When We Were Young
117 The Sign Of The Times
Notas iniciais

HOGWARTS
1977
6th YEAR
Tudo parecia com um borrão. As pessoas. As conversas. Os risos altos. Parecia que ela tinha algo tapando seus ouvidos e seus olhos do mundo em sua volta. Como se algo quisesse que ela ficasse isolada de todos para em fim chegar a autodestruição. E ao mesmo tempo era como se estivesse gritando e ninguém pudesse ouvir.
O que a assustava era seus pensamentos. Era ela mesma que estava se levando aquilo. Não era outra pessoa. Era a cabeça dela. Fazendo um complô contra ela. A fazendo não tomar a poção, a fazendo pensar que estava sozinha no mundo. Ela queria não pensar isso, tentava com todas as forças lutar contra, enxergar que era tudo coisa de sua cabeça, que ela tinha pessoas que a amavam, que a queriam por perto, que a protegeriam se precisasse.
Adhara não conseguia.
Era doloroso demais. Parou de tentar, mas apenas ficou mais doloroso ainda se era possível. Os pensamentos entravam em sua cabeça como intrusos, sem bater à porta, apenas a chutando e invadindo e a forçando a ouvir o que eles tivessem para dizer. Não a deixavam ver com clareza o que estava acontecendo ao redor dela. Parecia que ela estava em um sono profundo, apenas sonhando, afundada em um mundo de tristeza e solidão, um mundo sem uma saída. Presa, para sempre.
—Addie! Addie! — escutou. Piscou surpresa e olhou para James sentado a sua frente, nem havia o visto chegar, apesar de que ele estava sentado exatamente em sua frente. Ele enfiava um monte de frango na boca e depois de engolir sorriu. — Já tomou sua poção? — perguntou.
—Sim. — ela mentiu, dando um sorriso de volta, tentando ser convincente e conseguindo. Tinha algo dentro dela querendo gritar que não havia tomado a poção, que estava o enganado, só que não gritou.
—Eu vi. — garantiu Dimitre. Ela sempre foi charmosa, conseguia tudo por ser bonita, então quando piscou lentamente para James sabia que ele acreditaria, mesmo sem que Dimitre tivesse confirmado. James sorriu satisfeito.
—Vamos ir visitar Sirius na enfermaria mais tarde? — ele perguntou. Adhara assentiu. — Aliás, como está PsicoLene? Cortando muitos pintos por ai?
—Para de a chamar assim. — brigou Dimitre. — Quer saber, Sirius bem que mereceu…
James apenas mostrou a língua para ele e os dois começaram a discutir mostrando a língua um para o outro. Isso fez Adhara sorrir. Amava escutar a risada de James, era única. Escandalosa o suficiente para escutar a metros de distância. Acabou pegando na mão dele, por cima da mesa. James a olhou e piscou com um sorrisinho, segurando a mão dela de volta.
Ela gostou de terminar o seu almoço, segurando a mão de James. Atrapalhava na hora de comer, mas James não reclamou nenhum minuto, fazendo carinho na mão dela com os dedos.
—James. — ela chamou, quando estavam sozinhos. — Nunca mude. — ela pediu. Ele sorriu para ela, daquele jeito maroto que só ele tinha. — … você é uma das minhas melhores memórias.
—Adhara… — ele deu um grande sorriso. — Você é a melhor primeira namorada que eu poderia ter tido. — ele disse.
Ela sorriu de verdade e fechou os olhos, quando o viu se curvar sobre a mesa e lhe dar um beijo calmo na bochecha. Voltou a se sentar e apertou a mão dela.
Adhara se levantou, deixando o para trás, enquanto Lily chegava para almoçar. Os viu sorrindo um para o outro e suspirou.
Não sabia porque havia falado aquilo para James. Parecia uma simples conversa, mas na cabeça dela tinha um tom de despedida.
E ela não sabia o porque disso.
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Ele vivia se escondendo na cozinha. Sempre estava por lá quando ela dava uma olhada no Mapa do Maroto. Sempre comendo alguma besteira e conversando com os elfos como se fossem velhos amigos. Quando entrou na cozinha, não pode deixar de o achar parecido com um ratinho, pelo jeito que estava segurando um pedaço de pão e como comia com os dentes da frente. Definitivamente parecia um ratinho, mas afinal ele era mesmo um.
Ele sorriu quando a viu. Um sorriso cheio de comida nos dentes, mas ainda assim um bom sorriso.
Adhara foi até ele, se sentando ao seu lado na mesa. Observou um elfo tropeçar nos próprios pés, correndo com um pão na mão para ela. Não pode deixar de pensar em Cricket, então apenas aceitou o pão em silêncio.
—Você nunca vem aqui. — comentou Peter, mordendo um pedaço de pão.
—Nunca?
—Nunca. — ele confirmou. — Normalmente quem me faz companhia é a Emmeline.
—Emmeline? — ela perguntou surpresa. Ele deu uma coradinha e assentiu.
—Ela vem aqui as vezes, ficamos conversando e comendo doces. — ele murmurou. — Emmeline é bem mais legal que eu pensava… eu só a via como uma amiga gostosa, mas agora eu vejo ela como vejo você. Uma amiga gostosa, mas com quem eu posso conversar... — ele disse. Adhara sorriu.
—Emmeline é o máximo.
—Ela é bonita mesmo com o nariz roxo. — disse Peter. Adhara assentiu, pensando na melhor amiga.
—Sirius me contou que você andou pensando sobre Mary. — comentou Adhara. A cor sumiu no rosto de Peter, mas ele assentiu.
— Sempre estou pensando sobre Mary. — ele murmurou. — Andei pensando em como seriam as coisas com ela aqui.
—Seriam tão melhores. — sorriu Adhara. — Ela… ela deitaria comigo na cama e me abraçaria e isso seria o suficiente, sabe? Porque a presença dela era assim. — ela murmurou. Peter não deixou de notar as lágrimas descendo pelo rosto de Adhara. Ele nunca tinha a visto chorar tanto quanto ultimamente. Ela era para ser aquela garota forte que não chorava, que se você enchesse muito o saco dela, ela apenas daria um soco no seu nariz para que aprendesse a lição.
Ele não entendia aquela Adhara.
