When We Were Young

137 It's a Hard Life


Notas iniciais
HELLOOOOOOOOO CHANELS! ME PERDOEM! ME PERDOEM POR ESSA DEMORA! Foi muito difícil escrever esse capítulo porque eu simplesmente estava sem inspiração nenhuma, mas antes disso meu computador quebrou! Não conseguia escrever de jeito nenhum. E gente, esse capítulo está sendo postado as pressas, acabei de terminar ele e não tive tempo nenhum de reler e melhorar algumas cenas ou corrigir erro, poque meu primo sofreu um acidente e devo ir viajar pra ver como ele tá e não levarei meu computador. O estado dele está grave não tenho como escrever nada agora. Esse é um capítulo "E se..." tipo como tudo seria se algo não tivesse acontecido. Agora fiquem com o capítulo! ENJOY ♥

IT’S A HARD LIFE

HOGWARTS

1975

Adhara Black e Mary MacDonald corriam chegando cada vez mais perto do Castelo. A cabeça de Adhara latejava de dor e seu corpo parecia estar cada vez mais fraco, mas ela se concentrava na amiga que felizmente não tinha machucados pelo corpo. Adhara tropeçou em um tronco caído e Mary gritou indo ajudá-la, foi quando as duas vira Francesca Johannink lutando contra um comensal, o presente de Remus apertado contra o peito dela. Ela estava quase sendo derrotada, então Mary com a varinha em mãos estuporou o comensal. Francesca se virou para nós e Adhara estendeu sua mão para que ela viesse junto delas. Ela sorriu, com lágrimas nos olhos e quando sua mão estava quase segurando a de Adhara ela viu um Comensal apontando a varinha para as costas de Francesca. Adhara apontou a varinha para o Comensal pensando o mais rápido que pudesse que petrificou o Comensal. Francesca e Mary gritaram olhando para trás ofegantes.

—Merlin! Obrigada! — disse Francesca.

—Temos que ir! — lembrou Mary. As três ficaram o mais juntas possível, mas com as varinhas em mãos era difícil ficarem de mãos dadas. Adhara corria na liderança tentando não pensar nas mãos grotescas de Rodolphus em seu corpo. Viu que Francesca se afastou das duas parecendo ir ajudar alguém e logo a perderam de vista mesmo que Mary continuassem gritando o nome da corvina quando Adhara a puxou pela mão para continuar a correr.

Enxergaram o Castelo e sorriram aliviada. Adhara passou a mão pelo rosto cheio de sangue e viu a amiga sorrir também. Tinham muitos professores ajudando os alunos entrarem no Castelo

—Vamos conseguir, Mary. – sorriu Adhara. – Vamos conseguir. – falou, desacelerando o passo um pouco porque os Comensais não estavam assim tão perto do Castelo. Elas viram vindo atrás delas Francesca junto de Samuel Spinnet e Connor Falahee eles pareciam muito assustados.

Quando passaram pelo arco de entrada Adhara e Mary se deixaram suspirarem aliviadas, mas assim que pisaram na entrada ouviram um estrondo e pedaços do teto caíram sobre elas. Alunos que também estava lá gritaram e Adhara caiu para o lado sentindo sua mão soltar da de Mary.

Quando ela abriu os olhos parecia que tinha passado horas dormindo. Seu rosto estava colado no chão e ela tentou se erguer e gritou de dor quando notou que seu pulso estava torcido. Conseguiu se sentar, juntando a mão quebrada contra o peito e sentindo uma dor na testa. Sua varinha estava perto e ela se esticou até conseguir pegar para tirar um pedaço de uma pedra quando de cima da sua perna.

Escutou gritos e pela fuligem viu as pessoas se erguendo. E gritando. Aparentemente um feitiço dos comensais tinha passado pelo professores e atingido com tudo o teto que desabou sobre os alunos.

Samuel se erguia empurrando umas pedras e a mirando. Ele se ergueu aparentemente bem, mas mancando levemente e veio até ela

—Addie, você está bem? – ele perguntou a ajudando a se erguer. O irmão da Francesca correu até Jace Meyer para ajudá-lo já que sua irmã já estava em pé, parecendo ter conseguido desviar do desabamento.

—Onde está a Mary? – perguntei não a vendo se reerguer como os outros. – MARY!

—Calma, Addie. – Samuel murmurou, tentando A fazer olhá-lo. – Vamos…

—Addie! — se viraram para o grito de Mary. Ela estava com a cabeça sangrando ao lado de Connor que estava deitado em baixo de um grande pedaço do teto.

Adhara correu até a amiga a abraçando com tudo. Mary a abraçou de volta, apesar de segurar a mão de Connor também.

—Senhorita Black! Senhorita MacDonald!— escutaram a Professora McGonagall chamar. Ela apareceu com o coque todo desarrumado, fuligem sobre as vestes e com alguns ferimentos.

—Connor!— falou Mary.- Precisa ajudar ele! – disse depressa.

—Se acalme, MacDonald. — sorriu Connor apesar de um pouco branco. — Eu vou ficar bem.

—Fiquem calmos e sigam os alunos para o Salão Principal. Lá tem três professores que estão cuidando dos alunos com ferimentos mais leves, casos como o do sr. Falahee vão para a Ala Hospitalar.

—Porque eu não posso ir para lá também? – perguntou, sem soltar a mão de Connor. Adhara franziu a testa, mas já estava acostumada com como sua amiga era boa com os outros.

—A Ala Hospitalar já está lotada. – ela murmurou, olhando para o corredor cheio de alunos machucados, os piores deitados em macas. – Você confia em mim? – ela perguntou. Marry assentiu.— Então acredite que eu vou tirar Connor daqui e ele vai ficar bem.

Samuel puxou Adhara que mancava e Mary vinha atrás. Adhara suspirou mancando dolorosamente. Seu corpo todo parecia pulsar de dor. Mary foi para o lado da amiga e segurou a mão dela para ajudá-la a andar.

—Connor me salvou. — ela contou. — Ele me puxou quando o teto caiu e… por isso ele está na Ala Hospitalar agora… ele não estava onde tinha caído e…

—Mary...

—Eu sei. — disse. — Vai ficar tudo bem, amiguinha. — ela sorriu apesar de não parecer muito feliz. — Vamos ficar bem.

Adhara sorriu. Sentiu uma tontura e colocou a mão na cabeça que parecia pesada. Escutaram passos atrás deles apressados e até viraram para trás um pouco assustados, mas era apenas Francesca indo até eles.

—Ahn… — ela murmurou e passou a mão pelo rosto parecendo muito cansada. — Acho que Connor vai ficar bem. — ela murmurou.

—Se você não tivesse aparecido lá, ele iria morrer, Francesca. — disse Samuel. Ela sorriu de lado.

—E se não fosse por Addie eu não teria. — ela disse e mirou a loira com um sorriso ainda no rosto. — Obrigada.

—Tudo vai ficar bem. — garantiu Adhara. — Por agora, pelo menos.

Voltaram a andar e Adhara sentia mais dor a cada passo. As portas do Salão Principal estavam entre abertas, e as pessoas começaram a andar mais depressa para chegar logo. Mas Adhara e Samuel continuaram mancando sendo ajudado por Mary e Francesca.

Adhara virou seu rosto para Mary. Sua amiga poderia ter morrido há alguns minutos. Ela estaria morta se Connor não tivesse puxado ela para fora do lugar. Uma sensação ruim se apoderou de Adhara que pensava como seria um mundo sem Mary nele. Isso a fez apertar mais a mão da amiga como se temesse que a amiga fosse desaparecer a qualquer segundo. Sentiu seu coração bombear forte e sua cabeça doer como o inferno. Baixou os olhos para que ninguém visse uma lágrima escorrendo pelo seu rosto.

Chegaram às portas do Salão Principal e a Professora Merrythought os olhou chocada, principalmente Adhara. Todo mundo estava lá. Todos que ficaram em Hogwarts tinham sido mandados para o Salão Principal para ficarem juntos. Mirou para mesa da Grifinória e viu Emmeline chorando e soluçando, abraçando Remus, que a olhou cheio de preocupação. Viu Peter com as mãos na cabeça e Dimitre tentando consolá-lo. E em frente a eles James e Sirius. James a olhava com os olhos arregalados e preocupados. E Sirius com lágrimas nos olhos, cheio de dor e desespero.

Adhara desviou o olhar, se deixando ser levada para uma cadeira esutando Mary gritar o nome de Peter. A Professora Merrythought começou a a limpar e cuidar dos machucados. Virou o olhar do chão para a mesa do lado que era da Sonserina. Adam a encarou, os olhos esbugalhados, conseguiu ler na sua boca, ele a perguntando se eu estava bem. Adhara sorriu. Nada estava bem, mas pelo menos Mary estava ao seu lado sorrindo para Peter. Adhara, então, olhou Rabastan, mas assim que seus olhares se bateram desviou o olhar, se lembrando de Rodolphus e do modo como ele a tocou e a machucou.

Quando a Professora Merrythought terminou Adhara tinha bandagens em volta da cabeça que cobriam a parte de trás machucada e a sua testa. Ela tinha colocado bandagens mais fortes em seu braço que por sorte tinha torcido, então ela não precisaria o colocar no lugar. Tinha mais bandagens em volta de sua coxa. Ela a levantou e a levou até seus amigos, a colocando entre Sirius e James, para depois ir correndo ajudar Mary que não parava de tagarelar. Adhara achava que ela estava em algum tipo de choque.

Adhara sentiu todos a olhando e ergueu seu olhar para Emmeline que chorava. Os olhos vermelhos e a boca aberta aos soluços.

—Addie. – ela chorou.

—Mary quase morreu.— disse para ela. – Eu fiquei tão assustada… e se ela tivesse morrido?

Sirius tocou a mão de sua prima com cuidado. Ele a tocou no meu cabelo e depois a nuca dela a puxando para um abraço apertado.

—Eu fiquei tão preocupado. Você não sabe o quão preocupado eu fiquei. – ele murmurou, tentando não falar muito alto.

—Você pode chorar, Sirius, ‘tá tudo bem. — disse Mary se sentando ao lado de Adhara e James que a abraçou. Ela sorriu para os amigos. — Eu poderia ter morrido… acreditam nisso?

—Emily Lisbeth Valentine! O que significa isso?! – rosnou ele quase esfregando a carta em seu nariz. Encolheu, assustada, sem entender o motivo de seu pai estar tão furioso por conta de um papel.

