When We Were Young
124 Don't Be Afraid You're Already Dead
Notas iniciais

DON’T BE AFRAID, YOU’RE ALREADY DEAD
HOGWARTS
1977
7th YEAR
—Bom dia. — eu disse, no último degrau da escada do dormitório feminino. Remus sorriu para mim e eu retribui o sorriso dele, ele parecia um pouco tímido, mas tocou minha cintura e me deu um selinho nos lábios.
—Bom dia, Addie. — ele me respondeu. Escutei um barulho de nojo e vi James, Sirius e Peter nos observando do sofá, foi Sirius quem fez o barulho de nojo, enquanto James e Peter nos olhavam divertido.
—FINALMENTE! — berrou James. Eu ri e olhei meu namorado. Ainda era estranho olhar Remus, meu melhor amigo e pensar que ele era meu namorado. Depois de seis longos anos de amizade, onde estivemos com outras pessoas, agora estávamos juntos. E sempre estivemos bem um ao lado do outro.
—Tudo bem, pombinhos, deem uns beijinhos e vamos tomar café da manhã, sim? — escutei Emmeline atrás de mim, ela abraçou minha cintura e colocou o queixo encostado no meu ombro. Ela soltou um resmungo e eu a olhei.
—Está bem?
—Sim, só acho que estou com cólica. — comentou com uma careta, mas logo voltou a sorrir. — Você vai ter que aprender a dividir ela comigo, Remus. — minha melhor amiga disse, me apertando em seus braços. Remus riu.
—Já estou acostumado, faço isso há seis anos.
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—Argh, pelas barbas de Merlin. — bufou James, vendo seu horário. — Não acredito, eu nem comecei a ser um Monitor Chefe e já não quero mais. — ele disse. — Olha só quantas coisas eu tenho que fazer! Organizar reuniões, organizar as rondas dos quintanistas… fazer rondas! — ele disse, jogando o papel na mesa.
—A triste e difícil vida de ter reais responsabilidades. — debochou Remus. Eu gargalhei alto, entregando as torradas que fiz para Sirius.
—Eu sempre tive responsabilidades, quadribol por exemplo. — retrucou James. — E esse ano nós vamos acabar com as outras casas e ganhar essa merda de novo. — ele disse, batendo na mão de Sirius.
—Nossa, olha só quantas rondas você tem que fazer em um dia. — disse Peter, surpreso, ele havia pego o papel com os horários de James. Emmeline se aproximou de Peter para ler o papel também, eu notei como Peter olhou para os olhos dela e ela então desviou o olhar, franzi a testa para aquilo.
—Agora eu sei porque Dumbledore teve essa ideia louca e colocou você de Monitor Chefe. — sorriu meu primo. — Para torturar você. — ele disse. James bufou, dando mais uma olhada no seu horário.
—Eu já tenho uma ronda antes das aulas, para ver se todos os anos anteriores estão nas salas de aula….
—Que saco. — disse Sirius, sem prestar muita atenção em James, roubando minhas torradas.
—Monitoria é uma droga. — James continuou a reclamar, nem Peter prestava mais atenção. — Eu odeio isso… — ele disse. Remus me olhou risonho e eu fingi que estava enforcando de brincadeira. — Eu posso sentir nas minhas bolas que vai ser um total saco...
—Oi, James Potter.
James se virou para a voz melodiosa de Lily, ela estava atrás dele segurando o próprio horário dela.
—O-oi, Lily… Evans… Lily. — ele disse.
—Animado para as rondas? — ela perguntou, se sentando ao lado dele, James quase empurrou Sirius no chão para dar espaço a Lily. — Vamos fazer juntos, certo?
—Sim! Sim! Muito animado. — ele disse, dando um sorriso gigante. — Ser Monitor Chefe parece ser realmente legal.
—Você consegue sentir nas suas bolas, não é James? — disse Sirius, mordendo uma torrada com um sorriso travesso. Nós gargalhamos e James olhou irritado para Sirius.
—Rondas são demais, Padfoot. — disse James. Ele voltou a olhar Lily. — … e você é demais… e monitoria é de…
—James. — Lily o interrompeu, com um sorriso. — Te vejo e quinze minutos, em frente a escadaria principal, está bem? — ela disse. Ele assentiu e Lily lhe deu um último sorriso antes de voltar a sentar com Marlene e Dorcas na ponta da mesa.
