When We Were Young
91 If I Stay
Notas iniciais
IF I STAY
ADDIE’S HOUSE
1976
SUMMER
Eu passei. Quando eu disse isso para Adam, ele ficou sem saber o que falar por apenas dois segundos, então me abraçou animado, me beijando, e me apertando contra ele. Ele riu, e disse que deveríamos comemorar, mas nós dois sentíamos um buraco dentro do peito
Eu comi uma torrada, e bebi um gole de café. Teddy viu, e seus olhinhos brilharam.
—Eu quero também!
—Nada disso, garotão. — meu pai falou. — Não se dá cafeína pra quem já é ligadão. — ele disse. Teddy soltou um muxoxo e eu ri.
—Então, minha filha noiva…— disse minha mãe. Ela e meu pai se olharam. Quando eu contei para eles que eu e Adam iríamos nos casar, eles apenas se entreolharam, como se não estivessem nada surpresos. Me disseram que era a minha cara tomar esse tipo de decisões sem consultar eles. – Eu espero que você seja muito feliz, Addie. — ela disse com um sorriso. — Mesmo que seja muito nova…
—Você e papai casaram com 19. — eu disse. — Eu vou casar com 18. — ri.
Ela me mostrou a língua e se distraiu com a comida.
—Ei, viu isso? — minha mãe pegou um jornal e me mostrou, depois de um tempo. Era uma matéria sobre a banda de Adam. Estava ele na capa grande, e ao lado um pouco menor uma da banda inteira, mas comigo na foto, sendo do dia que eu cantei. Eu estava no centro, com meu vestidinho preto justo. Adam ao meu lado, tocando guitarra, e me olhando. Eddy do meu lado esquerdo, tocando seu teclado, Marshall do outro lado de Adam e Astrid lá atrás com as baquetas para cima. — Minha pequena estrelinha do rock. — ela riu, e me deu um beijo.
Meu pai olhou de lado o jornal.
—Uau. Ele vai fazer uma turnê. — ele disse, parecendo orgulhoso por Adam.
—Sim, tudo que ele sempre quis está acontecendo. — eu sorri de lado.
Meu pai, estava sentado na ponta da mesa e eu podia ver que ele estava feliz. Era sexta-feira, isso significava que ele não trabalharia, então passaria o dia comigo e com Teddy. Já mamãe que trabalhava de recepcionista de uma clínica de dermatologia, trabalhava hoje. Mesmo grávida de quase nove meses, mamãe, simplesmente odiava ficar parada, então tomava poções revigorantes a cada três horas, colocava chinelos nos seus pés gordinhos e ia trabalhar.
—Vocês todos vão ficar aqui juntos. Não é justo. — minha mãe disse.
—A vida não é justa. — Teddy riu, e meu pai assentiu, apontando para ele.
—Mas as vezes você só tem que dar um jeitinho. — minha mãe riu e deu um balançadinha. — Não posso ir trabalhar com essa tosse, espalhando germes por ai. — ela tossiu, indo até o telefone. — É perigoso para gravidez, cof cof. — ela fingiu. Eu gargalhei, enquanto minha mãe falava com a chefe dela. Ela terminou a ligação com um sorrisinho. — Eu to liberada, o que vamos fazer hoje? Ir dar uma volta de carro? Almoçar fora?
—Acho que vou voltar para cama. — murmurei. — E depois passar o dia com Adam.
—Ah, filha. — minha mãe soltou um muxoxo. — Você vai passar o verão todo nessa Academia, e depois vai voltar para escola, quando que vai ter tempo para ficar com a gente? — ela indagou, com um biquinho.
—Estão querendo me fazer me sentir culpada. — eu ri.
—Deixamos você escolher a música. — meu pai disse.
—Agora tão me subornando?
—Culpa e suborno são as coisas que unem pais e adolescente a gerações. — meu pai falou, com um sorriso. — Não quebre a tradição.
—Está beeeem. — eu ri. Escutei um estrondo alto lá de cima, que indicava que Teddy tinha saído correndo para tocar sua bateria. Era da banda do meu pai, e ele sorriu ao escutar o ruído de Teddy.
—E agora se foi mesmo a ideia de voltar para cama. — minha mãe riu, apertando meus ombros. — Que tal irmos almoçar com seus avós? E depois podemos passar na loja de discos e comprar alguns…
—Poderíamos buscar Emmeline? — indaguei. — Ela me mandou uma carta dizendo que estava morrendo na casa do pai dela.
—Claro que podemos buscar Emmeline. — minha mãe riu. — Mais algum pedido?
—Adam vai junto. — eu disse.
—Teddy. — meu pai gritou. — Vá se vestir. Vamos começar uma aventura.
Teddy finaliza seu “solo” na bateria com um estrondo dos címbalos. No momento seguinte, chega à cozinha saltitando e de roupa trocada, como se tivesse se vestido enquanto descia as escadas de madeira e degraus curtos da nossa casa vitoriana.
—School’s out for summer… — cantou ele.
—Alice Cooper? — perguntou meu pai, o pegando no colo. — Não temos nenhum padrão? Cante pelo menos Ramones. Eu não te ensinei nada?
—School’s out forever.— cantou Teddy, diante da reclamação do papai.
—Sempre otimista. — riu meu pai.
A mamãe riu. E pegou o copo de café que Teddy tentou roubar de mim.
—Vamos nessa, crianças.
ஐ
—Obrigada por vir. — falei no carro para Adam. Eu estava sentada no meio dele e de Teddy, e meus pais nos bancos da frente. Eu já tinha ligado para Emmeline, para dizer que pegaria ela, e ela agradeceu dizendo que já ficaria pronta.
Adam sorriu para mim. Ele estava usando uma calça jeans clara, a barra da calça dobrada, All Star pretos, e camisa preta toda estampada com dizeres punk rock. Ele estava lindo como sempre.
—Quero aproveitar enquanto você ainda está aqui. — ele murmurou, e me beijou.
—Te amo. — sussurrei no ouvido dele.
—Te amo. — ele falou de volta, me beijando, até Teddy nos fazer se separar.
Minha mãe fez meu pai voltar para casa, para pegar algo que esqueceu e isso me fez rir. Quando meu pai abriu a porta, eu olhei para frente, pelo vidro do carro, e vi um vulto preto passar por trás de uma árvore e depois os arbustos se mexeram. Aquilo me fez franzir a testa, mas poderia ser apenas um cachorro preto passando, só que por alguma razão, eu me lembrei da carta de havia recebido de Tia Walburga, furiosa sobre meu noivado com Adam, e outra de Bellatrix dizendo que iria me queimar da tapeçaria. Eu não contei para os meus pais sobre nenhuma dessas cartas.