Emily estava até acostumada com o jeito de seu pai, mas estar acostumada não deixava de continuar sendo insuportável. Ela só queria ir para a casa de Dorcas o mais rápido possível.

—Rick! Modos! – ralhou sua mãe e seu pai a olhou ainda extremamente furioso.

—Modos? MODOS?! – rosnou ele – Você pode me explicar quem é Remus Lupin e Theodore Nott? – perguntou ele a olhando e Emily piscou ainda mais confusa – Por que esses dois rapazes escreveram pra você e uma das cartas não foi nada comportada! Posso saber o que Theodore Nott quer fazer com você dentro de um armário de vassouras novamente, hein?! – rosnou ele e Emily se perguntou se Nott podia ser tão imbecil a ponto de escrever aquilo em uma carta. Mas todos aqueles anos fingindo ser uma bonequinha serviram de alguma coisa, no fim das contas.

—Papai. Remus Lupin é um garoto do meu ano, da Grifinória. Theo Nott é um amigo de Katherine Greengrass. Receio que não faço ideia do que ele pode querer fazer novamente num armário comigo, já que eu nunca entrei num armário de vassouras. – disse com seu tom de voz típico. Seu pai respirou fundo, apertando os lábios.

—Está dizendo que foi algum tipo de pegadinha?

—Provavelmente. É algo que os garotos da Sonserina veriam como brincadeira. – disse sem vacilar.

—Os Nott não gostam de você. Talvez queiram desmoralizar nossa filha. – sugeriu sua mãe. Como se alguém fosse perder tempo comigo...

—Virtus. – disse seu pai, ainda desconfiado e Emily simplesmente suspirou. Seu corpo brilhou numa aura pura e seus pais pareceram aliviados – Bem... e quem é Remus Lupin? Por que ele está te chamando pra sair? Ele não sabe que você está noiva?

—Ele é meu amigo, pai. – respondeu, sentindo muita raiva. Ele vai começar a ler minha correspondência agora? Isso é ridículo! – Provavelmente precisa conversar com alguém. A namorada dele quase morreu naquele ataque em Hosmeade e depois ela terminou com ele...

—Então, ele está querendo conforto em você… é isso?– ele rugiu. Emily arregalou os olhos. — Você não pode sair... já está se arriscando muito, indo pra casa dos Meadowes. Talvez você devesse passar as férias inteiras aqui e fazer suas aulas de etiqueta para aprender a não se meter com garotos como Remus Lupin!

Aquilo seria o inferno.

—Oh, papai, por favor! Dorcas iria me ajudar com as aulas de etiqueta. Ela também vai participar do curso para moças! – disse desesperada com a possibilidade de não poder sair. Se dependesse de si, nunca mais voltaria a pisar naquele inferno que chamava de casa.

—Richard. Emily precisa muito desse curso, para poder se tornar uma dama de classe da alta sociedade. Se ela ficar agindo como uma louca sem modos, pode até prejudicar sua carreira política. Os Meadowes são uma boa referência pra ela. – disse sua mãe, calmamente, como se nem estivesse falando de algo importante, como se tudo aquilo a entediasse. Seu pai cruzou os braços, pensando a respeito e bufou.

—Não… Emily vai ficar em casa.— resmungou simplesmente e sua mãe a olhou discretamente como se quisesse dizer que tentaria dar um jeito. Emily fechou os olhos triste e fechou a porta quando os pais saíram. Se sentou em frente ao espelho e começou a sonhar em como seria seu fim de semana se fosse para a casa de Dorcas.Escreveria para Remus de lá... e pediria para que ele escrevesse de volta com algum nome de garota. Assim seu pai não iria implicar. Mas nada disso daria certo porque ela ficaria presa dentro daquela casa.

O fim de semana passou lentamente e dolorosamente. Sua mãe não conseguiu fazer seu pai mudar de ideia que reclamou o fim de semana inteiro de Remus Lupin e ficou a alertando do perigo que garotos trariam para a vida dela. Dorcas a mandou várias cartas para que ela não se sentisse sozinha enquanto via seu irmão mais novo poder fazer o que quisesse diferente dela quando tinha a idade dele. O fim de semana já havia acabado e agora Emily tentava convencer seu pai de deixá-la ir no próximo fim de semana para a casa de Dorcas e até queimou a carta de Remus na lareira, mas nada funcionou e quando ela continuou insistindo seu pai a mandou direto para o quarto enquanto a família continuava reunida em volta da lareira.

Emily se sentou a beirada da janela sentindo-se triste. Amava seus pais e seu irmãozinho, mas as vezes imaginava como seria se tivesse uma família diferente que não a tratasse como um objeto a ser consertado a todo momento. Sua garganta queimava em vontade de sair gritando pela porta e dizer adeus sem olhar para trás para ver seus olhares reprovadores de sempre. Ela suspirou e mirou a lua no céu, pensou em Remus que provavelmente estava se perguntando porque ela não respondeu sua carta, pensou em Hogwarts onde podia ser ela mesma.

Virou seu rosto e viu uma foto colada em cima de sua cama assim como outras fotos. Ela estava junto de Mary, Emmeline e Adhara na cama da francesa quando foram passar o Natal na França. Elas riam juntas e Emily sentiu falta delas, pensou que talvez deveria ir falar alguma coisa para elas, deveria tentar se desculpar pelo aconteceu no dormitório no dia em que chamou Lily Evans de sangue-ruim. Pensava em suas amigas quando escutou um barulho vindo de fora da sua casa ela apertou os olhos para a escuridão e conseguiu ver ao longe na rua quando passaram embaixo de poste de luz já que moravam em um bairro metade bruxo e metade trouxa para que seu pai mostrasse ao Ministério como era livre de preconceitos. Ela viu um grupo de Comensais da Morte andando em suas capas pretas e mascarás assustadoras em direção a sua casa.

—Comensais da Morte. — sussurrou e arregalou os olhos e pegou sua varinha descendo as escadas para o andar debaixo rapidamente. Sua família reunida em volta da lareira estava completamente cega para os vultos fora de casa. Seriam totalmente pegos de surpresa. — Papai! Comensais da Morte! — gritou desesperada já que seu pai estava sentado relaxado na poltrona, mas isso o fez levantar em um pulo.

—Rápido! Para a chave de portal. — ele disse, enquanto sua mãe assustada pegava seu irmão no colo. Seu pai a empurrou de volta para as escadas depressa. Emily não sabia como os Comensais haviam conseguido achar sua casa, talvez algum dos amigos de seu pai havia o traído. Eles entraram no quarto do casal e ouviram a porta sendo arrombada no andar debaixo.

—Merlin! — gritou sua mãe. — Rápido, Rick! — ela pediu desesperada.

Emily parou de olhar para a porta do quarto aberta e foi trancar rapidamente, lançando um feitiço para trancar não dando a miníma que seu pai não gostasse que ela fizesse magia fora da escola. Ela se virou para olhá-lo que apontava a varinha para um quadro em cima da cama. O quadro se moveu e revelou um livro antigo dentro da parede.

—Todos toquem ao mesmo tempo! — disse seu pai. — Agora! — berrou quando a porta do quarto também foi arrombada.

A última coisa que Emily viu antes de aparatar na chave de portal foi um feitiço verde sendo lançando em sua direção.

LARGO GRIMMAULD

1975

CHRISTIMAS

Sirius Black mirou a carta que tinha em mãos, mas não sentia vontade nenhuma de responder Frank Longbottom sobre os sentimentos que ele ainda sentia por Alice Soto mesmo que estivesse namorando Hellena Halfman desde que ela sobreviveu por pouco a um ataque de Comensais da Morte em um hospital trouxa. Ele podia ver claramente daqui a algumas semanas talvez até alguns meses Frank terminando com Hellena e em seguida voltando a correr atrás de Alice porque era ela quem ele sempre quis.

Estava deitado na cama que um dia fora de Adhara quando ela ainda morava no Largo Grimmauld e mirou as constelações que brilhavam no teto. Ele notou como era fácil entender os sentimentos de outras pessoas, mas tão confusa conseguir compreender o que sentia dentro de si. Como ele poderia amar Emmeline de verdade se a fazia sofrer quando estavam juntos? Quando ele não havia nem conseguido ir no enterro de sua mãe? Como ele poderia amar Dimitre de verdade se agora ele sentia tantas coisas quando via Elladora sorrir para ele quando os dois deitavam no tapete do pequeno apartamento dela. Ele amava algum deles ou era tudo uma grande paixão desenfreada?

Sirius sentia uma vontade imensa de ficar deitado naquela cama e apenas sair quando desse a hora que havia combinado de ir ver Elladora, queria se preparar mentalmente para tudo que planejava dizer a ela, como ela o deixava confuso e como ele sentia vontade de dizer que a amava. Um barulho alto passou pela porta fechada do quarto antigo de Adhara e Sirius sentia vontade de ignorar, mas algo o fez se levantar e abrir a porta para encontrar seu irmão mais novo de olhos arregalados a boca sangrando de mordidas e mãos suando.

—Regulus… — Sirius murmurou confuso.

—Vou para o meu quarto. — ele disse. Sirius o agarrou pelo braço antes que ele saísse e notou que seu irmão não conseguia o olhar nos olhos.

—O que aconteceu? — indagou, mas seu continuou sem olhá-lo. — Regulus, me conte agora o que aconteceu.

—Eu… — a voz dele tremeu. -… eu contei Bella sobre sua namorada trouxa. — ele disparou e ofegou depois. Seus olhos se ergueram para Sirius. — Ela quer matá-la… para te ensinar uma lição… disse que vai assim que anoitecer… — isso bastou para Sirius pegar sua varinha do bolso da calça e sair correndo escada abaixo. — Eu sinto muito! — escutou seu irmão gritar, mas Sirius não tinha tempo para lidar com seu irmão agora. Já estava quase escurecendo e Bellatrix podia simplesmente aparatar perto do bar coisa que ele não podia fazer.

Sirius conseguia escutar o vento da noite fria e cheia de neve daquele fim de ano em sua orelha a medida que corria cada vez mais rápido em direção a casa de Elladora na vez que podia ser a última em que a via viva. Quando estava chegando mais perto o céu começou a ficar cada vez mais escuro, porém Sirius não desistiu quando chegou em frente ao bar sacou sua varinha sem medo de receber uma carta de Ministério e lançou um Incendio pela janela. Todos saíram do bar gritando pelo fogo e Sirius entrou depressa e correu par ao andar de cima. Nada importava quando ele arrombou a porta de Elladora. A escutou gritar lá dentro.

