When We Were Young
56 Breathe Me
Notas iniciais

HOGWARTS
1975
4°YEAR
—Vamos, Addie. – Sirius pediu com um biquinho. Revirei os olhos e neguei com a cabeça. – Por favor! Não pode ser nenhum dos meninos e com certeza não pode ser eu ou a Emmeline. – ele falou. – O Burke não vai querer nos vender nada, e nosso hidromel acabou.
—Mas isso tem que encomendar, nem adianta eu ir até ele agora. – falei, e cruzei meus braços.
—Pode sobrar algo. – James falou. Ele fez um biquinho para mim. – Vai, Addieeee.
—Não quero. – falei emburrada. Sirius bufou.
—Nós teríamos hidromel, se você não tivesse dado uma de alcoólatra e bebido tudo!
—Cala a boca. – mandei. – Você bebeu também, Sirius.
Remus riu, interrompendo a nossa briga.
—Addie, por favor?
—Ta bom. – ri. Remus sorriu para mim, e eu pisquei para ele. – Vocês são uns chatos. – falei. Emmeline suspirou aliviada, deitada no sofá com as pernas em cima de Remus. Peter sorriu e bateu na mão de Mary. – Eu não quero ir sozinha para Hogsmeade.
—Chama o Connor para ir com você. – riu Emmeline, passando a língua no canino. Mostrei o dedo do meio para ela, e vi James fechando a cara. Sirius riu malicioso, enquanto colocava um vinil do The Who.
—Eu vou com você, Addie. – Mary sorriu. Sorri para ela, e estendi minha mão. Ela se levantou da poltrona, que antes era minha e de James, agora era dela e do Peter. Beijou Peter nos lábios, e veio até mim segurando minha mão.
Saímos da Casa da Árvore de mãos dadas e depois saímos pelo espelho do corredor do quarto andar cuidadosamente para que ninguém nos visse. Começamos a andar para onde a maioria dos alunos estavam indo. Passamos por Filch que barrava os alunos sem autorização.
Mary abraçou meu braço e sorriu para mim. Ela quis parar para comprar um chocolate para Peter, então paramos na Dedos de Mel, e enquanto ela ia comprar, me encostei na vitrine e tirei um cigarro do bolso do meu shorts preto, ascendi com meu isqueiro. Estava calor, mas apesar da minha blusa regata também preta, eu usava a farda do tio de Remus, que eu nunca tinha devolvido depois da festa na minha casa. Olhei para cima, e o sol doeu em meus olhos, então abaixei o olhar para a rua. Uma senhora do outro lado, estava varrendo o chão, e me encarou com um olhar atravessado, percebi que era por causa do cigarro, fumei e mostrei o dedo do meio para ela. Ela me encarou chocada e saiu para dentro da loja dela. Eu não gostava muito de cigarros, mas desde que Sirius estava saindo muito com a Soto, e ela fumava cigarro, eu e ele estávamos também, já que ela sempre dava um maço para ele.
Rabastan saiu da Dedos de Mel com Theo e Kat ao lado dele, os três estavam rindo, e carregavam sacolas cheias de doces. Rabastan parou ao me ver e sorriu. Sorri de volta.
—Está bonita, Addie. – ele me falou.
—Eu sei. – ri. Ele riu também, e mordeu o lábio me olhando. Ele tirou da sacola em sua mão um bombom de morango e me estendeu. Eu peguei com um sorriso. – Obrigada. – falei, tragando do cigarro uma última vez, depois soprei a fumaça, e ergui minha mão, com o cigarro entre os dedos, e o coloquei na boca de Rabastan, ele riu, e tragou. Tirei minha mão, e voltei a me encostar na vitrine.
—Isso é muito ruim. – riu ele me devolvendo o cigarro – Até mais. – ele murmurou. Rabastan me beijou na bochecha, e depois saiu chamando Kat e Theo, que estavam nos observando, bem Kat estava mais é observando Theo como uma viúva negra. Theo sorriu falsamente para mim e Kat me mandou um beijinho. Revirei os olhos para os dois, e no segundo seguinte Mary saiu da Dedos de Mel.
—Encontrei Rabastan lá dentro. – ela falou. – Ele me comprou um anel de doce. – ela riu. Sorri, e a puxei pela mão, para finalmente irmos até Jacques. Nos dias de Hogsmeade ele geralmente ficava atrás do Três Vassouras para entregar algumas encomenda. Nós fomos até lá, e vimos Francesca conversando com ele, ela sorriu para mim quando passou com um embrulho embaixo do braço.
