When We Were Young
58 The Butterfly Flight Came To An End
Notas iniciais

THE BUTTERFLY FLIGHT CAME TO AN END
MARY’S BURIAL
1975
SUMMER
O que significa guerra?
Significa perda. Perda em um nível alto e absolutamente doloroso.
Addie pulou de susto quando seu pai passou por trás dela e a beijou na bochecha, de bom humor. Ele fez uma piada qualquer por seus cabelos estarem azuis, mas ela não ligou. Apenas voltou-os ao normal, mas então ele a olhou atentamente.
Addie tinha vindo para casa via lareira. Professor Dumbledore achou melhor, e mandou uma carta para seus pais dizendo que tinha feito isso com todos os amigos de Mary, mas era mentira, só ela tinha feito isso. Ela ainda estava com seu vestido para o baile, todo amassado e sujo, tinha passado a noite com ele na sala do diretor, chorando.
Ela olhou para o pai, e estendeu a carta amassada em sua mão para ele. Seu pai a pegou e sua mãe apareceu na sala, com Teddy em seu colo. Assim que seu pai terminou de ler, ele olhou para Addie abatido. Addie soltou um soluço, e voltou a chorar. Seu pai a abraçou, e ela se escondeu em seus braços.
Tinha chorado a noite inteira, mas parecia que suas lágrimas nunca iriam secar.
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Sirius abriu os olhos e entrou em sua casa, se preparando para o primeiro dia das suas férias infernais. Nem tinha chegado e já estava contando os dias para poder visitar os Potter. Talvez tentasse escapar para a casa de Addie. Fazer algo divertido. Addie sempre o divertia. Era sua irmã. Era isso o que eram: irmãos. E enquanto Addie sorrisse, aquele inferno que era o Largo Grimmauld seria suportável. Régulos passou por ele lendo uma carta, de uma tal namoradinha.
Escutou um barulho na janela e viu sua coruja. Ela trazia o Profeta Diário e uma carta. Abriu a janela e deu um biscoito para a coruja depois de pegar o jornal e uma carta, mas não a abriu. Daria uma olhada depois do café da manhã.
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As pessoas estavam morrendo. Todos sabiam disso. Se evitava falar a respeito em Hogwarts, mas ela sabia que a verdade era essa. Morte. Morte por todos os lados. Emmeline espiou pela janela. Estava com medo. A saúde de sua mãe estava terrível. Seus avós estavam tão velhos... o que seria deles quando voltasse para Hogwarts? A ideia de Mary parecia muito boa. Que unissem suas famílias, Mary tinha dado a idéia um pouco antes do ataque. Emmeline seria eternamente grata aos Mcdonald’s. Principalmente a sua borboletinha. Só esperava que ela acordasse logo.
Finalmente viu a carta que tanto esperava. A resposta do pai Mary, sobre se ele cuidaria de sua família quando voltasse para a escola, a qual Mary tinha insistindo na ideia. Escutou a mãe tossir fracamente na cama. A olhou tristemente, sem reconhecer aquela mulher magra, de pele seca e manchada. Ela costumava ser linda. Tão linda e cheia de vida. Tão maravilhosa a ponto de seduzir um homem que não sabia ser capaz de amar. Talvez ele não fosse mesmo...
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James se jogou na cama e rolou, abraçando o travesseiro, tinha acabado de chegar de Hogwarts, e estava se lembrando de Addie de como ela não tinha ficado com eles na cabine e de seu perfume doce. Eram amigos e tinham terminado numa boa, mas ele era adolescente e sentia falta das aventuras carnais. Duvidava muito que encontraria alguém como ela, novamente. Alguém que o fizesse esquecer do mundo, do medo, das incertezas. Alguém que fazia com que homens encapuzados, que matavam e torturavam, não passassem de memórias muito distantes e surreais.
Se sentou e pegou o óculos na cabeceira da cama. Bagunçou os cabelos se perguntando como seria quando os primos Black o viessem visitar. Se perguntou se Addie viria naquele verão... Estava constrangido com a maneira como seus pais agiriam. Foi quando sua mãe abriu a porta. Ela entrou segurando uma carta, com o rosto cheio de pesar. Más notícias...