—Sirius! Que porra é essa? — ela berrou quando o encontrou na sala.

—Você precisa sair daqui! — ele pediu atormentado. A agarrou pelos cotovelos. — Você está em perigo.

—E você soando como um louco…

—Você me ama? — ele indagou temeroso. Elladora abriu a boca sem saber o que falar, mas então assentiu.

—Sim. — murmurou.

—E você confia em mim? — perguntou sentindo um calor gostoso em seu peito que quase alastrou pelo sentimento frio do resto do seu corpo.

—Sim, Sirius, mas… nos conhecemos...

—Pouco tempo, eu sei. — ele disse. — Qual é o seu nome?

—Você sabe meu nome. — ela sussurrou de volta.

—Dora…

—Elladora Flores.

Sirius a puxou para um beijo, saboreando aqueles lábios e não querendo desgrudar nunca, mas se separou e sorriu para ela.

— Eu te amo também. — murmurou e pegou sua varinha que havia guardado quando a encontrou na sala. — Adeus, Dora.

—Sirius…

Obliviate.

Sirius estava parado em frente ao bar vazio quando Bellatrix aparatou em frente junto de Rodolphus. Os dois tiraram as máscaras de Comensais quando viram o grifinório parado em frente ao bar.

—Não tem ninguém aqui, Bella. — ele disse e sentiu uma lágrima escorrendo pelo rosto. — Nunca mais vai ter ninguém aqui para mim. — prometeu. Bellatrix cruzou os braços e acenou para Rodolphus que entrou no bar para checar se realmente não havia ninguém lá.

—O que você fez, priminho? — indagou Bella.

—Eu a tirei da minha vida para sempre.

ADDIE’S HOUSE

1976

Adhara mirou o anel de noivado em seu dedo enquanto esperava seus pais saírem de casa. Ela viu Adam vindo em direção a ela pronto para sair também e ele sorria, mas Adhara sabia que os dois não estavam tão felizes assim. Tudo estava complicado demais com a ida dela para a Academia Rise no verão e que no final também teria que deixar todos os seus amigos. Teria que deixar os meninos, teria que deixar Remus.

—Obrigada por vir. — falou no carro para Adam. Adhara estava sentada no meio dele e de Teddy, e seus pais nos bancos da frente. Já havia ligado para Emmeline, para dizer que pegaria ela e ela agradeceu dizendo que já ficaria pronta quando eles chegassem.

Adam sorriu para sua noiva. Ele estava usando uma calça jeans clara, a barra da calça dobrada, All Star pretos, e camisa preta toda estampada com dizeres punk rock. Ele estava lindo como sempre.

—Quero aproveitar enquanto você ainda está aqui. — ele murmurou e a beijou no canto dos lábios.

—Te amo. — sussurrou no ouvido dele.

—Te amo. — ele falou de volta a beijando propriamente até Teddy fazê-los separarem.

Adhara já sentia saudades de Adam mesmo ele estando ao seu lado, já sentia saudades de Sirius como ele sentia falta de Elladora, ele havia contado para ela e James o que aconteceu depois de ter dado um soco na cara de Amycus Carrow.

Ela pensou em Remus quando deitou sua cabeça no ombro de Adam em como Mary havia lhe mandado uma carta lembrando do que havia acontecido na fádica noite em que Remus e Emily terminaram por que ele havia beijado Adhara. Só que ela não conseguia entender esse fascínio todo que Mary sempre teve com ela e Remus, quando Emmeline e todo mundo deixava de lado a amizade forte que eles tinham, Mary sempre estava comentando como não parecia uma simples amizade.

Adahra se distraiu quando sua mãe fez se pai voltar para casa para pegar algo que ela havia esquecido. Quando seu pai abriu a porta, ela olhou para frente e pelo vidro do carro, viu um vulto preto passar por trás de uma árvore e depois os arbustos se mexeram. Aquilo a fez franzir a testa, mas poderia ser apenas um cachorro grande passando, só que por alguma razão, ela se lembrou da carta que havia recebido de Tia Walburga, furiosa sobre seu noivado com Adam e outra de Bellatrix dizendo que iria a queimar da tapeçaria. Adhara não contou para os seus pais sobre nenhuma dessas cartas.

Seu pai entrou no carro e se pôs diante do volante, mas antes que ele girasse a chave na ignição Adhara quis sair do carro.

—Espera! — pediu Adhara. Seus pais a miraram, mas ela apenas se virou para Adam. — Preciso conversar com você.

—O que? Não pode esperar…

—Vamos, Adam. — pediu Adhara o empurrando para fora do carro. Eles se afastaram até que os pais dela e Teddy que espiava pela janela não pudesse ouvir.

—O que foi, Addie? — ele perguntou tocando no rosto dela. Adhara deitou no toque, seu namorado era sempre tão carinhoso.

—Eu venho pensando sobre…. Remus.

—E o que tem ele? — Adam quis saber, franzindo a testa.

—Mary vem dizendo tanto que… me deixa confusa e…

—Que ele provavelmente te ama? — indagou Adam. Adhara piscou confusa porque aparentemente todo mundo sabia sobre os sentimentos de Remus mais que o próprio e ela.

—Sim.

—Bem, eu sei que vocês serão amigos para sempre, mas esse sentimento dele vai passar, Addie, é só uma paixão de criança que ele nunca superou. — riu Adam e dessa vez Adhara franziu a testa. Ele parecia tão certo dos sentimentos de Remus por ela. — E Mary ela só ama todo mundo, certo? Ela quer ver Remus feliz e ele não conseguiu ser feliz com a Valentine e agora ela está tentando o fazer feliz novamente.

—Faz sentindo. — Adhara murmurou apesar de ainda estar muito confusa. Se Adam e Mary estavam tão certos dos sentimentos de Remus por ela porque o mesmo nunca falou nada? Eles eram melhores amigos desde o momento em que se viram. Adhara sentia por ele algo completamente diferente do que sentia por Emmeline ou Mary.

—Você me ama, certo? — perguntou Adam a mirando com atenção. Adhara assentiu pensando em porque os seus sentimentos por Remus eram diferentes dos que sentia pelas suas amigas.

—É claro que eu amo você.

—Então, tudo vai fi…

—Adhara! — escutaram o grito do seu pai porque apontando a varinha para ela a apenas alguns metros de distância estava Bellatrix com a pior das caras.

—Mas que demora! — ela debochou e depois riu. — Eu queria acabar com vocês todos de uma vez, mas vocês demoraram tanto tempo para entrar nessa monstruosidade trouxa que…

—Bellatrix… — começou seu pai que havia saído do carro. A mãe de Adhara estava do outro lado do carro com a sobre a barriga e segurando a mão de Teddy com a outra.

—O que foi, titio? — indagou Bellatrix virando a cabeça para ele. — Acha que eu deixaria Adhara desgraçar a família como você fez? Se casando com um puro-sangue sujo como esse! — gritou apontando para Adam.

—Nós somos quatro bruxos aqui, Bellatrix e você está sozinha. — disse Adhara apontando sua varinha de volta para prima. — Vá embora!

—Eu sou melhor que todos…

—Seu Lorde vai ficar feliz com o assassinato em massa de 5 puro-sangues? — quis saber Adam. — Porque se está aqui sozinha é porque não pediu para ele, não é?

—São traidores! — berrou Bellatrix raivosa e lançou um feitiço vermelho em direção a Adhara que se protegeu rapidamente.

—Saia de perto da minha filha! — berrou sua mãe saindo de trás do carro com a varinha em mãos.

—Mãe! — Adhara se intrometeu entrando no duelo entre as duas, mas ela estava certa. Eram quatro bruxos contra apenas Bellatrix, os quatro começaram a lançar feitiços de ataque em direção a ela que tinha mais tempo para defender do que atacar de volta.

—Vá embora! — mandou o pai de Adhara se postando na frente de todos. Bellatrix rugiu e lançou uma rajada forte contra ele antes de aparatar com a pior das caras.

—Papai! — gritou Teddy quando seu pai atingiu o chão. Sua mãe foi até ele também correndo.

—Ele está vivo! Ele está vivo!

—Não acredito que vocês quase morreram. — disse Emmeline com a mão no peito.

Todos os seus amigos haviam ido para a casa de Adhara após saber do que havia acontecido entre eles e Bellatrix. Adhara ainda estava assustada com a possibilidade de Bellatrix os atacar quando estivessem no carro e indefesos. Imaginava o pior que poderia acontecer, seus pais mortos, Adam morto, seu irmãozinho e sua irmãzinha que ainda nem havia nascido.

Sua mãe estava ainda assustada e muito irritada sentada no sofá com copo de água com açúcar na mão para tentar se acalmar do susto que tomaram. Sua mão ficava em cima de sua barriga com medo por seu bebê. O pai de Adhara a abraçava pelo ombro enquanto conversavam com a avó de Adam que chorava baixinho por medo do neto.

—Bella é completamente louca. — disse Sirius de braços cruzados e um olhar sombrio. — Ela mataria qualquer um sem nem pensar duas vezes. — falou com toda certeza.

A campainha tocou e o pai de Adhara foi atender quando a mãe dela deu um pulo com o susto. Mary entrou na casa e abraçou o pai de Adhara com força.

Adhara franziu a testa e mirou Peter na cozinha comendo um cereal junto de James e depois voltou a olhar para Mary que ia abraçar sua mãe e Adam que estava ao lado da avó.

—Mary não ia passar as férias com Peter? — quis saber. Emmeline mirou de lado a amiga.

—Eles estão em crise. — contou. — Ela terminou com ele. — disse fazendo uma cara engraçada. Adhara, Emmeline e Sirius viraram as cabeças ao mesmo tempo para olhar Peter que mirava Mary com uma expressão de raiva e comia seu cereal com agressividade.

—Porque? — Sirius quisa saber.

—Porque ele tem um ciúme enlouquecido pelo Connor Falahee e a amizade que os dois têm. — ela disse. Adhara se lembrava de ter parado de ficar com Connor um tempo depois do ataque a Hogsmeade em que os dois conseguiram sobreviver, mas mesmo que eles não tivessem mais nada isso não impediu Mary de criar uma amizade pelo lufano desde que ele ajudou a salvar a vida dela. Os dois conversavam o tempo inteiro e isso enfurecia o pequeno ego de Peter.

—Amiguinha! — Mary sorriu quando Adhara parou de conversar com sua mãe e correu até e amiga a abraçando. — Estou tão feliz que você está bem. — disse. — Cadê Emily?