—Tudo bem, Addie? – ela perguntou. – Remus está no castelo?
—Sim, porque?
—É que eu estava de castigo, porque não contei para os meus pais que tinha um namorado, então eles cortaram minha mesada, e só agora pude comprar o presente de dia dos namorados para ele. – ela sorriu feliz. – Espero que ele goste.
—Ele vai gostar, Remus é muito gentil para não gostar de um presente. — falei e sorri de lado.
Ela riu animada, e saiu andando.
Mary me puxou e fomos até Jacques.
—Oi. – ela disse, virando os olhos. Jacques ergueu o olhar para ela, e hesitante sorriu.
—Oi, Mary. Tudo bem? – perguntou.
—Estou ótima. E você? – ela perguntou. Jacques deu de ombros, os olhos tristes como sempre, desde o término com a Emmeline. – Eu sinto muito pelo o que Emms fez com você.
Jacques corou.
—Posso ajudar vocês com algo?
—Sobrou alguma bebida? – indaguei. Ele assentiu e tirou da bolsa uma garrafa de firewhisky. Peguei alguns galeões do bolso e estendi para ele, Mary pegou a garrafa que Jacques tinha colocado em um saco de papel marrom. – Obrigada, Jacques. Você é um amor.
Ele riu, e assentiu. Deu um beijo nas nossas bochechas, e saiu dizendo que já iria de volta para o castelo. Mary segurou a garrafa, e saímos de trás do Três Vassouras, mas como eu quis comprar uma tortinha de abóbora, entramos lá, e esperamos serem feitas. Paguei uma para mim e uma para Mary.
A saída dos Três Vassoura estava emperrada, mas com um chute eu abri e puxei Mary. Alguém tinha colocado uma pedra enorme lá, para fechar a porta. Achei estranho, mas mesmo assim continuei andando de mãos dadas com Mary, para o castelo. Ela começou a me contar sobre como ontem tinha sido maravilhoso, que Peter era maravilhoso. Ela me disse que eles só transaram três vezes, mas que era tão bom que ela poderia chorar.
Escutei gritos, e me virei vendo uma movimentação estranha atrás de nós, algumas pessoas corriam. Como eram alunos, achei que era alguma brincadeira, e continuei andando normalmente. Escutei mais gritos, e Mary me olhou confusa. Mais gritos, e pude notar que eram gritos de socorro, gritos desesperados. Olhamos para trás e vimos gente correndo para todos os lados, e no final um monte de pessoas, todas de preto e com mascaras estranhas. Ofeguei surpresa.
—Comensais! Comensais da Morte. – gritei. Mary arregalou os olhos em terror, e eu a puxei pela mão. – Mary, temos que correr. – murmurei, tremendo de medo. Os comensais se aproximavam, e eu sabia que se eu falasse meu sobrenome, antes de me atacarem eu ficaria bem, mas Mary não. A puxei e sai correndo, desviando de pessoas que tinham caído, os comensais começaram a atacar, e vi pessoas caindo com feitiços os atingindo pelas costas. – Corra em ziguezague! – gritei, sem realmente saber o que fazer, mas Mary assentiu, e começamos a correr em ziguezague, para que os feitiços não nos atingissem nas costas. Mary estava chorando enquanto corríamos em direção ao castelo, mas ele estava muito longe.
Os comensais tinham começado a aparatar e a aparecer na frente das pessoas que corriam assustadas, alguns vendedores começaram a sair das lojas para enfrentar os comensais e proteger os alunos que corriam desesperados em direção ao castelo. Alguém caiu a nossa frente, e percebi que era Aryana Cillen. Ela me olhou em pânico gofando sangue. Antes que nos agachássemos para ajudá-la, um vendedor a pegou no colo e nos mandou correr. Mary me puxou e começamos a correr novamente. Vendo as pessoas serem atingidas, e alguns alunos mais velhos começando a lutar contra os comensais, peguei minha varinha do meu bolso, e a apertei firmemente na mão. Um grupo de alunas se jogaram no meio de nós gritando, e eu cai para o outro lado. Vi Mary tentando passar entre as pessoas para chegar até mim, mas logo a perdi de vista, gritei o nome dela, e me levantei.
