When We Were Young
86 How Do You Do It?
Notas iniciais
HOW DO YOU DO IT?
HOGWARTS
1976
5th YEAR
—Srta. Black, o que você viu? — a Professora Minerva me perguntou, em pé ao lado do Professor Dumbledore.
—Uma capa virando o corredor. — murmurei. Os dois se entreolharam.
—Você não conseguiu ver o rosto? — ela me perguntou. Neguei com a cabeça. — O brasão da casa? Ou se era um garoto ou uma garota?
—Eu só vi uma capa virando o corredor. — repeti, fingido honestidade.
—Srta. Black, você sabe que essa pessoa pode ser expulsa de Hogwarts, e seus cúmplices também? — o Diretor indagou. – Um aluno de Hogwarts foi espancado e está inconsciente na enfermaria.
—Eu sei. — falei.
—E mesmo assim, não viu alguém? Não reconheceu ninguém?
—Não.
ஐ
Rabastan saiu com suas mãos fechadas em punho, antes não estava sentindo absolutamente nada, apenas uma grande confusão, mas agora raiva borbulhava em seu peito. Estava completamente enfurecido pela traição. Theo era seu melhor amigo, desde os onze anos, nunca nem tinham brigado, e agora ele havia o apunhalado nas costas.
Ele escutou passos atrás dele, e uma respiração ofegante.
—Rabastan! — era a voz de Theo. Ele se virou, impressionado que Theo tinha ido atrás dele. Ele olhou as roupas tortas dele, e uma marca de chupão, que agora ele sabia que era Kat quem deixava, e não Mirtha. — Eu… eu posso explicar. — ele disse. Rabasta virou a cabeça de lado, e depois negou, virando as costas novamente. — Você nem ao menos gosta dela. — Theo berrou. — Não é como se você se importasse… eu gosto dela...
Rabastan se virou, enfurecido demais, e rugiu, antes de dar um soco tão forte em Theo que ouviu o nariz dele estalar. Theo bateu as costas na parede, e segurou o nariz, olhando Rabastan atordoado.
—Você está apaixonado pela minha noiva? — Rabastan berrou, o catando pela roupa e o puxando, para então derrubá-lo no chão. Ele subiu em cima de Theo, e lhe deu mais um soco. — Você se importa com ela? É isso? — ele deu outro soco no rosto de Theo. — Você é o meu melhor amigo!, babaca — Rabastan berrou, agarrando o rosto sangrando dele. E aproximando seus rostos. — Seu traidor de merda! — ele berrou descontrolado e se endireitando e socando mais vezes o rosto de Theo.
—Rabas… — Theo tentou falar, mas gorfou sangue em seguida.
Rabastan não se abalou, e socou mais uma vez o rosto de Theo. Ele sentiu sua mão doer, mas nem isso o parou, ele continuou socando o rosto de Theo sem parar, querendo causar dor a ele. Rabastan estava tão descontrolado, que apenas via sua mão descendo e descendo no rosto Theo, quebrando seu nariz, fazendo seu olho ficar roxo, sua boca sangrar, e pensava em Theo transando com Kat, transando com sua futura mulher. O pior fazendo tudo isso pelas suas costas, fingindo estar tudo bem, rindo com ele pela frente e por trás estar comendo sua mulher. Ele estava tão irado, e tão puto, que só conseguia pensar em quebrar a cara de Theo, até ele desmaiar.
—Rabastan! RABASTAN! — ele escutou o berro, e duas mãos te empurram. Rabastan caiu para trás, encostado na parede, parecendo recobrar a consciência. Ele olhou Addie, que o mirava assustada. Ela estava na frente de Theo, meio protetoralmente, como que se Rabastan resolvesse bater em Theo de novo, ela estava pronta para o bater. — O que deu em você?
Rabastan ofegou, vendo suas mãos sangrando e machucadas, e depois olhou para Theo, com o rosto completamente destruído, sagrando e parecendo não estar respirando.
