When We Were Young
10 The Paradise Salvia
Notas iniciais

THE PARADISE SALVIA
HOGWARTS
1973
3th YEAR
—Ótimo! Primeira aula do dia: Estudo dos Trouxas – resmunguei. Mary me olhou com pena. Soltei um muxoxo. – Vai ser um saco, não sei nem porque eu escolhi essa matéria.
—Não liga pra isso, Addie. – Mary me disse. Ela segurou minha mão e sorriu para mim girando os olhos. — Vai ficar tudo bem, eles só estão com ciúme. Sirius e James que tão bravos com você, Peter só ta seguindo eles e Remus, ele te adora. – ela riu. — E você sempre diz que quer aprender mais sobre os trouxas.
—Eu sei. Obrigada, Borboletinha. – falei e beijei sua bochecha. – E você e Peter? – perguntei curiosa, enquanto íamos para o Salão Principal.
—Ah... ele meio que se afastou. – ela murmurou e ficou com o rosto tristonho. – Acho que James e Sirius me acham um pouco estranha e falaram isso pro meu Petelzinho e talvez ele levou a sério demais.
—Os três são uns idiotas.
—Bom, nossa queria amiga Emmeline está sentada com os idiotas. – Mary apontou. Dei uma risada e caminhamos até eles. Me sentei entre Emmeline e Remus consequentemente ficando de frente para Sirius, James e Peter, mas nenhum deles me olhou. Peter até olhou rapidamente, mas quando eu o olhei de voltou a olhar para a comida.
—Oi, Addie. – Emmeline sorriu. – Adivinha só. Os meninos pegaram Estudos dos Trouxas também. – ela disse, apontando para os três. Eu já sabia disso, era algo que havíamos combinado de fazer nas férias.
—Legal. – murmurei, com um sorrisinho sem graça.
—Vocês podiam ir juntos, né? Com a Addie? – Remus falou, igual à Emmeline tentando fazer os três falarem comigo. Dessa vez os três me olharam, mas não falaram absolutamente nada e logo voltaram a comer.
—Obrigada, cavalheiros. – falei irritada e me levantei, pegando minha mochila. – Posso ir sozinha.
—Addie, você não terminou de comer. – Mary falou, olhando irritada para Peter.
—Perdi a fome. – falei de volta, saindo rápido do Salão Principal em passos furiosos.
—Adhara. – Rabastan apareceu, vindo de outro corredor. Ele sorriu para mim e passou a andar do meu lado – De mal com os amiguinhos?
—Vai se ferrar. – resmunguei, mas com um sorrisinho nos lábios.
—Assim você me magoa, querida. – Rabastan disse e pegou meu horário da minha mão. – Estudo dos Trouxas? Sério? – ele arqueou a sobrancelha. – Inesperado vindo de você. – ele ironizou e eu dei uma risada pegando de volta. Rabastan sorriu e segurou meu braço. – Pensei que estava conseguindo te trazer para as trevas. – ele murmurou e me empurrou contra a parede. Ele me deu um beijo nos lábios, mas não aprofundou muito.
—Pensou errado, amorzinho. – falei. Dei um beijo no canto da sua boca, me soltando dele em seguida. – Até mais. – cantarolei.
—Vamos nos encontrar no lago mais tarde. – ele gritou, enquanto eu virava o corredor.
—Se você tiver sorte.
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—Amei pegar as aulas de Estudos dos Trouxas com você, Six. – Marlene falou sorrindo. Ela havia se sentado com Sirius e James com Peter. E eu sozinha. – É seu apelido, né? Quem inventou?
—Uma garota aí. – ele respondeu sorrindo também.
—Adoraria saber o que Emmeline pensaria se soubesse que ela é só “uma garota aí”. – sussurrei ácida, mas percebi que falei alto demais e Sirius e Marlene me olharam , assim como James e Peter. Dois fofoqueiros.
—Como vão às coisas com o Lestrange, Adhara? Estão fazendo um culto das trevas ou coisa do tipo? – ela perguntou, me olhando como se fosse superior. A olhei com descaso e ela desviou o olhar rapidamente.
—É claro. – sorri. — No próximo culto falaremos sobre você. Aí eu e meus amiguinhos das trevas vamos na sua casa e damos um jeito em você, que tal?
—Adhara. – Sirius rosnou, para mim e virei meu olhar irritado para ele. – Não tem graça. – ele disse.
—Não tem graça é você trair Emmeline com essa insuportável. – falei. James bufou atrás de Sirius.
—Ele e Emmeline não tem nada. – ele falou para mim, se debruçando. – Não é traição, falou?
—Cala boca, Potter – retruquei com raiva. – Não se meta no que não é da sua conta! – esbravejei. Percebi Marlene olhando de um para um outro, provavelmente só agora notando que realmente estávamos brigando sério.
—Claro. – James falou, me olhando friamente. – Afinal eu não tenho absolutamente nada com você, não é?
Fiquei sem palavras e virei para frente, querendo fugir daquele olhar frio de James. Logo a conversa de Sirius e Marlene voltou a encher meus ouvidos.
—Meus queridos alunos. – a professora entrou na sala e riu. Ela se vestia igualzinho aos trouxas, tinha o cabelo cinza, mais ainda era jovem e tinha umas coisas prateadas no nariz e nos lábios. Nossa aula era com a Lufa-Lufa e a maioria ali era mestiço e sangue-puro que queriam aprender mais sobre os trouxas, e os comentários sobre os negócios prateados que ela tinha começaram rapidamente.
—Já vi trouxas usando...
—Parece fincado na pele dela...
—Será que doeu...?
—Vejo que muitos estão comentando sobre meus piercings – ela sorri – Sim, esse é o nome, anotem aí – começamos a anotar e ela logo começou a explicar sobre piercings e eu fico maravilhada. Eu sempre achei trouxas tão chatos e entediantes.
—Trouxas são maneiros.
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—Não acredito! Aquela vaca. – Emmeline falou ao se sentar a minha frente no almoço. Mary veio logo atrás e se sentou conosco. Tínhamos tido aula de Transfiguração, mas Professora McGonagall não deu tempo para gente falar nada.
—Marlene? – eu e Mary perguntamos juntas. Emmeline assentiu, completamente irritada.
—É claro! Quem mais poderia ser? Por que não me disse que ela pegou Estudo dos Trouxas? – ela me perguntou exasperada.