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Más notícias em todos os lugares. Remus olhava a janela com seus pais. Uma casa ali do lado pegava fogo. A casa dos Stwart. Conhecia Mégane Stwart. Uma nascida trouxa, negra e fofa, aluna do segundo ano da Corvinal. Uma menina sorridente e meiga, que sempre corava quando ele sorria para ela. Nunca mais a veria sorrir, pois a marca negra brilhava no alto do seu telhado. Podia ter sido a sua casa. Podiam ser os Lupin, quem teriam seus nomes na lista de mortos no Profeta Diário...
Sua mãe soltou um soluço, assustada, provavelmente pensando a mesma coisa. Ela estava doente, mas o tratamento que seu pai se matava para pagar, estava funcionando. Remus sabia que de seus amigos, ele, Lily, Mary e Emmeline eram os que mais corriam riscos. Então se sentou, pronto para olhar a carta que tinha chego. Era do pai de Mary. Ele suspirou, rezando para que fosse boa noticia.
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Peter deixou-se cair na poltrona, sem querer acreditar. Ele devia saber. Devia saber que nunca deveria ter deixado aquele sentimento crescer. Que nunca deveria ter se permitido envolver. Seus pais sempre o avisaram. Era a lógica. Era a guerra... E guerras significam perdas.
Amassou a carta e a jogou contra a parede, chamando a si mesmo de burro, de idiota. Seus olhos cheios de água. Seu coração pesado. Ele sabia que aquilo iria acontecer. Sabia que não deveria ter deixado que ela entrasse...
Mas Crazy Eyes sempre insistira. Ela o amara desde o primeiro momento. E ele sempre tinha sido tão cruel e besta. Apenas no último ano que passara a entender o quanto ela era maravilhosa, mesmo que fosse uma mestiça, mesmo que seu pai fosse um trouxa e ela nunca tivesse conhecido a mãe. Mas agora era tarde demais.
Pois Emmeline não conseguia parar de chorar, de mãos dadas com Sirius.
Addie estava de mãos dadas com Sirius também, que olhava para frente sem conseguir piscar.
James abraçava Addie, porque era tudo o que poderia fazer.
Adam estava atrás de Addie, os olhos fechados abatido.
Lily chorava atrás com Dorcas e Marlene, se perguntando se suportaria ver outro amigo daquele jeito.
Frank e Emily choravam em silêncio, abraçados, sem realmente saber o que fazer.
Rabastan escondido atrás de uma árvore com Theo e Jacques, olhava com pesar para a cena a sua frente.
Remus não sabia o que pensar. Sempre achou que seria o primeiro. Ele era o lobisomem. Ele era o odiado.
E Peter chorava aos soluços. Sem conseguir deixar de se odiar por não ter dito que amava Crazy Eyes...
Pois agora era tarde demais...
Pois, num caixão cheio de flores, Mary Mcdonald parecia dormir, mas seus olhos únicos nunca mais iriam se abrir.
Guerra significa perdas.
E todos esses jovens tinham perdido uma amiga e algo mais. Era um adeus à inocência. Mary estava morta. Morta. Morta após ficar em coma. Morta após um ataque de homens encapuzados, que se achavam melhor por causa do sangue.
Mary era uma borboleta. Tão perfeita. Livre e leve.
E quando o funeral terminou, as flores se transformaram em borboletas e voaram, fazendo Emmeline chorar ainda mais alto. Addie olhou para baixo, deixando as lágrimas caírem, agora abraçando somente Sirius, que olhava para frente, sem querer aceitar. James tentava fingir que não tinha medo, chorando baixinho. Remus se perguntava se seria o próximo e se deveria fugir de casa para proteger a própria família. Frank abraçou Emily com medo. E Rabastan olhou para os dois amigos, os três sem dizer uma palavra.
E Peter juntou as mãos e as soprou. Uma borboleta azul saiu de lá e pousou sobre a mão de Mary, onde estava o anel que Peter lhe dera, antes que fechassem seu caixão.
—Adeus, Mary... Adeus, minha borboletinha.
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—O que está fazendo no meu refugio, Srta. Black? – sorri e me virei para Adam.
