When We Were Young
18 New Life
Notas iniciais

NEW LIFE
BLACK'S HOUSE
1974
SUMMER
Sirius estava sentado em sua cama sentindo-se terrivelmente sozinho. Um frio agourento estava se enroscando nele e, por mais que sua mãe gritasse lá da sala, tudo parecia anormalmente silencioso. Sua casa parecia completamente vazia, agora que sabia que, caso entrasse no quarto ao lado, não encontraria a prima se maquiando, escrevendo cartas ou então fazendo poses na frente do espelho, brincando com a própria aparência.
O quarto estaria vazio, remexido, fuçado, e Adhara não estaria nele.
Engoliu em seco, abraçando os joelhos com mais força. Lembrou-se da primeira vez que a vira, no Expresso Hogwarts. Ficaram implicando um com o outro... ela enganara a vendedora de doces, para conseguir alguns de graça...
Soltou um suspiro infeliz, sentindo vontade de chorar. Queria amaldiçoar Bellatrix. Queria torcer o pescoço dela. Era tudo culpa dela. Era tudo culpa da prima, dos pais, dos tios...
Lembrou-se até de tio Póllux, que era simplesmente fantástico. Ele nem o olhara, antes de levar Adhara embora. O deixara para trás, naquele ninho de loucos.
A porta se abriu e Régulus entrou, com o rosto cheio de lágrimas. Sirius viu o irmão arfar e correr para sua cama. Por um momento achou que o garoto iria abraçá-lo. Ele parecia muito assustado.
Mas Régulus não queria abraçar. Ele nunca aprendera a fazer isso. A única Black que abraçava era Adhara. E ela se fora. Régulus apenas não queria ficar sozinho, não enquanto os pais estavam tão possessos, falando coisas tão ruins sobre os tios e sobre Adhara, discutindo se iriam queimar Addie e Teddy do tapete. Não queria escutar. Simplesmente não queria escutar. Ele gostava de Addie e gostava de Teddy.
Por tanto correu para o quarto do irmão mais velho, sem querer ficar sozinho. Os dois irmãos se olharam por um tempo e Régulus simplesmente subiu na cama do irmão e se sentou ao seu lado, abraçando os joelhos do mesmo jeito. Ele soluçou de novo e Sirius bagunçou seus cabelos.
Aquilo o abalou ainda mais. Sirius nunca ligara muito pra ele. Nunca foram amigos, nunca se deram realmente bem... mas agora Sirius fizera um gesto consolador. Régulus olhou para ele e Sirius o olhou de volta. Ambos pareciam ver o próprio sofrimento no olhar do outro.
—O que tinha naquele lugar, Sirius? Pro nosso tio levar a Addie e o Teddy embora? – perguntou Régulus, pela décima vez.
—Tinha gente lá... trouxas... que eles torturavam pra se divertir.
Régulus arregalou os olhos, chocado. Sirius se sentiu confortado por ver o choque. Por ver que o irmão não era como Bellatrix.
—Repulsivo. – murmurou o garoto, desviando o olhar. Sirius concordou com um aceno de cabeça e a porta se abriu com violência. Era Órion. Seu pai, que entrava furioso.
Órion olhou para os dois filhos. Sirius parecia simplesmente infeliz e Régulus apavorado.
—Póllux foi retirado da nossa família. – rosnou o pai, sentindo-se traído pelo próprio primo e cunhado. Póllux simplesmente tinha ido embora. O desacatado e desrespeitado. O esnobado na frente de todos. Aquilo era simplesmente imperdoável... – Mas Adhara e Teddy ainda não. Se eles se comportarem, eu permitirei que eles continuem na nossa família. Por isso... – ele olhou para o filho mais velho, que o olhava com profundo desgosto – pelo menos por enquanto, seu noivado segue de pé, Sirius.
—Eu odeio você. – rosnou Sirius com um sorriso petulante – Você me dá pena e desgosto.
—Como é, moleque? – rosnou Órion, sentindo um leve desconforto ao olhar o próprio filho.
—Uma coisa é ser um cretino preconceituoso. Outra é achar aquela coisa grotesca e desumana aceitável. – rosnou Sirius – Você fez tio Póllux levar Addie embora. Por isso que eu digo e repito. Eu odeio você.
Órion pareceu sentir um pouco do ar lhe fugir. Aquela sensação desconfortável mais uma vez o tomando. Como se puxasse o ar, mas os pulmões não trabalhassem.
—Cale a boca, seu imprestável. – rosnou olhando o filho mais velho.
—Não calo. Eu te odeio! – rosnou Sirius. Órion sentia agora um leve desespero, sem entender bem o motivo pra isso. Apenas se aproximou e estapeou Sirius no rosto, com muita força. O garoto até caiu no chão – Isso! Me bate! Me faz te odiar ainda mais! – rosnou ele. Sacou a varinha querendo desesperadamente que ele calasse a boca.
—Papai! Não faz isso com o Sirius! – pediu Régulus, que ainda estava chorando. O puxou pelos cabelos, sentindo aquela sensação de peso, no peito.
—Quer defender o imprestável do seu irmão, quer? – perguntou com um nó na garganta. Não entendia o que estava sentindo. Aquele desconforto, aquela vontade de sair correndo dali – Vou te dar uma lição, Régulus. – o jogou contra a parede e apontou a varinha. Estava para castigar o caçula, quando Sirius agarrou seu braço.
—NÃO! Você não vai machucar o meu irmão! – gritou Sirius. O puxou pelos cabelos, mas Régulus o atacou e o mordeu no braço. Gritou furioso e soltou o mais velho.
—Corre, Sirius! Corre! – gritou Régulus escapulindo do alcance de seus dedos. Ele e Sirius saíram correndo, desesperadamente. Os seguiu, furioso, escada abaixo e ficou ainda mais furioso quando os dois se esconderam atrás de Alphard, outro irmão de Walburga.
—O que está acontecendo? – perguntou ele.
—Sirius e Régulus precisam ser disciplinados. – respondeu, muito sério, ainda sentindo aquele sentimento estranho dentro de si, com as palavras de Sirius ecoando em sua mente.
—Não acha que já foi severo demais por hoje, Órion? Não acha que nossa família já não está sangrando o suficiente? – perguntou Alphard – Sirius e Régulus são crianças, meu santo Merlin. Baixe essa varinha, beba um pouco de gole da paz e vai dormir. Eu cuido dos meninos.
Órion fechou os olhos e concordou com um aceno de cabeça.
Mas Régulus seguia chorando.
Sirius seguia o olhando com desprezo.
Alphard parecia estranhamente calmo.