—Eu não sabia. – respondi, colocando verduras no meu prato.
—O que ela fez? Falou com Sirius? Ousou sentar com ele? – ela indagou. Emmeline começou uma série de perguntas, mas nenhuma sobre como me senti na aula com os meus “ex-amigos” me ignorando.
A olhei enquanto ela continuava a falar sem parar. Seus olhos eram azuis e sua pele branca estava vermelha, a cabeça dela se mexia enquanto falava e seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo. Estava com um grande decote e eu pensei no papel que estava ali dentro para dar volume aos peitos.
— Oi? Addie? – ela estalou os dedos na frente do meu rosto. – Ta em qual mundo?
—Eu só... nada. – respondi e sorri. – Ela falou com Sirius sim e o chamou de Six. – contei. Mary arregalou os olhos e encarou Emms, que agora estava mais vermelha do que nunca. Ela parecia a ponto de explodir.
—Mentira! Mentira! Mentira! – ela falou sacudindo a cabeça. Segurei a risada e ela viu Sirius entrando no Salão Principal, com os meninos. – Sirius, seu idiota, nojento! – Emmeline gritou e se levantou. Sirius a olhou e levantou as mãos. Ela correu atrás dele e começou a gritar. Os meninos se sentaram comigo e Mary, é claro James e Peter do outro lado do banco.
—Oi, Addie – Remus sorriu docemente, se sentando ao meu lado. – Como foi à aula de Estudo dos Trouxas?
—Fascinante. – respondi sorrindo também. – A professora é, tipo, muito legal.
—Fico muito feliz que tenha gostado tanto assim. — ele disse para mim. Remus era sempre tão gentil, mesmo que ele sofresse toda Lua Cheia e tivesse motivos para ficar irritado o tempo inteiro.
—E como foi sua aula de Aritmancia? – perguntei.
—Muito legal – ele respondeu. – Mary é muito boa sabia? – ele disse, com um sorriso gentil.
—É, eu achei bem divertido. – Mary riu.
—Como número e equações pode ser divertido? – James questionou.
—Cada um tem seu gosto. – disse e ele me encarou. Em seus olhos não vejo nada do James sorridente que brincava comigo.
—Desculpe, mas estava falando com a Mary. – ele murmurou, cerrando os lábios..
—James. – Remus ralhou. Ele me olhou com pena, mas eu o odiei por isso. Não quero que me olhem com pena. Nunca.
—Quer saber, James? Vá se foder. – falei. Ele bufou e eu me levantei da mesa e dei de cara com Sirius e Emmeline.
—Addie? Onde vai? – Emme me perguntou, enquanto Sirius não me olhava.
—Vou ficar com Rabastan. – murmurei. Olho para James de lado. – E se quer saber, ele é muito melhor que você!
James me olhou irritado e eu caminhei até a mesa da Sonserina. Assim que sentei ao lado de Rabastan, ele passou um braço pelo meu ombro. James me olhava levemente magoado. Mas eu não em importava se o que eu disse era verdade ou não, só queria socar a cara dele até ele pedir desculpas.
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—Posso me sentar aqui? – Remus apareceu o meu lado na aula de Runas Antigas. Sorri para ele. – Soube que Rabastan vai fazer Runas também. – ele murmurou.
—Deixa disso, Remy – falei sorrindo mais e ele se sentou ao meu lado.
—Sei que está chateada. – ele me disse. Baixei os olhos. – Mas se te faz sentir melhor, James fala de você o tempo todo. — murmurou e começou a fazer impressão da voz de James. — “Olha a Addie, viu o decote dela?”, “Queria poder falar com ela, mas to muito puto”, “ Não acredito que o Lestrange pegou naqueles peitões antes de mim”.
—Típico dele. – murmurei risonha. Remus riu também.
—E Sirius está sempre olhando para o que você está fazendo. – ele contou. – Eles se importam, Addie, só estão chateados. Acham que você os traiu.
—Eu sei, mas... – murmurei tristemente. Ele me olhou carinhoso.
—Aposto que se conseguir pegar Peter sozinho ele vai falar com você. – rimos juntos.
—Você é meu melhor amigo, Remy – falei. Ele sorriu satisfeito, e segurou minha mão.
—Você é minha melhor amiga, Addie. – ele respondeu – Mas tenho que dividir você com Mary e Emmeline. – brincou. Ficamos quietos um tepinho, vendo os alunos entrarem na sala. – Sabe eu estava pensando... – ele me olhou nervoso. – Em como é.
—Como é o que? – perguntei curiosa.
—Estar com alguém. – ele me disse. – Intimamente. – dei uma longa risada e vi Rabastan entrar na sala e sorrir para mim.
—Bom, ele geralmente gosta de pegar nos meus peitos. – contei. Remus ficou vermelho, mas logo riu.
—E o que você faz? Nele? – ele parecia muito curioso, mas ao mesmo tempo muito envergonhado.
—Ah, beijo ele. – murmurei e ele continuou me olhando curioso. – Rebolo em cima dele. É bem gostoso.
—Isso é tão nojento. – ele riu.
—Espera até alguém rebolar no seu colo. – sussurrei sorrindo – A última coisa que vai achar é nojento.
—Eu tenho a impressão de que se um dia for fazer esse tipo de coisa com uma garota, vai dar tudo errado. – lamentou Remus. – E eu sou tímido demais, também.
—Nada que um pouco de lubrificante social não resolva. – murmurei sorrindo. Ele me olha confuso e eu rio de novo – Álcool.
E então caímos na gargalhada.
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Me sentei junto aos sonserinos, perto do lago. Do outro lado em volta de uma árvore estavam meus amigos. Sirius pegou James de cavalinho e estava correndo em volta da árvore atrás de Mary, que ria alto. Emmeline me viu e me chamou com a cabeça, mas apenas olhei para o lado e sei que ela entendeu.
—Eles tão bravos com você é? – Amycus perguntou.
—Só James e Sirius. Idiotas – murmurei, sem graça. Rabastan me beijou na bochecha, e eu me encostei nele.
—São mesmo. – Sev falou, do nosso lado. – Gostou de Runas Antigas? – perguntou. Assenti. – Podia ter feito Aritmancia comigo e Lily também. – ele disse.
