When We Were Young
3 Mom
Notas iniciais

MOM
HOGWARTS
1971
1th YEAR
— O que aconteceu? – perguntei chocada assim que eu entrei no dormitório masculino. Sirius estava sentando na cama tentando reprimir uma careta de dor com seu olho roxo e os meninos em volta dele.
—Um garoto do 3°ano. – respondeu James, assoprando o olho de Sirius como se isso fosse ajudar. – Sirius ficou olhando a bunda da namorada dele. – explicou, risonho. – O cara notou e socou a cara dele. – disse. Emmeline se sentou ao lado do meu primo e acariciou seus cabelos. Cheguei mais perto e segurei o queixo dele para ver seu olho lacrimejando mais de perto.
—Quem fez isso? – perguntei, fechando a expressão em meu rosto.
—Stefan Clarke. – respondeu Remus.
Desci do dormitório em passos duros e sai do Salão Comunal. Emmeline e Mary estavam logo atrás de mim e juntas encontramos o garoto do terceiro ano junto de Bella e Rodolfo Lestrange.
Eu não sabia exatamente o que iria fazer, mas quando cheguei perto e cutuquei seu ombro apenas virei um soco em seu rosto. Alcancei seu queixo, porque ele era bem mais alto do que eu, mas foi o suficiente para ele cair para trás pela surpresa.
— Não toque no meu primo! — eu disse, cruzando meus braços.
Algumas pessoas que passavam se enturmaram ali para observar. E ele agora se levantava, massageando o queixo dolorido. Eu queria socar ele novamente, mas antes que eu fizesse isso o namorado de Bella, Rodolphus me segurou pelo braço. Seu aperto era firme e o jeito que ele me olhava era estranho.
—Se acalme, Adhara. — ele me disse. Bellatrix ao lado dele gargalhava alto. Eu sabia que ela não gostava muito de mim ou de Sirius, pelo fato de sermos da Grifinória e por termos amigos mestiços e nascidos trouxas. Só que ela deve ter escutados os rumores nos corredores que um Black havia levado um soco na cara.
—Acho que minha priminha deixou muito claro o que eu estava te dizendo, não é Clarke? — ela debochou e pegou a varinha e com um movimento rápido ela lançou o feitiço estuporante que lançou Clarke para longe. — Muito bem, Adhara. — disse Bellatrix e notei só agora que Rodolphus ainda me segurava, ele me soltou e eu vi meu pulso muito vermelho. — Isso só me mostra que você é mais Black do que eu pensava.
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—Você é a melhor prima do mundo! – Sirius berrou em pleno almoço, ele riu. – Melhor que qualquer uma das minhas outras primas... Tudo mundo dizendo que você é a garota mais foda do primeiro ano, sabia? – ele falou entusiasmado. Eu sorri para ele que deu um sorriso de volta. Nossos sorriso eram parecido algo que eu já havia notado. — Mas você é incrível também, Emme.
—Eu sei que eu sou incrível. — disse Emmeline, se debruçando na mesa e piscando para ele. Ela riu, quando ele ficou a encarando de volta.
—Com certeza. – ele respondeu, sorrindo para ela.
Troquei um olhar com Mary e fizemos barulhos de beijinhos uma para outra para debochar dos dois.
—E agora ninguém mexe mais comigo. – riu Sirius travesso. — Não sei se isso tem mais a ver com você ou Bella.
—Você não se sente emasculado? – perguntou Marlene, tentando atrair a atenção de Sirius para si. Assim como Emmeline, ela estava tinha queda pelo Sirius. Eu não sabia o que era que as duas viam no meu primo. Remus me disse que Sirius contou para ele e os meninos que achava as duas muito bonitas.
—Emasculado? O que isso significa isso? – perguntou James, comendo com a boca aberta. Fiz uma careta de nojo e passei uma papel para ele se limpar.
—Emasculado. Que sofreu emasculação. – respondi, me servindo de mais purê. – Sinônimo de castrado, debilitado – continuei, me lembrando. – Característica de quem perdeu a virilidade ou desvirilizado. – falei. – Figurado: Destituído de coragem. – terminei de falar e James ficou me encarando, assim como os meninos. – O que? – perguntei a eles. – Ela está te perguntando se você se sente envergonhado pelo fato de uma garota defender você.
—Primeiro você é um super gênio ou coisa assim? Ou só engoliu um dicionário? – questionou James. – E segundo não era melhor só te falado a segunda parte?!
