When We Were Young

133 As We Go Along


Notas iniciais
HELLOOOOOOOOOOO CHANELS ♥ Obrigada por todos os comentários maravilhosooooos, eles fizeram o meu dia ♥ E, gente, eu estava erradaaaaaaaa... FALTAM APENAS 3 CAPÍTULOS PARA O FIM DA FANFIC! Capítulo passado eu disse que faltavam 5, masss na verdade faltava só 4. E me desculpem por ter passado um pouquinho do dia de postagem, só que o Enem ta ai, né? Aliás pra quem vai fazer Enem como eu, toma esse capítulo pra te faze mais felizinhooo :) CRONOGRAMAAAAAAA: Próximo capítulo 07/11 com 10 COMENTÁRIOS e dia 10/11 com 5 COMENTÁRIOS. Agora fiquem com o capítulo! ENJOY ♥

AS WE GO ALONG

HOGWARTS EXPRESS

1978

7th YEAR

Dimitre tentava não encarar como Sirius ficava bonito com seu cabelo preso em um coque alto pela sua varinha. Tentava não olhar o sorriso que ele abria quando notava que estava sendo observado, era como um pavão abrindo suas penas, ele ficava ainda mais bonito do que já era. Os olhos acinzentados, o rosto aristocrático, o fato de que ele sabia que era bonito contribuíam para isso. Sirius era tão bonito que Dimitre achava que devia ser crime ele poder andar por ai livremente porque ele simplesmente podia causar ataques cardíacos em velhinhas despreparadas que se lembrassem de seus charmosos amores de verões de soldados que foram para guerra.

Isso era o quão bonito ele era.

Bastardo sortudo.

Dimitre pensava, ele sabia que ele mesmo não era feio, mas mesmo assim se sentia completamente feio perto de Sirius. Olhou para frente onde Adhara estava sentada entre Emmeline e Remus, a garota pintando suas unhas de vermelho sangue e o garoto conversando com ela em sussurros baixos que não pareciam muito alegres. Dimitre imaginou que devia ser assim que todas as garotas se sentiam perto de Adhara e Emmeline, porque elas sempre foram as mais bonitas do ano pelos meninos. Mesmo tendo suas preferências pelos próprios homens, Dimitre escutava eles conversando sobre o corpo das garotas, claro que todas eram citadas, mas Adhara e Emmeline sempre foram as mais citadas de todas, junto de Mirtha Flint, porque era a mais gostosa da Sonserina e já tinha passado furúnculos para muitos dos garotos de lá.

Dimitre escutou uma risada alta e virou o rosto para ver James sentado no colo de Lily que tinha os braços abraçando a cintura do namorado. Sirius estava ao lado dos dois e Dimitre ao lado de Sirius perto da porta a qual Marlene passou naquele instante de mãos dadas com Regulus Black. Dimitre pode notar que Sirius tensionou naquele momento e seu punho se fechou como se fosse socar a cara do irmão.

Voltou a mirar Lily que tinha um sorriso genuíno rosto. Ela era muito bonita, a ruiva mais bonita que Dimitre já havia visto. Ela era popular em Hogwarts assim como Adhara e Emmeline foram desde os 14 anos. Muitos garotos viviam a pedindo para sair e ela recusava a maioria como antes fazia com James. Ela só não era mais popular por nunca estar entre as fofocas da escola como as outras estavam.

Ele olhou para pela janela do trem. O expresso de Hogwarts ia em direção a Londres para o recesso de Pascoá. Era a última vez em que saiam de Hogwarts e iam para o trem para algum recesso, a próxima vez seria para irem embora de vez.

Dimitre suspirou quando viu que alguns cabelos de Sirius haviam desprendido e caiam pelo seu rosto. Virou o rosto para frente, segurando a carta de seu irmão nas mãos.

—Você está bem bonito hoje, Dimy. — escutou a voz de Sirius em sua orelha. Dimitre não conseguiu segurar o sorriso. Queria dizer “Eu estou que estou bonito? Você só pode estar brincando, não é?”, mas apenas ficou com o sorriso no rosto. — Eu venho pensando muito em você ultima…

—Eu não sei, Remus! — escutaram Adhara dizer alto. Ela parecia aborrecida e ao mesmo tempo um pouco triste. O rosto estava vermelho a testa franzida como se implorasse para que aquela conversa acabasse. — Eu não sei porque Theodore Nott me defendeu de um balaço. — ela disse. — Porque isso tem que ser tão importante? Só deixa pra lá!

—Deixar pra lá? Dei… deixar pra lá? — gaguejou Remus em um tom irritado o que fez Adhara soltar uma lamúria. — Katherine Greengras tentou bater em você por causa disso, Adhara. Como eu posso deixar pra lá? Só me conte a verdade…

—Eu não vou contar a verdade, Remus! — ela disse se levantando e derrubando o esmalte de Emmeline que tinha continuado a pintar como se não tivesse uma briga acontecendo bem ao lado dela. — Porque não tem verdade nenhuma para contar, está bem? — disse. Então, suspirou e tocou o rosto do namorado. — Por favor, Remus. — pediu.

