When We Were Young
107 Girls Like Girls
Notas iniciais

HOGWARTS
1977
6th YEAR
Stealing kisses from your missus
Does it make you freak out?
Got you fussing, got you worried
Scared to let your guard down
Boys, boys
—Você não é anormal. Você é como todo mundo. — murmurou Dorcas para si mesma no espelho do banheiro. Ela apertou a pia com força e ficou se encarando no espelho.
Dorcas colocou uma mecha de seu cabelo loiro atrás da orelha e reparou em seu rosto sem maquiagem. Ela nunca soube ou gostou de usar maquiagem, já havia tentado várias vezes para se parecer mais com as outras garotas, mas nunca havia gostado. Ela se lembrava de como seu pai brigava por causa disso, como ele queria que sua mãe fizesse tranças em seu cabelo e a fizesse usar mais rosa, mesmo que Dorcas não gostasse. Ela sempre soube que era diferente das outras meninas, não porque ela não gostava de maquiagem ou rosa, afinal muitas garotas não gostavam. Ela sabia que era diferente porque ela não gostava de garotos como devia gostar, como as outras garotas gostavam. Ela sempre soube, quando Emily Valentine lhe disse quando eram pequenas que Frank estava ficando bonitinho e Dorcas notou que Emily estava ficando bonitinha. E ela notou aos 11 anos o quanto achava as garotas do seu dormitório bonitas e não os garotos e aos 12 anos notou como Emmeline Vance estava ficando com um corpo bonito, aos 13 notou que não gostava de beijar garotos, notou aos 14 anos como Adhara Black estava gostosa no uniforme de torcida, notou aos 15 como Michelle Diggory sorria e como tinha lábios tão bonitos.
Ela se lembrava do dia que havia beijado pela primeira vez, foi com Frank Longbottom. Ela descobriu depois que ele havia a beijado apenas para fazer ciúmes em Alice Soto, e ela se lembrava de chorar e por isso Marlene bateu na cara dos dois, mas o motivo pelo qual ela estava chorando não era porque Frank queria Alice e não ela, era porque ela havia beijado Frank e não tinha sentido nada. Ela tinha tentado. Havia beijado um garoto e ela sentiu simplesmente nada, aquilo a fez chorar. Porque ela não podia ser como as outras garotas? Depois disso Dorcas parou de tentar, não beijou mais nenhum garoto por espontânea vontade, então teve os jogos da garrafa e ela se lembrava de como havia se sentindo quando beijou Lehanna Soto na boca e tocou os peitos dela e depois como se sentiu quando beijou Emmeline, ela sentiu tudo que deveria sentir ao beijar garotos, ela se sentiu feliz, excitada, querendo mais daqueles belos e delicados lábios. Dorcas queria sempre poder beijar garotas, mas parecia tão errado.
Dorcas saiu do banheiro em que estava, pronta para voltar a festa que Sirius e James haviam planejado no quarto andar, eles disseram que só queriam dar uma festa, mas todo mundo sabia que era para comemorar a volta da Adhara para torcida. Ela gostava de festas, gostava de observar o comportamento das pessoas, gostava de beber um pouco as vezes e dançar com Lily, mas ela odiava que não podia se soltar e ser ela mesma, como Sirius. Ela queria ser exatamente como Sirius.
Ela olhou para o corredor quase vazio a não ser por uma menina que andava na direção dela.
—Dorcas Meadowes. — ela disse. Dorcas sorriu vendo que era Michelle Diggory.
—Está me seguindo? — brincou Dorcas. Michelle riu também.
—Fugindo do meu namorado. — respondeu ela, dando de ombros. — O idiota tá me dando nos nervos.
—Eu acho que to um pouco chapada. — comentou Dorcas, olhando Michelle timidamente. Ela olhou para os lábios da lufana e depois voltou a olhar seus olhos. – Você está chapada?
—Dorcas… porque está me olhando assim? — indagou Michelle, ela tinha um pequeno sorriso no rosto e Dorcas se aproximou, como se não quisesse nada, se deixando levar pelos impulsos.
—Eu só estou um pouco chapada… — sussurrou Dorcas, antes de tocar seus lábios no de Michelle. As duas se beijaram vagarosamente, sem língua, apenas um mexer de lábios.
—Porque fez isso?
—Eu só estou um pouco chapada. — repetiu Dorcas, nervosamente. — Só isso. — ela mentiu. Michelle parecia estar confusa, mas no momento seguinte empurrou Dorcas devagar contra a parede de pedras e a beijou. Quando elas aprofundariam o beijo, escutaram passos pelo corredor vazio.
—Dorcas! — ela Marlene. Dorcas empurrou Michelle com tudo, olhando apavorada para a melhor amiga. — O que está fazendo?
ஐ
Tell the neighbors I'm not sorry if I'm breaking walls down
Building your girl's second story
Ripping all your floors out
—Então, ela literalmente pulou em Dorcas. — comentou Marlene, no café da manhã. Ela riu, e comeu uma maça. – Totalmente lésbica, aposto que só tem namorado de fachada.
—Coitada, achar que tem que se esconder. — comentou Frank. — Ela devia ser ela mesma, mas é muito difícil…
—Definitivamente. — disse Dimitre. — É difícil ser o único gay assumido da escola… não, Peter, o Sirius não conta, ele já pegou mais meninas que qualquer cara hétero nessa escola. – cortou Dimitre quando viu Peter abrindo a boca para contestar.
—Mas não deve ser assim tão difícil. — comentou Peter. Dorcas observou a conversa se desenrolar entre os amigos. — Digo, ninguém mexe com você…
—Ninguém mexe comigo quando eu estou com James, Addie… Sirius. — ele murmurou. Sirius se mexeu desconfortavelmente no lugar.– Mas veja eu andando sozinho, eu escuto falarem de mim, me chamarem de bicha, chupa rola, vagabunda…
—Isso é horrível. — disse Lily, segurando a mão do amigo. — Não é a toa que ela não quer se assumir, não é a toa que ninguém quer se assumir… nessa escolha cheia de preconceito.
—Eu acho que ela deveria ser honesta. — disse Marlene, simplesmente. — Como Sirius e Dimitre. Não acha, Dorcas? Ela literalmente pulou em você, nem perguntou…
—Ei, Marlene. — eles escutaram uma voz. Era Michelle parada um pouco atrás dela. — Você deveria tomar cuidado, eu posso me confundir e enfiar meu grande pinto sapatão no seu traseiro por engano.
Os amigos riram e Marlene bufou. Michelle deu um sorrisinho debochado e saiu para a mesa da Lufa-Lufa. Dorcas que estava quieta até então, riu timidamente e sentiu o olhar irritado de Marlene nela.
—O que? – ela perguntou.
—Porque está rindo? — indagou Marlene, não achando graça nenhuma.
—Nada.
—Me conta a verdade. — bufou Marlene. — Para de mentir para mim! — ela disse com a voz alta.
Os amigos se entreolharam, Peter cutucou James que assentiu para ele, os dois estavam sentindo uma treta.
—Tem algo acontecendo que eu não sei o que? — perguntou Lily, confusa, olhando as amigas.
—Tem muita coisa acontecendo que você não sabe. — falou Adhara, ao lado de Remus. Dorcas notou como dava para perceber que eles estava de mãos dadas embaixo da mesa e que os dois dividiam um prato e Remus a fazia comer.
—Porque estão guardando segredos de mim? — perguntou Lily, com um biquinho. James sorriu achando o biquinho dela fofo e piscou para ela, que o ignorou completamente.
—Eu não estou guardando segredo nenhum! Dorcas que está. — acusou Marlene. Dorcas revirou os olhos e a a mirou firmemente.
—Eu beijei ela, está bem? — disse Dorcas, fazendo gestos com as mãos.– Eu estava chapada, acho que peguei um copo batizado de pó de fada e… eu fiquei com vontade de beijar alguém. Satisfeita?
—Uhhhh, talvez possa nos mostrar mais um pouco desse seu lado Dorcas. — riu James, a mesa riu com ele, enquanto Marlene continuou com a cara fechada.
—Não tem esse lado dela, certo? — falou Marlene. Dorcas encolheu os ombros.
—Eu só estava chapada, eu não sou gay, eu prometo.