—Acha que o pai dela iria deixá-la vir depois de saber que sofremos um ataque? — disse Adhara. Ela e Emily se resolveram logo no começo do quinto ano, depois de Adhara quase ter morrido no ataque a Hogsmeade e Emily quase ter morrido um tempo depois a um ataque que aconteceu na casa dela as duas resolveram esquecer o que havia acontecido e voltaram a ser amigas aos poucos.

—Que peninha, já estou com sauda…. — ela dizia, mas seu olhar se perdeu em Peter que e encarava mesmo com James tentando fazer ele parar. — … argh, ele já está aqui. — ela soltou um muxoxo. — É difícil dar um tempo do seu namorado se ele está em todo lugar.

—Quebrando corações da direita a esquerda, Mary. — disse Sirius. Mary revirou os olhos para ele com um sorriso no rosto.

—E você? O que foi aquilo com Dimitre? — indagou Mary. Sirius bufou e saiu de perto só que ela o seguiu reclamando. Adhara e Emmeline sorriam. Mary sempre fazia isso, ela conseguia ver coisas que os outros não conseguiam e os importunavam até que eles vissem também.

—Adhara! — a porta de sua casa se abriu.

A loira virou-se para a porta e viu Remus com a mão na maçaneta. Seu pai estava do lado de fora conversando com alguns vizinhos e Remus tinha o rosto em uma cara de pânico. Antes que ela pudesse falar qualquer coisa Remus havia entrado como um furação e seus braços haviam abraçado a cintura dela. O abraço era tão forte que doeu de um jeito bom. Os braços de Adhara abraçaram o pescoço de Remus de volta.

Ela não sabia quanto tempo ficaram naquele abraço, parecia que havia sido horas, mas talvez tivesse sido apenas alguns poucos segundos em que o mundo se concentrou naquele abraço naquela sala entre os dois.

—Remus… — ela murmurou quando se soltaram vagarosamente.

—Eu fiquei tão assutado quando achei que você poderia ter morrido. — ele contou. Os olhos âmbares em um tom triste. — Merda, Addie, eu vou sentir tanta sua falta quando você for para a América. — ele disse. Adhara o mirava pelos cílios longos.

—Porque?

—Você sabe porque. — ele disse. Aquelas palavras pareciam ter tantos significados. — Você é a minha melhor amiga. — murmurou. Mesmo depois daquilo as palavras dele pareciam ter outro sentindo e quando ela o abraçou mais uma vez e viu que Adam a mirava assim como Mary ela entendeu.

Entendeu o que as palavras de Remus realmente significavam.

HOGWARTS

1976

—Eu peguei você fodendo Bethany Toots em um Armário de Vassouras, Peter. — gritou Mary no meio do Salão Comunal depois do banquete de Halloween.

Adhara e Emmeline se entreolharam sentadas nos sofás perto da lareira nunca haviam visto Mary tão irritada quanto naquele momento. Seus amigos também estavam lá. Frank já dizendo como estava sentindo falta de Alice para Emily que não parecia escutar direito desenhando em seu caderno o rosto de Rabastan Lestrange naquela noite quando ele a olhou da Mesa da Sonserina e piscou para ela.

Sirius estava sentado na poltrona com Marlene sentada em seu colo dando beijinho em seu pescoço que faziam os dois soltarem risadinhas de vez em quando.E Dorcas estava olhando Marlene de lado irritada com as risadinhas que a amiga soltava. James como uma viúva negra tentava manter o olho em seu sonho de consumo Lily Evans que parecia desconfortável com a briga que acontecia e o também em Mary e Peter. Dimitre sentado aos pés de Lily parecia um pouco entediado com a briga dos namorados, afinal sempre foi comum que mesmo que eles namorassem desde o quarto ano tivessem duas fases, tinha vez que eles passavam meses sem nenhuma briga e depois tinha meses seguidos em que não suportavam um ao outro e viviam brigando pelos cantos.

—Achei que tivéssemos terminado! — ele berrou de volta.

—Nós estávamos só dando um tempo!

—Por cinco meses? — se indignou Peter. — Cinco meses que você ficou andando pelo Salão Comunal com… aquele cara!

—Você ainda tem ciúmes dele?

—Claro! — bufou Peter. — Ele é tipo… super inteligente.

—E é bem mais gato que você, diga-se de passagem. — disse Sirius desgrudando a boca da de Marlene.

Peter e Mary se viraram para Sirius e Peter assentiu concordando com o amigo o que fez Mary bufar dessa vez.

—Sirius! — ralhou Lily. Sirius revirou os olhos para ela.

—Viu? Todo mundo consegue ver que ele é bem melhor do que eu. — disse Peter, angustiado.

—Mas o que importa, Peter, é que eu não acho isso. — disse Mary, com um biquinho. — Eu nunca achei e nunca vou achar. — ela falou. — Quem eu sempre quis foi você e então… você estragou tudo e virou um idiota.

—Eu sempre fui um idiota. — murmurou Peter de braços cruzados. James segurou a gargalhada enfiando a cara no ombro de Dorcas.

—Como eu posso te mostrar que eu te amo por quem você é… se você não nem ao mesmo consegue se amar?

—Mary…

—Nós não somos mais crianças, Peter, me deixe amá-lo ou… nós terminamos.

—Mary e Peter voltaram, sabia disso? — riu Marlene com a varinha em punho e fazendo neve cair na cabeça de Frank e Alice que estavam na Mesa da Corvinal. A decoração de Natal já estava toda pronta e todos de malas prontas para o recesso. — Sabia que ela estava com aquele lufano só para pegar nos nervos dele. — falou. — E… Dorcas… Dorcas? Está me ouvindo?

—Ahn? — Dorcas desviou o olhar da Mesa da Lufa-Lufa onde estava Michelle Diggory junto de seu namorado. — Oh, sim, claro, você está falando de Sirius, certo?

—Não. — bufou Marlene. — O que você tanto olha? — ela quis saber curiosa. — Sempre fica assim ultimamente e...

—Nada… ahn… o que você tanto olha na Mesa da Sonserina sendo que o seu namorado nem chega perto de lá? — acusou Dorcas para desviar a atenção da amiga de forma rápida. Marlene corou e começou a comer depressa.

—Nada.

Dorcas semicerrou os olhos para a amiga, mas logo voltou a mirar a lufana, só que a mesma se levantou na mesma hora. E, ela, tentou, Dorcas realmente tentou ficar sentada ao lado de Marlene e de Lily que havia acabado de chegar com Adhara reclamando de algo que James Potter havia feito dessa vez. Tentou se concentrar nas amigas, tentou se concentrar em seu jantar, porém quando viu já havia se levantado sem dar explicações as suas amigas e foi atrás da menina.

Começou procurando pelo corredor principal, só que a lufana não parecia estar a vista, quando virou um corredor para voltar pelo mesmo caminho e depois tentar outro, foi puxada com tudo para dentro de um Armário de Vassouras.

—Porque está me seguindo?

Michelle a encarava com um monte de vassouras sujas atrás dela.

—Nós deveríamos conversar. — soltou Dorcas, sem saber muito o que dizer. Michelle revirou seus lindos olhos castanhos para a grifinória e cruzou os braços.

—Escuta aqui… — começou e Dorcas tentou prestar atenção nela, só que não conseguia não notar como ela era linda. Amava a pele tom de oliva que a lufana tinha, seus olhos castanhos, os dedos finos que no momento ela apontava para Dorcas, gesticulando. A boca carnuda e avermelhada que era o que mais chamava atenção nela inteira. — … e foi só um beijo que nunca deveria ter acontecido… eu não ligo que você é gay, mas ...você está prestando atenção?

—Eu não sou gay. — disse. Michelle ia voltar a falar. — Só… me dê um beijo. — murmurou. Michelle fechou a boca e não falou mais nada, enquanto sentia as mãos geladas de Dorcas em seu pescoço. Seus lábios se tocaram e no mesmo instante seus olhos fecharam. O beijo foi calmo, apesar de toda pressa que as duas estavam sentindo.

—Eu… — Michelle se separou ofegante. — Você é definitivamente gay. — disse voltando a beijar a grifinória que sorriu em meio ao beijo.

—Eu sei.

1977

Marlene mirou pelos seus cílios loiros Regulus Black lendo um livro encostado em uma das estantes da biblioteca. Sua gravata da Sonserina muito bem apertada e arrumada assim como todo o resto do seu uniforme com o broche brilhando em sua capa escura. Ela conseguia notar a semelhança de Regulus com Sirius quando ele ficava com o rosto neutro, porque Sirius estava sempre rindo, diferente de Regulus.

Apertou os livros que carregava contra o peito quando tomou um susto aos olhos acinzentados dele se erguerem para ela. Tentou agir normalmente, mas sentia que seu coração estava batendo tão alto por ter sido pega o espiando que o sonserino até o conseguia ouvir da onde estava.

—Não vai dizer nada? — ela escutou ele falar e depois ele sorriu. Era um sorriso tão raro que ela não pode deixar de sorrir de volta no mesmo instante. — Você está atrasada.

—Desculpe, culpa do seu irmão. — ela disse indo se sentar perto da mesa. Ele a seguiu já sem o sorriso no rosto. Marlene imaginava o quanto o fato de Sirius ter fugido de Largo Grimmauld havia afetado Regulus. Ele estava triste? Ele estava bravo? Ela não tinha ideia. A única coisa que sabia era que desde que Sirius fugiu de casa no recesso de Natal ela via Regulus com muita frequência na biblioteca, até um dia em que a biblioteca estava muito cheia e os dois acabaram dividindo uma mesa de estudos e a partir desse dia começaram a se sentar juntos na mesma mesa e depois de alguns dias começaram a conversar e depois de algumas semanas viraram amigos.

—Você sente falta dele? — ela quis saber. Regulus não ergueu o rosto de seu livro já aberto sobre a mesa.

—Essa é a primeira vez que você fala sobre ele. — ele comentou. Marlene franziu a testa e sem saber o porque sentiu seu rosto ficar quente.

—Desde quando? — murmurou. Regulus ergueu os olhos.

—Desde que começamos a conversar. — ele disse, arqueando a sobrancelha. — Como se ele não existisse.

—Regulus…

—Eu sei… — ele a interrompeu. — Eu sei que quando estou com você… até só lendo um livro… ele não existe. — ele continuava a encarando e Marlene não sabia o que dizer. Tantas coisas passavam em sua cabeça, mas não conseguia formular nenhuma palavra no final – E para você, Marlene? Ele existe quando você está comigo?