Lily estava com uma mão sobre a boca de James e a outra sobre a de Sirius para que eles não falassem nada indevido naquele momento tão tenso. Mas quem abriu a boca foi Emmeline com duas unhas sem estarem pintadas.

—Ela está falando a verdade, Remus. — ela disse, fazendo todo encararem ela. — E se não estiver a verdade uma hora vai aparecer… quem sabe em cinco meses? — ela disse e então riu. Remus riu também achando a brincadeira boba, mas Adhara não sorriu enquanto se sentava de volta no banco e muito menos Lily que até parecia tensa, mas James e Sirius também deram risadinhas, mas Dimitre franziu a testa mirando o rosto fechado de Adhara que Remus puxou para que encostasse em seu ombro. Ela aconchegou a cabeça nele.

—Acredito em você, Addie. — ele disse, com um sorriso e a beijou no topo da cabeça. Seu rosto ainda mostrava um tipo de preocupação, mas o sorriso parecia genuíno.

—Argh! Sirius não me lamba! — berrou Lily que ainda tinha a mão sobre a boca de Sirius e James. Ela tirou a mão limpando na blusa de Sirius, enquanto James ria alto. — As vezes você parece um cachorro.

—Oh, acredite em mim, Evans, eu sou. — ele disse. Ela revirou os olhos para brincadeira dele, mas James riu mais alto ainda com Remus, Adhara e Dimitre o acompanhando. James pegou do bolso da capa três sapos de chocolate.

—Querida, quer um? — ele indagou.

—Cla…

—Ele está falando comigo, ruiva. — disse Sirius e pegou o sapo de chocolate da mão do melhor amigo. Lily revirou os olhos pelo que pareceu a milésima vez, ela vazia muito isso quando Sirius estava por perto, só que sempre que revirava os olhos tinha um sorriso genuíno no rosto.

—Não te falaram, Lily? Que quando aceitasse namorar com James, na verdade, estaria aceitando namorar com Sirius também? — indagou Remus, fazendo os outros rirem.

—Acho que esqueci dessa parte. — riu Lily, aceitando o outro sapo de chocolate que o namorado a ofereceu. Ela ofereceu a todos na cabine, mas ninguém aceitou então comeu como os outros dois já faziam.

A porta da cabine se abriu violentamente mostrando um Peter vermelho e ofegante. Suas bochechas gordas inflavam e desinflavam a medida que ele respirava pesadamente. Seus olhos passaram por todos na cabine e ele finalmente entrou fechando a porta novamente. Seu rosto se transformou em um careta que ficou ainda mais feia já que ele ofegava.

—Ahn, tudo bem, Pete? — indagou Remus. Peter inverteu os lábios para baixo e abriu os braços como se não soubesse o que dizer.

Tudo bem? — ele disse de uma forma um pouco dramática e Remus pensou que Peter estava parecendo até James e Sirius as rainhas do drama. — Estava tudo bem se você quer realmente saber, Lupin.

—O que aconteceu? — indagou James curioso. — Alguém tentou puxar as suas calcinhas? — quis saber. Sirius gargalhou, mas Peter pareceu não ligar.

—Eu estava puxando as calcinhas de alguém, James! No bagageiro. — disse Peter exasperado. — Mirtha Flint. Eu usei minhas técnicas de dedadas, sabe? — falou.

—Wormy, você não pode culpá-la. — disse Sirius, com a boca suja de chocolate. — Suas técnicas são uma droga.

—O círculo do prazer, Peter… eu não sou uma garota, mas eu acho que lamber em volta do botãozinho delas e não nele, não deve ser tão legal. — disse Dimitre. Sirius deu uma risadinha e passou um braço pelo ombro dele como ele tinha mania de fazer com qualquer de seus amigos que se sentasse ao seu lado.

—Ela estava gemendo. — retrucou Peter. — Usei outras técnicas.

—Então, o que aconteceu? — indagou Lily. — Ela estava fingindo?

—Ela arrumou a calcinha e te deixou lá? — falou Adhara. — Acontece, Wormy, algumas pessoas usam você.

—Ela te deu um tapa? — riu Emmeline, a língua passando pelo dente canino.

—Não! Nada disso aconteceu. — disse Peter e soltou um muxoxo, encolhendo os ombros. — Foi pior.

—Conte logo, homem! — berrou James impaciente e curioso. Lily o deu uma beliscada no quadril.

—Ela gemeu o nome de Amycus Carrow. — contou. A cabine toda ficou em silêncio porque simplesmente todos tentavam não rir naquele momento vendo a cara de Peter e o muxoxo que ele continuava soltando. James ficou vermelho de segurar a risada, Remus controlava melhor e nem parecia que queria rir, mas Sirius começou a rir, mesmo com Lily o empurrando no ombro. — Argh, podem rir. — ele disse, após isso todos começaram a rir juntos, mas pararam rápido em respeito a Peter e Sirius parou depois de levar uma beliscada dolorida na barriga por Lily.