—Addie…
—Sempre falam coisas como… não é assim que Adam iria querer que você ficasse. Eu sei que não, mas sempre sinto raiva quando falam isso. — ela comentou. — Mas Peter quando eu te digo que Mary odiaria te ver triste por causa dela é verdade. Ela odiaria ver você sofrendo de qualquer jeito. Ela odiaria ver qualquer pessoa sofrendo. — falou. — Então, quero que você largue a tristeza e vá… amar.
—Mary era diferente de todo mundo que eu já conheci. — falou Peter, com um sorriso.
Adhara sorriu e o abraçou. Ela sabia que a dor da Mary ainda doía em Peter, assim como doía nela também. Esse tipo de dor nunca passava, por isso ele vivia se lembrando de Mary, de como seria se ela estivesse aqui, porque a dor estava lá para sempre lembrá-lo de sua perda. Naquele abraço com Peter, ela sentiu novamente como se estivesse se despedindo de alguém, como se estivesse abraçando Peter pela última vez.
—Sim, ela era.
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—Addie! — a voz animada de Dimitre encheu os ouvidos de Adhara. Ela se virou vendo Dimitre e Lily sorrindo para ela e acenando. — Vamos ficar a beira do lago, tá a fim de ir?
—Claro. — ela sorriu. Foi até os dois, que a abraçaram pelo braço, indo ao lago. Eles se sentaram a beira do lago, rapidamente tirando os sapatos e mergulhando os pés até os tornozelos.
—Esse verão vai ser muito quente. — comentou Lily, se abanando com a mão. — Pretendo passar algum tempo na piscina, mas definitivamente tenho que estudar para NIEMs…
—Entedianteeeee! — bufou Dimitre. Adhara riu, enquanto Lily mostrava a língua para os dois.
—Talvez você passe algum tempo na piscina do James. — disse Adhara. Dimitre gargalhou e Lily corou, negando com a cabeça. — Lils… posso te dizer uma coisa?
—Claro, Addie.
—Dê uma chance a James. — disse. — Eu sei que você acha ele um biltre arrogante, e ele até que é. — riu. — Mas ele é muito mais que isso também. Você só vê os defeitos dele.
—Eu sempre digo isso a ela. — falou Dimitre, com um sorriso convencido.
—James é leal, gentil, ele é o melhor amigo que você poderia ter, sabe? Ele faria tudo pelos amigos. — prometeu Adhara.
—Talvez ele seja, mas isso não quer dizer que… eu gostaria de sair com ele. — murmurou Lily.
—Não acredito que esse seja o caso. — sorriu Adhara. Lily corou e desviou o olhar, chutando a água. — Aliás, James fode muito bem. — ela sussurrou. Dimitre gargalhou e Lily corou ainda mais se possível.
—Talvez esse verão ela finalmente perde o lacre. — brincou Dimitre. Adhara riu e Lily o empurrou com tudo no lago, mas ele apenas começou a nadar rindo da cara vermelha dela. — A única virgem restante. — ele falou dramaticamente.
—Devíamos fazer um ritual de sacrifício. — Adhara entrou na brincadeira. Lily revirou os olhos para os dois.
—Sério, tem teias na vagina dela, Addie. — falou Dimitre.
—Não tem não. Eu tenho muita experiência… comigo mesma. — ela disse, corada. Os dois gargalharam. — Eu só… qual o problema? Só porque eu nunca fiz nada além de beijos…
—Ninguém nunca nem te masturbou? — perguntou Adhara, surpresa.
—Só Nicholas, por cima da calça. — ela respondeu.
—Mas você já fez em alguém?
—Ahn… uma vez em Nicholas. — ela comentou. — Eu saio com garotas em encontros em Hogsmeade, mas eu realmente só beijo eles. — contou.
—Talvez eu devesse te ensinar algumas coisas. — falou Adhara, se aproximando de Lily. — Te dar um orgasmo. — comentou, fingindo que iria beijá-la. Lily riu e se aproximou também.
Dimitre jogou água nas duas que riram.
—Lésbicas. — ele brincou.
—Só não tenha medo, Lily. — falou Adhara. — As vezes as coisas parecem ser tão difíceis quanto um NIEMs, mas na verdade são só um NOMs.
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—Marlene, está bem? — indagou Adhara, olhando para cima, colocando a mão aberta um pouco acima dos olhos para se proteger do sol forte.
Marlene soltou um urro e acertou o bastão de batedor com tudo no balaço que vinha em direção a ela, mas ela nem ao mesmo vacilou na vassoura. Olhou para o balaço voar para longe a toda velocidade.
—Estou imaginando que essa é a cabeça do seu primo. — ela disse.
—Já fiz isso, só que na realidade era a cabeça dele mesmo. — comentou Adhara. Ela viu Marlene olhar para ela e notou que ela chorava. Marlene voou para baixo e parou ao lado de Adhara, se sentou no chão e foi acompanhada pela Black.
—Eu não estou chorando porque ele me traiu. — disse Marlene, sem olhar para Adhara. — Eu juro.
—Então, porque está chorando?
—Porque eu fui estúpida. — disse Marlene, se levantando, pois o balaço vinha voado em direção a elas. — Eu me deixei ser estúpida. — ela falou e berrou quando bateu com tudo no balaço novamente e voltou a se sentar. — Fala sério… eu sabia que isso ia acontecer, todo mundo sabia. — ela murmurou, arrancando grama do chão.
—É, você realmente foi estúpida. — concordou Adhara. — Foi bom quando você quase cortou o pinto dele fora?
—Não. — bufou Marlene. Dessa vez Adhara que se levantou com o bastão e bateu com tudo no balaço, lançando para longe. — Nem quando eu bati em Emmeline. Na verdade, eu senti dó dela acredita? Dó daquela vagabunda. — ela suspirou. — Porque as pessoas que a gente ama nos machucam assim, Addie? — chorou Marlene. — Porque?
Adhara a olhou. Pensou em seus pais, em Adam, como tinha machucado quando eles foram embora, mesmo que não tivesse sido culpa deles.
—Eu não sei.
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—Chanel Nº4, que bundinha linda! — riu Adhara, ao entrar silenciosamente no dormitório e dar de cara com Frank e Alice transando na cama dele com as cortinas abertas e sem lençóis. A bunda torneada de Frank toda a mostra, e as pernas de Alice enroladas na cintura dele.
Eles deram um berro e Adhara riu para eles inocentemente. Ela foi até a cama de Sirius e se sentou lá de pernas cruzadas, enquanto Frank puxava um lençol para cima de seu corpo.
