When We Were Young
16 The Worst Wedding EVER ||
Notas iniciais
THE WORST WEDDING EVER ||
BLACK'S HOUSE
1974
SUMMER
O Sr. Lestrange conversava com o pai de Sirius, meus pais conversavam com tio Cygnus e tia Druella. Tia Walburga conversava com os Malfoy. Lúcio olhava para o próprio prato parecendo estar muito longe dali. Bellatrix não tinha vindo com Rodolfo, pois estavam “viajando”. Narcisa tentava conversar com Rabastan, mas ele parecia mais deslocado na nossa sala de jantar do que nunca antes. Sirius brincava com as ervilhas, vez ou outra jogando uma em Régulus, que o encarava zangado tentando continuar impecavelmente quieto e comportado. Teddy tagarelava coisinhas infantis num cercadinho ali perto.
Mais um entediante jantar na casa Black. Eu odiava as minhas férias. Queria estar sempre em Hogwarts com Emmeline, Mary, Remus, Peter e James. Sentia falta de Lily e Severus também, apesar de estar cada vez mais distante do sonserino.
Olho para Rabastan, sem conseguir evitar e noto que ele parecia miseravelmente infeliz. Não me parecia convincente que fosse pela desenvoltura da nossa relação esquisita... Só posso pensar que ele estava preocupado com o irmão.
Não era pra menos... A guerra estava rolando solta.
Meus tios e pais sempre diziam que a revolução de Voldemort não iria durar. Mas então aquele homem foi ganhando mais e mais poder... mais e mais influência, força... Já tinha notado que meu pai discordava da opinião dos irmãos quanto a ele. Tia Walburga e tio Cygnus, assim como Órion, achavam que Lorde Voldemort seria o campeão do mundo bruxo. Um salvador do nosso povo. Meu pai discordava e o achava medieval demais. Ele era um pouco como Narcisa, apesar de estar ainda mais contra ele do que minha prima.
Em Hogwarts pouco se ouvia falar sobre a guerra... parecia simplesmente um grupo de arruaceiros defendendo bobagens... mas agora que tínhamos voltado pra casa, entendíamos que não era bem por ai.
O Profeta Diário estava abafando o caso. Quase nunca falava sobre os atentados, os ataques, as mortes.
Mas Emms tinha mandado cartas, assim como Lily, Remus e Mary, que tinham parentes trouxas. Coisas estranhas aconteciam no mundo trouxa. Desastres naturais inexplicáveis, imprevisíveis, de repente... Os trouxas não conseguiam entender que eram os bruxos quem os estavam atacando. Os tais Comensais de Morte... aqueles monstros encapuzados e mascarados, que apareciam pra mim sempre que eu precisava enfrentar um bicho papão.
Não era uma pequena revolução. Era muito mais do que isso...
As famílias mais ricas e poderosas estavam apoiando Voldemort. E me enojava saber que minha família era uma delas.
Eu estava encarando meu prato de comida, intocado, quando a campainha tocou. Todos fizeram silêncio, se perguntando quem deveria ser. Olhei para Sirius e ele me olhou de volta, mesmo que ainda estivéssemos um pouco zangados um com o outro, desde Hogsmeade.
—Oh! Deve ser meu filho mais velho. – riu o Sr. Lestrange – Quem diria que ele conseguiria aparecer?
Sirius fez uma careta e eu também. Reparei que Rabastan ficou alerta, ansioso, esperando que tia Druella fosse ver quem tinha chegado.
Torci para que fosse nosso tio Alphard – o mais rico e excêntrico da família, que quase nunca aparecia por estar ocupado demais ganhando mais dinheiro por ai com seus estudos de poções. Mas logo vi Bellatrix chegar com o marido e tia Druella, que parecia que levantaria voo a qualquer momento.
—Bella e Rodolfo. Não é maravilhoso? – perguntou ela batendo palmas. Meus parentes, com exceção de Sirius, sorriram e soltaram exclamações de entusiasmo, assim como os convidados – E eles trouxeram alguém com eles.
Rabastan e Régulos ficaram tão boquiabertos que achei que seus queixos iriam cair no chão. Senti meu corpo todo estremecer, de medo, pavor, nojo... olhei para Sirius, que tinha feito uma careta, depois para Narcisa, que parecia estar sendo obrigada a engolir um prego. Depois olhei para Bellatrix, que estava de braços dados com o convidado.
Me lembrava dele, no casamento de Bellatrix. Os cabelos pretos, o rosto bonito, bem feito. Mas os olhos dele... Ele olhou para cada um de nós de maneira intensa. Parecia que podia ler nossas mentes, sabia ler nossos medos. Lorde Voldemort tinha o olhar mais sangrento que eu já vira, além de uma estranha pele branca demais. Por mais que ele fosse bonito, a aura assustadora dele, assim como suas mãos sujas de sangue, não o deixavam realmente atraente... bem... não para as pessoas normais, ao menos... Bellatrix provavelmente o achava o homem mais delicioso da face da terra.
—Espero não ser um incômodo. – disse ele num tom calmo, com um sorriso malicioso – Sei que não esperavam por mim, mas Bellatrix insistiu que sua família não acharia minha presença um estorvo.
Eu quis fazer piada, mas minha voz não saiu. Olhei para Sirius e notei que ele parecia mastigar a própria língua. Ele me olhou de volta e mais do que nunca soube que nossas mentes pensavam a mesma coisa. Só queríamos estar em qualquer outro lugar...
—Estamos honrados em recebê-lo, meu caro. – disse tia Walburga, ficando de pé – Não é mesmo, Órion?
—É claro. Deixe-me só providenciar algumas cadeiras. Não esperávamos mais pessoas. – riu tio Órion parecendo simplesmente maravilhado. Rabastan e Régulus ainda olhavam em choque, boquiabertos, eufóricos. Tive vontade de chutar Rabastan. Sirius sempre tivera razão sobre ele, afinal...
—Por favor, permita-me. – riu Voldemort sacando a própria varinha. Ele a sacudiu no ar e minha cadeira moveu-se um pouco para a esquerda. A mesa se esticou mais um pouco e mais três bonitas cadeiras apareceram. Para minha sorte, entre tio Cygnus e o Sr. Malfoy, que olhava Voldemort com um olhar extremamente calculista. Era simplesmente impossível saber o que aquele homem estava pensando.
—Que bom que conseguiu se juntar a nós, irmão. – disse Rabastan, parecendo aliviado, com um enorme sorriso. Rodolfo sorriu para o irmão caçula e piscou para ele.
—O que eu não faço por você? Como está indo na escola? – perguntou Rodolfo.
—Bem. Passei em todas as matérias, com boas notas. – gabou-se Rabastan.