Marlene antes estava sem conseguir pensar ou saber o que falar, mas naquele momento ela não precisou nem pensar para responder.

—Não.

—Eu não vou te foder, nem vem. — disse Emmeline sentada com os pés no Lago Negro e lixando sua unha com um livro de poções aberto em seu colo. Ela mirou Sirius que sentou ao se lado já tendo escutado o rumor de que ele e Marlene haviam terminado.

—Marlene terminou comigo. — ele disse. Emmeline soltou uma risada pelo nariz e voltou a lixar sua unha.

—O que aconteceu? Ela te pegou fodendo Dimitre? — ela brincou, apesar de saber que Sirius e Dimitre não acontecia desde que Sirius terminou com ele do pior jeito possível.

—Marlene terminou comigo porque ela acha que tem sentimentos fortes pelo meu irmão mais novo. — contou. Emmeline abriu a boca em choque.

—O que? — riu.

Sentimentos fortes…— disse Sirius. — O que isso significa?

—Ela ama o seu irmão. — gargalhou Emmeline pelo olhar confuso de Sirius. — Isso é a melhor que já aconteceu… Na Terra! — ela continuou gargalhando.

Sirius acabou rindo junto com ela. Era realmente impressionante que isso havia acontecido com ele depois de ficar tanto tempo vagando de Emmeline para Marlene. Ele estava irritado, ainda mais por ela o ter trocado pelo seu irmão mais novo, mas lá no fundo de sua cabeça, Sirius, sabia que ele merecia, que ele não tinha como ficar bravo ou cobrar algo de Marlene.

Ele mirou Emmeline de lado e por um momento quando a garota se curvou um pouco em sua risada e os cabelos pretos cobriram seu rosto, ele pode ver Elladora ali, mesmo que a pele de Emmeline fosse muito mais clara, mesmo que a risada de Emmeline não fosse nada parecida, ele ainda podia ver Dora ali. Só que ela nem ao menos se lembrava mais dele, já fazia meses e Sirius não sabia onde ela poderia estar.

Emmeline sorriu para ele e tirou um cigarro do bolso da saia. Sirius sorriu de volta e aceitou, acendendo com sua varinha, após colocar em sua boca. Ela fez um carinho em seu rosto.

—Isso significa que vamos voltar a ficar juntos, Emmeline? — ele indagou. Era algo que pensou assim que a viu na beira do lado. Emmeline suspirou e ficou olhando alguns primeiranistas irem mexer com a Lula Gigante.

—Freddie… eu perguntei se ele queria ser meu namorado e… ele disse sim. — ela disse e voltou olhá-lo. — Não sei se a nossa história acabou, Sirius, mas eu sei que eu quero muito ficar com ele. — disse.

Sirius não falou nada e continuou a fumar. Ele havia escutado rumores de que os Johannink iriam se mudar para a Bósnia, mas Remus o contou que Francesca o contou que ela se recusou a ir, porque desde o ataque a Hogsmeade, ela tinha uma vontade de lutar. Sirius não sabia se Remus só trocava cartas com a ex-namorada ou outras coisas também. Emmeline começou a contar sobre como o pai dela e a madrasta queriam ter outro bebê. Uma risada ao longe o fez virar a cabeça para encontrar os olhos de Dimitre Petrovich. O loiro estava ao lado de Lily rindo de alguma coisa, mas o olhar dele estava em Sirius que não podia estar prestando menos atenção em Emmeline.

Sirius se perguntou se o fato de Elladora não estar mais em sua vida, se Marlene terminar com ele, se Freddie Johannink não se mudar para Bósnia e aceitar o pedido de Emmeline que não o queria mais, era tudo um sinal de que ele deveria ir atrás de Dimitre.

O Black não esperava um sinal divino ou que um dia acordasse e resolvesse mudar, mas quando Dimitre sorriu para ele e ele sorriu de volta.

Ele sabia que essa era a sua chance.

—Eu acho que ela nem sabe o que glúten é, Prongs. — reclamou Peter. — Eu não, você sabe?

—Não. — murmurou James distraído mirando Lily Evans sentada na frente da classe de Poções.

—E alguém sabe? — bufou o mais baixo abrindo os braços. — Eu não entendo essa obsessão de Mary em me fazer ficar saudável…

—Convenhamos, Peter, você está muito gordo. — disse Sirius brincando com sua varinha.

—Sirius! — ralhou Remus abaixando o seu livro e sua pena.

—O que, Moony? — riu Sirius cutucando a cara emburrada de Peter. — Está estressado… sobre algo? — ele indagou provocador. Peter acabou rindo e se virou para Remus que corava.

—Está nerv oso com um certo casamento de um certo alguém que está chegando? — brincou Peter.

—Claro que não!

—Eu acho que você está. — cantarolou Sirius. — Prongs, você não acha? Prongs… Prongs?

James não prestava atenção neles e quando Lily Evans se levantou para entregar sua redação pronta ele se levantou.

—Já acabei. — disse aos amigos, guardando suas coisas rapidamente e indo atrás da ruiva.

—Ela nunca vai querer nada com você! — berrou Sirius, mas James seguiu mesmo assim. Parou em frente a mesa de Slughorn ao lado de Lily que o mirou minimamente e entregou seu pergaminho junto dela. Os dois saíram da sala juntos e em silêncio

—Você vai me seguir, Potter? — debochou Lily, virando os olhos vidrantes e verdes para ele.

—Só queria te parabenizar… sei que ganhou um troféu de poções. — ele murmurou, bagunçando os cabelos. — Eu vi quando estava limpando os troféus na detenção.

—Estou impressionada que sabe ler. — ela disse e James corou. Lily então sorriu. — Obrigada.

James sorriu e Lily esperou ele a chamar para sair, já tinha a resposta na ponta da língua apesar dos apelos de Adhara e Emmeline para que ela aceitasse logo sair com James, mas Lily sentia que ele ainda era imaturo demais, apesar de as vezes não entender o porque o odiava tanto há alguns anos atrás. James era gentil, leal, um ótimo amigo e tão engraçado. E pensou que talvez o devesse dar uma chance.

—Certo, te vejo depois. — ele disse apenas e piscou para ela. Lily franziu a testa confusa o vendo se afastar, mas então sorriu de lado.

James Potter não era tão mal afinal.

Frank Longbottom suspirou tristemente quando mirou sua namorada no final do corredor. Ela usava a capa de Hogwarts mesmo já tendo passado a temporada mais fria do ano. Seu coração estava apertado e batia forte em seu peito. O sentimento era de completa tristeza ao ver aqueles grandes olhos castanhos quando sua namorada chegou perto dele e o abraçou. Seu abraço era aconchegante e familiar, mas Frank não suportou ficar nele muito tempo sabendo o que tinha que falar para Alice. Aquele era o momento mais difícil que ele havia enfrentado em sua vida. E ele precisava fazê-lo logo antes que ficasse insuportável demais o sentimento para fazer depois e antes que chegasse o feriado de Pascoá onde tudo seria decidido.

Pela primeira vez ele queria berrar com seus pais por terem feito aquele detestável acordo de casamento com os Valentine quando ele ainda era pequeno e sem direito a fala. Queria pegar Alice no colo e fugir e deixar o sr. Valentine e seu odioso jeito e deixar até mesmo Emily para lidar com as consequências sozinha. Só que Frank Longbottom não era assim, ele nunca seria assim, por isso se separou de sua namorada.

—O que foi, Frankie? — ela sorriu. Frank sorriu de volta se achando completamente louco que um dia duvidou dos seus sentimentos por ela depois da noite em que Peter a drogou acidentalmente e ela acabou junto de Sirius na cama.

—Nós temos que terminar, Alice. — ele disse em um sufoco. Sua garganta até doeu ao dizer aquilo. Os olhos de Alice se abaixaram por um momento, mas ela os ergueu de volta.

—Não.

—Alice…

—Não, Frank. — ela repetiu, não aceitando de jeito nenhum. — Eu sei porque está fazendo isso, só que…

—Só que não tem jeito.

—Não tem jeito? Cancele o maldito casamento, Frank. — ela pediu começando a perder as esperanças.

—Não posso fazer isso, você sabe, Alice. — ele disse simplesmente.

—Eu te amo e você me ama, Frankie, não tem como esconder isso e apenas deixar de lado. — ela falou, tocando no rosto dele.

—Eu sei disso. — murmurou de volta. — Eu te amo aqui, lá e em todo lugar. — ele falou apontando para o peito dele.

—Mas você a ama mais. — disse chorosa Alice.

—Emily é a minha melhor amiga. — disse Frank desolado. — Não posso deixá-la sozinha.

—E eu? Você vai me deixar sozinha? — ela quis saber com a voz embargada.

—Você ficará bem sem eu, Alice. — disse Frank, sentindo uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Alice enterrou o rosto em seu peito chorando.

—Não vou. — ela soluçou e agarrou a capa preta dele ficando de punhos fechados. — Não posso deixar você arruinar sua vida desse jeito. — disse. — Você não a ama. Você não a ama.

—Eu a amo. — cortou Frank. — Não do mesmo jeito, não do jeito que eu deveria, mas porque eu a amo não posso deixar ela sozinha nessa. — disse.

VALETINE’S HOUSE

Frank amava Alice, mas ele estava presa a ela. Emily Valentine não sabia se amava alguém, pra ser honesta. Teve Remus, ela realmente e definitivamente tinha amado Remus. E ela amava Frank. Mas não do modo como uma esposa deveria amar o marido. E sim como amava um irmão... E pensar que seria anunciada oficialmente como a futura sra. Longbottom em algumas horas no feriado de Pascóa de 1977 era assustador justamente por conta disso. Emily suspirou num sofá perto da janela de sua casa e apoiou o queixo nas mãos. Sentia-se presa em uma torre como nas histórias de livros encantados.

—Eu deveria ser grata. – disse para si mesma – Frank é meu amigo. Ele jamais me trataria de forma cruel. Com o tempo poderíamos fazer isso dar certo…

Mas então se lembrou novamente de que ele amava Alice. Será que seriam capazes de superar isso? De enterrar isso? De esquecer isso?

Sabia que não seria capaz. Ele definitivamente muito menos ele amava Alice demais. E ela sabia que ele conseguiria convencer sua mãe de cancelar o casamento, mas não o fazia por causa e Emily. Eram melhores amigos.

