Notas iniciais
HELLOOOOOO! =D Vênus Here! Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer a Sarah Magalhães pela linda recomendação! Obrigada, sua linda! Gente... We are Infinite já tem 6 SEIS recomendações... Que orgulho! Muito obrigada a todas vocês que estão sempre comentando e que estão recomendando. Em segundo lugar, eu quero esclarecer uma dúvida que ficou no ar pra muitas pessoas! D= Pra quem leu minha fic Legado Lestrange, e ficou desesperada com o que aconteceu com a Addie, relaxem ahsuahsuas Aquilo foi um acordinho feito entre eu e a Aurora. A gente quis fazer um crossover (e fizemos), maaaaaaas... a história da Addie (e da Emily) é diferente em We Are infinite. Fiquem calmas, ok? ahsuahsuahsua Isso que dizer que a Addie pode ficar com o Rabs? Sim Isso quer dizer que a Addie pode ficar com o Adam? Sim Isso quer dizer que a Addie pode ter doze filhos, jogar pelas Harpias e virar Imperatriz do mundo, descobrir que é filha do Darth Vader e participar dos Jogos Vorazes? Sim. Sim. Sim e Sim... Ainda vale tudo aqui em We are Infinite. Não deixem Legado Lestrange traumatizar vocês, ok? Mas é isso ai. Chega de papo e vamos ao capítulo, que tá muito legal, sem desastres, mortes, separações, traumas nem nada disso! Beijos da Tia Vênus!

DOLL

ADDIE’S NEIGHBORHOOD

1974

SUMMER

—EU JURO QUE MATO VOCÊS, SEUS DOIS DEMÔNIOS!

—CORRE, SIRIUS! – eu grito gargalhando, enquanto Sirius corria logo atrás de mim.

—Ela é mais louca que o Filch! – gargalhou Sirius para em seguida começar a imitar um cachorro, uivando e latindo. Depois que alcançamos uma distância segura da Sra. Epaminondas, nos sentamos na calçada para retomar o fôlego.

—Sua nova vida é tão melhor que a minha. – murmurou Sirius, ainda ofegante. Ele sorria apesar de dizer aquilo – Que bom que as pessoas aqui são legais com você.

—É... – murmurei tirando uma mexa de cabelo dos olhos – Que bom que você conseguiu vir aqui. Ainda tem muita coisa que eu quero te mostrar...

—Então... o que estamos esperando? – perguntou Sirius ficando de pé, animado. Me levantei também e bati na calça, para tirar a sujeira da calçada que tinha grudado na roupa. Depois sorri para Sirius e fomos andando – Onde podemos tomar um sorvete por aqui? Está fazendo um calor do cacete.

—Eu sei o lugar perfeito! – digo animada – Mas primeiro preciso te mostrar o parquinho.

—O que tem de legal no parquinho? – perguntou ele arqueando uma sobrancelha – Nós já somos grandinhos.

—Não é um parquinho qualquer. Um cara foi morto lá. – eu disse.

—Comensais de Morte? – perguntou Sirius ficando sombrio.

—Não. Um trouxa, morto por outro trouxa. – respondo. Sirius fez uma careta e deu de ombros.

—Eu prefiro comer. – resmungou ele – Ou tomar um sorvete ou um suco.

—Ok, ok. – respondo menos entusiasmada.

Guiei Sirius até a lanchonete onde eu e Adam tivemos nosso encontro. Nos sentamos numa mesinha e Sirius ficou olhando para tudo com interesse. Mas logo ele disparou a rir.

—O que foi? – perguntei, franzindo a testa.

—Seu namorado está vindo ai. – debochou ele. Olhei para o lado e vi Adam, de avental e lenço na cabeça, com o uniforme da loja – Céus, Cook. Você está ridículo.

Adam se aproximou com um bloquinho de notas e sorriu com deboche para Sirius.

—Ainda estou mais bonito que você. – disse ele – Não acha, Addie?

—Eu tenho absoluta certeza disso. – digo com um sorrisinho. Sirius só revira os olhos.

—Por que está vestido desse jeito? Nunca vi um trouxa andar assim!

—Estou trabalhando aqui nas férias. Só porque é um garoto mimado, não quer dizer que precisa ser babaca.

—Você não deveria ser gentil com seus clientes? – perguntou Sirius com um sorriso ácido.

—Eu deveria seguir um certo regulamento de conduta, é verdade... mas como você pode ver, eu não estou muito disposto a isso... principalmente na regra: é proibido cuspir na comida dos clientes babacas. – riu Adam de maneira quase gentil. E antes que Sirius pudesse responder, ele se virou pra mim – E você, Addie? O que vai querer? Batata frita e milk shake?