Papai logo se põe a diante do volante e gira a chave na ignição, em seguida pisando fundo no acelerador.
—Eu quero ouvir Alice Cooper! Alice Cooper! — Teddy berrou. Aquele pequeno gole no café claramente aumentou a hiperatividade dele.
—Nada disso. — eu ri. — Eu escolho e quero Beatles. — falei. Mamãe coloca a fita cassete e a música soa pelo carro. Sorrio feliz e Teddy me mostrou a língua.
Encostei a cabeça no ombro de Adam, observando a paisagem movendo-se rapidamente, uma pintura de pinheiros verde-escuro, mais uma vez, em uma das árvores um vulto preto passa, e dessa vez eu tomo um susto agarrando o braço de Adam, que me mirou.
—Tudo bem?
Eu responderia, mas minha minha mãe soltou um grito, agarrando o ombro do meu pai. Eu consegui me virar a tempo de ver o vulto preto a metros na frente do carro, mas dessa vez um pouco antes de tudo apagar, eu consegui ver a forma.
Bellatrix apontou a varinha para o carro e um jato eletrizante saiu de sua varinha, batendo com tudo no capô do carro. A risada dela e a música melodiosa dos Beatles foram a última coisa que eu escutei.
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Adam acordou ofegante, em choque. Ele viu uma luz em sua direção, então tudo doeu e ficou escuro. Ele olhou para cima e viu o céu claro, com uma linha preta de fumaça subindo. Escutou ao longe sirenes altas, e gritos. Gritos de criança. Isso o fez acordar de vez, e conseguiu virar seu rosto. O carro estava destruído. O impacto do feitiço pareceu ter a força de uma bomba atômica. As portas do carro foram arremessadas para longe, o banco do passageiro voou pela janela. O chassi foi arrancado, bateu na pista e o motor do carro se soltou como se fosse tão frágil quanto uma teia de aranha. As rodas e as calotas foram lançadas na floresta. Parte do tanque de gasolina foi incendiada, acendendo pequenas chamas na estrada. Além das sirenes Adam escutava apenas a música dos Beatles, de alguma maneira, o rádio do carro continuou ligado, então a música continuou tocando.
Adam conseguiu enxergar o carro, ele estava todo amassado, o que significava que todos deveriam ter tido atirados para fora do carro como ele, mas ele viu uma parte não amassada, e lá estava Teddy, chorando. Batendo suas pequenas mãozinhas no vidro do carro, com sangue escorrendo pela cabeça, desesperado. Adam tentou falar, mas gorfou sangue, e sentiu seu peito doer como nunca antes na vida. Ele ergueu a cabeça.
A segunda pessoa que Adam viu, a alguns metros do carro foi o pai de Addie, ele conseguiu percebe a saliência do cachimbo saindo pelo bolso da calça. Pedaços do cérebro do dele estavam pelo asfalto, mas o cachimbo salvo em seu bolso. A mãe de Addie estava perto do pai dela. Não havia quase nenhum sangue sobre ela, mas seus lábios estavam azuis e o branco dos seus olhos estava completamente vermelho, o encarando assustadoramente. Ela parecia morta.
Ele ofegou, tossindo sangue, querendo se levantar, mas sem conseguir se mexer. Ele virou a cabeça para o outro lado, desesperado. E lá estava ela.
Addie.
Ela estava deitada de costas para cima. Os olhos fechados. O cabelo molhado e avermelhado de sangue. Tinha uma enorme poça de sangue embaixo dela. Sangue como Adam nunca tinha visto antes. Umas das pernas estava torta, a pele e os músculos expostos de maneira que o osso estava visível.
Adam sentiu lágrimas descerem pelo seu rosto, enquanto tentava se arrastar até Adhara, imóvel, quase como se estivesse morta. Ele ergueu sua mão, e conseguiu pegar nos dedos dela. Onde o anel de noivado estava ensanguentado por um corte no braço. Adam escutou as sirenes se aproximarem finalmente.
—Addie, respire. — ele conseguiu sussurrar. — Por favor, só respire.
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Os bombeiros, policiais e paramédicos chegaram. Cobriram um dos corpos com um lençol e outro colocaram dentro de um saco plástico. Ele começa a explicar para um policial, que o corpo que foi colocado no saco plástico, provavelmente havia sido atingido primeiro e teve morte instantânea, por isso a ausência de sangue espalhado pelo corpo, e que não havia nada o que pudessem fazer também pelo bebê. Os dois estavam mortos.
—Parada cardíaca imediata. — ele falou, para o bombeiro mais novo. — Quando o coração não consegue bombear sangue, a vítima não sangra. O sangue para de circular. E o bebê… ele ficou sem oxigênio tempo demais.
Eles estavam tendo trabalho em cortar o carro capotado para tirar a criança presa lá dentro, que gritava pelos pais, e enquanto isso já colocavam em uma ambulância o adolescente que acaba de ter uma parada cardíaca, sobrando apenas a adolescente completamente ensaguentada no asfalto. Ela estava com a perna presa em uma valeta, cercada por uma equipe de homens e mulheres que faziam procedimentos ininterruptos sobre ela, conectando coisas nas veias. Ela fica seminua quando rasgam seu vestido.
Muitas pessoas que viam pelo mesmo caminho, estavam sendo instruídas pelos policias sobre caminhos alternativos, mas a maioria tinha saído do carro para ver a cena. Alguns desviam o olhar, algum até mesmo choram e passam mal. E, mesmo sem saber quem são aquela família, torcem para que consigam sobreviver.
—Ela está na escala 8 do coma Glasgow. Vamos entubá-la agora. — gritou uma paramédica.
Na mesma hora, enfiaram um tudo pela garganta dela, e colocaram um balão nele, começando a bombear.
—Para a ambulância. — alguém gritou. E a levantaram em uma maca, colocando-a dentro do automóvel.
Uma paramédica, bombeia o balão com uma das mãos e ajusta o tubo intravenoso e os monitores com a outra. Depois afasta um emaranhado de cabelos que estava sobre a testa da menina.
—Aguente firme. — ela pediu.
