When We Were Young
17 Don't leave me
Notas iniciais

DON'T LEAVE ME
BLACK'S HOUSE
1974
SUMMER
—Recebemos um convite dos Valentine. – murmurou tia Walburga. Tio Órion a olhou com atenção. Estávamos jantando, dessa vez sem convidados. A casa parecia cada vez mais vazia, agora que Narcisa tinha ido embora... – Um baile em homenagem à filha deles. A presença de Sirius e Régulus foi requisitada em especial.
Tio Órion deu um sorrisinho e Sirius e Régulus olharam curiosos para os pais. Eu estava apenas em silêncio, observando aquilo.
—Cedo ou tarde isso começaria a acontecer para os dois... Mas não vejo motivos para levar Sirius. Ele e Addie já estão praticamente comprometidos. – disse o pai de Sirius com um sorriso satisfeito.
—Mas seria uma desfeita não ir. – murmurou meu pai com uma expressão dura – Os Valentine são uma família muito influente. Ambos trabalham na Suprema Corte dos Bruxos e Richard Valentine é um nome muito cotado para se tornar Ministro da Magia um dia... não é uma família que gostaria de insultar, Órion.
—São bruxos puro sangue também. – disse tia Druella – A esposa dele é minha prima. Uma Rosier muito bonita. – murmurou ela.
Órion e tia Walburga concordaram em silêncio.
—Do que estão falando? – perguntou Sirius.
—Bailes de debutantes. – explicou minha mãe, com um sorriso sonhador – Quando famílias bruxas com dinheiro gastam um bocado de ouro para enfeitar suas filhinhas e arrumar um bom partido pra elas...
—Foi onde nos conhecemos. – riu meu pai entrelaçando os dedos com minha mãe. Os dois sorriram com ternura.
—Mas eu não gostei muito de você na época... mas meu pai ficou super satisfeito em me casar com um Black. Ainda bem que ele tinha algum juízo. – riu ela.
Meu pai e minha mãe trocaram sorrisinhos e eu olhei com graça para Sirius.
—Então eu tenho que cortejar essa garota Valentine? – perguntou Régulus.
—Eu não sei... é verdade que os Valentine são uma família importante... mas não estão no diretório puro sangue... – murmurou tia Walburga.
—Pode não ser o melhor para Sirius, mas para Régulus é uma pretendente muito interessante. – riu tio Órion – Vai nos trazer bastante prestígio e eles são puro sangue, afinal.
—Então eu devo cortejar ela? – perguntou Régulus.
—Eu não conheço nenhuma Valentine. – disse Sirius franzindo a testa – Quantos anos ela tem?
—Aqui diz que tem quatorze. – riu tia Walburga, olhando o convite – Sua idade, querido.
Sirius fez uma careta.
—Ela ao menos é bonita? – pergunto, apoiando o queixo na mão.
—Isso não importa. – resmungou tia Walburga entregando o convite para Monstro, que saiu de fininho para guardá-lo em algum lugar.
—É claro que importa! – resmungou Sirius – E se ela for caolha? Perneta? Com manchas de varíola de dragão?
A mesa deu uma risadinha, mas tio Órion perguntou a tio Cygnus se ele tinha visto a notícia sobre a crise dos tapetes mágicos e o que Crouch estava fazendo à respeito e todo mundo mudou de assunto. Mas eu notei que Régulus estava meio verde. Ele tinha treze anos e esperavam que ele cortejasse uma garota mais velha.
E todo mundo sabia bem que Régulus sempre fazia o que lhe era ordenado...
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Os Valentine eram realmente importantes. O baile não aconteceu na casa deles, mas no Ministério da Magia. Tia Walburga e Tio Órion estavam realmente exultantes e Régulus parecia mais intimidado do que nunca. Sirius, porém, parecia simplesmente indiferente.
O senhor e a Senhora Valentine eram muito bonitos, os dois. Ambos loiros, com sorrisos gentis e transbordando elegância. Mas a filha deles parecia simplesmente comum. Magricelinha, com um vestido azul claro bonito, joias, num cabelo bem loiro, num penteado sofisticado. Os olhos dela eram de um verde muito vivo e realmente muito bonitos. Mas o rosto dela era simplesmente comum. E ela tinha uma expressão muito parecida com a de Régulus. Ela transbordava conformismo.