—Sim, por favor. Quero o milk shake de morango. O Sirius vai querer o mesmo e mais um hambúrguer... pode ser o maior que tiver!

—Ele não merece, mas vou buscar por você. – riu Adam piscando pra mim e se virando para sair. O observei se afastar, achando-o lindo, como sempre e escutei meu primo bufar.

—Ele é um nojento.

—Ele é ótimo. Você que se esforça pra ser insuportável com qualquer um que não seja da Grifinória!

—Isso é completamente não verdadeiro. – disse Sirius com um sorrisinho irritante – O que é um hambúrguer?

—É uma comida trouxa deliciosa.

—E por que não quis um também? – perguntou ele estreitando os olhos, com desconfiança.

—Porque engorda. – respondi dando de ombros.

Sirius revirou os olhos.

—Não acredito que está se privando de comer por conta de uma besteira dessas.

—Não me privo de comer. Só não exagero. Eu já almocei e hoje a noite vamos jantar na casa do Henry.

—O amigo maluco do seu pai? – perguntou Sirius com aquele sorrisinho irritante dele. Eu revirei os olhos.

—Henry é ótimo, ok?

—Eu sei que é. Ele é um maluco legal. – riu Sirius – Não um maluco lunático e psicopata, como metade da nossa família. – adicionou ele dando de ombros. Dei uma risadinha e Sirius riu de volta – Ah... não quero voltar praquele lugar. – resmungou ele – Algumas vezes tenho vontade de pegar minhas coisas, colocar tudo numa mala e ir embora... poderia, sei lá... ir morar com você... ou talvez com o James... o que acha?

—Eu não me importaria... muito menos o Jay.

—O Jay...— imitou Sirius com o mesmo sorrisinho irritante – Por que tem que falar o nome dele desse jeito?

—De que jeito? – pergunto, calmamente.

—Esquece. – riu Sirius – O que mais podemos fazer por aqui? – perguntou ele – Eu quero jogar umas bombas de bosta na casa daquela velha maluca.

—Ela ficaria mais maluca ainda. – disse rindo.

—Com certeza... seria mais legal se conseguíssemos deixar tudo invisível, ai ela ficaria sentindo o cheiro e nunca saberia de onde estava vindo.

—É... mas eu não sei fazer isso... e papai não deixa usar magia aqui... – murmurei.

Sirius fez uma cara pensativa e então estalou os dedos.

—Já sei. A gente pede pro seu namorado, que tal? – perguntou ele.

—Adam não é meu namorado. – eu digo com um sorrisinho e Sirius me olha com desconfiança – Mas esse ano eu acho que vou namorar o Jaaaaay.

—E eu vou beijar a Professora McGonagall. – debochou Sirius – James nunca iria namorar você. Ele fica fazendo essas gracinhas de que vai te beijar só pra me provocar, mas ele não cruzaria a linha.

—E quem garante que não? – pergunto com o mesmo sorrisinho que ele passou o dia inteiro fazendo.

—Eu garanto, oras. Todo mundo sabe que você é território proibido. – disse Sirius cruzando os braços.

Dou uma risadinha e o olho arqueando a sobrancelha.

—Depois acha ruim se eu beijo um Sonserina. Você não deixa eu beijar ninguém da Grifinória.

—E você precisa sair beijando todo mundo por um acaso? – ralhou Sirius franzindo a testa.

—Não estou beijando todo mundo. Mas é normal que eu queira beijar um garoto bonito. Não é melhor que seja alguém que você confia que não vá partir o meu coração? – pergunto fazendo biquinho.

Sirius soltou um suspiro e me olhou muito sério. Sério de um jeito que ele não costumava fazer. Sério como no dia em que ele disse que Rabastan não me amava para Narcisa...

—Eu não tenho medo que James parta seu coração. – disse ele – Eu tenho muita certeza de que ele não faria isso.

—Viu? Então...

—Você quem iria partir o coração dele. – cortou Sirius. Ficamos nos encarando em silêncio por alguns segundos e eu fechei a cara.

—Não acredito que disse isso! Por que eu partiria o coração do James?

—Porque você é como eu. – disse Sirius – E é por isso que eu não escolho entre Lene e Emms... porque eu sei que... se eu formalizar com uma, eu vou magoar as duas. Eu não vou conseguir ser apenas de uma. Eu preciso ser livre como um pássaro...