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Emmeline estava pintando a unha no seu quarto. Sentada em uma cadeira, ainda sem estar arrumada. Freya estava deitada em sua cama, pois sua mãe havia a obrigado a passar tempo com Emmeline, então as duas apenas ficavam no mesmo cômodo, sem realmente falar uma com a outra. Freya a olhou de lado, entediada, mas Emmelien fingiu que ela não existia.
O telefone tocou e ela atendeu sorridente.
—Eu juro que já estou me arrumando, Addie… — Emmeline começou, risonha. Mas aos poucos o sorriso foi saindo do seu rosto a medida que escutava o que Willow tinha para dizer. Tudo pareceu parar, quando Willow terminou. Ela se levantou, o telefone caiu no chão com tudo, e o frasco do esmalte caiu, escorrendo pelo chão. Ela saiu correndo do quarto desesperada demais.
—Emmeline! — Freya berrou, indo atrás dela. Achou Emmeline gritando com o pai, na porta de casa, por onde ela tentava fugir chorando demais para fazer sentido.
—O que aconteceu? Emmeline! — Ethan falava, enquanto ela gritava chorando.
—Acidente! Addie sofreu um acidente! — ela conseguiu dizer. Ela estava confusa, e só sabia que precisava achar a amiga precisava achá-la antes que ela morresse. Ethan sabia que Addie era amiga de Emmeline, e na hora falou para ela se acalmar que iria levá-la para o hospital. Chorando e tremendo, Emmeline conseguiu pensar direito, e correu para o telefone que ficava na sala. Ela discou o número.
—Alô?
—Remus!
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Emmeline aparatou com seu pai atrás do hospital, logo Remus estava lá com seu próprio pai, a olhando desesperado. E depois Sirius chegou com James e Euphemia. Peter finalmente chegou, e eles se olharam. A notícia tinha sido passada. Todos ficaram confusos e apenas fizeram o que Emmeline disse.
—O que exatamente aconteceu, Emmeline? — Sirius perguntou, agarrando os ombros dela. Ela voltou a chorar.
—Foi um acidente! — ela choramingou. O pai dela passou um braço pelo ombro dela a separando de Sirius. — Temos que avisar os outros…
—Não há tempo! Vamos! — Remus disse, correndo para frente do hospital.
Eles entraram no hospital trouxa, mas como haviam saído de trás do hospital entraram pela área de traumas. Os pais sabiam não saber o que fazer direito, ao ver o desespero dos filhos, e apenas foram atrás deles.
—Black! — Sirius gritou para a moça, atrás de um balcão. — Ahn… Adhara… Teddy…
—Calma, senhor. — a moça pediu. — Está falando sobre Adhara Polaris Dahlia Black e Edward Pollux Black?
—Sim! Sim! — ele falou rápido.
—Ahn… como chegaram aqui tão rápido? — ela sussurrou confusa, olhando os papéis.
—Isso importa? — Sirius berrou furioso com a demora. Euphemia apertou o braço dele.
—Por favor, você tem quaisquer informações? — ela pediu.
—Sim. Adhara e Edward estão a caminho, assim como Adam Cook…
—Adam estava no carro? — chorou Emmeline, abraçando seu pai.
—Os três estão a caminho, mas Kat… e Denny… infelizmente…
—Não. — Sirius murmurou, balançando a cabeça negativamente.
—Kat morreu na hora, e Denny morreu na ambulância… eu sinto muito. — ela falou, parecendo com pesar, mas também com naturalidade como se desse essa notícia todos os dias.
—Ela estava grávida. — Emmeline disse. — O bebê… Daisy…
—Eu realmente sinto muito. — a moça repetiu.
Emmeline chorou angustiada, Sirius deu dois passos para trás. Seus tios estavam mortos, eles simplesmente morreram. Até mesmo sua priminha, tão pequena. Sentiu Euphemia o abraçando, e ele escondeu seu rosto no ombro dela.
—Merda. — James disse, querendo chorar. Peter estava confuso demais, e apenas olhava a todos. E Remus estava perdido. Ele se sentiu perdido. Os pais de Addie haviam morrido e ela podia morrer também.
—Abram espaço! — escutaram um grito. E todos ficaram alertas. Entrando pela área de traumas, estava Teddy chorando em cima de uma maca, cheio de tubos, com um monte de paramédicos em volta.
Sirius sentiu seu coração bater rápido, e ele correu, conseguindo agarrar a mão de Teddy, que chorou ao vê-lo. Sirius tentou sorrir, em meio ao desespero dele e de Teddy, e tentou passar confiança.
—Eu estou aqui, Teddy. Eu estou aqui! — Sirius disse, sentindo lágrimas descerem pelas bochechas. Um paramédico o tirou de perto de Teddy, e eles correram com ele para dentro de uma sala. — TEDDY!
—Calma, Sirius. — James disse, o abraçando e o puxando, para que não corresse. — Calma. — ele pediu, assustado.
Mais uma vez a porta da área se abriu e dessa vez era Adam em uma maca. Ele estava acordado, mas tão quieto quanto um morto. Cheio de tubos como Teddy. Ele passou na frente de Sirius, e os dois se olharam nos olhos, antes de Adam ir para uma sala também. Pela primeira vez Sirius viu medo nos olhos de Adam.
—Ele está bem? — Emmeline indagou. — Adam, está bem?
Pela terceira vez, a porta se abriu. Dessa vez todos sabiam quem era que vinha lá, e por isso ficaram calados, não se ouvia nem o choro desesperado de Emmeline, apenas o barulho dos médicos falando, enquanto traziam Adhara para dentro do hospital.
—Acho que temos um pulmão colapsado aqui. Coloquem um tubo torácico e levem-na! — ordenou uma médica negra e delicada.
Adhara parecia morta. Foi a primeira coisa que Sirius pensou, e isso o assustou tanto que ele soltou um soluço desesperado, e as lágrimas vieram como uma enxurrada. Eles a levaram para dentro de uma sala, mas dessa vez ninguém impediu Sirius de correr e olhar pela janela, na verdade correram com ele, todos se jogando contra a janela para verem o que os médicos faziam.
—Temos que levá-la para o Mungus! — James disse apressado. Eles viram os médicos colocarem algo laranja ao lado do peito de Addie e depois um pequeno tubo de plástico dentro dela. Um médico acendeu uma lanterna bem em cima do olho dela, e falou algo para os outros, com a expressão muito séria.
Os médicos finalmente perceberam que tinha gente assistindo e foram correndo fechar as cortinas. Sirius começou a bater desesperado no vidro, gritando com os médicos. James tentou o segurar, e Peter o ajudou, enquanto Emmeline caía em mais um chorou agudo e sofrido.