—Addie…
—Oh, não se incomodem comigo aqui, podem continuar. — ela disse, abanando com a mão. A porta do dormitório se abriu novamente e James entrou com um braço ao redor do ombro de Peter.
—Uau! — ele riu, olhando Frank. — Isso, ai mandando bala. — ele disse, movendo os quadris para frente.
—Eu te disse para não vir para o dormitório por pelo menos uma hora, James. Eu te paguei! — bufou Frank, ainda por cima de Alice, que tinha um sorriso no rosto corado.
—Calma, eu só vim com Peter roubar os chocolates de Remus, enquanto ele está fazendo monitoria. — disse James, dando mais um passo para dentro do quarto.
—SAI DAQUI! — berrou Frank jogando um travesseiro em James, que riu correndo para fora do dormitório com Peter.
O casal na cama agora olhava para Adhara que parecia entretida no Semanário das Bruxas que ela não fazia ideia do porque Sirius tinha.
—Não vou sair. — ela disse, sem os olhar.
De vez ficar bravo Frank, apenas sorriu, olhou a namorada e fechou as cortinas.
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—Eu malho bastante. — contou Frank. — Não uso nenhuma poção para músculo crescer. — prometeu ele. Adhara assentiu com um sorriso na cara.
Entraram no Salão Principal que estava cheio para o almoço que já estava acontecendo. Adhara e Frank haviam descido juntos da Torre da Grifinória e deixado Alice na Torre da Corvinal já que ela queria tomar um banho antes do almoço.
Adhara sorriu para Frank, gostando da risada dele. Se lembrou de alguns anos atrás quando havia ficado muito chateada com ele por ele ficar do lado de Emily na briga que tiveram e não no dela. Mas isso parecia até que nunca havia acontecido. Que Frank não havia uma vez a olhado com desprezo.
Ele estava a contando sobre seus planos para a Academia Rise, que daria tudo de si e que estava morrendo por dar esse tempo com Alice, mas que era necessário para não ter mais magoas entre eles. Ela só assentia o escutando falar. Gostava quando a pessoa com quem estava conversando tagarelava sem parar, pois isso não dava tempo da pessoa lhe perguntar como estava. Por isso evitou Sirius o dia todo, ele era simplesmente calado, não ficava tagarelando sem parar que nem James ou Frank.
Sentaram-se a mesa da Grifinória, a maioria de seus amigos estava lá. Até mesmo Sirius que havia saído da enfermaria e tinha a maior cara de desconforto, misturada com a sua cara de sempre de entediado.
—Sabe, eu te perdoo. — comentou Frank para Sirius, com um sorriso no rosto. Sirius forçou-se a perder a cara de entediado.
—Sério?
—Você quase teve seu pinto cortado fora. — disse Frank, com um sorriso. Sirius fechou a cara, o que fez o resto dos amigos rir, até Marlene que tinha um sorrisinho no rosto. — Sofreu o bastante para mim.
—Quando você vai poder usá-lo novamente? — indagou Dimitre.
—Porque? Interessado? — Sirius sorriu charmoso.
—Nos seus sonhos. — retrucou Dimitre, mas tinha um sorriso no rosto. Sirius sorriu de volta e voltou seu olhar para Adhara.
—Está bem?
—Como sempre. — ela respondeu, se levantando. — Esqueci de fazer minha lição de Transfiguração. — ela murmurou, querendo sair de lá. Iria acabar falando, contando o que havia feito com sua poção se ficasse mais um minuto ali e ai eles saberiam que ela não estava bem. Adhara evitou trocar um olhar com Remus, sentado ao lado de Sirius, sabia que ele notaria que havia alguma muito errada com ela se o fizesse. Por isso, saiu rapidamente.
Remus a seguiu com olhar, imediatamente perdendo a fome. Bufou e empurrou o prato para longe, pegando um livro pesado da mochila para ler. Não conseguia se concentrar, apenas conseguia pensar no quanto era idiota e estúpido, que quando ela foi atrás dele no lago perto de sua casa devia ter a agarrado e a beijado como fez perto do Salgueiro Lutador naquele dia chuvoso.
—Não vai contar o que aconteceu entre vocês? — escutou a voz rouca de Sirius. Virou o rosto para o amigo e mirou seus olhos acinzentados.
—Nada aconteceu. — assegurou. Sirius fez uma cara de quem não acreditava nem um pouquinho naquilo.
—Rabastan! — escutaram Emily falar animada. — O que está fazendo aqui? — ela indagou surpresa, afinal o namorado nunca ia até a Mesa da Grifinória.
—Está tendo uma briga. — ele apontou para a porta do Salão Principal. Eles viram uma pequena comoção, mas parecia que muita gente ainda não havia notado. James começou a se erguer todo curioso e teve o braço puxado por Remus para que não fosse fuxicar.
—Bem, legal que queira ver narizes sendo quebrados comigo ao seu lado, mas eu estou comendo, então… — riu Emily, mas Rabastan franziu a testa.
—Não, estou querendo dizer que é a Dorcas.
—O que?
—Ela está na briga… — bastou Rabastan dizer isso, que todos estavam se levantando e correndo para fora do Salão Principal.
—Dorcas está dando no que falar, não é mesmo Rabicho? — James comentou.
—Definitivamente, Pontas. — ele concordou, comendo uma asinha de frango.
Tinha muitas pessoas fazendo uma roda e gritando “briga”, enquanto alguém brigava no meio. Lily gritava que era monitora e começou abrir caminho, com todos a seguindo, ficaram cara a cara com a briga, esperando ver alguém batendo em Dorcas, porque todos sabiam que apesar do que ela fez na casa de Remus com Darwin Segel, ela não era uma pessoa de brigar. Mas o que viram foi completamente diferente.
Adhara empurrou uma garota da sonserina com tudo no chão. Remus reconheceu imediatamente como Ixia Shanzar, as duas gritavam e se batiam, notou o a boca sangrando de Shanzar e a pele branca de Adhara cheia de marcas avermelhadas. Encostada na parede, jogada no chão estava Dorcas chorando com o nariz escorrendo sangue, os joelhos contra o peito.
Adhara urrou, subindo em cima de Shanzar e dando um tapa na cara dela, depois empurrando sua cara contra o chão.
—É engraçado zoar com alguém que é legal demais para zoar de volta? Que tal tentar zoar comigo? — ela empurrava a cara de Shanzar contra o chão frio. Mas a sonserina conseguiu empurrar as mãos de Adhara.