E Órion finalmente entendera aquele sentimento.
Era simplesmente mágoa. Simplesmente mágoa...
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Minhas lágrimas ainda rolavam pelo meu rosto, enquanto caminhávamos por uma rua trouxa. Teddy também chorava baixinho, ainda muito assustado no colo da minha mãe. Ela, que sempre tinha o cabelo perfeitamente arrumado, agora estava praticamente descabelada. Meu pai ainda segurava minha mão, parecendo nervoso, olhando com atenção para as casas.
Meu corpo tremia de leve, quando eu soluçava. Fazia um biquinho tentando controlar minhas lágrimas, mas não funcionava e elas continuavam a escorrer.
—Addie – meu pai me olhou sorrindo tristemente e secou minhas lágrimas – Vai ficar tudo bem, ok? – ele então aponta para uma das casas – Aquela é nossa casa minha filha. – o olho confusa.
—O que?
—Eu e sua mãe compramos a muito tempo atrás – então ele aponta para a casa ao lado – Lembra do Henry? – nego – Você o conheceu no dia que Teddy nasceu. Ele é um grande amigo meu. Nossa casa está sem móveis, então vamos ficar lá por um tempo. – ele me olha e mais uma vez limpa minhas lágrimas – Eu sei que é difícil, querida. Eu sinto muito.
Nós quatro caminhamos até a casa e meu pai toca o que ele disse ser a campainha. Um homem aparece na porta, e eu me lembro vagamente do homem que trouxe comida, quando minha mãe estava tendo Teddy.
—Denny? – ele diz surpreso e abraça meu pai que o abraça de volta soltando minha mão – O que está fazendo aqui? – ele então olha para todos nós – Aconteceu, né?
—Parece que você é vidente. – minha mãe da uma risadinha.
—Ah, Kat. – ele abraça minha mãe – E aí, rapaz? – ele bagunça os cabelos de Teddy. – Oi, Addie, bom ver você novamente. – ele beija minha testa. – Não fique chateada! Agora você pode comer batata frita sempre que quiser! – meus pais riem e Henry nos chama para dentro. De cara dava pra perceber que tudo lá era trouxa. Tudo mesmo.
— O que é aquilo? – aponto para uma caixa preta que parecia que tinha pessoas dentro.
—É a televisão. E aquilo é um jogo de beisebol. – olhei encantada para aquilo e toquei. Era quentinho e saia até som de lá.
—Parece até uma criancinha no Natal. – Henry ri.
—É mágico! – começo a bater na televisão – Oi? Oi? – grito querendo chamar a atenção das pequenas pessoinhas lá.
—Eles não vão te ouvir. É ao vivo , mas está sendo transmitida – então, enquanto fritava batata frita, Henry explicou pra mim como funcionava, a televisão, o telefone, e a eletricidade. Os trouxas eram muito mais legais do que eu pensava. Eram incríveis. E isso me distraiu por um tempo até que, enquanto comíamos batata frita, voltei a ficar triste.
—Tigrão, cheguei. – uma voz feminina veio da sala e eu escutei a porta sendo fechada. – Pronto pra posição 23? Você treinou? – ela chega até nós e cora. Sua pele era negra e ela era muito bonita. Seu cabelo crespo estava preso em um coque e ela vestia uma roupa azul, que parecia ser um uniforme. – Denny! Kat! – ela abraçou meus pais também, e eu queria saber porque chamavam meus pais assim. Era Pollux e Minerva.
—O que é posição 23? – eles me olharam e depois para Teddy no meu colo, que comia bata frita com a boca toda suja de ketchup.
—Nada... Addie, você é grande e bonita. – ela sorri para mim.
— Você é a Willow, né? – lembro vagamente do nome que Henry falou para mim anos atrás.
—Sim, eu sou e esse é o Teddy? – ela beija a bochecha dele, que não liga muito pra ela com a mão cheia de batata-frita.
Meus pais se sentam novamente e Willow e Henry se beijam. Eu ainda estava um tanto perdida naquele lugar, então fiquei observando os quatro, que começam a conversar e rir, tomando cerveja.
—Pai, eu 'to cansada, onde eu posso deitar? – pergunto, me levantando com Teddy.
—Subindo as escadas, o segundo quarto, mas só tem uma cama de casal – Henry diz olhando meu pai.
—Não tem problema. Kat, Addie e Teddy dormem lá, e eu no sofá – até meu pai estava chamando ela de Kat agora.
—Addie, pode botar Teddy pra dormir? – minha mãe pergunta. Concordo e subo as escadas. Nossas coisas estavam no quarto e eu coloquei Teddy na cama. Enquanto pegava nossas escovas de dente, achei um banheiro no corredor, mas lá não tinha nenhuma poção de limpeza dentária (deixa até dente de trasgo branco), achei algo com o nome “pasta de dente”. Imaginei que aquilo deveria servir, então coloquei na escova e depois na boca, Teddy apareceu, com as pernas cruzadas.
—Pipi – ele disse, com a escova na boca, abaixei suas calças, ele ainda usava fraldas, mas agora mamãe estava o ensinando a fazer na privada. O coloquei na privada e ele começou a fazer xixi, já que ainda não tinha altura para fazer em pé. Terminei de escovar dente e o tirei de lá, escovando o dele e lavando sua boca. No quarto, troquei nossas roupas, deixei ele apenas de fralda, e eu coloquei uma blusinha e um shorts de pano.
—Vem, Teddy – nós subimos na cama e ele logo dormiu encostado em mim. Mas eu me revirei na cama até meus pais chegarem.
—Ainda acordada, meu amor? – mamãe se sentou na cama, acariciando meus cabelos.
—Eu quero ver Sirius. – digo bem baixinho, ela me olha com pena – Não posso mandar uma carta pra ele?
—Duvido que vão deixar ele ler, querida. – meu pai respondeu, ele tinha trocado de roupa também e se sentou do meu lado, me puxando para um abraço – Eu sinto muito, eu sei o quanto Sirius é importante para você.
Ele me beijou na testa e minha mãe desceu com ele, me encolhi na cama e mais uma vez não pude segurar minhas lágrimas.
Sirius deveria estar muito triste agora, assim como eu. Eu sempre soube que o amava, mais nunca percebi que era tão forte assim. E tinha prometido que não o deixaria... mas acabei deixando-o sozinho, naquela casa de malucos...
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Estávamos há três dias na casa de Henry e Willow, meus pais estavam comprando os móveis para nossa casa. Móveis trouxas, com dinheiro trouxa. Estávamos indo em lojas em que nada flutuava ou se mexia. A farmácia deles não vendia poções! Como assim, meu Merlin?