ஐ
Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Isn't this why we came? Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Girls like girls like boys do, nothing new
Dorcas correu pelo corredor, se sentindo sufocada. Ela se encostou em uma parede de pedra, quando achou que estava suficientemente longe do Salão Principal e de Marlene. Ela encostou a cabeça na parede e fechou os olhos com força. Tudo estava tão confuso na mente dela, que ela não conseguia pôr as ideias em ordem, não conseguia pensar com clareza no que aconteceu. Ela havia beijado uma garota, por vontade própria, uma garota que ela gostava e tinha sido tão bom, foi por tão pouco tempo e tão rápido e tudo tinha dado errado tão fácil, mas ela nunca se sentiu tão bem quanto naquele momento, beijando os lábios de uma garota, daquela garota.
Ela sentia o olhar acusatório de Marlene, ela sentia que Marlene estava apenas esperando uma brecha, tudo já estava a ponto de desmoronar. Todo mundo já estava a ponto de saber e Dorcas não estava pronta. Não estava pronta para assumir o que realmente era, o que realmente sentia. Como depois de tanto tempo ela poderia simplesmente dizer que era…
—Eu ouvi o que disse.
Dorcas virou seu olhar para Michelle. Ela suspirou e a lufana chegou mais perto.
—Sobre o que?
—Sobre eu não ter pulado em você…
—Ah… obrigada por não dizer para ela a verdade antes. — comentou Dorcas.
—Eu não ligo para o que sua amiga acha.
—É, mas eu ligo, então obrigada. — ela murmurou. As duas ficaram quietas. Dorcas imaginou se Michelle havia gostado do beijo tanto quanto ela, se ela ainda estava pensando no beijo tanto quanto ela. — … eu não estava chapada ontem… eu só queria beijar você. — ela contou. Michelle a encarou, franzindo a testa. — Eu quero beijar você agora.
—Você é gay?
—Não… não, eu só… sinto muito. — murmurou Dorcas confusa.
—É, eu também. — disse Michelle, para depois sair andando, sem olhar para Dorcas duas vezes.
—Merda. Merda. — ela disse olhando a lufana sumir no corredor, ela se virou para ir embora, dando de cara com Adhara e Remus. Ele tinha o rosto corado e Adhara tinha uma cara de tédio.
—Não ouvimos nada. — falou Remus, rapidamente.
—É, claro que ouvimos. – falou Adhara. — Você sabe que Marlene descobriu sobre sua revista de bucetas, né?
—Tudo isso é sobre isso? — falou Dorcas, soltando um muxoxo. – Eu… eu não sou gay.
—Tudo bem. — disse Remus, com um sorriso gentil.
—Ah, por favor, Dorcas, a quem você quer enganar? — indagou Adhara. — Seja a porra de uma grifinória e mande todo mundo a merda e vá beijar aquela garota!
—Mas…
—Quem liga que você é gay? A população de Hogwarts? Os riquinhos babacas da Sonserina? Os metidos da Corvinal? Os irritantes da Lufa-Lufa? Os idiotas da Grifinória? Eles todos que se fodam! — falou Adhara, impaciente.
—Não. Não…
—É Marlene? Ela que se foda também, então. — disse Adhara simplesmente.
—Addie! — repreendeu Remus.
—O que? Eu só estou dizendo para ela parar com essa palhaçada porque ela não está mais enganando ninguém. — falou Adhara. — Não existe segredos em Hogwarts, logo esse vai explodir e vai ser pior do que imagina! — ela disse e saiu andando em passos duros.
Dorcas e Remus apenas observaram a loira andar para longe parecendo muito irritada. Eles ficaram quietos, e quando finalmente pararam de escutar os passos de Adhara, os dois se encararam. Dorcas se lembrava muito bem da primeira vez que havia falado com Remus. Eles se cumprimentavam pelos corredores, afinal eram da mesma classe, mas apenas uma semana antes do Natal de 1971 que realmente se falaram, antes ela escutava no dormitório como Adhara falava que ele era um fofo e como Emmeline e Mary super concordavam que ele era uma gracinha.. Ela estava na biblioteca escondida em um canto, estava chateada após uma sonserina ter a azarado com um Bigodius Engorgis, que faz um bigode crescer até a sua cintura. Então, com um bigode enorme ela chorava, até que escutou passos e viu Remus aparecer entre as estantes, ele a olhou e não riu como as pessoas no corredor fizeram, ele se agachou na sua frente, sorriu e perguntou se podia ajudar, Dorcas apenas mexeu a cabeça e com feitiços Remus foi cortando aos poucos o bigode, ele conseguiu cortar até ficar um bigode normal e disse que achava melhor agora ela usar uma poção, porque ele tinha medo de acabar cortando o rosto dela. Ele limpou as lágrimas dela e deu a mão para a ajudar a se levantar, e os dois andaram de mãos dadas até o Salão Comunal, e Remus não ligou nenhuma vez para as zuações que ouviu. Remus continuou com ela.
—Ela está um pouco arisca ultimamente. Acho que é porque ela voltou para a equipe… ela está tentando voltar a ser ela mesmo…
—Eu sei, é difícil. — falou Dorcas, cruzando os braços, se encolhendo um pouco. — Talvez ela tenha razão, Remus, eu deveria ser a porra de uma grifinória.
—Dorcas… você não tem que fazer nada que não queira, você não tem que fazer nada que te mandem fazer, você tem que fazer apenas o que quer e só isso. — disse Remus. Ele se aproximou dela, fez um afago em seu ombro e lhe deu um beijo na bochecha e caminhou para longe, provavelmente para procurar Adhara.
Dorcas suspirou, ainda de braços cruzados, ela deu um pequeno sorriso. Remus era realmente um fofo.
ஐ
Always gonna steal your thunder
Watch me like a dark cloud
On the move, collecting numbers
I'ma take your girl out
We will be everything that we'd ever need
—Então, tem algo rolando com você e a Marlene, não é? — indagou Emily. Dorcas ergueu o olhar da lição de Transfiguração e mirou a amiga, que tentava puxar assunto. Ela, então olhou para o lado, onde seus amigos estavam juntos perto da lareira.
—E tem algo rolando com você e Rabastan Lestrange, não é? – retrucou Dorcas, como se não quisesse nada. Emily arregalou os olhos, mas apenas suspirou.
—Eu ia te contar. — ela disse, tentando se justificar. — Eu realmente ia, é só… está tão bom. Tão só nosso, sabe? Sinto que se as pessoas começarem a saber… essa coisa pode acabar, as pessoas são tóxicas, elas julgariam e eu só quero ficar com Rabastan, beijar ele, transar com ele, só quero estar com ele sem a merda de Hogwarts inteira ficar sabendo e cochichando. — ela falou. — Você entende, Dorcas?
—Claro que entendo, mas você podia ter contado para mim de vez para Sirius. – disse Dorcas. Emily riu e bateu no ombro dela de leve.
—Como sabe disso? Ta parecendo a Addie, antes de… parece que sabe de tudo. — falou ela.
—Eu não sei tudo. Eu vi Rabastan olhando para você na aula de Poções e você olhou de volta e… eu encaixei as coisas. — Dorcas deu de ombros. — E esses dias vi você e Sirius conversando aos cochichos e você saiu escondida e ele ficou te encobrindo. Addie notou também, eu acho…
—Sério? Você acha que ela notou? — indagou Emily de supetão. Dorcas deu um sorriso e tocou no ombro da amiga.
—Está preocupada que ela não vá gostar disso? Addie e Rabastan é mais passado do que você e Frank. — ela disse. Emily gargalhou. Dorcas riu também.
—Sabe… tá tudo tão ótimo com Rabastan, só eu quero beijar a boca dele até não poder mais!
—Me poupe dos detalhes. — pediu Dorcas, ela voltou a sua lição, enquanto Emily começava a contar para ela sobre a perda de sua virgindade. Dorcas desviou o olhar momentaneamente do dever para olhar os amigos e notou que Adhara a olhava. Mesmo que ela tivesse mudado e muito, ela ainda parecia saber tudo sobre tudo mundo.
Dorcas sempre odiou isso.
