — disse. O mirei sobre meus cílios e vi seu rosto me olhando de uma forma tão carinhosa, com tanto amor. Eu tinha que contar a ele, eu tinha que contar agora. Não tinha mais tempo ou desculpas. Ele merecia saber.
Remus precisava saber.
—Eu tenho algo para te contar. — falei, já sentindo meus nervos subirem e a vontade de vomitar. — Remus, eu…
—ONDE ESTÁ PADFOOT? EU VOU CHUTAR A BUNDA DELE! — berrou James entrando na Casa na Árvore. Lily veio logo atrás dele com o rosto vermelho e um olhar de desculpas. — Ele acha que eu não sou um bom melhor amigo? É isso? Eu vou mostrar para ele! — ele nos disse.
—James, por Godric Grifinória! — bufou Lily o catando pelos braços. — Me escute. — pediu. — Você tem que acertar as coisas com Sirius. — ela mandou. — Porque vocês são irmãos e… eu também quero que você arrume uma detenção.
—O que?
—O que?
Disseram James e Remus chocados, mas eu fiquei quieta. Aborrecida que quando eu finalmente ia contar a Remus que eu estava grávida fui interrompida. Parecia que o universo não queria colaborar comigo. Os cosmos só podiam estar contra mim naquele momento.
—Quero que pare de se segurar… esconder quem você é. — ela disse para ele. — Eu te amo mesmo que você goste de… pintar a gata do Filch de rosa.
—Você… me ama? — murmurou James.
—Sim, eu amo. — sorriu Lily. James a puxou para um beijo de tirar fôlego. — Agora temos que ir para aula, sim? E achar Sirius.
—O que você queria me contar? — indagou Remus, enquanto andávamos pelo corredor para fora do espelho com James e Lily na nossa frente.
—Te conto depois.
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—Que porra, James. — bufou Sirius quando James o empurrou com tudo para dentro de um armário de vassouras quando a aula acabou. James tinha quase quebrado o nariz com o soco de Sirius que tinha o lábio cortado pelo soco de James.
—Lily… Lily é um máximo, Sirius. — disse James. Sirius bufou novamente e revirou os olhos.
—Você me empurrou aqui pra isso? — ele perguntou. — Já ouvi o suficiente sobre os pentelhos ruivos de Lily Evans.
—Pare com isso. — mandou James, irritado. — Pare de agir como um babaca, está bem?
—Como você disse… é o que eu sou. — Sirius deu de ombros.
—Sei que as coisas mudaram, sei que as coisas sempre vão mudar e você odeia isso, mas Padfoot as coisas podem mudar para o melhor também. — disse James, segurando os ombros de Sirius que desviou o olhar do melhor amigo. — E Lily estará no meu futuro, só que eu te quero no meu futuro também, porque sinceramente, Sirius, eu não vejo um futuro sem você nele. — falou. Sirius voltou a olhá-lo nos olhos. — Eu te amo, irmão. — disse. Sirius ficou quieto, apenas o encarando. — Você não tem que dizer de volta. — falou James. — Eu sei que me ama também.
—Convencido você, hã? — brincou Sirius. James gargalhou e deu de ombros. — Desculpe por ter chamado sua namorada de Yoko Ono, ter feito graça dos pentelhos ruivos dela e… por ter socado você no rosto.
—Eu vou desculpar tudo isso… se você tentar ser amigo de Lily. — pediu James. Sirius revirou os olhos.
—Está bem.
—Certo. — sorriu James. — Quem é seu melhor amigo?
—Você é.
—Certo. E o que eu te disse no nosso primeiro dia em Hogwarts?
—”Essa é a minha cama, vadia”. — respondeu Sirius. James piscou e sorriu amarelo.
—Certo, depois disso…
—”Grifinórios ficam juntos”. — disse Sirius. James sorriu feliz.
—Certo. — ele disse. — Somos amigos de novo?
—Não. — respondeu Sirius imediatamente. James arregalou os olhos. — Somos irmãos.
—Oh, Merlin. Isso foi aterrorizante, não pause desse jeito novamente!
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—E eu mandei uma carta para os meus pais dizendo que eu era lésbica e tinha uma namorada. — disse Dorcas, no jantar. Ela deu de ombros e sorriu. — É anos 70, sabe? As pessoas têm que começar a crescer e cuidar da própria vida.