—Eu… Theo… — ele proferiu, confuso, ele passou a mão pelo rosto, e percebeu que suas mãos estavam tão ensaguentadas que seu rosto ficou sujo de sangue. — Eu perdi o controle… eu…
—Você pode se dar tão mal por isso. — Addie murmurou, pasma. Ela tocou em Theo, e colocou sua orelha colada no peito dele. Ela escutou os batimentos cardíacos.
—Ele está vivo? Ele…
—Sim, mas eu tenho que o levar para enfermaria. — Addie disse.
—Eu também…
—Rabastan, você tem que dar o fora daqui está me ouvindo? — Addie proferiu, parecendo muito séria. — Vá para sua aula de Aritmancia e fale para o professor que estava com dor de barriga no banheiro, arrume alguém pra confirmar isso para você, pede para… Dimitre. Fale que eu que pedi. — ela mandou. — Você está me ouvindo?
—Sim, sim.
—Então, suma. — Addie disse. — Você nunca esteve aqui. Eu nunca te vi. Vá embora.
Rabastan assentiu, e se levantou, saindo correndo, antes de virar no corredor, ele escutou Addie gritando por socorro. Ele respirou ofegante, vendo suas mãos inchadas. E começou a sussurrar para si mesmo:
—Você nunca esteve lá. Você nunca esteve lá.
ஐ
—Tudo bem, Srta. Black, vamos acreditar em sua palavra. — o Diretor sorriu. Eu sorri também, meio aliviada, mas ainda mantendo a pose de inocente.
—Se a Srta. não tivesse chamado ajuda imediatamente, Sr. Nott poderia ter danos permanentes. — Professora Minerva disse.
—Ele vai ficar bem? — indaguei.
—Vai ficar hospitalizado, não sabemos por quanto tempo, e ele ainda não acordou, mas acreditamos que ele ficará bem, apesar da extensão dos seus machucados.
Assenti, e pedi licença. Me levantei, calmamente.
—Srta. Black. — o Diretor me chamou, quando eu estava na porta. — Lealdade, é tudo, não é?
Pisquei surpresa, e me virei descendo as escadas em caracol. Quando cheguei ao final, comecei a andar depressa. Bati de frente com Kat, que tinha lágrimas nos olhos, ela me encarou, e soluçou.
—Foi Rabastan. — ela disse. — Eu sei que foi. E eu vou contar. — ela tentou passar por mim, mas eu agarrei seu braço.
—Ele é o seu noivo.
—Olha o que ele fez com Theo… ele o deformou. — ela chorou. Franzi a testa, entendendo. Os olhares no jantar, o choro.
—Você gosta de Theo. — murmurei. Ela ofegou, e chorou mais. — Ele pegou vocês juntos?
—Eu o amo tanto. — ela choramingou. — Não queria magoar Rabastan, mas…
—Então, não o magoe mais. — proferi, apertando seu braço. — Se você contar, ele vai ser expulso. Não conte, Kat. — mandei. Kat soluçou, e assentiu, a soltei aos poucos. — Vá ficar com Theo. — ela assentiu, e se afastou de mim.
Suspirei, massageando minha testa, mordendo meu lábio. Em que merda eu tinha me metido?
ஐ
—Eu vou o pedir em namoro. — Emmeline me contou, enquanto pintava suas unhas, e eu apenas estava deitada na minha cama, olhando pra o teto, como eu andava fazendo muito ultimamente. — Isso, vou pedir Freddie em namoro. — ela sorriu feliz.
—Que bom, que você superou o Black, Emmeline. — Lily sorriu, da cama dela, rodeada de livros.
—Digo, eu ainda sinto aquela puta atração física por ele, porque vamos combinar Sirius é um gostoso, mas… Freddie é tão melhor. — ela sorriu sonhadora.
Marlene saiu do banheiro, com os cabelos bagunçados, meio enrolados meio lisos. Ela bufou e fez um biquinho.
—Eu continuo na dele. — ela resmungou. — E alguém pode me ajudar a enrolar meus cabelos? Eu não tenho jeito nenhum com esses feitiços para cabelo. — ela falou.
—Eu ajudo. — Emily disse, da cama dela. Marlene se sentou no chão, e Emily começou a enrolar o cabelo dela com a varinha. — Tem que fazer o movimento certo. É mais fácil fazer em alguém do que em si mesma.
