When We Were Young
57 Everything Goes Wrong
Notas iniciais

EVERYTHING GOES WRONG
HOGWARTS
1975
4°YEAR
O medo era geral. O silêncio era mortal. Os olhares eram vazios, os sussurros, assustados. Todos estavam chocados demais. Nem mesmo os piores da Sonserina faziam comentários. Nem mesmo Mulciber parecia orgulhoso.
O choro era escondido, era sofrido, era óbvio. Alguns pais vieram buscar os filhos. Alguns diziam que Dumbledore tinha falhado. Falava-se que o diretor iria ser demitido. Outros, que ele ficaria...
Confusão.
Insegurança.
Medo.
Medo.
Medo.
Sirius suspirou olhando a porta. Ele escutou o choramingo de Remus, e viu Dimitre o abraçando. James estava ao lado dele olhando o amigo, e Peter estava em sua própria cama coberto da cabeça aos pés.
—Eu não acredito que ela morreu. – Remus chorou baixo. – Minha namorada morreu e eu... eu disse para ela que eu amo bolo!
Sirius passou para ele a garrafa de hidromel que tinha roubado do Professor de Feitiços, e Remus bebeu tristemente.
—A vida não é justa. – Sirius murmurou. Remus chorou mais, e James revirou os olhos para Sirius.
—Você tem o tato de um cavalo, Sirius. – ele disse. Sirius deu de ombros.
—Bem... Remus, eu não acho que tenha algo que a gente possa falar, que realmente te ajude. – James falou, colocando a mão no ombro do amigo, que soluçava. – Sua namorada morreu... – Remus chorou. – E isso dói muito. Addie só terminou comigo e doeu pra caralho... – ele falou. Sirius revirou os olhos para como sempre James falava sobre ele mesmo. – ... então deve estar doendo muito, mas você tem que aceitar, sabe? Ela não vai voltar. Então chore, beba...
Remus ofegou e caiu no choro de novo. James bufou, Sirius chutou a parede, Dimitre fungou. Frank estava ali perto e olhou para James. Os dois trocaram um longo olhar, como nunca antes em suas vidas. Como se nunca antes tivessem se visto de verdade, como se nunca tivessem entendido perfeitamente o que se passava na mente um do outro. James fez um aceno com a cabeça e Frank o seguiu. Os dois se afastaram, em direção às escadas e escutaram o choro lamurioso de Peter, que estava escondido embaixo das cobertas.
James e Frank saíram do dormitório e fecharam a porta, ficando nos degraus. Os dois se encararam e James falou primeiro.
—Somos um time.
—Somos um time. – concordou Frank – E esse foi o primeiro ataque de muitos.
—Com certeza. Talvez Dumbledore seja afastado da escola. Precisamos de um plano de...
—Nunca irão tirar Dumbledore daqui. – retrucou Frank – O que precisamos é treinar, de verdade. Treinar pra valer. Você e Sirius são os melhores duelistas dessa escola.
—Addie...
—Não vai dar pra contar com a Addie daqui pra frente, James. Não por um tempo. – cortou Frank – Ela pode achar que é indestrutível. As pessoas podem achar isso. Mas ela é apenas uma garota. E não falo que ela é frágil por ser uma garota. Mas falo que ela está... frágil. Ela viu Fran explodir. Ela viu o que aconteceu com a Mary. Ninguém sabe se ela vai acordar. Ninguém sabe o que vai acontecer. Precisamos nos fortalecer e treinar, pra valer.
—Eu sei.
—Não, você não sabe! – ralhou Frank.
—Eu sei, Frank. Eu não sou idiota. – rosnou James. Por um momento Frank se perguntou se tinha acabado de presenciar seu colega de quarto se tornar um adulto. Pra valer – Eu enfrento os moleques da Sonserina desde que entrei nessa escola. Sempre foi fácil acabar com eles. O único desafio sempre foi Snape. – ele engoliu em seco, sentindo nojo de ter que confessar aquilo em voz alta – Mas agora? Lestrange, Amico, Nott. Todos eles dão um trabalho fodido. E quer saber a verdade? A última vez que eu lutei contra o Lestrange no corredor, eu e Sirius, contra ele e Nott... sinceramente, eu não tive certeza sobre quem iria ganhar! Pela primeira vez, eu fiquei aliviado que o Filch nos encontrou, porque eu não sabia, Frank. Eu não sabia! – disse ele, nervoso – E eu não sei como vai ser daqui pra frente. Eu sei que um dia, quando terminarmos a escola, eu vou enfrentá-los de novo e eles vão estar ainda mais fortes e eu não sei se vou estar a altura. É por isso que eu SEI! Eu sei que precisamos treinar. Eu sei que precisamos melhorar. E eu sei que eles têm uma vantagem sobre nós.
—Qual? – perguntou Frank.