—Estou tão orgulhosa de você, Dorquinhas. — sorriu Marlene e a beijou na bochecha. Lily beijou Dorcas na outra bochecha e as três se abraçaram.
—E Michelle? Ela contou também?
—Não. — suspirou Dorcas. — Ela tem mais problemas com isso do que eu.
—Mas o que seus pais disseram? — indagou Dimitre. — Minha irmã e meu irmão tinha uma aposta acontecendo.
—Na verdade, eles não responderam e essa manhã eu não recebi os bolinhos da minha mãe como sempre recebo no meio de todo mês. — disse Dorcas. Ela suspirou e deu de ombros. — Eles vão precisar de um tempo para se acostumar.
—E se não se acostumarem que se fodam, certo? — disse Sirius.
—Você não pode dizer “que se fodam” para tudo. — disse Lily. — A vida não é assim. — falou. Sirius pareceu pronto para rebater, mas então mirou James ao lado de Lily.
—Vai ser muito difícil gostar de você, Lily, se você continuar puxando as minhas bolas. — ele resmungou. Lily revirou os olhos com um sorriso.
—Sabe quem estava rindo horrores com os sonserinos? — indagou Frank, se sentando na Mesa da Grifinória. — Peter!
—Ele me disse que tem medo de ignorar os sonserinos nos corredores depois daquele trabalho e eles simplesmente torturarem ele ou coisa assim. — disse James, bufando. Sirius revirou os olhos também.
—Sério, Emms, está ficando assustador o jeito que você tá olhando pra ele agora. — disse Emmeline, comendo seu jantar. Emily encarava Rabastan Lestrange que se sentava na Mesa da Sonserina naquele momento assim como Peter se sentava na da Grifinória perto dos amigos.
—Ele é um idiota. — disse Emily, se sentindo enjoada. — Nunca mais quero ver o pintinho sujo dele. — falou. — Argh, perdi a fome, essa comida tá um nojo. — falou, se levantando e esbarrando em Adhara que chegava.
—O que aconteceu? — indagou Adhara, olhando para a amiga sair do Salão Principal.
—Lestrange. — disse Emmeline.
—Oh.. — disse Adhara, passando os olhos pelos amigos. — Ahn… quando Remus vier jantar, digam a ele que eu vou esperar por ele… ele sabe onde. — murmurou. — E digam que é importante.
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Eu sentia como se pudesse vomitar a qualquer momento. Queria correr dali para bem longe. Porque finalmente havia chego a hora, em poucos minutos Remus chegaria na Casa dos Gritos e eu contaria para ele que estava grávida e que eu havia decido ficar com o bebê. E também contaria para ele que estava mentindo para ele a meses. E se a esse ponto ele já não estivesse pirando completamente, eu tentaria explicar tudo o que eu estava sentindo, como fiquei aterrorizada e com medo. Como eu quase fui abortar três vezes, mas não consegui porque não era isso que eu queria. E tentaria explicar que o bebê em minha barriga estava bem. Que ele não iria se transformar em um monstro sanguinário dentro de mim e me comer de dentro para fora. Porque era o meu bebê e eu já o amava tanto. Eu podia sentir que ele estavam bem, que tudo estava bem dentro de mim, mas não conseguia sentir que tudo ficaria bem entre eu e Remus depois que eu contasse a ele.
A incerteza me matava. O não saber do que viria a seguir, do que aconteceria em minha vida após essa noite. Eu queria Remus ao meu lado, mas e se isso fosse demais para ele? Eu poderia culpá-lo por não aguentar a incerteza de seu bebê ser um lobisomem? E se ele aceitasse tudo e no final das contas minha intuição estiver errada e meu bebê nascer licantropo e morrer. Eu aguentaria essa perda? Remus aguentaria essa perda? Nosso relacionamento conseguiria se sustentar depois disso? Era tantas perguntas que eu me sentia na mesma posição que alguns meses atrás quando descobri sobre a gravidez, quando existiam tantas possibilidades do que poderia acontecer comigo.
Tentei me agarrar na melhor possibilidade. A em qual Remus piraria, mas ficaria ao meu lado depois de entender o que estava acontecendo, nosso bebê nasceria em alguns meses completamente saudável e tudo ficaria bem. É, claro, se nenhum de nós no morrer no meio da guerra. Isso, com certeza, foderia com todos os meus planos.