—É uma sapatão também? Que nem ela?
—E se eu for? — berrou Adhara, dando outro tapa na cara de Shanzar.
—Uau. — riu Emmeline. — Vai, Addie, acaba com ela! — berrou. Remus franziu a testa e olhou para Sirius que tinha a mesma expressão no rosto, com James ao seu lado berrando.
Adhara se levantou. Shanzar se levantou pronta para briga, as mãos fechadas pronta para socos, mas Adhara somente a olhou de cima a baixo e se virou para Dorcas. Andou até ela e lhe estendeu a mão, puxou-a para cima. As duas se olharam, Dorcas parava de chorar aos poucos, mesmo sentindo dor. Adhara passou a mão no rosto de Dorcas e a beijou, não ligando para o sangue que escorria no rosto de Dorcas. Houve gritos, berros, e Dorcas a beijou de volta, na frente de Hogwarts inteira.
—Sapatonaaaaas! — berrou Amico animado, pulando ao lado de Jacques que o olhava como se ele fosse de outro mundo.
—Addie realmente tem um lado lésbico, hã? — Rabastan comentou no ouvido de Emily. — Achei que tinha sido apenas com você… ai! — ele reclamou, quando Emily o deu uma cotovelada na costela.
—Vamos. — disse Adhara ao se separar de Dorcas, segurou a mão dela e a puxou por entre as pessoas, passando em frente aos amigos sem nem olhar na cara deles. — Está bem?
—Você me beijou. — falou Dorcas, surpresa, quase não sentia dor no nariz socado por Ixia Shanzar.
—Uhum. — murmurou Adhara, parando de andar rápido quando entraram em um corredor vazio.
—Você me odiava quando nos conhecemos e agora… você me beijou. — falou Dorcas, risonha. Adhara revirou os olhos.
—Não fique tão feliz por causa disso. — disse e isso fez Dorcas gargalhar.— O que aconteceu?
—Ela me viu beijando Michelle. — murmurou Dorcas. — Estávamos escondidas e Michelle saiu primeiro e quando eu sai… ela veio atrás de mim, me chamou de sapatona. — ela suspirou. — Eu sabia que não devia me arriscar tanto… já tá tendo boatos.
—Dorcas! — Adhara segurou os ombros dela e a olhou diretamente nos olhos. Dorcas nunca se sentiu mais exposta do que naquele momento. — Se você não vai gritar bem alto como o mundo deveria saber que você existe?
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—Eu te amo, sabia disso? — disse Emily, interceptando Adhara no corredor. A loira piscou surpresa e viu Dorcas indo embora ao longe. — O que você fez por Dorcas foi… corajoso. — ela sorriu. — Você sempre foi tão corajosa, Addie.
—Você acha isso? — indagou Adhara. Emily assentiu.
—É, claro. — ela disse. — De todas as pessoas que eu conheço, você definitivamente é uma das mais corajosas. Depois de tudo que passou…
—Você também passou por muita coisa, Emms. — disse Adhara. — Não se acha corajosa também? — perguntou. Emily deu de ombros, com um sorriso.
—Acho que sim. — ela falou. — Afinal, eu estou na Grifinória, certo? A casa daqueles que são tão estúpidos que acabam sendo corajosos. — ela riu.
Adhara tinha um sorriso no rosto, mas não riu com Emily.
—Está feliz com Rabastan? — ela indagou de súbito. Emily a olhou desconcertada.
—Sim. — ela respondeu. — Eu realmente gosto dele.
—Eu realmente gostei dele, sabe? — falou Adhara. — Por um tempo. — murmurou. — Eu achava que só queria curtição, mas se não tivesse namorado James no quarto ano, teria sido Rabastan. Eu sei disso. — ela falou. Emily não sabia onde ela queria chegar com aquilo tudo. — É o que eu sempre quis… curtição. Com Rabastan, James, Adam… eu devia ter prestado mais atenção neles.
—Vou ia se casar com Adam…
—Como eu posso ter certeza? — indagou Adhara. — E se eu e ele não fosse para ser? E se não fossemos almas gêmeas?
—Addie, porque está dizendo isso?
—Porque… porque... não importa, só aproveite Rabastan, ele tenta ser durão e um cara muito mal, mas ele é só um romântico, um bobo apaixonado. — riu Adhara.
—Eu irei. — prometeu Emily. Ela pegou na mão de Adhara, se lembrando dos toques que deram uma na outra naquele dia do aniversário de Rabastan. — Como está se sentindo hoje?
—Eu estou bem, Emily. — mentiu Adhara. — Eu prometo.
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—Merda, Peter, para de fazer isso, porra. — berrou Sirius, quando entrou no dormitório e encontrou Peter se masturbando na própria cama. Peter soltou um berro e se cobriu. — Sério, já é a terceira vez! E pare de roubar as fotos de Emmeline. — ele disse, apontando a varinha para a foto na mão de Peter que voou para o malão de Sirius.
—Está com inveja porque eu posso usar o meu pau e você não. — riu Peter, colocando a cueca. Sirius o deu um olhar semicerrado, cheio de raiva.
— Cale a boca, Rabicho, antes que eu cale para você. — ele falou.
—Vocês estão se masturbando juntos, é isso? Estou atrapalhando? — perguntou Adhara, encostada na porta. Sirius sorriu para ela, enquanto se deitava em sua cama. Peter saiu resmungando que terminaria no chuveiro e Adhara entrou se deitando ao lado de Sirius. —Eu estou muito feliz, Sirius. — ela disse. Ele a olhou curioso, ela parecia estar dizendo a verdade. — Hoje está um dia bom. Nada fora do normal, sabe? Só bom. — ela murmurou.
—O que você fez por Dorcas foi bem maneiro. — disse Sirius, isso fez Adhara sorrir.
—Qualquer um faria. — ela disse.
—Não, não faria. — discordou Sirius. Adhara continuou com o sorriso, ela parecia querer dizer algo, ele notou.
—Eu amo você, caso eu morra. — ela disse apenas isso. Sirius sorriu, não tinha com o que se preocupar, Adhara estava indo muito bem. Estava tomando suas poções, estava prestando atenção nas aulas, estava se divertindo com eles novamente. Estava tudo bem. Estava tudo ótimo.
Ela estava ótima.
—Amo você, caso eu morra.