—Eles matam, Frank! Eles não ligam pra vida! Eles não se importam e matar. Eles não se importam em explodir crianças! Eles não se importam em matar, torturar. Eles gostam. Eles gostam Frank! E nós precisamos enfrentar pessoas assim, sem nos tornar iguais a eles. E isso é difícil. Sirius mataria. Eu sei que sim. Mas eu não. Eu nunca! – James engoliu em seco – Isso me torna fraco? – perguntou ele com os olhos enchendo-se de água. Frank suspirou e o abraçou apertado.
—Isso te faz melhor do que todos, James Potter... – disse ele – Vamos prometer. Vamos prometer que vamos ficar fortes o suficiente. – Frank o soltou e olhou em seus olhos – E vamos prometer que vamos cuidar deles. Para que eles não sejam mortos... nem corrompidos. Vamos prometer que vamos significar força e esperança. E onde se ouvir Potter ou Longbottom... – ele respirou fundo, sem saber como completar aquela promessa.
—As pessoas vão ter esperança. Vamos ser força e esperança, Frank. Vamos. Eu concordo. – disse erguendo a mão para ele – Vamos ser a base deles.
—Vamos. – jurou Frank. Os dois apertaram as mãos, como se tivessem feito algum tipo de encantamento. Como se aquele fosse um juramento que fosse durar até mais que eles. Iria perdurar pelo tempo que seus nomes perdurassem. Esperança e Força.
ஐ
Evie foi jogada contra a parede, mas enfiou as unhas com toda força contra o rosto do rapaz. Mulciber berrou de ódio e sentiu Dido empurrá-lo com força. Evie, Lehanna e Dido ergueram as varinhas ao mesmo tempo que Mulciber, Avery e Yaxley. Os três respiraram fundo, encarando-se profundamente. Os alunos do quarto ano para baixo apenas olhavam, em choque.
—Traidora de sangue. – riu Mulciber colocando os dedos no corte que ela lhe fizera no rosto. Zamora o olhou com desgosto.
—Assassino. – rosnou ela – Eu vi. Você quem matou Connor. Não foram os comensais. Foi você! – disse ela horrorizada – Você matou um colega de escola. Um colega que estava tentando proteger crianças. E você o matou a sangue frio.
—E mataria você também, sua traidora de sangue. – riu Mulciber – Que ficou defendendo aquela sangue ruim da Crazy Eyes e... – mas Mulciber se calou e foi arremessado para o chão. Atrás dele estavam Nathan, Jason e Adam.
—O que você ia dizendo sobre matar a minha garota? – perguntou Nathan, com estranha calma e travessura.
—Não ouse encostar na Evie, Mulciber! – rosnou Adam – Nunca mais encoste esse seu dedo podre nela, ouviu?
Mulciber se levantou gargalhando. A Sonserina foi se movimentando. Alguns alunos se colocaram entre Mulciber e o trio. Os irmãos Carrow, Snape, Lestrange, Nott, o irmão de Yaxley, o irmão de Avery, até Crouch, até Black. Régulus Black, que parecia assustado com a própria ousadia. Preocupadamente, Adam notou que a maior parte da Sonserina estava se movendo para o lado de Mulciber. Evie marchou para seu lado, assim como Dido, Lehanna e Greengrass... mas algumas das líderes de torcida tomaram o partido contrário. Mais da metade tinha ficado com Mulciber. Muito mais da metade. Era inútil tentar uma luta ali. Perderiam. Simplesmente perderiam. Engoliu em seco e baixou a varinha e viu o sorriso vitorioso de Mulciber.
—Sabe, Cook. Eu acho que vou encostar sim. – riu ele se aproximando e Dido avançou parecendo furiosa, apontando a varinha para ele.
—Não ouse se aproximar da Evie. – rosnou ela – Ela é melhor que você em todos os sentidos. Ela é melhor que todos vocês em todos os sentidos! Vocês não entendem?! Não entendem?! – gritou ela – Não é matando que vamos conseguir algo. Estaremos sangrando a nós mesmos. – ela respirou fundo, tentando ficar mais calma – Venceremos essa guerra fazendo política. Não com carnificina. Não dessa maneira deselegante. Sabe quem resolve as coisas com violência? A Grifinória. Nós vencemos com planos, com alianças, por trás dos panos. Em segredo. É assim que fazemos. É assim que somos. Comensais de Morte não representam a Nobre Causa!
—Ser contra a matança não me faz traidora de sangue. – concordou Evie – Mas se vocês aprovam aquele show ridículo que aconteceu lá fora, eu só penso que são idiotas. Como vão atrair as pessoas para seu lado fazendo isso?
—Por medo. – riu Mulciber – Do mesmo modo como você reinou nessa escola Evie. Aprendi muito bem com você. – ele se aproximou mais um passo, sem se intimidar para as varinhas apontadas para seu peito – Somos perfeitos um para o outro, inclusive. Venha comigo e seremos ainda maiores que Bellatrix e Rodolfo foram aqui dentro.
Evie olhou desgostosa para ele e negou.
—Eu jamais serei como Bella. – disse ela – E você nunca será nem metade do que Rodolfo é. Rodolfo é muito mais poderoso que você. Muito mais inteligente que você. Muito melhor que você. Você nem ao mesmo está no diretório puro sangue. Como ousa achar que está no nível dele? – debochou ela. Mulciber a olhou com ódio e Nathan assoviou fazendo graça.