No momento seguinte, senti um forte impacto no meu peito, e eu fui jogada para trás. Ofeguei, sentindo dor no peito, e olhei para cima, vendo um comensal apontando a varinha para mim, tateei o chão em busca da minha varinha, que tinha caído para o lado, quando fui jogada no chão. O comensal pisou na palma da minha mão e eu gritei de dor. Ele se agachou e pegou minha varinha, depois me agarrou pelo braço, e começou a me arrastar para trás de alguma loja. Morrendo de medo, comecei a gritar e me debater. O coração batendo muito forte no meu peito, minhas mãos tremendo de nervosismo.
O comensal me jogou no chão, e eu me arrastei até estar encostada na parede. Ele riu, e se agachou na minha frente. Franzi a testa reconhecendo a risada.
Rodolfo tirou a máscara de comensal e sorriu maliciosamente para mim.
—Addie. Que surpresa encontrá-la aqui. – ele riu. – Espero que eu não tenha te machucado.
—Você me atacou. – murmurei em choque. Ele gargalhou, e acariciou meu rosto, senti um arrepio ruim pelo meu corpo, assim que ele me tocou.
—Claro que não. Somos família!
—Eu não sou da sua família. Você é um monstro! – falei, engolindo em seco. Ele fechou a cara, perdendo o sorriso maldoso do rosto. Ele ergueu a mão e esbofeteou minha cara com as costas da mão. Gemi de dor. Sentindo o gosto férreo na minha boca e o sangue escorrer pelo canto. Coloquei minha mão sobre meu rosto, onde ele tinha me batido, mas me segurei para não chorar.
—Bem, Adhara... Se eu não sou da sua família não tem porque não te matar, não é mesmo? – ele perguntou, voltando a sorrir maldoso. Sem conseguir me segurar, comecei a chorar, e ele sorriu mais gostando. – O que foi? Está com medo? – ele murmurou, acariciando meu rosto novamente, quase carinhosamente, mas eu sabia que Rodolfo jamais seria capaz de algo carinhoso. Ele sentia prazer em me assustar. Assenti, sentindo que ele queria me quebrar com palavras para depois me quebrar de verdade. Ele agarrou meu pescoço e eu ofeguei sentindo falta de ar. Ele me puxou para frente depois, jogou minha cabeça com tudo contra a parede. Gritei de dor, as lágrimas rolando mais depressa pelo meu rosto. Ele repetiu o ato, e eu pude sentir o sangue escorrendo pela minha cabeça e tingindo meu cabelo de vermelho.
—Rodolfo. – chorei. Ele riu, me soltando e pegou a varinha. Solucei e ele com um feitiço fez um corte profundo em minha coxa desnuda. Gritei mais uma vez, e o chutei com a outra perna. Ele gargalhou agarrando meu pé e lambendo minha panturrilha, foi quando tive completa noção do que ele queria fazer. – Pare! – o olhar pervertido dele era terrivelmente parecido com o de Rabastan, só que assustador, no lugar de divertido. O pânico cresceu dentro de mim, pois eu sabia perfeitamente o que ele estava pensando em fazer comigo – Eu vou me casar com Sirius! Eu vou me casar com Sirius! Eu vou me casar com Sirius! – chorei desesperada. Ele parou de lançar feitiços que faziam pequenos cortes em mim e me olhou. – Por favor! Eu vou me casar com Sirius. Eu vou ser a senhora da Casa dos Black! Eu vou me casar com Sirius! – gritei.
Erguei minha mão trêmula e mostrei o anel de noivado que Sirius tinha me dado. Rodolfo agarrou minha mão, sem cuidado nenhum e analisou o anel. Ele se afastou um pouco.
—Achei que seus pais tinham negado o pedido. – ele falou. Funguei, tentando parar de chorar.
—Não! Não! É que tia Druella... – arfei sem nem mesmo sentir dor. Apenas medo – Ela morreu quando iríamos assinar, mas tia Walburga já está planejando novamente com meu pai para assinarmos o contrato. – menti. Rodolfo me olhou longamente e me acariciou na perna, depois passou o dedo pelo meu corte, e eu tremi de dor. Com um sorriso extremamente cruel, ele lambeu o meu sangue do dedo.
—Interessante. – ele disse. – Porque eu não acredito em você?
—Meu sangue é puro. – murmurei em desespero. Ele assentiu.
—Eu sei.