—Olá, Richard. – disse tio Órion.
—Black! É uma alegria recebê-lo. – riu o Sr. Valentine – Esses são seus filhos? Não sabia que tinha uma filha.
—Essa é minha sobrinha, Adhara. Eu tenho dois filhos. Sirius. – colocou a mão no ombro de Sirius, que se empertigou todo, com aquele olhar desafiador dele – E Régulus. – Régulus tinha os olhos um tanto assustados, mas se adiantou e ofereceu a mão para o Sr. Valentine, que sorriu e a apertou com vigor.
—É um prazer conhecê-los. Deixe-me apresentar minha filha, Emily Valentine. – riu o homem colocando a mão nas costas da filha. Ela mal olhou Sirius e Régulus.
—É um prazer. – murmurou ela com uma voz sem emoção.
—É um prazer conhecê-la, Srta. Valentine. – disse Régulus se adiantando. Ela levantou o olhar para ele e ele corou de leve. Ela deu um sorriso gentil, muito rápido.
—Igualmente. – então ela olhou para Sirius e suspirou esperando que ele fizesse algo como Régulus tinha feito, mas Sirius já tinha perdido o interesse nela e olhava para o lado.
—Aquele é James? – perguntou ele espremendo os olhos.
—Sim. James Potter. – respondeu Emily Valentine sem emoção – Um garoto cheio de energia.
—Vamos, Addie! – disse Sirius me puxando pela mão.
—Foi um prazer! – disse deixando que Sirius me guiasse – Que legal! James veio!
—Ele deve ter convidado todos os puro sangue da Grã Bretanha. – riu Sirius.
—O que achou dela? – pergunto para meu primo. Ele deu de ombros.
—Ela é meio sem sal se comparada à Marlene ou à Emmeline. Até a Dorcas é mais bonita que ela. Fala sério.
—Que maldade! – digo com malícia – Dorcas não é mais bonita nem que um saco de lixo.
—O fato dela ser esquisita não faz dela feia. – discordou Sirius – Ei! James!
James estava conversando com Frank e quando nos viu abriu um sorriso. Ele correu para me abraçar e depois apertou a mão de Sirius.
—Caraca! Ainda bem que vocês vieram. – riu ele – Sabem quem está aqui?
—Todo mundo? – perguntou Sirius.
—Rabastan com a nova namorada. – riu James.
—O QUE? – pergunto sentindo o estômago dar uma cambalhota. James e Sirius me olham com censura.
—Isso mesmo. Ainda não sei quem é. Nunca a tinha visto. Mas ele não desgruda dela. – disse James – Ela é bem bonita, na verdade. – adicionou ele.
—Onde? – digo impaciente.
—Addie! Se você tem que sentir ciúmes de alguém, que seja de mim, que preciso cortejar a garota coração de gelo. – riu James – Ela não riu de nenhuma das minhas piadas! – disse ele parecendo ofendido.
—Suas piadas são horríveis. – disse Sirius com um sorrisinho.
—Eu conto as MELHORES piadas. – retrucou James – O que você acha das minhas piadas, Addie? Addie! Para de procurar por aquela cobrinha! Esquece ele!
—Não me enche, James! – resmunguei me afastando dos dois. Finalmente tinha visto Rabastan. Ele estava sentado numa mesa, de mãos dadas com uma garota de cabelos castanhos. Marchei até ele e respirei fundo – Oi, Rabs.
Ele piscou e me olhou, surpreso.
—Oi, Addie. – disse ele se levantando. Ele puxou a garota gentilmente, que se levantou também, me olhando com curiosidade – Essa é minha noiva, Katherine Greengrass... Kat, essa é minha amiga, Adhara Black.
—É um prazer, Adhara. – disse a garota com um sorriso – Espero que nos tornemos amigas em Hogwarts. Eu estou me transferindo pra lá esse ano. – ela deitou a cabeça no ombro de Rabastan e eu pensei que vomitaria de raiva – Pra estudar perto do Rabs. – adicionou ela falando “Rabs” no mesmo tom que eu falava “Jay”. Engoli em seco e dei um sorriso ácido.