—Aplique gelo na área da queimadura, Mulciber. Ou pode deixar uma marca permanente... no seu ego. – riu ele.
—Cale a boca. – rosnou Mulciber, voltando-se para Evie – Essa é sua palavra final, Zamora? Podemos ser grandes, juntos.
—Eu serei muito maior, sem você. – disse ela e a tensão continuou até o professor Slug entrar para dizer que os exames tinham sido suspensos.
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Todos estavam super abalados, de mãos dadas, sentados no chão. Todos, sem exceção. A Lufa-Lufa sangrara mais do que qualquer outra casa. Tinham acendido velas e escrito os nomes de todos os mortos. Todos escreveram cartas de força e acalentamento para a família deles. A todas as vítimas, que simplesmente não puderam se defender... e a todos os heróis que morreram para permitir que outros fugissem.
Nenhum Sonserino foi morto. Mas os Lufanos foram caçados.
Muitos Grifinórios lutaram e se feriram, pois ficaram para ajudar. Mas os Lufanos foram caçados.
Muitos Corvinas ajudaram a esconder os mais novos, usando o pensamento rápido para pensar em rotas de fugas, feitiços escudos e proteções... mas os Lufanos foram CAÇADOS.
Nenhuma casa teve mais feridos que a Lufa-Lufa.
Os nascidos trouxas e mestiços praticamente compunham a casa de Helga. Eram poucos os puro sangue ali. Só os Abbot e os Macmillan. De resto... de resto eram mais alvos, mais gente que aquela maldita Causa julgava indignos de estudarem, magia, ou de envolverem-se com bruxos... alguns pareciam não ter nem mesmo o direito de respirar. De existir.
—Gente. Precisamos nos unir. – disse Jackie Rudetsky – Mais do que nunca. Precisamos nos unir e nos proteger. Somos tão dignos do que aqueles homens em mantos negros.
—Eles são uns covardes. – concordou Toots – Não tem coragem nem mesmo de mostrar o rosto!
—Atacaram até alunos do terceiro ano! Atacaram crianças! – rosnou Nancy Mitchell.
—Por que eles fizeram isso? – chorou uma aluna em especial, que era abraçada pelas colegas do primeiro ano. Era Lisa, a irmã de Connor Falahaee.
Mas ninguém tinha uma resposta para dar a ela.
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—Silêncio! Silêncio! – gritou a monitora, secando as lágrimas, enquanto todos tentavam entender o que estava acontecendo. Ava Fawley chorava abraçada com Celina Popplewel. Aryana Grant estava em choque. Cora Wegman chorava em silêncio. A Corvinal estava de luto pela aluna Cloé Samuels e pela líder de torcida Francesca – Por favor, gente. Vamos ser racionais. Hogwarts ainda é segura.
—Atacaram o quintal de Dombledore! – chorou o irmão de Francesca, que estava inconsolável – Mataram a minha irmã aqui ao lado! Como pode dizer isso?!
Zoé Samuels, irmã de Cloé, soltou um soluço. Kim, ao lado dela, colocou uma mão sobre seu ombro, com a expressão dura de sempre. A Trifeta do Bullying, não era mais uma Trifeta.
—É mais do que óbvio que eles queriam mandar um recado. – disse Mike Chang, o monitor do sétimo ano – E é justamente esse que você disse. Eles querem falar que Dumbledore não pode proteger os próprios alunos...
—E não ficou óbvio que não pode? – rosnou Freddie Johannink, o irmão de Francesca – Cloé e Fran!
—Nunca antes tivemos um ataque tão concentrado de comensais. – disse Chang – Poucas pessoas morreram, se forem pensar friamente a respeito. E assim que Dumbledore apareceu, eles foram embora com o rabo entre as pernas.
—Nós devemos... – Aryana Grant se levantou – Honrar aqueles que morreram. Fran e Cloé estavam tentando proteger as pessoas.
—Aposto que a ideia deles não era essa. – disse Ava Fawley – Aposto que... aposto que as coisas saíram de controle. – disse a menina sem querer acreditar que seu irmão mais velho e seu pai pudessem ter tentado matar seus colegas. Sem querer pensar que Fran ou Cloé pudessem ter morrido pelas varinhas de seus parentes.
—A coisa certamente saiu de controle. – concordou Chang – Precisamos enfrentá-los! Eles são loucos!
—Enfrentá-los?! – perguntou Freddie – Não! Quer mais gente sendo morta. É isso que vamos conseguir lutando. Vamos morrer. Não há o que ser feito. Precisamos ser inteligentes!
—Precisamos ser corajosos! – rosnou Aryana.
—Não! – discordou Ava – Precisamos ser sábios. Dumbledore não vai ganhar essa guerra! Os únicos grandes bruxos o apoiando são Crouch, Valentine e Emília Bagnold! Eles não representam mais a maioria da nossa comunidade. Passou da hora de...