—Ah, não! Não vem me comparar com você e sua canalhice! – ralhei franzindo a testa – Eu nunca trairia o Jay se a gente namorasse.

—Talvez não. Mas não iria aguentar ficar só com ele e iria ficar frustrada e isso iria magoar o James. Ele é egocêntrico demais. Vocês não teriam cabeça para isso. Uma hora ou outra um dos dois iria surtar. James iria querer que você o colocasse num pedestal, você iria querer que ele te colocasse num pedestal e em algum momento um dos dois ficaria de saco cheio e vocês...

—Essa foi a maior coletânea de baboseira que você já disse, Sirius Black. – digo o cortando, levemente zangada.

—Você sabe que é verdade. – riu Sirius, voltando a ficar irritante – Não sabe?

—Você está errado. Eu e James seríamos ótimos juntos. Ele apanhador do time, eu a líder das líderes de torcida... perfeitos! – digo teimosamente.

—É mesmo? Você se vê casada com ele? – perguntou Sirius.

—É claro que não. Eu só tenho quatorze anos! – digo rindo.

—Então não está pronta pra namorar o James. Porque ele vai imaginar vocês dois casados, morando numa casinha em Cornwall, com cinco filhos, um cachorro e alguns peixes, que vocês dois deixariam morrer, porque não tem cabeça para cuidar de absolutamente coisa alguma!

—Você está delirando! – resmungo franzindo a testa. Acabei bufando e cruzando os braços – E eu certamente conseguiria cuidar de uns peixinhos idiotas.

—Eu duvido. – riu Sirius.

—Quer apostar? Se eu conseguir, você não vai implicar comigo se eu namorar o James. – digo decidida.

—E se eu ganhar? – pergunta Sirius.

—Hum... – eu coloco o cotovelo na mesa e suspiro, apoiando o queixo nos dedos, pensativa – Eu escondo todos os sutiãs de McKinnon e Meadowes quando a gente voltar pra Hogwarts e elas vão ter que ir para as aulas sem.

—Hum... mamilos... parece interessante. Feito. – riu Sirius.

Conversamos mais um pouco sobre várias coisas, entre elas as duas vagas de batedor que tinham aberto na equipe da Grifinória. Estávamos discutindo as chances de entrarmos para o time quando Adam apareceu com nossos lanches.

Sirius olhou impressionado para o tanto de comida, principalmente para o tamanho de seu hambúrguer.

—Dois milk shakes de morango, duas porções de batata frita e um Lancelot para nosso amigo Sirius Black. – disse Adam nos servindo. Mal ele colocou minha batata frita na mesa, já comecei a beliscar

—Parece delicioso. – riu Sirius, piscando cheio de gula – O cheiro está ótimo.

—Pois é. Come. – riu Adam. Eu e Sirius piscamos e o olhamos, franzindo a testa – Eu te desafio a comer. – adicionou ele de maneira cruel – Bon appetit.

Sirius olhou o hambúrguer tristemente, enquanto Adam ia se afastando, andando de costas, com um sorriso maroto e cruel no rosto, olhando para Sirius e exibindo o dedo médio pra ele.

—Eu odeio esse Cook. – resmungou Sirius.

—Não vai comer? – pergunto sorrindo. Tinha absoluta certeza de que Adam não teria colocado nada no hambúrguer dele.

—Não. Sei lá o que ele colocou aqui. – resmungou Sirius olhando para tudo com desconfiança.

—Ele só está te zoando. Ele não sabotou sua comida.

—Prove primeiro, então. – resmungou Sirius. Sorri, dando de ombros e peguei o hambúrguer dele para dar uma mordida.

—Delicioso. – digo de boca cheia. Sirius dá um sorriso e morde também. A conversa ficou mais escassa enquanto comíamos a maravilhosa comida trouxa. Logo Sirius notou que batata frita era realmente deliciosa.

—Como os trouxas não são todos obesos? – perguntou ele de boca cheia também.

Apenas dei de ombros. Comemos até não aguentar mais e acabou sobrando umas poucas batatinhas. Quando já não seria possível colocar uma gota de milk shake que fosse para dentro, Adam voltou.

—E então, Addie. Gostou?

—Estava tudo ótimo, Adam. – digo sorrindo – Como sempre.

—E o senhor arrogante? – perguntou Adam. Sirius soltou um muxoxo e concordou com um aceno de cabeça.

—Estava uma delícia. – disse ele simplesmente. Adam concordou com a cabeça e começou a recolher as coisas.

—O que vão fazer hoje à noite? – perguntou Adam. Eu e Sirius olhamos para ele com interesse.