ஐ
Don't tell me, tell me what I feel
I'm real and I don't feel like boys
I'm real and I don't feel like boys
—Sério, Potter? Eu estou na biblioteca…
—Eu só vim estudar um pouco, não posso me sentar com vocês? Tenho certeza que Dorcas não se importa. — falou James para a Lily, com um sorriso. Dorcas sorriu e pulou uma cadeira, James se sentou ao lado dela e abriu o livro de DCAT que carregava embaixo do braço. Ele começou a ler e realmente parecia muito concentrado. Lily olhou para ele com a testa franzida e depois para Dorcas que apenas deu de ombros com um sorriso.
Depois de um tempo lendo, Dorcas notou que Lily não estava mais assim tão concentrada na própria leitura e sim em observar James lendo. Dorcas casualmente pegou suas coisas e guardou na mochila, para então se levantar, ela não achou que nem James ou Lily notaram.
—Festa hoje a noite, baby! VAI SER FOGO! — Dorcas tomou um susto quando Frank a agarrou pela cintura.
—Sr. Longbottom, quer ser expulso da biblioteca? — indagou a bibliotecária. Frank sorriu para ela e negou.
—Eu sei que a senhora ficaria muito triste se não visse mais o meu rostinho bonito. — ele piscou. Dorcas deu uma risadinha e ele pegou a sua mão a levando para outro corredor de estantes. — Então, Emmeline decidiu do nada que quer fazer uma festa, vai ser algo mais exclusivo, só gente popular…. Ei, você! — Frank apontou para uma menina loira. — Freya, irmã da Emmeline. Festa hoje no quarto andar, na sala atrás das escadas!
A irmã de Emmeline deu um sorriso e assentiu. Frank voltou a olhar Dorcas, animado. E ela tinha um sorriso no rosto, amando como ele estava simplesmente animado demais.
—Ei, Frank, talvez você possa convidar Michelle Diggory, eu só queria… mE redimir pelas coisas que Marlene estava falando sobre ela. — murmurou Dorcas.
—Ah, claro, pode deixar… AI MEU MERLIN, JAMES E LILY TÃO ESTUDANDO JUNTOS! EU TENHO QUE ATRAPALHAR ISSO! — ele gargalhou estrondosamente. Ele deu um beijo na bochecha de Dorcas. — EI, JAMES! TEM UMA LOIRINHA LUFANA TE CHAMANDO PRA SAIR…
ஐ
Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
—Oi. — Dorcas murmurou, segurando um copo de hidromel na mão. A festa tinha começado já a um tempo, e como Frank disse realmente só tinha gente popular, ou pelo menos amigos de populares. E Dorcas ficou rondando por ai, observando até ver a lufana entrar.
—Oi. — respondeu Michelle, não seca, mas também não super amigável.
—Boa festa.
—É, boa, mas não sei porque Longbottom me convidou, mal o conheço…
—Eu pedi para ele te convidar. — disse Dorcas. Michelle suspirou e terminou seu copo de hidromel.
—É?
—Não faz mal continuarmos amigas, certo? Continuarmos nos conhecendo. — disse Dorcas, parecendo desesperada.
—Quando vai contar para as pessoas que é gay?
—O que? Gay? Eu não… eu só…
—Não importa, está bem? Eu gosto de homens, pintos!
—E você anda tendo algum ultimamente?
—Bem, meu namorado…
—Achei que tinham terminado. — disse Dorcas.
—Não, só demos um tempo, mas já voltamos. — disse Michelle, ela estava se balançando no lugar. — Acho que tinha alguma coisa no meu hidromel…
—Depende de que mesa pegou, a que tem uma toalha roxa é porque estão batizados de pó de fada… — disse Dorcas, Michelle gargalhou apoiando a mão no ombro dela, depois catou a mão dela e elas saíram correndo para a mesa de bebidas.
—O que você quer, Doeee? Hidromel, Mel de Salamandra…
—Qualquer coisa, só…
—Só o que? — indagou Michelle, se virando para ela. — Você fala muito essa palavra, sabia?
—Só me de um beijo. — pediu Dorcas. Michelle ficou a olhando, as pupilas extremamente dilatadas e Dorcas lhe deu um selinho devagar.
—Oh. — disse Michelle. — É só o efeito do pó de fada, certo? — ela perguntou. Dorcas assentiu e elas se beijaram devagar novamente.
—Você gostou?
—Você é gay. — disse Michelle, ela riu e pegou hidromel na mesa, para então ir para pista de dança. Dorcas sorriu, tocando os próprios lábios.
—É, eu sou.
ஐ
Isn't this why we came? Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Girls like girls like boys do, nothing new
—Oi, Michelle.
—Hum, oi.
Começo de Março, duas semanas após a pequena festa de Emmeline no terceiro andar. Duas semanas desde que Dorcas não falava com Michelle. Duas semanas de boatos que Michelle era uma sapatão enrustida. As coisas não estavam indo bem e Dorcas só queria ajudar, mas Marlene ficava a rondando o tempo inteiro, a impedindo indiretamente de falar com Michelle.
—Quer ajuda com esse dever? Eu já fiz o meu…
—Não, eu não preciso de nenhuma ajuda. — cortou Michelle, sem a olhá-la.
—Ah, certo, então…
—Eu estou muito ocupada agora, Dorcas. — disse Michelle. Dorcas ficou quieta, parada em frente a mesa da biblioteca em que Michelle estava.
—A gente se vê depois, então. — ela disse, sem saber o que falar. Ela se virou para caminhar para longe, mas parou no meio do caminho e voltou com tudo, colocando a mão em cima do pergaminho dela. — Só para você saber, quando eu conheci você não pensei imediatamente em… beijos e coisas lésbicas, mas nós nos beijamos duas vezes! E foi muito bom, mas também é bom estar com você… como minha amiga, quando não está se comportando como uma babaca.
—Obrigada. — respondeu Michelle.
—Então, quer ir fazer alguma coisa?
ஐ
I've been crossing all the lines, all the lines
Kissed your girls and made you cry, boys
As duas riram alto, com Dorcas segurando a garrafa de hidromel que já estava na metade. Elas estavam deitadas lado a lado no chão, em cima de um tapete, rindo sem parar.
—Michelle à flor da pele porque Chelle é Belle. — disse Michelle. Dorcas gargalhou, achando sem sentindo nenhum. — Eu acho que vai pegar, vai todo mundo me chamar assim, vai pegar bastante.
—É, igual furúnculos. — riu Dorcas. As duas gargalharam.
—Acha que realmente consigo passar para ser estagiária no Departamento de Execução das Leis da Magia? — indagou Michelle. — Mesmo que minha redação sobre eu mesma tenha o título de “Michelle à flor da pele porque Chelle é Belle”?
—Acho que consegue fazer qualquer coisa.
—Sério?
—Aham. — disse Dorcas, confiante. Ela abriu a garrafa para dar outro gole. — Sala Precisa… interessante esse lugar.
—Eu sei. Eu gosto de vir aqui. É bem… quieto. — disse Michelle. As duas ficaram encarando o teto por um tempo. — Eu estava pensando…
—O que?
—O que as lésbicas fazem? — ela indagou, se sentando. Dorcas a olhou corada e riu, bebendo mais hidromel. Ela se sentou também e as duas riram. — Eu digo, na cama…
—Eu entendi. — riu Dorcas. — Mas como posso saber?
—Você nunca…
—Não, nunca! — gargalhou Dorcas, bobamente.
—Elas usam… brinquedos e correntes… — comentou Michelle.
—Não… acho que elas se tocam do jeito que nós nos tocamos quando estamos sozinhas, sabe? — falou Dorcas, pensando no assunto — … mas fazemos com outra pessoa, com um pouco mais de… agressividade. Com óleos e coisas.
As duas gargalharam alto demais e Michelle pegou o hidromel para dar um gole. Elas ficaram se encarando.
—Óleos, então?
—Sim e coisas. — disse Dorcas. Elas riram, voltando a se deitar, olhando para o tedor.
—Óleos. — disse Michelle com a voz engraçada. — Onde coloca o óleo?
—Na salada, óbvio.