Remus deu um passo para trás, seu pai o olhou, mas dele apenas continuou andando para trás, até achar uma parede para encostar, onde ele ofegou e desceu lentamente, se sentindo perdido demais. Os gritos de Sirius, o choro de Emmeline, o desespero de James, a confusão de Peter, tudo estava demais. Ele colocou as mãos sobre as orelhas e apertou. Depois fechou os olhos. Addie foi sua primeira amiga. Seu primeiro beijo. Seu primeiro amor. Ele não podia perdê-la assim. Não podia. Sirius gritou mais uma vez, não se aguentando e chorando nos braços de James, e Remus apertou mais suas orelhas.
—ADDIE!
ஐ
Havia muitas coisas erradas com Adhara.
Aparentemente, os pulmões entraram em colapso. O baço havia sido perfurado. Hemorragia interna de origem desconhecida. E os mais grave, contusões cerebrais. Também tinha algumas costelas quebradas, queimaduras nas pernas causadas pelo atrito com o asfalto, o que exigirá enxerto de pele.
Agora ela estava no centro cirúrgico, os médicos tiveram de remover o baço dela inserir um tubo para drenar a água que se acumulava nos pulmões e dar um jeito em o que estivesse causando a hemorragia interna. Não havia muito o que eles podiam fazer em relação ao cérebro naquele momento.
—Temos que esperar para ver. — disse um dos cirurgiões, olhando para uma das tomografias da cabeça de Adhara. — Enquanto isso, chamem o banco de sangue. Preciso de duas unidades de “O negativo” e de mais duas unidades reservas.
“O negativo” era o tipo de sangue de Adhara. Não era algo que ela sabia. Nunca precisará antes, nem pensar a respeito.
No centro cirúrgico, os médicos estão discutindo sobre qual música vão ouvir, durante o procedimento. Um deles quer ouvir jazz, outro rock. A sala de cirurgia é pequena e está cheia, repleta de luzes florecentes, o que destaca o quanto este lugar está encardido. O chão, apesar de estar polido e brilhante, está cheio de marcas de ferrugem, que antigamente eram marcas de sangue.
Sangue. Por todo o lado. Mas isso não incomoda os médicos nem um pouco. Eles cortam, costuram, fazem a sucção do riu de sangue que se forma sem nenhum problema, como se estivessem lavando a louça com água e detergente. Enquanto isso injetam uma espécie de mangueira na veia e não para de reabastecer a bolsa de sangue.
O cirurgião que queria ouvir rock transpirava muito. Com certa frequência, uma das enfermeiras tem que secá-lo com uma gaze que ela segura com uma pinça. Em um dado momento, a máscara cirúrgica que ele usa fica molhada pelo suor e ele tem de trocá-la.
A anestesista tem dedos delicados. Ela está sentada ao lado da cabeça de Adhara, observando todos os sinais vitais, ajustando a quantidade de líquidos, gases e de drogas que são injetados. Ela acaricia a têmpora de Adhara distraidamente com suas luvas látex.
—É simples, querida. — ela sussurrou. — Você é que controla tudo. Viver ou morrer. Só depende de você. Então, busca a força de dentro de você e lute.
O CD de rock já tocou duas vezes até agora e os médicos decidem que está na hora de trocar por outro tipo de música. Escolhem jazz.
A cirurgia parece interminável. Mas os médicos continuam ali, de pé, parados, sem desistir, como se corressem em uma maratona inteira. Eles não desistem. E muito menos ela.
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Os avós de Addie chegaram, na sala de espera que estava todos, preocupados. A avó de Addie falava consigo mesmo, é o jeito que ela tem de não deixar as emoções a dominarem. Ela já tinha feito isso antes, quando o avó de Addie teve um infarto. Ela estava usando um vestido chique, porque tinha se arrumado para ir almoçar fora, onde tinha combinado com a mãe de Addie. Ela tinha um colar bonito e a maquiagem ainda feita, sem borrões. O avô de Addie olhava fixamente para o líquido do seu copo de isopor e começou a arrancar os pedacinhos da borda, formando bolinhas que caem sobre seu colo. Dá pra ver de longe que é o pior tipo de café, aquele que foi feio em 1970 e ficou na cafeteira desde então. Ele ergueu os olhos. Os meus olhos azuis-acinzentados que Teddy tinha.
Eles tinham acabado de ser avisados sobre a morte da filha, do genro e da netinha que ainda estava na barriga. A dor que sentiam dentro de si, era tão grande e forte, que em um segundo podiam se debulhar em lágrimas em segundos. Mas eles ainda tinham Adhara e Teddy. E eles precisavam da família mais do que nunca.
—Sr. e Sra. Bernauer. — uma moça chamou, vindo até eles. Todos se juntaram perto. — Eu tenho informações que Adhara Black está terminando sua cirurgia e logo será levada para a UTI. E Edward…
—Teddy.
—Sim, Teddy, está bem, está agora fazendo uma tomografia.
—E Adam?
—Adam Cook? São da família?
—Quase. — o avó respondeu.
—Desculpe, não posso responder sobre outros pacientes sem a família presente.
—Isso é idiotice. — Emmeline disse irritada, se levantando. — Adam está bem ou não?
—Calma, Emmeline. — o pai dela pediu. — Vamos achar a família dele.
—Eu posso ir buscar a avó dele. — Euphemia disse. — Ela mora ao lado de Addie, não é?
—Obrigada, Euphemia. — a avó de Addie disse. Euphemia sorriu. Ela deu um beijo em todos os adolescentes, e um demorado em James, e saiu do hospital.
—Addie, vai ficar bem. — Peter disse, aos amigos, quando voltaram a se sentar nas cadeiras da sala de espera. — É a Addie, não é? Ela… ela não pode morrer.
—Todo mundo pode morrer, Peter. — James sussurrou. — Até aqueles que parecem ser imortais.
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Levaram Adhara da sala de recuperação para a Unidade de Tratamento Intensivo. Ela tinha uma sala só para ela, assim como Teddy. Duas enfermeiras a observavam, além de uma ronda interminável de médicos. Um deles é um homem taciturno, rechonchudo, tem cabelo loiro e bigode. E a outra é uma mulher, cuja pele é tão negra que chega a ser azul e ela tem a voz muito alegre, e chama Adhara de “docinho” o tempo inteiro, e não pare de esticar os cobertores da cama, mesmo que Adhara esteja tão parada, que até parece petrificada.