Ele se sentou no balanço ao lado do meu e sorriu charmoso. Adam estava lindo como sempre, trajava uma blusa preta e uma calça jeans meio surrada, tinha um cigarro atrás da orelha, a qual ele pegou e eu reparei em seus piercings. Ele ascendeu o cigarro e depois me passou. Traguei, voltando a olhar além do penhasco.
—Estou fugindo. – murmurei. Ele me olhou curioso. – Meus pais marcaram uma hora com um psicólogo psiquiatra para mim. – falei levemente irritada. – Eles acham que eu tenho estresse pós-traumático ou coisa assim.
—E você tem? – ele perguntou calmamente. Traguei o cigarro.
O olhei e seus olhos castanhos escuros buscavam a verdade dentro de mim. Seus olhos eram intrometidos e pareciam saber tudo sobre mim, que podiam tirar tudo de mim.
—Talvez. – murmurei baixinho. Ele segurou minha mão, e me puxou, pegou o cigarro da minha boca e colocou na própria.
—Quando eu tive que passar meu primeiro verão aqui, eu estava com tanta raiva, com o que tinha acontecido com a minha avó, que eu vim aqui e só... gritei.
—Gritou? –perguntei risonha. Adam riu também, e de mãos dadas fomos até a beirada do penhasco, tinha uma pequena cerca de madeira nos impedindo de cair, mas ela já estava velha e desgastada, e bem no meio uma parte já tinha caído. Adam me levou, até a parte aberta, e ficou bem atrás de mim ele colocou as mãos em minha cintura e a boca próxima a minha orelha.
—Grite o que sente. – ele sussurrou. Mordi meu lábio e então gritei.
Eu gritei como nunca antes, rindo no meio e talvez chorando. Adam ficou atrás de mim com um sorriso, o cigarro entre os dentes, me segurando pela cintura, enquanto eu gritava até minha garganta doer. Quando terminei, eu me sentia melhor e mais solta. Virei-me para Adam com um sorriso, estávamos muitos próximos.
—Os Beatles deveriam ter feito um álbum em sua homenagem. – sorri.
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—Você pode ajudar Adam com os pedidos, e depois que ele terminar de te treinar você já pode fazer tudo sozinha. Certo? – a avó do Adam sorriu para mim.
—Certo. – concordei. Eu coloquei meu avental por cima do meu vestidinho de garçonete. Ele era rosa bebê, e com uma saia um palmo acima do joelho, levemente rodada. Adam ao meu lado sorria, vestido também com um uniforme rosa bebê, com uma blusa de botões e uma calça branca.
Ele pegou um bloquinho de escrever e colocou uma caneta atrás da orelha. Eu fiz o mesmo e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. Adam sorriu e ajeitou a caneta atrás da minha orelha.
Os clientes começaram a chegar e eu ia atrás de Adam ele fazia perguntava e os clientes faziam o pedido, eu o ajudava levando os pedidos. Depois de alguns pedidos ele me deixou fazer um sozinha. Estávamos na nossa pausa, atrás da lanchonete, sentados atrás da kombi de Adam. Eu comi um pouco de batata frita, e tirei do bolso do meu vestidinho a gorjeta generosa que eu tinha ganho.
—Bem, eu sou muito boa garçonete, mas funciona mais quando se é bonita. – eu ri.
Adam riu, e concordou pegando a gorjeta dele. Ele jogou em cima da minha as misturando, depois pegou a carteira do bolso e tirou mais dinheiro trouxas e jogou junto no montinho.
—Sabe o que podemos comprar?
—Salvia? – perguntei. Ele negou.
—Eu tenho um pouco em casa para nós, mas a gente poderia comprar uns piercings.
Eu sorri, e assenti. Então marcamos, que após nosso expediente acabar iríamos comprar piercings para mim.
—Adam? – chamei, um pouco nervosa. Ele me olhou colocando um monte de batata-frita na boca. – Obrigada... por isso. Por tudo isso. Por ter me arrumado esse trabalho e por ficar comigo. Tudo ‘ta muito difícil.
—Eu sei.
—Ela morreu, dois dias atrás, Adam. – sussurrei, quase chorando.
—Eu sei.
—Eu só... obrigada.
