When We Were Young
126 Boys Don't Cry
Notas iniciais

BOYS DON’T CRY
HOGWARTS
1977
CHRISTMAS
—Emmeline, o que você está fazendo?
Ela levantou os olhos para Remus que a olhava com a testa franzida. Ela não paro de mexer o pequeno caldeirão em sua frente. Fechou o livro que tinha a receita da poção e o colocou com a capa para o chão, para que Remus não visse sobre o que era o livro.
Emmeline sorriu, mas Remus podia ver que ela parecia bastante cansada e provavelmente estava ali desde que acabou o horário de aulas, seus cabelos estavam todos bagunçados e por causa da poção ficaram bastante armados. Ele olhava as mão dela mexendo no caldeirão sem parar, o esmalte descascado até a metade.
—Olá.
—Está tudo bem? Adhara me disse que você tem passado mal ultimamente. — disse Remus. Emmeline o olhou e pareceu um pouco branca por um momento, só que logo sorriu.
—Sim... eu ficarei bem. — respondeu, mexendo a poção em sentindo horário. — Só treinando umas poções para o NIEMs. — ela disse. — Estou pensando em ser tutora de poções ou trabalhar com a Madame Pomfrey na Ala Hospitalar com Lily.. ou quem sabe os dois. — ela comentou. — Eu tirei “O” em poções nos NOMs.
—Uau. — disse Remus, verdadeiramente surpreso, não sabia que Emmeline era tao boa em poções assim. — Precisa de ajuda?
Emmeline ficou em dúvida, jogou algumas pétalas de begônia na poção e continuando mexendo em sentido horário.
—Claro. — ela falou, o jogou alguns bezoar e uma faquinha. — Corte para mim.
—Bezoar… — murmurou Remus, fazendo o que a amiga pediu. — Isso é para envenenamento.
—Eu sei. — respondeu Emmeline. Como Remus ficou quieto, Emmeline suspirou aliviada. Não tinha contado a ninguém, nem de sua suspeita e nem da sua confirmação. Parecia que se ela não contasse a ninguém não tornaria real.
—Emme. — ele chamou. Ela resmungou algo em resposta. — Porque você nunca deu em cima de mim? — ele perguntou. Ela arregalou os olhos e o olhou totalmente risonha. Remus estava corado.
—O que?
—Você sempre foi uma pessoa que gosta muito… de flertar. — ele disse, encolhendo os ombros. — E sempre flertou com James e Peter, de brincadeira, mas… nunca comigo. — ele falou. — Porque?
Emmeline notou que ele parecia inseguro e tocou a mão dele com carinho.
—Você sempre foi diferente do resto dos garotos, Remus. — ela disse. — Nunca precisei flertar com você para receber um elogio. — ela sorriu e piscou para ele. — Como vai o relacionamento feliz? — ela perguntou.
—Feliz. — respondeu Remus, com um sorriso no rosto. Emmeline pegou os bezoar que ele cortou e jogou na poção a fazendo borbulhar. Ela viu o rosto de Remus e como ele parecia um pouco tenso. — Muito feliz.
—Mas?
—Mas… — ele suspirou. Emmeline ficou esperando a resposta dele que parecia estar na ponta da língua, mas ele não conseguia falar. — … tenho medo que não de certo.
—Porque? — indagou Emmeline, prestando atenção em sua poção
—Eu sou diferente dela. — ele disse, abrindo o malão para pegar um cigarro. Emmeline sabia muito bem que Remus não fumava cigarros, então isso significava que ele vinha sendo perturbado muito sobre aquele assunto em sua própria mente. — Tenho medo dela ficar entediada ou…
—Você é diferente dela e…? — disse Emmeline, terminando a poção. Remus tragou o cigarro. — Se ela está com você Remus é porque ela quer você. — falou, catando suas coisas e colocando a poção em dois frascos diferentes e limpando o caldeirão com a varinha. — E se você tem alguma dúvida do amor dela por você… porque ainda está com ela?
Ela se levantou, guardando as coisas na mochila, apenas segurando os frascos fechado com a poção na mão. Remus ficou a observando se arrumar, quieto sentado no chão.
—Porque dois frascos? — ele perguntou. Ela fingiu não escutar. — Emmeline. — ele chamou quando ela se preparava para sair. — Se tem algo errado… sabe que estou aqui para ajudar, certo? — ele falou, vendo como ela estava nervosa segurando aquele frasco com os dedos brancos.
—Eu sei. — ela sorriu e foi até ele. Beijou sua bochecha e pegou o cigarro de seus dedos. — Fumar faz mal, Remus.
ஐ
Peter olhou para seu lado esquerdo. Adhara e Remus estavam se beijando, a mão dele estava na coxa dela, não saia de lá bem-comportada, mas Adhara tinha a mão explanada em seu peito e descia cada vez mais em direção ao meio das pernas de Remus. Ele podia ver com clareza que seu amigo lobisomem estava gostando muito daqueles beijos. Peter olhou para seu lado direito. Alice e Frank estavam se atracando exatamente como o casal a sua esquerda, mas pior. As pernas de Alice estavam sobre as de Frank e a mão dele estava dentro da saia dela, descansando em sua bunda. Então Peter olhou para a sua frente, sentadas no chão em frente a lareira estavam Michelle e Dorcas também se beijando. Ele achava excitante ver as mãos femininas das garotas passando pela cintura uma da outra, as vezes brincando com o botão do uniforme.
Peter bebeu sua cerveja amanteigada, escutando a música dos Stones que tocava e os barulhos de beijos que seus amigos faziam. Estava cercado de casais felizes e que se amavam.