Olhou para as cores de seu vestido, azul marinho. Isso a fez lembrar dos Longbottom. Era a cor deles. Então esfregou as mãos uma na outra e viu sua pulseira prateada. E isso a fez lembrar em outra pessoa. Alguém com quem tinha trocado beijos escondidos. Alguém que gargalhava de suas ideias ruins, que a incentivava a ser ela mesma. Alguém que via seus piores lados, mas não a julgava, desde que ela não o julgasse também.

Rabastan Lestrange era um garoto complicado, e uma amizade mais complicada ainda. Mas ela se viu com saudades dele. Foi quando uma pedra acertou seu vidro. Não daquelas grandes o suficiente para quebrá-lo, mas das pequenas que poderiam fazer algum barulho. Piscou, surpresa, mirando o vidro. Por um momento se perguntou se tinha se enganado, mas logo outra pedrinha acertou o vidro. Se levantou e foi até a janela. Lá embaixo, alguém tinha pulado a cerca viva e encarava sua janela. Alguém em vestes a rigor negras, o cabelo avermelhado arrumado e uma cara de quem sabia que poderia ser morto a qualquer momento, segurando uma vassoura.

Rabastan Lestrange estava no seu jardim e ela não fazia a menor ideia do porquê. Abriu a janela e o viu pedir silêncio com o indicador. Ele apontou da vassoura para a janela e ela se perguntou se ele estava pedindo permissão para ir voando até ali. Era loucura, é claro. Suas famílias eram absolutamente inimigas. Mas tinha certeza que o desespero nos olhos dele era o mesmo nos dos dela. Então concordou e ele montou na vassoura, voando até a janela.

—Suba. – disse ele.

—Vai me sequestrar? – perguntou achando aquilo até sensato, por mais que não fizesse muito sentido se parasse para pensar direito.

—Pensei em algo menos drástico, como uma conversa no telhado, tipo as que tínhamos lá em Hogwarts. – riu Rabastan, mas era visível que ele estava nervoso. Emily olhou para trás, para seu quarto e suspirou pensando que não poderia ficar pior do que já estava. Nunca tinha gostado de voar, então foi com muita hesitação que conseguiu se sentar atrás de Rabastan. E quando ele subiu até o telhado, sentiu vontade de gritar e abafou a vontade nas costas dele, o agarrando com força. Ele se atreveu a dar uma risadinha e quando chegaram no telhado, o sentiu olhar para trás – Você pode me soltar agora, se quiser...

Emily olhou para baixo e viu que seus pés estavam a pouquíssimos centímetros do telhado. Então desceu da vassoura e se sentou. Rabastan se sentou ao seu lado e os dois miraram a lua, sem saber o que falar naquele momento.

—Hoje vão anunciar meu casamento com Frank. – disse cabisbaixa. Rabastan suspirou.

—Hoje minha mãe e meu pai iram jantar com os Rosier para me noivar com Diana.— ele contou.

—Você… teve algo com ela, não é? Você gosta dela?— perguntou o olhando com alguma simpatia.

—Nós somos amigos. — ele disse e deu de ombros. — Eu senti mais coisas por Adhara do que por Diana … queria que fosse como era com Adhara, aquele tesão absurdo e explosivo... Mas não é tudo isso. — ele bufou. – Ou ela poderia ser mais como você!

—Oh! Isso é algo que eu nunca imaginei ouvir. – riu tirando os sapatos para mexer os dedos no ar gelado da noite – A senhorita perfeita era tudo o que meu pai queria que eu fosse.

—Ela não é nada perfeita. – discordou Rabastan. – Acho que não é nem mesmo uma virgem.

—Bem, nem eu sou perfeita. Longe disso.

—Mas ao menos você é bem legal. – suspirou ele – Eu odeio ser obrigado a casar com ela... Mas meio que não tenho muita opção... – lamentou ele – Imagino que você não está feliz também, em casar com o Frank.

—Ele é tipo um irmão pra mim... Além do mais, ele gosta de outra pessoa, na verdade, ele ama outra pessoa.— Emily suspirou olhando para o céu – E eu vou estragar isso.

Rabastan bufou de novo.

—Rabs... Quando foi que perdemos o controle das nossas vidas assim desse jeito? – perguntou franzindo o cenho. Rabastan soltou um muxoxo parecendo triste e deu de ombros.

—Acho que nunca tivemos controle algum sobre nossas vidas... Sempre fomos apenas uma extensão das nossas famílias. A vida nunca foi nossa. Sempre foi dos Valentine, dos Lestrange... – ele deu de ombros, parecendo derrotado.

—Isso não te cansa?

—Mais do que qualquer outra coisa, pra ser sincero. – respondeu ele – Mas o que podemos fazer? Temos que manter o nome da nossas família é a coisa mais importante.

—Você gostaria de ser você mesmo por, pelo menos, um dia? Não ser um Lestrange. Ser apenas Rabastan? – ele a olhou como se ela fosse louca, mas então sorriu para coçar a nuca.

—Acho que eu não sei mais como ser só Rabastan. Você sabe como seria ser só Emily e não a srta. Valentine? – Perguntou ele e Emily suspirou mirando o céu.

—Eu gosto de pensar que a Emily é mais decidida e corajosa.

—Mas ela é. – disse Rabastan e Emily o olhou curiosa – Definitivamente não foi a senhorita Valentine quem deixou Dido Shafiq careca no nosso quarto ano. – disse ele e Emily acabou rindo mais alto do que planejara, para então tampar a boca com as mãos. Rabastan riu também e a encarou com um sorrisinho – E definitivamente não era a senhorita Valentine dançando em cima da mesa na última festa de aniversário do Longbottom. Seria um escândalo.

—Ok. Ok. Acho que “só a Emily” é definitivamente maluca.

—E como você acha que seria o “só o Rabastan”? – perguntou ele. Emily o olhou e notou que ele parecia ansioso por aquela resposta. Como se precisasse ser lembrado como era ser ele mesmo e não um nome.

—Eu acho que o verdadeiro Rabastan é um garoto atrevido que gosta de enfiar os dedos dentro das calcinhas alheias. – disse semicerrando os olhos – Desde que se tem notícia, diga-se de passagem.

Rabastan teve a dignidade de corar.

—Mas ao mesmo tempo, você é muito respeitoso. Sempre foi. Comigo, com a Addie. E sempre foi gentil com a Mary também. E corajoso. Você consegue ser muito malvado quando quer. Mas também consegue ser muito nobre. Sem falar que você quase enfrentou aquele monstro que me fez de refém num aniversário do Sirius.

Rabastan sorriu e olhou os próprios pés, abraçando os próprios joelhos.

—Você tem uma visão muito legal de mim. Mas receio que eu não seja tudo isso.

—Como você se definiria?

—Um cretino.

—Tem certeza disso? – perguntou Emily e Rabastan a olhou.

Tinha vindo ali porque precisava desesperadamente conversar com alguém que pudesse entendê-lo. Nenhum de seus amigos da Sonserina seria capaz disso, ou ao menos ele julgava que não. Nem seu irmão o entenderia. Talvez Addie entendesse, mas ele e Adhara não eram mais tão íntimos, ela o mandaria acordar para o mundo e não era isso o que ele queria. E Emily... Ela não o julgava pelos seus atos mais baixos, desde que ele não a julgasse também. Era uma amizade complicada, secreta e surpreendentemente agradável.

—Por que?

—Porque vou pedir pra você ser um cretino. – ela pegou os próprios sapatos e ficou de pé. Havia um olhar determinado nos olhos verdes dela e Rabastan concordou pela milésima vez com Theo Nott. Ela tinha olhos maravilhosos. Espero que Longbottom compre muitas esmeraldas pra ela. Para combinar com esses olhos. Ouro e esmeralda. – Eu vou pedir que você me sequestre.

—O que? – perguntou quase se engasgando.

—Eu não vou destruir a vida do Frank e da Alice. E eu cansei de viver às regras do meu pai. Eu tenho que começar a tomar minhas próprias decisões.

—Você vai ser deserdada e seu pai vai ser motivo de piada.

—Ele fez com que eu fosse motivo de piada para um monte de gente durante anos. E, bem... Eu me viro pra arranjar um emprego. Eu não sou uma bruxa medíocre.

—Você sabe que estaria me colocando numa situação complicada, não sabe? – perguntou Rabastan se levantando – Você sabe que nossas famílias se odeiam.

—Seu irmão finalmente resolveu falar quem veio aqui tentar nos matar? – perguntou ela com um sorrisinho ácido.

—Podemos não falar sobre isso? Eu não fico perguntando essas coisas pra ele! – resmungou desviando o olhar do dela. Mas então uma ideia lhe ocorreu – Certo. Eu aceito sequestrar você e te salvar da sua família. Talvez, até consiga resolver o seu problema com dinheiro quando for deserdada. Mas vai ter um preço.

—Qual? – Perguntou Emily o olhando curiosa. Mas ela não parecia com medo. Se perguntou se era apenas por ser corajosa ou por confiar incontestavelmente nele. Se perguntou qual das hipóteses era a mais tola e ficou constrangido por gostar das duas teorias.

—Sua reputação e o resto da sua vida. – disse. Emily piscou sem entender – Eu vou te tirar daqui e nós vamos ser flagrados fazendo algo completamente inapropriado. E por conta disso eu vou ter que casar com você. – disse ele e Emily sorriu parecendo achar a ideia meio louca.

—E onde seria isso? Que lugar estaríamos protegidos das nossas famílias quando fôssemos flagrados fazendo algo impróprio. E... Rabastan... – ela colocou as mãos no quadril. – Você está me pedindo em casamento?

—Acho que sim. – colocou as mãos nos bolsos e então pegou o anel que deveria entregar para sua noiva após seus pais fechassem o negócio.

—Você está falando sério? O que a sua família…

—Não interessa. – ele a cortou – Nesse momento eu não sou um Lestrange. Eu sou apenas Rabastan. E você é apenas Emily. Vamos fazer algo louco e arcar com as consequências disso depois. – ela abriu a boca para contestar – E antes que você diga que é uma má ideia, eu sei o lugar perfeito para sermos flagrados.

—Onde?

—Na casa da Alice. Eu tenho certeza de que a Lehanna abriria a porta pra gente. E nos colocaria pra dentro... E nos daria algum tempo para consumarmos essa loucura.

—Isso certamente viraria um escândalo e acabaria com nossos noivados. Mas nunca deixariam você se casar comigo. – riu Emily – Sem falar que temos o assunto proibido. Eu sei que você quer ser um Comensal de Morte e eu não gosto disso.