Compramos uma televisão e agora, de acordo com meus pais, eu teria que ajudar com as coisas em casa. Trocar a fralda do Teddy. Lavar a louça. Varrer a casa. Só porque eles não querem ter um elfo! Isso é ridículo. Eu vou ter que arrumar minha cama também, quem faz isso?
—Por que essa cara? – meu pai perguntou, me olhando com um sorrisinho. Ele agora estava usando roupas trouxas, minhas mãe também. E eles tinham tatuagens. Tatuagens! Quem são essas pessoas e o que elas fizeram com os meus pais? – E toda de preto de novo?
—Ela está de luto, por te abandonado o primo. – Henry diz. Ele estava fritando bacon e eu descobri que ele é dono de uma loja de disco e por isso, podia ficar bastante tempo em casa, se quisesse.
—Estou em protesto por essa... nova vida. – anunciei. Cruzei meus braços e empinei meu nariz.
—Protesto? Achei que gostasse dos trouxas – meu pai disse, arqueando uma sobrancelha ao máximo. Ele e Henry me encaravam curiosos, agora comendo os bacons.
— Eu gosto, mas... Essa não é a nossa vida. A minha vida. – eles arquearam a sobrancelha ao mesmo tempo – Eu vou dar uma volta por ai. – avisei, mas assim que sai pela porta somente sentei na calçada.
Eles estavam agindo como se nossa família não importasse mais, apesar de eu saber que se case algum deles topasse comigo ou com meus pais, na rua, nem olhariam na nossa cara. Mas, mesmo assim era triste, e todos os dias, parecia que um buraco no meu peito ficava mais fundo. Desde os onze anos, eu não passei um dia que fosse sem ver o Sirius, e agora estávamos separados e nem uma carta eu podia enviar para ele.
Um garotinho passou na minha frente de bicicleta e depois uma garotinha, eles eram filhos do casal mais chato do mundo. O Pillsbury. Os filhos deles viviam fugindo, porque eles eram muito chatos e não deixavam as crianças fazerem nada.
Eu descobri muito sobre a nossa rua. A mulher que morava em frente a minha casa, sempre trocava de roupa na frente da janela. Não aparecia muito, mas uma vez meu pai estava dando uma olhada na janela do meu novo quarto e quando ela viu ele, se expôs toda. Tinha um casal de namorados na casa ao lado, eles acabaram de adotar um bebê e deu pra perceber que são bem discriminados por serem dois homens. Tinha uma mulher na rua que era louca, sempre que alguém aparecia no quintal dela, ela saia correndo de casa com uma vassoura para bater na pessoa. Eu sempre vou lá. É hilário.
—Addie? Merlin! Addie é você mesmo? – olho para o lado, encontrando aqueles olhos que sempre me fazem ficar quente. Sinto meus cabelos mudarem de cor e eu me ergo no mesmo instante.
—Adam? – ele sorri para mim, e me puxa para um abraço e eu me deixo aconchegar nele. – O que está fazendo aqui?
—Eu moro aqui. O que você está fazendo aqui? – o olho confusa.
—Mas você é sangue puro – argumento. Ele arque a sobrancelha.
—Eu sou. – ele concordou – Mas você também.
Dou uma risada.
—Meus pais resolveram ir embora. – explico, cruzando os braços – Quando fomos na casa da minha prima, Bellatrix, descobrimos que ela tinha trouxas sendo torturados no porão – ele arregalou os olhos, apesar de não parecer tão surpreso assim – Não conte a ninguém. Mas, agora me explique. Todo mundo sabe que sua avó se declarou apoiadora de Dumbledore e que por isso sua família a expulsou e ela foi embora viver com os trouxas... mas isso não é explicação pra você estar aqui...
—Eles não a expulsaram, ela que quis ir. – ele esclarece – Aquela é a casa dela – ele aponta para a casa ao lado da minha. – Ela resolveu ir embora, mas minha família... Meus pais... Meus tios... Nunca conseguiriam a expulsar, eles ainda mantém contato com ela. Sempre. E eu venho pra cá no verão.
—Legal, eu achava que você apoiava a causa e essas coisas. Sabe o lorde. – ele nega.
—Não. Ninguém da minha família apoia, mas você sabe o que acontece com as famílias que se declaram traidores. – assinto. É eu sabia.
—E seus amigos sabem?
—Claro que não, só a minha banda.
—Você tem uma banda?
—Sim. Willamette Stone.
Tinha como Adam Cook, ser mais perfeito?
—Legal – mordo meu lábio, olhando para ele. Ele era tão lindo e alto, mais alto que James ou Rabs. Ele era mais alto, no sentido que ela mais velho, mais maduro, e mais experiente.
—Adoro, quando você me olha assim... toda caidinha por mim.– ele ri me olhando com malícia. Desvio o olhar, mas dou um sorriso malicioso, também.
—Até parece, Cook. Você é que ta caidinho por mim. – ele dá de ombros.
—Talvez eu esteja mesmo. – ele sorri – Quer me contar o que aconteceu? Você ta assim só por que saiu de casa? – nós começamos a andar e eu vou contado tudo para ele, tudo o que eu estava sentido. Ele me ouviu paciente, sem interromper.
—Eu só... Só gostava de ficar naquela casa com Sirius e... Com um elfo também – Adam ri – Eu sei que aqui é melhor, não vou ser forçada a casar, não vou ter que aturar a vaca da minha tia, mas eles são... eram a minha família – ele passou o braço pelo meu ombro, me trazendo para perto.
—Eu te entendo. – ele disse – Quando minha avó foi embora eu chorei como um bebezinho. Achei nunca mais ia vê-la, mas eu a vi e você também vai ver Sirius.Não precisa ficar triste sobre isso – ele acaricia meu rosto. – E agora, você me tem aqui pelo verão todo. Na verdade por todos os verões — então olha para o lado e sorri – A velha casa da Sra. Epaminodas... sabe?
—Eu sei, sempre vou visitá-la – sorrio travessa – Ela me ama, até me deu um apelido. Diabinha.
—O meu é Menino Diabólico. – rimos juntos. – Vamos? – ele convida, me estendendo a mão, a apertei e, gritando, fomos para o gramado dela, começamos a rodar e eu dei estrelinhas enquanto Adam fingia estar tocando uma guitarra.
Girei como uma bailarina e lhe fiz um reverência. Ele também fez e fingiu que me deu sua guitarra.
—SEU DEMONIOSSSSS! SAIAM DO MEU GRAMADO! SAIAM! – Sra. Epaminondas saiu gritando com sua vassoura na mão e os seus gatos a tiracolo.