—Merda, Sirius, para de me atrapalhar com Lily. — bufou James, dando um soco no ombro de Sirius. — Babaca. — ele disse. James suspirou nervoso e afrouxou a gravata vermelha e amarela. — Já passou quinze minutos? Eu posso ir?
—Não passou nem um minuto, James. — respondeu Remus. — Tenho Aritmancia agora. — ele me disse, me dando um beijo na bochecha. — Te vejo depois. — falou.
—Te vejo depois. — sorri. Meu primeiro horário era livre, assim como de todos que não faziam Aritmancia.
—Porque ele ainda faz Aritmancia? — me perguntou Emmeline. — É o único da gangue. — ela disse.
Dei de ombros, Remus gostava de se sentir ocupado, mas é claro que o fato de sua licantropia pesava muito, ele nunca me disse em voz alta, só que eu sabia que o fato de ele continuar fazendo tantas matérias era para “compensar” o fato de que ele era um lobisomem, até hoje, no último ano, ele ainda achava que Dumbledore podia simplesmente o expulsá-lo por não se esforçar como os outros garotos.
—Ele gosta da saber das coisas. — falei.
—Bem, eu já vou indo também. — ela me disse. — Ontem chegou um garoto transferido da Rússia, mais novo, loiro como Dimitre, então nós dois apostamos que consegue pegar ele primeiro. — ela disse. Eu ri, tomando meu suco de abóbora.
—Como pretende seduzi-lo? — perguntei.
—Eu vou levar ele para um tour… — ela disse, com um sorriso travesso, passando os dedos pelos botões da camisa. — … nos meus peitos. — ela disse, safada. — Te vejo depois, vadia.
Emmeline se levantou e saiu rebolando. Eu vi Dimitre se levantando também da mesa da Corvinal, onde estava com Frank e Alice e correndo até ela, minha melhor amiga começou a correr também rindo.
Peter enfiou duas torradas na boca, também vendo os dois correndo para fora do Salão Principal. Continuamos a comer o café da manhã, com Sirius dizendo alguma coisa vez ou outro sobre como o cabelo dele estava mais maravilhoso que o normal. E James que estava olhando fixo para seus ovos mexidos.
—Merlin, merda, não consigo, eu tenho que ir esperar ela! — ele berrou, se levantando e saindo correndo. Eu e Peter nos entreolhamos e ele chegou seu relógio.
—Ele aguentou por 7 minutos e 15 segundos. — disse. Eu ri. — Vou ir também. — ele disse.
—Vai fazer o que? Ir para a Casa na Árvore? — indaguei.
—Não, acho que vou ir ajudar Dimitre e atrapalhar Emmeline. — falou, dando de ombros. Peter também se levantou e foi.
Ficou apenas eu e meu primo. Sirius estava lendo o Semanário das Bruxas, o seu dedo girava em volta de sua caneca de chá, fazendo a colher mexer com mágica, para o açúcar se espalhar. Ele ergueu o olhar, parecendo notar que eu o encarava e arqueou a sobrancelha, levando seu chá até a boca e tomando um gole, observei seu pomo de adão se mexer quando engoliu o líquido.
—Encarando muito? — ele comentou. Eu sorri e desviei o olhar.
—Não tem vergonha de estar lendo o Semanário das Bruxas?
—Você estão praticamente os mesmos. — ele me disse, ignorando a minha pergunta. — Só que agora dão beijos de verdade. — ele estava falando sobre meu namoro com Remus. Suspirei e sorri, apoiando minha mão em meu queixo. — Está nervosa?
—Porque estaria?
—Porque seu último namorado morreu. — ele disse, sem nem gaguejar ou pensar duas vezes. — E porque você ficou muito fodida da cabeça por isso.
—Eu não estou mais. — eu disse, simplesmente. — Eu tomei as poções o verão inteiro e o curandeiro que a vovó chamou finalmente me liberou. — falei. — E estar com Remus é como estar usando drogas, sabe? Quando ele me beija, eu sinto que eu posso ter um orgasmo só pelo calor do corpo dele. — disse. Sirius sorriu. — Mas, sim, é estranho chamá-lo de namorado, e acho que vai ser estranho por um tempo, porque não parece que estamos namorando e sim que estamos sendo Nips e Moony como sempre. Isso é estranho? Porque não namoramos antes, não nos beijávamos desde os onze anos e mesmo assim parece que é um namoro de anos…
—É estranho, deve ser amor. — meu primo disse, terminando seu chá. Eu sorri, era bom conversar com Sirius novamente, era ótimo na verdade.