—Narcissa não gosta também. Mas se casou com Lucius e ele é um Comensal de Morte. – disse Rabastan – E eu estou te contando isso. Eu poderia ser torturado por isso.

—Você está me pedindo em casamento, mas não me ama. – Emily franziu o cenho. – Você quer entrar nas minhas saias há séculos, eu sei disso. Mas isso é bem diferente de amar.

—Não te amo. – cortou ele – Mas não te odeio. Nem te desprezo. Na verdade, eu gosto muito de você. Você faz com que eu me sinta bem de ser eu mesmo. Eu não preciso tentar te impressionar. Nem preciso ficar mantendo aparências com você. E eu confio em você e respeito você. Me importo com você. Eu acho que isso é mais do que suficiente para querer casar com você. Então... Vamos ser apenas nós mesmos. Vamos fazer isso!

Emily se abraçou e suspirou.

—Com uma condição. – disse ela.

—Qual?

—Não quero que você vire um assassino. Você vai entrar pro Ministério e ser um espião, sei lá. – disse ela – Como Lucius.

—Eu estaria me desperdiçando! Eu sou um duelista. – resmungou e Emily o olhou daquele jeito zangado que ele até gostava.

—Escute aqui, seu idiota. Eu estou concordando em me casar com um dos maiores inimigos da minha família. E estou te salvando de um casamento sem amor. Eu vou estar me afastando dos meus amigos. E eu vou colocar meu pai numa situação bem complicada com os Longbottom. Então, o mínimo que você poderia fazer é não matar aqueles que eu amo. – disse ela. Rabastan suspirou.

—E você não vai ficar me enchendo o saco sobre eu ser um comensal?

—Não. – falou. Isso era uma mentira. Ela iria gastar até a última gota de suor para fazer aquele teimoso entender que as ideias Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado não eram boas. E se eles fossem noivos, ele daria mais ouvidos a ela. E caso não desse, bem... Ela já estava fugindo de um noivado, poderia fugir de outro.
De certo modo ela se sentiu meio como Sirius, começando um “relacionamento”, mas pensando em como seria caso terminasse. Mas se via mais bem-intencionada.

—E talvez concordaria em espionar para mim?

—Não.

—Filhos só depois da guerra?

—Lógico.

—Você promete não envenenar o jantar caso o Lorde das Trevas vier nos visitar? – ele sorriu e ela também apesar de ter sentindo um arrepio ruim ao escutar aquela frase.

—Prometo até tentar mandar os elfos cozinharem algo saboroso.

—Certo. Então coloque esse anel nesse dedo. – disse ele estendendo a caixa. Ela obedeceu e colocou o anel.

—Certo, Rabastan. Me sequestre e vamos fazer algo impróprio na casa dos Soto.

—Vamos. – riu ele montando na vassoura – Suba, baby. Amanhã certamente estaremos no Profeta Diário.

—Espero que não na parte onde falam quem morreu.

—Bem... Eu vou torcer junto de você. – riu ele quando ela montou e o abraçou – Está certa disso?

—Eu já coloquei o anel, queridinho. Os Lestrange só vão conseguir tirá-lo de mim se arrancarem os dedos do meu corpo morto. E você? Tem certeza disso?

Ele a olhou e deu um sorrisinho irritante e insolente. Mas ele não respondeu com palavras. Respondeu chutando o telhado e levantando voo.

No dia seguinte, depois de muita confusão, os dois estavam livres de seus noivados. Richard Valentine e Rodolphus Lestrange estavam furiosos apontando dedos e acusando um ao outro de serem culpados por não criar os filhos direito. Mas as senhoras Lestrange e Valentine olhavam a troca de olhares dos filhos. Cúmplices, nem um pouco arrependidos. Insolentemente sorridentes.

—Acho que vamos compartilhar alguns netos quando eles pararem de gritar e decidirem aceitar isso. – Disse a sra. Lestrange.

—Eu acredito que sim. – riu a sra. Valentine.

As duas então riram ao ver Rabastan colocar o braço ao redor de Emily, para então beijá-la na têmpora. Os dois ficaram noivos uma semana depois.

—Você acredita que Emily realmente vai se casar com Rabastan? — riu Emmeline deitada na cama de Adhara. A janela aberta e o sol do verão batendo nas pernas brancas dela. O verão já estava no final e Adhara já havia ido para seu curso de dois meses na Academia Rise. — Bem, eu sempre achei que Emily era meio louca mesmo. — ela disse.

—Não seja malvada, Emme. — riu Mary. Emmeline mostrou a língua para a amiga que foi se sentar na janela de Adhara. — Ei, Addie, animada para sua última noite antes de ser uma esposa? — ela indagou.

Adhara que estava parada no meio do quarto olhando para a janela de seu quarto que dava para a janela do quarto de Adam, se virou com sua irmã Daisy em seu colo. A bebê de cabelos loiros e olhos azuis expressivos ria para a irmã com toda sua fofura de um ano de idade. Ela sentiu os bracinhos gordos de sua irmã apertarem sua pele como se também quisesse saber a resposta.

—Sim. — murmurou Adhara olhando para o rosto de sua irmã e sua bochechas gordas e avermelhadas.

—Você… tem conversado com Remus? — Mary quis saber. Emmeline arregalou os olhos e chutou Mary na perna que apenas deu de ombros.

—Porque você perguntaria isso? — bufou Adhara colocando sua irmã sentada na barriga de Emmeline que a segurou com cuidado. Maru deu de ombros novamente para o olhar de Adhara.

—Bem, ele passou o verão inteiro preso dentro de casa…

—A mãe dele morreu.

—… não conversando com ninguém…

—Ele precisava de espaço.

—...e literalmente só respondendo suas cartas…

—Ele sentiu minha falta.

—E porque ele sentiu tanta sua falta?

—O que você está querendo dizer?

—O que eu estou querendo dizer? — riu Mary, apesar do olhar de Emmeline que claramente dizia para ela parar de falar. — Você não pode ignorar isso, Addie, isso está acontecendo por seis anos!

—Isso o que? — quase berrou Adhara. Ela sentia toda irritação das últimas semanas em que teve que ficar resolvendo tudo sobre o casamento e ignorando comentários sobre Remus e sobre o fato deles trocarem milhões de cartas, mas não terem se visto desde que Adhara chegou em Londres da América três semanas atrás. Ela já não conseguia mais suportar desde que passou o sexto ano inteiro ao lado de Remus quando seus amigos estavam todos ocupados demais com seus próprios problemas amorosos e o via a olhando quando ele achava que ela estava distraída.

—Isso entre você e Remus! Você sabe que ele gosta de você, todo mundo sabe! — disse Mary. Adhara bufou e fechou a janela que dava para a janela de Adam com a varinha. — Se você não gosta dele do mesmo jeito que ele gosta de você porque então não diz para ele? De uma vez por todas?

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—Porque eu faria isso? — murmurou Adhara. Isso fez Emmeline se sentar com Daisy no colo com a testa franzida e Mary dar um sorriso vitorioso.

—Eu achei que você não gostasse de Remus. — disse Emmeline lentamente.

—Eu… não…

—Você vai se casar, Addie. — ralhou a amiga.

—Eu sei! — bufou Adhara, andando pelo quarto preocupada. — Remus nunca disse que me ama, vocês que…

—Você está brincando? — dessa vez foi Emmeline quem falou. — Até Adam te disse que Remus te ama.

—Mas… — quase berrou. Adhara se virou para as amigas o coração acelerado e pelo cantos dos olhos Adam passando pela janela do quarto dele. — … Remus nunca me disse nada.

—Mas isso não significa que ele não te ama.

—Ele precisa dizer que te ama para você entender isso quando tudo que ele faz demonstra o quanto o ele te ama? — perguntou Mary. — E se você acha que tem a mínima chance de que você sinta algo por ele… você realmente deveria estar se casando?

Adhara escutou um barulho em sua janela e se levantou devagar com sono. Viu Adam dando soquinhos em sua janela em cima de uma vassoura e riu pegando sua varinha jogada na cama para abrir a janela para seu noivo. Ele entrou e foi direito para a cama dela.

—Oi. — ele disse entrando embaixo da coberta dela. Adhara sorriu.

—Oi. — sussurrou.

—Vamos se casar amanhã. — disse Adam.

—Eu sei. — ela respondeu. — Está feliz?

—Como nunca antes. — ele abraçou a namorada e a cheirou no pescoço.

—Você sempre vai me amar, Adam? — indagou Adhara o abraçando de volta. — Mesmo que eu acabe sendo uma vaca com você em algum ponto do nosso casamento?

—Eu sempre vou te amar, não importa o que aconteça. — sorriu. -Nós vamos nos casar, Addie

Ela sorriu de volta.

Mas e se nem chegassem a se casar?

Adhara Black espiou pela janela e viu todos os convidados chegando para o seu casamento. Ela viu Andromeda com Nymphadora no meio dela e de Ted e se surpreendeu ao ver Narcissa e Lucius passando por Andromeda como se não a conhecessem, nunca imaginaria que sua prima mais esnobe viria ao seu casamento.

Reconheceu a mãe de Adam pelas fotos que ele havia dela em casa. Era a primeira vez que ela vinha para a Inglaterra depois que fugiu alguns anos atrás. Revirou os olhos ao ver Evie Zamora com todo seu grupinho sentados no lado dos convidados de Adam. Katherine Greegrass estava lá com seu agora noivo Theo Nott, longe o suficiente de Rabastan Lestrange para que ela não tivesse que escutar os comentários ácidos dele. A própria Evie estava distanciada de Leh Soto desde a morte de Dido. Adhara suspirou vendo Emily indo falar com Rabastan e ela parecia realmente feliz pelo casamento que iria ter. Talvez ela fosse se sentir como Adhara estava se sentindo no momento quando a hora realmente chegasse.

Ela sentia que seu coração ia sair pela sua bunda de tão rápido que batia, colocava a mão na barriga como se pudesse vomitar a qualquer momento e a náusea que sentia era tão grande que ela teve que se sentar. Pensou se era assim se todas as noivas se sentiam antes de se casarem, se era, na verdade, uma ansiedade boa que passaria assim que visse Adam a esperando no altar.

—Você parece que seu coração está prestes a sair pela sua bunda. — escutou uma voz. Adhara se virou e viu sua mãe com sua irmã no colo em um vestidinho rosado.

—É assim que eu deveria estar me sentindo, certo? — murmurou Adhara. Sua mãe fechou a porta. — Você se sentiu assim quando se casou com meu pai?