Eu e Adam ríamos indo cada um pra um lado, enquanto ela nos perseguia, quando cansamos e corremos para rua, minha barriga doía de tanto de rir.
—Ai, Adam! Eu vou me mijar toda – me curvei e ele gargalhou.
—Eu também.
—Uh uh – olhamos para meu pai e vi Henry que espiava da janela, apesar da casa estar um pouco longe.
—O-oi, pai – aceno pra ele, ele sorri.
—Oi, filha. Dava pra te ouvir até na esquina. Os dois – ele olha Adam. –Você, se não me engano, é o filho dos Cook’s, certo? – Adam confirma.
—Prazer em conhecê-lo, senhor – eles apertam as mãos. – Addie, o que acha de amanhã a gente sair? Você pode conhecer minha avó – sorrio.
—Claro, mas só como amigos. Jay disse que vamos namorar esse ano – ele arqueia a sobrancelha.
—Ah, é?
—Uhum – empino meu nariz – Até amanhã. – beijo a bochecha dele e puxo meu pai pelo braço.
Meu pai me olhava com um sorrisinho, enquanto nos afastávamos.
—Namorar, é?
—Era pra deixar ele com ciúmes, pai. – digo e meu pai ri – Ele tá olhando?– ele vira e sorri.
—Sim.
—Ótimo!
Adam Cook ia comer na minha mão. Entramos de volta pra casa.
—Namoradinhos, Adhara? – Henry zomba, ele e meu pai riem.
—Não, só um amigo, ele conversou comigo e talvez eu esteja exagerando, mas eu gosto de ter um elfo e gosto da magia. Gostava daquela vida. – reclamo manhosa. Meu pai sorri carinhoso.
—Querida, você pode viver sem um elfo e você não vai parar de ter magia. E quem disse que essa não é sua vida também? – o olhei curiosa e ele e Henry sorriram cúmplices. – Henry?
—Deixa que eu pego. – ele sobe as escadas rápido e desce mais rápido ainda, ele segurava o que parecia um álbum de fotos.
—Deixa eu te contar uma coisa, Addie. – eles abriram o álbum de fotos e eu vi uma foto dele e da minha mãe com roupas punk rock. Minha mãe usava um piercing no nariz, como a professora de Estudo dos Trouxas, e tinha o cabelo no ombro, bem mais loiro que o usual. Meu pai tinha o cabelo maior e segurava baquetas nas mãos. – Antes de eu conhecer sua mãe, ao fazer dezessete, eu sai de casa e falei para meus pais que iria conhecer opções de trabalho melhores, do que o Ministério. Eles não gostaram, é claro, mas o que poderiam fazer? Eu cancelei meu casamento com Druella...
—Druella? Tia Druella? – pergunto surpresa. Arregalo meus olhos quando meu pai assente.
—Eu era o mais velho. Cygnus tinha apenas quinze e quando eu cancelei, para não ficar feio eles fizerem Cygnus e Druella noivarem.
—Por isso ela é sempre tão grossa com a mamãe?
—Sim. Não que ela não goste de Cygnus, mas eu fui seu primeiro amor. – Explicou meu pai e Henry deu uma gargalhada.
—Denny quebrando corações.
—Então, depois de cancelar o noivado, eu fui curtir o mundo. Conheci Henry – Henry sorriu para mim – Ficamos muito amigos, ele me ensinou a tocar bateria e criamos uma banda e fomos para América e lá conheci sua mãe. Ela era sangue puro como eu, mas era tão adepta as ideias trouxas... Fiquei maravilhado. Sua mãe me mostrou o verdadeiro mundo, então com vinte e um nos casamos, mas não, ainda não tivemos você. Trouxe ela para cá, apresentei ela para minha família e fomos para Liverpool. Lá Henry conheceu Willow e elas viraram nossas tietes.
—Willow é bruxa? – interrompo.
—Não, ela é trouxa. – quem responde é Henry.
—Nossa banda fez sucesso por lá, conseguimos mais integrantes e o sucesso foi bastante, então sua mãe engravidou, viemos pra cá compramos essa casa. Henry e Willow a do lado. E tivemos você. A nossa fã número um.
—Você ia a todos os nossos shows Addie, usava grandes headphones amarelos, para proteger as orelhas e sua mãe a vestia como uma mini punk-rock. – eles então passaram para outra folha, mostrando uma foto minha e da minha mãe. Eu estava usando os grandes headphones amarelos que eles falaram, uma blusa que acho ser da banda do meu pai e minha mãe estava com o cabelo curto como na outra foto, vestida de punk. Sorrio involuntariamente ao olhar a foto.
—Você era assim antes, Addie e se não tivéssemos deixado tudo...
—Como assim? O que aconteceu? Aqui eu pareço ter quatro anos, ou mais... como eu não me lembro de nada disso. Nada.
—Foi quando, me reconheceram em Liverpool, alguém me chamou de Pollux e por isso fomos para França. Tive que deixar a banda e Henry. E criamos você lá, fingindo que aquela parte nunca existiu, que só éramos o velho casal sangue puro que não sabia nada sobre trouxas. Pelo seu bem, Addie. Eu sei que é egoísta mas ter o nome Black vai te proteger.
—Mas, agora não faz diferença, somo traidores né? – meu pai da de ombros.
—Algumas pessoas vão interpretar assim, outras vão achar que só queríamos o seu bem e o de Teddy. – ele segura minha mão.
—Mas no casamento da Ciça, minha mãe falou algo sobre...
—Teatro – meu pai riu – Inventamos tudo.
—Você ia mesmo me fazer casar com Sirius, pai? – ele respira fundo.
—Walburga queria muito, sua mãe não, mas eu achei que não faria mal, afinal você sempre gostou muito do Sirius. Me desculpe – ele acaricia minha mão, com o dedão.
—Você ainda não em explicou como eu não tenho nenhuma lembrança sobre essa vida – ele me olha culpado e Henry prende o riso.
—Talvez tenhamos usado um feitiço da memória em você. Bem de leve.
—Pai! – exclamo irritada, Henry gargalha.
—Desculpa, Addie. – reviro os olhos , cruzando os meu braços. – Agora vamos.
—Onde? Mamãe e Willow já não foram? Por que temos que ir também? Por que eu tenho que ir?
—Ah, tudo bem, acho que eu e Henry podemos então escolher as coisas do seu quarto – ele diz na porta.
—Eu to indo. – pulo da cadeira, mas antes volto e tiro a foto minha e da minha mãe do álbum de fotos e a dela e do meu pai também.