—Primeiro memória fotográfica. – disse e joguei um pão na cara dele. — Segundo vocês deviam saber o que é emasculado.
—Me sinto um pouco emasculado. – sussurrou. Sirius. — Vou ter que desmascular.
—Essa palavra existe? – riu Remus.
—Isso é besteira, Sirius. – falei. – É muito sexista. — adicionei, mirando Marlene. — Claro que uma garota pode te defender, não tem nada de errado nisso.
—Posso fazer uma pergunta? – Mary perguntou sugando um fio do macarrão, sem realmente prestar atenção na conversa.
—Já fez uma. – riu James.
—Ta...mas outra? – ela perguntou confusa.
—Você acabou de fazer outra.
—James, quer calar a boca? – Sirius pediu, dando um peteleco na cabeça do amigo.
—Pode falar, Mary. – disse Remus com um tom gentil.
—Porque as pessoas me chamam de Crazy Eyes? – ela questionou. — O que... tem de errado com meus olhos?
Todos ficamos calados, muito surpresos para dizer qualquer coisa para ela. Hoje seus cabelos estavam especialmente armados, mas para mim isso a fazia ficar mais bonita. E enquanto a encarávamos, ela girou os olhos daquele jeito de sempre.
— Eu sei que foi a Flint da Sonserina. Ela espalhou para todo mundo – eu disse, fazendo uma expressão sincera.
—Mirtha Flint? – ela perguntou. Todos ficaram me olhando esperando eu continuar.
—Sim. – confirmei. Mary fez um biquinho e espiou Mirtha Flint.
—Mas, nós totalmente a odiamos. – disse Emmeline, com um sorriso. Ela então se virou para os meninos. – Não, é? — ela indagou, com uma voz melodiosa.
—Odiamos ela!– concordou James.
—Completamente. – riu Sirius..
—Muito metida. – murmurou Remus.
Mary sorriu e se deu por satisfeita.
—Ainda bem que tenho amiguinhas como vocês. – ela disse e beijou minha bochecha e a de Emme e depois saiu saltitando.
—Sabe, um dia vamos ter que contar para ela. — eu disse para Emmeline.
—Minha querida, foi você que inventou. — disse Emmeline. Semi-cerrei meus olhos para ela que riu. — Vamos contar quando estivermos no quinto ano.
—Porque quinto ano? — perguntou Remus.
—Porque vamos ter quinze anos e vamos estar mais preocupadas com garotos e coisas assim. — disse Emmeline, dando de ombros. — A amiga da minha avó disse que quando eu tiver quinze anos já vou ter estourado minha cereja. — ela contou. — Seja lá o que isso significa.
—Então, no quinto ano nós vamos ter saído juntos, não é? — disse Sirius. — Estourado a cereja juntos. — ele falou. Revirei os olhos para eles. — Seja lá o que isso significa.
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—Já estamos o procurando há horas. – reclamou Emmeline. Ela se jogou em uma das camas do dormitório masculino, praticamente dormindo ao deitar.
—Devíamos falar com um professor. – James sugeriu e no momento seguinte Peter e Sirius entram correndo no dormitório.
—Remus está doente. – Peter comunicou ofegante.
—Ele foi para o St.Mungus – Sirius continuou.
—Doente? — indaguei, franzindo a testa. – Ele vai ficar bem para o Halloween?
—Não sei, mas... – Sirius parou de falar ao ver Emmeline dormindo na sua cama enrolada nas cobertas.
—Pare de encarar ela. – resmunguei e puxei ela pelo braço para que acordasse e a arrastei para nosso dormitório.
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—Você tem certeza que está bem? – gritei para Remus no meio da baderna.
—Sim. – ele respondeu na mesma altura.
—Fico feliz que tenha chegado para o Halloween – eu disse. Remus sorriu para mim.
Estávamos na festa de Halloween da Grifinória, tinha bastante Cervjea Amanteiga e eu imaginava que mais outras bebidas que McGonagall não sabia sobre, ninguém do 1° ou do 2° podia ir aquela festa e do 3° só podia os mais exclusivos, mas é claro com uma pequena ajuda da capa de invisibilidade de James nós entramos facilmente.
—Não acredito que estamos aqui. — falei.
—Não acredito que deixaram alguém como James ter uma capa de invisibilidade. – Remus riu. Eu só descobri sobre a Capa de Invisibilidade depois dos meninos, só quando James achou que eu era merecedora de saber disso.