—Dorcas, o que diabos você tá fazendo? — indaguei, quando a vi se maquiando em um espelhinho.
—Me maquiando. — ela murmurou.
—Não, tá tudo errado. — falei, me levantando, e indo até ela. — Me dá. — peguei a sombra. — Não passa tudo de uma vez, dê tapinhas, assim. — murmurei. Passando a sombra em sua pálpebra. — E depois espalhe devagar.
Lily nos olhou com um sorriso bobo no rosto.
—Nós estamos tão unidas. — ela disse.
Olhei ao redor, e percebi que Emmeline, agora pintava as unhas do pé de Lily, enquanto ela lia um livro, e também sorri.
—Sim, estamos. — falei, mesmo que eu e Emily estivéssemos meio estranhas uma com a outra, desde o incidente com Remus, mês passado.
—Emmeline. — Marlene chamou. — Nos conta como é o sexo com o Johannink.
—Eu não fiz sexo com ele, desde que voltamos de Hogwarts. — ela murmurou. Todas gargalhamos. — É verdade, suas vagabundas. — ela disse, com um biquinho. – Porque não acreditam em mim?
ஐ
—Ele não está falando comigo. — murmurei para Remus. Ele me olhou. — Faz quase um mês, isso não está certo… Ele é meu namorado… ele é meu namorado, certo?
—Quer que eu acabe com a raça dele, Addie? — James me perguntou, escutando nossa conversa. Estávamos na Casa dos Gritos, tínhamos ido mais cedo, com o Sol ainda no céu, para ficarmos juntos. — Porque eu faço isso por você.
—Obrigada, James. — sorri. — Mas não precisa.
—Adam está magoado. — Dimitre falou. — Porque não dá o primeiro passo e conversa com ele?
—Porque não foi eu que sai andando! — falei, brava. — Ele que tem que dá o primeiro passo, não eu. Certo?
—Certo. — eles responderam em um coro.
—Emily voltou a falar com você? — perguntei a Remus. Ele negou.
—Digo, ela não me ignora, só… não vai ser mais a mesma coisa. — ele me disse, comendo com a mão o jantar que trouxemos para ele. Um pedaço de carne mal passada, bem suculenta, cheio de sangue.
—Enquanto vocês andam em uma onda de má sorte, eu ando em uma de muito boa sorte. — Sirius sorriu, convencido. Ele beijou Dimitre no pescoço, que riu, e o beijou de volta.
—E eu? Sabem com quantas garotas eu já transei esse ano? — James indagou. — Eu sou um Deus do Sexo. — ele gargalhou.
—E você, Peter?
—Má. — ele murmurou. — Bethany me disse que só transou comigo, porque ela quer transar com todos os Marotos, aliás você é o próximo Remus. — ele disse. — E ela disse que depois vai tentar com a Addie.
—Interessante. — Remus disse, com a boca escorrendo sangue.
—Ta, mas e o sexo? — perguntou James.
—Ah, foi ótimo. Ela tem peitinhos maravilhosos. — Peter disse. — Mamilos de bala, sabe?
—Está começando a escurecer. — Remus nos avisou. Dimitre se despediu de nós, e saiu correndo, enquanto nos aprontávamos e Peter contava mais sobre os mamilos de bala de Batheny Toots
—Vamos tentar te levar para a Floresta Proibida essa noite. — James disse para Remus, com um sorriso maroto nos lábios.
—Não ousem!
ஐ
—Eu estou aqui. — Kat murmurou para um Theo adormecido. — Estou aqui, meu amor. — ela disse, o acariciando na mão.
Theo tinha quebrado o nariz em três lugares diferentes, tinha perdido alguns dentes, quebrado a mandíbula, e perdido uma parte da audição do ouvido esquerdo. Além dos grandes olhos inchados, e com algumas veias explodidas, e suas maças do rosto, tão inchadas e de cores feias, que o faziam ficar quase irreconhecível.
Ela escutou barulho, e Jacques, Severus e Amico entraram na enfermaria. Ela sorriu para eles.
—Alguma melhora? Ele acordou?