—Ai, sem assunto de aulas, por favor. – Alecto murmurou. Ela era meio gordinha e estava claramente e completamente caidinha pelo amigo de Rabastan que era o mais quieto de todos, eu ainda não havia prestado atenção suficiente para saber o nome dele. – Queria é nadar! Está calor hoje não é?
—Verdade, irmã. – Amycus concordou. – Pularia naquele lago a qualquer hora.
—Duvido. – desafiei rindo, ele me olhou e se levantou tirando os sapatos. Rabastan riu na minha orelha, ele me deu um beijinho lá que me arrepiou um pouco.
—Até parece, Amycus. – Nott falou desacreditado. Regulus estava ao lado dele, junto de um amigo do seu ano. – Você não vai fazer isso.
—É claro que não, Nott– falei e ri da cara do Amycus, ele me olhou novamente e arqueou a sobrancelha.
— Eu vou, Addie. – ele disse. – Mas você vai junto!
—O que? – perguntei. Ele me puxou para cima e eu tentei me soltar, agarrando o braço de Rabastan. – Me larga. – berrei. — Carrow!
—Vamos para ao lago, Addie. – ele riu. Comecei a me espernear desesperada, enquanto ele me arrastava para o lago.
—Rabs! – eu gritei, tentando o olhar. – Rabastan!Rabastan!
—Relaxa, Addie. – ele gritou de volta. Percebi que agora estávamos longe demais dele e muito perto do lago. – É só água! Você vai ficar bem!
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Sirius olhou para o longe e viu alguém indo para o lago arrastando outra pessoa.
—O que é aquilo? – ele perguntou, seus amigos olharam também.
—Não faço ideia, mas vamos lá. – James correu e seus cabelos naturalmente despenteados ficam ainda mais despenteados. Todos foram atrás.
—Irmãozinho. – Sirius se aproximou de Régulos que o olhou de esguelha. – O que ta acontecendo? – eles viram ao longe alguém se jogar no lago com outra pessoa.
—Não que te interesse, irmãozão, mas é Amycus. Está se jogando no lago e levou a Addie junto. – Regulus contou.
—Addie? – Sirius perguntou arregalando os olhos em desespero.
—Não que você se importe né, Black? – Alecto riu. – Não ta nem falando com a coitada.
—Cala boca, sua idiota. – Sirius murmurou e começou a tirar os sapatos.
—O que ta fazendo? – Emmeline perguntou, mas olhava para o lago. – Amycus saiu, por que Addie ainda não saiu?
—Porque ela não sabe nadar. – respondeu Sirius tirando a camisa.
—O que? Por que raios ela não falou? – perguntou James tirando o casaco.
—Eu não sei, porra, não fui que deixei um babaca a jogar no lago. – resmungou Sirius mirando Rabastan antes de sair correndo. James logo atrás.
—Rabastan! Faz alguma coisa! – exigiu Emmeline, mas o garoto, que parecia em pânico a olhou desesperado.
—Eu também não sei nadar!
James e Sirius mergulharam de uma vez, enquanto Amycus tentava puxar Adhara para cima. Mas estava quase se afogando no processo. Com a garota em pânico, não conseguia segurá-la e ela não o deixava nadar. Então ele simplesmente se afastou, tossindo, por acabar engolindo água.
—Onde ela tá, Carrow? – gritou Sirius.
—Eu não sei! – gritou ele – A perdi de vista.
—ADDIE! – gritou James.
Mas Sirius sabia que não adiantava gritar. Mergulhou, com os olhos abertos. Enxergava pouca coisa. Logo viu James ao seu lado. Os dois nadaram, desesperados, procurando pela amiga. Sirius com o coração apertado, pois a tinha tratado mal.
Se ela se afogar e a gente ainda estiver brigados... eu nunca vou me perdoar...
Sacudiu a cabeça, tentando se livrar desses pensamentos. Ela não iria morrer. Iria encontrá-la. Foi quando viu faíscas vermelhas. Nadou o mais rápido que conseguiu e viu James com a varinha, segurando um corpo mole. Um medo sem precedentes o tomou. Nadou até os dois e ajudou James a nadar para cima, com ela.
Puxou o ar com urgência e olhou para prima.
—Addie! Addie? – chamou assustado.
—Vamos levar ela pra terra. – disse James, que parecia absurdamente pálido. Os dois foram nadando com ela, tomando o cuidado para que ela ficasse com o rosto para fora da água.
Assim que ficou raso, Rabastan veio correndo pra dentro da água, com sapato e tudo.
—Ela está bem? Addie?
Mas a prima não respondeu. James quem a carregava, mas com muito esforço. Ele não era exatamente forte. Rabastan, que era mais troncudo a segurou pelos pés e juntos, os três a levaram para fora da água.
—Deem espaço pra ela respirar! – disse Snape.
Colocaram Adhara no chão, James não soltou a mão dela e nem Sirius. Todos olhavam assustados.
—Addie. Addie, acorda! – pediu Rabastan dando uns tapinhas nela.
—NÃO FAZ ISSO, IDIOTA! – gritou James.
—ESTOU TENTANDO AJUDAR! – gritou ele de volta.
Mas Sirius apenas colocou o rosto próximo ao dela. Um desespero o tomou. Um imenso frio na barriga. Era Godric’s Hollow de novo, com os Comensais atacando e Addie desaparecida. Aquele medo absurdo de perder a única alegria de sua casa.
—Meu Merlin, Addie... – murmurou olhando para o rosto imóvel dela – Respira, por favor, Addie... me desculpa, por favor, me desculpa.
Ele deitou a cabeça no peito dela e sentiu uma vontade tremenda de chorar.
—Não! Para com isso, Sirius! – disse James – Addie! Addie, abre os olhos! Isso não tem graça.
—SAIAM DAÍ! –gritou Remus, energético. Ele empurrou James, que estava chorando assustado. Ele empurrou Sirius que estava em choque, olhando para o corpo imóvel da prima. Empurrou Rabastan, que parecia que iria desmaiar a qualquer momento.
E então ele a beijou.
Sirius piscou sem entender.
—O que raios você está fazendo? – perguntou. Por que todo mundo queria tirar uma casquinha de sua prima?
—É respiração boca a boca! – disse Mary, chorosa.
Foi quando viu que ele não estava beijando. Estava soprando na boca dela, enquanto tampava o nariz dela. Ele soprava a boca dela e depois a empurrava no peito. Ficaram todos em silêncio, assistindo. Em choque.