—E o que você sabe sobre amor, Sirius Black?
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—Pelas cuecas sujas de Merlin, vocês esqueceram de usar Abaffiato DE NOVO! — escutei o berro de James e então algo batendo contra as cortinas da cama de Remus, provavelmente um travesseiro.
Eu ri olhando meu namorado. Remus estava embaixo de mim pelado e eu em cima dele igualmente pelada, ele sorria, e não parecia com vergonha. Quando estávamos só nós dois, em momentos íntimos como esse, era como se toda a timidez ficasse de lado. Ele podia ficar mais livre. Eu me curvei para lhe dar um beijo molhado na boca, ignorando o grito que James havia dado, continuando a rebolar no colo de Remus. Era tao bom sentir ele enfiado em mim, até onde conseguia ir. Dessa vez estávamos fazendo bem lentamente, com carinhos e beijos doces sem distribuídos, enquanto eu rebolava em cima dele. Estávamos no meio de outubro, ele tinha acabado de ter passar por uma Lua Cheia e amanhã já era meu aniversário. Algo que eu havia descoberto sobre Remus era que antes da Lua Cheia o sexo era simplesmente selvagem, mas quando ele voltava era carinhoso e doce.
—Você gosta quando eu faço isso? — perguntei para ele, descendo pela intimidade dele, enquanto rebolava vagarosamente. A minha resposta foi o gemido rouco que ele me deu com uma cara de puro prazer. Eu não poderia fazer isso se estivéssemos com o fogo Pré – Lua Cheia, porque era tudo muito bruto e forte, de um jeito muito bom.
—Addie… Addie..
—Addie, Addie, Addie. — escutei a voz de James novamente ao berros. — Nós entendemos você está tendo uma transa sensacional agora CALE A BOCA! — ele jogou outro travesseiro nas cortinas.
—Nem tente, James. — falou Dimitre. — Vai ser difícil parar Remus agora que ele descobriu o poder da boceta!
—E não é qualquer uma, é da Oh, Addie, Oh, Addie.— debochou Sirius, fingindo gemer. — Chupe minhas bolas peludas, Addie.— ele disse, como se imitasse Remus. Os meninos gargalharam alto.
—Porque vocês são tão escandalosos? — falou Frank, com uma voz de quem acabou de acordar.
—Como você está dormindo com Adhara fazendo salto com vara no Remus? — indagou Dimitre. Eu ri baixinho e Remus também, eu voltei a rebolar lentamente, mas os meninos continuaram conversando.
—Chanel Nº1 está aqui? — perguntou Frank, bocejando.
—Oi, Fran… Oh, oh. — eu acabei gemendo no meio da palavra, pois Remus segurou meu quadril e enfiou com tudo em mim.
—Ahhh, agora eu entendo do que vocês estão falando. — disse Frank, rindo.
—Acho que eu vou chamar a Lily para sair. — contou James.
—Eu prefiro escutar Nips e Moony fodendo do que escutar você falar mais alguma coisa sobre a Ruivona. — disse Peter, com uma voz entediada.
—Lily fica tão bonita dando detenções. — disse Sirius, imitando a voz de apaixonado de James. — Lily tem os cabelos acaju, não é um ruivo qualquer, Peteeer.
—Lily poderia pedir para eu ficar de quatro para ela e fingir que sou seu cachorrinho que eu faria… — ajudou Dimitre.
—Ora, calem a boca! — berrou James. Eu acabei saindo de cima de Remus e me deitando ao seu lado, apesar de ainda estar excitada e Remus ainda estar duro, não tinha como continuar com a discussão super importante que acontecia fora das cortinas. Eu peguei um suéter de Remus e coloquei, abrindo as cortinas ao mesmo tempo que meu namorado se cobria com as cobertas.
—Lily é tão bonita, eu queria tanto ver os pentelhos ruivos que ela tem. — eu ajudei a debochar. James tentou tacar mais um travesseiro em mim, mas eu desviei e ele caiu junto dos outros dois que ele já havia jogado.
—Não é ruivo, Addie, é acaju. — disse Remus em tom de repreensão, mas com um sorrisinho, ainda deitado na cama. Os meninos explodiram em gargalhadas e James fechou a cara para todos nós.