—E eu sou de uma família muito importante.
—Sei disso também.
—Então, você... você não pode me machucar. – falei. Ele me encarou, com os olhos prateados cheios de maldade. Olhos que pareciam muito com os de Rabastan, mas eram extremamente diferentes, ao mesmo tempo. Ele ia se afastar, mas pareceu se lembrar de algo e sorriu.
—Você não estava com um namoradinho? – ele perguntou, com um sorriso mais maldoso ainda brilhando no rosto. – Ciça me contou. – ele disse. Neguei, e ele apertou meu pescoço, que ficaria com roxos enormes. – Fale a verdade. – ele mandou.
—Sim.
—Bem... uma menina safada como você por acaso não explorou os prazeres de estar em um relacionamento? Você nunca foi tradicional, não é? Rabastan que o diga.
Chorei, entendo aonde ele queria chegar, e comecei a negar com a cabeça em pânico. As lágrimas começaram a embaçar minha visão. Eu chorava com medo, do que Rodolfo poderia fazer. Depois que vira o porão onde ele e Bella torturavam trouxas, eu sabia do que ele realmente era capaz, e isso estava me aterrorizando.
—Não. – chorei. Ele apontou a varinha para mim e como eu não brilhei, ele gargalhou. Ele tinha usado um feitiço de virtude, para saber se eu ainda era virgem... e como eu não brilhei, ficou óbvio que não era.
—Eu sabia, sua safada. – ele apertou minha coxa, e eu gemi de dor novamente. – Amo gemidos de dor. – ele sussurrou, agarrando meu rosto, senti o hálito dele na minha boca. – Ainda mais de menininhas safadas como você, Adhara. – ele riu. Chorei tentando me afastar, mas ele apenas lambeu minha boca, e depois meu pescoço. Gritei tentando me afastar novamente. Desesperada para tirá-lo de perto de mim. – Agora que você não é mais virgem, ninguém vai saber se eu foder você! – ele riu. Chorei de medo, e ele me agarrou pela anca. Rodolfo começou a puxar meu shorts, e eu me esperneei, tentando empurrá-lo. Ele agarrou meu pescoço e pela terceira vez me jogou contra a parede. Cai molemente em seus braços, a minha visão ficou turva e minha cabeça rodando. Ele me deitou no chão, e eu senti meu sangue começar a fazer uma poça embaixo da minha cabeça. Respirei fundo, tentando arrumar forças, e o chutei no rosto com minha perna boa, já que a outra ainda sangrava pelo corte.
Rodolfo gritou, e tentou agarrar minha perna. Comecei a me debater incansavelmente enquanto ele tentava me agarrar, mas eu gritava e batia, tentando fugir. Desesperada para tirar as mãos dele de cima de mim. Desesperada para fugir dali. Gritei por ajuda, e gritei por Sirius. Sem saber a quem chamar, sem saber o que fazer, enquanto ele com força, conseguia segurar meus braços.
Mas, de repente, Rodolfo me soltou e eu olhei surpresa para Mary, atrás dele, com a garrafa de firewhisky quebrada na mão, por tê-la batido com tudo na cabeça dele. Olhei chocada Rodolfo cair tonto no chão, praticamente desmaiando. E depois olhei Mary, ela chorava e soluçava, me olhando desesperada, com medo. Me levantei e a abracei querendo mais que tudo protegê-la. Ela tocou na minha cabeça e a mão dela ficou cheia de sangue.
—Addie. – ela murmurou preocupada.
—Esquece isso. – mandei, me agachando para pegar minha varinha. – Temos que ir para o castelo, Borboletinha. Temos que ir agora!
Ela assentiu, e eu chutei Rodolfo no rosto, ele voltou a cair no chão. Começamos a correr, segurando a mão uma da outra, mais forte que tudo. Mary estava sangrando pelo braço, mas de resto parecia bem. Eu já mancava e corria, sentindo uma tontura me atingir a cada passo.
Hogsmeade estava um caos total. Pessoas correndo para todos os lados, chorando e gritando. Comensais perseguindo e torturando pessoas, e combates por todo o lado. Vi as gêmeas Samuels em um canto. Uma das gêmeas chorava desesperada, segurando a outra nos braços, mas ela parecia morta. Na frente delas, lançando feitiços estava Kim, protegendo as gêmeas e a todas as pessoas que passavam correndo, sendo perseguidas pelos comensais. Amos Diggory passou correndo na minha frente, a varinha em punho, indo salvar alunos do terceiro ano que estavam sendo atacados. Puxei Mary e voltamos a correr, tentando desviar do caos. Ela gritou e apontou para algo, surpresa.