Aquilo pareceu durar horas. Amycus estava puxando os próprios cabelos da cabeça, com a culpa de ser responsável por aquilo o aterrorizando.
—Ela morreu? – escutou alguém perguntar.
Ficou olhando esperançoso para Remus, que seguia naquele ritual estranho de soprar e empurrar.
E então Adhara tossiu, cuspindo água e virando no chão.
—Meu Deus, Addie... – murmurou Remus abraçando. Ela ainda tossia repetidamente.
—Deixa ela respirar, Remus! – disse Emmeline, mas ele parecia completamente incapaz de soltá-la.
Sirius voou até ela, desesperado e logo James fez o mesmo. E Emmeline, e Mary, e até mesmo Rabastan.
—Puta que pariu, garota! – ralhou Rabastan parecendo muito mais velho do que realmente era – Quer me matar do coração, é?
Ela seguia tossindo e então parou. Parou e ficou muito quieta.
—Não! Addie! Addie! – gritou James, mas Remus o empurrou com uma mão com tanta força que o garoto foi arremessado para longe. Os óculos molhados pendurados em uma orelha.
—Ela está viva. Só desmaiou. – disse Remus sem olhar para James ou para Sirius – Eu vou levar a Addie para a Ala Hospitalar. – murmurou ele – E vocês podem ficar aí, pensando no quanto foram infantis e idiotas com ela.
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—Você vai ficar bem, querida – Madame Pomfrey disse. Sorri e assenti. – Só descanse agora. – ela olhou Rabastan, que estava ao lado da minha cama, com as vestes molhadas. – Não a deixe nervosa. A coitadinha já passou por muito estresse. – e depois se retirou.
Olhei Rabastan que me deu um beijo desesperado para depois me encarar irritado. Arfei um pouco pela pressa que foi o beijo.
—Por que diabos não me disse que não sabia nadar? – ele perguntou nervoso.
—Me desculpe, meu amor. – respondi sarcástica. – Mas eu me lembro de gritar bem alto o seu nome. – murmurei. A expressão dele suavizou e se transformou em uma de culpa.
—Eu sei... me desculpe. – ele disse e sorriu gentilmente. – Amycus está perdendo a cabeça, achando que sua família vai tentar acabar com ele por ter quase afogado você. – nós rimos.
—Deixa ele pirar um pouc. – eu disse. – Senta aqui. – pedi, dando tapinhas no colchão em que estava e ele se sentou ao meu lado. – Já que eu vou ter que ficar a noite inteirinha, você podia me animar um pouco, já que me deixou ser afogada. – ele riu baixinho e me beijou. O beijei de volta e minhas mãos foram para seu pescoço.
Sua mão foi para minha cintura e ele a acariciou, me puxando para perto dele. Acariciei sua nuca de volta e Rabastan me beijou mais. Ele estava me beijando de um modo bem mais gentil do que geralmente fazia.
—Ainda bem que você não morreu. – ele murmurou e começou a beijar meu pescoço, sua língua me causando arrepios. – Não sei como conseguiria viver sem pegar nesses seus peitos. – ele riu e sua mãos os apertam de leve.
—Hum-hum.
Nos largamos e vejo ao pé da cama, Emme, Mary e Remus, o último muito, mas muito, corado.
—Espero não estar atrapalhando. – riu Emmeline.
—Claro que não. – Rabastan disse e desceu da cama. – Eu já vou. Depois eu venho te ver de novo. – ele sorriu e me beijou. E eu suspirei o beijando de volta. – Até mais, Addie. – ele sorriu para mim, e eu lhe dei mais um beijo. – Até mais, grifinórios. – ele murmurou para meus amigos e saiu da enfermaria em passos rápidos.
—Ainda bem que você está legal, amiguinha. – Mary disse e me abraçou, a abracei de volta, os cabelos afro dela entrando em meu rosto. – Não sabe como ficamos preocupadas.
—Foi muito desesperador, sabia? – Emmeline murmurou com um biquinho e me deu um beijo na bochecha. – Não posso ficar estressada assim. Dá rugas. – ela disse. Dou uma risada, daquele jeito dela de ser – Ainda bem que Remus te beijou – ela brincou.
—Me beijou, é? – sorriu para ele. Remus corou.
—Não foi bem assim. – ele disse rapidamente, envergonhado. – Foi pra te ajudar.
—Eu sei, seu bobinho! – ri. O abracei pelo pescoço. – O que eu seria sem meu cavaleiro gentil, que me dá beijos quando estou desmaiada? – murmurei. Ele riu ainda envergonhado.
—Peter pediu para dizer que ele está muito feliz que você esteja bem. – Mary me disse, com um sorriso feliz.
—Por que ele mesmo não veio me dizer isso? – perguntei emburrada, cruzando os braços.
—Ah, você sabe, James e Sirius...
—Babacas. – murmurei e eles se entreolham.
—Você não se lembra de nada? – Remus perguntou curioso.
—É claro que não. – respondi. – Depois de Amycus me jogar na água, tudo é um borrão.
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—O que é isso? – questionei. Eu tinha saído da Ala Hospitalar hoje de manhã, mas agora já à noite Rabastan estava me levando para as Estufas, junto dos irmãos Carrow. Theo Nott e o garoto que estava sempre junto, mas eu ainda não sabia o nome, acho que era Button ou Burkerson. – Por que estamos nas estufas?
—Cala boca, Addie. – Rabastan disse baixinho e rindo. Mostrei minha língua para ele e nós entramos em uma das estufas. – Olha só isso. – ele me mostrou uma planta. Ela era verde clara e parecia folha de árvore.
Peguei a planta e analisei. Fiz uma careta e devolvi para Rabastan, ficando entediada.
—Você veio me mostrar uma planta? – perguntei, ainda fazendo careta. Ele riu.
—Não é qual quer planta, Addie, é salvia. – disse, me olhando como se fosse obvio. Ele tinha um sorriso no rosto que era compartilhado pelos seus amigos.
—Salvia? Que merda é essa?
—Ela disse “que merda é essa”. – Amycus riu baixinho.
—Minha querida, isso aqui é para te relaxar. – Alecto falou sorrindo. Ela arrancou uma das plantas. – Faz assim, olha. – ela cortou e amassou a planta com um feitiço, depois colocou em um pedaço de algum tipo de papel. Enrolou e lambeu. – Prontinho agora é só fumar. — ela disse. Comecei a entender o que estávamos fazendo lá.