Nas últimas semanas James tem exercido bastante o seu cargo de Monitor Chefe com Lily, não tinha pregado nenhuma peça pelos corredores e vivia fazendo rondas. Eu já havia me acostumado a ver eles andando juntos pelos corredores e com sorrisos. Era como se tivessem decidido apagar tudo que acontecera com eles antes e realmente começarem a se conhecer. E isso significava um James apaixonado e nada era mais insuportável que James apaixonado. Ele falava sobre Lily 80% do tempo e os outros 20% ele ficava torcendo para alguém falar sobre ela para que ele pudesse falar também.
—Vocês dois podem terminar a trepação de vocês? — pediu James. — Porque eu tenho…
—Rondas com Lily. — todos completamos a frase dele em uníssono.
—É tudo o que você tem feito, saindo por ai com a Yoko. — murmurou Sirius, mas como o quarto estava silencioso todo mundo pode escutar. Eu vi Frank botando a cabeça para fora da cortina e Peter e Dimitre erguendo os pescoços para ver a reação de James.
—O que? Yoko? — indagou James. — Como a Yoko Ono?
—Sim, você nem é o namorado dela e ela já está o afastando de nós. — disse Sirius, acendendo e apagando seu isqueiro. — Rondas o tempo todo… quem liga para rondas e aquela Yoko Ono ruiva?
—Não chame Lily assim. — disse James. — E eu não faço rondas o tempo todo.
—Quando foi a última vez que saímos pelos corredores para fazer alguma merda? — indagou Sirius, se sentando na cama.
—Mas, Sirius, James está tentando conquistar Lily...
—Peter, cala a boca, pare de ser um capacho para James. Sério, algumas vezes acho que seus pais criaram a placenta de vez o bebê. — falou Sirius. Os meninos gargalharam, menos James e Remus, o primeiro estava emburrado e o segundo apenas havia revirado os olhos.
—Isso é ofensivo. — respondeu Peter. — Babaca.
—Feto. — disse Sirius e Peter já ia retrucar novamente.
—Merlin. — bufou Remus. Ele se aproximou mais da beirada da cama e olhou nossos amigos. — Nós não somos os Beatles. — ele disse, olhando James e Sirius. James ainda estava de braços cruzados. — E Peter não é uma placenta ou feto.
—E Lily não é uma Yoko. — berrou James.
—É, e Lily não é uma Yoko. — completou Remus em tom apaziguador. — James você sabe, Sirius só está como ciúmes. — ele disse. Eu ri e Sirius bufou da cama dele.
—Isso é besteira, vão a merda. — falou Sirius, ele se levantando da cama, apenas de cuecas e colocou uma calça.
—Oh, rude! — disse James. Eu troquei um olhar com Remus, vendo Sirius colocar agora uma blusa qualquer.
—O que está fazendo? — perguntei, me levantando da cama também.
—Vou sair para dar uma volta.
—Já deve ser quase meia-noite!
—E? — ele disse, jogando sua jaqueta de couro por cima dos ombros. Ele colocou um cigarro atrás da orelha.
—Vou com você. — eu decidi, procurando por minha calcinha na cama de Remus que me olhava.
—Vocês não podem sair. — ele disse.
—Verdade. Eu posso dar uma detenção para vocês. — falou James. Eu achei minha calcinha e coloquei rapidamente e logo a minha saia.
—Então, dê. — disse Sirius, revirando os olhos. Dei um beijo em Remus e catei a capa de invisibilidade de James.
—Não voltem tarde! — berrou James. — E quando voltarem não façam muito barulho, amanhã eu tenho…
—Rondas com Lily. — todos berramos para ele.
—Merlin, vocês são tão irritantes.
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—Você está bravo com James, não é? — indaguei, fumando o cigarro de Sirius. Ele me olhou de lado e se jogou no sofá, deitando lá. Eu me joguei na poltrona, com as pernas em cima do braço da poltrona. Havíamos nos escondido embaixo da capa de invisibilidade e ido até a Casa na Árvore.
—Ele… tem andando estranho. — ele comentou. Traguei o cigarro e assoprei a fumaça. — Acho que ele quer mudar pela Evans.
—Ele gosta dela. — eu disse. Era algo que eu havia notado, que James realmente gostava de Lily, desde sempre ele teve uma queda por ela, que foi intensificando ao longo dos anos.