Virei-me e vi Francesca lutando contra um comensal, o presente de Remus, apertado contra o peito dela. Ela estava quase sendo derrotada, então Mary catou a varinha e estuporou o comensal. Francesca se virou para nós, e eu ergui a mão para que ela viesse conosco. Ela sorriu, com lágrimas nos olhos, e quando sua mão estava quase segurando a minha, ela explodiu em sangue e órgãos. Mary e eu gritamos, sendo atingidas por sangue. Um comensal tinha explodido Francesca. Explodido.
Gritei quando o vi erguer a varinha para nós. O comensal estava cercado por fogo, com a máscara cinza no rosto, de maneira assustadora. Parecia um terrível pesadelo. As chamas, o Comensal, a varinha apontada para nós. Antes que ele conseguisse falar o feitiço, apontei a minha varinha e berrei:
—Estupefaça!
O comensal caiu no chão duro e desmaiado. Mary começou a chorar alto e gritar, e eu agarrei seu rosto. Ela me abraçou desesperada, e eu olhei para chão, vi a mão de Francesca cheia de sangue, mas sem o braço. A mão segurava o presente de Remus. Agachei-me e peguei o presente, o enfiando dentro da farda. E puxei Mary, tentando fazê-la parar de olhar a cabeça decepada de Francesca.
—Addie! Ele está perto demais do fogo.
—Vamos embora. – disse olhando com nojo para o homem, as chamas perigosamente próximas do pé dele.
—Addie! Ele vai queimar vivo. – chorou Mary, desesperada. Eu a puxei decidida, sem falar nada, com a cabeça cheia demais – Addie, por favor! Nós precisamos... nós não podemos... ele vai morrer! – guinchou ela puxando a mão, querendo voltar.
—DEIXE-O MORRER! – gritei furiosa e Mary me olhou chocada, com os olhos repletos de lágrimas.
Voltei a puxá-la entre as pessoas, evitando olhar o sangue. Tentando ignorar os gritos de dor, e tentando a todo custo não pensar nas mãos grotescas do marido da minha prima tentando me agarrar. Sem prestar atenção naquele sentimento confuso que parecia desejar a morte de alguém. A morte de Rodolfo. A morte do homem que matara Francesca... eu os queria mortos e isso era assustador. Simplesmente assustador.
Enxerguei o castelo mais perto e a entrada para lá. Sorri aliviada, e passei a mão no meu rosto cheio de sangue de Francesca. Mary sorriu também, e começamos a correr mais rápido. Tinha professores de Hogwarts e moradores de Hogsmeade ajudando os alunos a entrarem no castelo, lançando feitiços e ajudando quem precisava.
—Vamos conseguir, Mary. – sorri para ela. – Vamos conseguir.
Quando passamos pelo arco de entrada suspirei aliviada, mas assim que pisamos na entrada, ouvimos um estrondo e gritamos, enquanto pedaços do teto caiam sobre nós. Alunos que também estava lá gritaram, e eu cai no chão, sentindo minha mão soltar da de Mary.
Fechei meus olhos, o rosto colado no chão, tentei me erguer e gritei de dor, eu tinha torcido uma mão, ou talvez quebrado, mas pelo menos o osso não estava para fora. Consegui me sentar, juntando a mão quebrada contra o peito, e senti dor na testa, onde um pedaço tinha me atingido com mais força. Eu já tinha hematomas pelo corpo, e tirei com a mão boa um pedaço de cima da minha perna. Mexi-a e suspirei aliviada que não tinha quebrado.
Escutei gritos, e pela fuligem vi as pessoas se erguendo. E gritando. Aparentemente um feitiço dos comensais tinha passado pelo professores e atingido com tudo o teto, que desabou sobre os alunos.
Vi Mirtha Flint chorando com as mãos nos olhos, gritando que estava cega e Diana Rosier tentando a acalmá-la com cortes pelo corpo. Samuel se erguia empurrando umas pedras, e me olhou. Ele se ergueu aparentemente bem, mas mancando levemente e veio até mim.