—Ainda não, mas a Madame Pomfrey disse que deve ser a qualquer momento agora. — ela disse, esperançosa. — Ele vai ficar bem.
—Ainda nem sinal do filho da puta que fez isso. — Severus disse, cruzando os braços. Amico trocou um olhar com Kat, e deu um sorriso maroto. Ela corou, e desviou o olhar de volta para Theo.
—Rabastan anda estranho. — Jacques comentou. – Ele anda conversando demais com a Adhara, e visitado pouco.
—É, ele só visitou uma vez, e nós nem vimos. — Severus murmurou.
—Rabastan só não quer ver Theo assim. — Kat disse, com um sorriso forçado. — Mas eles são grandes amigos, ele deve estar louco para que Theo acorde.
—Ele deve estar procurando o cara que fez isso. — Severus disse. — É a cara dele querer se vingar.
ஐ
—Ele ficou desfigurado. — Rabastan falou, desesperado. — Todo mundo tá falando disso. Todo mundo quer saber que fez isso com ele. E fui eu!
—Cala boca. — eu falei. — Vai tudo…
—Ficar bem? — Rabastan berrou. — Eu bati tanto no meu melhor amigo que ele quase morreu! Eu quase o matei!
—Eu sei. — falei, tão nervoso quanto ele. — Mas já chega. Não tem o que fazer. Ele vai ficar bem, e a gente tem que disfarçar e parar de ficar andando pelos corredores conversando aos berros.
—Isso… — Rabastan suspirou. Eu o abracei com força, e ele escondeu o rosto nos meus cabelos, se apoiando totalmente em mim. — Obrigado, Addie. Eu vou me lembrar disso para sempre.
Escutamos passos, e nos afastamos minimamente. Era Adam, ele nos encarou e depois, apenas passou por nós, sem dirigir a palavra a mim. Rabastan mirou ele sumir no corredor.
—Eu to bem. — sorri falsamente.
—Se serve de consolo nos treinos dá pra ver que ele tá se sentindo uma merda tanto quanto você. — ele me disse.
Mais passos no corredor, mas agora era Dimitre que parou ao nos ver. Ele tinha suas suspeitas, eu sabia, desde que eu pedi para ele ser o álibi de Rabastan, mas ele nunca me questionou nada. Ele sorriu para nós, e veio até nós.
—Diana Rosier teve um surto agora no almoço. — ele nos contou. Rabastan franziu a testa. — Parece que ela transou com um cara e agora tá tão arrependida que começou a chorar no meio do Salão Principal. Foi levada para enfermaria.
—O que? Diana… — Rabastan passou por Dimitre, saindo correndo para ir para enfermaria.
—Você é uma boa amiga. — Dimitre murmurou, enquanto víamos Rabastan correr e virar o corredor. — Se um dia eu matar alguém, é você que eu vou chamar para me ajudar a enterrar o corpo.
ஐ
ORIENTAÇÃO VOCACIONAL
Todos os quintanistas deverão ter uma breve reunião com a diretora de sua Casa para discutir suas futuras carreiras. Os horários das suas consultas individuais estão listados abaixo.
Eu corri meus olhos pelas listas, e meu horário estava marcado para três e meia, logo depois de Marlene. Eu perderia quase toda minha aula de Runas Antigas, o que iria ter que me fazer ir para a biblioteca pegar tudo que caísse na aula.
Me virei para os meus amigos. Estávamos todos juntos no Salão Comunal, lendo todas as informações sobre carreira que haviam sido deixadas para nós.
—Eu definitivamente vou ser Curandeira. — Lily declarou feliz, lendo concentrada um folheto que tinha na capa um osso e uma varinha cruzados, o emblema do St. Mungus. — Eu preciso de no mínimo um “E” nos NOMs de Poções, Herbologia, Feitiços, Transfiguração e DCAT. Fácil. — ela riu.
—Fácil? Eu vou morrer para conseguir tudo isso. — Emmeline murmurou. Ela também estava interessada em virar Curandeira.