—De quê, Ava?! – rosnou Cora Wegman se levantando e andando até ela – Fran era sua amiga. Nossa amiga.– ela se virou para Freddie – Ela era sua irmã! E vocês vão falar o que? Que precisamos aceitar?! É isso?! Se isso significa ser inteligente, então eu prefiro ser estúpida! – ela olhou para a amiga – Seu pai estava lá, Ava?
—Como pode sugerir isso?! – perguntou a garota, na defensiva.
—Porque seu pai apoia Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Não apoia!? – gritou Cora a empurrando – Todos os que apoiam ou se omitem são igualmente culpados pela morte da Francesca! Ouviram?! – ela olhou ao redor, com o rosto cheio de lágrimas. O lábio dela tremeu com força e a menina caiu de joelhos no chão se abraçando – Eu quero minha amiga de volta! Eu quero a minha amiga de volta! Merlin! Alguém nos ajude. Alguém nos ajude! – chorou ela, desesperada, enquanto muitos vinham abraçá-la. Mas alguns outros trocavam olhares concordando com o que Ava e Freddie disseram.
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O comensal estava gritando, engolido pelas chamas que ela criava. Aquilo lhe dava satisfação e conforto. O comensal sem rosto, o que destruíra o arco, esmagando Mary, também queimava e isso era bom. Queria vingar-se. Queria que eles sofressem. Queria que eles soubessem como ela se sentia.
—Eu disse que éramos família. – riu uma voz atrás de si. Se virou e viu Rodolfo a puxando pela cintura. Engoliu em seco, sentindo medo. Os olhos prateados dele a devoraram e ele tirou a máscara. Mas não era Rodolfo. Era Rabastan – Somos iguais.
—Não somos! – disse desesperada.
—Sim. Nós somos. Foi bom matá-los, não foi? Você gostou.
—Eles mataram Fran e Mary.
—E você nem mesmo gostava da Francesca. – riu Rabastan – Você nasceu pra ficar comigo. Somos iguais. Somo bruxos das trevas.
—Não! – disse desesperada – Não sou.
—Mas... você não vê? – e tudo girou. Não estava mais em uma Hogsmeade em chamas. Estava num quarto, com Rabastan e ele lhe mostrava um espelho. Andou até lá e notou que não era mais si mesma. Ela era Bellatrix e quando Rabastan ficou ao seu lado, viu que o reflexo dele era Rodolfo – Isso somos eu e você.
—Eu não sou Bella! Você não é Rodolfo! – gritou desesperada, mas quando se virou, o viu. Ele estava exatamente do mesmo jeito que o conhecera, na casa dos Lestrange, no dia do casamento de Bella. Alto, magro, com os cabelos negros, a pele muito pálida e os olhos vermelhos. Bonito, mas assustador, ameaçador. Lorde Voldemort.
—Ainda não. Mas vai ser um dia. Eu só preciso terminar o Rito!
—Eu vou me casar com Sirius! – disse desesperada.
—Mas, minha querida... – riu Rabastan apontando para a janela – Eles estão todos mortos.
Adhara correu até a janela e viu que o teto tinha despencado do lado de fora. E seus amigos estavam todos soterrados. Sirius, James, Remus, Peter, Emmeline, Frank, Adam, Marlene, Lily... todos eles. Todos mortos. Sentiu uma mão gelada em seus ombros. Havia um comensal parado lá no fundo, com a varinha erguida. O comensal que fizera o teto desabar.
—Você é uma de nós. – disse Voldemort.
—Não... – disse querendo chorar. Mas então o comensal retirou a máscara... e Adhara viu que tinha sido ela quem matara os amigos.
Acordei de uma vez, me sentando, com os olhos cheios de lágrimas, uma angústia sem fim. Respirei rapidamente, sem ter controle sobre mim mesma. Assustada e trêmula. Engasguei com a vontade de chorar e não resisti. Cobri o rosto com as mãos e chorei desesperada. Mais um pesadelo. Sempre o mesmo pesadelo. Algumas vezes via Connor e Francesca mortos também. Outras vezes não. Mas era sempre terrível. Olhei e vi minhas poções recomendadas pela Madame Pomfrey encostadas na cama, eu evitava as tomá-las sempre, pois em deixavam mole, apesar de parar os pesadelos, e eu ficar mais... feliz.
Peguei a poção e bebi um gole. Sentindo-me péssima voltei a deitar de costas na cama. Tentei chorar baixinho, mas não consegui. Peguei o travesseiro, tentando abafar o som e a cortina se abriu. Imaginei que seria Emmeline, que vinha me consolar, mas era Emily.
—O que foi?! – perguntei furiosa e angustiada, olhando para cima e secando minhas lágrimas rapidamente. Mas Emily suspirou calmamente. Ela subiu em minha cama, fechou as cortinas e deitou ao meu lado, me abraçando.
—Você não está sozinha. – sussurrou ela – E ninguém precisa saber que você estava chorando se preferir assim. – sussurrou ela.