—Tantos faz. — ele disse, com as mãos na barriga, mirando o teto como se fosse algo muito interessante. — Só me deixe paz, porra, que saco. — ele falou. Revirei os olhos para Sirius e olhei a Mesa de Centro que era um malão velho, onde tinha algumas garrafas de hidromel e mel de salamandra dentro. Abri com o pé e vi lá dentro um álbum de fotos. Tirei minha varinha do bolso da saia.
—Accio álbum de fotos. — murmurei. O álbum veio direto para as minhas mãos e deixei o malão de fechar. Abri, era um álbum de fotos que Mary começou a montar no quarto ano. — Olha só, é Mary, você sabe, ela teve um grande problema, ela morreu, não conseguiu ter uma adolescência. — eu disse. — Enquanto isso, você está sendo um babaca porque seu melhor amigo pode talvez arranjar uma namorada. Grandes problemas você tem, não é?
Sirius me olhou e bufou, enquanto eu foleava o álbum de fotos, fingindo que não tinha ficado irritada.
—Foi mal. — ele murmurou para mim.
—É só… — suspirei, olhando uma foto em que estava eu, Emmeline e Mary com o uniforme de torcida, abraçadas, fechei o álbum, tristemente. — Estamos no último ano e já passamos por tanta coisa, Sirius. James andar muito com Lily Evans é a menor delas, não fique chateado por isso. — eu disse, terminando o cigarro. Joguei a bituca em cima do malão e me levantei. Andei até meu primo e me joguei em cima dele, Sirius resmungou, mas me abraçou e eu enfiei meu rosto em seu pescoço. — Então me diga, que porra tá acontecendo de verdade? Porque faz semanas que você tem estado nesse humor babaca e triste.
—Estou me sentindo sozinho desde que Emmeline me chutou. — ele me disse. Ergui meu rosto, com os olhos arregalados, me sentei direito e ele acabou fazendo o mesmo. Ele desviou o olhar de mim e abriu a Mesa de Centro, tirou de lá um cigarro um pouco velho e acendeu com a varinha. — Pare de me olhar assim.
—Está sentindo falta dela? — perguntei. Ele me olhou de canto de olho e tragou o cigarro.
—James está o tempo todo com Lily, Remus está o tempo todo com você, Peter está esquisito pra caralho e… eu tenho andando com uns caras do sétimo ano da Lufa-Lufa, um bando de drogados. — ele começou a dar desculpas. Segurei o queixo dele e o virei para mim, com uma sobrancelha arqueada. — Argh… sim, estou sentindo falta dela.
—Você está dizendo que gosta dela? — perguntei, mordendo meu lábio para segurar um sorriso maroto. Sirius semi cerrou os olhos para mim e eu pulei para a poltrona.
—Eu estou dizendo que prefiro ficar chapado com vocês do que com os lufanos. — ele disse.
—Isso é um código para “Eu sou um idiota que fodeu com a cabeça de Emmeline e agora estou apaixonado por ela”?
Sirius não me respondeu e eu sorri, olhei o relógio. Há alguns minutos havia dado meia noite. Dia 17 de Outubro de 1977, eu estava fazendo 18 anos. Sirius pareceu notar também, pois ele se levantou e eu dei espaço para ele na poltrona, nos apertamos juntos e ele tirou o isqueiro do bolso. Acendeu o isqueiro e me olhou. Sorri para ele e assoprei.
—Feliz Aniversário, Adhara.
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NOVEMBRO
—Você está bem? — indaguei, franzindo a testa. Emmeline me olhou com a pior das caras e só soltou um resmungo que eu não consegui entender. — Emme, pode falar para fora, por favor?
—Alguém tá cheirando muito mal. — ela me respondeu de má vontade, com a mão sobre a barriga. — Argh, meus peitos estão doendo demais, minha menstruação tá demorando. — ela reclamou. Eu também ficava com os peitos sensíveis antes de uma menstruação, então sorri para minha amiga e acariciei seus cabelos. Ela estava com o rosto contra a mesa, enquanto esperávamos a aula de Poções começar.
Olhei para a frente e Remus estava sentado com Sirius e em frente a eles estava James e Lily. Parece que Lily e Dimitre trocaram de duplas, Dimitre estava lá atrás com Marlene, os dois rindo de alguma bobeira. Pela cara que Sirius fazia, não estava nada feliz. Como se soubesse que eu observava, Remus se virou para mim, desviando o olhar do seu livro.