Escutei passos subindo as escadas e me virei para ver Remus encostado no batente da porta. Ele parecia preocupado e curioso. Finalmente toda aquela confusão que eu criei em sua cabeça acabaria. Sorri para meu namorado e ele sorriu de volta, entrando no quarto.
Eu tinha que pensar que tudo ficaria bem e no final tudo ficaria bem se eu pensasse bastante.
—Remus. — falei, pegando a mão dele quando ele chegou perto. — Tenho que te contar algo. — disse. Ele assentiu e segurou minha mão com amor. Me sentei no banco em frente ao piano que tinha na Casa dos Gritos. Remus se sentou ao meu lado, me mirando tocar lentamente nas teclas fazendo uma melodia calma e sem jeito. Foi difícil erguer meus olhos para olhar nos dele. Foi mais difícil ainda achar o fôlego para falar novamente.
—Só me conte, Addie. — ele disse acariciando meu rosto, seu sorriso e olhos âmbar me trouxeram segurança.
—Eu estou grávida. — soltei. Ele congelou, seu olhos ficaram fixos em meu rosto, talvez esperando eu rir e dizer que era tudo uma grande piada. Sua mão parou de fazer carinho em meu rosto e eu podia jurar que até mesmo sua respiração parou. Resolvi continuar já que ele estava quieto e não gritando comigo. — Venho… estado grávida a alguns meses, na verdade, vai fazer cinco no final desse mês. — contei e mesmo assim ele não disse nada. — Eu descobri no final de março e… decidi que vou ter o bebê, Remus. — falei alto e claro para que ele escutasse muito bem que de nenhuma forma eu mandaria meu bebê embora. Seu silêncio estava me matando. Queria continuar a falar, mas não sabia se ele ao menos estava me ouvindo. Sua expressão não me dizia nada, sua mão parada em meu rosto parecia inexistente. O medo se apoderou do meu corpo e eu quis ir embora dali do que continuar a ter aqueles olhos inexpressivos em cima de mim. — Remus, por favor, diga alguma coisa. — pedi desesperada. — Qualquer coisa.
—Ahn… eu… — ele pareceu confuso, sua mão saiu do meu rosto e caiu para seu colo. Os olhos dele passaram pela sala, pelas teclas do piano e então pararam em minha barriga coberta pela minha capa. Eu abri minha capa e deixei ela cair no chão, então comecei a desabotoar minha blusa do uniforme até o final. Mirei minha barriga assim como Remus, peguei a mão dele apesar de estar com medo da reação dele e pousei em cima da minha barriga.
—Sei que está assustado. — disse, com a voz surpreendentemente não embargada. — Eu li um monte de livros e nenhum deles… nenhum deles diz que nosso bebê vá nascer como… — suspirei. — Está tudo bem, Remus… por agora.
Seu rosto se contraiu em dor, mas ele não disse nada. Sua mão não fazia carinho em minha barriga só que também ele não a tirou de lá. Era gostoso sentir uma outra mão em minha barriga, além da minha ou de uma das meninas. A mão de Remus estava quente sobre a minha barriga, coloquei a minha sobre a dele e ele ainda não se mexeu. Foi quando senti minha barriga se movimentar que Remus tirou a mão depressa e surpreso. Seus olhos estavam arregalados e ele me olhou desesperado.
—Moveu… — ele disse.
—O bebê faz isso algumas vezes. — murmurei. Remus parecia confuso encarando sua mão e minha barriga. — Quer… quer voltar para o Castelo? — indaguei quando não sabia mais o que fazer. Ele assentiu e eu voltei a abotoar minha blusa e coloquei a capa em meus ombros quando saímos do quarto. O caminho foi silencioso até o Castelo, mas no meio do caminho Remus segurou minha mão apesar de não me olhar. Fomos para a Casa na Árvore onde eu sabia que tinha alguns chocolates para enfiar na goela de Remus e o impedir de pirar sobre a gravidez. O silêncio dele estava insuportável, talvez tivesse sido melhor se ele tivesse explodido e gritado comigo. E não esse vácuo, onde eu não sabia o que diabos ele estava pensando.