Ele sorriu, e pegou uma batata-frita do saquinho e colocando na minha boca, eu ri.
Voltamos ao trabalho e ganhamos mais algumas gorjetas. Terminamos nossos expediente e tiramos nossos uniformes e nos trocamos.
Demos tchau para a avó de Adam e saímos correndo para sua kombi. Adam me levou até um estúdio e comprou alguns piercings, mas não furamos lá, pois seria difícil explicar para o cara sobre nossa pomada milagrosa e mágica que fazia ficar completamente indolor. Adam jogou um lençol na parte de trás da kombi e fechou as portas, eu me deitei enquanto ele preparava as coisas.
—Então, onde? – ele perguntou. Mordi o lábio e olhei para os piercings na cartilagem em sua orelha. Ele tinha três lindas e pequenas argolas prateadas lá. Mostrei minha orelha e ele sorriu. Adam passou a pomada para não doer e me furou, colocou o piercing e passou a poção cicatrizadora. Depois repetiu o processo mais duas vezes.
—Ficou legal? – perguntei, me sentando. Ele sorriu e assentiu.
—Super legal.
—Eu quero furar mais um lugar. – falei. – O nariz.
—Em qual lugar? No septo?
—Não, na narina mesmo. – eu ri. Ele riu, e fez o processo, só que agora em meu nariz, e eu me assustei um pouco ao ver a agulha tão perto do meu olho, mas Adam me furou e colocou outra argola, só que agora mais fina, e passou a poção. Tudo muito rápido. – Você leva jeito pra isso. – falei. Eu peguei minha mochila jeans e lá dentro peguei um espelhinho. Olhei-me e sorri para os meus mais novos piercings.
—Você me fura? – Adam indagou, me olhando de lado. O olhei surpresa.
—É claro. – falei. – Onde?
—No septo. – ele respondeu.
—Mas ai não da pra passar pomada direito. – murmurei. Adam assentiu, e pegou a pomada e passou o melhor que conseguiu. – Vai doer.
—Tudo bem.
Assenti nervosa, e peguei a agulha, tínhamos comprado cinco agulhas esterilizadas na farmácia. Estávamos usando a última. Segurei o nariz de Adam e ele me seguia com seus olhos, puxei e então enfiei com tudo a agulha em seu septo. Adam não se mexeu, apenas apertou os olhos um pouco, mas logo me olhou novamente, sem nenhuma lágrima. Peguei o piercing que era metade de uma argola com duas bolinhas na ponta, e passei pelo nariz dele. Peguei o algodão faltando apenas à poção para cicatrizar.
Afastei-me e Adam se sentou. Dei o espelho para ele, ele olhou e sorriu satisfeito.
—Ficou muito legal. – murmurei, o olhando atentamente. Mordi o lábio o achando simplesmente o ser mais sexy do mundo inteiro. Adam sorriu e eu sorri de volta. Ele pegou meu rabo de cavalo e o soltou devagar, então colocou a mão em minha nuca e se aproximou, me aproximei também, com a boca levemente aberta, apenas esperando.
—Addie! – meu pai bateu na kombi. – Ta ai?
Eu e Adam nos afastamos, e ele abriu a porta corrente da kombi. Meu pai nos olhou desconfiado, então olhou do meu nariz para o de Adam, chocado. Sorri sem graça e coloquei meu cabelo atrás da orelha, mostrando os piercings nela. Ele abriu a boca em choque e apontou um dedo para mim.
—Eu deveria ter perguntado antes? – indaguei, encolhendo os ombros.
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EMILY’S HOUSE
—Seus cabelos cresceram, querida. – disse sua mãe enquanto passava a escova por seus cabelos. Emily estava cabisbaixa, ainda tocada pelo funeral de Mary. Tinha sido tão triste – Deveríamos cortá-lo.
Não quero cortar meu cabelo. Demorou um tempão pra deixá-lo desse tamanho!
—Sim, mamãe. – murmurou conformada a ficar novamente com os cabelos curtos.
—Espero que se comporte na casa dos Meadowes. – disse sua mãe – Sabe como seu pai é. Ele está muito zangado com você. – adicionou ela – Por ter ido para o baile de verão com um Burke. Você deveria ter ido com o seu noivo.