—Relaxa, Wormtail. — disse Sirius, secando as lágrimas de risada, sentindo a barriga doer de tanta risada e da belisca de Lily. — Depois do recesso eu te arrumo uma quartanista sem problemas.

—Obrigado, Pads. — disse Peter e foi se sentar ao lado de Emmeline se espremendo no canto. — Não foi uma grande surpresa o que aconteceu, afinal foi Amycus que me arrumou Mirtha. — contou. James e Sirius torceram o nariz para aquilo.

—E o que ela fez? — indagou Dimitre, com Sirius lhe oferecendo um pedaço de sapo de chocolate. O loiro abriu a boca e Sirius colocou ali, também esperando a resposta de Peter.

—Ela só me olhou, então eu tirei minha mão da calcinha dela e sai correndo. — ele disse, parecendo um pouco envergonhado. — Eu realmente esperava ganhar uma mãozinha depois, sabem? Eu ainda posso sentir o cheiro dela nos meus dedos. — ele disse e cheirou os dedos. — Olha só.

—Argh.

—Peter!

—Wormy, se controle, seu rato.

—Tire esses seus dedos de perto de minha Lily!

Peter voltou a encolher os braços e soltou mais um muxoxo.

—Não fique triste, Wormy. — disse James que tinha apontado sua varinha para ele dizendo que defenderia Lily quando Peter esticou seus dedos grudentos para todos na cabine.

—Mas eu sou tão ruim assim? — bufou Peter, cruzando os braços. — Ela gemeu o nome de outro cara enquanto estava comigo!

—Peter, eu acho que suas dedadas…— disse Remus, fazendo James e Peter gargalharem. — Foram muito satisfatórias. — falou também rindo. — Talvez Flint só esteja apaixonada por Carrow ou algo assim.

—Acha mesmo, Moony? — murmurou Peter de ombros ainda encolhidos. Remus assentiu com um sorriso. Peter sorriu e olhou para a garota ao lado dele. — Eu sou… tão ruim assim, Emmeline? — ele indagou. Todos olharam para Emmeline que ergueu o olhar de suas unhas, arqueando as sobrancelhas. — Digo, você testou o produto, certo?

—Isso mesmo. — riu Adhara. — Você testou o produto muitas vezes, Emme. Nos diga, como foi? — pediu em uma voz amigável que não condizia com seu rosto. As duas trocaram um olhar, até Emmeline se virar para Peter.

—Nós trepamos mais que uma vez, não foi? — ela disse. Ele assentiu rapidamente. — Porque eu treparia contigo mais de uma vez se não foi no mínimo… satisfatório?

Peter sorriu muito satisfeito com a resposta que teve e seu humor pareceu melhorar na hora.

—Sabiam que Alice e Frank pretendem se casar assim que saírem de Hogwarts? — disse Lily. James no colo dela pareceu chocado.

—Sério?

—Eu a vi no banheiro dos Monitores olhando a sessão de noivas do Semanário da Bruxas, checando vestidos e tudo. — disse Lily.

—E você, Lily? Pensa sobre casamentos? — indagou Emmeline, como se não quisesse nada, mas James sorria para ela dê um jeito cúmplice e ela sorriu de volta.

—É, claro. — ela disse, sem medo algum. Ela apertou James que ainda estava em seu colo. — Um dia no futuro eu vou me casar com o amor da minha vida… — ela deu um sorrisinho. — … seja lá quem ele for, sabe? Acho que ainda não encontrei…

—Ei! — James se virou para ela. — Eu sou o amor da sua vida. — disse a puxou para um beijo. — Você é o amor da minha vida.

—Achei que era o Sirius, James. — disse Remus.

O grupo gargalhou e James passou os braços pelo pescoço de Sirius para o beijar na bochecha que se esquivou pedindo ajuda a Dimitre.

—Quero um doce. — murmurou Adhara no ouvido de Remus. Ela o beijou no canto dos lábios. — Te trago uma barra de chocolate. — disse. Remus sorriu e a beijou de volta, mas nos lábios. — Alguém quer doce? — Adhara indagou em voz alta, se levantando, atrapalhando as conversas paralelas na cabine. Foi como uma avalanche, todos começaram a gritar e a lhe dar sicles e nuques para que comprasse os doces. Adhara enfiou o dinheiro nos bolsos de trás e da frente da calça preta e colada que usava, ajeitou a jaqueta jeans que era de Remus e que tinha pelinhos brancos na parte da gola que era gola estilo camisa social. — Volto antes que morram de fome. — disse a loira saindo da cabine.