Em um canto da Casa na Árvore, James e Lily conversavam com sorrisos e dividindo varinhas de alcaçuz e ao lado deles Marlene e Dimitre jogando Strip Snape, os dois sem blusa. E sentado na poltrona fumando um cigarro estava Sirius, encarando James e Lily. Parecia que a alegria de ter vencido os dois últimos jogos de quadribol acabaram.
E lá estava ela. Sentada no chão, a cabeça encostada no joelho de Sirius, os olhos azuis eletrizantes, a mão dele acariciando os cabelos dela distraidamente, meio que marcando território.
Emmeline.
Peter a achou atraente desde o momento que a viu. Ao longo dos anos teve várias fantasias que envolviam ela, Adhara e ele. Se lembrava de como achava as duas mais atraentes que Mary. Sua ex-namorada sempre foi mais magrinha, sem os peitos grandes de Adhara ou a bunda enorme de Emmeline, ela tinha 14 anos e ainda estava evoluindo, não como as outras meninas que evoluíram mais rápido, mas mesmo assim Peter a amou. Ele olhava naqueles olhos loucos e encontrou o amor e então ela se tornou a menina mais atraente do quarto ano para ele. Não ligava mais para fantasias que antes usava para bater punheta. Tudo que importava era Mary. Só que ela morreu. Emmeline voltou a ser a menina mais atraente de Hogwarts para ele. Peter achava Adhara linda, ela era o que sempre os garotos gostavam em garotas. Era loira, gostosa, bonita demais, mas Emmeline sempre lhe chamou mais a atenção, diferente de James e Remus que sempre prestaram mais atenção em Adhara e ele achava que se Sirius e Adhara não tivessem criado uma relação fraternal tão rápido, ele também quereria ela.
Peter quase enlouqueceu. Não conseguia acreditar que havia comido Emmeline mais de uma vez e que na maioria das vezes ela não estava chapada.
Ele notou os olhos azuis o mirando, o pegando no flagra e ela sorriu para ele. No momento seguinte, Peter não sabia como, mas inventaram desculpas para seus amigos e agora estavam em um armário de vassouras.
—Merda. Merda. — gemeu Peter. — Isso, isso. — ele apertou a bunda dela. Ainda achava que acordaria de um sonho. Ela estava meio quieta hoje, o que era estranho, pois Emmeline nas vezes em que estiveram juntos foi bastante escandalosa. Sentiu a mão dela ir para o seu cabelo e ela puxou com tanta força que Peter achou que levou alguns fios do cabelo. — Está bom, Emme? — ele quis saber, estocando dentro dela. Ela não sorriu.
—Sim.
ஐ
—Eu não sabia que ficaria em Hogwarts para o Natal. — ela disse, andando calmamente pelo corredor. O garoto de cabelos pretos e olhos acinzentados a olhou encostado na parede de pedra com uma carta na mão. — Foi uma surpresa te ver hoje.
Ele sorriu.
—Uma surpresa boa?
Se sentia um pouco intimidada na presença dele, o que era estranho, pois ele era mais novo do que ela e nunca demonstrou qualquer tipo de atitude dominante sobre ela, mas ao mesmo tempo também se sentia confortável, como se fossem amigos a muito tempo. Talvez fosse pelo fato da semelhança dele com o irmão, tinha medo de involuntariamente estar passando os sentimentos de um para o outro. Mas era só escutar ele falar e notava o quanto diferente ele realmente era. Que o motivo dela gostar de conversar com ele, era pelo fato de quem ele era e não pelo irmão. O olhou por inteiro. Ele era alto, mas ela também era o que os faziam ter praticamente a mesma altura. Ele usava um anel de aparência cara no dedo e o uniforme impecável com o broche de Monitor preso em sua capa. Os cabelos sempre penteados e em um corte nem tão curto nem tão longo, os cabelos eram menos ondulados do que o do irmão. Ele era tão bonito quanto qualquer um que vinha daquela família.
—Talvez. — ela riu. Ela notou o livro que ele segurava em suas mãos. Era pequeno, mas grosso, quando fechado as páginas pareciam ser douradas, a capa era preta com desenhos dourados, assim como a borda. — O que está lendo?
—Só algo que encontrei na biblioteca da minha casa. — ele disse, olhando o livro velho. — Um escritor dinamarquês. Hans Elbe.
—Nunca ouvi falar. — comentou Marlene.
—Ele morreu, antes de ser realmente reconhecido. — ele disse, folheando o livro. — Ele se matou.
—Porque?
—Perdeu a mulher que amava. — respondeu. — Pelo menos é o que eu gosto de pensar. Ele escreve muito sobre vida, confusão, momentos.
—O que ele tem a dizer sobre momentos? — ela quis saber.
—Ele diz para não nos apegarmos a momentos. — contou. — Porque bons ou ruins, eles sempre passam.
—Ele era um homem triste, não é? — ela murmurou. Ele deu de ombros.
—Está muito bonita. — ele disse. A garota loira sorriu, ajeitando a franja que ficava sobre toda sua testa. — Você é diferente das outras garotas.
—Não está sendo muito original. — ela respondeu, mesmo tendo gostado do que ele disse. — Em o que eu sou diferente das outras garotas?
—Eu sinto que precisaria pedir permissão antes de beijá-la. — ele disse. Ela não o respondeu. Sempre que ele falava parecia tão educado, parecia que media suas palavras como se sempre pensasse bastante no que queria dizer, no que precisava dizer, no quer queria dizer.
—Vejo você amanhã. — ela disse, com um sorriso. Ele também tinha um sorriso no rosto e aprecia estar se divertindo que ela não corara nenhuma vez, nem ficara envergonhada como muita garotas ficavam ou gostavam de fingir.
—Ei. — ele chamou. Ela se virou para ele.
—Sim? — ela indagou.