—Eu estava nervosa. — contou sua mãe. Ela sorriu para a bebê em seu colo e depois para seu marido que entrava no quarto sorrindo para sua filha. — Mas eu sabia que tudo ficaria bem… porque quando eu fechava meus olhos a única coisa que eu via era seu pai esperando por mim. — ela disse. O coração de Adhara caiu naquele momento e seus pais a olharam. — Você se sente assim?

—Sim. — sussurrou Adhara. Seu pai sorriu e foi abraçá-la.

—Você está tão linda, minha filha. — ele disse a beijando na testa. Sua mãe veio atrás e os três se envolveram em um abraço com Daisy no meio soltando risadinhas.

—Estamos tão orgulhosos de quem você se tornou, Dahlia. — disse Kat para sua filha. A beijou na testa assim como o marido. — Desça em cinco minutos, está bem? — falou.

—Estarei esperando por você. — disse seu pai. Adhara o mirou nos olhos. — Sempre. — sorriu uma última vez e foi atrás de sua esposa, mas parou na porta. — Você não é tão boa mentirosa como acha que é. — ele falou. Adhara arregalou os olhos. — Nunca é tarde demais, Adhara. — piscou e fechou a porta do quarto.

Adhara olhou para si mesma no grande e espelho e notou que ela não conseguia fechar os olhos para ver se via Adam.

—Merda.

—Remus está lá fora?

—O que? — indagou Emmeline se encarando em um espelho de mão. Ela olhou para Adhara. -Por Morgana, você vai ser casar. — cantarolou Emmeline distraída desencostando da porta que iria se abrir e dar para o jardim florido que estava o altar. Ela balançou o vestido cor de rosa de seda e riu. — Está tudo tão lindo, Addie. — ela disse espiando pela janela. — Freddie está uma gracinha com aquela vestes azuis. — disse. — Argh, Sirius está falando com ele, o que ele poderia estar falando? Oh, ele está vindo pra cá.

Adhara estava andando de um lado pro outro mal escutando Emmeline. A porta se abriu e Sirius apareceu. Ele piscou para Emmeline que mostrou a língua para ele e foi até Adhara.

—Não acredito que conseguimos fugir do nosso casamento. — ele disse. Adhara sorriu feliz pela primeira vez no dia. — Eu sempre te disse. — falou.

—Você sempre está certo, Sirius Black. — falou Adhara.

—É muito irritante isso. — comentou Emmeline. O casal de primos sorriram para ela e voltaram a se olhar.

—Remus veio… caso esteja se perguntando. — contou Sirius.

—Remus veio? — murmurou Adhara. — Ele nunca respondeu minha carta.

—Ele parece feliz por você. — disse Sirius de um jeito que Adhara não sabia se ele estava falando a verdade ou não. — Todo mundo parece feliz. — falou. — Você está?

—Não poderia estar mais feliz. — respondeu e sabia pelo olhar de Sirius que ele também não sabia se ela estava mentindo ou não. — Volte para lá. — disse. — James já deve estar sentindo sua falta.

Sirius sorriu e a beijou na bochecha.

—Te vejo em alguns minutos. — falou e piscou mais uma vez para Emmeline antes de sair.

—Remus realmente parece feliz por você. — comentou Emmeline olhando pela janela quando Sirius saiu.

—Emme…

—Finalmente! -berrou Emmeline quando Mary chegou perto dela. Ela estava em algum lugar da Mansão.

—Eu terminei com Peter. — contou. Adhara e Emmeline a miraram chocada. — Ele só não parece mais a pessoa pela qual eu me apaixonei. — disse e deu de ombros. — Achei que poderia fazer acontecer, mas eu só… não quero.

—Agora sim é um casamento! — riu Emmeline. — Precisávamos de um pouco de drama.

—Está na hora. — seu pai disse entrando pela porta. Emmeline a abraçou com força e Mary logo veio atrás a abraçando.

—Faça a coisa certa, Addie. — sussurrou Mary em seu ouvido antes de se separar.

Adhara não a respondeu e observou as duas ficarem em fila. Seu pai veio para seu lado e pegou seu braço. As portas se abriram e todos se levantaram. Ela podia ver de longe rostos sorridentes e suas amigas andando para o altar como suas madrinhas.

Entes de sair pela porta, Adhara fechou seus olhos.

Não era Adam que ela via a esperando.

Não existe maior magia no mundo do que o amor. — disse o cerimoniário.

Adhara sorriu para Adam no altar. E ele parecia tão feliz segurando as mãos dela, como se realmente aquele fosse o dia mais feliz de sua vida. O dia em que se casaria com seu grande amor.

Ela conseguia escutava o cerimoniário falar no fundo de sua cabeça e conseguia sorrir para Adam como ele estava sorrindo para ela, mas seus olhos não conseguiam se desviar de Remus sentado no meio de Sirius e James sorrindo para ela assim como Adam como se aquele também fosse o dia mais feliz da vida dele, como se ele estivesse verdadeiramente feliz por ela naquele dia. Os olhos âmbar dele a miravam com o carinho de sempre, o carinho que ela via naqueles olhos desde o momento que o conheceu, como se ele soubesse que eles estariam de alguma forma juntos para todo sempre.

Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e ela sentiu a mão de Adam limpar para ela e ele continuava com aquele sorriso no rosto, aquele sorriso pelo qual ela se apaixonou.

—E vocês, queridos amigos e familiares de Adhara e Adam estão aqui para testemunhar a união deles... — Adhara piscou confusa quando Adam a tocou no braço e se virou para todos que os assistiam assim como o cerimoniário. — … prometem amar e apoiar esse casamento nos dias que seguirão?

—Prometemos. — disseram todos com suas varinhas apontadas para cima com uma luz brilhando na ponta delas.

Única coisa que Adhara reparou naquele momento era que Remus não tinha sua varinha levantada e que seu rosto não parecia mais tão feliz naquele momento. Ela quase ofegou quando o viu se levantar e parar no meio do corredor que dava para o altar. Todos se viraram para ele e ela notou James tentando o trazer de volta para o meio dele e de Sirius que tinha a mão sobre a boca como se fosse rir.

Adhara sentiu a mão de Adam apertar mais forte a mão dela quando Remus voltou a se sentar no segundo seguinte, mas mesmo quando ele se sentou a mão de Adam não deixou de apertar a sua.

—Ahn… Adhara e Adam… — recomeçou o cerimoniário.

—Eu te amo, Adhara. — disse Remus. Adhara se virou no mesmo momento. — Sempre amei… — disse. Ela fingiu não ver o sorriso de Mary e de sua avó, fingiu não ver os vários rostos chocados, fingiu não ver a expressão no rosto de Adam ao seu lado. Tudo que ela queria ver era Remus. — Eu te amei por todos esses anos, nos melhores e nos seus piores momentos e eu vou te amar por todos mais que virem. — ele disse. Adhara sentiu lágrimas escorrerem pelo seu rosto. — E eu sei que vou te amar não importa onde esteja ou com quem esteja porque mesmo que eu não seja o seu… você é o amor da minha vida. — a voz dele estava clara como nunca antes, ele não parecia ver nada além dela. — E todos esses anos eu fui covarde e nunca te disse e só… fingi, mas eu estou tão cansado disso. — falou. — E eu não posso te deixar até saber se tem a mínima chance de que você sinta o mesmo por mim. Então, você sente?

Ela podia sentir os olhares a queimarem, podia escutar o próprio coração batendo em seu ouvido. Tentou pensar com clareza, tentou pensar no que sentia. Tentou ignorar todos que estavam ali com eles e somente pensou em Remus. Pensou em todos os momentos em que ele foi a pessoa que mais confiava no mundo e se perguntou se teve algum momento em sua vida em que Remus não era a pessoa em quem ela mais confiava. Ele sempre estava ao seu lado e ela sempre o queria ao seu lado.

Fechou os olhos esperando ver olhos castanho, mas viu os olhos de Remus e foi quando sentiu a mão de Adam soltando a sua. Virou seu rosto para ele e quis dizer alguma coisa, mas apenas o encarou.

—Me desculpe. — consegui dizer enquanto descia os pequenos degraus do altar. Consegui escutar ofegos por toda parte. Remus veio até ela e pegou sua mão a puxando para correr e ela o seguiu como pretendia fazer para sempre.

Conseguiu ver pelo canto dos olhos enquanto corria James caindo no chão em choque, seus pais resmungando um com outro, viu Evie Zamora sorrindo de lado e pode ver quando saiu pela porta de mãos dadas com Remus que Adam já não estava mais no altar. Correram por mais tempo como se alguém estivesse atrás deles e fosse os parar com aquela loucura que cometiam.

Quando finalmente pararam o por do sol descia no céu. Adhara sorriu para Remus e passou os braços pelo seu pescoço par ao puxar para o primeiro beijo do resto de suas vidas. Ela sorriu no meio do beijo.

—Esse é definitivamente uma das piores decisões que eu já fiz. — disse Adhara pensando no coração de Adam naquele momento, mas pensou no seu também. — E definitivamente a mais feliz também.

—Eu te amo tanto, Adhara.

—E eu te amo também, Remus John Lupin. — sorriu.—Eu te amo tanto, Remus…

—Eu te amo, Addie… — ele disse, mas sua voz começou a parecer distante a cada vez que ele falava. — Addie...Addie… Addie!

Adhara acordou de repente sentindo a garganta sufocada. Ela respirava forte quando sentiu uma mão quente em sua cocha. Ela se virou para ver Remus ao seu lado, dirigindo o carro de sua mãe com uma feição preocupada. Ela então olhou para baixo e viu sua barriga avantajada e colocou a mão por cima e sentindo seu bebê se mexer agitadamente dentro dela.

—Addie, você está bem?

Ela olhou para ele sentindo as lágrimas encherem seus olhos, mas não deixou nenhuma delas cair mesmo sentindo seu coração pesado como uma rocha e a saudade arrebatadora que sentia.

—Eu tive um sonho… e foi tão doloroso acordar. — ela murmurou e acabou sorrindo para si mesma. — Mas mesmo doendo quando eu acordo… é melhor tê-los em meus sonhos do que em lugar nenhum.

E Remus não precisou que ela explicasse sobre o que estava falando.

Ele a entendia na vida que estava acontecendo agora e também em seus sonhos.

Notas finais
CAPÍTULO GRANDE PRA VOCÊS ♥ Espero que tenham gostado, se puder deixe um comentário com sua opinião ou me xingando pela demora! xoxo ~Aurora