—Meu noivo foi com outra pessoa. – disse fazendo bico, já que sua mãe não via seu rosto. Estavam sentadas apenas as duas em sua cama, com sua mãe atrás de si, penteando seus longos cabelos lisos.
—Então você não deveria ter ido para festa, por cortesia. – disse sua mãe, calmamente – É por isso que eu digo que você precisa fazer o curso de moças.
Prefiro comer meus sapatos.
—Tenho mesmo que fazer esse curso idiota? – perguntou zangando-se e sua mãe arfou.
—Emily! Isso são modos de uma dama? – perguntou sua mãe, horrorizada com seus modos.
Não disse nada de demais. “Idiota” nem mesmo é um palavrão!
—Desculpe, mamãe. – murmurou cabisbaixa, sentindo imensa saudade de Hogwarts. Odiava as férias.
—Hogwarts não fez bem pra você. Eu disse pro seu pai que você deveria continuar em Beauxbatons, mas ele não me escutou.
—Desculpe, mamãe. Não quis aborrecê-la. – murmurou triste e sua mãe pegou uma fita para fazer um laço ridículo em sua cabeça.
Como se aquele vestido de boneca do século retrasado não fosse estúpido o suficiente.
—Você precisa ter mais tento na língua. Precisa sempre se comportar impecavelmente. Todos têm grandes expectativas sobre você, Emily.
Lembro de uma época quando eu acreditava nisso... hoje sei que a única expectativa que as pessoas têm sobre mim é que eu fique quieta e calada, como uma boneca.
—Sim, mamãe. – murmurou com a voz contida e baixa, como sempre.
—Uma dama ao debutar é sempre o centro das atenções. Os homens sempre repararão em você e sempre se perguntarão sobre sua inocência. Eles se esforçam para conquistar sua virtude, mas apenas aquelas que conseguem mantê-la...
—Mamãe, você está querendo falar de sexo comigo? – perguntou corando de leve.
—Chega um momento que a mãe precisa conversar sobre isso com a filha. – disse sua mãe, com severidade e ela corou ainda mais – Emily! Por Merlin, seus cabelos! – ralhou ela e Emily se assustou concentrando-se – Ainda bem que seu pai não viu esse seu descontrole! – ralhou ela. Suspirou indo até o espelho, mas estava tudo loiro novamente – Francamente, o que deu em você?
Antes que pudesse se desculpar, a porta abriu e seu pai entrou segurando um papel qualquer.
—Emily Lisbeth Valentine! O que significa isso?! – rosnou ele quase esfregando a carta em seu nariz. Encolheu, assustada, sem entender o motivo de seu pai estar tão furioso por conta de um papel.
—Rick! Modos! – ralhou sua mãe e seu pai a olhou ainda extremamente furioso.
—Modos? MODOS?! – rosnou ele – Você pode me explicar quem é Remus Lupin e Theodore Nott? – perguntou ele a olhando e Emily piscou ainda mais confusa – Por que esses dois rapazes escreveram pra você e uma das cartas não foi nada comportada! Posso saber o que Theodore Nott quer fazer com você dentro de um armário de vassouras novamente, heim?! – rosnou ele e Emily se perguntou se Nott podia ser tão imbecil a ponto de escrever aquilo em uma carta. Mas todos aqueles anos fingindo ser uma bonequinha serviram de alguma coisa, no fim das contas.
—Papai. Remus Lupin é um garoto do meu ano, da Grifinória. Theo Nott é um amigo de Katherine Greengrass. Receio que não faço ideia do que ele pode querer fazer novamente num armário comigo, já que eu nunca entrei num armário de vassouras. – disse com seu tom de voz típico. Seu pai respirou fundo, apertando os lábios.
—Está dizendo que foi algum tipo de pegadinha?
—Provavelmente. É algo que os garotos da Sonserina veriam como brincadeira. – disse sem vacilar.
—Os Nott não gostam de você. Talvez queiram desmoralizar nossa filha. – sugeriu sua mãe. Como se alguém fosse perder tempo comigo...
—Virtus. – disse seu pai, ainda desconfiado e Emily simplesmente suspirou. Seu corpo brilhou numa aura pura e seus pais pareceram aliviados – Bem... e quem é Remus Lupin? Por que ele está te chamando pra sair? Ele não sabe que você está noiva?