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Quando ela saiu do dormitório masculino, desceu as escadas e já se virou para subir a do feminino, ela o viu.
Remus estava sentado na poltrona perto da lareira, lendo um livro, mas seus olhos não se mexiam, estavam parados. Ele havia sentindo o perfume dela, no momento em que ela abriu a porta do dormitório. Ela ficou alguns segundos parada ali, queria ir falar com ele, queria na verdade beijá-lo, dizer o quanto se arrependia de ter transado com Rabastan, que queria ficar apenas com ele.
Queria dizer tudo isso, quando se virou e começou a andar até ele. Os ombros dele ficaram tensos e seus olhos finalmente saíram da página do livro para a olhar no fundo dos olhos. Ficaram se encarando pelo que parecia uma eternidade.
Adhara sentiu pensamentos encherem sua cabeça de ideias erradas. Sabia que isso era a falta da poção, que os pensamentos que estavam na sua cabeça, os pensamentos de que ela era uma pessoa horrível, que não merecia nunca mais ser amada eram falsos, mas ao mesmo tempo que ela sabia disso, eles pareciam tão reais. Explodiam em sua mente, a deixando confusa, sem saber o que fazer.
Passará o dia tentando os ignorar. Conversando com todo mundo, sempre procurando alguém para ter com quem falar, para não pensar. Se arrependendo cada minuto de não ter tomado sua poção, mas morrendo de medo de contar para alguém o que fez.
Iriam a achar fraca. E ela era. Os seus pensamentos deixavam bem claro isso.
—Eu me sinto tão culpada, Remus. — falou Adhara. — Porque… porque você me faz eu me sentir de um jeito que… é como se eu nunca tivesse sido amada antes e agora eu finalmente entendo como é.
—Addie…
—Mas isso não é real. Não é. — ela teimou, querendo chorar. — Porque eu tive Adam e ele me amava. — ela falou. — Eu o amava, Remus!
—Eu sei, Addie…
—Então, porque eu me sinto assim? — ela indagou.
—Assim como? — ele sussurrou, como se temesse a resposta dele.
—Eu o amava, amava tanto. — ela falou, sentindo as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. — Mas e se eu não estivesse realmente apaixonada por ele? E se ele não fosse… o amor da minha vida? — ela falou, ofegante, como se estivesse tentando segurar as palavras dentro de si.
—E porque você pensa isso, Adhara? — ele perguntou, se levantando. Ficaram um na frente do outro, olhando diretamente para os olhos, sentindo o calor da lareira os esquentar. — Porque você pensa isso?
—Porque… porque quando eu estou com você eu já não penso mais nele. — ela sussurrou. — Isso é errado, Remus.
—Addie…
Eles escutaram gritos e olharam para o quadro da Mulher Gorda que havia acabado de abrir, Emmeline entrou de cavalinho em James, que gritava alguma coisa. Isso os distraiu tempo suficiente para quando Remus olhar novamente para onde Adhara estava, ela já havia subido para o dormitório.
—Onde deseja que eu lhe deixei, minha Majestade? — indagou James a Emmeline, parando ao lado de Emmeline.
—Pode ser aqui mesmo, criado. — ela falou, forçando ao máximo seu sotaque inglês. — Como eu tenho tetas muito grandes fico com dor nas costas. — ela comentou, fingindo que era a rainha da Inglaterra.
—A rainha não tem grandes melões. — riu James.
—Claro que tem, ela usa esse sutiã especial que os empurra para baixo do sovaco para não ficar vulgar ou plebéia com tamanho 46. — falou Emmeline, fazendo James gargalhar.
—Você acha que a rainha tem uns melõeszões, Remus? — indagou James.
Remus queria subir atrás de Adhara. Tinha algo estranho nela, ele podia notar, só que ele simplesmente não conseguiu subir.
—Sim, James, ela tem.
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Eles se beijaram fervorosos.
Rabastan desceu suas mãos da cintura para o quadril de Emily e a puxou contra si, amando os beijos molhados que ela lhe dava. Suspirou quando sentiu a mão dela passar pela sua barriga e começar a descer. Ele se separou dela por um momento, vendo o sorriso safado que ela tinha estampado no rosto.
—Você é tão linda, sabia disso?
—E você é um romântico. — riu Emily, e o beijando na bochecha. — Eu conversei com Addie. — ela comentou. Rabastan assentiu, dando beijos no pescoço dela. — Ela disse umas coisas… algumas ruins, mas na maioria boas. Ela está melhorando, com a poção…
—Que poção? — indagou Rabastan, sem realmente dar atenção, querendo só beijar a namorada. Colocou as duas mãos na bunda dela, ainda a dando beijos molhados no pescoço.
—Ela está tomando uma poção para melhorar. — contou Emily. — Da cabeça, sabe?
Rabastan franziu a testa e ergueu a cabeça, se separando totalmente da namorada. Emily o olhou confusa.
—Que cor é a poção?
—Transparente, porque? — ela falou.
—Ahn… — Rabastan não sabia se falava ou não. — O que acontece se ela não tomar a poção?
—Não sei muito sobre a poção, mas acho que como ela está tomando regularmente se parasse… poderia foder com a cabeça dela ou…
Então, Rabastan contou o que viu.
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Adhara sentiu-se nervosa, ansiosa e estressada, mordeu o lábio com tanta força que sentiu um filete de sangue. Suspirou limpando a boca e foi até a cama, não sentou. Puxou o seu travesseiro e jogou no chão, se se importar se sujasse. A carta estava ali extremamente amassada, de tanto que ela apertava em suas mãos quando se sentia ansiosa demais, ou quando sentia muita falta dele e queria se sentir mais conectada. Mas nunca chegou a abrir. E agora era a hora.
Tudo que ela estava pensando, as suas dúvidas. Aquela carta tiraria todas.
Assim que abriu, as lágrimas desceram em cascatas pelo seu rosto, incontroláveis. Adiou por tanto tempo. O anel de noivado que ele havia lhe dado escorregou para o chão. Odiou aquilo, odiou como só pensar naquilo a fazia sofrer daquele jeito. Suspirou e mirou a carta. Algumas partes que lágrimas antigas dela caíram estava borrado de tinta. Tentou não ler nada antes do que deveria e foi para o começo do pergaminho. Sentiu vontade de rasgar em milhões de pedaços e jogar para queimar na lareira e nunca mais ver aquela carta, nunca mais sentir ela embaixo do seu travesseiro a fazendo ter pesadelos. Só que nunca poderia fazer isso.