Há tantos tubos ligados a ela, que fica até mesmo difícil de contá-los. Um está ligado a garganta, respirando por ela; outro no nariz, e que mantém o estômago vazio: uma na veia, a mantendo hidratada; um na bexiga. Muitos ligados ao peito, registrando as batidas do coração, outro ligado ao dedo, registrando a pulsação. O respirador que está cumprindo o papel da respiração tem um ritmo tão suave quanto um metrônomo.
Ninguém, a não ser os médicos e os enfermeiros, vieram a ver, e uma mulher, que conversa com os avós, explicando a situação grave em que a Adhara se encontrava.
—Queria que houvesse algo que pudéssemos fazer. — afirmou a avó. — Me sinto uma inútil em ficar aqui parada, só esperando.
—Vou verificar se a senhora pode vê-la, nem que seja um pouquinho. — ofereceu a enfermeira. — Ela ainda está sedada devido à cirurgia e continua com o balão de oxigênio para ajudá-la a respirar enquanto seu corpo se recupera do trauma. Mas, para pacientes em estado de coma, ajuda muito escutar a voz de seus familiares.
O avô reagiu com um gemido sofrido. E Emmeline chorou ao fundo.
—Tudo vai ficar bem. — Remus sussurrou para si mesmo, tentando realmente acreditar no que ele falava. — Tudo vai ficar bem.
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Agora tinha uma porção de gente no hospital. Henry e Willow, mas ela foi ficar com Teddy. Emily, Frank, Alice, Dorcas, Marlene e Lily. E também a banda de Adam. Todos juntos dos que já estava na sala de espera. Dimitre faltava e isso perturbou todo mundo, mas ele estava na Rússia visitando parentes e não tinham conseguido nem entrar em contato. O pai de Adam chegou desesperado, e junto dele estava Nathan e Jason. Todos conversando sussurrando, como que por respeito às outras pessoas que também esperam, mas também por medo de falar alto e tudo ficar ainda mais real. Tudo estava tão sério, tão sinistro…
—Pare. — exigiu James, pois Emmeline começara a chorar novamente. — Se eu não estou chorando, não sei por que diabos você deveria estar.
—Mas… — retrucou Emmeline. — Como é que você pode estar tão… — ela soluçou. — tão calmo quando…
—Chega! — interveio Emily. — Addie ainda está aqui. Teddy ainda está aqui. Adam ainda está aqui. Então, eu, ou Emmeline, ou ninguém aqui pode se descontrolar. Addie não se descontrolaria, ela ficaria forte por todo mundo, então vamos ficar forte por ela, está bem?
Remus no canto da sala, não conseguiu sorrir. Emmeline parou de chorar e se abraçou com Emily, que a consolou. James e Peter estavam no chão, jogando um para o outro uma bolinha de papel. Frank e Alice estavam abraçados, sérios. Lily e Marlene tinham as mãos dadas, e Dorcas ao lado delas, sem falar nada. A banda estava toda séria, nervosos. Marshall tentava não chorar. E Remus viu que todos estavam assim, tentando não chorar.
Ele encostou sua cabeça na parede e fechou os olhos.
—Por favor, Addie, não morra. — ele sussurrou. — Eu entendo que talvez você tenha motivos para querer isso. — ele disse, pensando nos pais dela. — Mas pense: quem vai cuidar de todo mundo se você morrer? Nós precisamos de você. Eu preciso de você. E eu ficaria triste. — ele falou. — Sei que você odiaria isso.
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—Adhara continua inconsciente, mas seus sinais vitais estão melhorando. — anunciou a enfermeira. — Ela está com os fisioterapeutas agora. Eles estão realizando testes para averiguar o quanto os pulmões estão funcionando e se ela conseguira respirar sem a ajuda dos aparelhos.
—Então, isso é uma boa notícia? – questionou Sirius. — Se ela puder conseguir respirar sem a ajuda desses aparelhos, isso significa que vai acordar logo?
A enfermeira balança a cabeça de um jeito solidário e compreensivo.
—Se ela conseguir respirar sozinha, isso vai ser um ótimo sinal. Significa que os pulmões estão se recuperando e que as contusões internas estão se estabilizando. O que resta é as lesões cerebrais. Não sabemos quando ela vai acordar ou o quanto o seu cérebro está comprometido. Estas primeiras vinte e quatro horas são as mais críticas e Adhara está recebendo todos os cuidados possíveis.
—Podemos vê-la? — a avó indagou.
—Sim. Três pessoas da família no máximo. — a enfermeira murmurou. – E depois podemos levar vocês para ver Edward.
—Nós vamos. — intervem a avó, dando um passo adiante. O avô está bem ao lado dela.
—Sim, foi o que eu pensei. — afirmou a enfermeira.
—Eu também. — Sirius se pôs a frente depressa. James estava quicando no lugar louco para ir. – Eu sou da família. Primo.
A enfermeira assentiu. Os três a seguiram pelos corredores. No elevador, ela tenta os deixar prontos para ver Adhara, explicando sobre os ferimentos visíveis dela. Quando eles atravessam a porta e entram da UTI, eles param, como se tivessem sido impedidos por uma barreira invisível. A avó segura a mão do marido, eles procuram o quarto, e caminham em passos largos até ele.
—Olá, minha francesinha. — o avó disse, assim que chegou ao lado de Addie. Sua esposa veio atrás dele, mas Sirius parou na porta do quarto de Addie.
Ela estava tão frágil.
Sirius caminhou até Adhara, com a respiração entrecortada à medida que se aproximava no leito. A enfermeira passa por eles.
—Adhara, seus avós e seu primo estão aqui. — ela falou. — Vou deixar você com eles agora.
—Ela pode nos ouvir?
—Sinceramente? Não sabemos, mas só a presença do senhores pode ajudar. — ela disse, e saiu do quarto.
Eles ficaram em silêncio, apenas a olhando. Frágil, quieta, cheia de tubos pelo corpo. Tão diferente da Addie normalmente. Sirius resolveu chegar mais perto da cama, e suspirou, antes de tocar a mão dela. Ele tocou os dedos dela, e depois desceu para palma, ela não estava quente, mas também não estava fria, ele apertou a mão dela, e viu a tatuagem em seu pulso, ficou imaginando se os nomes do pai da Addie, apareceriam ali em um futuro próximo, ou se ele teria uma nova tatuagem no pulso com o nome dela.