—Felicidades ao casal. – disse num sibilo, controlando meus cabelos, para que não mudassem de cor – Vejo que estão apaixonados. – adicionei antes de me virar. Rabastan tinha desviado o olhar, apesar de Greengrass não ter nem piscado.
Voltei para junto de James e Sirius, sentindo um gato arranhar meu estômago por dentro.
—Ela é ridícula. – disse cruzando os braços.
—Não... ela é bem mais bonita que a tal da Valentine. – riu Sirius – Régulus que parece ter gostado dela. Olha lá. – disse Sirius apontando para o irmão, que valsava muito elegante com a garota que estava debutando. Ambos conversando um com o outro, parecendo levemente nervosos – Um verdadeiro galã, esse meu irmão.
Eu e James demos risadinhas e alguém me cutuca no ombro. Me viro e faço uma careta.
—Olá, gente. Quanto tempo. – ri McKinnon. Meadowes estava com ela.
—Marlene. Que saudades de você. – ri Sirius puxando McKinnon pela cintura para dar um beijo no pescoço dela.
—Também estava com saudade, Siiiix. – ronronou Marlene. Reviro os olhos e puxo James pelo braço. -Oi, Addie — ela sorri e eu a olho curiosa.
—Oi — digo, mas Sirius a puxa para outro abraço dizendo o quanto ela estava cheirosa.
—Me convida pra dançar antes que eu vomite? – pergunto docemente. James me dá aquele enorme sorriso dele e concorda.
—Quer dançar, Addie?
—Quero. – digo puxando ele para longe de meu primo e as duas toscas.
James me levou para a pista de dança e me deu um sorriso satisfeito. Ele colocou a mão na minha cintura e segurou minha outra mão com delicadeza. Senti o olhar dele sobre o meu e um frio subiu pela minha espinha. Com muita leveza, ele me guiou em movimentos lentos e elegantes, sempre me olhando nos olhos.
—Eu ainda vou te beijar essa noite, Addie... – murmurou ele. Dou um sorrisinho e nego com o rosto.
—De jeito nenhum. Meus pais e minha tia estão aqui. Se eles me verem beijando você, vou estar em apuros.
James soltou um muxoxo.
—Mas como você é difícil, garota! – resmungou ele. Dou outro sorrisinho e ele me puxa mais pra perto – Vou ter que me contentar em dançar com você a noite toda, então... se algum engraçadinho tentar te tirar pra dançar, vai levar um soco no olho. – disse James, me fazendo sorrir de novo.
—Só você, Jay... – digo rindo.
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—Eu não consigo acreditar em como temos os piores verões SEMPRE! – resmungou Sirius, deitado na minha cama, com a cabeça apoiada nas mãos, olhando para o teto com uma expressão de descontentamento. Estava terminando de me maquiar em frente ao espelho. Sempre me irritava com essas reclamações do Sirius, mas daquela vez eu simplesmente concordei.
—Não poderíamos simplesmente ir tomar sorvete, encontrar os amigos, passear por ai? Como uma família normal? Quem sabe até viajar? Mas não... temos que ir visitar Bellatrix e Rodolfo, na casa deles.
—Aposto que eles têm trouxas presos nas masmorras do castelo maligno deles. – resmungou Sirius – E antes de irem transar, pra ficarem excitados, eles torturam os prisioneiros até dizer chega. – resmungou Sirius.
Saio da frente do espelho e me sento ao lado dele.
—Acho que agora você viajou. – digo sorrindo e alisando os cabelos cacheados dele.
—Eu não duvido de nada vindo da Bellatrix e do Rodolfo. Eles são dois malucos. – ele se sentou e tocou no próprio ombro com um olhar sombrio – Não se lembra daquele dia, na casa do James? De quando eles chegaram e machucaram a gente?
Senti um frio na barriga e concordei. Abracei Sirius e ele me abraçou de volta.
—Foi horrível.
—Você é a melhor coisa que me aconteceu, aqui nessa casa Addie... – murmurou Sirius – Quando você começou a namorar aquele Rabastan, eu fiquei com medo que você acabasse igual...