Eu ri junto de Remus e dei um gole na minha Cerveja Amanteigada.
—Não sabia que crianças da nossa idade beijavam daquele jeito. – Remus falou e me virei vendo Sirius beijando uma garota que parecia do 2°ano. Só que era de língua e tudo mais. Parecia bastante desajeitado e eles nem estavam se tocando direito.
—Acho que eles beberam um pouco daquelas bebidas estranhas. – falei. Achei engraçado e me virei novamente para ele. Remus estava usando um suéter um pouco grande demais e tinha um sorrisinho fofo no seu rosto corado, talvez pela bebida. — Quer tentar?
—O que? – Remus perguntou, mas se calou quando eu aproximei meu rosto. Quando encostei nosso lábios ele deixou o copo quase vazio de Cerveja Amanteigada dele cair no chão. Abri os olhos e vi que Remus também estava de olhos abertos. Fechei meus olhos, pois sabia que era assim que se fazia e coloquei a minha língua para dentro da boca dele. Sua boca se abriu em resposta e nossas línguas se tocaram. Parou de ser tão estranho e eu apoiei minhas mãos em seus ombros, quando senti a mão dele em meu cotovelo, nos separamos ao escutar um grito.
—EU AMO FESTAAAAAAAAAAAAAAAS!– James gritou em cima de uma mesa, tirando a camisa e a agitando no ar. Só de olhar para ele, sabia que ele havia tomado algo a mais de Cerveja Amanteigada.
Desgrudei-me de Remus para observar mais James que caiu da mesa para o chão. Remus ainda me olhava chocado.
—Nossa. – Remus murmurou e riu de nervoso. Ele corou e bebeu da minha Cerveja Amanteigada, achei engraçada a pressa dele em tomar tudo. – Está se divertindo? – Remus perguntou tentando descontrair. Eu sorri para ele e limpei da sua boca o meu gloss rosa.
—Estou me divertindo muito.
BLACK’S HOUSE
CHRISTMAS
—Sua barriga está enorme mamãe – falei sorrindo. — Parece que passou o ano todos comendo só doces. — disse. — Bem, gorda.
—Adhara. – meu pai falou em um tom reprendedor, mas vi um sorriso discreto em seu rosto.
—Tudo bem, querido. – riu minha mãe, me olhando carinhosa. – Logo, logo seu irmãozinho vai nascer, Dahlia. — ela disse. Minha mãe especialmente gostava de me chamar pelo meu terceiro nome, afinal foi ela que escolheu aquele. — E quero que cuide dele, para sempre.
—É claro, mamãe. – respondi sorrindo e cutucando a barriga dela. Imaginava o bebê que iria sair dali e se tornar o meu irmãozinho.
—EU VOU TE MATAR, SUA PESTEEEE! – gritaram. Tia Walburga desceu as escadas praticamente correndo atrás de seu filho e gritando que nem louca.
—EU NÃO FIZ NADA! NÃO FIZ NADA, MÃE! – Sirius gritou correndo dos braços esticados de tia Walburga.
—Walburga! – tio Orion interviu, segurando o braço de tia Walburga delicadamente. – O que está acontecendo?
—Sirius está usando sapatos trouxas. Trouxas! – ela guinchou, apontando para os pés de Sirius. Meus parentes ofegaram. Para muitos aquilo era besteira, mas para as famílias do Diretório Puro – Sangue era muito importante. Para que usar sapatos trouxas se os dos bruxos eram muito melhores, provavelmente era isso que eles estavam epnsando.
—James me emprestou. Eu gosto. – Sirius se defendeu.
—James? – tio Orion perguntou, se virando para Sirius. – Potter? Filho de Fleamont? Da poção para cabelos? Isso não é grande mérito. Não deveria andar com essa gentinha.
—James não é gentinha! – falei de braços cruzados. – É meu amigo!
—Oras! Estão andando com lixo! – gritou Walburga nos olhando furiosa. – Pollux! Está vendo isso?
—Sim, irmã. – meu pai respondeu ao meu lado. Ele revirou os olhos – Na verdade não vejo mal algum em nossos filhos andarem com o menino Potter. – ele falou. – Os Potter são bem sucedidos. Tem dinheiro e sangue puro.
—Mas... – tia Walburga tentou discutir.
—Pois, bem... – tio Orion falou. – Ande com o Potter, mas se eu souber que está andando por ai com algum sangue-ruim, Sirius... Você vai ficar de castigo pelo resto da sua vida! — disse. Sirius soltou um muxoxo, se virando para subir as escadas. — E tire esses sapatos!