Começou a andar pelo corredor do trem, passando pelas cabines cheios de alunos animados. Passou pela que estava Frank e Alice treinando feitiços juntos, Dorcas e Michelle se beijando em outro banco e Marlene e Emily, uma escrevendo uma carta e a outra tirando um cochilo. Acenou e piscou para os seus amigos e eles acenaram de volta, continuou a caminhar. Uma cabine estava cheio de terceiranistas em volta de uma planta que explodiu na cara deles os fazendo gritar, eles tinha doces pela cabine o que indicava que a moça dos doces havia passado por ali. Deu uma risadinha e entrou no corredor onde ficava a maioria das cabines cheias de sonserinos. Em uma das cabines tinha alguns monitores sonserinos que a olharam atravessado quando notaram ela passando. E a cabine a alguns metros dessa estava com a cortina fechada, a do lado tinha Jacques Burke e Tatiana se beijando fervorosos.

Adhara não se sentiu curiosa com a cortina fechada, ela tinha uma boa ideia de quem estaria ali, ainda mais com Jacques Burke na cabine ao lado. Claro que poderia ser um casal como Jacques e Tati que queria mais privacidade, mas Adhara achou que não. Ela bateu na porta e cruzou os braços esperando. Não demorou muito até escutar barulhos e a porta da cabine se abrir.

Recebeu olhares tortos e curiosos. Rabastan Lestrange estava sentado ao lado da janela no lado esquerdo, ele parecia curioso e ergueu um pouco o pescoço para espiar atrás dela, como se quisesse ver se Emily tinha a acompanhado. Theo Nott estava ao lado dele com um livro de aparência suspeita no colo, marcando a página com seu dedo. Ele olhou Adhara com mais atenção que o garoto ao lado da janela. Ao lado de Theo estava Amycus Carrow com sua irmã gêmea sentada em seu colo, os dois dividiam um baseado e lhe deram olhares atravessados.

Do outro lado da cabine no lado direito estava seu primo, Regulus Black, sentado ao lado da janela, ele parecia muito curioso sobre sua presença ali. Seu amigo Barty Crouch Jr. sentado ao seu lado mirava todo o seu corpo, principalmente seu busto já que ela apenas usava uma regata rosa bebê por debaixo da jaqueta jeans. Severus Snape que tinha sido quem lhe abriu a porta voltou a se encostar no banco e cruzou os braços.

—A que devemos a honra? — ele indagou. Adhara torceu o nariz para ele, se lembrava de que uma vez foram amigos e tiveram conversas muito interessantes sobre as matérias, ou qualquer coisa que não envolvesse Você-Sabe-Quem e pureza de sangue.

—Não sabe, Severus? — escutaram a voz debochada de Amycus. — Adhara e Theo são namoradinhos agora, como queridinhos. — ele falou. Alecto riu em seu colo e jogou a fumaça do baseado na cara de Adhara que abanou com a mão para longe do rosto dela.

—Bem. — sorriu Adhara docemente. Ela pode ver sorrisos no rosto de Rabastan, Theo e Regulus como se eles soubessem o quão falso era aquele sorriso e voz doce que ela fazia, como se soubessem que ela estava prestes a ser muito debochada. Adhara ficou um pouco surpresa que eles a conheciam tão bem assim. — Eu tenho que ficar com Theo, certo? Porque Rabastan e eu estamos mais que acabados, Regulus é meu primo mais novo, Barty Crouch é só muito estranho… — eles gargalharam, mas Amycus ficou quieto a mirando. — … e Severus, acho que ele simplesmente não gosta de pessoas no geral. — falou. — Mas eu queria namorar um sonserino novamente. — debochou, ela mirou os olhos em Alecto. — E você, Amycus, não teria jeito, afinal você prefere sua irmã, não é? — ela falou docemente.

Alecto pulou para fora do colo do irmão para tentar bater nela. Adhara nem se mexeu escutando as risadas altas dos garotos na cabine. Ela viu Theo agarrando Alecto pela cintura que tinha um olhar psicopata no rosto dela. Ele a empurrou de volta para o colo de Amycus. Regulus também se sentou, ele havia se levantado involuntariamente quando Alecto pulou para cima de sua prima. Theo ficou em pé no meio da cabine agora olhando Adhara.

—Viu? — berrou Amycus. Ele gargalhou apontado para eles com os braços abertos. — Como vocês dois podem não estar fodendo? — ele disse.

Adhara bufou e olhou Theo nos olhos ficando irritada que ele não a olhava irritado como ela olhava ele. Bufou uma segunda vez, entrou na cabine de vez e bateu no ombro dele o fazendo dar um passo para trás.

—Pare de fazer isso. — mandou. — Está ficando esquisito, Theo. — disse.

—Você sabe porque estou fazendo isso. — retrucou Theo. Ela bateu novamente no ombro dele e ele bateu levemente contra a janela.

—Pare de fazer mesmo assim. — mandou novamente. — Não acho que Katherine vai ficar feliz sabendo o que você fez agora. — provocou.

—Então, talvez, você não devesse ter me contado nada!

—De que porra vocês estão falando?

Se viraram para Rabastan que tinha os olhos confusos os mirando. Haviam esquecido por um momento que os outros sonserinos ainda estavam na cabine, apenas observando a briga deles e todos pareciam bem curiosos agora, até mesmo Snape que não ligava para fofocas como os outros.