—Muito bom. – riu Rodolfo se sentando entre Bellatrix e o Sr. Malfoy – Como eu disse, meu Lorde, meu irmão é um bruxo esperto e dedicado.
—Sim. Claro que é. – disse o Sr. Lestrange com severidade – Sempre exigi dedicação aos estudos dos meus dois filhos. Rodolfo se tornou um bruxo extremamente competente. É claro que Rabastan seguirá os passos dele.
—E os outros pupilos? Como vão? – perguntou Voldemort olhando de Régulus, para Sirius e depois para mim – O futuro da família Black.
—Sirius foi um dos melhores do ano. – disse tia Walburga com orgulho. Nem parecia que tinha passado uma hora gritando com Sirius, quando chegaram em casa, sobre como ele era um imprestável, desobediente, cheio de detenções, que manchava o nome da família com toda aquela vergonha. E ela ficou ainda mais furiosa por ele ter tirado nota máxima em Estudo dos Trouxas e uma nota bem medíocre em História da Magia – Régulus também, um pequeno gênio, nosso Régulus. E minha pequena Adhara...
—Minha filha é uma bruxa muito competente e dedicada. – cortou meu pai com um tom seco, encarando para tia Walburga com um olhar gélido – Pare de falar como se Adhara fosse sua propriedade, Wal. Ela não é.
Sorri para meu pai, contente e notei com satisfação que minha tia ficou furiosa em ser desacatada na frente do nosso intruso de honra.
—Sua irmã é minha esposa e portanto hierarquicamente mais importante que você, Póllux. – ralhou tio Órion.
—Ela não pariu minha filha, apesar disso. Eu não pertenço a você, Órion, assim como Adhara não pertence a vocês. – meu pai pegou um guardanapo e limpou os lábios – Addie, coma seus legumes.
—Sim, papai. – respondi calmamente, com um sorriso no rosto.
—Sabe, tio... seus modos, a cada dia que passa, ficam piores. – ralhou Bellatrix. Meu pai a olhou e sorriu com ironia, mas fui em quem respondeu.
—Acho que temos noções diferentes sobre o que seriam bons modos, prima.
—Eu me lembro de um jantar, no último verão, querida priminha... não era eu quem estava faltando com os modos. Rabastan que o diga. Cumpriu a promessa que fez a ele? – sibilou Bellatrix.
—Quer mesmo falar sobre aquele dia? Tem mesmo uma questão levantada naquele jantar, que eu adoraria esclarecer. – devolvi acidamente. Bellatrix perdeu o sorriso e seu rosto corou.
—Basta! – ralhou tio Órion – Vamos agir como pessoas civilizadas! O que nosso convidado vai pensar?
—Convidado? Desde quando ele é nosso convidado? Ele só chegou aqui e se sentou! – ralhou Sirius.
—Sirius! – ralhou tia Walburga, num silvo.
—Está tudo bem. – riu Voldemort – Ele tem razão, na verdade. – ele olhou então para Narcisa, que ficou tensa. Lúcio a olhou com severidade, como que ordenando com o olhar que ela se comportasse – Você deve ser Narcisa... está muito bonita. Vai se casar nesse verão com Lúcio, não é?
—Sim, meu Lorde. – respondeu Narcisa, sem emoção. Nunca tinha visto Narcisa não falar com empolgação sobre seu casamento.
—Uma noiva muito apropriada, Lúcio. – disse o Lorde – Espero que não esteja pensando em desistir de se casar com uma mocinha tão bonita. – todos olhamos para Lúcio, que suspirou antes de responder.
—Eu jamais faria uma desonra dessas. – respondeu ele, mas eu notei um olhar severo do Sr. Abraxas sobre o filho e a mãe do Lúcio pareceu levemente agitada – Eu e Narcisa sabemos que nosso casamento é ansiado por nossas famílias. Temos um dever, demos nossa palavra e sim, vamos nos casar.
Narcisa soltou um longo suspiro, mas concordou com um aceno de cabeça.
—Bem... isso certamente merece um brinde. – disse Rodolfo, conjurando uma taça para ele, a esposa e para o Lorde. Todos os adultos se serviram com vinho, eu, Sirius, Rabastan e Régulus com suco de amora. Levantamos os copos cheios e Rodolfo continuou – Que a família Malfoy tenha muitos herdeiros! Que famílias puras como as nossas continuem a perpetuar nossas gloriosas tradições e que um dia alcancemos um patamar de pureza apropriado para um mundo bruxo melhor.
—A Narcisa e a Lúcio! – riu tio Cygnus, com um enorme sorriso cheio de satisfação.
—Aos noivos. – repetimos, apesar de que nem eu e nem Sirius estávamos lá muito empolgados com o brinde.
Mas o que mais chocou a todo mundo foi quando Narcisa colocou sua taça de vinho intocada em cima da mesa, se levantou e saiu.
Todos olhamos chocados para ela (menos Voldemort, que parecia simplesmente curioso com a reação dela).
—Narcisa! – chamou tia Druella. Bellatrix parecia que iria desmaiar.
—Eu vou falar com ela. – digo me levantando – Eu e Ciça nos tornamos bem amigas esse ano.
—Já entendi de onde veio a rebeldia. – ralhou Bellatrix com desdém.
—Pra sua informação, a Narcisa foi uma péssima influência para a Addie. Ela passou metade do ano com os Sonserinos. – resmungou Sirius.
—Isso é verdade. – disse Rabastan – Não é, Addie?
—Ela não está na Sonserina? – perguntou Voldemort, enquanto eu subia as escadas atrás de Narcisa.
—Não. Ela e Sirius são duas sementes ruins na família. Foram para a Grifinória. – debochou Bellatrix.
Escutei algo como: há bons bruxos na Grifinória, do tal Lorde Voldemort, mas posso ter escutado mal.
Narcisa estava sentada no sofá, na sala do tapete, parecendo prestes a cair no choro. Me sentei ao lado dela e segurei sua mão, me perguntando o que estaria passando na cabeça dela. Narcisa apertou minha mão e fungou.
—Ele... ele vai se tornar um seguidor... Já é um seguidor... dele... – choramingou ela.
—Do que está falando? – perguntei sentindo meu estômago remexer-se. Narcisa arfou, olhando para o teto, com os olhos já tão cheios de lágrimas que achei que logo iriam escorrer pelo rosto dela, por mais que ela resistisse.