—TA BOM!
ஐ
Mamãe entrou em trabalho de parto três dias antes do Natal e insistiu que fossemos fazer compras juntas. O me surpreendeu é que ela quis ir em um shopping trouxa.
—Você não devia estar deitada, indo para o St.Mungus ou algo do tipo? – questionei.
Mamãe fez uma careta em meio uma contração e se apoiou em mim.
—Não. – ela respondeu. — As contrações ainda não estão muito fortes, e só vêm a cada vinte minutos. — disse. — Quando estava grávida de você e entrei em trabalho de parto, limpei a casa inteira, de cima a baixo.
—Você da trabalho até quando está tendo um bebê, mãe. – brinquei. Ela riu e apertou meu nariz.
—Você é uma espertinha, sabia? – ela falou e depois respirou fundo algumas vezes. – É o meu jeito de fazer as coisas. Agora anda não da para aparatar, então vamos pegar um ônibus.
—Como o dos trouxas? Não é melhor chamarmos o papai? – perguntei, ao ver uma careta de dor dela. Mamãe deu uma risada longa e suspirou.
—Ah, por favor! Já me basta dar à luz a este bebê. Não preciso ter de lidar com o seu pai agora também. Vamos só o chamar quando o bebê estiver a ponto de nascer. – ela proferiu. — Prefiro muito mais que você fique comigo.
Sorri feliz e segurei a mão dela. A viagem de ônibus não foi longa e passeamos pelo shopping, parando de vez em quando para mamãe se sentar, respirar fundo. Uma hora ela apertou o meu pulso tão forte que deixou marcas vermelhas, mas mesmo assim para tivemos uma manhã produtiva e muito divertida. Compramos presentes para os meus avós por parte de mãe a qual eu não via desde que eles foram fazer uma viagem pela África, só lembrava o quanto eles eram divertidos. Compramos também brinquedos para o bebê e galochas novas para mim.
—Ah, merda! – minha mão rosnou. — Desculpe Addie, vamos. – ela murmurou. — Quero comer um pedaço de torta.
Fomos comer a torta e sorri quando mamãe pediu duas grandes tortas de abóbora com creme de banana. Quando terminamos, ela acariciou o meu rosto e disse que estava pronta. Surpreendi-me quando não fomos para o St.Mungus e sim para um tipo de hospital que era o andar térreo de uma casa onde havia camas e banheiras enormes, com os aparatos médicos ficavam em um canto. A parteira hippie levou mamãe para dentro e papai já estava lá todo nervoso.
—Quer ir lá para dentro? – papai perguntou e só se podia ouvir palavrões da mamãe vindo de lá de dentro. – Se quiser posso levar você de volta para casa. – ele falou e fez caretas ao ouvir os berros da mamãe. – Pode ser que isto aqui demore um pouquinho.
Neguei com a cabeça. Mamãe precisava de mim, foi isso que ela disse.
Sentei em um dos sofás estampados com flores e peguei uma revista que tinha uns bebês recém-nascidos na capa. Comecei a ler, querendo saber mais sobre o que minha mãe estava passando.
—Música! Droga! Preciso de música. – escutei mamãe gritar.
—Temos uma trilha muito agradável dos Beatles. – falou uma das parteiras.
—Foda-se os Beatles. – mamãe gritou nervosa. Eu ri e vi meu pai nervoso.
—Calma! Está tudo sobre controle. – papai disse e colocou o punk mais pesado que eu já ouvira tocar. Papai se sentou ao meu lado por um momento e segurou minha mão. O mirei curiosa e notei que ele não usava suas vestes trouxas de costume. — Adhara, sei que isso está sendo bem confuso para você, mas tem algumas coisas sobre sua mãe e eu que você não sabe. — disse. — Nunca mostramos para você o mundo trouxa, só que eu e sua mãe conhecemos muito bem. E seus tios não podem saber disso, está bem?
—Está bem, papai.
Mamãe gritou por mim e eu entrei correndo, deixando a revista de lado e meu pai também. Mamãe estava deitada em uma cama e ela soltava uns sons guturais baixos, parecia estar em tremenda dor.
—Não tenha medo. – sussurrou ela para mim ao eu fazer uma careta quando ela gritou de dor. – As mulheres podem suportar o pior tipo de dor. Você vai descobrir isso um dia. – em seguida mamãe voltou a gritar “puta que o pariu!”