—Ele é meu amigo, pai. – respondeu, sentindo muita raiva. Ele vai começar a ler minha correspondência agora? Isso é ridículo! – Provavelmente precisa conversar com alguém. A namorada dele morreu naquele ataque a Hosgsmeade...
—Entendo... bem... você não pode sair... já está se arriscando muito, indo pra casa dos Meadowes. Talvez você devesse passar as férias inteiras aqui.
Aquilo seria o inferno.
—Oh, papai, por favor! Dorcas iria me ajudar com as aulas de etiqueta. Ela também vai participar do curso para moças! – disse desesperada com a possibilidade de não poder sair. Se dependesse de si, nunca mais voltaria a pisar naquele inferno que chamava de casa.
—Richard. Emily precisa muito desse curso, para poder se tornar uma dama de classe da alta sociedade. Se ela ficar agindo como uma louca sem modos, pode até prejudicar sua carreira política. Os Meadowes são uma boa referência pra ela. – disse sua mãe, calmamente, como se nem estivesse falando de algo importante, como se tudo aquilo a entediasse. Seu pai cruzou os braços, pensando a respeito e bufou.
—Que seja. – resmungou e sua mãe a olhou discretamente, com um sorriso escondido e uma piscadela. Emily sorriu feliz e fechou a porta quando os pais saíram. Se sentou em frente ao espelho e começou a planejar um fim de semana perfeito com os Meadowes. Escreveria para Remus de lá... e pediria para que ele escrevesse de volta com algum nome de garota. Assim seu pai não iria implicar.
Pegou suas maquiagens e passou um pouco de batom rosa claro nos lábios. Colocou alguma cor nas bochechas e observou seu reflexo. Como uma boneca. Ajeitou o vestido, pegou um chapéu e o colocou por cima do laço. Gostava mais do chapéu, ficava mais velha com ele. O laço lhe dava um ar infantil, mas sua mãe gostava assim, então não tinha muita opção.
Foi para a casa dos Meadowes junto do pai. Dorcas a recebeu e as duas foram direto para o quarto, para conversar sorridentes. A primeira coisa que fez foi tirar a meia calça branca e os sapatos. Estava fazendo um grande calor.
—Preciso de pergaminho, tinta e pena. – riu Emily. Dorcas a olhou curiosa – Meu pai está lendo minhas cartas agora. – resmungou contrariada – Eu vou mandar uma carta pro Remus, pra ele me escrever com nome de garota. – explicou e Dorcas riu.
—Huuum... será que dessa vez vocês funcionam? – perguntou Dorcas e Emily deu de ombros.
—Sinceramente... eu já perdi as esperanças. Acho que ele não gosta de mim desse jeito, mas é educadinho demais para falar isso... então ele...
—Te enrola? – perguntou Dorcas com um sorrisinho. Emily revirou os olhos.
—Não começa você também. Já basta o Frank. – resmungou. Soltou um suspiro e se deitou na cama da amiga – E nosso noivado está marcado mesmo. – resmungou fazendo careta – Eu não consegui me imaginar casada com ele... seria tão esquisito. Ele é um irmão pra mim. – murmurou. Dorcas se sentou ao seu lado e suspirou.
—Eu sei... – Dorcas segurou sua mão e sorriu – Por que você não tenta cancelar isso? Por que você não tenta convencer seus pais a...
—O que? A cancelar o noivado? Como se minha opinião valesse de alguma coisa. – resmungou dando de ombros – Minha mãe acha que seria uma grande ofensa às boas maneiras. Meu pai acha que prejudicaria a carreira dele. – Cruzou os braços olhando para o teto – Algumas vezes eu tenho vontade de fugir, quando completar dezessete, sabe? Ir pra bem longe, onde ninguém saiba quem eu sou...
—Tipo o plano do Sirius? – perguntou Dorcas – Foge com ele.
—Eu sou a única garota do nosso ano que o Sirius nunca paquerou... com exceção da prima dele, porque eles são... bem... primos. – riu Emily – Eu seria a última pessoa com quem ele iria querer fugir. – adicionou.