—Vou deixar você comprar algumas besteiras de adolescente como um pedido de desculpa, mas não abuse, mocinha. – ele em aponta o dedo enquanto entravamos no carro do Henry.
Isso era uma das coisas trouxas que eu mais gostava. Carro. Eles eram tão legais, gostava de colocar o rosto pra fora e deixar o vento bater no meu rosto. Henry disse que eu iria gostar de motos e que quando eu fizesse dezesseis ele me daria uma de presente.
— Quem quer ouvir um pouco de Blue Oyster Cult? – Henry pergunta, pronto para colocar a fita.
—Não podemos ouvir aquela música que eu gostei? – os dois sorriram para mim.
—Tudo bem, vamos ouvir Flight 505. – Henry coloca a fita e a música soa pelo carro.
—Muito bem filha, Stones é bom, está indo pelo caminho certo. – ele então se vira para o Henry – Temos que ensinar tudo para ela.
—Seremos seus mentores do punk-rock querida. – Henry afirma.
Rindo, cantamos a música juntos.
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—Eu quero. Eu quero. Eu quero. Eu quero. – eu começo a repetir pulando no lugar, Teddy em meu coloco começa a rir.
—Pra que você quer? – minha mãe pergunta.
—Oras, para escrever! Sem pena – digo como se fosse óbvio, fazendo Willow rir.
—Vamos comprar, eu prometi que iria comprar algumas besteiras pra ela. – meu pai diz.
—E por que você prometeu isso?
—Por que vocês dois apagaram minha memória quando eu tinha quatro anos! – ela se cala.
—Vamos levar. – ela pede para um vendedor pegar um do estoque. Sorrio olhando aquela coisa trouxa incrível.
—Obrigada – cantarolo, apertando Teddy contra meu pai.
Quando saímos da loja e entramos no carro, me sento no meio e Teddy fica no colo da Willow.
—Não, Addie – minha mãe reclama, mas mesmo assim começo a abrir a caixa.
—Preciso de pergaminho – murmuro jogando a caixa no porta malas.
—Eu sabia que você ia fazer isso – meu pai me dá os pergaminhos – E é folha de sulfite não pergaminho.
—Tanto faz – encaixo e aperto a primeira letra, fazendo um delicioso barulhinho – Qual o nome disso mesmo?
—Máquina de escrever – Henry responde.
—Máquina da Addie – murmuro bobamente, enquanto começo a escrever com aquela coisa mágica.
—O que está fazendo? – minha mãe pergunta curiosa.
—Escrevendo para Sirius – e antes que ela falasse já tinha falado de novo – E só vou entregar quando eu o ver pessoalmente. – comecei a escrever, dizendo o quanto sentia falta dele. Não liguei que depois ele pudesse me zoar, só queria expressar o que eu estava sentindo. Ouvi minha mãe dizer para Henry ir na loja de móveis, para eu escolher o que queria no meu quarto, e escrevi para Sirius sobre minha nova vida também.
—Adoro esse barulhinho – digo me referindo ao barulho das teclas, e do que fazia ao terminar uma frase.
—Sei que está se divertindo, mas vamos – minha mãe chama. Reviro os olhos saindo do carro e deixando a máquina lá dentro.
A loja era grande e como todas as outras nada se mexia. Ou explodia. Ou cantava. Ou tinha algo a ver com couro de dragão. Minha mãe me deixou rondar por ai e por isso peguei Teddy, ele veio andando de mãos dadas comigo, como sempre se distraindo com tudo. Eu escolhi a cama, e uma escrivaninha super maneira, e também uma estante que combinasse com o resto. Escolhi uma cortina preta, porque mesmo se fosse dia, eu podia as fechar e fingir que era noite.
—Adi – olho para Teddy e ele sorri puxando várias cortinas as fazendo cair no chão, o pego e saio correndo e disfarço fingindo que estou olhando uns vasos sanitários.
—Por acaso o caos que aconteceu com as cortinas tem alguma coisa a ver com você? – meu pai se aproximou com Henry.
—Pergunte ao seu filho – Teddy ri. – Ai meu deus! Eu quero – dou Teddy para meu pai e me jogo em um tapete roxo felpudo. – É meu. Ele é tão fofo. – Teddy se joga do meu lado, rindo enquanto rolava pelo tapete.
—Parece que já temos o essencial – minha mãe diz – O resto da decoração você arruma com o tempo – ela pega Teddy e com meu pai vai ir pagar as coisas.
—Sabia que eu tenho algo que você vai gostar? – Henry diz, ele me leva para loja ao lado.
—O que é isso? – pergunto vendo Willow saindo da loja com uma caixa, embrulhada em um papel de presente.
—Um presente de boas vindas – ela diz e me entrega.
Abro o embrulho o jogando para os lados.
—Patins – leio e vejo a imagem na caixa – Pra que serve isso? – pergunto curiosa, sacudo a caixa ouvindo o barulho e fazia.
—É pra você colocar como uma bota e deslizar por aí – Henry diz.
—Deslizar? – ele dá de ombros e eu o abraço.
—Obrigada, Henry. Obrigada, Willow – abraço ela também. – Parece que vou ter que aprender a usar.
—Você vai cair de bunda , pode acreditar.
Nós fomos em mais algumas lojas, mas Willow teve que ir para o hospital, onde ela trabalhava de enfermeira e minha mãe foi levar o Teddy pra tomar sorvete. Eu iria junto, mas papai e Henry me levaram na loja de disco.
—Tudo aqui é meu, e claro, da Willow. – disse Henry. A loja era incrível, tocava uma música muito baixinho e delicioso, as paredes eram cheias de fotografias de bandas de rock e punk, e de cantores sozinhos. O teto era todo preto e tinha discos penduradas. – Os patins foram presente da Willow. Ela queria te dar algo que gostava. Mas esse aqui é todo meu. – ele me entrega uma caixa, que não estava muito embrulhada, só tinha um laço vermelho no centro que contornava a caixa branca. Meu pai tinha sentado na bancada do caixa e Henry estava atrás da caixinha que colocava dinheiro, que eu não sei como os trouxas chamam. Eu abri o laço e tirei a tampa.
—É aquele troço, pra tocar música. – comecei a girar o dedo pra lembra o nome. – É toca-disco, né? – eles dois sorriem.
—E você pode escolher quantos discos quiser da loja – Henry diz.
—Sério? Obrigada Henry. Eu adorei – abraço ele, e olho as várias bancadas cheias de discos.
—Mas lembre-se, não existe só Beatles! – disse Henry, me olhando enquanto eu faço um biquinho – Beatles é incrivel, mas existem outras bandas.
—The Who – meu pai diz.