ஐ
Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Dorcas não gostou quando acordou e Michelle havia ido embora da Sala Precisa. E os dias passaram e elas se cumprimentavam nos corredores e Dorcas esperava que ela viesse falar com ela, e aconteceu. Sábado, dia de visita a Hogsmeade, os seus amigos iriam todos ficar no Três Vassouras para beber cerveja amanteigada a mando de James e Dorcas iria também se não tivesse sido por ela.
—Quer ir em algum lugar? Tipo, qualquer lugar?
Então, elas passaram por Hogsmeade em direção a Casa dos Gritos, lá entraram na floresta que tinha em volta e foram mais adentro até chegarem em uma parte um pouco sem árvores, onde o Sol batia, fazendo ficar mais quente e tinha um pequeno e um pouco fundo onde alguns peixes nadavam e tinha pedras
—É um lugar legal. — disse Michelle, se sentando no chão. Dorcas se sentou também.
—Eu parei aqui quando Emmeline disse no segundo ano que Lily estava me procurando, só que ela mentiu e eu me perdi e… parei aqui. Demorei para achar o caminho de volta e demorei para achar aqui de novo depois daquilo, mas acabei encontrando.
—Você é cheia de amigas vagabundas, não é? — murmurou Michelle.
—Bem, elas tem seus maus e bons momentos. — respondeu Dorcas. Michelle sorriu e se levantou, pegando algo da bolsa, era Elas riram e Dorcas se levantou tirando uma vitrola pequena de maleta de lá. Ela abriu e colocou um vinil para tocar. – Beatles? Sério?
—Beatles é a melhor banda que o mundo já viu. — riu Michelle, ao som de Anna (Go to Him). Ela suspirou e se balançou. Agitou os cabelos e ergueu as mãos dançando. Dorcas suspirou a olhando do chão e pegou uma garrafa de hidromel que saia da mochila de Michelle. Ela bebeu tentando desviar o olhar da garota dançando na frente dela.
—All of my life. — cantou Michelle, ainda dançando. — I've been searchin' for a girl. To love me…
Dorcas sorriu se levantando e Michelle foi até ela e segurou sua mão, as duas dançaram daquele jeito cheio de balanços, os cabelos voando, as mãos se mexendo, o Sol passando entre seus dedos. Elas riram e Dorcas se separou para tirar a blusa. Isso fez Michelle parar de dançar imediatamente e ficar a encarando, entre confusão e curiosidade. Dorcas tirou também as calças e prendeu o cabelo.
—Tem um lago, bem ali. — disse ela.
—Cheio de peixes.
—Acho que eles não ligam de ter companhia. — riu Dorcas. — Vamos lá.
—Ta, mas não olha. — disse Michelle. Dorcas riu e se virou, ficando de costas. Michelle se virou também e tirou a blusa, quando ia tirar a calça, Dorcas voltou a se virar e ficou mirando ela terminar de tirar a roupa. — Ei, você disse que não ia olhar.
—Não olhei. — ela riu.
—Sim, olhou tarada. — as duas riram e pularam no pequeno lago. — Merlin, to sentindo os peixes. — disse Michelle. As duas riram. – Ou isso é a sua perna?
—Não sei, talvez seja.
ஐ
Isn't this why we came? Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Girls like girls like boys do, nothing new
—Eu não fumo tanto assim. — murmurou Dorcas. — Só em festas…
—Eu também, mas as vezes é bom para relaxar. – falou Michelle, colocando o cabelo molhado atrás da orelha. — Estou pensando em entrar para as líderes de torcida da Lufa-Lufa, ano que bem, sabe… — ela contou.
—Você ficaria muito bonita no uniforme. — disse Dorcas, com um sorriso sem mostrar os dentes.
—Você acha que eu sou bonita? — perguntou Michelle, se virando totalmente para Dorcas.
—Eu acho que você linda. — ela respondeu. Michelle suspirou, olhando o rosto de Dorcas e pousou seus olhos na boca dela que ostentava ainda o mesmo sorriso. Ela mordeu o próprio lábio e Dorcas notou como ela estava a encarando.
No momento seguinte, Michelle a tocou no pescoço com as duas mãos e a beijos, de joelhos na grama. Dorcas ofegou e a beijou de volta rapidamente, pousando suas mãos na cintura de Michelle, e apertando ali suavemente, como se incentivasse a lufana a continuar a beijá-la.
—Eu não consigo resistir. — arfou Michelle, empurrando Dorcas para se deitar na grama. — Não consigo.
As duas se beijaram devagar, sem pressa, apesar de estarem bem afobadas. Elas queriam sentir o toque uma da outra passar pela pele, as mãos de Michelle adentraram a blusa de Dorcas, tocando sua barriga e apertando sua cintura. Dorcas tirou a blusa para facilitar e sentiu as mãos trêmulas da lufana tocar seus seios por cima do sutiã, os apertar, os juntar, se divertir com eles, enquanto as duas se beijavam. Ela decidiu que queria a tocar mais também e infiltrou suas mãos na blusa da lufana e passou pelas suas costas. Achou o fecho do sutiã e o tocou abrindo rapidamente. Michelle se sentou no colo de Dorcas e as duas se olharam, enquanto ela tirava a blusa e o sutiã ia junto. Estavam ofegantes e olhando uma para outra, sentindo apenas a mão de Dorcas subir por suas coxas e apertar os dois seios descobertos. Michelle sorriu gostando e suspirou, voltando a se curvar, como se não conseguisse passar mais de dois minutos sem beijar os lábios.
Dorcas apertou mais os seios dela, e passou o dedo pelo mamilo cor de ameixa. A pele dela era tão bonita, que Dorcas sentiu vontade de lambê-la. E foi o que fez, empurrando Michelle e ficando então por cima dela. Lambeu seu mamilo e a lufana gemeu agarrando seus cabelos. Dorcas gostou do que proporcionou e continuou lambendo a pele dela, lambeu o seio e o chupou, lambeu em volta do umbigo e desceu mais um pouco, chegou a sua virilha e puxou sua saia junto da calcinha pelas pernas amarronzadas dela. Michelle abriu as pernas instintivamente e a grifinória observou o que via tantos anos em revistas, tão real quanto deveria ser. Ela sorriu e segurou as duas coxas da lufana e deu sua primeira lambida na intimidade da garota. Não foi como ela achou que seria, foi melhor, viu Michelle se contorcer e Dorcas se sentiu determinada e começou a lamber com mais precisão, tentando alternar na pressão de sua língua, tentando achar aquele pequeno ponto de prazer.
—Oh! Dorcas! — gemeu Michelle, para Dorcas foi como música para seus ouvidos. Ela começou a fazer em Michelle o que gostaria que fizessem nela, o que pensava em suas fantasias molhadas. Enfiou um dedo dentro dela, enquanto pressionava a língua no clitóris inchado dela, colocou mais um dedo, quando sentiu que a lufana estava ainda mais molhada. — Isso! Isso! Oh, oh, eu vou…
Dorcas sentiu sua boca molhar mais ainda e continuou a lamber até que Michelle se afastou, ofegando tanto que tinha as bochechas vermelhas. Dorcas deu um sorrisinho e limpou a boca com as costas das mãos. Michelle a puxou para um beijo, sem nojo nenhum.
—Tudo bem? — perguntou Dorcas.
—Você disse que nunca tinha feito sexo.
—E eu nunca fiz. — falou Dorcas, um pouco corada. Michelle riu, ainda ofegando, sem roupa nenhum. — Nós deveríamos ter trago algo para sentar, sua bunda vai ficar toda suja de terra.
—Eu não ligo. — disse Michelle. Ela deu um sorriso grande e empurrou Dorcas, puxando sua saia e calcinha pelas pernas, a deixando apenas de sutiã. Michelle pareceu nervosa, olhando Dorcas deitada, praticamente nua.
—Você não precisa fazer… se não se sente bem. — murmurou Dorcas, se sentando, mas Michelle a empurrou novamente para se deitar.
—Eu quero. — ela disse, a beijando na boca. Dorcas sentiu as mãos de Michelle, passarem pelo seu pescoço e seus ombros, dedilharam seus seios, os apertando, empurrando o sutiã para cima para poder tocar livremente a pele macia dos seios da grifinória. Ela trocou as mãos pela língua e Dorcas se sentiu como se Michelle a estivesse explorando, a conhecendo, passando a língua pelos seus seios e envolvendo os mamilos com a boca. Ela chupou com um estalo e Dorcas gemeu.