—Eu não estava chorando. – menti. Ela assentiu pacientemente.
—Tudo bem.
—Eu não estava chorando! – bufei, sentindo as lágrimas quererem voltar.
—Eu sei. – ela falou. Desviei o olhar dela, então a abracei de volta. Emily me apertou nos braços, querendo me confortar.
—Por que não veio Emmeline? Por que você? – murmurei magoada, sentindo minha garganta entalada com o choro segurado.
—Emmeline foi com Marlene para a Ala Hospitalar. Ela teve um surto hoje mais cedo.
—Oh... – larguei Emily imediatamente e me levantei de uma vez – Eu preciso...
—Addie. – chamou ela, segurando meu pulso – Não precisa ir. Você pode ser frágil uma vez, sabe? Você pode ficar deitada e receber um pouco de carinho e afago uma vez. Emmeline pode sobreviver uma noite sem você. – ela se ajoelhou na minha cama e segurou minhas mãos com gentileza – Se não catar os próprios caquinhos primeiro, não vai ajudar ninguém. – murmurou ela com ternura. A olhei sentindo-me péssima por não correr até Emmeline.
—Eu... eu...
—Está tudo bem. – disse Emily me abraçando – Vai ficar tudo bem. Um dia. – sussurrou ela – Ou ao menos é o que eu digo pra mim mesma. Um dia vai ficar tudo bem.
Emily me fez deitar novamente e segurou minha mão, afagando de leve. Arfei, quase sem ar e voltei a fungar.
—Se contar pra alguém eu... – comecei, mas não terminei. Não ao ver o sorriso de Emily.
—Se eu contar pra alguém, você pode espalhar o meu segredo.
—Segredo? – perguntei confusa. Ela suspirou parecendo se concentrar e eu abri a boca, chocada. Os cabelos dela mudaram, assim como o rosto. Ela se transformara? – Você é metamorfomaga?! – perguntei chocada.
—Sim. – respondeu ela – Não conte a ninguém. – disse ela voltando a parecer consigo mesma. Suspirei e concordei com um aceno de cabeça. Emily me puxou mais para perto e me abraçou, como se eu não passasse de uma garotinha.
Por um momento simplesmente... fui uma.
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—Eu só não quero tomar mais essas poções. – murmurei aborrecida. Madame Pomfrey suspirou me olhando. – Eu fico toda mole, tipo chapada...
—Elas te ajudam a dormir?
—Sim, mas...
—Então tome, Srta. Black. – ela murmurou. Ela colocou o braço sobre a mesa e segurou minha mão. – Eu sei que é difícil, mas você tem que continuar tomando, quando você for ver um curandeiro especializado nisso...
—Como assim? – perguntei de supetão. Ela piscou surpresa.
—Você passou por um grande trauma, Srta. Black. Eu recomendei ao seus pais que te levassem em algum tipo te curandeiro conselheiro para tratar do que imagino ser um estresse pós-traumático.
—Eu não tenho estresse pós-traumático! — falei. Ela me olhou pacientemente, mas com um pouco de pena.
—Você tem pesadelos, tem se isolado...
—Eu estou bem. – murmurei irritada. – Eu sou forte. Eu posso passar por isso. E eu tenho que ajudar meus amigos, eles precisam de mim. Eu não posso ficar fraca agora. – falei. Me levantei rapidamente, e sai da sala da enfermeira em passos duros. Entrei nos corredores passei por um cartaz com o rosto de Evie, fazendo campanha para Rainha do Baile Farewell.
—Addie. – escutei a voz animada da Chanel n°7. Virei-me para ela, e ela sorriu para mim. – Finalmente te achei, onde estava?
—Não é da sua conta. – murmurei. Ela piscou e assentiu, abaixando a cabeça. – O que foi? – perguntei com uma voz mais gentil. Ela sorriu levemente.
—Eu queria saber como vamos fazer sua campanha para o baile, eu e as Chanels já pensamos em algumas coisas...
—Não importa. – murmurei, suspirando. Ela me olhou chocada. – Só faz alguns cartazes rosas e está bom... faz a campanha do Jay, ele merece ganhar.
—Mas e o seu?
—Não importa, N°7! – eu falei novamente. Tati assentiu, e me olhou uma última vez antes de sair andando provavelmente para procurar as Chanels.
Fechei os olhos, parando de encarar o cartaz verde de Zamora, e sai andando. Eu me sentia angustiada, com a mesma sensação ruim no meu peito. A sensação que não saia desde o ataque a Hogsmeade. Entrei na Casa da Árvore, e suspirei aliviada ao ver Sirius lá. Ele estava fumando deitado no sofá, ele me olhou e eu me deitei ao lado dele, usando seu braço de travesseiro. Ele jogou o cigarro no chão, e se virou se ajeitando melhor, ficamos de frente um para o outro e ele acariciou meu rosto, antes de me abraçar. Enfiei o rosto em seu pescoço, e senti novamente aquela tremenda vontade de chorar.
Eu odiava me sentir frágil assim. Eu odiava. Soltei um soluço e Sirius acariciou minhas costas.