—Você é diferente das outras garotas porque eu acredito que você seja. — ele disse, segurando o livro na mão. Ele esticou a mão para ela e ela catou o pequeno e grosso livro. — Cada pessoa significa alguma coisa para uma outra pessoa. — ele disse. — Cada pessoa é diferente para alguém. Porque para mim você não poderia ser diferente de todos os outros?
Ele piscou para ela e saiu andando.
Marlene McKinnon segurou o livro contra a peito e viu um pedaço de pergaminho saindo pelo livro. Ela reconheceu a caligrafia refinada que ele tinha pelas cartas que começaram a trocar desde o começo das aulas. Eles não se viam muito pelos corredores e nem queriam. Parecia que tudo aumentava em Hogwarts, por isso começaram a trocar cartas a noite. Ela desamassou o pedaço de pergaminho.
“Agora, no silêncio do momento, eu olhei para trás, não para desafiá-la, ou para mostrar que eu não era mais tímido, mas para me render, para dizer a ela que isso é quem eu sou, isso é quem você é, isso é O que eu quero, não há nada além da verdade entre nós agora, e onde há verdade, não há barreiras, nem olhares desligados, e se nada vem disso, deixe-se nunca dizer que nenhum de nós desconhecia o que poderia acontecer. Não tinha mais uma esperança. E talvez eu olhei para trás porque não havia nada a perder agora. Eu olhei para trás com o todo o saber, eu-ouso-você-para-beijar-me o olhar de alguém que desafia e foge com um e o mesmo gesto.”
Marlene suspirou e olhou para frente onde Regulus Black havia há muito virado o corredor.
ஐ
—Aproveitando o calor do amor, Adhara?
Ela sorriu para seu primo, ao sair do banheiro, não tinha nem reparado que ele estava acordado quando se levantou da cama de seu namorado, e agora seu primo estava na janela fumando um cigarro, ao lado da cama de Remus. Ela andou até lá, usando apenas o suéter favorito de Remus e se sentou no colo de Sirius que estava sentado no canto da cama de Dimitre, que estava escondido pelas cortinas.
Sentiu a mão de seu primo em sua cintura, fazendo uma carícia ali. Encostou sua cabeça no topo da cabeça de Sirius, com os braços em volta do pescoço dele. Gostou daquele contato com seu primo, sempre era reconfortante simplesmente abraçá-lo por um tempo.
—O que está fazendo acordado?
—Lendo. — respondeu ele com o cigarro na boca. Adhara notou o livro no chão, aberto na metade. Ela catou o livro no chão e olhou as palavras.
—Incomum. — ela riu. Sirius riu também e assoprou a fumaça que prendia em seus pulmões. — Está em francês. — ela murmurou surpresa. Sabia que Sirius conseguia se virar com algumas conversas em francês, mas não ler um livro inteiro. — “Um belo jovem cavaleiro está apaixonado por uma princesa e ela também está apaixonada por ele, embora ela não esteja de todo consciente disso, apesar da amizade que floresce entre eles, ou talvez por causa dessa amizade, o jovem cavalheiro se encontra tão rebaixado e sem falar que ele é totalmente incapaz de falar sobre seu amor. Até que um dia, ele pergunta a princesa… É melhor falar ou morrer?— ela leu e olhou seu primo.
—Eu nunca teria coragem de fazer uma pergunta como essa. — disse Sirius, olhando para estrelas.
—Eu duvido. – sorriu Adhara e Sirius sorriu de volta, cúmplices. — No final, ele fala?
—Ele desvia de assunto. — respondeu Sirius. Ele a mirou de lado. — Afinal, ele é francês. — debochou. Ela sorriu.– Você sente esse tipo de amor? O tipo que você precisa tanto falar que se não… morre?
—Eu já senti muitos tipos de amor e sei que você também Sirius. — ela disse, segurando o rosto dele para que ele olhasse em seus olhos. — Do que tem tanto medo? — perguntou. Mas ele não a respondeu, voltando a tragar o cigarro. — Acho que esse tipo de amor, ele é único, você só sente por uma pessoa na sua vida.
Sirius parou de olhar para longe e a encarou de testa franzida, enquanto ela catava o cigarro para tragar.
—Você…
—Eu amei muito. — falou Adhara. — Achei que era o maior tipo de amor que poderia sentir, mas eu estava errada, porque se tivesse sido, eu ainda sentiria, não é? — ela sorriu e olhou Remus deitado na cama, ele havia acordado e olhava a dupla de primos com seus olhos carinhosos. — Eu tive que falar, se não…
Ela não preciso terminar de falar, Sirius havia entendido. Beijou o rosto do primo e foi para a cama do namorado. Ela se deitou no peito de Remus que a abraçou, fechando as cortinas rapidamente. Adhara se sentou sobre o quadril dele e acariciou seu peito.
—O que? — ele perguntou, beijando a palma da mão dela.
—Eu achei que esse ano seria… feliz. — murmurou Adhara, se curvando para beijar o queixo de Remus. — Mas só porque eu estou feliz, não significa que os outros estão. — ela suspirou, gostou de sentir os lábios macios dele tocando a palma da sua mão. — Sirius está ficando deprimido e eu não exatamente o que fazer. — ela contou. — Emmeline anda distante e diferente, está escondendo algo de mim, tenho certeza. — ela falou. Remus a deixou desabafar, apenas fazendo um carinho inofensivo na pele dela. — No meio do jantar recebi uma carta de Emily dizendo que ela vai voltar mais cedo, isso só pode significar uma coisa, sabe? Só quero que todo mundo aproveite esse ano, último antes da vida real, último ano antes da guerra...