As duas se olharam com sorrisos e Michelle foi para a intimidade quente de Dorcas, a tocou com os dedos, a deixando aberta e passou a língua ali devagar, apenas testando a primeira vez, então lambeu uma segunda vez com mais confiança. Dorcas gemeu, tocando os cabelos de Michelle e rebolando devagar no rosto dela. Michelle chupou a intimidade de Dorcas com força, botando muito mais pressão que das primeiras vezes que lambeu e pousou dois dedos em cima do clitóris, ela começou a fazer movimentos circulares, mais rápido cada vez que os gemidos de Dorcas aumentavam, quando ela já estava gemendo seu nome alto, ela mudou para a língua e enfiou a língua o quanto conseguiu dentro dela. Dorcas gemeu alto, se contorcendo toda, arfando.
Michelle se deitou ao lado de Dorcas, um pouco ofegante também, sentindo assim como sua intimidade, os seus dedos molhados também. As duas ficaram olhando para o céu aberto, peladas no meio da floresta, os cabelos espalhados pela grama.
—A gente esqueceu dos óleos. — murmurou Dorcas, fazendo Michelle gargalhar.
—Droga. — ela riu.
ஐ
Isn't this why we came? Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Girls like girls like boys do, nothing new
Dorcas abriu os olhos e olhou ao redor, ela estava deitada sozinha no meio das flores e grama, vestindo apenas a calcinha e sua blusa, já estava escurecendo e provavelmente já era hora de voltar para Hogwarts, mas outra coisa a preocupava. Ela se sentou vendo que a vitrola havia ido embora, como também a garrafa de hidromel e a dona dessas coisas. Ela se sentou depressa e olhou mais uma vez ao redor, viu ao longe algo se movendo e se levantou, correndo um pouco para chegar mais perto.
—Vai fazer isso comigo duas vezes? — ela berrou. Michelle se virou para ela e depois voltou a andar mais depressa. — Michelle, não! Pare!
—O que?
—Não ouse me deixar sozinha de novo!
—Eu preciso ir, está bem? Meu namorado tá me esperando. — ela disse, voltando a andar, mas Dorcas foi atrás dela.
—Eu sei que você se sente sozinha, Michelle. Eu sei que você tem uma família de merda, novas amigas que não sabe lidar e um namorado idiota. — ela disse, parando de andar, enquanto Michelle continuava andando. — Você precisa de alguém que a queira. E eu quero você! — ela berrou, sentindo as lágrimas descerem pelo seu rosto. — Então, seja corajosa e me queira também.
Mas Michelle saiu andando.
ஐ
Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
As coisas não poderiam ser simplesmente simples? Porque tudo não podia ser fácil e simples, sem coisas difíceis para complicar tudo e todos. Ela queria coisas simples, era isso que Dorcas queria, nada parecia simples para ela, até as coisas idiotas e que deveriam ser fácil pareciam as mais difíceis do mundo, como beijar a garota que gosta, como beijar… uma garota.
Era isso que Dorcas pensava, em como as coisas não poderia ser simples, como James Potter. Ele era simples, fácil, sempre com um sorriso no rosto, uma piada na ponta da língua e uma azaração na ponta da varinha.
—Porque me chamou aqui, Dorcas? — perguntou James, olhando em volta da Sala Precisa que tinha apenas um sofá de veludo vermelho no meio.
—Já quis que tudo fosse simples? — ela indagou.
—As coisas são simples. Eu sou foda, você é meio esquista, bem simples, porque me chamou aqui? — ele falou. Eles ficaram quietos e ela agarrou o pescoço de James o beijando, ele riu e a beijou de volta, firmando as mãos em sua cintura com força e a puxando pra si. Ele a beijou no pescoço. — No final, todas se rendem a James Potter. — ele disse.
Os dois voltaram a se agarrar com força, e acabaram caindo no sofá, James por cima de Dorcas, a beijando e a apalpando, ela sentiu a mão dela desabotoar sua blusa, até que o sutiã ficasse a mostra, ele a puxou pra cima dele e os dois caíram no chão. Dorcas deu um gritinho, mas James não perdeu tempo e logo tirou a própria blusa. Ela sentiu ele apertar seus seios, mas não sentiu nada, fechou os olhos tentando aproveitar o momento, mas só conseguia imaginar Michelle ali. Ela queria Michelle.
—James. James! — ela o chamou, sentando em seu colo. James a encarou de volta. — Isso… não está certo.
—O que?
—Desculpe, acho… que não vai rolar. — ela murmurou, saindo do colo dele.
—Tudo bem. — disse James, colocando a blusa de volta.
—Não vai tentar me convencer? A maioria dos caras fariam isso…
—Não vou. Você gosta de mim, então deve haver outro motivo por você não me querer e dever ser um bom, porque você é... sabe… inteligente. — falou James, com um sorriso. Dorcas sorriu de volta, não acreditando.
—Você é mais legal do que as pessoas pensam, James. — ela disse, sincera.
—É? Vá se foder. — ele riu.
—Vá você. — ela riu também. — Sabe… se você realmente gosta da Lily como diz que gosta, talvez não devesse fazer coisas como foder a amiga dela, ou qualquer outra menina em geral, e pegar detenções… sabe, tente se comportar mais, só não mude o que é, se ela não te quer do jeito que é… ela não te merece.
—Você é muito legal, Dorcas. — falou James, ele a deu um beijo na bochecha e falou antes de sair da Sala Precisa: — … não deveria ter medo de ser quem realmente é. Foda-se as outras pessoas.
ஐ
I've been crossing all the lines, all the lines
Kissed your girls and made you cry, boys
—Eu beijei James ontem a noite. — disse Dorcas. Emmeline franziu a testa, olhando para os lados no dormitório. — Sim, eu estou falando com você, Emmeline.
—Oh, bem… bom para você, eu acho…
—Eu estou tentando ser mais honesta com as pessoas, tentando fazer as coisas serem simples, sabe? — murmurou Dorcas, sentada na própria cama. Emmeline a mirou da cama dela, onde ela arrumava seus pompons.
—As coisas nunca são simples, não comigo pelo menos. — falou Emmeline. — Sexo é simples, é por isso que me faz me sentir tão bem… não é algo difícil e complicado como o resto das coisas.
—Entendi, mas eu não faço muito sexo, então, eu estou tentando manter as coisas simples e honestas. — falou Dorcas, decidida. Emmeline assentiu, ela parecia um pouco confusa, mas pelo menos não parecia desinteressada. — Eu quero fazer sexo com garotas.
—Ah… certo.
—Exatamente. Eu gosto de garotas. E de sexo com garotas. — falou Dorcas, suspirando alto. Ela deu um sorriso. — Gosto dos lábios rosados e delicados, das coxas, dos mamilos duros, dos traseiros… eu gosto de tetas e vaginas, sabe? Pronto, eu falei. – disse Dorcas. Emmeline arregalou os olhos, parecendo bem surpresa. Ela parou de mexer nos seus pompons e ficou quieta por um tempo. Dorcas continuava sorrindo, se sentindo muito bem, aliviada, simples, como queria. Ela esperava uma resposta de Emmeline e já estava ficando ansiosa, mas mesmo assim não senti mesmo daquela sensação boa que estava nela. Emmeline levantou e Dorcas observou ela ir se sentar ao lado dela. – Eu estou de saco cheio de ter medo, Emmeline. — continuou Dorcas.
—É normal ter medo. — murmurou Emmeline. — O que você faz quando tem medo é o mais importante. — ela falou. — Grifinórios sentem medo, mas eles enfrentam seus medos, isso que os tornam corajosos.
—Eu quero ter orgulho de quem eu sou. — falou Dorcas, decidida. — Eu não posso ter orgulho de mim mesma se fico me escondendo.
—Por um tempo, eu dizia… que quando o encanamento é o mesmo, não é traição. Addie sempre me disse que era… e eu sei disso agora. — murmurou Emmeline. — Eu amo pinto, amo mesmo, mas… vaginas elas são ok, muito ok.
—Sabe, Emmeline… você é legal. — falou Dorcas.