Quando chegamos na Casa na Árvore eu não sabia se eu ficava frustrada ou aliviada pelo fato de toda a gangue estar lá. Sirius estava sentado no chão em frente a poltrona em que James estava sentado com Lily em seu colo que mexia no cabelo de Sirius. Emmeline estava jogada no colo de Dimitre e Emily no sofá, com Peter sentado no chão em frente a eles. Nas almofadas que tínhamos no chão do outro lado do sofá, estava Marlene, Dorcas, Frank e Alice jogando Snap Explosivo. Eles nos olharam todos normalmente, menos Emmeline, Lily e Emily que encaram Remus estranhamente querendo saber se eu havia ou não contado a ele.
—Lily, eu sei que agora somos amigos, mas isso já é demais… você está arruinando meu cabelo perfeito. — reclamou Sirius, com Lily arrumando o cabelo dele. Ela não teve tempo de responder porque Remus soltou minha mão e resolveu soltar a bomba.
—Addie está grávida. — ele contou. — Aparentemente. — ele disse. Todo mundo ficou quieto. Uma das cartas do jogo de Snap Explosivo, explodiu, mas ninguém ligou. Lily acabou tirando um tufo do cabelo de Sirius, mas ele nem se mexeu. Peter engoliu seu baseado com a surpresa.
—OH MEU MERLIN! — berrou Sirius, dramaticamente, fingindo que já não sabia sobre minha gravidez. Todos olharam para ele e ele colocou as mãos no rosto. — QUEM É O PAI?
Eu o olhei chocada e revirei os olhos, com a mão na testa. Remus franziu a testa e me mirou.
—Sirius já sabia? — ele indagou. E agora sim eu pude ver a mágoa em seus olhos, a raiva.
—Teddy… contou para ele. — murmurei. Remus ficou um tempinho quieto, parecendo pensar.
—Adhara, para quem você contou antes de me contar? — foi sua pergunta.
—Eu contei Emmeline quando descobri. — falei, olhando meus pés. — E Emily descobriu depois e Lily meio que também. — disse. Ele assentiu cruzando os braços, mas quando eu notou que eu continuaria sua expressão mudou. — E contei para Teddy no recesso e foi quando ele contou Sirius e também minha avó que agora já deve ter contado para avô. — disse.
—Então, todos vocês sabiam? — indagou Remus se virando para meus amigos. Lily corou, Emily desviou o olhar, Sirius tragou seu baseado com força e Emmeline apenas encarou Remus. — Porque diabos ninguém me contou? — ele perguntou completamente irritado.
—Eu tentei. — disse Sirius, com uma careta. — Te disse para perguntar para Addie o que tava de errado com ela… você não insistiu o suficiente.
James levantou as mãos em rendição.
—Eu não sabia. — disse James, olhando Sirius e Lily chocado. — Minha namorada e meu melhor amigo sabia e nenhum se importou em me contar? — ele bufou.
—Remus… — chamei, interrompendo James e Remus que olhavam para Sirius traídos. — … eu também… a razão por eu conversar com Theo Nott nas Masmorras é porque ele também sabe.
James ofegou chocado que até Theo Nott sabia. Lily tentou calar ele, mas não conseguiu fazer o mesmo com Sirius que parecia tão chocado quanto. Emmeline suspirou negando com a cabeça, Frank resolveu pegar uma garrafa de hidromel e passar para todo mundo, começando com Alice. Marlene e Dorcas tiveram mais de suas cartas explodidas no jogo quando apertaram com força demais. Peter ascendeu outro baseado que Dimitre roubou tragando depressa.
—Você contou para Theo Nott que estava grávida antes de contar a mim? — disse Remus entredentes. — Porque você faria isso?
—Nós não somos amigos. — eu disse, atrapalhada com as palavras. — Mas não somos...não-amigos, entende?
—Entender? Como eu posso entender o que diabos está acontecendo aqui, Adhara? — ele falou. — Como eu posso entender qualquer coisa que esteja acontecendo?
—Eu queria te contar.
—Então, porque não me contou? — ele indagou, exasperado. Naquele momento a memória de Adam brigando comigo por que eu não o contei sobre a Academia Rise veio em minha mente. Pude ver pelo canto dos meus olhos Lily tentando tirar todo mundo de lá silenciosamente. Peter passou atrás de mim tropicando para fora da Casa na Árvore, sendo seguido de Dimitre que engatinhava.
—Eu estava com medo. — falei, honestamente. Fingindo não ver que Marlene havia caído em cima de Alice e as duas estavam as minhas costas caídas no chão com Dorcas e Frank tentando levantar elas.