—Temos um jantar na casa do Henry e só. – respondi – Por que?

—Minha banda vai fazer um show na nossa garagem hoje a noite. Começa às onze. Por que não aparecem? – perguntou ele – Eu escrevi uma música pra você, sabe? – perguntou ele piscando pra mim.

—É mesmo? – perguntei sorrindo, completamente boba com ele.

—Eu espero que você goste! – riu Adam, piscando pra mim – Tentem aparecer, ok?

—Ok! – digo animada. Adam se afasta para voltar ao trabalho e Sirius revira os olhos.

—O senhor perfeito tem uma banda. Por que não estou surpreso? – resmungou ele.

A comida de Willow estava ótima, mas eu estava louca para sair. Eu só pensava na festa que já estava rolando na garagem de Adam. Certamente tinham encantado a garagem para que não incomodassem os vizinhos, mas eu podia sentir as vibrações da música, se é que isso fazia sentido.

Quando eu e Sirius finalmente deixamos a casa de Henry, eu quase corri para a casa de Adam. Já tinha uma galera do lado de fora.

Eu e Sirius estávamos como dois trouxas. Jaquetas de couro e calças jeans escuras. Ambos com all stars. Meus cabelos estavam loiros e compridos, dessa vez, enquanto Sirius tinha cortado os dele e os penteado para trás, fazendo um topete. No caminho ele tirou um baseado de salvia do bolso e sorriu pra mim.

—Um cigarro, boneca? – perguntou ele.

—Sempre. – respondi colocando o baseado na boca. Sirius pegou um isqueiro que ele tinha ganhado de aniversário, de Pedro, e acendeu o baseado. Eu traguei e logo dividi com ele. O som da música começou a chegar em nós, e eu ia ficando cada vez mais entusiasmada – Isso vai ser demais! – digo entusiasmada.

—Vai mesmo. – riu Sirius.

Por fim chegamos em frente à garagem de Adam. A banda dele tocava num palco improvisado, lá no fundo. Uma pequena multidão pulava e dançava ao som da música. Vi Adam cantando e tocando o que me pareceu um violão, mas era meio estilizado, brilhante, mais fino e comprido.

Muita gente estava fumando ali, mas eu e Sirius éramos, sem dúvidas, os mais novos ali e provavelmente os que fumavam a coisa mais forte. Fui guiando Sirius comigo, querendo me aproximar do palco. Ele veio me seguindo, com cara de quem estava se divertindo ao som contagiante da música. Mas antes que chegássemos perto o tanto que eu queria, Sirius puxou uma garota aleatória pela cintura e cochichou alguma coisa em seu ouvido.

Sirius era bem alto e naquele dia ele parecia bem mais velho. Fosse pelas roupas trouxas, pelo penteado, pela pouca iluminação ou pelo cigarro na boca. E ele estava incontestavelmente muito bonito. A garota, por mais que fosse mais velha, veio mansamente de encontro aos lábios dele.

Me convenci que ele se viraria muito bem sem mim e continuei avançando em direção ao palco. Meu corpo vibrava a cada marcação da música. E quando cheguei realmente perto do palco, Adam me viu.

Ele sorriu e piscou pra mim, cantando com aquela voz melodiosa que fazia meus joelhos tremerem... ele era tão sexy, cantando de olhos fechados, completamente entregue à música. Mesmo com a testa brilhante de suor, mesmo que os cabelos tivessem bagunçados.

Ele parecia simplesmente perfeito...

Soltei um suspiro e por um momento, escutando Adam cantar, esqueci até de mim mesma. Esqueci de Sirius, que provavelmente estava se agarrando com uma garota qualquer. Esqueci de Emmeline e Mary, que estavam com medo da guerra finalmente encontrá-las, por serem mestiças. Esqueci de Remus, que estaria sofrendo com a lua cheia. Esqueci até de James e do nosso beijo escondido no barraco de jardinagem.

Eu só via Adam. Só escutava Adam. E aquilo que Sirius me falou na lanchonete fez muito sentido. Eu me imaginava no futuro com ele... e não com James...

Virei o rosto, teimosamente e dei as costas para o palco, zangada comigo mesma. Nunca daria razão a Sirius. Ele não sabia de nada. Ele não tinha dito que Rabastan nunca me amara? E ele estava errado, pois Rabastan mesmo confirmou que... a fumaça e o barulho começaram a me sufocar. Não queria pensar em Rabastan. Não enquanto ele estava indo para bailes desfilando com a noiva...