—Stones – Henry diz também.
—Tá bom – digo sorrindo, e me viro. Fui pegando alguns que chamavam a atenção e outros pelos nomes que eu conhecia, os Beatles, ou os Stones. No final saí com uma sacola cheia.
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—Adam, está aqui! – escuto meu pai falar. Acordo assustada, me levantando da minha cama depressa, os móveis que compramos ontem, já estavam prontos, porque meu pai os comprou desmontados, mas não pediu entrega ou que viessem arrumar. Apenas agitou a varinha. Me jogo da cama, direto para o closet, coloco um shorts jeans de cintura alta, uma blusa regata branca curta e um sweater de botão. coloquei meu tênis novo e corri para o banheiro pulando os discos que eu tinha passado a noite ouvindo e depois deixado no chão, sobre o tapete roxo e felpudo, que era enorme.
—Já to indo. – grito, enquanto escovo meus dentes, voltou para meu quarto e me olho antes de descer a escada correndo. – Droga, não me maquiei. – resmungo, pronta para voltar.
—Está linda assim – meu pai diz da cozinha. Vou até lá e o vejo tentando cozinhar – Ele está de esperando lá fora – meu pai ri.
—Eu vou indo. Eu e Adam vamos dar uma volta – digo – Ta fazendo o café da manhã?
—Querida, já são uma hora da tarde, to atrasado para o almoço – o olho surpresa, mas o beijo e saio da casa. Adam estava sentado na grama, com um bicicleta jogada do seu lado.
—Oi – digo, ele se vira e sorri.
—Oi – ele me beija na bochecha.
—Vamos, ir ver sua avó? – pergunto, ele nega e levanta a bicicleta.
—Vamos, dar uma volta. Senta ai – ele me coloca no guidão, mas de um jeito que não atrapalhe.
—Isso não vai dar certo – murmuro, me segurando.
—Vai sim.
—Já fez isso antes? Com outras garotas? – ele começa a pedalar.
—Ciúmes?
—Eu nunca tenho ciúmes. Os outros que tem ciúmes de mim – minto sorrindo.
—Convencida – passamos pela casa da Sra. Epaminondas e Adam quase atropela um dos seus gatos.
Nós riamos e conversarmos sobre tudo.Com Adam era fácil de falar.Tão fácil, quanto Remus.Eles até se pareciam um pouco.Os dois me faziam me sentir bem e bonita.
—Chegamos – ele para, e eu desço da bicicleta. – É um parque – olho em volta, o mato já estava alto em vários pedaços, e os brinquedos enferrujados – Ninguém vem aqui por causa do Jonny. – ele diz misterioso.
—Quem?
—Jonny Falkoff. Ele morreu aqui. Dizem que ele estava no balanço e um cara chegou e o empurrou ladeira abaixo. Ele literalmente voou até cair nas pedras.
—É verdade? – perguntou curiosa. Ele aponta para um canto no parque perto do grande espaço aberto.Tinha uma estaca de madeira escrita “Jonny Falkoff 1955 – 1965” – Qualquer um pode ter feito isso, para assustar as criancinhas.
—Sim – Adam da de ombros – Mas é bem mais legal pensar que é verdade – dou uma risada e vou lá perto, para no balanço e me sento.
—Isso é um balanço né?
—O que Jonny morreu – ele diz, novamente com aquela voz misteriosa.
—Cala boca – ele ri e para atrás de mim
— É assim – ele me empurra de leve até que eu pego impulso, indo cada vez mais alto.
—Isso é tão legal – grito.
O vento batia no meu rosto, e no meu cabelo. Era quase como voar, a sensação do vento em você, enquanto avança mais e mais, até estar simplesmente flutuando. Eu me senti bem ali, como se nada mais importasse. Somente eu. Eu naquele balanço do parque do Jonny, e Adam ao meu lado rindo, enquanto se balançava também. O céu estava num azul lindo e reconfortante. O Sol brilhava como nunca antes. Eu me sentia como naquela vez que meus pais em levaram para ver um show trouxa.
—Eu me sinto infinito – murmuro quando dei impulso mais uma vez.
—Isso é a coisa mais legal que já me disseram – Adam responde sorrindo, o cabelo dele estava puxado para trás, pelo vento e o sol batia em seu rosto. – Quer um? – ele me estende um cigarro, e eu o pego quando o balanço desce novamente. Ele já estava aceso e eu só precisei tragar. – É maconha.
—O que? Tipo salvia, né?
—Sim, só que é o que os trouxas usam – trago novamente, parando aos poucos de balançar.
Adam para também, me olhando.
—É bom – murmuro. Ele se levanta e me puxa com ele. Nos sentamos no barranco, com nossas pernas balançando.
—Foi aqui que Jonny caiu – ele diz. Olho para baixo, vendo como era alto, e como era cheio de árvores e pedras.
—Eu gostei desse lugar.
—Eu sei, sabia que ia gostar – ele segura minha mão. – Tá com fome?
—Um pouco, eu... uh... acordei quando você me chamou – admito o fazendo rir. Olho uma última vez a imensidão azul que era o céu, e vou atrás dele. Ele pega minha mão novamente e me coloca na bicicleta. Ele pedala até o que parecia ser uma lanchonete. Tinha bastante trouxas lá, entramos e eu vi uma mulher que parecia não passar dos dezenove anos, e que estava com uma barriga de grávida enorme. A blusa do uniforme quase não cobria a barriga redonda dela.
—Jane, eu não te disse pra ficar em casa e descansar? – Adam, diz e a mulher sorri.
—E eu te disse que tenho que trabalhar, pra alimentar essa coisinha aqui – ela dá uns tapinhas na barriga.
—Você é como uma bomba relógio, a qualquer hora pode explodir – ele diz, fazendo a mulher rir. Ele me puxa para um mesa e me sento na cadeira fofa. – Jane, essa é a Addie.
—Olá, Addie – ela diz sorrindo.
—Oi, Jane – respondo
—O que vão querer? – ela pergunta pegando um bloquinho, e um troço que minha mãe me disse ser uma caneta.
—O que quer, Addie? – Adam pergunta.
—Batata frita! Eu amo batata frita! Tem batata frita? – os dois riem.
—Tem sim. Vem em um cone até – ela diz anotando o pedido – E você, Adam? Hambúrguer vegetariano?
—Isso mesmo, Jane. – ela sorri – E um milk-shake de morango, com chantilly por cima, e dois canudos – ela sai em direção à cozinha.
—Adam, eu não tenho dinheiro trouxa. Tenho em casa, porque agora eu recebo minha mesada em dinheiro trouxa quando to de férias... – reviro os olhos.