—Addie, você está bem? – ele perguntou, me erguendo. Assenti olhando ao redor. Hellena Halfman gritava com o osso da perna para fora, chorando e Tatiana, minha Chanel n°7 a tentava acalmá-la, mas ela chorava tanto quando ela.
Jace Meyer estava no chão com um pedaço do teto em cima de suas pernas. Ele ofegava e cuspia sangue. O irmão da Francesca correu até ele para ajudá-lo. Ao ver o irmão de Francesca, o Freddie, suspirei e senti o presente dela para Remus pesado dentro da farda.
—Onde está a Mary? – perguntei não a vendo se reerguer como os outros. Samuel me olhou confuso. – Mary! – gritei, olhando em volta. – Onde ela está?
—Calma, Addie. – Samuel murmurou, tentando me fazer olhá-lo. Ele segurou meu rosto. – Vamos achá-la!
Ele segurou minha mão boa, e começamos a mancar pelas pedras, procurando por Mary. Vi a mão dela saindo de um soterrado de pedras, e gritei me jogando lá, e começando a tirar as pedras de cima dela com minha mão boa. Samuel se ajoelhou ao meu lado e começou a tirar as pedras comigo, me ajudando. Vi o rosto dela, e vi o sangue saindo de sua cabeça. Ofeguei, vendo o quanto ela parecia morta, e voltei a tirar as pedras.
—Mary! Mary! – gritei, desesperada.– Acorda! ACORDA! MARY!
—Senhorita Black! – escutei a Professora McGonagall me chamar. Ela apareceu com o coque todo desarrumado, fuligem sobre as vestes e com alguns ferimentos. – Fique calma! Vamos cuidar dela!
—Ela parece morta. Ela parece morta. – murmurei em choque. Ela acariciou meu rosto e me analisou, olhando meus machucados. – Ela parece... morta.
—Ela está respirando, está viva. Fique calma, e siga os alunos para o Salão Principal. Lá tem três professores, que estão cuidando dos alunos com ferimentos mais leves, casos como o da senhorita McDonald são levados para enfermaria.
—Porque eu não posso ir para lá também? – perguntei confusa, querendo segurar a mão de Mary e protegê-la.
—A enfermaria já está lotada. – ela murmurou, olhando para o corredor cheio de alunos machucados, os piores deitados em macas. – Você confia em mim? – ela perguntou. Assenti, fungando. – Então acredite que eu vou tirar Mary daqui e ela vai ficar bem.
Assenti novamente, e ela sorriu, me abraçando. Depois me empurrou levemente e eu e Samuel começamos a andar para o Salão Principal. Mirtha Flint estava na nossa frente chorando e Diana a abraçava.
—Vai ficar tudo bem. – ela dizia, abraçando a amiga. – Você não vai ficar assim para sempre.
Suspirei mancando dolorosamente. Minha coxa queimava de dor, e meu braço pulsava. Samuel me olhava de canto de olho, me virei para ele, nós dois mancando.
—Você está com muito sangue, mas... ele não é todo seu, não é? – ele perguntou, depois de em analisar por um tempo.
—Explodiram uma garota. – murmurei, olhando para frente. – Explodiram ela e as tripas voaram em mim.
Ele engoliu em seco, e eu cocei meu nariz o sangue em meu rosto já ficando seco. Senti uma tontura e coloquei a mão na minha cabeça. O sangramento aparentemente parara, mas agora na minha testa depois do desabamento, tinha um corte.
—Eu... – ele começou, mas parou e soltou um muxoxo, com a testa franzida. Continuei mancando e o empurrei com o cotovelo.
—Fala. – mandei. Ele suspirou.
—Eu vi... Connor sendo morto. – ele murmurou. O olhei chocada, e abri a boca querendo chorar, mas me controlei e olhei para frente. – Foi assim que arrumei esse corte. – ele levantou a camisa, mostrando um corte na barriga. – Eu tentei ajudar, mas... não deu tempo. – ele falou, me olhando com pesar. – Ele estava ajudando muita gente a entrar no castelo. O atacaram pelas costas. Eu sinto muito, Addie.
—Ele não era meu namorado. – murmurei, olhando para baixo, com o olhar vago. –Ele não era...
Engoli em seco, e fechei os olhos com força, querendo tirar a imagem de Connor me beijando, e nós dois transando no dormitório dele. Ele era só uma transa, droga. Porque eu estava me sentindo tão mal?