—Lúcio. Ele... ele vai ficar louco igual a Bella. – respondeu Ciça – E eu vou ter que viver com isso. – ela passou as costas da mão livre por uma das bochechas, para secar um rastro de lágrima, que inevitavelmente acabou escorrendo – Ele nunca vai me olhar como Tonks olha a Andy... porque ele vai virar mais um louco... como a Bella... – Narcisa me olhou com tanto medo nos olhos que eu tive vontade de abraçá-la – Bellatrix... ela já engravidou duas vezes... mas tirou porque não quer ter filhos. Quer lutar! Que mulher não quer ter filhos? E Rodolfo! Ele apoia isso! Os dois são malucos! E se Rabastan também resolver fazer isso? Será o fim da linhagem Lestrange!
—Calma, ok? – pergunto para ela – Isso não é da nossa conta. É problema deles. – murmuro – E você tem muito mais jeitinho do que Bellatrix. Você vai conseguir amolecer o Lúcio e... bem... quem sabe pode por algum juízo na cabeça dele e...
—Ele nunca vai me amar como amou aquela Moira Prewett... – chorou Narcisa escondendo o rosto com as duas mãos – Eu vou ser sempre a raspa do tacho, a segunda opção... o prêmio de consolação... – ela socou os joelhos e me olhou raivosa – Eu sou Narcisa Rosier Black e vou ser humilhada dessa maneira! Você ouviu ele responder a pergunta daquele homem odioso? Ele basicamente falou que vai casar comigo por obrigação.
—Eu sempre disse que ele não prestava, Ciça. Não sei o porque de você ser tão fissurada com ele! – resmunguei franzindo a testa.
—E que outra opção eu tenho, Addie? Me rebelar? – ela se levantou e andou até a tapetaria na parede – Virar isso? – perguntou apontando para o buraco onde um dia existira o rosto de Isla Black – Ou então... então isso? – perguntou ela afagando o buraco onde um dia Andrômeda estivera – Eu sou uma menina comportada, Adhara. Eu não sou rebelde como você ou o Sirius... mas eu sempre me esforcei... para... para que ele gostasse de mim. – Narcisa se abraçou, parecendo deprimida – E agora, na véspera do nosso casamento... Lúcio ainda tem a audácia de dizer para a minha família... pra mim... que eu... eu não passo de uma obrigação. Um acordo que ele vai ser obrigado a cumprir, para não desonrar o bom nome da família dele... – Narcisa passou as costas das mãos pelo rosto novamente – Ele não consegue entender? O que eu sinto? O que eu sinto por ele?
—O que raios você sente por ele, Ciça? Ele é um cretino! – perguntei arqueando as sobrancelhas.
—Mas eu o amo! – chorou ela fazendo careta – Eu sei que parece idiota... mas eu sempre sonhei com ele... ele sempre foi meu príncipe encantado... e essa admiração... esses sonhos de mocinha inocente acabaram evoluindo para paixão... e depois... – ela me olhou deprimida – Sirius acha que eu não sei a diferença. Mas eu sei. Eu sei muito bem. E dói. Cada palavra que ele disse naquela maldita mesa de jantar... – Narcisa tocou o peito esquerdo e quase não teve voz pra terminar de falar – Ele fez meu coração em pedaços, Addie... em pedaços...
—Ciça... – eu estava numa pena absurda dela. Narcisa nunca tinha se aberto assim pra mim. Corri até ela e a abracei o mais forte que consegui – Eu... eu realmente sinto muito.
—Nunca ame alguém, Addie... – chorou Narcisa, como uma criança – Isso só te faz sofrer.
A apertei com mais força contra mim, a escutando chorar compulsivamente. Ela nunca tinha se descontrolado daquela maneira... nem ao ver Andy... mas agora... ela devia realmente amar demais aquele idiota do Lúcio Malfoy. Por que garotas legais sempre acabavam apaixonadas por garotos idiotas? Emms por Sirius (que apesar de ser meu primo, é o rei dos cretinos), Moira por Lúcio, Ciça por Lúcio...
Ele só era bonito, fala sério.
—Narcisa! – chamou uma voz no pé da escada. Soltei minha prima e vi tia Walburga se aproximar, parecendo simplesmente furiosa – Que Addie e Sirius tem um comportamento sempre terrível, isso não é novidade... mas você? Limpe esse rosto e trate de descer para se desculpar com nossos convidados e com o seu noivo. Já pensou se ofende o Sr. Abraxas e ele resolve que você não é apropriada para o filho dele? Já pensou no prestígio que você iria perder? Na desonra que traria para o nosso...
—MAS SERÁ QUE VOCÊ SÓ PENSA NISSO? – gritei enfurecida – Em dinheiro, em influência, em negócios! Você não vê que a única coisa que consegue com isso é destruir nossa família? Você enlouquece todo mundo! É por isso que dizem que todos os Black’s são loucos!
O tapa veio tão de repente, que nem tive tempo de me surpreender. Assim que coloquei a mão na minha bochecha, que ardia, vi a megera estapear Narcisa no rosto da mesma maneira.
—Eu sou a mulher mais importante dessa família. Eu sou a senhora dessa casa. Vocês vão me obedecer e respeitar. Adhara, vá ajudar a sua prima a se arrumar. Depois desçam e peçam desculpas por esse comportamento completamente inapropriado de vocês! – sibilou ela de maneira feroz.
Eu estava para mandá-la pro inferno, mas Narcisa me puxou pelo pulso e me levou para seu quarto.
—Por que...?
—Cuidado com tia Walburga. – murmurou Narcisa se sentando em sua penteadeira – Ela é adepta do velho costume Black de castigos...
—Como assim? – perguntei ainda massageando a bochecha. Narcisa levantou o olhar para mim e murmurou temerosa.
—Crucio...
ஐ
MALFOYS MANSION
A Mansão Malfoy era a maior casa que eu já tinha visto. Tanto eu quanto Sirius ficamos chocados com o lugar. Era ridiculamente grande para a pequena família de Lúcio. Só três pessoas moravam ali e a casa tinha três andares e milhares de quartos e, aparentemente, uma masmorra... Sem falar nos jardins. Mas Narcisa explicara que antigamente a casa tinha muito mais gente.
O senhor Abraxas tinha quatro irmãos, mas três deles já tinham morrido. O quarto morava na frança e só tinha filhas mulheres, todas casadas e vivendo com os maridos. Portanto a casa acabara tão vazia.
Eu estava no quarto de Narcisa, a olhando pelo espelho. Ela parecia simplesmente infeliz enquanto a arrumavam para o casamento. Ainda usava um roupão branco de algodão e minha mãe pintava o rosto dela. Tia Walburga estava polindo uma tiara que ela usaria, enquanto tia Druella conferia todos os detalhes do vestido de noiva dela, que tinha as cores prata e o verde esmeralda dos Malfoy.