—Nada. — respondeu Adhara. — Regulus, posso falar com você? — pediu, já que foi para isso que ela foi ali para começo de conversa.

—Porque? — ele indagou, suspeito. — Isso é sobre eu e Marlene? Porque você pode mandar o Sirius se foder se...

—Não é sobre isso. — o cortou. — Por favor, venha comigo. — pediu, apenas. Regulus trocou um olhar com Barty Jr. e deu de ombros. Se levantou enquanto Theo se sentava ignorando as perguntas curiosas dos sonserinos.

Adhara saiu da cabine com seu primo mais novo atrás dela e fecharam a porta da cabine. Regulus a mirou esperando para ver o que ela falaria.

—Preciso de um favor.

—Que tipo de favor?

—Quero que vá na biblioteca no Largo Grimmauld e pegue para mim todos os livros sobre lobisomem que achar. — disse. Colocando a mão no bolso da jaqueta.

—Lobisomens? — Regulus franziu a testa. — Aprendemos sobre eles no terceiro ano.

—Eu sei. — suspirou Adhara. — Por favor, Reg.

—Porque eu faria isso?

—Porque você é meu primo. — ela disse. — Minha família. — murmurou. Notou que Regulus vacilou por um segundo, mas logo uma expressão duro tomou seu rosto.

—Eu não sou mais da sua família, Addie. — ele disse e desviou o olhar para o chão. Abriu a porta da cabine e todas as cabeças se viraram para eles. Adhara diria mais alguma coisa para convencê-lo de fazer o que ela pediu, se não tivesse sido interrompida pela voz alta de seu outro primo.

—Addie! — berrou Sirius. Ele vinha pelo corredor junto de Emily, o braço pelo ombro dela. — Cadê os nossos doces? — ele indagou. Chegaram na frente dela.

—O que está fazendo aqui? — perguntou Emily, mirando curiosa os sonserinos. Rabastan começou a olhar para ela quase se levantando de seu assento. Ela o encarou de volta, sem nenhum dos dois desviarem o olhar.

—O que está fazendo com esse idiota? — perguntou Sirius, como se Regulus não estivesse ali.

—Vá se foder, Sirius.

—Vá você, Regulus. — retrucou.

Os irmãos começaram a discutir antes que Adhara pudesse falar qualquer coisa. E Emily ainda encarava o ex-namorado sem dar atenção para os outros.

—Parem. — mandou Adhara, beliscando o braço de seus dois primos. — O que vocês estão fazendo aqui? — ela indagou, chamando a atenção de Emily.

—Passei na cabine e você ainda não tinha voltado. — contou Emily. — Viemos te procurar.

—Vamos embora. — disse Sirius, agora pegando na mão de Emily para irem embora e ela ia o seguir.

—Emily. — Rabastan não se segurou e levantou indo para a porta da cabine e Regulus entrou voltando a seu lugar. Os amigos de Rabastan soltaram comentários sobre ele estar indo atrás de Emily, mas ele ignorou. — Podemos conversar?

—Não tenho nada para conversar com você, Rabs. — ela disse, duramente.

—Tem certeza? — ele perguntou. Emily bufou e revirou os olhos.

—Vá conversar com seus pais, Rabastan. — ela disse e deu de ombros. — Você sempre faz o que eles dizem no final, não é? — ela saiu andando puxando Sirius consigo antes que Rabastan pudesse responder qualquer coisa.

Rabastan suspirou. Ele a queria de volta. Sentia tanto falta dela que ficava perdido as vezes quando se lembrava que não estavam mais juntos. Ele queria se convencer de que era apenas uma paixão, nada mais que isso, mas já não sabia se podia negar que a amava.

—Isso é o que acontece quando se age como um babaca por muito tempo, Rabs. — disse Adhara que tinha ficado para trás. — Você acaba se tornando um.

—Quer se despedir do seu namoradinho? — indagou Rabastan, zombando. — Posso chamar Theo para você.

—Vá se foder. — ela disse.

—Addie. — os dois olharam Marlene chegando no corredor sorrindo. Rabastan revirou os olhos.

—O que há com vocês grifinórios hoje? Vão para sua toca. — ele indagou e bufou. — É pra você, Regulus. — disse entrando na cabine.

—Está tudo bem? — indagou Marlene, mirando a amiga. Adhara sorriu, vendo Regulus sair da cabine com um sorriso gigante.

—Cuidado para não ir para o lado das trevas, Lene.

—James, meu filho. — disse Euphemia Potter com tanto carinho na voz. James sorriu para a mãe dele a abraçou apertado derrubando seu malão no chão. Enquanto eles se abraçavam, eu fui e abracei Fleamont Potter que me deu um beijo no topo da cabeça docemente. Ele pegou meu malão e de James colocou no carrinho.

—Vocês demoraram. — disse James para seus pais. Euphemia veio até mim me puxando pra um abraço tão bom quanto de seu marido.