Mas por que eu me importava, afinal?

E a música seguia tocando, com a voz de Adam na minha cabeça. Naquela melodia gostosa. Ele cantava maravilhosamente bem. Me afastei e me encostei numa parede, para assistir ao show. A música mudou e logo notei que Adam seguia me olhando. Tocando e cantando olhando pra mim.

Depois de umas quatro músicas meu primo reapareceu. Ele me ofereceu outro baseado e o acendeu pra mim.

—Seu namorado manda bem. – riu ele – Eu dou o braço a torcer.

—Eu sei. – respondi – Mas ele não é meu namorado.

Sirius olhou para mim como se soubesse de algo que eu não sabia e deu de ombros.

—Como quiser, boneca.

O céu estava bonito, estrelado, com uma maravilhosa lua cheia. A lua cheia tinha perdido a beleza pra mim desde que descobrimos sobre Remus, mas naquele dia eu abri uma exceção. Eu e Sirius estávamos no telhado da casa de Adam, ainda escutando a banda tocar. Mas estávamos deitados, olhando para as estrelas, fumando nossos baseados.

Infelizmente eram os últimos...

Sirius estava melancolicamente calado, o que me deixou um tanto surpresa. Eu tinha imaginado que ele ficaria a noite inteira muito feliz...

—O que você tem? – perguntei olhando para ele. Sirius estava deitado com a cabeça apoiada em uma mão. A outra estava sob sua barriga. Uma perna estava esticada e outra dobrada. E ele tinha um cigarro na boca.

Sirius soltou um suspiro e não me olhou. Ficou só olhando para o céu.

—Sabe quando você ganha uma caixa de bombons? Os seus favoritos? – perguntou ele – E você vai comendo aos pouquinhos, para durar mais... – ele soltou outro suspiro – Mas chega um momento em que você vê que só sobraram mais alguns bombons... e eles não vão durar para sempre... você precisa comê-los, antes que seu irmão caçula e endiabrado apareça e coma... mas você tem medo do momento em que não terá mais chocolates... apenas couve de bruxelas...

Eu dei uma risadinha.

—Você tem o dom da palavra, primo. – digo sorrindo. Sirius deu uma risadinha.

—Eu queria que essas férias durassem pra sempre. – murmurou ele fechando os olhos – Eu tenho um plano, Addie.

—Um plano? – perguntei arqueando as sobrancelhas.

—É. – respondeu ele – Eu não me importo de me tornar um buraco no tapete. Que se foda aquele tapete...

Me sentei um pouco chocada.

—Do que está falando? – perguntei piscando muito.

—Eu não vou cumprir os caprichos da minha mãe... eu vou embora, assim que puder. – explicou ele.

—Vai embora pra onde? Com que dinheiro? Vai viver como? E na guerra? – perguntei abraçando os joelhos – Vai ser um traidor de sangue?

—Vou. – respondeu ele – Vou ser feliz. Foda-se a causa puro sangue. Foda-se ser um Black. Foda-se cada um deles. – explicou Sirius – Se seu pai fez isso... eu posso também. Eu não vou casar com você, por mais que eu te adore. Você é como uma irmã pra mim. – murmurou ele – Eu vou fugir pra longe da minha mãe, de Bellatrix... vou ser feliz, viver pelas minhas regras... – ele respirou fundo e tirou o cigarro da boca, soprando fumaça para o alto – Eu vou ser livre, Addie.

—Você é o varão principal da família, Sirius... – murmurei achando que ele só estava falando aquilo por conta do baseado.

—Pro cacete com isso. – resmungou ele – Eu não ligo. Não quero nada deles. Nada. – riu ele – Que fique tudo pro filhinho perfeito. Pra Régulus.

Soltei um suspiro.

—Eles queimaram meu rosto? Do tapete? – perguntei sentindo um frio na barriga.

—Isso importa? – perguntou Sirius.

—Pra mim? – murmurei olhando para o céu estrelado – Sim, importa...

Sirius riu com escárnio.

—Não te queimaram. Nem você, nem seu irmão. Mamãe ainda quer te ver casada comigo, apesar de tudo. Ela quer acreditar que você foi obrigada a sair de lá... como se eu ou você fizéssemos a menor questão de ficar... – Sirius tragou o baseado de novo e me mirou – Iríamos acabar loucos que nem todo mundo.

Concordei tragando meu baseado, observando Sirius soprar a fumaça para cima. O imitei e deitei a cabeça na barriga dele. Senti os dedos de meu primo acariciarem meus cabelos e isso me arrancou um sorriso.