Estava me sentindo tão inútil quanto me senti no dia em que prepararam Bellatrix para seu casamento. Era terrível olhar para Narcisa e notar o quanto ela estava infeliz. Por isso deixei o quarto, o mais discretamente possível.
Caminhei pelos corredores, olhando as obras de arte, os retratos, empregados que corriam aqui e ali, desesperados para deixar tudo perfeitamente pronto a tempo para a festa. Toda a elite bruxa estaria ali e provavelmente haveria até uma cobertura do Profeta Diário. Afinal duas das maiores famílias bruxas da Grã Bretanha iriam se unir.
Suspirei achando aquilo horroroso. Estava passeando por um corredor, cheio de estátuas de querubins, quando ouvi passos. Me escondi num quarto qualquer e espiei quando a pessoa passou. Era o Sr. Abraxas Malfoy. Ele avançava rápido, apressado, pelo corredor. Me perguntei o que ele iria fazer. Como estava entediada e não tinha a menor esperança de encontrar Sirius, Régulus e Teddy, me coloquei a seguir o homem o mais discretamente que consegui.
O vi passar por uma porta e notei que não poderia continuar seguindo-o. Soltei um suspiro, curiosa, mas logo notei que não havia nada que eu poderia fazer. Voltei a caminhar por entre os corredores, ciente de que eu provavelmente não conseguiria voltar para o quarto onde estavam preparando Narcisa.
Subi um lance de escadas e reconheci as vozes de Bellatrix e Rodolfo. Espiei o quarto e vi que os dois estavam bebendo, conversando animados sobre uma família qualquer. Estava para sair, quando Bella me viu. Me afastei, mas a escutei falar.
—Volte aqui, Addie! Não corra, minha priminha. – pensei em correr, de verdade, mas não daria as costas para Bellatrix. Ela poderia me azarar. Minha prima apareceu na porta, com um sorrisinho – Por que não entra, Addie? Estamos falando sobre casamentos aqui.
—Estou farta de casamentos. – resmunguei. Bellatrix sorriu e me puxou pelo braço. Não tive escolha a não ser deixar-me levar.
—Pare de tanto drama. Ciça ficará bem. Ela vai virar um Malfoy e essa enorme casa vai ser toda dela...
Soltei um suspiro e entrei com Bellatrix. Logo notei que Rabastan estava lá também, parecendo desconfortável com alguma coisa. Assim que ele me viu, desviou o olhar. Me perguntei se ele ainda era apaixonado por mim.
Rabastan estava muito bonito, com os cabelos castanho avermelhados curtos, ondulados. Os olhos cinzentos, o rosto bem feito e a expressão séria. Ele estava bem alto e ficava cada dia mais forte.
—Já contou para sua amiga, a novidade, Rabastan? – perguntou Rodolfo com um sorrisinho. Ele encheu um copo com whisky de fogo e me ofereceu. Aceitei sem pensar duas vezes.
—Não contei pra ninguém. – respondeu Rabastan cruzando os braços – Podemos, por favor, não falar sobre isso? – perguntou ele. O olhei curiosa, mas ele não me olhou de volta. Beberiquei um pouco do whisky, gostando do gosto e de como ele descia esquentando cada pedaço do meu corpo.
—Mas, Rabastan, é uma grande notícia! – riu Rodolfo. Ele me olhou com um grande sorriso bêbado – Rabastan finalmente conseguiu uma noiva.
Senti meu estômago dar uma cambalhota. Olhei para Rabastan e ele seguiu sem me encarar de volta.
—Parabéns, Rabastan... – murmurei sem vontade, sem saber ao certo como estava me sentindo – Quem é a sortuda?
—Uma mocinha bem nascida da família Greengrass. – respondeu Bellatrix bebendo seu whisky de uma vez só. Ela estendeu o copo para o marido, que o encheu novamente – Como é o nome dela, Rodolfo?
—Eu não sei. Só sei que é uma Greengrass. Ela é bonita, Rabastan? É apenas um ano mais nova que você, não é?
Rabastan baixou os olhos, sem parecer muito empolgado. Na verdade, ele parecia até um pouco verde.
—Eu... eu não conheço ainda. Ela estuda na Beauxbatons... mas parece que ela vem pra Hogwarts, por causa dos N.O.M.s... – murmurou ele.
Era bem óbvio que ele não tinha gostado muito da ideia e que estava se sentindo desconfortável com a situação. Eu sabia bem como era... um noivado arranjado.
—Mas tenho certeza que ela deve ser bonita. – riu Bella – E se não for, não importa. O importante é o sangue.
Quase vomitei com a doentia daquilo. Mirei Rabastan e notei que ele seguia nervoso, desconfortável.
—Addie. – murmurou ele – Vamos dar uma volta?
—Claro. – respondi colocando meu copo meio vazio em cima da mesa. Rabastan se levantou e nós dois saímos, sendo observados por Rodolfo e Bellatrix. Caminhamos por entre os corredores em constrangido silêncio. Mas depois de um tempo, não aguentei ficar daquela maneira – Então... como... como se sente? – perguntei o olhando.
Rabastan soltou um enorme suspiro e então me empurrou contra uma parede. O beijo dele veio desesperado por mim. Os braços dele envolveram a minha cintura e me abraçaram com força. Coloquei minhas mãos nos ombros dele e o empurrei de leve, o mais gentilmente possível. Aquilo não era uma boa ideia. Simples assim.
—Eu sei, eu sei... – murmurou Rabastan se afastando, como sempre sabendo o que eu estava pensando. Ele fechou os olhos, parecendo angustiado – Eu... eu só queria fazer algo por mim mesmo uma última... – começou ele, mas ele foi cortado por uma voz alta vindo de um quarto qualquer.
—... EU NÃO VOU ME CASAR COM ELA!
Ficamos tão chocados que nos afastamos de uma vez um do outro, mirando a porta de onde aquela voz tinha vindo. Era Lúcio Malfoy. Tinha certeza que sim.
—SIM, VOCÊ VAI, LÚCIO! NÃO VAI DESISTIR DO FUTURO APROPRIADO QUE EU DESENHEI PRA VOCÊ POR CAUSA DAQUELA MULHER VULGAR! – gritou alguém que eu imaginava ser o Sr. Abraxas Malfoy.
—MOIRA NÃO É VULGAR! CALE ESSA SUA BOCA!
—Escute aqui, Lúcio. – rosnou o Sr. Abraxas, parecendo estar tentando se conter – Você acha que eu queria casar com a sua mãe? Você acha que eu ao menos queria me casar? Lógico que não. Mas eu o fiz, pelo bem da família e, hoje, agora que sou mais velho e inteligente, eu sei que foi a coisa certa a se fazer...
—Não vou me casar com aquela garota sonsa. – insistiu Lúcio – Eu não a suporto!