—Você vai conseguir, Emme. — Remus murmurou. Olhando um folheto rosa e laranja intitulado: ENTÃO VOCÊ ACHA QUE GOSTARIA DE TRABALHAR EM RELAÇÕES COM OS TROUXAS?
—Porque tá lendo isso? — James indagou, catando o folheto da mão de Remus. — Vamos ser aurores. — ele disse, então se virou para Lily com um sorriso convencido. — Aurores.
—É, eu ouvi. — ela disse, sem prestar atenção neles.
—Bem maneiro, não é?
—James quer parar de se exibir? — Frank pediu. — Emms, olha isso. — ele chamou Emily. — Você está procurando uma carreira estimulante que oferece viagens, aventuras, substanciais abonos do tesouro para compensar os riscos? Então pense em trabalhar para o Banco Bruxo Gringotes, que no momento está recrutando revertedores de feitiços para emocionantes cargos no exterior… mas precisa de Aritmancia, você vai ter que estudar bastante. – ele leu.
—Isso é simplesmente ótimo. — ela sorriu feliz, catando o folheto da mão de Frank para dar uma olhada.
—Se quiser, posso te ajudar a estudar. — Remus disse, a olhando de lado, meio corado. Emily ficou quieta.
—É, tudo bem. — ela murmurou. Remus sorriu feliz.
Emmeline agora estava absorta lendo: VOCÊ TEM O QUE É PRECISO PARA TREINAR TRASGOS DE SEGURANÇA?.
E Marlene lia um panfleto preto com azul: ESTOURE NO DEPARTAMENTO DE ACIDENTES E CATÁSTROFE MÁGICAS.
—Isso não importa. — ela disse. — Vou tentar ser auror mesmo.
—O que? — James berrou. — Marlene, sua gata, junte-se a nós. — ele disse. Ela riu, e se sentou ao lado dele. — Nós vamos ser uma turma de aurores, tirando Lily. — ele piscou para ela. — Emily, Dimitre e Dorcas… O que vocês vão fazer?
—Revertedora de feitiços. — Emily sorriu.
—Não se direito, acho que vou ser Obliviador, sou muito bom com feitiços de memória. — Dimitre murmurou.
—Eu vou ser uma Inominável. — Dorcas contou.
—Uau, essa é difícil. – Remus disse. — Espero que consiga, Dorcas.
—Obrigada, Remus. — Dorcas sorriu para ele, apesar que ela, assim como Frank, estavam meio frios com Remus, desde o término dele com Emily.
James e Marlene começaram a conversar animados, e Sirius e Dimitre a se pegar loucamente em uma poltrona. Peter começou a conversar sobre panfletos com Frank. Lily e Emmeline começaram a falar sobre virarem curandeiras juntas, e Emily e Dorcas a rir baixinho, sobre alguma piada.
Ouvi James gargalhar e despentear o cabelo, olhando Lily de soslaio. Ele andava fazendo muito isso, despenteando seu cabelo, já naturalmente despenteado, e fazia isso toda vez que estava perto de Lily.
Escorreguei para o chão ao lado de Remus, encostei minha cabeça em seu ombro, e ele a sua no topo da minha cabeça. Percebi Emily nos olhando de lado, mas rapidamente voltando a sua conversa com Dorcas. Remus pareceu perceber também, mas nenhum de nós dois nos afastamos. Na verdade, Remus mexeu nas minhas pulseiras, e depois entrelaçou sua mão com a minha, do mesmo jeito que ele fez quando nós tínhamos uma queda um pelo outro no primeiro ano. E eu não consegui levantar a cabeça para olhá-lo do mesmo jeito que no primeiro ano.
ஐ
Entrei na sala da Professora McGonagall, e ela logo me pediu para eu me sentar, percebi que ela tinha minha ficha escolar em sua mão, e sorri para ela. Tirando algumas detenções, minha ficha era ótima. Ela sorriu de lado para mim.
—Srta. Black, como já sabe essa é uma reunião para discutirmos as ideias sobre carreiras que você já tenha, e ajudá-la a decidir que disciplinas você deve fazer no sexto e sétimo anos. — ela começou a dizer. — Mas acredito que já tenho em mente o que quer ser, afinal passou pela inscrição da prestigiada da Academia Rise.