—Não duvidem nem por um minuto que ela consegue ouvi-los. — uma enfermeira, disse perto da porta. — Ela tem consciência de tudo o que está acontecendo. — ela disse, e eles absorvem o que ela falou. — Vocês podem achar que são os médicos ou as enfermeiras ou todos estes equipamentos que controlam o show. — ela falou, gesticulando na direção dos aparelhos. — Não-não. É ela quem controla o show. Talvez, ela esteja só esperando a hora certa. Por isso, conversem com ela. Digam que pode usar o tempo que for necessário, mas que volte, porque estão esperando por ela.
A enfermei saiu. Eles puderam ficar mais um tempo com ela, até serem levados de volta a sala de espera. Sirius se sentou junto aos amigos, enquanto os avós de Addie iam ver Teddy, que como era uma criança e estava acordado deixaram apenas duas pessoas visitarem.
—Vocês acham que a decisão depende dela? — Sirius indagou.
—Que decisão? — James perguntou confuso.
Sirius pareceu meio incomodado, mas torceu o nariz.
—Ah, você sabe… decidir. — ele murmurou.
—Do que você está falando? — Peter peguntou.
—Sei lá do que estou falando. É tipo… se tivessem anjos e eles querem que a Addie se junte a ele, mas ela que decidi se quer se unir a eles ou ficar aqui.
—Eu acho que se ela lutar, se ela tiver vontade de viver… — Remus suspirou. — … se ela ficar, se ela viver, a escolha é dela.
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Eles queriam vê-la. Todos eles. Mas aparentemente apenas a família podia entrar na UTI, então só Sirius entrava para ver Addie, o que fazia todos ficarem muito nervosos e ansiosos.
Remus sofria calado no canto, enquanto os amigos conversavam. Ele queria poder abracá-la. Tocá-la. Ele chorava em silêncio, querendo mais do que tudo que Addie ficasse bem.
Então James se levantou. Ele foi até o balcão e deu um tapa na mesa. Sua mãe ofegou junto dos adultos, mas ficou no lugar.
—Posso ajudá-lo, meu jovem? — a moça atrás do balcão perguntou.
—Gostaria de visitar uma paciente. — James respondeu mandão.
—Lamento dizer que isso não é possível. — ela respondeu.
—Mas a minha amiga, melhor amiga…
—Está sendo muito bem cuidada. — interrompe a mulher. Ela parece cansada. Cansada demais para ter empatia, cansada demais para se comover com o amor de um amigo.
—Eu sei disso e agradeço, mas eu realmente preciso vê-la. — ele disse, se esforçando ao máximo para fazer o jogo dela, para parecer maduro.
—Sinto muito, meu jovem, mas as visitas estão restritas à família. — ela disse.
James ofegou. A moça não quis ser cruel. Ela apenas não entedia o que Addie era para James e vice-versa. Ele perde toda maturidade que juntou, e soltou um berro.
—Eu sou a família dela! Nós todos somos a família dela! — ele disse, descontrolado. Sua mãe se levantou e foi até ele, o puxando de leve. — Eu exijo vê-la agora!
—Eu vou precisar chamar a segurança? — ela indagou. – Eu estou sendo boazinha até agora.
—Boazinha é a última coisa que você é. — Lily disse, ela se levantou e se postou na frente de James.
—Ahn...não, não é preciso. — disse Euphemia, puxando seu filho para cadeira. James olhou Lily por instante.
—Não é justo, mãe. Não é! — James disse, voltando a atenção para a mãe. Ela se sentou, e James a abraçou. — Não é! — ele chorou. — Eu quero ver a Addie. Eu quero ver a Addie!
Parecendo ser a brecha, todos começaram a chorar. Se abraçaram e choraram. Sirius se sentou ao lado de Remus, os dois sendo os únicos calados, sofrendo em silêncio.
O assunto virou sobre Teddy. Ele tinha tido alguns cortes e ferimentos, alguns foram ruins e precisaram de cirurgia, mas de longe Teddy foi o mesmo ferido de todos no acidente. Ele era o único que tinha a certeza que ficaria bem. Que viveria.
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—Não sei não se essas coisas funcionam de verdade. Tipo isso só se vê nos filmes. — Emmeline disse a James. Estavam eles, Sirius, Remus e Peter andando pelos corredores. Eles acharam uma sara destrancada e entraram, em meio a escuridão, Emmeline achou o interruptor.
—Toda ficção é baseada na realidade. — afirmou James. — E meu plano vai funcionar.
—Você não parece muito como um médico, James. — Peter falou.
—Pretendo me passar por um atendente de plantão. Ou talvez por um zelador.
—E porque um zelador entraria na UTI? — indagou Sirius.
—Alguma lâmpada quebrada, não sei.
—Ainda não consigo entender, porque vocês simplesmente não falam com os avós da Addie. — Sirius disse. — Tenho certeza de que os avós dela explicariam para os médicos e conseguiriam fazer vocês entrarem.
Remus balança a cabeça.
—Sabe, quando a enfermeira ameaçou chamar a segurança por causa de James, o meu primeiro pensamento foi de chamar os pais da Addie para resolver isso. Até pensei que Addie resolveria isso em um segundo. — Remus murmurou. — Toda hora esse pensamento me vem à cabeça, e sempre vem como se fosse a primeira vez. — ele explicou com a voz rouca.
—Remus está certo. — James disse. — De qualquer modo, não podemos recorrer aos avós dela. Eles acabaram de perder a filha e o genro, não podemos colocar mais peso sobre as costas deles. Temos que resolver sozinhos… Droga! Não tem nada aqui. — ele disse achando só vassouras. — Precisamos de algo para distrair as pessoas.
—Eu tenho uma ideia. — Emmeline disse.
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—Moço! Moço! — Emmeline berrou, indo até o segurança da UTI. — Tem uma garota tendo um bebê no banheiro! Ela tá no chão, gemendo e gritando! E TEM SANGUE! — ela disse, o puxando pelo braço. — Por todo lugar. Alguém tem que descer lá agora!
—Está bem…
—Eu disse AGORA! — ela disse. O segurança saiu correndo em direção ao banheiro, e Emmeline fingiu que ia o seguir, mas ficou no mesmo lugar.