—Pois ela quem não deveria suportar você! Você é um cretino mal agradecido! Querendo dar as costas aos meus esforços e aos dela também! – rosnou o Sr. Malfoy – Eu procurei uma boa garota pra você. Bonita, bem nascida... E ela... A pobre menina, sempre se esforçou para que gostasse dela...
—Só pensa no meu dinheiro! – resmungou Lúcio.
—Você não tem dinheiro, Lúcio. Eu tenho dinheiro. – retrucou o Sr. Abraxas – E se acha que está a salvo por conta do seu emprego, saiba que só conseguiu chegar onde chegou graças a mim e a minha influência! Se eu não tivesse usado meus meios, não teria chegado nem a metade de onde chegou e com a mesma facilidade que eu te coloquei lá, eu te tiro! – ameaçou o Sr. Malfoy – Escute bem, garoto. Preste atenção como nunca antes. Eu prefiro matar você, fingir que você morreu nessa guerra que tanto gosta, a deixar você me envergonhar, correndo atrás daquela mulher que já está indo para o segundo filho daquele Weasley fracassado! Você me ouviu bem?
—Eu sou seu único filho. Pare de blefar...
—Pois eu prefiro ser o último Malfoy a ver você destruir a honra da nossa família. – Rosnou Abraxas. Escutei a porta abrir e Rabastan me puxou para trás de um grande relógio – E você, mas do que ninguém, deveria saber que eu nunca blefo.
Abraxas saiu do escritório e, para a nossa sorte, seguiu o caminho contrário a de onde estávamos. Nos esgueiramos para outra sala e nos escondemos ali. Minha cabeça zunia com tudo aquilo.
—Eu... eu preciso falar para a Ciça... – murmurei tonta.
—Não! Não faz isso. – murmurou Rabastan me segurando pelos braços.
—Ela precisa saber!
—Pra que? Ela não vai poder desistir de se casar com ele... nem Lúcio pode desistir, imagina a Ciça... – Rabastan escorregou as mãos até as minhas e acariciou meus dedos – Você só a faria sofrer, Addie...
Mordi meu próprio lábio, sabendo que aquilo era verdade.
—Mas... isso... isso não é...
—Eu sei. – murmurou Rabastan.
Ele me puxou de leve e me abraçou. Me permiti ser abraçada e acabei lembrando que ele estava noivo de outra garota. Me senti estranha novamente, apesar de não saber se era mesmo ciúmes...
Era simplesmente escroto saber que ele estava noivo de uma garota que nunca tinha visto. Era ainda mais terrível do que meu noivado com meu primo. Ao menos éramos amigos...
—Em que mundo doentio nós vivemos, Rabs? – sussurrei chocada com aquela realidade. Em Hogwarts, tudo parecia tão maravilhoso... aquelas tradições ridículas, a guerra, os compromissos... tudo parecia tão distante e hipotético quando estava na escola... Minhas férias, porém, eram recheadas de pesadelos e momentos de doçura... algumas vezes envolvendo Emmeline, Mary, Sirius, Andy, Ciça, Remus, James...
E Rabastan.
—É necessário, Addie... – murmurou Rabastan de maneira tão pouco confiante que duvidei que ele mesmo acreditasse no que falava. Parecia que estava repetindo algo que tinha sido treinado a pensar, por mais que ainda não lhe descesse a garganta – Para proteger as linhagens... para... para manter a pureza.
—De que serve pureza, Rabastan? – perguntei olhando-o nos olhos. Um calafrio me subiu a espinha. Tinha esquecido do quão perigoso era olhá-lo nos olhos – É um pensamento estúpido que só trás morte, tristeza e violência!
—Trouxe eu e você, Addie. – murmurou Rabastan acariciando meu queixo. Ele soltou um suspiro e me soltou. Então me deu as costas e foi até a porta – Eu preciso ir... estou compromissado a outra pessoa... eu não deveria... – ele suspirou de novo e então saiu.
Mas eu o segui.
—Não vê o quanto isso é terrível? – perguntei o seguindo – Nós somos amigos!
Rabastan sorriu e se virou para mim.
—Eu sei. Mas eu não confio em mim mesmo quando estou perto de você. – murmurou ele.
—Você nunca me amou! – digo de repente. Rabastan piscou constrangido e eu precisei me controlar para que meus cabelos não mudassem de cor – Sirius... Sirius me disse isso... e ele tinha razão.
Rabastan desviou o olhar.
—Do que está me acusando, Adhara? – perguntou ele – Você nunca me amou também.
—Mas poderia! – adicionei me aproximando dele – Mas você nunca se esforçou por mim da mesma maneira que eu me esforcei por você. Eu suportava Aminco, apesar dele quase ter me afogado, eu suportava Mulciber, apesar das brincadeiras idiotas e preconceituosas... eu suportava e aturava Avery, apesar dele me olhar como se fosse tirar minha roupa a qualquer momento... Nott, Rowle, Goyle... Eu sempre os aturei por você... Mas você nunca aceitou meus amigos.
—Quais? – perguntou Rabastan me olhando carrancudo – Vance? Que me olhava como se eu fosse matá-la a qualquer momento? – perguntou ele – Crazy Eyes? Eu nunca a tratei mal. Na verdade... – ele deu um sorriso zangado – Eu sempre defendia Crazy Eyes quando meus colegas queriam tirar sarro dela. Até impedi Mulciber de fazer uma brincadeira maldosa com ela uma vez. Ou está falando do seu primo e Potter? Que me espancaram de maneira desleal só porque eu beijei você? – Ele se aproximou e sorriu de um jeito que o deixou assustadoramente parecido com o irmão – Ou está falando do lobisomem?
Senti meu corpo inteiro tremer de medo. Achei que meus joelhos iriam ceder sob meu peso. Meu coração pareceu parar por um segundo, para depois bater tão acelerado que achei que ele perfuraria meu peito.
—O-o que?
—Achou que eu não iria notar? Acha que eu sou idiota? – perguntou Rabastan, com o mesmo sorriso. – Eu nunca contei pra ninguém por amo... – ele engasgou um pouco e virou o rosto – Por carinho a você. – corrigiu-se ele, corando de leve – E eu nunca fiz nada contra Pettigrew, desde que começamos a nos relacionar. Na verdade, eu parei de participar de todas as confusões “Grifinória e Sonserina”... – Ele me olhou nos olhos novamente – Me diga, Black. – O modo como ele disse meu sobrenome soou tão gelado que eu achei que iria partir ao meio – Quais amigos seus eu destratei? E como? Realmente... eu preferia não ficar perto deles. Mas simplesmente porque eles não me queriam por perto também. Meus amigos sempre gostaram de você. – Rabastan desviou o olhar e voltou a se virar – Eu já vou... vou procurar meu irmão... você deveria ficar com a sua prima, mas tente não falar demais com ela sobre coisas que é melhor ela não ficar sabendo.