—Sim, eu desejo ser uma auror. — falei, sorrindo.
—Para isso você precisa de notas excelentes como já sabe. — ela me falou, foleando minha ficha. — Exige-se um mínimo de cinco NIEMs, e nenhuma nota abaixo de Excepcional para os NOMs. E depois você teria que passar por uma série de testes rigorosos de caráter e aptidão, na Seção de Aurores. Mas se a Srta. entrar para a Academia, acredito que isso será muito fácil.
—Sim, acho que sim. — murmurei.
—As disciplinas que você deverá se dedicar são DCAT, obviamente. — ela disse. — Feitiços, muito útil, Poções, venenos e antídotos são disciplinas essenciais para os aurores e Transfiguração, porque os aurores muitas vezes precisam se transfigurar e destranfigurar em seu trabalho.
—Acho que não tenho problemas com isso. — murmurei, mudando a forma do meu rosto. Ela riu, e eu voltei ao normal.
—Bem… — ela folheou mais minha ficha. — Suas notas têm apenas Ótimos e Excede Expectativas, deslizando apenas em Adivinhação e em Trato das Criaturas com Péssimo e Aceitável, respectivamente. — ela murmurou. — Acho que a Srta. tem muitas chances de se tornar uma ótima auror, ainda mais com o apoio da Professora Marrythought, ela diz que você tem aptidão para isso.
Sorri feliz, e ela olhou mais minha ficha.
—Muitas detenções aqui, vejo que no primeiro e segundo ano era mais frequente, mas diminuiu dos anos para cá, se lembre Srta. Black, que não aceitam aurores com ficha policial.
—Longe de mim ter uma. — falei, com a voz angelical. Ela riu baixinho.
—Terminamos a nossa orientação vocacional. — ela disse.
ஐ
Todo mundo estava surtando.
Era final de maio. Ou seja os NOMs e os NIEMs estavam mais próximos do que nunca, e isso significava surtos por todo o lugar.
Lily e Remus pararam de falar com todo mundo, falavam apenas com eles mesmo, quando iam para biblioteca estudar, e comigo, já que eu era a parceira de estudos de Remus.
Emmeline ficou tão louca que tentou tomar um banho relaxante, mas água ficou tão quente que ela desmaiou no banheiro e ficou lá por duas horas até Marlene a encontrar. Marlene tinha gritado com o Professor Binns, o chamando de fantasma decrépito, isso a rendeu uma detenção, a qual ela ficou tão estressada que começou a se coçar tanto que teve que ir para a enfermaria e ficar com as mãos enfaixadas, para parar de machucar a pele.
Dorcas foi visitá-la e quando voltou para o dormitório, ela jogou a cara no travesseiro e ficou lá, até que eu a puxei para que respirasse. Emily veio a ajudar também, e depois foi pentear o cabelo no banheiro, ela voltou berrando, mostrando que seu cabelo estava caindo e então ela pegou uma tesoura e o cortou todo, comigo e Dorcas gritando e tentando tirar a tesoura da mão dela. Ela ficou bem, arrumou os cabelos com metamorfomagia, e falou que foi poção para crescer.
Já os meninos James e Sirus estavam mais do que bem. James estava relaxado, treinava quadribol, dava em cima de Lily, pegava algumas meninas, e depois dava um pouco mais em cima de Lily e a seguia quando ela ia fazer rondas. Sirius estava igualmente relaxado, o via com um livro raramente, ele dava em cima de algumas meninas, sem realmente beijá-las e transava com Dimitre no dormitório, como um coelho e tentava fazer Dimitre não surtar. O que não deu muito certo.
Dimitre teve um surto no meio da aula de DCAT, ele fez como Remus, rasgou seus pergaminhos, gritou com o Professor, xingou todo mundo, e finalmente chorou e desmaiou de nervoso. Foi um dos piores surtos pré-NOMs. Pior até que Frank que terminou Alice no meio da sala, gritando com ela, os dois já estavam bem, mas Alice deu um tapa tão forte em Frank por gritar com ela, que ele ainda estava com a marca. Peter surtou na aula de Poções. Ele explodiu um caldeirão, que deu reação de coceira em sua pele, então irado, e dizendo que era burro demais, virou o caldeirão em Snape, que quase o azarou, se o Professor não o tivesse interrompido. Ele estava na ala hospitalar, com Marlene, Emmeline e Dimitre.