—Seu pai estava limpando o porão antes de virmos. — murmurou Euphemia, já que o marido estava distraído arrumando os malões e procurando por Sirius. — Já que quando Teddy está lá em casa ele gosta de explorar e o porão é seu lugar preferido. — disse, com um sorriso que demonstrava o quanto ela gostava do meu irmão. — Mas seu pai acabou encontrando um bicho-papão em uma caixa velha e se assustou. — falou. — Saiu correndo de lá, então não entrem no porão até darmos um jeito nisso, está bem?

—Está bem, mãe. — disse James e eu assenti também.

—Cadê Sirius? — indagou Fleamont, olhando para a multidão de pessoas na estação. — Sua mãe fez bolo.

—Ali. — James apontou para uma das portas do trem em que Sirius estava junto de Dimitre. — Se despedindo. — ele falou em tom zombeiro.

—E Remus? — indagou Euphemia, com um biquinho. Ela me mirou. — Queria muito vê-lo, Peter também.

—Já foram para casa. — contei, também fazendo um biquinho.

—Mas eles devem ir lá pra casa mais tarde, mãe. — disse James. — Emmeline e Emily também, talvez Dimitre, se o irmão dele não tiver engravidado a namorada de novo. — ele continuou.

—Acho que você quer dizer que todos os seus amigos devem ir lá para casa amanhã. — disse Fleamont. Ele semicerrou os olhos. — Sem festas, James. — ele disse, enquanto Euphemia sorria.

—Não vai ser uma festa, pai, só… amigos se encontrando. — sorriu James.

—Que ótimo! — disse ela sorrindo. — Seu pai anda aprendendo algumas coisas e agora ele faz uns brownies deliciosos. — disse. — Ah, e seu irmão passou a semana com seus avós como você sabe, mas eles já devem estar chegando, a qualquer minuto agora. — falou. Sorri feliz e ela sorriu de volta.

James comentou algo com sua mãe e eu virei meu rosto para Sirius e Dimitre que estavam muito perto um do outro, os dois com sorrisos no rosto. Meu primo pegou um cigarro que estava em sua orelha, pude perceber que havia algo escrito em tinta preta no cigarro branco de ponta alaranjada. Ele levantou o cigarro em cima das cabeças deles como se fosse um ramo de visco para aquela tradição de Natal que se duas pessoas parassem embaixo de visco teriam que se beijar, notei que era exatamente isso que ele queria dizer com aquela brincadeira. E Dimitre também. Ele olhou para os lados e pegou um livro de cima do seu malão que ele tinha emprestado para Lily ler durante a viagem. Abriu o livro e segurou com uma mão colocando na frente dos outros dos dois. Vi meu primo se aproximar mais e definitivamente os dois estavam se beijando. Escutei a risadinha de James e ri também. Só podia ver o cigarro ainda entre os dedos de Sirius acima da cabeça deles. Quando pararam de se beijar os dois a boca dos dois estava vermelha e se despediram com palavras e sem abraços. Dimitre acenou para gente e foi procurar sua família. Sirius botou uma das mãos no bolso de trás da calça e trouxe seu malão com a outra mão.

—Vamos logo, Padfoot, mãe fez bolo pra nós. — reclamou James, querendo logo devorar seu bolo. Sirius sorriu.

—Sirius, meu querido. — sorriu Euphemia.

—Oi, mãe. — ele disse e foi tão naturalmente que eu nem consegui ficar surpresa, já que aquela era a primeira vez que eu havia visto dizendo isso para Euphemia. Meu primo não conseguiu não ficar surpreso, ele corou e eu nunca havia visto ele corar antes em todos os anos de Hogwarts. James tinha um sorriso gigante no rosto assim como o pai dele. — Digo… eu…

—Oi, filho. — disse ela o cortando. O sorriso doce de volta nos lábios e eu podia ver lágrimas nos olhos emocionados. Ela abraçou Sirius e ele enfiou o rosto no ombro dela.

—Eu quero um abraço também, meu filho. — disse Fleamont. Sirius sorriu parecendo até um pouco tímido e abraçou Fleamont com todo o amor com que abraçou Euphemia.

Meu coração doeu vendo aquela cena. Eu não queria que doesse, mas ao continuar vendo aquela cena não conseguia me controlar. Todos sorrindo e se abraçando. James parecendo ter alcançado um dos ápices da felicidade. Euphemia e Fleamont sorrindo como se tivessem acabado de assinar os papéis de adoção de Sirius e meu primo sorrindo como nunca sorriu para seus pais.

E foi tão difícil. Porque eu nunca conseguiria chamar os chamar de pais como Sirius estava fazendo. Mesmo que eles me trataram tanto como a filha que eles nunca tiveram e trataram meu irmão como o bebê deles. Mesmo que fizeram tudo por nós, botaram um teto na nossa cabeça e nos alimentaram. E se fosse para chamar alguém de pai e mãe seria Euphemia e Fleamont Potter. Mas como eu poderia fazer isso? Com a memória dos meus pais ainda completamente viva em minha mente, tendo recebido tanto amor e carinho deles que quando eu fechava os olhos ainda podia se lembrar do cheiro do cachimbo do meu pai e da risada alta que minha mãe dava quando meu pai contava uma piada boba. E com Sirius não foi assim, ele não tem lembranças carinhosas dos pais como eu tenho, ele não amou os próprios pais como eu amei os meus. E por isso ele conseguia chamar os pais de James de seus pais e chamar James de irmão. E eu nunca conseguiria isso, não como Teddy também conseguiria. Ele era tão pequeno e logo teria uma nova influência materna e paterna e provavelmente os chamaria de pais.