—Shh. – ele murmurou, me confortando.
—Eu... Eu deveria estar fazendo minha campanha para o baile, mas... Mary ela... ela iria fazer minha campanha. – chorei. – Ela já tinha feito esboços dos cartazes e tinha brilho e... ela queria que eu ganhasse. E se ela não acordar nunca mais?
—Ela vai acordar. – ele murmurou para mim. Chorei, e o abracei com força.
—Mas e se ela não acordar? Ela está em coma em um hospital trouxa e eu não posso nem vê-la! E se ela não acordar, Sirius? – chorei alto. Sirius me olhava como se eu fosse uma das coisas mais preciosas do mundo, acariciando minhas costas, querendo que eu ficasse o mais confortável possível. Eu podia ver que ele odiava me ver assim, só pelo brilho em seus olhos. Um brilho cheio de preocupação.
—Ela vai acordar, Addie. Temos que acreditar nisso. – ele falou. Ficamos em silêncio por um tempo, eu soluçando, mas aos poucos parando de chorar. Sirius ficou o tempo inteiro me abraçando. – Addie...? – ele chamou.
—O que, primo?
—Eu sinto muito. – ele murmurou. O olhei surpresa, Sirius me olhava extremamente culpado, cheio de dor nos olhos.
—Pelo o que?
—Por não ter estado lado naquele dia... por ter te deixado sozinha. – ele sussurrou.
—Sirius... – acariciei seu rosto. – Não tinha como você saber... e o que eu te disse no Salão Principal... eu só estava muito estressada e assustada.
—Mas mesmo assim, eu realmente sinto muito, eu morreria se algo acontecesse com você. – ele falou, parecendo completamente honesto. – De verdade, eu morreria.
—Eu acredito em você. – sorri, um pouco feliz, e o beijei na bochecha com carinho.
—Sempre que você estiver se afogando, eu vou estar lá para te puxar para superfície. – ele sussurrou, como se me contasse um segredo muito intimo.
—Eu te amo, Sirius. – falei o olhando diretamente nos olhos.
—Eu te amo, Addie.
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—É muito legal que você e o James vão juntos. – Emmeline falou com um sorrisinho.
—Nós sempre vamos ser amigos. Sempre. – sorri, me ajeitando na frente do espelho.
—Eu não acredito que vou com o Sirius. – ela sorriu feliz. Marlene a olhou atravessada do outro lado do quarto, colocando o próprio vestido para o baile. Eu tinha chamado James para ir ao baile comigo, o que ele aceitou feliz, então Emmeline tomou coragem e chamou Sirius, e ele surpreendentemente aceitou de bom grado. – Com quem você vai Lily? – Emmeline perguntou.
Lily que colocava um vestido cor salmão nos olhou, com um sorrisinho.
—Com o Nicholas Dempsie. – ela contou. – Desde o Dia dos Namorados, temos saído, e depois de Connor... ele ficou muito triste, então estou apoiando ele.
—Estão namorando?
—Bem, quase... – ela riu. Marlene riu também a cutucando nas costelas. – Dimy disse que eu totalmente deveria dar o bote nele, mas acho que ainda não, ele está muito sensível por causa do Connor.
O nome de Connor doía em mim. Era estranho e me fazia eu me sentir mal, mas ri assim como as meninas.
—E você Marlene, com quem vai?
—Eu vou com o Dimitre. – ela murmurou, evitando me olhar. – Como amigos. – ela acrescentou.
—Legal. – sorri.
Dorcas e Emily estava meio longe da gente, também colocando os vestidos. Dorcas se virou para nós.
—A Emily vai com o Nott. – ela riu. Marlene e Lily riram, mas Emmeline a olhou com zombaria, e fingiu não escutar. Eu também não falei nada, apenas olhei Emily de lado, que me encarou de volta.
—Sério? – Marlene perguntou.
—Bem, digamos que eu vou com o meu sonserino preferido. – ela riu. -E a Dorcas com o Frank. – Emily falou. – Eles podem até acabar dando beijinhos de novo.
Dorcas corou e Marlene e Lily gargalharam, se lembrando de quando Dorcas e Frank deram uns beijos.
—Achei que o Frank iria chamar Alice ou a Lily. – Marlene falou.
—Eu e ele fomos só aquela noite na casa da Addie. – Lily riu tímida. – Foi bom, mas só uma vez.
—Frank quer fazer Alice sofrer mais um pouco. – Emily riu. – Deixá-la com ciúmes.
Terminei de colocar o vestido e Emmeline fechou o zíper para mim, coloquei meus saltos e me olhei no espelho. Meu vestido era longo, de um tecido bonito rosa claro. Era levemente rodado e na cintura tinha uma linha prateada no corpete, e também caída nos ombros, o que dava destaque ao meu decote.