ஐ
Soltei um suspiro ao olhar Narcisa. Como ditava a tradição, ela era a primeira a começar a se arrumar e a última a ficar pronta.
—O cretino do Lúcio não merece tudo isso. – eu digo acidamente, sem me importar com a mãe dele, que mirava Narcisa de maneira analítica. Todas me olharam feio, mas Narcisa sorriu achando divertido.
—É mesmo. O cretino não merece. – concordou ela com um sorriso zangado.
—Narcisa! – ralhou tia Druella – Peça desculpas a sua futura sogra.
Narcisa se virou e fez sua típica cara de desagrado, torcendo o nariz. Sorri ao não ser eu a receber aquele olhar. Antes de nos tornarmos amigas, eu e Sirius sempre recebíamos aquele olhar.
—Oh, me descuuuuuulpe, senhora Malfoy. – falou ela com um tom cheio de sarcasmo.
—Céus. Vou manter Adhara presa no quarto dela. Ela está contagiando os outros com a própria petulância – ralhou tia Walburga.
—Certeza que não foi influência direta do seu Sirius, Walburga? – perguntou minha mãe, com um olhar severo.
—O filho perfeito e a nora perfeita estão dando trabalho, Walburga? – perguntou a Sra. Malfoy com um sorrisinho divertido e malicioso. Tia Walburga a fuzilou com os olhos e eu troquei um olhar divertido e insolente com Narcisa.
A porta se abriu e Sirius e Régulus entraram de uma vez. Sirius parecia horrorizado e Régulus parecia que se mijaria de excitação.
—Você não vai acreditar em quem veio! – falaram os dois irmãos, cada um com um humor. Sirius disse pra mim, mas Régulus falou para a mãe.
—Quem veio? – perguntei para Sirius.
—Aquele maníaco. – respondeu meu primo.
—O Lorde das Trevas veio no meu casamento? – perguntou Narcisa, chocada. Notei que a mãe de Lúcio não pareceu nada feliz, mas tia Walburga e tia Druella bateram palmas animadas.
—Isso não é maravilhoso? – perguntou Druella – Um homem importante como ele no seu casamento, Ciça?
—Oh. A glória da nossa casa será ainda maior. Todos vão falar sobre isso. – riu tia Walburga.
—Várias pessoas do Profeta Diário estarão aqui... – sussurrou a Sra. Malfoy parecendo quase em pânico – Eu preciso falar com Abraxas...
Ela se virou para sair, eu e Sirius estávamos xingando, tia Walburga e tia Druella comemoravam, Bellatrix parecia orgulhosamente prestes a explodir de felicidade. Minha mãe torceu o nariz de maneira bem parecida com o modo como Narcisa fazia.
Mas quando Narcisa se levantou, todos olharam para ela, com exceção da Sra. Malfoy, que já estava na porta.
—Diga que eu não saio daqui enquanto aquele homem não for embora. – disse Narcisa. Todos nós olhamos chocados para ela – De jeito nenhum! Eu apoio a causa puro sangue, mas não quero me casar com ele aqui. Ele é um radical, assassino e enquanto essa guerra não terminar, eu não quero nem Dumbledore e nem o Lorde das Trevas por perto!
A Sra. Malfoy olhou para Narcisa, como se a olhasse pela primeira vez na vida. Ela deu um sorrisinho e concordou com a cabeça.
—Falarei isso. Não se preocupe. – disse a Sra. Malfoy saindo.
—NARCISA! ENLOUQUECEU? – rosnou Bellatrix avançando contra a irmã caçula – Como ousa falar uma coisa dessas? É uma honra ter o Lord das...
—Não! – rosnou Narcisa – Eu não vou me casar enquanto ele não for e ponto final. Ele é assustador. É um assassino, um genocida. Se Lúcio quer ser um seguidor dele, problema dele, mas nós não vamos esfregar isso na cara da sociedade. Essa guerra está longe de acabar.
—Por favor, Narcisa. Larga de ser covarde! – rosnou Bellatrix – Eu vou falar que você estava apenas brincando. Não vai ofender o Lorde das Trevas dessa maneira, não mesmo!
—Eu não saio daqui. – disse Narcisa se sentando da cama – E eu envergonho todo mundo me negando a casar, se me obrigarem a ir!
—Você não é louca! – rosnou tia Walburga.
—Talvez eu seja! – devolveu Ciça – Morei tanto tempo sob o seu teto que enlouqueci que nem a senhora!
—Oras, sua... – tia Walburga levantou a mão para estapear Ciça, mas minha mãe a impediu, a segurando pelo pulso.
—Não vai fazer isso. – rosnou minha mãe.
—Me solte agora mesmo! Quem você acha que é pra...
—Eu vou ser a pessoa a tirar meus filhos daquela sua casa de malucos e ir para longe. – respondeu minha mãe – E eu sou a pessoa que não vai deixar você ser a megera de sempre no dia do casamento de Narcisa!
—É isso ai! – riu Sirius – Me leva junto, tia!
—Cale a boca, Sirius! – rosnou tia Walburga.
Foi quando o senhor Abraxas e tio Cygnus entraram.
—Narcisa, minha doce menina. – murmurou o senhor Abraxas – Lizzie me contou o que você fez. Tem mais bom senso do que o imbecil do meu filho. Não se preocupe, querida. O casamento vai acontecer e eu pedirei pessoalmente que Lord Voldemort se retire. Por mais que o pessoal dele controle o Ministério, oficialmente ele é um inimigo do Ministério e seria completamente imprudente tê-lo aqui hoje. – Ele beijou as mãos de Narcisa – Apesar de ser muito óbvio que ele será bem vindo aqui, com seus seguidores, afinal, ele está lutando por um mundo melhor para todos nós.
Ele olhou de maneira significante para Narcisa e ela o olhou de volta.
—Sim... é muito óbvio... – murmurou minha prima baixando os olhos.
—Ótimo. Agora vamos! Temos um casamento para participar! – riu o Sr. Abraxas indo em direção à porta – Tenho certeza de que ninguém vai destratar minha nora na minha casa na minha ausência. – adicionou ele.
Tia Walburga e Bellatrix fizeram a mesma expressão de desgosto com os lábios.
O Sr. Abraxas saiu do quarto e todos olhamos para minha mãe e tia Walburga. Minha mãe se sentou cruzando os braços, encarando minha tia com desafio.
—O que houve? – perguntou tio Cygnus.