Ele poderia acabar esquecendo nossos pais.

Meu coração doeu mais uma vez e lágrimas vieram aos meus olhos como as lágrimas que os pais de James tinham olhando para Sirius. Quis chorar porque eu nunca poderia abraçar meus pais novamente como James havia acabado de fazer e quis chorar porque eu nunca conseguiria abraçar outras pessoas e vê-las como meus pais como Sirius havia acabado de fazer. Porque meus pais nunca mais voltariam.

—Vamos para casa, crianças? — disse Fleamont, ele abraçou meus ombros e começamos a andar para fora da estação.

E eu só conseguia pensar em como a casa que iríamos podia ser a casa de James e Sirius, mas não era minha.

—E então vovô e vovó me levaram na Estátua da Liberdade! — falou Teddy, seus olhinhos brilhando de felicidade. Seus braços pequenos apertaram mais o meu pescoço, mas logo me soltaram para enfiar mais bolo na boca. — Mas agora eu tenho que voltar a estudar. — ele soltou um muxoxo. — Eu já sei escrever várias frases, Addie. — ele disse. Eu sorri o escutando tagarelar sem parar. Poderia ficar apenas o escutando por todo o recesso que não ligaria. Sua voz era tão familiar e me trazia memórias de nossos pais. O cabelo aloirado de Teddy estava um pouco grande e suas sardas no rosto me lembraram nossa mãe, mas os seus olhos tinham o mesmo calor que os do nosso pai. Ele parecia cada vez mais uma mistura dos dois. — O meu nome inteiro! — ele continua a falar e eu peguei sua mão e beijei a palma, depois coloquei contra minha barriga que ainda não estava inchada pela gravidez, fiz tudo aquilo sem pensar e torci para que Teddy não lembrasse de que minha mãe fazia isso com ele quando ela estava grávida de Daisy. — Mamãe fazia isso. — ele disse. Arregalei os olhos e mirei os seus, sua voz calma e rosto neutro, não parecia triste por estar dizendo aquilo.

—Você lembra? — murmurei, soltando a mão dele, mas ele continuou com ela em minha barriga.

—Ela fazia isso para eu sentir a Daisy. — ele disse e sorriu, mas então franziu a testa. — Você tem uma Daisy também, Addie? — ele falou e ficou em seus joelhos no sofá. Eu coloquei meu dedo em frente aos meus lábios sem conseguir mentir para ele. James e Sirius estavam no sofá maior da sala assistindo um filme que Lily deu para James que era Star Wars, os dois pareciam muito animados com o filme que já estava na metade.

—Não pode contar para ninguém, Teddy. — eu disse bem baixinho. Ele assentiu arregalando os olhos tanto que não sei como não estava doendo. — Vai ser nosso segredinho, está bem?

—Não vou contar pra ninguém, Addie. — ele prometeu. — Só para mamãe e papai quando eu for dar boa noite para eles no céu. — ele disse e me mirou um pouco preocupado. — Pra eles pode, né? — disse de forma tão inocente e pura que lágrimas vieram aos meus olhos sem que eu pudesse controlar. Eu queria muito chorar e fiquei com raiva por isso, eu provavelmente estava ficando cheia de hormônios descontrolados da gravidez e ia ficar cheia de sentimentos diferente pelos próximos meses.

—Para eles pode, Teddy. — falei, sorrindo para ele o que o fez voltar a abrir o sorriso que antes tinha no rosto.

—É uma Daisy? — ele me perguntou baixinho, movendo os olhos para Sirius e James rapidamente.

—Eu não sei ainda. — respondi, também querendo saber se era uma Daisy que eu carregava em minha barriga.

Lúcifer meu gato que eu deixava com Teddy desde o acidente que matou nossos pais pulou em meu colo. Ele parecia estar com saudades e eu o acariciei atrás da orelha, passando os dedos pelo seu pelo macio e branco.

—O nome do meu filho vai ser Han Solo, definitivamente. — disse James em voz alta. Sirius concordou enfiando pipoca na boca.

—Se um dia eu tiver um cachorro o nome dele vai ser Leia, definitivamente. — ele disse. James gargalhou desviando a atenção do filme para eu primo.

—Como se você precisasse de um cachorro, Padfoot. — disse ele. Sirius sorriu marotamente para James que sorriu de volta tão marato quanto o outro. — Já te disse você devia ficar como um cachorro para sempre, combina com você. — falou.