Remus assentiu, compreendendo tudo. Isso era algo muito bom entre eles, sempre se entenderam e quando não conseguiam tentavam. Era como James e Sirius, eles se completavam de um jeito tão único, eram irmãos de verdade desde o momento em que se conheceram. E desde o momento que Remus conheceu Adhara ele sentiu uma ligação tão forte com ela que ficou sem palavras. Ele já pensara muitas vezes sobre amores, almas gêmeas, e caras metades. Todos veem almas gêmeas e caras metades como algo romântico, mas ele sabia que não era assim. James e Sirius eram a metade um do outro, eles se completavam, quando estavam juntos eram como um só, almas gêmeas. Para Remus alma gêmea tinha um propósito, elas criam uma conexão tão profunda que vai muito além do que são, se compreendem, não precisam de palavras para transmitir o que sentem, elas estavam ali para guiar você a luz. E o seu grande amor era diferente, as vezes ele nem era sua alma gêmea, ele chegava como a luz, você não sente mais aquele vazio inexplicável, só um amor que cresce mais a cada dia.
E nesse instante ele olhava para Adhara. Os seus lindos olhos azul mar, seus cabelos loiros claros, a boca avermelhada e um sorriso dirigido somente a ele. Ela era o amor da sua vida, ela era sua alma gêmea. Ele tinha completa certeza disso. Podia ter sido apenas uma paixão de infância, mas depois de tantos anos ele sabia que não era isso. Isso o fazia ter medo. Temia que ela não sentia o mesmo, que um dia acordaria e ela não estaria mais ao seu lado.
—O que está pensando? — escutou a voz dela perto de sua orelha, os lábios dela dando beijinhos em seu pescoço.
—Estou pensando sobre você. — ele respondeu sinceramente. Ele tocou as coxas dela e sorriu para o sorriso dela. — Você é o amor da minha vida e também é a minha alma gêmea. — ele disse baixinho, a olhando dentro dos olhos. — Eu sei disso desde quando todos esses anos que eu te vi com outras pessoas e em que eu estive com outras pessoas… eu nunca parei de pensar em você.
—Foi culpa minha. — ela murmurou de volta o beijando nos lábios. — Por ter demorado tanto tempo para…
—Não importa. — disse Remus. Ele se sentou com ela ainda em seu colo. — Estamos juntos agora. — ele sorriu. – Eu não consigo acreditar que estamos juntos agora. — ele disse em um suspiro profundo.
Adhara sentiu a boca dele se aproximar da sua e a abriu sutilmente e a língua dele tocou a sua. Suspirou em sua boca e chupou sua língua devagar. O beijo dele era tão doce, ela se lembrava da primeira vez que o beijou. Foi tão desastrado, mas ao mesmo tempo doce. A segunda vez já foi melhor, foi um dos melhores beijos que já teve. Toda vez que beijava Remus era como se estivesse beijando pela primeira vez e logo depois vinha o prazer de conhecer aqueles lábios macios. Era uma das melhores sensações para ela, o toque, o abraço, o beijo de Remus, já lhe era familiar, como se já o conhecesse por inteiro.
Os seus braços em volta do pescoço dele, uma mão agarrando o cabelo em sua nuca com força, sentindo a intimidade dele contra a dela. Rebolava em seu colo gostosamente, as mãos dele em seu quadril a ajudando a rebolar contra si. Ela sempre o queria dentro de si no momento que o sentia, mas tentava esperar ao máximo, gostava daquela brincadeira maliciosa antes de chegarem aos finalmente. E Remus parecia gostar também.
Adhara podia ver pela fresta aberta da cortina o céu lá fora. Estava estrelado, mas como era uma Lua Nova, ela não brilhava no céu junto as estrelas. A Lua Cheia de Remus já havia passado a algumas semanas e só se transformaria novamente mês que vem, por isso ele estava mais suave. Suas mãos me apertavam na medida certa, gentis como ele era, mas tão quentes que eu podia gemer alto só por um toque dele. A mão dele cobriu sua intimidade e seus dedos entraram dois de uma vez dentro dela. Ela gemeu e Remus enfiou e tirou os dedos repetidamente. A lambeu no pescoço e a mordeu, escutando ela gemer pela dedada que ele lhe dava. O dedão dele começou a empurrar seu clitóris gostosamente e Adhara agarrou o braço de Remus o empurrando mais contra ela, querendo que ele fosse mais rápido. Ele continuou o seu trabalho em suas partes baixas, mas foi descendo todo seu corpo. Adhara aproveitou isso para tirar o suéter quente de Remus, ficando totalmente pelada. Gemeu seu nome quando a língua molhada dele tocou sua intimidade turgida. Agarrou os cabelos de Remus o forçando contra o meio de suas pernas. A mão dele agarrou um de seus peitos e beliscou o mamilo.
—Merda. Re...Remus! — ela gemeu, arqueando as costas. A língua dele acertava os pontos certos, lambia exatamente em cima do seu clitóris. As mãos dele, cada uma em uma parte interna das coxas dela. Ele empurrou as pernas dela, até que ela estivesse totalmente aberta para ele e voltou a enfiar dois dedos dentro dela. – Remus! — ela quase berrou, quando ele encurralou seu clitóris com os lábios e deu uma chupada forte. — Onde aprendeu a fazer isso? — ela perguntou ofegante, olhando para o namorado.
Remus sorriu, olhando para ela também. Adhara sabia que fora ela que tirara a virgindade de Remus e não sabia o quanto ele tinha ido além com as ex-namoradas para ter toda esse talento.
—Livros. — ele brincou. Adhara gargalhou, enquanto ele chutava as calças do pijama se atrapalhando. Ela continuou rindo e o ajudou a tirar a blusa do pijama.
—É muito mais fácil fazer sexo nessas camas quando se tem 14 anos. — ela comentou, o puxando para cima dela. — Agora é só… pequena.
—Não fiz nada com alguém nessas camas quando eu tinha 14 anos. — ele comentou. Ela sorriu.