—Pra onde você vai fugir? – perguntei.

—Não sei ainda... mas eu vou. Eu juro que vou. – murmurou ele – Talvez pra um bairro trouxa... talvez pra outro país... onde ninguém me reconheceria... onde eu seria livre pra ser quem eu quisesse... pra onde o nome “Black” não signifique bosta alguma.

—Vai ter que fugir pra bem longe então... – murmurei.

—Imagino que sim...

—Mas como andam as coisas com a Lenezinha e a Emms? – pergunto, tentando quebrar o clima tenso.

—Ótimas. Eu amo a bunda da Emms. – riu Sirius com aquele sorriso safado dele – Ah, quando ela rebola em cima de mim... – ele suspirou, com os olhos fechados – Ela gosta de uns tapinhas, sabe? Eu aperto tanto ela que a aquela bundinha branca fica deliciosamente vermelha. – ele suspirou novamente com um ar sonhador. Acabei me sentando para olhá-lo melhor.

—E na Lene? – pergunto tragando o baseado. Solto a fumaça lentamente – Como são os amassos com ela?

—Tão bons quanto os com Emms. – ele responde. – Lene tem um quadril lindo. Peito e bunda satisfatórios. – dou uma risada. – Claro que Emms ganha no quesito bunda, mas mesmo assim Lene consegue me tirar do sério. De um jeito ótimo.

—Sinto falta de dar uns amassos. Rabs faz falta. – Sirius bufa e solto uma risadinha. – Sério! A última vez que beijei alguém foi... – desvio o olhar, me lembrando de James. Mas infelizmente aquilo não foi um amasso. Um beijo delicioso e carinhoso... Mas eu sentia falta das mãos safadas de Rabastan, das palavras sujas e principalmente... eu queria sentir aquilo que ele tinha me feito sentir no dormitório dele... Sirius me olhava atento.

—É, eu também. Aquela garota nem deu pro gasto.

—Quer dar uns amassos, Six? – pergunto com um sorriso zombeteiro e malicioso.

Ele riu e se sentou, como se eu tivesse dito alguma piada. Mas então ele me olhou e eu vi que ele estava mesmo considerando a ideia. O modo como ele me olhava com a sobrancelha arqueada era basicamente a “cara de caça” que ele fazia. Arqueei a sobrancelha, com um sorriso malicioso, me perguntando se ele teria coragem. Mas Sirius era corajoso. Ele me olhou com intensidade, com aqueles olhos azuis iguais aos meus. Ele parecia transferir uma energia absurda com aquele olhar e eu imediatamente entendi que era por isso que as garotas derretiam com ele. Sirius desceu a cabeça lentamente, até estar a poucos centímetros do meu rosto. Sentia a respiração dele batendo nos meus lábios, mas nenhum de nós dois parecia ter coragem para continuar.

Sirius desceu a cabeça mais um pouco, e quando praticamente senti os lábios deles, eu soltei uma risada e ele também.

—Isso não vai acontecer – disse ele voltando a se endireitar, como se tudo não tivesse passado de uma pegadinha. Uma brincadeira bem engraçada, onde nós dois estávamos morrendo de rir. Eu tive que concordar com ele, numa gargalhada sincera.

—Que nojo – digo botando a língua pra fora. Rimos mais um pouco.

—Sem preconceitos agora... – disse Sirius me olhando com os olhos estreitos, enquanto limpava o pouquinho de batom que tinha ficado nos lábios dele – O que rolou entre você e Rabastan? De verdade?

O olho surpresa por ele ter perguntado.

—Vai ficar me julgando.

—Não vou. Juro. – responde Sirius – Você evita de me julgar por eu ficar pingando de Lene para Emms... eu não vou te julgar. – Ele virou a cabeça de lado, me olhando com curiosidade – Rabastan te olhava como um cachorro sem dono no casamento da Narcisa. Aconteceu alguma coisa mais séria entre vocês, não foi?

Desviei o olhar desconfortável. Não tinha falado sobre aquilo com ninguém.

—Achei que estava querendo saber das putarias... não das coisas sérias.

—Quero saber das coisas sérias e das putarias. – riu Sirius.

Dou uma risadinha.

—Bem... Rabastan se declarou pra mim, naquele dia em que eu fui pra festa no Salão Comunal da Sonserina. – expliquei. Sirius me olhava calmamente e com interesse – Mas disse que não iríamos dar certo, afinal... – eu soltei um suspiro – Ele apoia o maluco psicopata e eu não.

Sirius deu uma risadinha cheia de escárnio.