Deitou-se no seu tapete roxo e felpudo no meio do quarto. Colocou a carta acima dos olhos. Aquilo era o último pedaço de Adam. Um pedaço que ela não tinha, não conhecia. Algo que a faria se sentir perto dele novamente, que mostraria para ela que ela o amava.
Sua última esperança.
“Mãe.
Bem, não sei se ainda posso te chamar assim. Como vão as coisas ai… onde quer que você esteja? Se divertindo, sem a respondibilidade de um filho ou um marido?
Desculpe, não estou escrevendo essa carta para dizer o quanto te odeio, porque na verdade eu não te odeio nem um pouquinho. Eu estou desapontado com você, mãe. Mas eu te perdoo, de verdade.
Você nunca foi a melhor mãe do mundo, só que também nunca chegou a ser a pior. Espero que um dia note o que fez e volte, não pelo meu pai, mas por mim. Seu filho. Esperarei por você.
Na verdade, eu até te entendo, mãe. Você quer encontrar um amor verdadeiro e ele não é meu pai e tudo bem, mas precisava ter me deixado? Desculpe, de novo, acho que estou um pouco mais desapontado do que pensava. Mas, mãe, eu tenho esse amor verdadeiro. Talvez essa garota seja minha alma gêmea, só que não importa, não importa se ela é ou não o amor da minha vida, eu quero ficar com ela independente disso. Eu quero ficar com ela para sempre.
O nome dela é Adhara Polaris Dahlia Black. Nome poderoso, não é? Assim como ela. Eu a amo tanto que sinto que sem ela não poderia viver. Ela tem os mais lindos olhos azuis, exatamente como um oceano, sabe? Um azul escuro, não todo o azul que tem por ai. O dela é especial. Ela também tem cabelos loiros, não que isso importe, as vezes ela aparece com o cabelo todo rosa ou todo verde quando a Sonserina ganha um jogo. Só por mim ela faz isso.
Adhara é o tipo de garota que faz coisas incríveis. É aquele tipo de pessoa que nasceu para ser algo. Ela é o tipo de pessoa que ficaria uma semana inteira azarando o mesmo garoto só porque ele disse que a melhor amiga dela beija mal. Ou que protegeria um de seus inimigos de ser espancado. Ela é o tipo de pessoa que morreria e mataria por aqueles que ama.
Eu a amo.
Eu quero casar com ela. Eu quero passar o resto dos meus dias ao lado dela. Porque ela é a mulher da minha vida, mãe. Simplesmente não consigo parar de amá-la.
Hoje eu vou pedi-lá em casamento.
Em alguns dias ela estará do outro lado do oceano, não posso deixar essa chance escapar. Vou mostrar para ela que quero ficar com ela para sempre, que quero ficar com ela pelo resto dos meus dias, mãe. Que quero lutar por nós dois. Que quero lutar por ela.
Nunca vou deixá-la escapar. Eu teria que morrer para isso.
Espero te ver logo.
Adam.
Ela chorou, a carta amassada contra seu peito. Chorou mais do que no dia em que ele morreu. Mais do que quando sentiu a pele fria e morta dele em seus braços. Chorou com tanta dor que sentiu que não suportaria. Parecia ter um bolo em sua garganta, aquela dor que sente quando tenta segurar o choro, apesar de que ela não segurava, chorava aos soluços, a garganta doendo, a vista embaçada.
Ela teve um ótimo dia. O melhor dia. Pois ela passara com aqueles que ama. Um dia tão comum, sem nada de especial, mas que a fez feliz, muito feliz.E riu de verdade, mesmo que no fundo estivesse se sentindo mal. Riu enquanto chorava e se sentiu pior ainda.Queria mais dias como aquele, mas sentia como se não existisse, como se não tivesse mais nada depois daquele dia. Não tinha quem amar, quem proteger. Nada.
Para algumas pessoas existe o amanhã. Talvez existam mil ou três mil, ou só dez. Tanto tempo para aproveitar, tanto tempo para desperdiçar. Para fazer qualquer coisa que desejasse. Mas para alguns só há o hoje. E o que você faz hoje, importa. Naquele momento ou talvez pela eternidade. O problema é que você não sabe quando vai ser. Não acorda com um sentimento ruim ou vê sombras se mexendo, ou sussurros do além. Talvez você só acorde como se sentiu todos os outros dias.
Adhara acordou naquele dia sentindo o vazio de sempre, era quase como um velho amigo de tão constante que era. Ela não acordou e decidiu aquilo. Não decidiu que aquele seria seu último. As coisas só foram acontecendo e ela foi entendo no que aquilo levaria. Apenas não fez nada para impedir. Não tomou a poção, não contou a ninguém sobre o peso que carregou o dia todo nas costas. Fingiu que estava tudo bem e que os seus pensamentos não estavam a matando.
Ela queria que a carta a fizesse se sentir mais perto dele do que nunca. Só que aconteceu exatamente ao contrário. De todos os dias desde a morte dele, esse foi o que ela mais se sentiu longe dele, que mais o sentiu inalcançável. Foi o fim. Aquilo era o fim. Ela finalmente havia ido para o fim daquilo tudo. De todos aqueles meses lutando contra esse fim. Ela havia chegado nele. Precisa fazer aquilo parar. Precisava sentir ele novamente. Precisava dos abraços de seu pai, dos beijos de sua mãe, precisava escutar Adam cantar mais uma vez. Precisava colocar a mão na barriga de sua mãe e sentir sua irmãzinha, precisava pegá-la no colo pela primeira vez. Precisava de todas essas coisas incansáveis.
Queria se juntar a eles.
Queria que a dor parasse.
Se levantou a carta amassada em sua mão, apertou firmemente e então deixou-a cair no chão. Estava com a cabeça cheia do mesmo pensamento. Foi o primeiro pensamento que lhe cruzou a mente quando terminou a carta. Era o que faria, o que tinha que fazer para que acabasse aquela tortura, para que parasse de ser um incomodo para aqueles em volta dela. Saiu do dormitório e em seguida do Salão Comunal. Aliviada que não cruzou com nenhum de seus amigos. Não queria ter que mentir naquele momento.