Então me lembrei, das vezes pós transa, que ele me falava sobre a família dele, ou sobre ele e eu falava coisas sobre mim. Como eu já sabia que ele tinha três irmãs mais novas, um pai em tempo integral e uma mãe morrendo de Varíola de Dragão. E que sua comida favorita era frango.
—Ele sentiu dor? – perguntei.
—Não. Foi... a maldição da morte.
Assenti, e olhei para frente, começando a entrar em choque. As portas do Salão Principal estavam entre abertas, e as pessoas começaram a andar mais depressa para chegar logo. Mas eu e Samuel continuamos mancando. Comecei a ofegar, e a fechar os olhos com força. Flashes surgiram na minha mente. Rodolfo lambendo meu pescoço, e me machucando. Francesca me olhando nos olhos segundos antes de explodir. Todas aquelas pessoas feridas e mortas. Mary e eu suspirando de alívio e logo depois o rosto dela sobre as pedras, parecendo morta.
Samuel perguntou se eu estava bem, mas eu não o respondi, sentindo meu coração bombear forte e minha cabeça doer como o inferno. Baixei os olhos para que ele não visse uma lágrima escorrendo pelo meu rosto, e percebi uma mexa do meu cabelo. Ele estava completamente preto, e imaginei que meus olhos também estavam, suspirei, e os mudei para loiro, mas um segundo depois ele voltou para preto.
Chegamos às portas do Salão Principal e a Professora Merrythought me olhou chocada. Eu realmente devia estar horrível, com todo aquele sangue em mim. Ela me puxou pelo ombro me analisando, e entramos no Salão Principal. Todo mundo estava lá. Todos que ficaram em Hogwarts, tinham sido mandados para o Salão Principal para ficarem juntos. Olhei para mesa da Grifinória, e vi Emmeline chorando e soluçando, abraçando Remus, que me olhou cheio de preocupação. Vi Peter com as mãos na cabeça, e Dimitre tentando consolá-lo. E em frente a eles James e Sirius. James me olhava com os olhos arregalados e preocupados. E Sirius com lágrimas nos olhos, cheio de dor e desespero. Assim que ele me viu, se encheu de alívio, mas logo voltou a ficar preocupado quando viu meu estado. Frank gritou de alívio a me ver, e vi Emily me olhando preocupada.
Desviei o olhar, me deixando ser levada para um cadeira. A Professora Merrythought começou a me limpar e cuidar de meus machucados, me tocando toda. Virei meu olhar do chão para a mesa do lado que era da Sonserina. Adam me encarou, os olhos esbugalhados, consegui ler na sua boca, ele me perguntando se eu estava bem, não respondi, e olhei Rabastan, mas assim que nossos olhares se bateram, desviei o olhar, me lembrando de Rodolfo, e do modo como ele me tocou e me machucou.
Quando a Professora Merrythought terminou, eu estava completamente limpa, até mesmo as roupas. Eu tinha bandagens em volta da minha cabeça, que cobriam a parte de trás machucada e a minha testa. Ela tinha colocado bandagens mais fortes no meu braço, que por sorte tinha torcido, então eu não precisaria o colocar no lugar. Tinha mais bandagens em volta da minha coxa. Ela me levantou e me levou até meus amigos, me colocando entre Sirius e James, para depois ir correndo ajudar outros alunos.
Senti todos me olhando e ergui meu olhar para Emmeline, que chorava. Os olhos vermelhos e a boca aberta aos soluços.
—Addie. – ela chorou.
—Eu acho que Mary está morta. – murmurei para ela. Ela abriu a boca mais ainda em choque e começou a chorar alto. Peter me olhou perdido e começou a chorar, assim como Emmeline.
Sirius tocou minha mão, que eu estava batucando na mesa nervosa, e me olhou tristemente. Ele tocou no meu cabelo, e eu tentei miseravelmente voltá-lo ao loiro, sem sucesso. Sirius tocou minha nuca, e me puxou para um abraço apertado e cheio de dor. Ele escondeu o rosto nos meus cabelos e eu senti suas lágrimas me molharem.
—Eu fiquei tão preocupado. Você não sabe o quão preocupado eu fiquei. – ele chorou, tentando não falar muito alto. Deixei minhas mãos caírem no meu colo e me afastei dele.
Sirius me encarou, e eu suspirei.
—Eu estava afogando de novo. E você não estava lá.
ஐ
CONNOR FALAHEE
1959 — 1975

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