—Eu nunca namorei o Rabastan, Sirius. – disse me soltando dele com um sorrisinho – E me diz... com quem eu tenho a sua benção pra namorar?
—O Remus. – respondeu meu primo sem hesitar.
—O Remus? Por que? – perguntei arqueando a sobrancelha.
—Porque ele é um banana. Eu sei que ele nunca faria nada com você. – respondeu Sirius – Mas James é um safado. Ele eu não concordo de jeito nenhum!
Dei uma risadinha e beijei meu primo na bochecha. Ele não pareceu se importar.
—Você é um bobo.
Escutamos a maçaneta girar e meu pai apareceu com um sorriso ácido.
—Pronto para ir para a excursão à Casa dos Horrores? – perguntou ele. Eu e Sirius demos uma risadinha e nos levantamos – Então vamos lá.
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Bella e Rodolfo não moravam num castelo das trevas, mas numa casa bonita e espaçosa. Eles nos receberam parecendo satisfeitos e para minha grande surpresa, tudo estava indo de maneira tediosa e agradável.
Sem alfinetadas, comentários maldosos, nem nada do tipo.
Rabastan estava completamente educado e a mãe dele parecia exultante com o noivado dele.
—Katherine Greengrass é um amor. – disse a Sra. Lestrange – Tão bonita e educadinha. E ela com certeza pareceu gostar de Rabastan. Claro, como não gostaria? Meu filhinho é um jovem bonito, educado, instruído... era claro que ela ficaria encantada. Vocês viram os dois no baile dos Valentine? Todos ficaram comentando que lindo casal eles formavam. Miranda Barkins estava morrendo de inveja por termos encontrado uma mocinha tão encantadora para nosso Rabastan. Você viu, Rodolfo, como ela ficou torcendo o nariz para aquela garota que estava tentando chamar a atenção do filho dela? Sem falar nos Goyle. Eles estão tentando casar o filho deles de qualquer maneira com aquela Shafiq, mas os Shafiq não estão assim tão interessados com o casamento. Completamente o contrário dos Greengrass, que aceitaram na hora a oferta de Rodolfo. Claro. Como eles iriam querer recusar...
Meu pai estava olhando para as costas da Sra. Lestrange e então sorriu, se curvando para mim.
—Onde desliga essa matraca? – sussurrou ele, me fazendo disfarçar uma risada. Mamãe nos olhou feio, mas eu e meu pai ficamos rindo assim mesmo.
—Rabastan cumpriu com o dever dele. Como era esperado, é claro. – disse o Sr. Lestrange antes de dar um gole no próprio vinho – Mas diga, filho. O que achou da filha dos Valentine?
Rabastan, que estava muito interessado em seu prato de comida, apenas deu de ombros.
—Ela não parece o tipo de garota que marque presença... – resmungou ele – Eu nem lembro direito do rosto dela.
—Ela não era muito bonita e nem muito carismática. – concordou Sirius – Mas o Régulus gostou dela. – adicionou ele com um sorrisinho. Régulus encolheu na cadeira.
—Ela é ok. – respondeu ele – Ela conheceu a Katherine na Beauxbatons. – adicionou ele – As duas se davam bem, até.
—Eu não gostei muito do pai dela. – disse o Sr. Lestrange – Não o Sr. Greengrass... ele é um bruxo formidável. Me refiro ao Valentine. Ele é completamente contra a causa puro sangue!
—O que? – perguntou tia Walburga, parecendo simplesmente ofendida.
—Vixi, Reg. Perdeu a namorada. – debochou Sirius. Mas Régulus apenas deu de ombros.
—Ele é amigo pessoal de Dumbledore. Um liberal assumido. – continuou o Sr. Lestrange.
—Um hipócrita, então, não é? – perguntou tio Cygnus – Por que fazer um baile de debutante para a própria filha se não é um elitista?
—Pra demonstrar poder, imagino. – murmurou tio Órion – Para mostrar que não são apenas nós, elitistas, que somos poderosos e influentes. Ele esfregou na cara de todo mundo que nós não somos os donos do mundo... – meu tio deu uma risadinha – Ou ao menos ele acha que nós não somos. Uma andorinha só não faz verão.