—Deixa comigo – ele sorri.
—Você é vegetariano?
—Sou sim – ele responde, Jane chega com nosso pedido e o deixa na mesa.
—Aproveitem, pombinhos. – ela da uma risadinha e sai para atender um casal que entrou.
—Vai pagar quando fomos sair? – pergunto, jogando ketchup na minha batata que realmente veio em um cone.
—Não, não vou pagar – ele responde, dando de ombros.
—A gente vai comer e fugir, é? – pergunto, com um sorriso, arregalando os olhos.
—Não, sua pequena deliquente. – ele falou. – Minha avó é dona daqui e eu trabalho aqui às vezes, no verão. Você ta toda suja de ketchup – ele pega um guardanapo e limpa meu rosto.
—Eu amo batata-frita – como outra, em deliciando com o sabor.
—Percebi.
—Tipo as que o Henry faz se chamam batata-frita também, mas tem um gosto um pouco diferente, mas ao mesmo tempo igual, tipo é assim com todas as comidas né?
—Depende de quem faz, cada pessoa faz de um jeito e você pensa que tem um gosto diferente, mas é a mesma coisa.
—Acho que sim, mas é muito bom... – murmuro comendo mais batatas. Pego o canudo e provo o milk-shake. – Isso é muito bom também, a mãe do James fez pra mim uma vez. – ele se estica e pega o outro canudo – Você ta fazendo aquele troço, né?
—Que troço? – ele perguntou com um sorriso malicioso.
—Emms me disse, que a mãe dela disse uma vez, que em um encontro romântico, o cara pede uma bebida, geralmente milk-shake e com dois canudos. E o casal toma se olhando apaixonados e tal. Porque a garota fica apaixonadinha com o jeito dele ser romântico.
—E se eu estiver?
—Bem, está até funcionando, mas só porque é você. – ele arqueia a sobrancelha. – Se fosse James ele faria bolhas no milk-shake pra espirrar em mim.
—Você fala muito sobre James – ele comenta.
—Eu gosto muito do, Jay. Ele é um grande amigo – ele riu – O que?
—O Jay?
—Ah – rosno baixinho – Eu falei daquele jeito não é?- ele assente — Droga!
—Ele deve gostar quando você fala assim – ele morde um pedaço do seu hambúrguer.
—É... Remus disse que ele gosta. Remus também disse que James está apaixonado por mim, mas às vezes Remus consegue ser meio aluado, então...
Nós comemos tudo, rindo e fazendo piadas. Depois que acabamos Adam comprou sorvete e saímos da lanchonete. Terminamos o sorvete encostados na sua bicicleta.
—Agora, vamos conhecer sua avó? – pergunto lambendo meu dedo, pelo qual escorria sorvete. Ele assente olhando meu dedo com malícia. Subo na bicicleta e “pedalamos” de volta para nossa rua. Vejo Henry entrando na nossa casa, me espiando por cima do ombro. A casa da avó do Adam, era bem aconchegante, tinha várias almofada com frases que me fizeram lembrar de Sirius. Almofadinhas.
—Minha avó que faz – ele diz pegando uma almofada que dizia “Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.”
—Frase legal.
—Ela pega em livros – ele aponta uma prateleira que ia até o teto, cheio de livros. – Avó!Cheguei! – uma velhinha aparece suja de farinha no rosto – Addie, essa é minha avó Janet – sorrio e ela me abraça – Avó essa é Addie.
—Olá Addie. Fiz brownie espero que goste. – ela sorri carinhosa. Tinha gente que dizia que quando envelhecia ficava feia, mas achei a avó do Adam, muito bonita.
—Nunca comi, na verdade.
—Então está na hora de experimentar – ela me leva até a cozinha e Adam vem logo atrás.
—Parece bolo. – Adam rouba um pedaço.
—É, mas pra mim é muito melhor – ela corta um pedaço, e coloca em um pratinho desenhado e me dá. Experimento, e me surpreendo com o gosto bom que explode em minha boca.
—Tão bom quanto bata-frita – murmuro, mordendo mais um pedaço.
—Addie, gosta muito de batata-frita, vovó – sorrio que ele não tem vergonha de chamar a avó dele assim.
—Muito mesmo – mordo meu lábio olhando a forma com mais brownie – Posso comer mais um?
—Quantos vocês quiser, querida – ela corta um pedaço grande e coloca no pratinho. Adam comia com a mão, já no terceiro pedaço. – Adam, me disse que as coisas estão sendo difíceis pra você, em relação a sua família – mordo meu lábio com força.
—Eu só sinto muita falta, do meu primo. Ele dizia que eu era a única coisa boa lá, e eu o abandonei... – ela me olha atenciosa. – Eu queria que ele tivesse vindo junto.
—Você não o abandonou. – ela diz.
—Abandonei sim, ele gritou pra eu não o deixar, mas...
—Mas seus pais queriam te tirar de lá, eu tenho certeza que se eles pudessem, levariam seu primo junto.
—É... eu acho que sim. — dou de ombros – Mas, toda noite eu me lembro dele e choro um pouco.
—Não precisa ter vergonha – ela comenta.
—Tá, eu choro muito. Enfio minha cara no travesseiro e fico fazendo sons estranhos.
—Está tudo bem querida, tudo vai melhorar – ela acaricia minha mão.
—É, agora eu vou viver como trouxa, tipo todos os verões e feriados, não vou mais subir as escadas e ver um monte de cabeça de elfo. – ela ri e Adam também – Sabe eu tenho uma coisa parecida com a sua bicicleta. Se chama patins. Henry disse que ele desliza.
—E você sabe usar? – nego, me atrevendo a pegar mais um pedaço de brownie. – Eu te ensino – Adam diz.
—Sério? – em levanto – Agora? Eu vou lá pegar! – ele ri se levantando também.
—Agora, se quiser. – sorrio e olho a avó do Adam.
—Foi um prazer Janet – murmuro, ela sorri se levantando e colocando os pratinhos na pia.
—O prazer foi meu, Addie – ela me abraça – E cuidado com esse meu neto, ele é um safadinho.
—Eu ainda vou namorar a Addie vovó – ela ri acariciando minha costas.
—Você sempre será bem-vinda aqui, Addie – ela beija minha testa – Agora, vão lá brincar – ela ri e eu e Adam saímos.
—Sua avó é bem legal – digo.
—Sim, ela é – ele então me olha e me puxa pela mão – Você tá mesmo chorando toda noite?
—É só sempre que me lembro de Sirius, e não conta isso pra ele. Nunca. – ele ri, me puxando pra mais perto, ainda segurando minha mão.