—Bem, se você não fosse tão conformada com seu destino, talvez ele...
—Eu não quero que Black me paquere. – riu se sentando – Eu quero que Remus me paquere. – adicionou com enorme sorriso apaixonado e Dorcas riu lhe jogando um travesseiro no rosto.
O final de semana passou voando, como sempre passava quando estava com Dorcas, se divertindo tanto que parecia até mesmo um crime. Quando chegou o momento de voltar pra casa, desejou não ir. Queria muito ficar lá com Dorcas. Mas ordens eram ordens e ela era uma menina comportada.
O pai de Dorcas lhe deu um beijo na testa e disse que ela era sempre bem vinda ali.
A mãe de Dorcas lhe deu uma torta para levar para casa, pois era de limão, o sabor favorito de seu irmão, Edmure. Dorcas disse que a manteria informada caso Addie fosse dar alguma festa.
—Vamos juntas se ela for dar, ok? – perguntou Dorcas e Emily concordou com um sorriso animado.
—Eu preciso ir. Está na hora. – disse segurando seu colar, uma chave portal que a levaria para casa precisamente às vinte duas horas. Ficou olhando a família de Dorcas, até sentir aquela sensação de gancho no umbigo. Tudo foi girando e ela segurou firme a torta em seus braços. Quando o mundo parou de girar, viu-se em frente a sua casa. Suspirou pensando em Remus e foi caminhando serelepe até a porta. Foi quando notou um brilho verde e fantasmagórico em seu braço. Como se alguma luz vinda do céu estivesse mudando as cores da noite. Olhou para cima e seu coração pareceu parar por um segundo, pois logo em cima de seu telhado brilhava a marca negra. Olhou para a maçaneta e a girou, para entrar em casa, como que em transe. Como se não conseguisse controlar seu corpo. Toda felicidade e leveza do fim de semana na casa da amiga haviam abandonado seu corpo e alma. Deixou a torta cair no chão e o glacê com casca de limão sujou-se de vermelho. Tudo parecia sujo de vermelho. Olhou ao redor e notou que havia sangue em tudo, no chão, nas paredes, nos móveis... – Papai? Mamãe? Edmure? – perguntou com a voz trêmula. Seu pé escorregou no sangue, mas conseguiu manter-se de pé. Mais um passo e sentiu as lágrimas molharem suas bochechas – Lu-lummus... – murmurou e as luzes brilharam, iluminando o cenário de profundo terror. Levou as mão à boca ao ver dois corpos no chão. O primeiro era o corpo de uma mulher, mas não havia como reconhecer sua mãe. A pele havia sido arrancada e o corpo esfolado jazia inerte no chão. Ao lado dela estava o corpo de seu irmãozinho Edmure. Ele não estava esfolado, mas a cabeça dele não estava ali. Precisava... precisava achar a cabeça dele. – Papai? Papai? Você está ai? – perguntou desesperada, olhando ao redor, ainda procurando pela cabeça do irmão, quando encontrou uma mão. Mais adiante tinha um braço, e uma perna. O tronco estava embaixo da mesa, o restante em cima do sofá. Eram os pedaços de seu pai. Correu até a janela e vomitou, porém, assim que terminou, voltou a procurar a cabeça perdida de seu irmão. Podia imaginar como teria sido os últimos momentos deles... com seu irmão chorando, confuso, sem saber o motivo de tudo aquilo... sua mãe implorando pela vida dele... seu pai pedindo perdão por tê-los arrastado para tudo aquilo... olhou na cozinha, nos armários, no forno, no caldeirão. Lá dentro estava o elfo doméstico deles. O ignorou, pois imaginou que também estava morto. Continuou procurando pela cabeça do irmão, com o corpo trêmulo. Talvez estivesse no quarto dele. Talvez estivesse lá. Estava tão empenhada em achar que nem ligou para os estalos que escutara. Só se deu conta dos aurores quando um deles a segurou com força no braço – NÃO! NÃO! – gritou desesperada – Eu preciso ajudar o meu irmão! Eu preciso ajudar o meu irmão! Por favor! Eu preciso! Eu preciso.
—Acalme-se, menina... – disse o auror.