—Isso é aquelas plantas alucinógenas? – perguntei sorrindo, pegando da mão dela e analisando.
—Nós chamamos de baseado, então talvez. – brincou Rabastan. Ele passou o braço pelo minha cintura e me puxou para perto.
—Qual planta é?
—Salvia Divinorum – ele respondeu. E me deu um beijou no pescoço, olhando assim como eu a planta. – É do México, mas cresce em jardins ilegais e Hogwarts tem um estoque especial. – ele gargalhou.
—Para uso acadêmico. – ironizei e ri. Ele riu também.
—Por que acha que Dumbledore é afetado daquele jeito? – perguntou Rabastan com um sorrisinho maldoso.
—Vamos lá, Addie. – Alecto pegou a varinha dela.– É só acender.
—Você traga e prende no pulmão. Depois de um tempo, solta. – explicou Rabastan. Ele pegou o baseado e colocou na própria boca. Alecto ascendeu com a varinha e ele tragou, jogando a fumaça no meu rosto. — Traga até que venha até aqui. — ele colocou a mão em meu peito.
Confiante, peguei o baseado da boca dele e traguei. A primeira sugada fez meu pulmão arder com força, mas nas próximas foi maravilhoso.
—O que achou? – Amycus perguntou, eles tinham feito baseados para eles também. E eu e Rabastan dividíamos um. Ele tinha seu braço em volta da minha cintura e me dava beijinhos no pescoço. Sorri para ele e o beijei na boca, para depois tragar novamente.
—Estou no paraíso!
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—Estou vendo. Você vai morrer. Tenho certeza que vai. – previu Sybill Trelawney, uma menina mais que esquisita da Corvinal. Mary olhou assustada para ela, mas Emmeline apenas revirou os olhos.
—Sybill. Pare de assustar a Mary. Você não vai morrer, borboletinha. – disse ela.
—Essa Trelawney é uma doida. – resmunguei. – Em toda aula ela fala que a Mary vai morrer.
—Temos que revezar pra ficar com ela. – disse Emmeline. – Mary sempre sai da aula de Adivinhação com cara de quem vai ter pesadelos. – Emmeline soltou um suspiro e olhou a minha xícara – E então. Sua xícara já falou se eu vou ficar com o Sirius? – perguntou ela olhando para James e Sirius, que caíam na gargalhada, fazendo “adivinhações” com suas xícaras.
—Não estou vendo nada. – murmurei entediada – É a segunda aula que temos que tentar ver essas coisas e eu não consigo.
—É porque é tudo faz de conta. – resmungou Emmeline – Se desse pra saber o futuro, todos os videntes seriam absurdamente ricos. Mas não é assim... – ela suspirou e franziu a testa – É?
—Nunca conheci um vidente, mas sei que existem profecias... – olhei para a professora Bolton – E a nossa professora não parece estar muito concentrada, não é?
A professora Bolton era uma senhora muito velha, quase careca, gorducha e baixinha. Ela dormia pesadamente num pufe próxima à janela.
—Não mesmo. Olha. A sua xícara diz que você deveria fazer as pazes com os meninos. – disse Emmeline com uma expressão concentrada – Aqui. É com certeza um peixe. Peixe significa recuperar antigas amizades.
—Bela tentativa, Emmeline. – falei rindo. Ela deitou no pufe.
—Eu quero ir embora dessa aula inútil. – resmungou ela.
—Olá, meninas. – disse uma voz gentil. Sorri ao virar o rosto e vi Remus, com uma expressão cansada. Ele tinha acabado de voltar de sua semana difícil – Como estão com as xícaras?
—Nada. Absolutamente nada. É só um monte de borrões. – resmungou Emmeline.
—Na verdade... eu estou vendo... eu acho que é... – apertei os olhos – Isso aqui não é um inseto? Um besouro? – perguntei mostrando para Remus. Ele se abaixou para ver.
—Se for criativa... – riu ele.
—E o que besouro quer dizer? – perguntou Emmeline.
—Problemas amorosos. – respondi, consultando o manual – Continue gostando daquele retardado do meu primo e eu vou entender o porquê.
—Ainda não conversou com eles? – perguntou Remus se ajoelhando ao meu lado.
—Eles estão me ignorando mais do que nunca! – resmunguei indignada – Até tentei puxar assunto, mas eles ficam todos duros e saem. Eu não vou ficar correndo atrás.
Emmeline e Remus trocaram um olhar estranho e Remus soltou um suspiro.
—Eu vou falar com aqueles bobocas. – resmungou ele. Emmeline tossiu sorrindo.
—Bobocas... – riu ela baixinho. Mas eu me virei para Remus.
—Não se preocupe, Remus. Se eles não querem falar comigo, eu também não quero falar com eles.
—Mas...
A professora Bolton deu um ronco alto e acordou, tossindo. Então ela olhou o relógio.
—A aula acabou. É hora da minha soneca. Podem ir. Façam mais um relatório de símbolos e chás para adivinhação. – resmungou ela, coçando os olhos remelentos.
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Consegui um pouco de salvia para o dia das Bruxas, então levei Emmeline e Mary para a Casa dos Gritos, na nossa primeira visita à Hogsmeade. Mary e Emmeline ficaram encantadas com a cidade, e mesmo eu achei tudo muito legal.
Mas a Casa dos Gritos era muito estranha e assustadora. Observávamos a casa do lado de fora.
—Dizem que é má assombrada. Então vamos ficar o mais próximo possível da janela, ok? Para facilitar uma fuga, se necessário. – pediu Emmeline.
—Não tem como entrar, gente. Vamos ficar do lado de fora. – eu disse rindo – Mas aqui é mais afastado de qualquer maneira.
—Por que nos trouxe aqui, Addie? – perguntou Mary.
—Quero mostrar uma coisa que eu descobri com os sonserina.
—É arte das trevas? – perguntou Emmeline, chocada.
—Ah, é sim. Adoramos sacrificar virgens nas quartas. – resmunguei com um sorrisinho. Emmeline torceu o nariz, mas Mary sorriu.
—Emmeline. Os sonserina não são monstros. – riu ela. — São até charmosos...
—Eles são sim. Monstrinhos bonitos e charmosos... Mas ainda assim, monstrinhos.