—Agora, que somos vizinhos, pode sempre que se sentir triste me chamar.
—Eu sei – beijo a bochecha dele – Vou ir pegar meu patins – vou correndo para minha casa, e passo pelos meus pais e Henry que estava na cozinha.
No meu quarto entro no closet e tiro os patins da caixa, percebo que Teddy está dormindo na minha cama, envolta de um monte de travesseiros. Antes de descer, me olho no espelho e amarro meu cabelo e um rabo de cavalo e deixo algumas mechas solta na frente. Desço a escada.
—Adam, vai me ensinar a andar de patins – grito quando passo por eles.
—Eu sei – meu pai cantarola e eu volto lentamente. Adam estava sentado na cadeira ao lado de Henry.
—O que você ta’ fazendo aqui? – pergunto, fazendo meus pais rirem.
—Vi, ele lá fora quando você subiu correndo e chamei-o pra entrar. – minha mãe diz – Parece que vocês deram uma volta hoje.
—É. A gente saiu. Avisei o papai.
—Eu sei – ela diz, sorrindo travessa – Então, Adam vocês se conheceram na escola, né? – me sento ao lado dele, olhando minha mãe, querendo saber o que ela estava falando.
—Sim. – ele diz.
—Mas, você é mais velho, como se conheceram? – abro minha boca a olhando chocada.
—Narcisa nos apresentou – ele diz.
—Hum, e você por acaso, está interessado na nossa...
—Mãe! Já chega! – ela ria alto, e vejo que está só me provocando – Eu e Adam já vamos – pego a mão dele o puxando.
—Foi um prazer te conhecer, Kat. – Adam grita enquanto fecho a porta.
—Por que é que você entrou? – bato no peito dele.
—Eles me convidaram. – ele ri, segurando minha mãe, me impedindo de batê-lo novamente.Empurro ele de leve e me sento no gramado, em frente minha casa, ele se senta a minha frente. – Gostei dos seus tênis – olho meus tênis novos.
—Minha mãe disse que se chama All-Star – digo, tirando um para colocar o patins, Adam me ajuda, fechando o patins e encaixando direito.
—É – ele diz – Mas você modificou – o tênis que minha mãe tinha em dado era branco, e com canetinha preta eu escrevi em um dos pares, várias letras de músicas, que eu ouvi ontem, mas o outro ainda estava branquinho, os cadarços eram roxo neon – Porque pintou só um?
—O outro vou pedir pro meus amigos assinarem, escreverem algo, sei lá – dou de ombros – Quer escrever? – ele assente, e eu vou pulando até a porta de casa, afinal estava com um patins em um dos pés. Grito meu pai pedindo a canetinha e ele me entrega curioso. – Aqui – entrego pra ele, e ele puxa meu pé que estava com o par branco, ele começa a escrever, enquanto eu me deito na cama olhando para o céu, estava claro ainda e o Sol continuava lindo.
—Pronto – ele diz, olho o tênis, ele tinha escrito uma frase “Amar é: se deitar com o corpo e flutuar com a alma.” E embaixo escreveu o nome dele, pequeninho. – Faz parte de uma música que eu escrevi... Pensando em alguém – dou um sorriso.
—É incrível, Adam – digo mas ele apenas nega.
—Você é incrível, Addie – antes que eu fale alguma coisa ele, desamarra meu tênis e coloca o patins. Adam me levanta e vou pulando até a calçada, lá ele me segura e começamos a andar.
—Isso é muito legal, posso ir mais rápido?
—Se quiser cair no chão – ele ri, e eu faço um biquinho, ele começa a corre um pouco, e eu deslizo ao seu lado, começamos a rir e andamos até que eu consiga, ficar em pé sozinha e dar impulso. – Você é boa – ele murmura, e eu rio, dando mais impulso e indo mais rápido, ele corre para me acompanhar.
—Vamos lá – aponto a casa da Sra. Epaminodas – ele ri, e atravessamos a rua – Já – grito e pulo para o gramado, Adam começa a corre gritando e eu fico dando pulinhos pelo lugar, até ela sair gritando, mas agora ela não tinha uma vassoura na mão e sim, uma vassoura de parar tirar folhas do gramado. Uma vassoura cheia de pontas. Meus patins se enroscam na grama e eu caio no chão. – Adam! – grito, ela vinha na minha direção e até parecia assustadora. Estava para me despedir do mundo quando sinto mãos me levantarem, e Adam me joga em seu ombro e sai correndo.
—SE VOLTAREM AQUI EU VOU MATAR VOCÊS — ela grita e rindo sobre o ombro de Adam, mostro meus dedos médios para ela. Adam não me solta até que cheguemos a frente da minha casa, nós dois caímos e começamos a rir.
—Você tinha que ver sua cara, quando caiu no chão – ele diz rindo, dou risada também.
—Obrigada por me salvar, meu herói – digo passando os braços pelos seus ombros, ele ri se curvando sobre mim deitada, na grama. Seu rosto se aproxima mais, e tudo que eu quero é beijá-lo, mas a imagem de James vem a minha mente. – Você disse que íamos namorar só quando eu estivesse mais velha – murmuro sua boca muito próxima da minha – ele suspira – Então não pode me beijar. – digo, querendo exatamente ao contrario.
—Isso foi à coisa mais idiota que eu já disse – ele sussurra, olhando meus lábios.
—Não me beije... – murmuro quando ele chega mais perto – Se eu beijar você, James vai ficar chateado, e não quero que ele fique chateado porque gosto dele.
—Tudo bem – ele se afasta um pouco, mas continuo com os braços em volta do seu pescoço.
—Eu gosto de você também, Adam – beijo sua bochecha e ele sorri.
—Nossa! Kat, vem ver isso. Nossa filha já está se agarrando na grama, como uma trouxa – meu pai grita e eu e Adam nos afastamos, minha mãe aparece e ri, com Henry logo atrás.
—O que foi? – murmuro, tentando não corar.
—Já está na hora do jantar – meu pai diz.
Franzo a testa e olho para o céu que agora já estava escuro.
Adam me ajuda a trocar os patins pelos tênis e depois nos levantamos.
—Aprendi a andar de patins – digo, agitando os patins na minha mão.
—E também, a irritar a Sra. Epaminodas – meu pai diz.
—É isso também – digo, dando de ombros.
—Quer jantar com a gente, Adam?
—Minha avó já deve ter feito o jantar, mas obrigado – ele diz educado.
—Na próxima, a chamamos também – minha mãe diz. Eles entram pra casa, e eu abraço Adam.
—Até mais, herói – ele ri.
—Até mais, princesa.
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