—Ela. – rosnou tia Walburga, apontando para minha mãe com o dedo trêmulo – Envenenando nosso irmão... querendo colocá-lo contra a própria família...
—O que? – perguntou tio Cygnus.
—Eu quero ficar sozinha aqui. Vocês se importam de discutir lá fora? – perguntou Narcisa, emburrada – Addie, você fica.
—Nós não vamos sair, Narcisa. – ralhou tia Druella.
—Vão sim! Essa vai ser a minha casa e eu quem dou as ordens aqui! Saiam imediatamente. Tia Minerva, você pode ficar também.
Sorri radiante para minha prima e ela piscou para mim.
—Eu vou ficar também. Pra garantir a segurança. – riu Sirius.
—Você vai ser o primeiro a sair, seu peste. – sibilou Ciça. Sirius fez uma careta e cruzou os braços.
—Afe, quando eu achei que você estava ficando legal... fala sério. – resmungou ele saindo antes de todo mundo.
Um por um, meus parentes foram saindo. Tio Cygnus foi o último, lançando um olhar penetrante para sua caçula.
Narcisa baixou o olhar para as próprias mãos e suspirou.
—Sua tiara está torta, Ciça. – murmurou minha mãe caminhando até ela, para arrumar a tiara – Você está tão bonita, querida.
Narcisa olhou o próprio reflexo e sorriu um pouco menos infeliz.
—Obrigada... – ela soltou um suspiro – Tia Minerva... você amava o tio Póllux quando vocês se casaram? – perguntou minha prima. Mirei minha mãe com curiosidade.
—Não. Eu morria de medo dele. – riu ela sorrindo gentilmente – Os Black tem uma reputação severa e assustadora, sabe... – ela soltou um sorriso – Ele era um tanto bruto no início... fruto da criação, eu imagino. Mas com o tempo... – Minha mãe se abaixou na frente de minha prima e a acariciou no queixo – Eu o derreti e amoleci... E ele se tornou perfeito pra mim... – minha mãe a beijou na testa – Tenho certeza de que fará o mesmo com Lúcio Malfoy, querida.
Ciça sorriu timidamente e tanto eu quanto minha mãe a abraçamos.
ஐ
Lúcio estava dançando com a minha prima. A primeira dança deles como marido e mulher. E ele parecia completamente bobo olhando para ela. Não o culpava. Narcisa estava simplesmente linda. Lembrava de como eu achara Bella bonita no casamento dela, mas Narcisa estava muito, muito, muito mais.
Eu e Sirius olhávamos para ela, ambos preocupados com o futuro dela. Ela estava casada com um comensal e não gostava do Lorde das Trevas. Aquilo poderia ser perigoso para ela se ela não soubesse lidar com a situação...
—Quer dançar, Addie? – perguntou Sirius, casualmente.
—E você sabe dançar música lenta? – perguntei arqueando a sobrancelha.
—Tivemos que aprender pro casamento da Bellatrix, lembra? – perguntou Sirius – E eu preciso te chamar logo antes que o Rabastan queira dar uma de espertinho.
Dou uma risadinha, sem querer soar triste e ofereço a mão para meu primo. Ele me guia até a pista de dança e eu danço com ele durante um tempo. Miro Rabastan por cima do ombro de Sirius e o vejo sentado com os pais, parecendo com o pensamento muito distante.
Penso que, para que pudéssemos dar certo, precisaríamos nascer novamente... em tempos de paz... onde já não houvesse esse preconceito de sangue.
—No que está pensando? – perguntou Sirius.
—No Rabs. – respondo sem querer mentir.
—O que tem ele? – perguntou Sirius fazendo careta.
—Acho que você se enganou. – respondo soltando um suspiro em seguida – Acho que... ele me amou de verdade.
—Eu duvido. – resmungou Sirius.
—É... eu imaginei que você diria isso. – digo arqueando a sobrancelha.
Sirius da uma risadinha e segura minha mão, interrompendo a dança.
—Vem comigo, prima. – ele me puxa pela mão e nos afastamos dos convidados, para irmos até os jardins. Há um banco de marfim ali, onde nos sentamos. Sirius tira um objeto do bolso e me mostra com um sorrisinho – Olha só o que o James me deu.
—O que é isso? – pergunto. Logo vejo que é um espelho retangular – É pra você retocar sua maquiagem? – pergunto com um sorrisinho.
—Muito engraçado. – ri Sirius fazendo careta – Ei, James! Tá ai?
E então o rosto de James apareceu no espelho.
—Cacete! Que demora, heim? – ralhou James – Estou esperando há séculos que você me respondesse!
—Eu sei, eu sei... – riu Sirius – Mas eu tinha que fazer um monte de coisas antes de poder ser livres pra fugir com a Addie...
—Sua prima tá ai? – perguntou James.
—Tá. Olha ela aqui. – riu Sirius voltando o espelho pra mim.
—Oi, Jay. – digo mandando uma piscadela. James dá aquele enorme sorriso dele.
—Nossa, Addie! Você tá ainda mais linda do que o normal! – ele fez o biquinho-falsa-mágoa dele – Nem me convidou pra ser seu par na festa.
—Meu par é o Sirius. – digo abraçando o braço do meu primo, que me olha como se eu estivesse doida.
—Vou ficar com ciúmes, heim? – perguntou James.
Dou uma risada e solto o Sirius.
—Relaxa, Jay. O Sirius tem tanta sorte comigo quanto o professor Dumbledore.
James deu um sorrisinho e Sirius revirou os olhos.
—E quais as minhas chances? – perguntou ele.
Melhores que as do Rabastan. Penso comigo mesma. Eu não acharia uma ideia ruim, James me dar um beijo... Mesmo que os olhos cinzentos de Rabastan ainda fizessem meu coração acelerar, eu tinha certeza de que James e eu formaríamos um par muito melhor... sem preconceitos idiotas para nos sabotar...
—Te conto pessoalmente depois. – digo piscando. James sorriu e olhou para Sirius.
—Se seu primo deixar, né?
—Eu não preciso da permissão de...
—Precisa sim! – ralhou Sirius – De jeito nenhum, vocês dois podem se beijar. Parem já com isso. Vou guardar o espelho se continuarem com esse joguinho idiota!
Eu e James reviramos os olhos e concordamos. Passei uma boa parte do casamento de Narcisa conversando com Sirius e James... cada minuto que passava me deixava com mais saudade da minha casa de verdade...
Hogwarts.
Mas depois de um tempo fomos obrigados a deixar de nos esconder para participar da festa. Vi Adam Cook conversando com Narcisa, junto de Lyssandra Yaxley. Olhei com interesse para Adam, que estava lindo, como sempre. Ele olhou para mim e sorriu, me lançando uma piscadela. Sorri de volta e me senti quente. Será que aquela minha paixonite por ele duraria para sempre?