—Pois eu achei ele muito corajoso. – digo de forma insolente – Ele deu um tapa na cara de todo mundo. Conseguiu fazer o baile no Ministério e chamou muita gente importante. Até o Ministro estava lá. E Dumbledore!
—Ele é um cara maneiro, esse Valentine. – concordou Sirius, ignorando o olhar cheio de censura de Tia Walburga.
—Um idiota. É o que é. Desafiando o Lorde das Trevas dessa maneira... – rosnou Rodolfo. A esposa, Bellatrix, parecia tão enojada quanto.
—Um homem interessante e corajoso. – discordou meu pai.
—Coragem e estupidez são duas linhas que se confundem e se cruzam com muita frequência. – riu o Sr. Lestrange – Ele está sendo inconsequente. Isso sim.
—Ele deveria pensar nos filhos. – concordou a Sra. Lestrange – Ele tem um filho pequeno e uma mocinha. Não deveria ficar arrumando problemas desse nível.
—Cedo ou tarde ele vai ter o que merece. Tenho certeza. – disse Bellatrix com algum desgosto.
—Vai prestar uma visita, prima? – perguntou Sirius com malícia. Bellatrix deu uma risadinha maliciosa e pegou seu cálice.
—Talvez. Quem sabe?
Senti um calafrio quando ela disse aquilo. Sirius a olhou com nojo e soltou um muxoxo.
—Você é completamente maluca. – disse meu primo, com desgosto.
—Dobre a língua pra falar da minha mulher na minha casa, pivete. – rosnou Rodolfo. Sirius o olhou desgostoso, mas ficou quieto. Houve uma certa tensão, por alguns segundos.
—Sirius, será que você não consegue se comportar, nunca? – perguntou tia Walburga, zangada.
—Bellatrix e Rodolfo quem saem por ai matando e torturando gente e você fala que eu não sei me comportar? Me desculpe por ser decente, mamãe. – devolveu Sirius.
Meu pai deu uma risadinha, mas logo disfarçou ser uma tosse.
Depois do jantar, tia Walburga chamou Sirius num canto, para ralhar com ele. Dei graças por meus pais serem diferentes do resto da família. Estava segurando Teddy no colo e quando Sirius voltou, ele parecia furioso.
—Vamos dar uma volta. Se eu tiver que olhar pra cara daquela mulher, eu vou perder o controle! – rosnou ele.
Concordo, dando de ombros e eu e Sirius passamos a explorar a casa. Teddy andava entre nós, de mãos dadas, balbuciando coisinhas infantis. Sirius olhava para ele com carinho.
—Escute aqui. É bom você ser um Grifinória também, escutou? – perguntou Sirius – Se você virar um merdinha que nem Régulus, eu não vou te perdoar.
Teddy olhou para Sirius e murmurou algo como “medina”.
—Putz, Sirius. Você está ensinando palavrões pro meu irmão!
—É melhor isso do que “Sangue Ruim” – sussurrou ele baixinho.
Demos risada disso e saímos abrindo as portas e olhando os cômodos da casa. Encontramos um escritório, uma sala de chá, um quarto de hóspedes. Sirius colocou uma bomba de bosta no banheiro que tinha lá e ficou rindo.
—Espero que o tal do Voldemort venha pra cá e precise usar o banheiro. – riu ele. Caí na gargalhada, imaginando aquele homem perverso fedendo a bosta e indo ralhar com Bella e Rodolfo.
Voltamos para a cozinha e achamos os chocolates favoritos de Bellatrix. Obviamente pegamos todos e começamos a comer até chegarmos numa escada que descia para um cômodo escuro.
—Olhe. As masmorras onde Bella e Rodolfo guardam os prisioneiros deles antes de fazer suas orgias de comensais de morte. – digo risonha.
Sirius me olhou com um sorrisinho.
—Eu não duvido de nada. – disse ele.
—Ai deve ser onde os elfos dormem. – digo dando de ombros e já estava para me virar quando Sirius segurou meu pulso.
—Aposto que não tem coragem de descer.