Beijou Remus, abrindo as pernas para ele se acomodar. Estavam no inverno, mas mesmo assim estavam sem coberta, pois seus corpos estavam quentes demais. Remus gemeu baixinho, quando encostou a cabeça do seu pênis contra o clitóris de Adhara. Ela gemeu, gostando da estimulação, mas ele logo se preparou e foi enfiou com tudo dentro dela. Os dois gemeram o nome um do outro e os seus quadris começaram a se encostar sem parar. Sem jogavam um contra o outro querendo chegar ao ponto máximo do prazer. O ritmo frenético de Remus a fazia enlouquecer. Mas ela queria o fazer enlouquecer. O empurrou ficando por cima e jogou os longos cabelos loiros para o lado, começando a rebolar.
Adhara amava ficar por cima. Amava o olhar bobo que os garotos davam vendo seus peitos balançar, amava ainda mais o olhar de Remus, o prazer escrachado nos olhos dele. Ela podia sentir que ele a amava muito.
Desceu e subiu pelo pau dele, sentando com a maior vontade que podia, os dedos dele encravado em seus quadris a ajudando a se movimentar. Os gemidos contínuos e baixos dele continuavam a medida que ela intensificava os movimentos.
—Porra, porra. — escutou ele dizer. Sorriu e sentou depressa, pegando as mãos dele e as colocando sobre seios. Queria que ele apertasse até que doesse. — Adhara… você é tão gostosa. — ele disse. Ela gostou do elogio e o puxou para que se sentasse. Beijou Remus, mas os seus gemidos interromperam e Remus desceu os beijos pela clavícula dela.
—Remus. — ela sussurrou, como um último suspiro. Ela sentiu as ondas de prazer tomarem conta do corpo dela e o abraçou com todas as suas forças, sentindo suas pernas tremerem de excitação. Sentiu ele a abraçar fortemente e terminar dentro dela.
Os dois se olharam ofegantes demais e sorriram, suados.
—Eu escutei sua conversa. — confessou Remus, sentindo ela beijar seu queixo. — É melhor falar ou morrer… — ele disse docemente. — … que bom que nós dois falamos.
ஐ
—Eles estão em uma super maratona de sexo. — disse Dimitre. Sirius notou que as cortinas da cama do loiro estavam abertas e ele estava sentado com as costas encostadas na cabeceira da cama. – Acho que o nome é amor.
Sirius sorriu e passou o cigarro para Dimitre. Os dois olhando a cama de Remus que se mexia levemente assim como as cortinas.
—Remus está aproveitando o poder da boceta. — disse Sirius. Dimitre tentou controlar a gargalhada, mas não conseguiu e gargalhou alto. Sirius deixou o livro cair no chão e jogou as pernas para cima da cama de Dimitre, se sentando ao lado dele.
Dimitre sentiu o cheiro de tabaco que Sirius tinha e suspirou. Fazia tanto tempo desde a última vez em que estiveram juntos, desde que eles trocaram um beijo. E Sirius parecia estar pensando a mesma coisa, pois olhou para ele como se lesse seus pensamentos.
—Adivinha, cheguei aqui e Peter estava roubando as camisinhas de Remus. — ele contou. Sirius riu, trazendo com a varinha um saco cheio de salvia e papéis. Dimitre empurrou o seu cobertor e abriu espaço para Sirius, começar a embolar um baseado para eles. — Ele me disse que as suas tinham acabado.
—Aquele bastardo. — resmungou Sirius, com o cigarro pendendo na boca. — Quem na Terra poderia transar com Peter? Com Peter? — ele disse. Dimitre riu e pegou o cigarro da boca de Sirius e deu uma última traga, deixando o cigarro em um cotoco. O jogou no chão e com a varinha fez desaparecer.
Sirius agora passava a língua no papel para fechar o baseado.
—Está saindo com Jackie Rudetsky? – perguntou Dimitre, aceitando o baseado.
—Sim. — respondeu Sirius, o vendo fumar. — Ela é gostosa, mas estou cansado de colocar os dedos na calcinha dela.– ele disse.
—Você e Emmeline acabou? Para sempre? — indagou Dimitre.
—Talvez. — ele disse. — Eu sei que eu e Marlene acabamos para sempre. — falou, pegando o baseado da mão de Dimitre que prestava atenção. — E eu e você também… eu acho.
Dimitre sorriu de lado, vendo Sirius o mirar maliciosamente.
—Eu não sei se você sabe amar alguém, Sirius. – ele disse. Sirius revirou os olhos e fumou o baseado com um sorriso. – Juro solenemente que irei ser seu amigo para sempre. — falou, isso fez Sirius sorrir mais ainda. – Só que não sei se poderia ser mais que isso. Não sabe o quanto fiquei feliz ao saber que você nunca me traiu. — ele disse, tocando a mão de Sirius. — Você fingiu que me traiu para eu odiar você. Sirius você é um total idiota. — ele riu. — Mas… gosto de você todo idiota assim, na verdade, eu sou meio apaixonado e quando você fez aquilo era porque não queria foder com a minha cabeça... – disse Dimitre. Ele suspirou e acariciou a mão de Sirius. — Vamos continuar assim, certo? Para que isso não aconteça.
Apesar do que disse, Dimitre aproximou seu rosto de Sirius, até que suas respirações se misturassem e o beijou. Sua língua foi lentamente para a boca de Sirius, que retribuiu, o beijando de volta devidamente. Se separaram sem ar e Sirius sorriu.
—Certo. – disse Sirius. Ele tragou o baseado e fechou os olhos deixando a fumaça sair pela boca. — Garoto hétero. — ele disse. Dimitre revirou os olhos rindo. — Recebendo um boquete da minha ex-namorada, hã? — ele brincou sobre a festa na casa de James que Dimitre e Marlene ficaram se atracando o tempo todo. Dimitre riu brincalhão.