Adhara se sentiu sem esperança. Sentiu-se como se tudo tivesse acabado, como se ela não tivesse mais nada pelo que viver, mais nada pelo que lutar. Era o pior sentimento que ela havia experimentado em sua vida. Parecia que todos os sentimentos ruins no mundo haviam se acumulado em seu peito, ela sentia uma dor no peito que até parecia que ela podia sentir esses sentimentos ruins na pele, no corpo, como se eles fossem uma dor física e estivessem a matando aos poucos. Porque era assim que ela se sentia. Morta. Como se não tivesse ninguém. Como se tivesse realmente morrido naquele acidente, como se tivesse sido enterrada junto de seus pais.
Caminhou até a Torre de Astronomia. Ela não via ninguém, não escutava ninguém. Tudo que ela via era o fim do caminho, e o som do seu coração pulsando em seu ouvido. A Torre estava fria assim como seu corpo. Ela andou até a grade e deixou o vento bater em seu rosto. Fechou os olhos. Ela não sentiu medo, ela não sentiu vontade de desistir. Ela não conseguia sentir nada naquele momento, nada além do vento em sua pele. Nada além daquele vazio que a estava levando a fazer aquilo.
Adhara se apoiou na grade, e olhou para baixo, o caminho até o chão era longo, parecia até não ter fim. Gritou, soltou um último grito de dor e riu quando sentiu a garganta arranhar. Passou as pernas pela grade, sentindo o mundo acabar atrás dela, sentindo que finalmente acabaria com aquela dor que sentiu por tanto tempo. Se sentou, olhando para o céu estrelado. Ela achou Sirius, ela sorriu e procurou seu pai, assim que o achou e olhou de Sirius para ele se sentiu em casa. Seu coração se aqueceu por um momento, mas foi por tão pouco tempo que ela apenas fechou os olhos com força. Ela se preparou, não pensou muito, mas se preparou. Ela faria aquilo, e sabia que não teria volta. Ela não quis pensar detalhadamente, pois sabia que se pensasse em tudo desistiria, pois pensaria nas pessoas que estava deixando para trás. E Adhara queria fazer aquilo. Ela faria aquilo.
Ela voaria.
Voaria para morte.
Adhara abriu os olhos e se curvou um pouco, sentindo-se pronta. Ela não estava com medo, mas quando olhou para baixo mais uma vez, sentiu um leve desespero e lágrimas vieram aos seus olhos, mas ela olhou para cima e não as deixou cair. Não morreria chorando.
Ela abriu os braços, mas então parou. Naquele momento sentiu algo por todo seu corpo um arrepio e sua mente pareceu gritar. Berrar. Se esgoelar. Seus olhos miraram o céu e novamente viu seu pai, brilhando. Se perguntou o que estava fazendo ali, o que estava pensando. Pensou no que seu pai pensaria a vendo ali. Virou os olhos para baixo e viu o chão, tão longe e tão perto.
Porque faria aquilo? O que tinha a levado aquilo? Que merda ela estava pensando naquele momento?
Adhara se perguntou tanto que achou que voltaria a chorar pela pressão de seus pensamentos a deixando confusa. Sentia que estava fazendo algo tão errado. Lembrou-se daqueles que amava. Lembrou-se de Teddy. Lembrou-se de Sirius e Emmeline. Lembrou-se de... Remus.
Remus… ele a amava. Tinha alguém que a amava.
Ela não precisava fazer isso. Ela não precisava fazer isso.
—Adhara. – ela escutou a voz calma de Remus. Adhara em pânico segurou com muita força na barra. – Addie... – a voz de Remus apesar de estar em um tom calmo, para provavelmente não assustá-la, estava desesperada.
—Vá embora. – ela falou, começando a chorar. Escutou passos e percebeu que não era só Remus que estava ali. – Vão embora! – ela implorou. A confusão tomando posse de sua mente. Não sabia mais o que fazer. Não queria nada daquilo. Queria que fossem embora para que ela colocasse sua mente em ordem e saísse dali sozinha.
E principalmente não queria que a vissem daquele jeito tão frágil.
—Addie, não faça isso... – Remus falou. Escutou ele chorar desesperado e Adhara chorou junto, não querendo se virar para o ver. Não queria ver os olhos dele, a vendo naquela situação. – Addie, olhe para mim. — ele pediu. Ela não olhou. — Adhara. Olhe para mim.
Ela obedeceu, se virou chorando. Mirou seus amigos. Os seus Marotos. James chorava em silêncio, em choque, sem a áurea marota e brincalhona que sempre tem. Peter estava meio escondido, sem olhar direito para ela. E Sirius. Ele não era de chorar, mas agora parecia a ponto de explodir em lágrimas, os olhos tão vermelhos, a boca trêmula. Tão preucupado.
—Você não pode fazer isso. – Sirius gritou. Remus o segurou no braço, com medo que qualquer movimento brusco acabasse assustando Adhara. Sirius se acalmou um pouco, mas finalmente começou a chorar. – Você não pode me deixar, Adhara Black. N-nós…fomos feitos um para o outro, certo? Nós nos apaixonamos um pelo outro todos esses anos! Não somos o amor um da vida do outro, nem alma gêmeas, mas nós somos Adhara e Sirius, nós somos sangue e mesmo que não é por escolha, eu escolheria você...você é meu sangue.
Ela chorou, sentindo a mão doer fortemente, seus cabelos voando com o vento frio que batia na Torre.
—Vocês não entendem. – se lamentou, olhando para o chão. Os pés nervosos dos seus amigos, parados, com medo de que se corressem até ela, ela pularia.
—Nós entendemos. – James murmurou. – Você sente falta deles. Nós entendemos.
—Não vocês não entendem! – ela gritou, chorando. – Meus pais morreram. E ele terminou comigo morrendo com eles! – ela berrou, chorando tanto que soluçava. – Eu o odeio! Eu o odeio!
Sirius e James, estavam na frente ao lado de Remus, enquanto Peter assustado estava atrás, roendo a unha, sem saber o que fazer. Remus ainda estava um pouquinho mais a frente, temeroso.
—Addie…
—Eu sinto como seu eu nunca fosse ser feliz de novo! E todos os dias, só fica pior e pior! – ela berrou. Chorando, querendo que eles fossem embora. – Eu não quero mais sentir a falta deles. Eu não quero. – ela choramingou. James trocou um olhar com Peter que saiu correndo como nunca antes.