—O medo momentaneamente passou quando você contou para um monte de outras pessoas? — ele me perguntou, também fingindo que não tinha visto que quase todos já haviam conseguido sair. — Quando você contou para Theodore Nott? Onde estava o medo?
—Eu não me importo com a opinião de ninguém. — eu disse, sentindo vontade de chorar. Percebi James resmungando sobre ter que ir embora, mas Emmeline e Lily puxaram ele para ir embora. Emily e Sirius deixados para trás saíram também engatinhando quando Remus olhou diretamente para eles. — Me importo com a sua opinião e por isso não te contei.
—Então, você achou que o melhor seria mentir por meses? — ele indagou.
—Eu estou te contando agora, Remus. — eu disse, quando finalmente estávamos sozinhos na Casa na Árvore.
—Ótimo. — ele disse. — E o que eu deveria fazer? Você claramente não precisou da minha opinião até agora.
—Apenas me diga que vai ficar tudo bem que realmente ficará. – pedi, começando a chorar. Remus me olhava de uma forma tão triste e quando ele me abraçou chorei em seus braços.
—Mas eu não sei se tudo ficará bem, Adhara. — ele disse. — Tudo está tão… estragado agora. — murmurou. — E se o bebê for um monstro como eu?
ஐ
—O que você está fazendo escondido aqui, Remus? — indagou James ao entrar na Torre de Astronomia. Remus que estava na beirada olhando o céu se virou para ele. Já haviam passado do horário de recolher e sabia que podia acabar em detenção estando lá. — Vá atrás de Addie.
—Ela me disse para não ir atrás dela. — murmurou Remus em resposta.
—Você virou uma garotinha de 13 anos agora? — disse James. Antes de Remus responder Sirius e Peter também chegaram na Torre de Astronomia com a capa de invisibilidade de James nas mãos.
—Addie sumiu. — contou Sirius.
—Ela não está nos dormitórios, nem na Casa na Árvore ou na Casa dos Gritos. — disse Peter. — Emmeline e Emily procuraram ela pelo Castelo, mas não a acharam em nenhum lugar. — falou. — Se tivéssemos o Mapa seria fácil, mas… — ele resmungou. Sirius socou o ombro de Peter.
—Achamos que talvez ela tenha ido para Hogsmeade pela passagem da Bruxa de Um Olho Só. — ele disse. — Vou atrás dela.
—Não. — James o parou. Ele cruzou os braços e olhou Remus. — Moony vai atrás dela. — ele disse. — Certo? Você vai atrás da sua namorada desaparecida e grávida. — ele mandou. Remus ficou quieto ainda sentado no chão. — Vá atrás dela. — mandou, chutando Remus de leve para irritá-lo. — Vá atrás dela. Vá atrás dela. — repetiu, ainda chutando ele. — Vá atrás dela agora. Vá atrás…
—Eu estou com medo. — berrou Remus. Sirius puxou sua varinha jogando um feitiço silenciador na porta da Torre para que ninguém escutasse. — Não sei… se consigo.
—O quê? — bufou James. — Você disse que sente seus testículos doerem quando pensa nela e que não consegue se masturbar há uma semana porque está muito triste.
—Como o Peter no quinto ano. — disse Sirius e Peter assentiu.
—Estou com saudades dela. — disse Remus, confuso. — Sinto falta dela antes disso. — ele falou. — Eu não sinto saudades de um… bebê. Não quero um, porque… — ele suspirou. James olhou para Sirius e Peter e se sentou ao lado de Remus no chão.
—As vezes eu me pego pensando em como meus filhos com Lily vão ser. — contou James. Remus o mirou de lado.
—Quem virou uma garotinha de 13 anos agora? — ele brincou. James riu.
—É porque eu amo Lily mais do que já amei qualquer coisa. — ele disse, com um sorriso. — É um amor diferente do que eu sinto pelos meus pais ou por Sirius e… você. — disse. — Você sente a mesma coisa por Addie, não é? Está apaixonado por ela desde sempre, Remus, desde a porra do princípio de tudo.
—Eu sei.
—Você quer ficar com Addie o tempo e parece que dói quando você não está, certo? — indagou Peter, os meninos o olharam entendo suas palavras. James botou a mão no ombro de Remus.