Os meninos apareceram correndo, e todos foram em direção a UTI. As enfermeiras começaram a gritar enquanto um bando de adolescentes corriam pela UTI, procurando o quarto de Addie. Sirius estava mais para atrapalhar as enfermeiras, e o primeiro a ser pego foi Peter, que foi barrado por um bando de enfermeiras gordinhas. Logo depois foi Emmeline que foi agarrada pelo mesmo segurança que ela enganou. James foi agarrado por um segurança grande e forte, e caiu no chão na porta do quarto da Addie, com a mão esticada. Sobrando apenas Remus, que correu entre as enfermeiras e os seguranças. Pulou James no chão, e finalmente entrou no quarto dela. Addie estava imóvel em cima da maca, e isso o fez parar chocado por um momento. Sem realmente saber o que fazer. Ele deu dois passos e parou ao lado dela. Ele queria tanto ver os olhos dela, mas se contentou. Addie estava parecendo tão pequeninha, tão diferente do usual. Ela tinha machucados pelo corpo, muito visíveis, e esticou a mão para tocar a dela, mas quando estava a centímetros de sentir o contato da pele, um segurança meteu a mão no ombro dele o puxando com tudo para trás, e o tirando do quarto.
Sirius estava do lado de fora da UTI, com as mãos no bolso. James já estava sendo arrastado para fora da UTI, indignado, se debatendo. Emmeline chorava, sendo levada pelo segurança. Peter era empurrado por um grupo de enfermeiras gordinhas, e Remus tentou olhar por cima do ombro, antes de ser atirado para fora.
—Você a viu? Você a tocou? — James indagou.
—Ela está tão… diferente.
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—O que vocês estavam pensando? — indagou Euphemia, do lado de fora da UTI, para o pequeno grupo de adolescentes — Vocês tem ideia…
Uma enfermeira passou correndo por eles, entrando na UTI.
—Pressão arterial e pulsação caindo! — gritou uma enfermeira.
—Ela está com taquicardíaca. — gritou outra. — O que aconteceu?
—Código azul, na traumatologia. — um residente declarou.
Logo um médico, entrou na UTI, esfregando os olhos cansados, de sono, com olheiras profundas. Ele puxou as cobertas de Addie e levantou a camisola de hospital. O médico põe a mão sobre a barriga, inchada e dura. Ele arregalou os olhos e depois fechou.
—O abdômen está rígido. Precisamos fazer um ultrassom. — ele disse, com a voz nervosa.
Uma enfermeira sai correndo até os fundos da sala e volta empurrando uma mesa, com o que parecia ser o ultrassom. Ela passou um gel na barriga de Addie, e o médico o cabo.
—Droga. Está com fluido demais. — ele disse. — A paciente passou por alguma cirurgia hoje à tarde?
—Sim, retirada do baço. — a enfermeira respondeu.
—Pode ser algum vaso sanguíneo que não foi cauterizado. — acrescentou o médico. — Ou algum pequeno vazamento causado por perfuração no intestino. Foi acidente de caro, certo?
—Sim.
—Vamos entubá-la e transferi lá para o centro cirúrgico!
As enfermeiras se apressaram para retirar os monitores e os cateteres e colocar outro tubo na minha garganta. Dois atendentes chegaram rapidamente com uma maca, a transferem da cama para ela. Eles saem correndo empurrando a marca, e saem da UTI.
O grupo ainda está ali, e Adhara passa na maca na frente deles, e entra em um elevador. Eles ofegam quando as portas se fecharam.
—Ela precisa de nós. — Remus sussurrou. — Ela quer a gente.
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Adhara foi levada de volta para a UTI. A cirurgia levou apenas algumas horas, e depois ficou um tempo na recuperação, mas já estava de volta e respirava com a ajuda dos aparelhos.
Willow trabalhava no hospital. Mas ela tinha ficado o tempo todo com Teddy, o acompanhando e segurando sua mão. Mas agora ele estava com a avó, e dormia calmamente, então ela finalmente veio ver Addie. E trouxe com ela Henry e o avô.
—Hoje você fez a gente dar um passeio numa montanha-russa. — riu Henry. — Sua mãe sempre disse que não conseguia acreditar na criança tranquila que você era, e me lembro de ter dito: “Espera só ela chegar na puberdade”, eu estava meio certo e meio errado. Você não é uma adolescente fácil, mas sempre soube se cuidar, então nunca fez o meu coração estremecer de medo, como fez seu pai, mas… o tanto que meu coração bateu hoje, valeu por uma vida inteira, Addie.
—Ah, deixa disso.- pediu Willow, acariciando a barriga de grávida.
—Ah, só estou brincando. Addie vai gostar disso. — ele riu. — Ela tem senso de humor. Está aqui tem um senso de humor negro.
Willow suspirou. Ela começou a mexer nos cabelos de Addie, alguém tinha jogado água neles, então não estava exatamente limpo, mas também não estava coberto de sangue. Willow começou a escovar o cabelo dela com os dedos. Ela desembaraçou os fios devagar, afastando o cabelo debaixo do travesseiro e colocando-os sobre o peito de Addie.
—Assim está bem melhor. — ela disse. Depois de um tempo, ela e Henry saíram deixando o avô sozinho. Ele se sentou ao lado de Addie.
Ele começou a chorar. Ele não faz qualquer tipo de barulho, mas as lágrimas escorrem, molhando o rosto inteiro. É um choro silencioso, mas intenso, como se houvesse uma torneira aberta por detrás de suas pálpebras. As lágrimas caem sobre o coberto e os cabelos recém-penteados de Addie.
Ele não enxuga as lágrimas, tampouco assoa o nariz. Apenas deixas elas escorrem como bem querem. E quando o poço de tristeza seca, ela se curva para frente, e beija a testa da neta. Parece que está prestes a ir embora, mas então ele se inclinou até que o seu rosto esteja próximo ao ouvido dela e sussurrou:
—Tudo bem. Se você quiser partir. — ele disse. — Todos nós queremos que você fique. Eu quero que você fique mais do que já desejei qualquer outras coisas na minha vida. — de tão emocionado, ele disse isso com a voz embargada. Ele fez uma pausa, e pigarreou, respirando fundo. — Mas está é a minha vontade e vejo que talvez possa não ser a sua. Então, eu só queria dizer que entendo se você decidir partir. Tudo bem se tiver de nos deixar. Tudo bem se você decidir parar de lutar.
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Emmeline entrou no quarto como se tivesse dormido em uma caçamba de lixo. O cabelo está todo desgranhado, e as unhas todas descascadas.
Primeiro, ela semicerrou os olhos para Addie, como se ela fosse um brilho, uma luz muito reluzente. Mas depois, como se os seus olhos estivessem se ajustado à lis, ela decide que, mesmo que Addie esteja naquele estado semelhante a um zumbi, mesmo que haja tubos ligados a todo corpo dela, mesmo que o sangue tenha vazado do curativo, elas continuavam Addie e Emme.