Remus. Ainda era estranho o olhar como meu namorado, parecia que nada havia mudado entre a gente, que os beijos e as transas foram a única coisa que acrescentou no nosso relacionamento. O sorriso que ele me deu, me fez prestar atenção na pequena cicatriz que ele tinha no canto do lábio inferior, como eu amava aquela cicatriz. Estiquei minha mão e ele se virou completamente segurando minha mão, no antebraço nós tínhamos cicatrizes que eram extremamente parecidas. A mão de Remus era quente, enquanto as minhas estavam sempre frias, mas era só eu tocar nele para que elas ficassem quentes. Estávamos juntos oficialmente a dois meses. E a cada dia a certeza de que Remus era uma das pessoas que podiam arruinar a minha vida se tornava mais forte. Eu morria de medo de o amar, morria de medo do sentimento que eu tinha por ele, era tão forte e tão único, que me assustava.
O amava tanto.
Já amei muito na minha vida. E intensamente. Já me peguei pensando em como seria se Adam estivesse aqui, se um dia eu fosse simplesmente pirar com o sentimento dentro de mim e infelizmente quebrar o coração dele. Ou se eu viveria para sempre pensando em como poderia ser se eu tivesse tentando algo com Remus e vivido uma vida confortável com Adam. Também não podia deixar de pensar nas semelhanças e as divergências entre cada um que já amei. Adam me amou com todo o coração dele e eu nunca esqueceria isso, a sua última carta estava muito bem guardada comigo para sempre, seu amor por mim sempre ficaria vivo em meu coração. E Remus me amou mais do que amou a ele. Isso me assustava também, porque eu sabia que eu era uma das pessoas que poderiam o arruinar, ele também tinha medo do sentimento dele por mim, eu sabia disso.
—1 galeão pelos seus pensamentos. — escutei a voz de Remus. Olhei em seus olhos âmbar.
—Te dou eles de graça. — respondi. Me curvei para lhe dar um beijo na boca.
—Eu estou tão deprimido.
Nos viramos para Sirius, que tinha na boca um cigarro, mas ele não ao acendeu apenas fico com ele entre os dentes.
—Quer participar do nosso relacionamento? — indaguei. — Sabe o que dizem, não é? Dois é bom, três é melhor ainda. — brinquei. Remus sorriu coradamente e Sirius deu um sorrisinho de lado.
—Só prometa cuidar de mim quando eu estiver velho demais para transar. — disse meu primo. Eu sorri e o Slughorn entrou na sala.
—Achei que já tinha prometido.
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Lily arrumou os cabelos em frente ao espelho atrás da porta do banheiro e tomou um susto quando a porta se abriu e Emmeline saiu de lá com uma cara horrível.
—Está tudo bem? — perguntou Lily, vendo a amiga se jogar na cama mais próxima pelo reflexo no espelho. Os cabelos acajus estavam presos em uma trança que caia sobre o ombo dela, se olhou no espelho passando apenas um pouco de batom cor-de-rosa.
—Sim, a sopa de abóbora não caiu bem, só isso. — respondeu Emmeline.
Lily ficou imaginando se amiga havia vomitado e perguntaria, mas quando olhou novamente Emmeline já estava adormecida. Suspirou e desamassou sua saia do uniforme e arrumou seu broche de Monitora Chefe que ela adorava limpar para ficar sempre brilhando.
Marlene entrou no quarto e se jogou na própria cama, jogando os sapatos para o ar.
—Onde estava? — indagou Lily.
—Biblioteca.
—Biblioteca? — repetiu Lily, confusa. — Você diz que a biblioteca é onde as pessoas vão parar chorar e morrer de tédio. — ela disse. Marlene riu e deu de ombros.
—Eu quero te contar algo. — ela disse. Lily a olhou curiosa e foi até a amiga se sentando na cama ao lado dela. — Não agora. — ela riu.
—Tudo bem. — bufou Lily. — Vou ir para as rondas com James. — ela disse, indo até o malão e pegando um monte de varinha de alcaçuz e enfiando tudo no bolso.
—Você gosta dele?
—Eu… não o odeio… sim, digo, ele é legal. — respondeu Lily. — Ele é na verdade, bem inteligente.