Rabastan estava pirado por causa do negócio com Theo, que tinha acordado, mas que continuava hospitalizado em condições horríveis, e pirou no Salão Principal, jogando comida na cara de Katherine, que só sabia chorar o tempo inteiro. Na aula, nos corredores, no treino de líder de torcida, nos jogos.
Mirtha Flint teve uma reação forte de furúnculos e foi parar na enfermaria. Diana que continuava chorando pela perda de sua virgindade, pediu para ser expulsa da escola, e Cindy parecia ser a única que estava bem, agora saindo com Amos Diggory.
Eu ouvi dizer que Michelle da Trifeta do Bullying, jogou suco de abóbora na cara da Professora Minerva, mas isso eram apenas boatos.
Todo mundo tinha pirado. Todo mundo tinha surtado. E eu a cada dia ficava mais perto de surtar.
Todos botavam grande pressão em mim. Me perguntando sobre os treinos de líder de torcida, os treinos de quadribol, falando sobre a Academia Rise e sobre como eu não podia estragar tudo nos NOMs, mas o mais importante, me perguntando sobre Adam. Se tínhamos conversado, se tínhamos feito as pazes. Meu coração doía, e eu ficava ouvindo Beatles com Remus, enquanto ele estudava. Eu vivia me perguntado como que o Adam conseguia eu me fazer me sentir daquele jeito. Como se fosse tudo culpa minha e que eu tinha estragado tudo. O que eu mais queria era conversar com ele, mas quando o via no Salão Principal…
… eu não fazia nada.
ஐ
—Lily Evans, você é boa demais para ser verdade. — James proferiu, saltitando até Lily. Quando ele parou em frente a ela, bagunçou seus cabelos e sorriu. Marlene deu uma risadinha.
—Vou deixar vocês a sós.
—Não. — Lily berrou. — Olha, Potter… vá encher o saco de um hipogrifo, okay? Não estou com paciência, eu tenho que estudar…
—Eu só estava pensando em como.
—Em como o que? — ela indagou, confusa, odiando a modo como ele bagunçava os cabelos a cada cinco segundos.
—Em como você faz isso comigo. — ele disse, sorrindo charmoso.
—Seja mais específico.
—Como é que você faz o que faz comigo? — ele murmurou, meio cantarolando. Marlene riu, sorrindo, enquanto Lily o olhava chocada. — Eu gostaria de saber. Se eu soubesse como é que você faz isso comigo, eu faria o mesmo com você. — ele cantarolou mais um pouco, sorrindo para ela, que ficou vermelha.
—Você está realmente citando Beatles para mim? — ela indagou, pasma demais. Marlene gargalhou e bateu palmas.
—Você enfiou sentimentos no meu coração. — ele cantarolou, pegando na mão dela, que o empurrou rapidamente. — Como se fosse uma flecha penetrando através dele. Eu presumo que você se acha muito esperta... – ele disse, saltitando em volta dela.- Mas você não vai me dizer como é que você faz isso?
—Eu não faço nada, Potter. Para! — ela disse, tentando o fazer parar de rodar em volta dela. — Marlene, volta aqui! — ela berrou, vendo a amiga fugir, virando o corredor. — O que tem de errado com você?
—Você, meu Lírio. Me dá uma chance, vamos para Hogsmeade…
—Para você tirar minha virgindade e me dar um fora, como faz com todas as garotas que transa? — ela indagou. — Não, obrigada.
—Mas…
—Não! Só não! E pare de bagunçar esse seu cabelo ridículo, Potter. Você é ridículo. — ela disse, batendo no ombro dele, e saindo correndo, antes que ele a chamasse novamente.
James suspirou, e despenteou seus cabelos. Ele ouviu passos e Peter parou ao lado dele, os dois suspiraram.
—É, meu amigo. Essa vai ser difícil.
Fale com o autor