Eu li algumas coisas ao receber a notícia que minha mãe estava grávida e li que podia ser bem rápido e não durar mais de uma hora e o bebê nascia, mas mamãe já estava gritando juntos com o punk que o pai colocara para tocar a mais de três horas. Eu já tinha lido todas as revistas, até que um homem alto apareceu, se sentando ao meu lado. O olhei achando bonito, apesar de ser da idade do meu pai.
—Caraca, Addie. Você não devia estar ouvindo isso, deveria? Será que eudeveria estar ouvindo isso? – ele perguntou.
Dei de ombros, o olhando curiosa. Queria saber como que ele sabia meu nome e porque parecia tão intimo do meu pai.
—Quem é você? – perguntei.
—Sou um antigo amigo do seu pai. Henry – ele falou e se sentou ao meu lado no sofá florido. – Trouxe comida, seu pai me pediu. – ele disse e eu vi uns hambúrgueres e Ringue Cola dentro de um saco. – Eu e seu pai nos conhecemos desde antes dele se mudar para França. — contou. — É melhor eu ir embora não quero espalhar bactérias ou algo assim. – a mamãe gritou mais ainda e Henry praticamente pulou do sofá. – Quer ficar mesmo aqui? Pode vir ficar comigo e com a Willow. Ela está tomando conta de mim, pode tomar de você também – ele sugeriu. Neguei com a cabeça.
—Estou bem. A mamãe precisa de mim. E o papai está uma pilha de nervos.
—Ele já vomitou? – perguntou Henry sorrindo. – Ele vomitou quando você estava para nascer. Quase desmaiou. Não que eu esteja o criticando... mas o cara deu trabalho. Os médicos quiseram colocá-lo para fora, disseram que fariam isso caso você não nascesse dentro de meia hora. A sua mãe ficou tão nervosa que você nasceu cinco minutos depois. – Henry riu, recostando-se sobre o sofá. Ele realmente parecia ser muito próximo dos meus pais. – E foi essa a história, mas te digo uma coisa. Ele chorou feito um bebê desmamado quando você nasceu.
Eu e o Henry rimos juntos, achei ele bastante elgal.
—Essa parte já me contaram. – falei. – Você é trouxa? – perguntei.
—Um aborto.
—Aborto o que? – papai se aproximou sem fôlego. Depois de abraçar Henry ele agarrou as sacolas. – Obrigado por vir. – ele falou a Henry. – Hamburguês?
—É o jantar dos campeões. – riu Henry. Papai desembrulhou um hambúrguer, dando um abraço no seu amigo.
—Acho que estamos perto. – uma parteira apareceu, sorrindo. – Então é melhor jantar depois e voltar para cá.
Henry praticamente saiu voando pela porta da frente. E eu e papai entramos na sala onde mamãe estava ofegante.
—Você quer assistir? – a parteira perguntou ao meu pai, que assentiu mesmo que estivesse com o rosto verde. Papai se postou ao lado da mamãe segurando a mão dela.
Ninguém perguntou se eu queria assistir, mas fui para o lado da mamãe do mesmo jeito. Eu vi tudo e achei muito nojento tinha sangue e gritaria. E certamente nunca tinha visto a minha mãe naquela posição. A parteira animava minha mãe, mas minha mãe só respondia com berros.
Quando Teddy escorregou para fora ele ficou com o rosto voltado para cima então a primeira pessoa que ele viu foi eu. Ele não chegou berrando como eu li que os bebes faziam. Ele ficou em silêncio me olhando com os olhos cinzentos esbugalhados. Ele continuou me olhando enquanto a parteira fazia sucção pelo nariz dele.
A parteira colocou Teddy sobre a barriga de mamãe
—Você quer cortar o cordão umbilical? – ela perguntou ao papai que ergueu as mãos respondendo que não.
—Eu faço isso. – falei. A parteira segurou o cordão e mostrou onde eu tinha que cortar. Teddy continuou quietinho, com seus olhos cinzentos ainda arregalados me encarando.
Quando ficamos a sós mamãe disse que Teddy achou que eu era a mãe dele, porque foi eu que ele viu pela primeira vez e porque foi eu que cortou o cordão umbilical.
—É como acontece com os gansos que nascem. – brincou mamãe. – Eles guardam a imagem do veterinário, não da mamãe gansa, porque é o veterinário que eles veem logo quando os ovos se quebram e eles saem.
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