—Cale a boca. – disse rindo e tirando o baseado do bolso – Olha só.
—Isso é maconha? – perguntou Emmeline. – Minha mãe fumava quando eu era mais nova. Dizia que era medicinal, mas eu nunca acreditei nisso não.
—É salvia. – respondi acendendo com a varinha. Traguei e prendi a respiração, entregando o cigarro para Emmeline.
—Isso dá barato? – perguntou ela, me imitando. Soltei a fumaça concordando com a cabeça e Emmeline começou a tossir. – Oh... é forte. Cuidado, borboletinha.
—Ok. – ri Mary.
Ela dá uma longa tragada, fechando os olhos. Olhamos, preocupadas, mas ela segura a fumaça e solta com tranquilidade, como se fizesse aquilo todos os dias. Eu e Emmeline a olhamos completamente chocadas.
—Minha nossa, Mary! Sua maconheira! – riu Emmeline.
—Que? Só fiz igual à Addie! – riu ela.
Traguei o baseado, tranquila, e depois o passei para Emmeline, que tragou novamente, agora sem tossir e passou para Mary. Na quinta rodada do baseado, escutamos passos. Olhamos preocupadas e vemos James, Sirius, Peter e Remus. Os dois primeiros desviaram o olhar, Peter parecia estar sem saber o que fazer, mas Remus estava nos olhando com censura.
—O que estão fazendo? – ralhou ele, se aproximando – Estão fumando?
—Sempre soube que aqueles sonserinos eram má influência. – resmungou James, cruzando os braços, sem olhar para mim.
Mas Sirius se aproximou. Emmeline quem estava tragando. Ela prendeu a respiração e olhou para Sirius com desafio, lhe entregando o baseado.
—Isso não é cigarro. – murmurou ele olhando para ela. Emmeline negou lentamente, soprando a fumaça.
Sirius aceitou o baseado, mas Remus pareceu ainda mais zangado.
—Não faz isso! É prejudicial à saúde.
—Relaxa, Remy. – eu disse sorrindo – É muito legal. Isso relaxa. Te deixa feliz e leve. – eu disse dançando no mesmo lugar. Mary me segurou na cintura e na mão e então valsamos, caindo na gargalhada, com ela fazendo a pose do homem.
—Elas parecem estar bem chapadas. – riu Peter – Eu posso provar?
—Já tá no fim. – murmurou Sirius depois de tragar – Isso é legal...
—Eu tenho mais três aqui. – murmuro valsando com Mary. Mas ela me soltou e começou a dançar de maneira muito original, fazendo os meninos rirem – Provem.
—Eu não vou usar isso ai. – disse Remus. Olhei com diversão para Emmeline e rimos juntas. — Não vou. — repetiu. — Nem pensar.
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—Estou dizendo! – insistiu Remus, enquanto todos nós caíamos na gargalhada. – Existem inúmeros universos, com características diferentes e também parecidas. E esses universos podem se conectar de alguma maneira. E nesse outro universo...
—O que você se conectou? – perguntou James, rindo, com o baseado na mão. Ele o tragou e o passou para mim.
—Sim! Me conectei! – disse Remus apertando o próprio rosto.
—E o que tinha nesse outro universo?
—Esses dois universos diferentes se tocaram, e eu estava na intersecção, cara! E no outro, no mesmo lugar que eu...
—Estava o pato. – concluiu Emmeline com cara de riso.
—UM PATO! – disse Remus eufórico.
—Você é um pato no outro universo? – perguntou Mary.
—Não! – disse Peter – Mas eles ocuparam o mesmo espaço. Você sentiu o pato? – perguntou ele voltando-se para Remus.
—Senti! Eu senti o pato. – concordou ele.
—Estamos muito loucos... – riu Sirius.
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Rabastan olhou para os dois lados e então sorriu, se virando para mim. Ele me mirou um pouco e deu um passo para atrás.
—A barra tá limpa. – disse ele, abrindo espaço para que eu passasse em sua frente.
Saímos do armário de vassouras, arrumando as vestes, cheio de risadinhas um para o outro.
—Vamos chegar atrasados para a estreia. – resmunguei, abotoando a blusa do uniforme. Arrumei a minha capa e fui para perto dele.
—Sim. E é a estreia do Nott como artilheiro. – disse Rabastan passando o braço pelos meus ombros.
—Quem liga pro Nott. Tava falando do James. – falei rindo – Aquele idiota não se deu nem ao trabalho de contar que fez o teste para o time, mas eu quero torcer por ele assim mesmo. Afinal ele representa a Grifinória.
—Fez as pazes com os Marotos? – perguntou ele falando a última palavra com desdém.
—Marotos? – perguntei franzindo a testa.
—É como as pessoas estão chamando Potter, Lupin, Black e Pettigrew. Marotos. — ele me contou. — Algumas pessoas incluem você e outras nãos.
—De onde tiraram isso? – perguntei.
—Sei lá. Talvez por ser uma maneira afeminada e tosca de chamá-los de pestes. – resmungou ele – Mas você não me respondeu. Fizeram as pazes?
—Não exatamente. – respondi. – A gente ficou chapado no dia das bruxas, mas depois tudo voltou a normalidade, como se eles estivessem com vergonha de mim, ou sei lá. Só porque eu estou andando com o pessoal da Sonserina. Isso é tão idiota.
Rabastan dá de ombros, jogando os cabelos para trás.
Estávamos saindo do castelo, quando encontramos Narcissa com os amigos dela. Eloá Bulstrode, Lyssandra Yaxley e um garoto bonitão que eu não conhecia. Ele estava com o uniforme do time. Severus, Theo Nott e os irmãos Carrow estavam lá, assim como Regulus e o colega, Barty Crouch.
—Olha só se não é o casal mais lindo dessa escola. – riu Narcissa – Ah... vocês formam um casal tão fofo.
Eu e Rabastan encolhemos, constrangidos.
—Cissy. Nós somos amigos. Não somos um casal. – resmungou Rabastan pela tricentésima vez.
—Mas deveriam ser. Você é um partido muito melhor do que o Sirius. Pense nisso, Addie. Ah... – Narcissa sorriu sonhadoramente – Eu finalmente estou fazendo você agir como deveria. Estou tão orgulhosa de você, Addie.
—Cissy. Cale a boca antes que eu resolva me matar, por favor. – resmunguei fazendo o garoto bonitão que eu não conhecia rir.