—O que posso dizer? As madames me querem e eu vou me esforçar por elas.
ஐ
—O que está fazendo aqui? Está congelando. — escutou a voz vir de trás de si.
Emmeline apertou o seu casaco peludo contra si e parou de olhar a neve no chão e olhou para trás. Freya andava até ela, se apertando na capa de frio. Ela voltou a olhar para frente até a irmã parar ao lado dela. Estavam nos jardins de Hogwarts, na manhã de Natal.
—Nada. — respondeu Emmeline. — Achei que iria para casa no Natal.
—Mamãe e papai na verdade me pediram para ficar aqui, já que você disse que não ia para o Natal, eles resolveram viajar juntos. — respondeu a loira.
Emmeline a mirou. Eram tão diferentes uma da outra, principalmente no jeito. As vezes imaginava como teria sido se tivessem sido criadas juntas, como irmãs de verdade. Brigariam o tempo todo ou guardariam todos os segredos uma da outra?
Ela pegou um cigarro de dentro do casaco e acendeu com a varinha, vendo a neve cair no lago congelado. Imaginou onde será que a Lula Gigante se enfiava, se ela ficava escondida bem lá embaixo no lago. Emmeline tragou o cigarro e ofereceu a Freya.
—Não fumo. — respondeu sua irmã.
—Do que tem medo?
—Dos meus pulmões ficarem fodidos. — respondeu Freya. Emmeline sorriu e deu uma tragada extremamente forte. — Ah, que se foda. — ela pegou o cigarro da mão de Emmeline e com ele entre os dedos deu uma tragada, mas começou a tossir logo em seguida.
—Você não tragou direito. — disse Emmeline, tocando o braço da irmã. — Respire até o ar vir para cá. — ela apontou para o seu peito. Freya tragou novamente e sorriu soltando a fumaça pela boca.
—Porque está sendo legal comigo? — indagou Freya, tragando o cigarro mais uma vez. — Em casa você fingi que nem existe, na escola fingi que eu não existo, então… porque está sendo legal comigo? — quis saber. Emmeline deu outro sorriso, pegando o cigarro de volta.
—A vida é muito curta. — disse Emmeline. Freya riu e revirou os olhos.
—Você é tão clichê. — disse, aceitando o cigarro novamente. — Emmeline… como é estar apaixonada? — perguntou. Freya sabia muito bem sobre a relação de sua irmã com Sirius Black, assim como metade da escola. Eles terminam e voltam por anos.
—É adorável. — respondeu Emmeline, tragando o cigarro e assoprando junto com o ar gelado que saia da sua boca por causa do frio. — Até que ele fode com a sua cabeça. Mas, tudo bem, nada nunca vai ser perfeito, sabe?
—Achei que poderia ser. — contou Freya, com um sorrisinho de lado. — Mudaria de escola e… acharia o namorado perfeito, que teria a vida perfeita com a minha nova irmã perfeita. — disse. Emmeline a encarou dentro dos olhos, mas logo desviou.
—O que mudou?
—Tudo mudou. — Freya deu de ombros, gostando de tragar o cigarro. — Nada nunca fica a mesma coisa…
—Eu estou grávida. — Emmeline a cortou. Freya a olhou chocada e o cigarro caiu de sua mão pousando na neve fofa em frente a elas. — Descobri no começo do mês, mas eu suspeito desde antes disso.
—O que? — indagou Freya. — O que?
—Estou grávida. 3 meses, eu acho. — disse Emmeline devagar, mas aborrecida, como se o choque da irmã fosse bobo. — Hoje eu acordei mais cedo que todas meninas, fui ao banheiro com as poções que eu fiz e usei o fio de cabelo de dois garotos para saber quem é o pai. E antes mesmo de saber eu tomei minha decisão…
—Espera. Você… porque não se protegeu… porque… você pensou o suficiente…
—Merdas acontecem, Freya. — Emmeline a interrompeu novamente. — E agora eu vou abortar do bebê de Sirius Black.
ஐ
—Onde você está indo, porra? — Adhara indagou, os braços cruzados, em pé em frente a sua cama. Podia ver que ela estava nervosa, pelo jeito que não parava de mexer seu pé. — É manhã de Natal.
—Vou dar uma volta com a minha irmã. — disse Emmeline, dando de ombros. Ela catou sua capa, jogando pelos seus ombros e suas luvas felpudas para se proteger da neve fora do Castelo. Ela já estivera lá fora e quando tinha saído do dormitório Adhara não estava lá, mas aparentemente ela quis voltar mais cedo do passeio na cama de Remus.
—Sua irmã? — Adhara disse surpresa. Ela franziu a testa, observando Emmeline passar os dedos pelos cabelos. — Mas…
—Eu tenho que ir, Adhara. — falou Emmeline, se virando para a melhor amiga. — Tenho que fazer algo para poder seguir a minha vida logo.
—Fazer o que? Porque está agindo estranho?
—Porque você estava agindo estranho seis meses atrás? Porque você foi parar na Ala Hospitalar alguns dias antes do baile? E porque ninguém quis me contar o porque? — falou Emmeline, duramente. Adhara não desviou o olhar, mesmo que quisesse muito.
Sabia sobre o que Emmeline falava. Era sobre o incidente na Torre de Astronomia, apenas ela e os meninos sabiam sobre aquilo, mais ninguém sabia que ela teve que chegar ao fundo do poço para poder se reerguer e lutar por si mesma e aqueles que amava. Ela também sabia o quanto Emmeline se sentiu sozinha e de lado no sexto ano e era culpa sua.
—Me desculpe. — murmurou Adhara. Emmeline assentiu, mas fechou sua capa, ainda se olhando no espelho. — Você vai mesmo só ir dar uma volta?