Soltei o meu cabelo, e com metamorfagia o deixei encaracolado nas pontas. Meus cabelos estavam pretos, eu os mudava sempre de volta para o loiro, mas sempre que eu me esquecia, ou me lembrava de Mary, eles voltavam para o negro, iguais ao do Sirius. Os mudei para o meu tom claro de loiro, e comecei a me maquiar, não fiz uma maquiagem forte, apenas um pouquinho brilhosa.
Me virei para Emmeline, que estava usando um vestido avermelhado. Ela sorriu para mim com um batom vermelho sangue nos lábios. Eu sorri de volta, e ela me passou minhas jóias. O colar que James tinha me dado ao me pedir em namoro, a pulseira que Adam em dera, já cheia de pingentes e o anel de noivado de Sirius.
—Você está muito linda, Addie. – Emmeline falou.
—Eu sei. – suspirei. – Pena que não vou ganhar a coroa.
Todas ofegaram surpresas, até mesmo Dorcas e Emily.
—Mas você vem se preparando para isso o ano inteiro! – Marlene grilou.
—Eu sei. – falei, voltando a me admirar no espelho. – Eu só... não estou tão animada. Acho que Zamora tem mais chances.
—Corta essa! – Emmeline brigou. – Você é super popular!
—Mas Zamora é mais. – a cortei pacientemente. – Ela é mais velha, ela fez uma puta campanha.
—Mas você ganhou o Campeonato das Lideres de Torcida e Quadribol.
Suspirei, vendo que ela não entendiam, e dei de ombros.
—Então estamos empatadas. – sorri. – Votem em mim. – mandei. – Todas vocês. – eu ri. Elas riram também.
Como eu estava pronta e apenas esperando Emmeline, me sentei na minha cama com cuidado para não amassar meu vestido. Lúcifer pulou para meu colo, e eu acariciei suas orelhas, ele ronronou. Observei as meninas terminarem de se arrumar, assim que Emmeline ficou pronta, coloquei Lúcifer nas minhas cobertas e nós duas saímos do dormitório, descemos as escadas juntas, e no Salão Comunal, estavam James e Sirius com lindos trajes a rigor, nos esperando.
Sorri para James, e o abracei. Ele me beijou na bochecha e colocou o corsage, que era uma flor branca no meu pulso, e eu arrumei a flor em sua lapela. Olhei Remus, que estava ao lado de Peter, colocando a mão sobre o ombro do amigo.
—Remy, podemos conversar? – perguntei. Ele assentiu e veio até mim, e James ir animar Peter.
—Está muito bonita, Addie. – Remus sorriu.
—Obrigada. – murmurei. – Você também, Remy.
—Obrigado. – ele sorriu corado. Suspirei e lhe estiquei o presente de Francesca que eu carregava na mão.
— Eu peguei... eu peguei depois que Francesca... você sabe.
Ele assentiu, me olhando curioso. Ele pegou o embrulho e abriu. Ele tirou de lar uma garrafa de licor sabor chocolate, e riu tristemente, e depois um pequeno bilhete, ele o leu e me olhou com lágrimas nos olhos.
—Ela... ela comprou de chocolate, porque sabe que eu amo... e queria que eu me soltasse mais... e também... – ele soltou um soluço angustiado. — ... também que só continuaríamos namorando se eu quisesse... porque ela em amava e não me queria com ela só por medo.
O abracei, e ele soltou um soluço. Senti aquela coisa ruim no meu peito, e vi Sirius me olhando ligeiramente preocupado.
—Eu amava de verdade, Addie. Ela era engraçada e boa também, e só disse que amava bolo! – ele me contou, então pegou a garrafa e abriu. – Eu vou ficar super bêbado hoje!
—Eu também. – sorri.
—Vamos ficar bêbados juntos, então.
Vi Emmeline beijando Sirius, e James veio até nós e me deu o braço, e saímos do Salão Comunal. Emmeline e Sirius ao nosso lado, e atrás de nós Peter e Remus, que vieram “juntos”.
—Ansiosa, minha rainha? – James riu para mim. Ri, também, apesar de não estar tão animada.
—Sim, meu rei.
O Salão Principal estava totalmente enfeitado, com mesas redondas por ele todo e no centro aberto, para dançar. Escolhemos uma mesa e Remus foi logo enchendo um copo de licor, Peter pediu um pouco e Remus encheu o copo dele também.
—O pai de Mary me enviou uma carta. – Peter murmurou tristemente. – Ele disse que ela continua em coma, mas está respondendo melhor aos medicamentos.
—Isso é ótimo. – James falou.
—Ai meu Merlin! – Emmeline falou chocada. – Aquela piranha ta brincando comigo?
Me virei para onde Emmeline olhava, extremamente irritada, e vi Emily ao lado de Jacques. Também fiquei ligeiramente chocada, ao perceber que Emily não tinha vindo com o Nott e sim com Jacques. E eles estavam de braços dados conversando e rindo.
Emmeline tinha o rosto vermelho. Frank parecia um pouco chocado, Dorcas ao seu lado também.
—Eu vou acabar com ela. – Emmeline murmurou, começando a tirar os brincos.