—Seria uma pena o mundo perder um rostinho tão bonito. – riu ele.
Pisquei surpresa e Rabastan riu.
—Vai procurar uma mina pra você, Cook. Não dá em cima da dos outros, não. – ralhou ele com um sorrisinho.
—Do que você está falando? – perguntou o tal Cook – Achei que não fossem um casal. – então ele olhou para mim – Sou Adam, Adam Cook. Você é Adhara Black, não é?
—Em carne e osso. – respondi. Cook olhou para meu decote e sorriu, voltando a olhar meus olhos.
—Sua prima é muito bonita, Cissy. – disse ele, ainda olhando pra mim. — Para quem tem treze anos. — ele disse.
—Quatorze anos, na verdade. — eu disse, com um sorrisinho. Ele devia estar no quinto ano, enquanto Cissy já estava em seu último e Lucius tinha se formado ano passado.
—É de família. – riu ela – Não é melhor vocês se apressarem? Flint deve estar desesperado procurando por vocês.
Nott e Cook concordaram e fomos indo para o campo, mas assim que chegamos lá, me despedi de Rabastan e fui para a arquibancada da Grifinória. Emmeline e Mary estavam lá, com Peter, Sirius e Remus. Me uni a eles com expectativa. Lá de cima, James Potter parecia ser um garotinho magricela muito pequeno.
O jogo começou apertado, com os artilheiros duelando com selvageria para marcar gols. Os artilheiros da Sonserina eram muito bons, assim como os batedores. E os da Grifinória não tinham uma mira muito boa, apesar de conseguirem defender bem a equipe dos balaços.
Mas a verdade era que o time da Sonserina era melhor que o nosso. Em poucos minutos, a Sonserina abriu uma vantagem de oitenta pontos.
—James vai ter que pegar esse pomo. – resmungou Sirius.
—Ou isso, ou já era. – resmungou Peter. – James, CUIDADO! – gritou ele assustado, quando um balaço veio com velocidade para cima do meu querido colega quatro olhos, mas ele se esquivou com habilidade.
—Uou. Eu não sabia que o Jay voava tão bem. – disse para Mary. — Ele sempre ficou se gabando, mas ele é realmente muito bom.
—Sim! Ele voa mesmo. – concordou ela olhando com seus olhos únicos para o céu.
A Grifinória diminuiu a diferença de pontos para cinquenta, mas um balaço acertou nosso goleiro com força, o derrubando da vassoura.
—Ah, não! Ah, não! ACORDA, IDIOTA! – gritei, mas obviamente ele não me ouviu. Nosso batedor ficou furioso e tentou acertar a cabeça do batedor adversário com seu bastão. Mas Adam Cook se defendeu bem e eles começaram o que parecia um duelo de bastões, cada um querendo acertar a cabeça do outro.
—Eu não acho que isso seja... AH! O JAMES! – gritou Emmeline apontando para ele. O garoto voava com o braço esticado, logo atrás do pomo de ouro. O apanhador da Sonserina estava muito longe. – VAI, JAMES! PEGA ESSA MERDA!
A Grifinória gritava eufórica. Todos nós pulávamos de ansiedade, na expectativa que James pegasse aquele pomo. Ele também parecia completamente concentrado naquela missão. Pegar o pomo. Pegar o pomo. Pegar o pomo.
Ele nem pareceu ver o balaço. Mesmo que a arquibancada inteira gritasse. Mesmo que eu tenha ficado sem voz e com a garganta doendo. Ele pegou o pomo e então o balaço o acertou com muita força na cabeça. O barulho foi horrível. Vê-lo cair da vassoura foi desesperador.
Ele pareceu cair em câmera lenta, como se fosse para parecer simplesmente falso. Como se fosse alguma pegadinha. Como se ele estivesse apenas tirando uma onda com a escola inteira.
Thomas Gray o pegou antes que ele caísse no chão e voou com ele, pousando na grama. O time da Grifinória o rodeou, Madame Hooch conjurou duas macas, uma para James e outra para nosso goleiro, e então ela os tirou do campo.
Nunca imaginei que a Grifinória não comemoraria uma vitória. Ou talvez tivesse comemorado, mas eu estava tão centrada em encontrar James, que nem ouvi. Desci as escadas e corri pela grama apenas com uma leve sensação de estar sendo seguida e chamada. Senti o ar faltar, pela corrida, mas nem assim me interrompi.
O caminho até a Ala Hospitalar parecia ridiculamente longo. Entrei no castelo praticamente voando. Subi os degraus, pulando dois de uma vez e quando finalmente cheguei, abri caminho entre os membros do time. James estava sentado, enquanto Madame Pomfrey enrolava a cabeça dele. Ele parecia outra pessoa sem os óculos, que estavam quebrados, em seu colo. Ele ainda tinha o pomo na mão, que lutava para escapar dele.
—Jay. – sussurrei. Mas ele me escutou, pois virou a cabeça para me olhar. – V-você está bem? – perguntei me aproximando devagar. Madame Pomfrey se afastou para pegar qualquer coisa e James olhou para mim, para dentro dos meus olhos.
—Preocupada? – perguntou ele.
—Sim... achei que... que você ia morrer...
—Ainda acha que... – ele engasgou – Que eu não sou nada seu?
Arfei, achando que a voz não sairia.
—Você é um dos meus melhores amigos... – murmurei – Me desculpe... por...
—Me perdoe por querer ficar mandando na sua vida, Addie... – murmurou ele bagunçando os cabelos – Mas é que... você é muito importante pra mim... – murmurou ele corando. Então ele me olhou e sorriu. Aquele sorriso imenso que só ele sabia dar – Você pode me dar um abraço?
—Espere, Sr. Potter. Eu ainda não terminei de... – começou Madame Pomfrey, mas eu não dei a mínima. Pulei na cama dele para abraçá-lo com força.
—Prometo nunca mais ficar zangado com você, Addie. Prometo.
—Eu também prometo nunca mais ficar zangada com você! – disse engasgando. Eu não fazia a menor ideia de que ele era assim tão importante pra mim. Senti as mãos dele passearem pelas minhas costas, naquele abraço apertado e então ele deu uma risadinha.
—Você é tão boa de apertar, Addie! – riu ele. Senti os dedos dele irem para minhas costelas e senti um frio me subir a espinha.