—Sim. — disse Emmeline. — Volto logo.
Emmeline e Adhara se olharam por mais um instante, até que Adhara foi até o malão e tirou algo de lá dentro. Era uma caixinha de presente cor de rosa, ela esticou o braço para Emmeline que pegou.
—Seu presente de Natal. — disse Adhara, dando um sorriso. Emmeline sorriu de volta e abriu o presente. Era uma pulseira feita a mão vermelha que tinha o nome dela escrito em branco. — É igual a que Mary tinha. Se lembra?
—Sim. — sorriu Emmeline, colocando a pulseira. Mary tinha uma igualzinha com o próprio nome e foi enterrada com ela. As meninas sempre diziam para ela que era meio brega, mas Mary nunca ligou. Ela nunca ligou para o que os outros pensavam dela, apenas fazia o que gostava. — Obrigada.
Andou até Adhara e a abraçou. Se apertaram nos braços uma da outra e se soltaram devagar. Emmeline sorriu uma última vez e saiu do dormitório e da vazia Sala Comunal. Encontrou sua irmã parada em frente ao Salão Principal e a pegou pelo braço rapidamente. Não falaram nada. Emmeline a guiou para a estátua da bruxa de um olho só e logo saíram na Dedos de Mel.
—Tem certeza? — perguntou Freya, quando saíram para Hogsmeade. Emmeline assentiu. — Mas você não contou nem a Sirius?
—Não.
—Emmeline!
—É meu corpo. — disse Emmeline, simplesmente. — E eu só quero tirar… isso de mim logo.
ஐ
—Certo, Srta. Vance. — sorriu a atendente, seu nome era Lydia e tinha os cabelos brancos, apesar de não parecer tão velha. — Já discutimos o procedimento. Tem alguma pergunta?
—Só leva cinco minutos? — indagou Emmeline. Freya estava ao seu lado segurando sua mão, mesmo que Emmeline não tenha pedido.
—Sim e você fica uma hora em observação.
—E depois, como vou me sentir?
—Muitas mulheres sentem cólicas parecidas com a da menstruação e possivelmente algum sangramento. — respondeu Lydia. Ela olhou Emmeline. — Você escolheu o modo de extração. — disse Lydia. — Mas se estiver com medo podemos fazer o da pílula…
—Eu quis dizer… emocionalmente? — se corrigiu Emmeline. Apertou a mão de Freya com força.
—Algumas têm uma sensação de perda. — contou Lydia. — Outras apenas alívio. — disse. Emmeline assentiu novamente. — Antes, quero que assine esse termo de isenção.
—Tem chance de eu morrer? — indagou Emmeline. — Ainda poderei ter filhos um dia?
—Toda cirurgia é arriscada e sim poderá ter filhos. — ela respondeu. Emmeline pegou a caneta e assinou o papel que a mulher havia lhe dado.
—Emme. — sua irmã disse baixinho em seu ouvido. — Podemos fazer isso do modo bruxo… posso falar com Jacques e arranjar uma poção…
—Não. Vamos fazer desse jeito. — falou Emmeline, certa do que queria. — Do jeito que minha mãe faria.
Logo Emmeline estava toda preparada na sala de cirurgia. Sua irmã não podia entrar ali, então estava sozinha, usando roupas de hospital e sentada em uma maca com apoio para os pés. Ela ficaria acordada o tempo inteiro. Colocou a mão sobre o ventre, mas não desistiu mesmo que pudesse sentir sua barriga já despontando, como se o bebê estivesse tomando formato. Ela estava nervosa, mas tinha tomado sua decisão. Ela não desistiria, não estava pronta para aquilo.
—Bom dia, Srta. Vance. — o doutor entrou na sala. Ele era negro e alto e parecia ser muito gentil. — Posso lhe chamar de Emmeline?
—Sim. — sorriu Emmeline, enquanto a enfermeira enfiava algo em sua veia.
—A intravenosa vai ajudá-la a relaxar. — disse o doutor. — Eu sou o Dr. Lawrence. — se apresentou. — Preciso dar uma olhada no seu útero, coloque os pés nas perneiras, por favor.
Emmeline fez o que ele mandou e colocou os pés onde deveria.
—Vai doer? — perguntou.
—Já fez…
—Não em mim. — cortou Emmeline.
—Ele ainda está desenvolvendo o sistema nervoso. — falou Dr. Lawrence. — Vou passar o anestésico. — ele disse. Ela assentiu e ficou esperando. — 17 anos, certo?
—Sim.
—Ainda na escola?
—Sim. — ela respondeu. Notou que ele queria fazê-la ficar mais a vontade.
—Agora, eu vou usar algo que é parecido comum aspirador. — ele disse. — Vai sugar o que há no seu útero. Quer perguntar algo antes?
—Sou a primeira garota de 17 anos que faz isso? — ela quis saber.
—Não é nem a primeira hoje.
ஐ
—Obrigada por ter estado lá. — disse Emmeline. Ela se sentia muito melhor agora. Já estavam em frente ao quadro da Mulher Gorda e antes tinha passado no Três Vassouras para comprar duas cervejas amanteigas.
—Não foi nada, mas… — falou Freya. — ...porque não contou para Adhara? Ela é a sua melhora amiga.
—Eu vou. — disse Emmeline. — Eu sou uma pessoa ruim? Por… não estar triste agora?
—Isso só significa que você fez a decisão certa. — falou Freya. Emmeline sorriu e a puxou para um abraço. O primeiro abraço verdadeiro trocado entre as duas.
—Quer passar o resto desse Natal super animado comigo? — ela perguntou. Freya assentiu sorrindo. — Ah… e eu estou transando com o Peter. — ela disse e suspirou. — Uau, bom falar isso para alguém.