—E você tem a chance de ficar com ela para sempre. Quanto ao bebê… foda-se. — falou. — Vocês vão dar um jeito, porque honestamente isso não é a pior coisa no mundo que poderia acontecer.
—Eu sou um lobisomem, James. — disse Remus, desolado. — E se..
—Nada de ruim vai acontecer, Moony. — falou James. — Porque você e Addie tem um ao outro, mas vocês também tem a nós. — sorriu. Sirius e Peter sorriram também. Remus os olhos e acabou abrindo um sorriso. — Nós sempre ficaremos ao seu lado.
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Remus corria pela estreita passagem da Bruxa de Um Olho Só. Rasgando sua capa remendada quando ela agarrou em uma pedra afiada. Não ligou nem um pouco para isso. A única coisa para qual que ligava no momento era Adhara. Precisava achá-la antes que ela o odiasse demais por ter tido uma reação completamente horrível sobre o bebê. Sobre praticamente ter chamado seu próprio bebê de monstro por assumir coisas precipitadamente. Era óbvio que ainda estava apavorado com essa possibilidade, mas Adhara era muito mais importante de que seus medos e agora ela estava assutada e sozinha.
Adhara precisava de Remus.
Ele começou a pensar em como tudo naqueles meses deveriam ter sido difíceis para Adhara. Descobrir que estava grávida e não poder contar para ele, não ter ele ao lado dela quando tomou a decisão que de ficaria com o bebê. Se sentir completamente sozinha, como ele também havia se sentido nesses meses que ela ficou estranha com ele. O medo que sentiu quando ela pulou uma segunda Lua Cheia, tantas coisas passaram pela mente dele naqueles meses. Quando ela fugia do toque dele e ele fingia que não notava. Achou que ela apenas estava com medo de terminar com ele, mas então ela o beijava e sorria para ele e tudo parecia bem até ela pular outra Lua Cheia.
Chegou no alçapão que dava para a Dedos de Mel e subiu depressa, tentando não fazer tanto barulho ao mesmo tempo que tinha movimentos rápidos. Estava preparado para sair por Hogsmeade gritando por Adhara, mesmo com o risco de ser pego e talvez expulso de Hogwarts, sabia que valeria a pena porque teria reconquistado Adhara e seu bebê.
Já estava correndo para as escadas para sair do porão da Dedos de Mel quando viu Adhara em um canto, sentada em uma pilha enorme de barras de chocolate, enquanto comia uma. Ela o olhava com aqueles olhos azuis que pareciam o oceano, eles estavam vermelhos, o que mostrava que Remus realmente havia a magoado. Ele se sentiu ansioso a cada passo que dava para perto da namorada. Se sentou na pilha de doces ao lado dela e ficou quieto por um tempo.
—Eu realmente te amo, Addie. — ele disse. — Eu… mesmo quando não estávamos juntos e mesmo eu sempre achando que eu nunca poderia ter uma família minha, eu… eu imaginava uma vida com você. — contou atraindo os olhos inchados dela para sue rosto. — Porque você é e sempre será a pessoa com quem eu quero passar o resto da minha com. — disse. — Não importa por quanto eu tempo eu viva, dias, meses ou anos. Quero passar todos eles com você.
—Remus… — ela sussurrou. Ele tomou o rosto dela com as mãos e sorriu.
—E estou apavorado, de verdade. — continuou. — Mas esse não é o mais apavorado que eu já estive antes. — disse, fazendo um carinho no rosto dela. — E eu sei que você tem um montão de dinheiro e que não precisa de mim para criar esse bebê, mas eu realmente gostaria de… ser o pai desse bebê se isso significa que você é a mãe.
Adhara sorriu e riu no meio do choro.
—Você é tão bobo, Remy. — ela disse ainda chorando. Remus sorriu de lado. — É os hormônios, está bem? Você que é o chorão entre nós dois. — murmurou. Ela o puxou para um beijo em meio as lágrimas. — Remus, você é exatamente o que eu preciso para conseguir criar esse bebê. — disse. — Como eu conseguiria sem você? Como eu conseguiria qualquer coisa sem você? — os dois se beijaram novamente amassando os doces embaixo deles. Remus deitou Adhara me cima dos doces com calma, e tocou a barriga dela gentilmente. — Vai tudo ficar bem? — ela perguntou o vendo tocar sua barriga com amor.
—Vai tudo ficar bem, Adhara.
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