—Não, eu não sou. — disse Emmeline, com um sorrisinho. — Eu sou uma vadia, certo?
—Todo mundo pode ser uma vadia.
—Mas alguns são mais que outros. — disse Emmeline.
—Emmeline … você não é uma vadia.
—Está bem, então eu não sou. — riu Emmeline. Dorcas riu também.
—Emme, você acha que eu não sou normal?
—Você é diferente.
—Isso é um código para anormal. — disse Dorcas. Emmeline ficou quieta, pensando. — Sabe o que eu faria? Se eu fosse… normal. Não esquisita e… insegura.
—O que?
—Eu diria para Emily para de esconder as coisas dos outros, que eu sei muito bem disso e isso nunca ajuda. Eu diria para Sirius parar de ser a porra de um babaca e nunca nem pensar em trair Marlene. Eu diria a James que ele é um cara muito legal, mas que as vezes ele só deveria abaixar a bola, e Peter.. argh eu diria para Peter ligar um pouco mais para as pessoas ao redor, além de James…
—Merlin, continue! — gargalhou Emmeline, cruzando as pernas para olhar Dorcas com mais atenção.
—Eu diria para Remus parar com a enrolação e só dizer para a Addie o que sente! Desde o primeiro ano, meu Merlin, já está na hora! E eu diria para Lily parar de ser tão cabeça dura e dar uma chance para as pessoas, Sirius, Peter, James principalmente, eles são muito mais do que os olhos dela veem. — falou Dorcas em um folego só. Emmeline tinha um sorriso no rosto adorando. — Eu diria para Dimitre parar de olhar Marlene como se ela fosse Você-sabe-quem, ele deveria tentar seguir em frente, ou lutar por Sirius. Eu diria a Addie que… que eu nem poderia imaginar passar pelo o que ela passou, mas… — Dorcas ficou quieta e suspirou. — Eu diria para Marlene aceitar quem eu sou, que eu não queria ter mentido para ela, nunca mesmo, que quando Emily foi para França e eu entrei em Hogwarts e Frank só queria saber da Alice, ela que ficou comigo, ela nunca ligou que eu era esquisita, ela sempre gostou de mim pelo o que eu sou… quero que continue assim.
—Dorcas… todas essas coisas que você quer dizer… só diga logo. — sugeriu Emmeline. — Porque você não só diz elas? Somos todos seus amigos, aceitamos alguns choques de realidade. Vamos, comece por mim. — falou. Dorcas a olhou chocada, mas então suspirou e a olhou no fundo dos olhos.
—Emmeline, eu realmente acho que você deveria parar de beijar qualquer garoto por ai, você não é uma vagabunda só porque as pessoas dizem que você é, eu sei que tudo que você queria era namorar um cara legal, Sirius. E você tentou com Freddie e não deu certo, mas isso não quer dizer que se sentar novamente não vá dar certo, saia com caras que você realmente goste, converse com eles, não chupe o pinto deles no banheiro do Três Vassouras. — murmurou Dorcas. Emmeline ficou bem quieta, ela tinha um sorrisinho no rosto.
—Obrigada, eu vou levar sua sugestão… em consideração. — ela disse. — Viu? Não é difícil.
—Então… por onde nós começamos? — indagou Dorcas, se levantando. Emmeline franziu a testa.
—Nós?
ஐ
Scared to let your guard down
Boys, boys
—Me diz de novo porque estamos fazendo isso. — pediu Dorcas, com as mãos na cabeça.
—Porque você quer ser simples e honesta com todo mundo.
—Ah, certo, e esse é o melhor jeito de começar?
—Definitivamente. Vamos começar com um bem fácil. — falou Emmeline, parada ao lado de Dorcas no final das escadas do dormitório. Dorcas estava sentada no último degrau, apertando as mãos nervosamente. — James. Ele não é de se irritar fácil, você tem que duvidar da capacidade dele, como falar que ele é muito ruim em quadribol ou ser um sonserino. Você não vai irritar ele. Vamos! — ela pegou a mão de Dorcas que soltou um muxoxo, mas a seguiu até o sofá onde estava James deitado, brincando com seu pomo de ouro afanado e Peter que estava sentado no chão, aplaudindo o amigo pelas suas pegadas rápidas e fáceis. — Jay.
—Que foi, gata? — ele indagou, sem a olhá-la.
—Dorcas tem algo para dizer a você. — falou Emmeline. James pegou o pomo no ar e o guardou no bolso, para então se sentar e olhar as garotas.
—Me digam, minhas caras, no que posso ajudar? — ele disse. Emmeline empurrou o ombro de Dorcas que deu um passo para frente.
—Ahn… James eu acho você um cara muito legal, eu já te disse isso. — murmurou Dorcas, sem o encarar.
—E um incrível beijador também.
—Eu nunca disse isso. — falou Dorcas, o olhando.
—Mas pensou. — ele riu. Dorcas riu também e Emmeline cruzou os braços.
—Ta, James eu acho que você exagera as vezes, você é bem… metido, as vezes deveria baixar a bola, sabe? As vezes deveria deixar passar, tipo aquela vez que você abaixou as calças do Snape na frente de todo mundo! Você exagerou, ultrapassou a linha!
—Minha mãe diz que eu deveria tomar poções, ela acha que eu sou elétrico demais. — disse James. — As vezes eu acho que vou explodir se não me mexer. — ele deu de ombros. — Eu sei que extrapolo.
—Você não está bravo? — indagou Dorcas, surpresa, enquanto Emmeline sorria.
—Não, eu deveria?
—Claro que não! — sorriu Emmeline. — Peter, já que está aqui, Dorcas tem algo para te dizer.
—Mas já? — disse Dorcas. Emmeline agarrou os ombros dela, enquanto os garotos as olhavam.
—Dorcas, seja uma grifinória, seja honesta. Diga!
—Está bem! — disse Dorcas, exasperada. Ela se virou para Peter. – Peter, talvez você devesse ligar mais para os outros, não existe só James, ou só Sirius e Remus, está bem? Parece que você nem dá a mínima sobre… Frank, ou Emily… até mesmo a Emmeline! – ela falou. Peter parecia sem saber o que falar. — E para de ser um babaca com Bethany Toots, porque não sei se você notou, mas você não é o cara mais disputado de Hogwarts, o que é chato porque você é um cara legal, mas… precisa consertar algumas coisas. Está bem?
—Ahn, está bem, Dorcas. — falou Peter. James tinha um sorriso escancarado no rosto, olhando aquilo risonho.
—Eu to amando essa menina. — ele riu. — Merece um baseado. Peter, dê um dos nossos para ela.
—Ah, James. — disse Peter, aborrecido.
—Dê logo! — mandou James, ainda risonho. Peter soltou um muxoxo e tirou um baseado do bolso e deu para Dorcas que sorriu e guardou no bolso da saia. — Vou ajudar o Peter com suas dicas, Dorcas. Tchau, gatinhas. — ele disse, e puxou Peter pelo ombro para saírem do Salão Comunal.
—Isso está muito divertido. — riu Emmeline. — Você vai dividir esse baseado comigo.
ஐ
Building your girl's second story
Ripping all your floors out
—Quem agora? — indagou Dorcas. Emmeline mordeu um pedaço de frango e deu de ombros.
—Quem agora o que? — indagou Frank, tentando roubar a comida de Alice, que o empurrava com o cotovelo.
—Vocês, dois. — disse Emmeline, apontando para o casal. — Nem se intrometam nisso, vocês são um casal feliz e simples e muito feliz.
—Emmeline, está certa. Quando vocês tiverem alguma crise e começarem a agir como idiotas nós falamos com você. — falou Dorcas. O casal se entreolhou e riu e deu vários selinhos, enquanto Emmeline fazia som de vômito.
Dimitre se sentou ao lado do casal e Lily ao lado de Dorcas, para começarem a almoçar. Dorcas olhou para Emmeline, que tinha a boca cheia de frango e logo assentiu rapidamente para ela e fez jóia com o dedão. Dorcas suspirou e olhou os amigos, de olhos semicerrados. Lily a olhou e riu, achando graça da amiga.
—Sim, Dorcas?