—Por favor! Por favor! Eu preciso ajudar o meu irmão. A cabeça dele... eu preciso achar... eu preciso achar... – mas sua visão foi enturvando a medida que as lágrimas tomavam seus olhos, enquanto era arrastada para fora de casa – POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDE!
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Rabastan mirou Rodolfo sem saber como se sentir. Ele tinha voltado com Bellatrix e os dois pareciam orgulhosos, apesar de um tanto pálidos. Seu pai tinha preparado um jantar em família, mas ele e Bella só tinham chegado muito depois da refeição e seu pai se aborrecera, mas Rodolfo não ligou.
—Nós cumprimos com nossa missão, Rabastan. – disse ele empolgado – Uma missão extremamente importante. Eu e Bella matamos os Valentine.
—Todos eles? – perguntou Rabastan se perguntando se Theo ficaria muito magoado.
—Todos. – riu Rodolfo cheio de si. Engoliu em seco. Pelo que sabia, a menina-grifo apoiava a causa puro sangue. Ela até xingara Evans uma vez... – Richard, Lisbeth e o herdeiro remelento. – riu ele olhando seu porta retratos onde mostrava ele e Theon com o uniforme do quadribol.
—E a menina?
—Que menina? – perguntou Rodolfo o olhando confuso.
—Eles tinham uma filha. – explicou Rabastan, sentado na cama – Emily... ela era a paixonite do Theo. – adicionou.
—Não tinha nenhuma garota lá. – murmurou Rodolfo – Mas não faz diferença. Quem deveria ter morrido, morreu. Se uma ratinha sobrou, vou conversar com Rookwood e ele vai dar um jeito dela perder toda e qualquer credibilidade que puder vier a ter... nós já somos praticamente donos do Ministério. – disse ele confiante – Hoje é o dia mais importante da minha vida, irmãozinho. Estou até pensando em te encomendar um sobrinho. – riu ele e Rabastan engoliu em seco, se perguntando se teria estômago pra isso um dia. Precisava ter... – Hoje é o dia em que eu me provei como Comensal.
Rabastan concordou com um aceno de cabeça e ficou conversando sobre qualquer coisa com o irmão. Quando ele foi embora, foi até o armário e pegou seu álbum de fotos. Procurou pelas fotos do natal e procurou por Emily lá. Ela não estava parecendo uma boneca naquela foto... e Theo a devorava com os olhos.
—Ela é até bonita, se for parar pra reparar... – riu com desdém – Aposto que se mata antes do fim da escola. – disse fechando o álbum e dando de ombros – Ela vai estar vulnerável. Acho que agora o Theo traça ela. – adicionou com pouco caso. Fechou os olhos, deitando a cabeça em cima das mãos, com a barriga pra cima. Acabou cochilando e sonhando com suas tarefas atrasadas de astronomia. Resmungou, acordando e se levantou para terminar de preencher seus relatórios. Apontou seu telescópio para o céu, procurando Um Leonis, ou Rasalas. Era sua estrela favorita, gostava da sonoridade da palavra. Mas acabou encontrando a constelação de gêmeos e ficou observando as estrelas, quando chegou na última, Alhena, deu de ombros e decidiu deixar pra depois. Odiava astronomia. Colocou os braços no parapeito e suspirou pensando em seu futuro – Acho que está na hora de crescer e largar de teimosia. – resmungou franzindo o cenho – Até o final do ano eu peço Kat em namoro e vou fazer dar certo, afinal... nós estamos noivos... se eu não sou capaz de lidar com uma noiva, não sirvo pra ser comensal... e se eu não conseguir virar comensal... acho que nem vale a pena me formar. – adicionou olhando para o céu – Queria que você estivesse aqui pra me dá um conselho, Mary... estou tentando até agora entender o que raios você viu na minha mão... – murmurou bufando de leve – Vance deveria ter morrido e não você... – adicionou baixinho, escondendo os olhos nos braços, sentindo-se triste. Tão triste, que se levantou, caminhou até seu armário e se escondeu lá dentro. Não para chorar, como fazia quando era criança... mas para sentir pesar. Profundo pesar, pela pequena borboleta que tinha partido...
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MARY MACDONALD
1960 — 1975

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