—De malucos e psicopatas já basta meus pais e os pais da Bellatrix... além da própria Bellatrix.

—Pois é. Então... ele meio que terminou o que tínhamos. A gente não tinha mais nada, na verdade. Eu terminei o nosso rolo naquele dia no trem. Você estava presente. – eu adicionei. Sirius concordou com um aceno de cabeça – Mas... a gente teve uma recaída naquela festa e foi tudo muito... muito quente. – digo. Sirius me olhou com atenção – Ele... foi muito intenso. A gente não transou, mas...

Respirei fundo, sentindo o calor voltar a me atingir ao lembrar daquele dia.

—Mas o que? O que ele fez? – perguntou Sirius, curioso – Ele te masturbou? Te chupou? O que?

O olhei um tanto surpresa por ele falar com tanta tranquilidade.

—Ele me fez ter um orgasmo! – respondi sorrindo – A gente já tinha se masturbado antes, sabe? Nunca fui santa com Rabastan. Era sempre muito louco e intenso... mas é... ele usou a boca naquele dia e foi... – fiquei até sem palavras.

Sirius deu uma risadinha.

—E você fez de volta? A gentileza? – perguntou Sirius.

—Sim.

—Pode crer. – riu Sirius de maneira maliciosa – Não se acostume, prima. Não é todo cara que tem coragem de meter a língua entre as pernas de uma garota. As garotas que eu tenho algo mais íntimo sempre reclamam disso.

—Mesmo? – perguntei o olhando curiosa, também – E você?

Sirius deu de ombros com aquele sorrisinho safado.

—Não se entra em campo sem beijar o gramado.

—Ai, que nojo, Sirius! – digo rindo de me acabar – Você já beijou o gramado da Emmeline?

Sirius piscou e me olhou como se estivesse confessando algo completamente constrangedor.

—Não. Nem o da Lene. – adicionou.

—Como não? – perguntei curiosa – Emmeline deixaria, eu acho.

—Eu imagino que sim... mas... sei lá... eu não consigo ser tão safado e canalha com Emmeline e Lene. – eu o olhei rindo. Aquilo era a mentira mais deslavada da face da terra – É sério!

—Sirius. Você e Emms quase se comeram quando eu fui dormir na sua cama! Eu vi tudo, ok?!

Ele ficou tão constrangido que corou.

—Oh... desculpe por aquilo. – riu ele passando a mão na lateral da cabeça, penteando os cabelos para trás – Mas sabe... eu sou muito mais safado com as outras garotas. Emmeline e Marlene quem normalmente avançam em mim... eu fico um pouco intimidado... porque eu ainda sou virgem.

—Mentira. – digo rindo.

—É sério. Eu já fiz de tudo. Menos os... os finalmentes. – riu Sirius abraçando os joelhos – As garotas mais velhas não transam comigo, porque me acham muito novinho. As garotas mais novas eu nem tento, porque.. bem... – ele riu dando de ombros – E eu não quero fazer feio nem com a Emms e nem com a Lene. Saca?

—E viva ao machismo, onde o homem deve nascer sabendo ser bom de cama.

—É muito difícil esse nosso mundo. Ninguém nasce um cachorrão conhecedor de todas as técnicas de uma foda memorável. Eu quero aprender a ser realmente bom de cama pra então... – ele deu um sorriso safado – Dá uma belo chá de pica naquelas duas garotas.

—Você não presta, Sirius.

—Não... eu sei que não. – riu ele olhando para o céu, voltando a se deitar com a cabeça apoiada nas mãos.

Ficamos em silêncio durante um tempo, quando escutamos passos. Olhamos apenas levemente interessados e vimos Adam aparecer. Ele se sentou ao meu lado e olhou para o céu.

—Caramba... olha só esse céu... que coisa de doido. – riu Adam. Ele me olhou e sorriu, me lançando uma piscadela – E ai, Addie. Gostou do show?

—Foi fantástico, Adam. – respondi me sentando e oferecendo meu baseado pra ele. O sorriso dele fez meu estômago saltar, mas eu mantive uma máscara de tranquilidade. Adam aceitou o baseado e o tragou.

—E você, Almofadinhas?

—Vá se foder, Cook. – rosnou Sirius – Almofadinhas é o meu ovo.

—Ele não gosta do apelido? – perguntou Adam. Eu apenas dei de ombros – Se fodeu, porque quando não gostamos do apelido, ele gruda na gente e nunca mais conseguimos nos livrar dele. Certo, Almofadinhas?