—Eu tenho muita certeza quando digo que você é muito cabeça-dura. — falou Dorcas. Lily riu, não acreditando. — Você é muito teimosa, talvez por isso fique brigando com Sirius, porque ele é tão teimoso quanto você. James ganha de vocês dois, é claro, mas Lily as pessoas são tão mais do que aquilo que você vê e eu sei que você sabe disso, você sempre vê o melhor nas pessoas, você é ótima em todos os aspectos, então dê uma chance para aqueles que você ainda não deu, certo? — disse Dorcas, com um sorriso, ela deu um soquinho no ombro de Lily e se virou para Emmmeline que piscou para ela.
—Eu não sou tão teimosa…
—Você é sim. — cortou Dimitre, achando engraçado. Lily mostrou a língua para ele.
—Ah, Dimitre. — sorriu Dorcas. — O que Sirius fez com você quebrou seu coração e Sirius é um babaca, sabemos disso, mas não acha que seria muito mais feliz se… seguisse seu coração? Se você o ama, lute por ele, faça-o notar você! Mas se você não quer mais sentir essa dor no coração, deixe-o ir.
—Uau. Tirou o dia pra dizer umas verdades, Dorcas? — indagou Alice, enquanto Dimitre corava e Lily o olhava de braços cruzados, concordando com a amiga.
—Honestidade é o primeiro passo para mudanças verdadeiras. — falou Dorcas. — Certo, Emmeline?
—Isso mesmo, garota. — riu Emmeline.
—E… eu sou… eu… — começou Dorcas. Emmeline a olhou surpresa. – Eu realmente preciso contar algo para vocês. Algo muito importante mesmo sobre mim. Muito importante!
—Está tudo bem, Dorquinhas? — indagou Alice, tocando a mão dela.
—Você está grávida? É, isso? Só me conte logo. — disse Frank rápido.
—Você está doente? — indagou Alice.
—Ai Merlin, é furúnculos? Varíola de dragão? – perguntou Dimitre.
—Pelas barbas de Merlin, Dorcas, é grave? — falou Frank exasperado, ele abraçou Alice que o acariciou nos cabelos, preocupada.
—Eu não estou doente! — falou Dorcas, alto. Emmeline deu uma risadinha, roubando uma asinha de frango de Frank que quase chorava e notou como Lily tinha ficado quieta o tempo inteiro. — Por favor, parem de tentar adivinhar.
—Pode contar logo? Está me assustando. — disse Frank.
—Certo. Então, eu nunca beijei muitos meninos. — falou Dorcas. Frank franziu a testa.
—É, isso? Me deixou preocupado por causa disso? — ele indagou.
—Ela claramente não terminou, Frank. — disse Dimitre.
—Oh, então continue.
—Eu quero contar… algo que eu sou, sempre fui. — murmurou Dorcas. Ela olhou os rosto ansiosos de seus amigos, quando foi só Emmeline tinha sido mais fácil, mas agora com quatro pessoas querendo que ela falasse logo…
—Conte para eles, Dorcas. — disse Lily, com um sorriso extremamente doce e gentil no rosto.
—Você sabe? — perguntou Dorcas, surpresa. Lily assentiu e tocou o braço dela.
—É, claro que eu sei. Eu sou sua amiga, você é uma das minhas melhores amigas, Dorcas.
—Você nunca disse nada.
—Nem você. — falou Lily. — Cabe a você, contar ou não. — ela disse e beijou a amiga na bochecha. Dorcas sorriu e se virou para os amigos.
—Eu sou gay.
—EU SABIA! — berrou Dimitre, batendo na mesa. — Meu radar gay disparava perto de você, mas você demorou tanto tempo! Eu sabiaaaaa! — ele falou. Dorcas riu e Lily sorriu, amando o quando a amiga parecia aliviada.
—Bem, então eu não tinha nem que ter tido ciúmes quando você beijou o Frank. — falou Alice. Frank riu.
—Fico feliz que tenha me contado. — ele disse.
—Só não contem para mais ninguém, está bem? — pediu Dorcas. — Eu quero contar para Marlene, quando ela estiver preparada. Então, nada de Peter saber, ele contaria para James que contaria para Sirius que contaria para Marlene…
—Tudo bem. — falou Alice e os outros concordaram.
—Você sabe… Marlene está apenas chateada que você nunca contou para ela. Ela já sabe. — disse Lily. — Não fique com medo de contar a ela.
ஐ
Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
—Brilhante! Vocês realmente sabem como se esconder, não é? — indagou Dorcas. Emily e Rabastan se separam, ofegantes e com as bocas vermelhas. Dorcas cruzou os braços, com um olhar irritado.
—Ahn… Dorcas, esse é meu namorado Rabastan. — disse Emily, com um sorriso amarelo. — Rabastan, esse é Dorcas, minha amiga mais antiga.
—Eu o conheço muito bem, ele namorou uma das nossas amigas, sabe? Adhara, lembra dela antes de enfiar a boca no ex-namorado dela? — perguntou Dorcas, parecendo até mesmo brava. Emily franziu a testa.
—Dorcas…
—Eu só… eu estou muito chateada… – falou Dorcas, depois de soltar um muxoxo aborrecido. — Eu sou gay e eu gosto de uma garota idiota que transou comigo e depois… nem olhou na minha cara!
—Uau! — disse Rabastan, arregalando os olhos. Emily também parecia muito surpresa.
Dorcas sentiu vontade de chorar. Uma semana. Havia se passado uma semana desde que teve as melhores das sensações com Michelle Diggory na floresta em Hogsmeade. Havia se passado uma semana desde que Michelle não falava com ela, olhava para ela ou até mesmo respirava perto dela. Era como se ela tivesse evaporado. E tudo que Dorcas mais queria era conversar com ela, tocar ela novamente como tinha feito antes. Queria poder dizer para ela não ter medo, que tudo ficaria bem, que era só ser honesta e simples e tudo ficaria bem, porque não importa se elas são lésbicas ou não, só importa o que elas sentiam uma pela outra, e isso não deveria ser complicado e difícil, é amor, e apenas isso.
Ela fungou e Emily parecia sem reação.
—Dorcas…
—Eu… eu estou tentando ser simples e honesta. — ela disse, fungando. — Mas as coisas são tão difíceis, Emms. Porque eu só não posso beijá-la na frente de todo mundo… porque você não pode contar para Frank, Addie, nossos amigos sobre seu namorado? Porque isso é tão complicado? É só amor, não deveria ser complicado. — ela falou, finalmente chorando.
No momento seguinte, Dorcas estava sentada no chão, no meio de Emily e Rabastan, os três encostados na parede de pedra. O casal estava quieto, enquanto Dorcas chorava segurando a mão de Emily, que a acariciava com os dedos, tentando passar algum conforto para a amiga.
—Sabe, Dorcas… — murmurou Rabastan, ele ficou surpreso, aquela provavelmente era a primeira vez que ele falava com ela, e eles estudavam na mesma escola a quase 6 anos. — As coisas sempre são complicadas, você pode tentar fazer ficarem simples, mas qual seria a graça da vida se tudo fosse tão fácil? — ele indagou. Dorcas o olhou com os olhos vermelhos, querendo que ele continuasse. — Seria tão sem graça… não acha? A vida é difícil, você só tem que dar um jeito, e tudo… vai dar certo. — ele disse, um pouco inseguro sobre o que falava, mas Dorcas parecia muito satisfeita. ela pegou a mão dele e segurou como estava segurando a de Emily, que tinha um sorriso de orelha a orelha.
Rabastan deixou ela entrelaçar seus dedos, ele olhou Emily, enquanto Dorcas deitava a cabeça em seu ombro para chorar baixinho, os dois sorriram um para o outro.
ஐ
I've been crossing all the lines, all the lines
Kissed your girls and made you cry, boys
Ela observou Michelle na mesa da Lufa-Lufa, de mãos dadas com o namorado, ele a beijou no rosto e os dois dividiram uma rosquinha. Dorcas queria ir lá e sacudir Michelle, fazê-la parar de agir como se não se importasse. Como se ela não importasse.
—Dorcas, você está bem? — indagou Remus, cautelosamente.
—Não, eu não estou bem. — disse Dorcas. — Eu estou sofrendo por amor, sofrer por amor é uma droga, mas você sabe muito bem disso.