—Você ta com o Sirius. – Frank se meteu, ao ver que eu não iria realmente impedir Emmeline. – Emily... Emily gosta do Jacques como amigo. Ele salvou a vida dela! — Emmeline fingiu que não escutou, colocando os brincos na mesa, e começando a prender os cabelos. -Pare com essa cena! – Frank rugiu. Emmeline finalmente olhou para ele irritada. – Eles estão apenas como amigos. – ele falou calmamente.
Emmeline olhou o casal novamente, com a boca cerrada.
—Não cria caso. – murmurei para ela. – Você está com Sirius, e é isso que você queria, então, aproveite.
Ela suspirou, e Sirius colocou os brincos dela de volta.
—Eu odeio ela.
—Eu sei. – falei, então ri. Emmeline me olhou curiosa. – Emily com certeza é uma vadia.
Emmeline riu comigo, e eu olhei para mesa da Sonserina, onde Emily estava com Jacques. Nott tinha vindo com Kat, que parecia muito feliz, e Rabastan com Diana Rosier.
James me puxou para pista, e eu passei meus braços pelo seu pescoço e ele pela minha cintura, começamos a dançar lentamente, e ele me olhou com um sorriso.
—Não acredito que terminamos. – ele murmurou.
—É. – resmunguei.
—Eu achei que a gente is casar e ter um bando de filhos. – ele contou. Sorri para ele e o beijei na bochecha.
—Eu também, Jay. – ri.
O baile continuou, e eu e James dançamos mais um pouco, mas paramos para tirar o licor de Remus, que estava muito bêbado. Demos comida para Remus, e ele prometeu que ficaria sentado e esperaria para voltar a beber. Peter estava sentando na cadeira com o rosto encostado na mesa, olhando para o nada.
—Addie. – me virei para Adam e sorri. Fiz um carinho no cabelo de Remus, e fui até Adam.
—Oi. – sorri. Ele sorriu de volta, e me chamou para dançar. – Então... veio com a Zamora, né?
—Sim, e você com o Potter. – ele murmurou, assenti, e Adam ergueu meu queixo. – Não conte para Evie, mas... eu vou votei em você.
Ri, e prometi silêncio. Chamaram os indicados para Rei e Rainha e meu coração parou. Subimos para o palco, meninas de um lado e meninas do outro.
Eu estava no meio de Evie e Jackie, que só tinha sido indicada porque foi vista conversando comigo e com Evie, tinha um espaço vago entre eu e Jackie, que pertencia a Francesca, e do outro lado dois espaços, o do irmão da Francesca e de Connor. O irmão de Francesca deve ter ido para casa mais cedo.
—Boa sorte, Addie. – Evie sorriu para mim. Sorri de volta sentindo uma estranha sensação no meu peito. Uma sensação horrível, parecida com a que eu tive quando Rodolfo me tocou.
A Professora Minerva estava falando, e pronunciou os nomes de todos os indicados e suas casas.
Senti uma dor no meu peito novamente, mas ignorei.
—O Rei do Baile Farewell é... James Potter! – ela anunciou feliz.
James sorriu maroto, e piscou para mim antes de ir até Minerva. Todo mundo aplaudiu e Professora Minerva coroou James. Mais uma vez meu peito doeu e eu fechei meus olhos por um instante, pensando em Mary.
— E a Rainha do Baile Farewell é... Evie Zamora!
As pessoas gritaram e vi James me olhando confuso, Zamora sorriu, e foi até a Professora Minerva. Ela foi coroada.
Vi algumas pessoas me olhando, todos batiam palmas aos cochichos. Adam me olhou da multidão, mas eu desviei o olhar.
—Previsível. – Jackie murmurou chateada, ela me olhou de lado. – Você está bem?
—Algo está errado. – sussurrei. – Porque Dumbledore não está anunciando?
Vi James e Zamora indo para o centro da pista, para a valsa, e desci as escadas do palco.
—Addie. – Emmeline me chamou, mas a dor em meu peito aumentou, e a sensação terrível tomou meu corpo. Passei pelos meus amigos que me chamavam e comecei a correr em direção à saída do Salão Principal. Ouvi Emily me chamando, quando passei pelos sonserinos, mas continuei a correr. Corri até chegar ao escritório do Diretor. Ele estava aberto e eu suspirei, me sentindo horrível e subi a escadas. O Diretor estava sentado em sua cadeira, com uma carta em suas mãos. Ele ergueu a cabeça para mim e me olhou através dos seus óculos meia-lua.
O olhar que ele me deu... eu nunca vou esquecê-lo. Ele me olhou com pesar e eu neguei com a cabeça, sentindo a terrível sensação em meu peito parecer explodir. Comecei a chorar e Dumbledore se levantou e colocou a mão em meu ombro.
—Eu sinto muito, Srta. Black.
Cai de joelhos no chão, meu vestido se amassando todo, comecei a chorar mais ainda. A sensação estava pelo corpo todo, e parecia transbordar de mim juntos com minhas lágrimas.
Mary tinha partido. Ela tinha partido para sempre.
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FRANCESCA JOHANNINK
1959-1975

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