Estava ainda conversando com Sirius, quando Lyssandra apareceu. Ela sorriu para mim e acariciou meus cabelos.
—Ah, Addie... você está tão linda. – riu ela.
—Você também, Lys. – disse sorrindo.
Ela se curvou para falar no meu ouvido.
—Dá até vontade de brincar com você, que nem naquele dia nas estufas...
Senti meu corpo esquentar de novo e recebi um olhar desconfiado de Sirius pra mim. Lys me olhou de maneira sugestiva e eu respondi.
—Infelizmente não hoje... mas quem sabe qualquer dia desses? – perguntei com um sorriso travesso. Lys me olhou risonha.
—Que dia? Esqueceu que eu formei?
É... eu tinha esquecido.
—Hum... Sirius... você me dá um momento? Coisas de garotas. – eu digo risonha. Sirius da de ombros, aparecendo entediado.
—Ok... vou ficar ali com o Régulus. – resmungou ele sem muita animação.
Lys me levou para um banheiro na casa dos Malfoy e tirou um baseado do decote do vestido. Ela o acendeu com a varinha e me ofereceu depois.
—E então? Vai sentir saudades minhas? – perguntou Lys.
—É claro. Ninguém enrola um baseado igual a você. – respondi tragando. Soprei a fumaça na boca dela e a empurrei contra a parede. Ela apenas alguns poucos centímetros mais alta que eu.
Nos beijamos entre as tragadas de salvia. As mãos dela passearam pela minha cintura, até que ela me empurrou contra a pia e apertou meus seios. Sorri travessa e a beijei no pescoço, a sujando com o meu batom. A acariciei na nuca, arranhando-a de leve com minhas unhas compridas, apenas para fazê-la se arrepiar.
—Você pode ter quatorze anos, Addie... mas algumas vezes parece ter dezoito. – riu Lys na minha orelha, para mordiscá-la em seguida. Eu apenas dei uma risadinha e joguei a cabeça para trás, para deixar que ela beijasse mais meu pescoço. Senti a língua dela passear pela minha pele, enquanto eu tragava mais uma vez meu baseado, sentindo tudo ficar leve e ondulante – Você já tem corpo de mulher... já perdeu a virgindade?
—Ainda não. – disse soprando a fumaça e entregando o baseado para ela – Mas quem sabe no quarto ano? – Lys pegou o baseado de mim e sorriu travessa.
—Eu perdi a minha virgindade no quarto ano... com Lúcio – ela soprou a fumaça no meu rosto, me deixando ainda mais tonta – Ele não foi nada delicado, mas... – ela puxou meus cabelos para baixo, me fazendo ficar com o pescoço exposto – Eu não sou delicada também...
E quando terminamos, nos beijamos lá dentro, morrendo de rir e nos sentindo simplesmente malucas.
Adoro ser jovem!
Quando saí com Lys, rindo bobamente e levemente tonta, topei justamente com Adam. Ele olhou de mim para Lys e deu um sorrisinho.
—Estou sentido cheiro de salvia! Nem me chamaram. – ralhou ele com um sorrisinho divertido no rosto.
—Estávamos tratando assuntos femininos. – respondi fazendo biquinho. Adam me olhou dos pés à cabeça e depois mirou Lys.
—Eu ainda vou namorar essa garota. – riu ele. Lyssandra arqueou as sobrancelhas e sorriu de volta.
—Não vai conseguir se não pedir.
—Ainda não... ela ainda é muito nova. – riu Adam. Ele olhou pra mim com aquele sorrisinho que me fazia sentir como se estivesse caindo da vassoura – Antes de namorar a Addie, eu quero que ela curta a vida, afinal, eu pretendo ser o último namorado dela.
—Oh. Você vai casar comigo? Essa é boa. – digo cruzando os braços. Adam se curvou para sussurrar no meu ouvido.
—A gente demora para encontrar a pessoa perfeita pra nós, mas quando encontramos, nós lutamos por ela. – ele acariciou meu queixo com o polegar – Eu já curti bastante durante esses meus quinze anos de existência... Eu quero que você curta o suficiente para ter certeza que eu sou o cara certo pra você, assim como eu sei que você é a minha garota.
Ele riu novamente e me beijou no rosto.
—Até onde eu sei Addie vai casar com o primo... Sirius, não é? – perguntou Lys.
—Eu vou roubar você pra mim, Addie. Não se preocupe. – ele piscou marotamente pra mim – Não se preocupe... – ele me olhou mais uma vez dos pés à cabeça e sorriu – E você fica realmente maravilhosa num vestido de festa bem apertado... – ele segurou minha mão e a beijou de maneira galante, mas o olhar dele não era nada galante. Era um olhar que sugeria que ele simplesmente queria tirar minha roupa. – Até mais, Addie. – ele piscou pra mim novamente e saiu, para ir para junto dos colegas.
Suspirei meio tonta e escutei Lys sorrir.
—Ele gosta de você, o Cook. – riu ela. A olhei curiosa – Ele só não quer tirar sua infância ainda... mas espere só você crescer mais um pouquinho...
—Eu não sou uma criança! – disse cruzando os braços – Eu já estou indo pro quarto ano.
—E ele para o sexto. Espere só, Addie... Quando ele começar a correr atrás de você, só vai parar quando conseguir o que quer... – Lys segurou minha mão, me olhando como se fosse a mais sábia das pessoas – E isso vai significar um anel aqui nesse dedo... e acredite... não vai ter o brasão dos Black, nele.
—E como ele faria isso? Vai montar no unicórnio e me sequestrar? – perguntei um tanto cética, mas com uma chama gostosa ardendo no meu peito.
—Eu não sei o que ele vai fazer e nem como ele vai fazer. – riu Lys – Mas Adam Cook sempre consegue o que ele quer... e no momento... – ela me olhou divertida – Ele quer você. E pelo o que eu vejo... é recíproco.
Suspirei olhando Adam conversar com Lúcio, apertando a mão dele, num cumprimento. Será que ele poderia mesmo? Me salvar do meu noivado obrigatório?
—Onde você se meteu? – escuto a voz de Sirius, parecendo ranzinza – Estou te procurando há um tempão! James não para de me torrar a paciência.
Senti o estômago dar uma cambalhota. Rabastan, James, Adam... eu vou ficar maluca com esses garotos...
Mas apenas sorri e fui fazer companhia a Sirius. Me preocupo com isso no futuro. Afinal, Rabastan era passado, Adam é, aparentemente, futuro... e James... James viria com Hogwarts, se tudo desse certo.
Fale com o autor