—Eu sei disso. — disse Marlene, se levantando. Ela tirou a blusa do uniforme, enquanto falava. — Todo mundo sabe disso. Você que nunca enxergou nele nada além do James que é um pé no saco e gosta de atenção.
Lily não respondeu a amiga, apenas foi para a porta do dormitório, antes de sair e descer as escadas ela viu Emmeline levantando correndo e indo para o banheiro com a mão sobre a boca. Chegou no Salão Comunal e já repreendeu uns primeiranistas que tentavam fazer um quadro flutuar. Ela olhou ao redor procurando James, mas só encontrou Dimitre e Sirius jogando xadrez bruxo cheio de risadas e toques um na mão do outro. Ela semi cerrou os olhos para aquilo.
—Lily! — ela se virou para James que descia as escadas do dormitório masculino aos pulos. Ele também tinha o broche de Monitor Chefe preso em sua capa. — Pronta para botar alguns primeiranistas no caminho da bondade e bons costumes? — ele indagou com um sorriso largo.
—Achei que seu trabalho James era tirar os jovens do seio da família e colocar na teta da maldade. – berrou Sirius ao longe, citando uma frase que James disse há muito tempo. Dimitre gargalhou, batendo na mesa.
James mostrou o dedo do meio para Sirius que retribuiu. Ele tocou no pulso de Lily, olhando para Sirius com irritação.
—Vamos, Srta.Evans, não se misture com essa gentalha.
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—Rabastan me chamou para passar o Natal com a família dele. — falou Emily, em um fôlego só.
Desgrudei a minha boca da de Remus e olhei a minha amiga. Estava sentada no colo de Remus, na poltrona que tinha na Casa na Árvore. Ela parecia um pouco ansiosa e tinha soltado seu cabelo da usual trança e passava a mão pelas madeixas. Ela nos olhos esperando uma resposta e Remus apenas pegou o chocolate que comia antes de eu enfiar a língua em sua boca e voltou a comer.
—O que você respondeu?
—Eu disse sim.
—Ótimo, resolvido. — eu disse e segurei o rosto de Remus e o voltei a beijar.
—Argh, merda. — Emily falou, escutei ela se jogando no sofá. — Vocês realmente precisam dar uns malhos agora?
—Desculpe, Emms, mas eu e Addie estamos naquela parte do relacionamento que todo mundo nos odeia porque estamos sendo muito felizes. – disse Remus, em tom de desculpas. Dei uma risadinha e dei um beijo em uma cicatriz em seu pescoço.
—É só… conhecer os pais deles é grande passo, certo? — ela perguntou a nós. — Significa que o relacionamento está bastante sério.
—Sim. — eu respondi, pegando um pedaço do chocolate de Remus. — E você sabe como são os pais de Rabastan, né? Como meus tios. – eu disse. Ela assentiu sem dar muita atenção.
—Eu sei que todos combinamos com James de passar o Natal em Hogwarts, então eu volto antes do recesso acabar. — ela disse para nós. Emily se levantou e deu um beijo no meu rosto e de Remus e saiu da Casa na Árvore. Olhei meu namorado e ele parecia perdido em seus próprios pensamentos comendo chocolate devagar. Me ajeitei em seu colo e lhe beijei o pescoço.
—Que foi? — perguntei com uma voz manhosa. Remus acariciou meu quadril com o braço que tinha em volta de mim.
—Amanhã é aniversário da minha mãe. — ele me contou. Ergui meu rosto para ele e notei sem semblante triste. — Eu não sei dizer como estou me sentindo. — ele falou, honestamente. Ele podia não entender aquele sentimento novo, mas eu sim, eu sabia muito bem.
—Você quer poder fingir que nada aconteceu. — eu disse a ele. — Quer mandar uma carta para ela, não uma declaração do seu amor por ela, apenas uma carta perguntando sobre o dia dela, como se nada tivesse acontecido. — falei, recobrando todos os meus sentimentos que estavam guardados. — As vezes, você esquece que ela morreu e quando se lembra é como que ela morresse cada vez mais em sua memória.
—Addie… — ele murmurou, toquei em seu rosto com minha mão, meus dedos tocando sua orelha e meu dedão em cima de sua bochecha. Os olhos dele estavam cheios de lágrimas que ainda não haviam escorrido.