—É claro que eu tenho. – digo fechando a cara. Sirius me olha desafiadoramente e eu pego Teddy no colo – Vai quebrar a cara. – digo indo para as escadas.
Estava bem escuro, então desci com muito cuidado. Teddy se abraçou a mim, parecendo assustado e eu escutei um barulho esquisito. Peguei minha varinha e escutei Sirius vir atrás de mim.
—Não dá pra enxergar porra nenhuma. – resmungou Sirius.
—O que raios é isso? – perguntei erguendo a varinha – Lummus. A ponta da minha varinha se iluminou e eu me vi num corredor, cheio de barris, garrafas de vinho empoeiradas, algumas facas e alguns amontoados de lençóis imundos, onde dois elfos estavam deitados, dormindo. Senti alguém segurar meu calcanhar e soltou um muxoxo – Para, Sirius. Não tem graça. – digo puxando o pé.
—O que? – pergunta meu primo, logo atrás de mim. Mas pelo som, ele não parecia estar abaixado.
—Me... ajude...
Cada cabelinho do meu corpo se arrepiou. Me virei para o lado e iluminei o lugar com a varinha. Meu estômago se contorceu quando eu entendi que era uma jaula. E dentro dela haviam pessoas. Três homens e uma mulher.
—Puta que... – começou Sirius. Um dos homens ainda segurava meus pés.
—Me ajude... – choramingou o homem. Ele estava completamente sujo de sangue. Faltava um pedaço do nariz dele e ele só tinha três dedos na mão. A pele dele estava esfolada em alguns lugares e um dos olhos estava pendurado de maneira grotesca, com algumas moscas voando ao redor.
Aquela visão foi demais pra mim. Puxei o pé com violência e gritei assustada. Teddy começou a chorar, se agarrando no meu pescoço e eu me afastei o máximo que consegui. Sirius se colocou entre o homem e eu, mas parecia tão assustado quanto.
—Me ajude... nos ajude... – chorou outro homem – Bruxa... você é uma bruxa... não nos machuque... nós não fizemos nada...
Gritei de pavor de novo. Aquilo era a coisa mais grotesca que eu já tinha visto. Escuto passos apressados e quando olho para os lados, dou de cara com meus pais, que vinham com as varinhas em punho. Ambos olharam chocados para a jaula cheia de gente. Meus tios chegaram em seguida e depois Bella e Rodolfo.
—Quem deixou a porta aberta? – perguntou Bella zangada. Ela sacou a varinha e apontou para o homem que estava deitado, tentando me alcançar – Como ousa tocar na minha prima, seu sangue ruim maldito. – ela moveu a varinha e o homem foi jogado com tanta violência para o outro lado, que a jaula balançou de leve. Escutei o homem choramingar de medo e dor e o olhar de Bellatrix caiu sobre mim e Sirius – Não podiam ter entrado aqui, seus pestinhas!
—Bellatrix! Você enlouqueceu? – perguntou meu pai, ainda olhando para a jaula. Minha mãe parecia prestes a vomitar – O que raios está fazendo com essas pessoas?
—Pessoas? São só trouxas. – riu ela afastando um cacho do rosto – Eu os uso para treinar meus feitiços.
—O que? – perguntou Sirius – Qual o seu problema? Você é demente? – rosnou Sirius, horrorizado – São pessoas! Pessoas feitas de carne, que nem eu e você.
—Primo, não ouse me comparar com esses trastes. Se você acha que eles são do seu nível, isso é problema seu. – disse Bellatrix, acidamente.
—Vamos. – chamou tio Órion, parecendo levemente entediado – Foi um alarme falso. Eu disse que não era nada de demais.
—Você acha que isso não é nada de demais? – pergunta minha mãe, em choque – Isso é a coisa mais doentia que eu...
—Dobre a língua pra falar da minha Bella, sua mulherzinha! – rosnou tia Druella.
Meu pai pareceu ficar ainda mais puto.
—Vocês são doentes. Todos vocês. – rosnou ele vindo até mim e pegando Teddy no colo, que ainda chorava assustado – Tratando essas pessoas como se fossem bichos! Vocês são loucos! Loucos! Vamos, Addie.
Concordei chocada demais com aquela visão.