—Peter? O baixinho?
—Ele não é tão baixinho. — ela disse. Freya arqueou uma sobrancelha. — Argh, eu nem sei o que eu estou fazendo.
—Bem, eu não vou te julgar. — riu Freya, enquanto a irmão falava a senha para a Mulher Gorda.
—Peter Pettigrew? — riu a Mulher Gorda para Emmeline. — Depois de tantos garotos que já vi com você garota Emmeline, ele é definitivamente… diferente.
—Não enche. — bufou Emmeline.
Elas entraram no Salão Comunal e Emmeline viu seus amigos ali, dividindo presentar. O mais animado sem dúvida era James que berrava para lhe darem seus presentes e fazia todos assistirem ele abrir o presente. Ele agora rasgava um presente hiperativamente. Ele tirou o conteúdo e era a blusa de quadribol dele da Grifinória. James franziu a testa então viu algo escrito na blusa.
—AI MEU MERLIN! EU AMEEEEEEI! — ele berrou, puxando Sirius violentamente para uma abraço cheio de pulos.
—O que é? — perguntou Peter, curioso.
—Meu uniforme assinado simplesmente pelo MELHOR JOGADOR DE QUADRIBOL! — ele berrou, jogando na cara de Peter. — Quem mais quer me dar presentes? Oh, oi, sumida. — disse ele a Emmeline.
—Olá. — ela riu. — Eu sei que todos vocês sabem disso, mas essa é Freya, minha irmã. — ela disse apontando para a loira ao lado dela. — E Freya, essa é a gangue.
—Olá. — sorriu Freya. Frank a puxou para se sentar ao lado dele e de Alice e começaram a bater um papo. Emmeline se sentou no braço da poltrona que Peter estava sentado.
—Tenho algo para você. — escutaram Lily falar. As conversas pararam e James olhou Lily chocado.
—O QUE? — ele berrou. James tossiu disfarçando. — Digo… o que, Lily? — ele disse, com uma voz neutra. Lily sorriu e entregou o presente para ele. James abriu devagar, tentando bancar o calmo, como se não estivesse pulando de excitação por dentro. — Um livro.
—Sim, eu sei que você não é um cara de livros, mas eu vi sobre esse livro e é um dos primeiros livros sobre quadribol já escritos. — ela disse. James abriu o maior sorriso.
—Obrigado.
Adhara estava sentada ao lado do namorado e se levantou, puxando Emmeline pelo braço.
—Está tudo bem?
—Sim.
—Emme, me conta o que está acontecendo, você demorou horas para voltar…
—Eu fiz um aborto. — a cortou Emmeline, baixinho. Adhara arregalou os olhos e notou Remus virando a cabeça para elas parecendo chocado também, mas ele logo disfarçou. — Eu tinha um feto dentro de mim algumas horas atrás e agora eu não tenho… eu escolhi isso.
Adhara não disse nada, apenas puxou Emmeline para um abraço. Confortou a amiga do melhor jeito que pode.
—Porque não me contou? — ela sussurrou no ouvido da amiga, ainda se abraçando. — Eu teria lhe ajudado.
—Agora já passou.
—O pai. — murmurou Adhara. Elas se separaram do abraço e Emmeline olhou para os amigos, mais especificamente para Sirius que gargalhava abrindo um presente de Peter. — Sirius?
—Vou falar com ele.
ஐ
—Addie disse que você queria conversar. — falou Sirius, entrando no dormitório masculino. Ele logo foi para perto da janela, mesmo que estivesse nevando a abriu e puxou um cigarro do bolso. Emmeline ficou o olhando. Sirius estava fumando cada vez mais, ele a olhou esperando.
—Eu estava grávida de você. — disse Emmeline, de uma vez. Quando ficou grávida e confirmou que era Sirius foi o que mais deu medo nela. — Não estou… mais.
Sirius largou o cigarro no chão e a fumaça subiu. Ele não falou nada, olhava fixamente para Emmeline que por dentro estava nervosa, mas por fora mantinha sua pose. Ela havia tomado a decisão certa para ela mesmo, sabia muito bem disso, mas talvez ao ver o olhar perdido de Sirius devia ter contado para ele antes de fazer o que fez. Mas já passou e isso que ela pensava, enquanto esperava ele dizer alguma coisa, qualquer coisa. Ele não disse nada, apenas se abaixou para pegar o cigarro novamente e levar ele a boca ao mesmo tempo que não tirava os olhos dela. Emmeline faria de tudo para saber o que se passava na cabeça dele, para saber o que ele pensava naquele exato momento em que parecia tão sem reação, como se ela tivesse lhe contado que estava com fome ou algo estúpido.
—Sirius. — ela disse. — Eu disse…
—É, eu ouvi. — falou Sirius, simplesmente.
—Você não tem nada a dizer sobre isso? — ela quis saber.
—Já aconteceu, Emmeline. — respondeu Sirius, tragando o cigarro. — Nada vai mudar isso.
—Ok. — ela sussurrou. Emmeline andou até Sirius e o beijou na bochecha, iria se afastar, mas os braços dele a puxaram para um abraço aconchegante. Se soltaram e Emmeline saiu do dormitório.
Sirius se encostou na janela, sentindo o frio bater em seu rosto. Os flocos de neve caindo em seu cabelo e nariz. Tragou o cigarro. Ele estava confuso demais para pronunciar qualquer palavra, para pensar em qualquer coisa. Seu cérebro estava em um turbilhão de pensamentos que não significavam nada, sem tirar conclusão nenhuma do que acabará de acontecer, do que acabará de descobrir.
Não sabia o que sentir. Fechou os olhos e os abriu novamente. Estavam cheios de água.
Mas apenas uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Fale com o autor