—E o sentimento é horroroso. — eu não o deixei me interromper. — Tão forte e tão doloroso que você prefere morrer do que sentir ele novamente e … ele não passa.– eu falei, as lágrimas começaram a escorrer silenciosas. Limpei com meu dedo, não as deixando cair. — Sempre sentiremos falta deles, Remy. Temos que viver nossas vidas por nós, por aqueles que amamos…— o beijei em cima da lágrima que escorria. — … e por aqueles que nos deram momentos inesquecíveis em nossas vidas, porque eu te prometo Remus, mesmo que não se sinta assim agora você vai ser muito feliz!
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—Minha cabeça dói. — reclamou Peter, deitado no chão frio.
—É o seu cérebro tentando entender a própria estupidez, Wormtail. — respondeu Sirius, tomando o hidromel. Peter não o respondeu, apenas gorfou na própria camisa e continuou deitado. Sirius bufou e o fez se sentar, sabendo que se ficasse deitado não faria bem a ele. Conjurou um balde e deu para que o amigo pudesse vomitar propriamente e melhorar.
—Merda. Eu to muito chapado. — avisou James. — Já estamos em Dezembro? — ele indagou arregalando os olhos.
—Não, Prongs, amanhã estaremos em Dezembro. — respondeu Remus, tragando um baseado.
—Amanhã, oh, certo. — ele disse.
—Acho que vou perder aquele russo para o Dimitre. — contou Emmeline, ela dividia a poltrona com Adhara, as duas compartilhando um baseado.
—Porque?
—Merda, merda. — sussurrou Emmeline sem responder. Ela colocou a mão sobre a boca. — Vou ir para o dormitório.
—Porque? — berrou James. — A festa está só começando, Emme… — ele arrotou. — … line.
—Peter já caiu da vassoura, James. — falou Remus, não deixando o amigo pegar o baseado dele. — E você logo vai também, porque só não jogamos snap explosivo? Só não tira suas roupas que nem festa na festa dos lufanos.
—Mas era strip snap. — se justificou James.
—Você nem estava jogando, Prongs. — riu Sirius.
—Sabe… eu tenho um sonho. — falou Peter. Adhara gargalhou vendo a cara dele de safado e Emmeline se levantava para ir embora. — Daqui a dez anos… faremos exatamente isso aqui, claro se James ou Sirius não se matarem antes fazendo algo muito incrível ou se Adhara e Remus começarem a ter bebês.
—Não me ponha nas suas fantasias, eu não gosto nem de estar na sua vida real. — disse Sirius. Os meninos riram e Peter voltou a cair adormecido no chão.
Emmeline beijou a bochecha da melhor amiga e a dos meninos, fugindo quando Peter tentou agarrá-la. Andou pelo túnel escuro e passou pela passagem no espelho. Ela estava se sentindo enjoada novamente, sua cabeça doía e toda hora nascia alguma espinha que ela rapidamente tinha que cuidar com poção. Ao chegar no dormitório ela quis se atirar na cama, mas foi para o banheiro, antes parando para pegar sua mochila dentro do malão, tentando ser cuidadosa para não acordar ninguém, apesar de estar na madrugada de um sábado. Jogou a bolsa no chão e se trancou no banheiro.
Sentiu vontade de vomitar e acabou vomitando na pia, nunca tinha vomitado tão forte antes. O gosto ruim na sua boca a fazia querer vomitar mais, mas apenas limpou a boca, então lavou seu rosto tirando toda a maquiagem. Apoiou as mãos nas beiradas da pia e se olhou no espelho. Estava com olheiras enormes, de quem não dormia a dias, seu cabelo estava meio seco, estava se sentindo um total lixo.
Voltou a olhar a mochila e tirou algo de lá, fez o que deveria fazer e se sentou no chão, a poção ao lado e ficou esperando. Apertou os joelhos esperando a resposta e viu com atenção a poção de incolor se tonar esverdeado.
Quis morrer.
Emmeline deixou todas as lágrimas caírem e pegou a mochila jogou todo o conteúdo no chão.
Testes de gravidez trouxas caíram da bolsa, pelo menos meia dúzia, agora junto do único teste bruxo. Era o que Emmeline precisava para cair na real.
Estava grávida, mas o pior foi que uma foto caiu junto de sua mochila. Ela segurou e levou até mais perto de si. As lágrimas caíram na foto, dela e dos Marotos e olhou os rostos sorridentes de Sirius e Peter.
Quem seria o pai?
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