—Você não vai mesmo ir embora só por conta disso, vai? – perguntou tio Órion.
—“Só”? – repetiu meu pai, parecendo quase perplexo – Sua sobrinha tem uma câmara de tortura em casa e você acha que isso é normal? Que isso é decente.
—Vamos, Póllux. Pare de escândalo. – resmungou tio Cygnus.
—Isso passou dos limites, Rodolfo. – murmurou o Sr. Lestrange.
—Parem com drama. São só trouxas. – riu Rodolfo, como se tivéssemos encontrado algumas revistas pornográficas no quarto de um adolescente – Vamos subir e continuar de papo.
—Pare de dizer “só trouxas”! – rosnou meu pai – São pessoas! Seres humanos! Não são coisas desprovidas de alma!
—Céus, Póllux. Pare de ser tão... – começou tia Walburga, mas tinha sido a gota d’água para meu pai.
—Eu não vou criar meus filhos desse jeito. Em meio a essa loucura. Eu quero que eles sejam decentes, Merlin! Olha só o que Teddy presenciou! Chega! – rosnou ele.
—Póllux! – chamou tia Walburga, mas meu pai me segurou com força.
—Eu vou embora, Wal. Eu não vou admitir isso.
—Póllux! – repetiu tia Walburga, parecendo agora mais desesperada do que zangada. Meu pai aparatou comigo e com Teddy, para o Largo.
—Vá arrumar suas coisas! – disse meu pai, parecendo assustado – Rápido.
—Papai, e Sirius? – pergunto.
—Não há tempo, Addie. Vai! – rosnou meu pai. Corri para meu quarto e peguei o mais importante. Escutava os berros vindos da sala e tive certeza de que meus tios tinham nos seguido.
Estava tão assustada com aquela visão, que minhas mãos tremiam. Como eles poderiam achar aquilo normal? Como poderiam achar aquilo justificável? Nem mesmo o pai de Rabastan achou aquilo compreensível.
Sirius entrou parecendo um fantasma, de tão branco. Régulus vinha com ele, parecendo completamente assustado.
—O que tinha lá? O que? – perguntou ele, mas Sirius olhava para mim, para minha mala. Eu vi medo nele. Sabia exatamente o que ele estava pensado. Pensava nele mesmo, sozinho, naquela casa. Lembrei dele dizendo que eu tinha sido a melhor coisa que já tinha acontecido para ele.
Meus olhos encheram-se de água e os de Sirius também. Ele correu até mim e me abraçou.
—Não me deixe! Não me deixe! – implorou ele. Eu apenas chorei assustada e a porta do meu quarto abriu com violência.
—ELA NÃO VAI SAIR DAQUI! – gritou tia Walburga.
—ELA É MINHA FILHA E EU QUEM DECIDO ISSO! – rosnou minha mãe. Meu pai pegou meu malão e me segurou pelo pulso.
—Vamos levar o Sirius! Vamos, papai! Ele quer vir com a gente!
—Me leva, tio! Me leva, por favor! – chorou Sirius puxando as vestes do meu pai.
—VEM CÁ, MOLEQUE! – rosnou tio Órion, pegando Sirius com brusquidão.
—ADHARA! – gritou Sirius, tentando me alcançar. Me estiquei toda e segurei a mão dele com a ponta dos dedos, mas meu pai me puxou com força e a mão de Sirius se escorregou da minha.
—SIRIUS! SIRIUS! – gritei com desespero, tentando alcançá-lo, enquanto meu pai me puxava com vigor.
—VOCÊS NÃO SÃO MAIS BLACK’S! OUVIU, PÓLLUX? – gritou tia Walburga. Nem liguei quando ela queimou o rosto do meu pai do tapete. Eu só queria voltar para junto de Sirius. Precisava salvar Sirius. Precisava salvá-lo.
—SIRIUS! – gritei desesperada.
—ADDIE! ADDIE! – chorou Sirius, tentando se libertar – NÃO ME DEIXE AQUI, POR FAVOR!ADDIE , NÃO ME DEIXE!
Mas meu pai desaparatou comigo e o rosto de Sirius ficou para trás, junto com o Largo Grimmauld.
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