—Mas…
—Eu sei o que estão pensando. — disse Adhara, mordendo o lábio. — Como ela conseguiu chegar tão fundo no poço para estar aqui? — ela disse, abrindo os braços e olhando em volta. — Estão pensando em como eu sou ridícula e fraca. — disse. Antes que a interrompessem, voltou a falar. — Eu não quero fazer isso. — sussurrou. — Preciso que saiam daqui e me deixem sozinha…
—Como poderíamos fazer isso? — indagou Sirius. — Você não é você agora.
—Eu quero ficar sozinha. — murmurou, olhando para baixo. Balançando os pés no ar. — Ou com eles...
—Eu conheci você. – Remus berrou, chamando a atenção dela. – Eu achava que nunca poderia ser feliz. Que eu não poderia ser normal. Que eu não poderia viver. Então, eu conheci você e eu não acreditava que podia ser feliz... eu conheci você e você me fez acreditar, Adhara. Você me fez acreditar que eu posso ser feliz. Então não ouse morrer. Não ouse nos deixar. Não ouse me deixar. – ele falou, sentindo uma dor terrível em seu peito, ao ver Adhara frágil, chorando como se sentisse a maior dor do mundo e ele apostava que ela sentia, talvez uma dor tão ruim quanto a que ele sentia todo mês. – Não faça isso. Não faça isso, Addie. – Remus implorou, deu um passo para frente, chorando tanto quanto ela. – Viva! Se não por você, por Teddy e Sirius. – ele falou, Adhara chorou dolorosamente, ao se ouvir os nomes do seu irmãozinho e seu primo, naquele momento ela queria esquecer todos. – Por todos nós. Por MIM! Eu não posso viver sem você. Eu não posso viver sem você! Entende isso? Você é tudo! Você é e sempre vai ser a melhor coisa que aconteceu em minha vida, Adhara Black, você me faz eu me sentir como se eu fosse algo! – ele gritou. Adhara chorou mais alto. — Então não escolha morrer... – ele soluçou. – Me escolha. Me ame. Viva por mim!
Adhara chorou. Os dedos doendo, a garganta doendo por causa do choro forte que ela tentava conter sem sucesso nenhum. O peito doendo como se estivesse tendo um ataque cardíaco. Ela ergueu o olhar para o céu, escutando as respirações e choros dos seus amigos. Viu as estrelas brilharem, viu seu pai brilhar, pensou novamente no que ele sentiria vendo ela daquele jeito. Voltou seu o olhar para atrás de si. Nunca tinha visto Remus tão triste na vida, nem mesmo quando ele estava prestes a se tornar uma besta. Ele tinha o rosto pálido, marcado pelas cicatrizes que pareciam mais evidentes, a respiração pesada, os ombros meio curvados, parecendo com medo. Ela sabia que a causa daquele medo era ela.
Porque ela era a única pessoa que podia arruinar a vida dele.
Chorando agora em silêncio, colocou uma perna de volta para dentro. Remus soltou um soluço, e correu até ela a agarrando e puxando para dentro da Torre. Os dois caíram no chão, mas não ligaram. O choro dela voltou a ser barulhento e desesperado. Remus abraçou como seu nunca mais fosse soltá-la, tão forte, que as marcas da mão dele ficariam marcadas nas costas e pescoço dela. A abraçou como se nunca mais fosse fazer isso novamente. A abraçou como se fosse morrer. Adhara chorou em seu peito e Remus tentou absorver a dor dela, mais do que tudo. A dor incansável. A dor que ela sentia todos os dias, ao se levantar. Ao respirar. Olhou os amigos, e Sirius os olhava com dor em seus olhos, chorando silenciosamente, ao lado de James que chorava alto. Eles pareciam tão acabados quanto ele.
Remus continuou com Adhara nos braços.
—Eu te amo, Adhara. Eu te amo tanto! Eu vou viver por você e você vai viver por mim. Eu te amo tanto! — ele prometeu, no ouvido dela.
Escutaram passos apressados e Peter reapareceu com Professora Minerva ao lado dele, alguns fios soltos do seu coque perfeito. Ela olhou a cena e abriu a boca sem saber o que falar, parecia chocada.
—Sr.Lupin. – ela falou, se recompondo. – Vamos levar a Srta. Black para Ala Hospitalar, sim?
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—Eu sinto muito. — murmurou Adhara, o rosto contra o travesseiro quente, com uma coberta a cobrindo dos pés até o pescoço. Ela tinha olheiras embaixo dos olhos vermelhos e a pele pálida, seu cabelo estava preto novamente. — De verdade.
—Está bem. — respondeu Sirius. Ele tinha o rosto duro, sentado ao lado dela na enfermaria e apesar de segurar a mão dela com carinho, não a dirigia o olhar.
—Você está bravo. — ela supos. Sirius a mirou.
—Você iria me deixar, Adhara. — ele disse. Ela fechou os olhos com força. — Você prometeu nunca fazer isso.
—Eu não… eu não estava pensando na hora. — ela disse. — Eu só queria que a dor parasse… eu não pensei em você ou Teddy. Ou Remus. — murmurou, tocando a mão dele. — Se eu não estivesse tão concentrada na minha própria dor… quando parei para pensar, quando pensei em... Eu juro solenemente que quando eu pensei... — ela prometeu. Achou que choraria quando viu que ele chorava, mas não. Talvez já tivesse esgotado o estoque de lágrimas dela por uma vida inteira.
—Você iria me deixar. — ele chorou, deitando a cabeça perto do peito dela. Adhara o abraçou, acariciando seus cabelos, escutando o choro triste de Sirius. — Prometa! Prometa que nunca mais tentará fazer algo assim.
—Eu prometo. — ela falou honestamente. — Acho que eu tinha que chegar ao fim, Sirius, para enxergar que eu não quero isso. Eu não quero morrer. — ela murmurou. Sirius ergueu a cabeça, e o rosto dos dois ficaram a centímetros de distância. — Eu vou lutar contra isso. — ela disse, apontando para o próprio peito. Sirius notou como os cabelos dela estava ficando loiros e os olhos dela brilhando. — Não vai ser por você, ou Teddy, ou Remus, ou ninguém. Eu vou lutar contra isso por causa de mim. Eu quero ser muito mais que isso… Quero viver.
Sirius deu um sorrisinho, vendo a Professora McGonagall entrar junto de um conselheiro curandeiro e o Diretor Dumbledore logo atrás. Voltou a olhar Adhara. Acreditou nas palavras dela, do fundo do seu coração.
—Eu te amo, caso eu morra.
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