—Eu amo essa garota. — murmurou Emmeline, parando de comer para prestar atenção. Todos a imitaram, apenas Sirius franziu a testa assim como Remus.
—Remus. Já fazem praticamente seis anos! Seis longos anos. — falou Dorcas, suspirando cansada. — Quando vai contar para ela que você a ama? Vai esperar outro cara consertar o coração dela e quase a perder novamente? É, isso que quer?
—Ahn, não sei sobre o que está falando… — murmurou Remus, super corado, olhando para ver se Adhara não estava chegando no Salão Principal, apenas ela e Marlene não estavam lá.
—Você sabe sobre o que eu estou falando, todo mundo sabe sobre o que eu estou falando. — bufou Dorcas. — Você ama Addie desde do momento que a viu. Você nunca amou Francesca ou Emily, sempre foi e sempre será Addie, então só tome uma atitude, seja um grifinório, seja honesto. — ela mandou. Remus piscou estupefato com a declaração de Dorcas e só ficou quieto a olhando abobalhado.
—Me disseram que você tá saindo por ai e dizendo tudo que pensa na cara de todo mundo. — comentou Sirius, pegando uma batata frita de Remus, que estava bem distraído no momento, ainda com a cara de abobalhado. — Quando vai ser minha vez?
—Você é solitário, Sirius, você se sente solitário mesmo rodeado de gente. — murmurou Dorcas. — Eu acho que a maior culpa disso é a sua esquisita, fria e maluca família, mas você não está mais lá, aceite o amor que você acha merecer e só seja feliz.
—Você não é muito boa nisso, eu não sou solitário. — disse Sirius. Todos viraram a cabeça para ele e depois de volta para Dorcas.
—Sim, você é. Mas quando você está com alguém você não se sente sozinho, e eu sei que você é uma boa pessoa e toda vez que Emmeline chorou por causa de você, ou Marlene, ou Dimitre, você sentiu. Você pode fingir o quanto quiser ser esse cara que não liga pra porra nenhuma, mas Sirius Black você não me engana!
ஐ
Saw your face, heard your name
Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
—Eu ouvi falar que você fez Sirius chorar.
Dorcas sorriu para a voz de Adhara e sentiu a amiga se sentar ao lado dela no degrau da escada do dormitório feminino.
—Ele só não disse nada e James começou a berrar que ele ia chorar. — riu Dorcas. Adhara deu um pequeno sorriso também.
—Remus me disse que ando meio arisca, sabe? — disse Adhara, sem a olhá-la. — Eu… eu não queria te magoar quando disse para você parar de palhaçada e…
—Não me magoou. Você estava certa. — disse Dorcas. — Eu contei para algumas pessoas… falta Marlene.
—Só ela?
—E James e Peter. Eles são os maiores fofoqueiros. — riu Dorcas baixinho. — Eu preciso contar para Marlene antes de Hogwarts inteira ficar sabendo.
—James e Peter podem guardar segredos, eles realmente sabem como guardar segredos. — murmurou Adhara. Dorcas a olhou curiosa.
—Talvez.
—Quando vai me dizer a verdade? — indagou Adhara. — Como você anda fazendo com todo mundo?
—Alguém me disse uma vez que as coisas são difíceis, que a vida é difícil, e que você tem que dar um jeito para tudo ficar bem. — falou Dorcas. — As coisas não estão bem para você a muito tempo, Addie. E eu sei que eu nunca poderia falar para você parar de ficar triste, parar de sentir a falta deles, mas você realmente precisa deixá-los ir. Precisa dar um jeito.
—É difícil.
—Ninguém disse que seria fácil, não é? — sorriu Dorcas. — Tem uma pessoa nesse castelo que te ama tanto, Addie, que você nem tem ideia e eu não estou falando sobre Sirius. — ela falou, misteriosamente. Dorcas beijou a bochecha da loira e se levantou para subir para o dormitório.
—Merlin, você estava chorando? Seu rosto tá todo inchado, parece até que alguém bateu em você. — disse Marlene, assim que Dorcas entrou no dormitório. — O que aconteceu? É por causa de algum garoto?
—Não foi um garoto. — murmurou Dorcas, tomando coragem. — Foi garota.
—Você andou brigando com alguma garota? Me fale quem é e eu termino de bater nela por você…
—Não, Marlene. — cortou Dorcas. — Você entendeu o que eu disse. Eu andei fazendo amor com uma garota.
—Dorcas, cale a boca…
—Eu não aguento mais, Marlene. Eu sou uma pessoa. Eu não sou você. — falou Dorcas, se aproximando da amiga. — Você tem que entender. Eu te amo e eu nunca vou te abandonar, mas eu não posso mudar quem eu sou.
—Dorcas…
—Eu gosto de garotas…
—Eu sei, está bem? Eu sei! – bufou Marlene. — Digo, eu… porque você mentiu para mim todos esses anos? Porque fingiu ser algo que não era? Porque só não me disse a porra da verdade?
—Eu estou fazendo isso! Tudo que eu ando fazendo nos últimos dias é falar a verdade, para todo mundo! Eu demorei, mas eu estou te contando, Marlene. — falou Dorcas, chorosa. — Eu amo Emily, eu amo Frank, amos os dois muito, mas você e Lily… vocês foram minhas melhores amigas quando eu era a esquisita da Grifinória, quando eu era motivo de risada. Éramos um trio e eu sei quequando Emily entrou em Hogwarts e eu e Frank voltamos a ser como antes…
—… você me abandonou. Eu sempre estive do seu lado, eu sempre te defendi de Emmeline, Adhara, qualquer pessoa que era babaca com você! — berrou Marlene, chorando. — E você me deixou! — ela tentou limpar as lágrimas. — E Lily começou a ser melhor amiga de Dimitre, como se já não bastasse o Snape antes. Ela me abandonou também! E Sirius estava com Emmeline e depois Dimitre e eu estava sozinha! Eu fiquei sozinha, todos você me abandonaram, porra!
—Marlene. – Dorcas tentou falar.
—Não, Dorcas. Só… vá atrás de Emily ou Frank, está bem? — ela chorou. — Não finja que… ainda somos como antes, as coisas mudaram. Você é gay agora e eu… eu sou a namorada do Sirius, é isso que eu sou agora, só isso, porque ele é a única pessoa que eu ainda tenho.
Foi as últimas palavras de Marlene, antes de Dorcas a observar entrar correndo no banheiro e não sair de lá por bastante tempo.
ஐ
Isn't this why we came? Gotta get with you
Girls like girls like boys do, nothing new
Girls like girls like boys do, nothing new
Dorcas escutou o barulho que passos e livros sendo retirados. Ela ficou quieta, apenas esperando. Ela estava sentada no chão da biblioteca, encostada em uma estante que ia do teto até o chão, ela olhou por entre um livro e outro e viu as pernas de uma menina.
—Eu não vou levantar. Eu andei chorando… meu rosto tá todo inchado. — ela murmurou, parando de olhar. Ela escutou a pessoa se sentar do outro lado da estante e suspirar.
—Você está bem?
—Minha melhor amiga me odeia… e eu estou apaixonada por uma garota que não merece.
—Eu quero e preciso de alguém. Você estava certa. — falou Michelle, em um fôlego só. Dorcas sentiu as lágrimas descerem pelos olhos dela, mas ela enxugou rapidamente.
—E?
—E quando eu estou com você… eu posso ser eu mesma e mais feliz, menos solitária. — ela falou. — Mas não é tão simples assim estar com alguém.
—Não é?
—Não. Não sei. Eu acho que não. – ela disse.
—Eu andei por ai dizendo a verdade para algumas pessoas. — comentou Dorcas. — Sobre mim e sobre elas mesmas. Eu sou gay.
—Eu sei.
—E você é idiota.
—Eu sei.
—Você me deixou sozinha por medo. — murmurou Dorcas. — Você não precisa parar de sentir medo, você só precisa enfrentar o seu medo.
As duas ficaram quietas e Dorcas colocou a mão entre um livro e outro para passar para o outro lado da estante. Ela sentiu a mão de Michelle tocar a sua e elas entrelaçaram os dedos. Ela escutou Michelle chorar baixinho.
—Podemos ficar aqui por um tempo?
—Sim.
Fale com o autor