Sirius apenas virou de leve o rosto e levantou a mão, mostrando o dedo médio para Adam, que apenas riu.

—Sirius gostou do show sim. – respondi calmamente.

—Foi legal. Você tem uma banda massa. – murmurou Sirius, simplesmente. Adam sorriu e olhou para o céu.

—Que bom que tenho aprovação dos primos Black. – riu Adam.

—Quem são os caras da sua banda? Eles não são de Hogwarts? – perguntou Sirius.

—Não. – riu Adam – Eles são todos trouxas.

Sirius piscou, surpreso.

—Trouxas? – perguntou ele.

—Sim.

—E eles sabem que você é bruxo? – perguntei curiosa.

—Não. – respondeu Adam – Eles acham que eu estudo num internato. – explicou ele – São meus amigos desde que eu tinha uns... oito ou sete anos... sempre quis contar pra eles, mas... – ele deu de ombros – Sempre foi proibido, saca?

—Sua família não liga de você ter uma banda trouxa, um emprego trouxa? – perguntou Sirius, surpreso.

—Não. – riu Adam – E caso ligassem... – ele tragou o cigarro – Eu poderia sempre contar com minha avó para me afastar desses preconceitos toscos.

—Então... – Sirius se levantou levemente, se apoiando nos cotovelos – Está dizendo que não liga pra causa puro-sangue?

Adam sorriu maliciosamente e soprou a fumaça do baseado.

—Surpreso? – perguntou ele.

—Sim. – respondeu Sirius.

Adam deu de ombros.

—Não apoio a causa puro sangue e eu acho que o Lorde das Trevas é um grande filho da mãe. – riu Adam – E o que ele está fazendo é simplesmente loucura. O país está de pernas para o ar, graças a ele...

—Está mesmo. – concordou Sirius. Ele deu uma última tragada no baseado e me olhou – Viu? Ele é muito melhor que o Lestrange. Se for beijar um Sonserina, beije ele. – resmungou Sirius ficando de pé e esticando as costas – Eu vou descer.

—Eu acabei de receber a bênção do seu primo? – perguntou Adam. Eu dei um sorrisinho.

—Acho que sim... pena que você não tem chance comigo. – eu murmurei me levantando também. Sirius me olhou curiosa e Adam arqueou a sobrancelha.

—Por que? – perguntou ele.

—Porque eu sou muito novinha. – eu disse rindo – Eu disse que um dia você ia correr atrás de mim, não disse? – perguntei jogando o cabelo pra trás.

—Está tudo bem. – riu Adam – Eu posso esperar você terminar seu rolo com o Potter. Ai você não vai ser mais novinha e já vai ter amaciado o seu ego... sem falar que eu vou poder curtir a vida um pouquinho, porque você sabe... – ele sorriu pra mim daquele jeito charmoso – Eu vou ser seu último namorado.

Virei o rosto, não querendo que ele me visse corar, mas Sirius notou e riu com deboche.

—Boa noite, Cook. – riu Sirius, passando o braço pelos meus ombros.

—Boa noite, primo. – riu Adam tragando o que sobrou do meu baseado, com aquele sorriso charmoso dele. – Boa noite, Addie. Você está linda esta noite, vestida de trouxa.

Sorri sem conseguir evitar e suspirei.

—Boa noite, Adam.

Então voltei pra casa com Sirius.

E quando acordei no dia seguinte, Sirius tinha colocado um aquário em cima de uma mesa de canto. Dentro dele tinha um peixinho vermelho, bonitinho.

—Você tem até o final das férias pra mantê-lo vivo... – provocou Sirius.

—Onde arrumou isso? – perguntei olhando o peixinho.

Sirius sorriu pra mim e piscou.

—Boa sorte com a responsabilidade de cuidar de algo além de si mesma, boneca. – riu Sirius se sentando no sofá, com a cara de quem armou a maior das pegadinhas.

Fiquei com tanta raiva que jurei pra mim mesma que não deixaria o peixe morrer de modo algum...

Mas ele não durou uma semana...

Merda.

Notas finais
Aiaiaiaiai, Addie. Cuida desses peixes, mulher! Gente... esse Adam... Ainda vai deixar nossa Addie maluca. Gostaram do momento primos? Sirius tá crescendo também, gente. Quem diria? ahsuahsaushua Mas é isso ai! Comentem. Recomendem... Capítulo que vem (ou no próximo... algumas vezes a gente se empolga, escreve demais e temos que partir um capítulo em dois...) vão começar a aparecer algumas leitoras. huhasuahsua Beijos!!! =D