—E aí, como você está? — ela murmurou, se sentando na cadeira próxima a cama de Addie. — Bem, eu tive uma noite maluca… — ela começou a contar para Addie, como havia chego no hospital, que tinha tido surtos de choro, que tinha visto Sirius chorar pela primeira vez, que Emily deu uma bronca nela, que James berrou com uma moça, e que eles haviam tentado invadir a UTI, e que tinha quase conseguido. — Eu estava pensando “Qual é a pior coisa que pode acontecer? Ir para cadeia.” — ela disse. — Mas, depois do que aconteceu hoje, isso não seria nada. Até ir para a cadeira seria muito mais fácil comparado a perder você. — ela disse, catando a mão de Addie. — Você está proibida de fazer comigo o que Mary fez! Você não pode fazer isso, está me ouvindo? Nós somos melhores amigas, Addie. Eu e mais um monte de gente em uma sala de espera… nós somos sua família. — ela falou, chorando. — Teddy está em algum lugar aqui nesse hospital com sua avó, e ele vai precisar de você, está bem? Você ainda tem uma família.
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—Agora, você. — Willow apontou para Remus. James soltou um muxoxo por ela não o escolher novamente.
Remus foi apressado até ela.
—Aquilo que você e seus amigos fizeram ontem foi uma grande besteira. — ela disse a ele.
—Eu sei. — ele respondeu. A voz dele soando como um sussurro rouco. — Estava desesperado.
—Não. Você na verdade foi um romântico.
—Fui um idiota. Eles disseram que antes disse ela estava melhor. Que estava forte. Mas foi depois que viemos que ela começou a pior. Disseram que o coração dela parou na mesa de cirurgia…
—Mas fizeram ele funcionar de novo. Addie estava com o intestino perfurado, essas coisas acontecem, e não tem nada a ver com você ou seus amigos.
—Mas ela estava melhor. — Remus sussurrou. — Ai eu apareci e ela quase morreu.
Agora, Remus engasgou num soluço. O som foi como um balde de água fria nele próprio. Willow acariciou o ombro dele.
—Ela ficou daquele jeito porque ouviu vocês. Ela queria vocês, e não deixarem vocês entrarem deve ter feito ela ficar louca, não acha? — ela riu. — Agora entra lá.
Remus entrou no quarto. Addie estava lá, parecendo exatamente como antes de ser levada para cirurgia novamente. Ele se sentou ao lado dela, e demorou um segundo até tocar na mão dela. Antes a mão dela não estava fria, mas agora estava congelando.
—Addie, a sua mão está um gelo! — ele disse e se inclinou, pegando a outra mão, para assoprá-las e aquecê-las. – Ahn… a avó de Adam está aqui, e ela trouxe uma mochila dele, estava dentro da van… eu não queria ficar chorando, então eu peguei escondido, e fiquei mexendo. — ele murmurou. — Addie, ele te escreveu uma música. — ele contou. — Sobre… sobre quando vocês brigaram… então, só quero que me ouça. — ele pediu, com a voz que parece estilhaçada. — Fique. — com essa única palavra melodiosa, a voz de Remus falha, mas ele engole a emoção e prossegue. — Não já como descrever o que aconteceu com você. Não tem nem um ponto positivo nisso. Mas existe um motivo para você viver. E não estou falando de mim. É só que… não sei. Talvez eu esteja falando besteira. Sei que estou em estado de choque… tudo que consigo pensar é em como vai ser uma merda de sua vida acabar agora. Sei que a sua vida vai ser uma droga de qualquer jeito, depois do que aconteceu. E não sou tão idiota assim para achar que posso desfazer isso ou que qualquer outra pessoa possa. Mas não consigo me conformar com a ideia de que você não vai envelhecer, de que não vai para a Rise, fazer todos ficarem impressionados e arrepiados quanto eu fico toda vez que vejo você sorri para mim. Se você ficar, vou… Addie, por favor, fique.
Ele então se descontrola e explode em soluços, como socos numa pele macia. Remus chora tão sofridamente, mas tenta engolir aquilo, acariciando o rosto de Addie.
—Ele te ama de verdade, sabe? — ele disse, pegando um caderno da mochila de Adam. — Não tem melodia, mas… eu vou fazer o meu melhor. — ele tossiu. — Respire fundo, respire claro. Saiba que eu estou aqui. Saiba que eu estou aqui. Fique forte, permaneça pura. Você não tem que temer. Você não tem que temer. — ele cantou, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu vejo você em breve. Como pode um coração como o seu amar um coração como o meu? Como eu pude viver antes? Como eu pude ser tão cego? Você abriu meus olhos. Você abriu meus olhos… — ele cantou o melhor que pode. Segurando a mão de Addie com força, se debulhando em lágrimas. — Eu te amo tanto, Addie. — ele disse, sentindo um nó em sua garganta. — Fique.
De repente tudo que ela precisa fazer é segurar a mão dele mais do que já precisou de qualquer coisa na vida. Não apenas sentir que ele segurou a mão dela, mas segurar a dele de volta. Ela reuniu cada gosta de energia que tinha em seu corpo. Ela estava fraca. Ela não está sentindo apenas uma dor física, mas uma dor por tudo que perdeu, e é algo tão profundo e catastrófico que vai deixar uma cratera dentro dela que jamais vai poderá ser preenchida. Mas agora ela pode sentir tudo o que ainda tem na vida. É demais. Os sentimentos se acumulam, ameaçando escancarar o peito dela. Ela juntou todo o amor que já sentiu, por toda a força dos avós, por Henry e Willow, por Sirius que chorara por ela, por Emmeline a pedindo para ficar, por James gritando com uma enfermeira, por Peter tentando enfrentar uma fileira de enfermeiras gordinhas, por Emily, Frank, Alice, Marlene, Dorcas, Lily e Dimirtre.
Por todos eles.
Então, ela apertou. Depois relaxou, sentindo-se exausta, mas ela fez isso. Adhara apertou a mão de Remus, e ele apertou a dela de volta, e é como se a sua mão pudesse suportar o corpo inteiro dela. Como se pudesse a levantar da cama naquele momento. Então, ela escutou a respiração profunda, e depois sua voz. É a primeira coisa que ela escuta ao acordar. A voz de Remus.
—Addie?
Ela ficaria.
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