—James! Não! – gritei tentando me soltar. Mas lá estava ele gargalhando, me fazendo cosquinhas.
E eu amei cada uma delas.
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—Geme baixinho. Bem baixinho. – sussurrou Rabastan, me provocando. Ele estava com os dedos dentro da minha calcinha e estávamos no vagão bagageiro. O Natal tinha chegado e eu iria passar o recesso em casa.
—Oh, Rabastan... você faz tão gostoso. – murmurei, ele me beijou no pescoço.
—Eu adoro quando fala meu nome gemidinho assim. – riu ele. Eu ri também e o puxei para um beijo. Foi quando bateram na porta.
Suspirei e nos afastamos, nos recompondo. Rabastan foi até a porta e a abriu.
—Você pode parar de agarrar a minha prima, um pouco?
—Você vai passar o recesso com ela. Deixe a gente curtir, Black. – resmungou Rabastan.
—Como se você não fosse aparecer para estragar o meu Natal, como sempre faz. Vamos, Addie? – perguntou Sirius, polidamente – Vocês já estão ai já tem um tempão.
Suspirei e fui até Sirius. James estava com ele e olhava feio para Rabastan.
—A gente se vê depois, Rabs. – disse rindo, mas ele me puxou para um beijo, e eu me deixei levar, esquecendo por um momento do meu primo e James, depois Rabastan cruzou os braços e se escorou na porta, nos olhando. Me virei para eles. – E então, seus putos. O que querem comigo?
James sorriu, mas antes estava com uma careta e Sirius revirou os olhos.
—Eu quero que pare de se esfregar com aquele cara. Ele é podre. – resmungou Sirius falando alto o suficiente para que Rabastan escutasse.
—Sirius. Olha o jeito que você fala. Credo. – James passou o braço pelo meu ombro e eu o abracei. Estávamos super bem desde o jogo Sonserina e Grifinória, que tinha acontecido na semana anterior. —Você sabe que a gente não gosta dele. – disse James – E eu fico com ciúmes, porque eu que quero...
—Jay, não! – disse pulando para o lado, mas ele me alcançou.
—Te agarrar! – brincou ele me fazendo cócegas.
—Para! Para! Por que tem que fazer isso o tempo todo? – perguntei gargalhando enquanto ele me enchia de cócegas.
—Porque você tem a risada mais gostosa do...
—SOLTA, POTTER! – rosnou Rabastan se enfiando entre eu e James. James o olhou aborrecido e Sirius jogou as mãos para cima achando engraçado. – Tá achando o que? Vai agarrar a mulher de outro!
—Mulher de outro? – perguntou James, roubando as palavras da minha boca – Desde quando ela é sua? E eu e Addie somos amigos. Só estava brincando com ela. Sempre brincamos disso.
—Pois isso acaba agora. – e Rabastan me olhou zangado – Não quero saber de outro cara te agarrando.
—Rabastan. – eu disse rindo – Você está com ciúmes? – perguntei, mordendo meu lábio inferior.. Ele abriu a boca para responder, mas corou no lugar disso.
—Não.
—Você está claramente com ciúmes. – provocou James.
—Ele se apaixonou pela Addie. – riu Sirius.
—Não me apaixonei! – disse Rabastan, ainda vermelho – É uma questão de princípios. – ele me olhou zangado – Se você está comigo, não pode...
—Somos apenas amigos, Rabastan... só estamos ficando, lembra? E eu e James somos só amigos. Não precisa se preocupar com isso.
—Claro que precisa. – disse James cheio de si – Eu sou muito mais bonito, inteligente e legal que ele. Você ainda vai ser minha namorada, Addie. – brincou ele. Eu apenas revirei os olhos e Rabastan o encarou com uma careta.
—Você tá querendo levar um soco, Potter? – perguntou Rabastan.
—Ei. Sem violência. – eu disse.
—Eu me lembro que das últimas vezes que você se meteu comigo, saiu perdendo. – provocou James – Aqui nesse trem.
—Eu acho que eu sai ganhando e muito, na última vez, nesse trem. – provocou Rabastan e James perdeu o sorriso – Fique longe da Addie, Potter. Ela tá comigo.
—Não tá e eu faço o que eu quiser. – resmungou James – E de qualquer modo, era só uma brincadeira inocente. Não vou deixar de brincar com ela por você ser idiota. Nem namorado dela você é.
—Mas eu tenho o direito... – começou Rabastan, mas eu o cortei.
—Rabastan. — chamei. Suspirei e mirei James que fazia uma cara de valentão para Rabastan. — Acho que as coisas estão um pouco... confusas. – eu disse.
—Eu concordo.
—Ou você me pede em namoro, ou a gente não fica mais. – eu disse. Rabastan piscou surpreso.
—Namoro? Nem eu e nem você queremos isso... – ele murmurou e então sorriu. Sorri de volta gostando de como ele sacava as coisas rapidamente. Ele tinha entendido o que eu queria dizer – Bem... então é isso? Estamos terminando?
—Parece que sim. Mas foi muito divertido.- murmurei, um pouco pra baixo. Ia sentir muita falta de beijar ele e até de conversar com ele.
—Ok... – ele suspirou – Vou sentir falta... principalmente desses seus peitões deliciosos.
—COMO É QUE É? – gritou Sirius. Olhei Rabastan de cara fechada, mas ele apenas riu.
—Espero que a gente continue sendo amigos, Addie... falou. Eu sorri para ele e assenti.
—Até mais. – eu disse. Rabastan se curvou e me beijou nos lábios, me mordendo de leve. Então suspirou e saiu, indo para a cabine onde os Sonserina estavam.
—Mas que babaca. – resmungou James.
—Um completo babaca. Como a gente não azarou ele? – perguntou Sirius, indignado.
—Addie. – respondeu James.
—Sim, Addie... – concordou Sirius. Eu só ri.
James se virou para mim e me olhou quase ofendido.
—Eu não acredito que ele pegou nos seus peitões antes de mim! – ralhou ele – Vem cá, Addie. – disse ele vindo com as mãos na direção dos meus peitos, mas Sirius o puxou pela orelha.
—Mãos no bolso, Potter. No bolso. – ralhou ele.
—Ai. Ai. Ai. Ok! Nada de peitões. Nada de peitões. – disse James colocando as mãos nos bolsos.
—Vocês são dois... idiotas.
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