—Quem quer mais pipoca? — cantarolou Euphemia entrando na sala com um balde cheio de pipoca recém feita. Ela colocou no colo de Teddy que pulava de animação e o beijou no topo da cabeça.

—Mãe. — chamou James, indo até a televisão e pausando a fita do filme. — Estou namorando. — ele abriu um sorriso gigantesco e voltou a se sentar ao lado de Sirius. Euphemia sorriu também colocando uma mão na bochecha.

—Sério? É o Sirius? — ela indagou mirando meu primo. Comecei a gargalhar, enquanto James fazia uma cara de chocado e Sirius assentia com a cabeça. — Oh, eu sabia que…

—Não! Mãe! — disse James ultrajado. — Não é Sirius! É Lily. — ele bufou. — A garota que eu venho falando pra você e pai? Pelos últimos… quatro anos da minha vida?

—Bem, você não pode culpar sua mãe por pensar nisso, não é? — eu ri e acenei com minhas sobrancelhas para o fato que James tinha o braço em volta dos ombros de Sirius que para provocar deitou a cabeça no ombro de James. — Você e Sirius são casal… sem a parte beijos. — provoquei. Euphemia deu uma risadinha que ela escondeu pela mão.

—Me desculpe, James. — ela disse, dando outra risadinha.

—Sirius e eu somos como irmãos. — disse James, sem tirar o braço em volta de Sirius que também não se preocupou em tirar a cabeça encostado do ombro de James. — Ele te chama de mãe, mãe! — falou.

—É que vocês são grudados pelo quadril! — se defendeu Euphemia. — Nunca mais de cinco minutos longe um do outro e eu só achei… que talvez tivesse algo mais acontecendo desde que Sirius passou um jantar lhe dizendo 25 razões para não namorar Lily Evans. — disse e deu de ombros.

—Hum… entendi seu ponto. — murmurou James.

—Eu posso aumentar para 30 se quiser, Jamie. — debochou Sirius.

—Cala boca, Sirius.

—Mas, meu filho, estou tão feliz que está namorando… Fleamont! — ela gritou para as escadas. — Monty! — o chamou novamente que começou a descer as escadas após o chamado da esposa. Teddy parecia mais concentrado em sua pipoca do que na conversa. — Jamie está namorando.

—Oh, é o Sirius? — ele disse quando desceu o último degrau da escada. Eu gargalhei novamente e James bufou mais uma vez.

—Nós estamos noivos, pai. — disse Sirius, abraçando a cintura de James que o empurrou para longe.

—Pai! Você me conhece há 18 anos. — disse James. — Eu não sou gay.

—Bem, Jamie, eu entendo, mas tudo bem se fosse, o seu tio-avô Hamish era homossexual mesmo que não fosse de conhecimento público. — contou Fleamont. Nos anos 70 já era difícil ver pessoas homossexuais saindo do armário e provavelmente era ainda mais difícil em 1920 quando o tio-avô de James estava no começo de sua vida adulta. Mirei Sirius e como ele não tinha vergonha, como ele não ligava que era chamado de bicha ou morde fronha pelas costas e como Dimitre não teve escolha e agora ele tinha que conviver ouvindo piores insultos do que os dirigidos à Sirius, como Dorcas tentava não ligar e como Michelle simplesmente não suportava e tinha medo quando era com ela. E como provavelmente tinha tantas outras pessoas que nem se assumiram por medo.

—Estou namorando Lily Evans. — disse James. — E ela vai vir aqui de noite para jantar e para conhecer vocês como… minha namorada. — ele sorriu feliz.

—Que ótimo, James, vamos adorar conhecê-la. — disse Fleamont trocando um sorriso com a esposa. — E, você, Sirius? Podemos esperar alguma namorada… ou namorado para nos apresentar?

Eu e James nos entreolhamos e começamos a gargalhar e Teddy nos acompanhou mesmo que não soubesse porque estávamos rindo tanto. Sirius jogou travesseiros em nós dois. E os pais de James saíram da sala dando risadas.

—Meus pais amanhã vão passar a noite nessa cabana do meu avô tinha antes de morrer e eles resolveram vender, então é a última noite com a cabana livre e eles vão voltar só de manhã. — disse James e eu e Sirius já demos um sorrisinho que nosso querido amigo já acompanhou. — Vai ser uma festinha só a gangue como ano passado. — ele disse e se virou para meu irmão e comia pipoca. — Teddy você estará aqui, você que vai tomar conta de tudo.

—Sério?

—Sim, claro. — disse Sirius bagunçando os cabelos do meu irmão.

—Mas tem que guardar segredo, Teddy. — eu pedi. Ele me deu um olhar cúmplice muito parecido com os olhares que James e Sirius sempre estavam trocando e colocou o dedo sobre a boca.

—Vai ser nosso segredinho. — ele disse aos meninos.

A campainha tocou e James trocou um olhar meu primo e eu e tampou as orelhas de Teddy.

—Deve ser Emmeline com a salvia. — ele disse e espiou para ver se os pais estavam ainda na cozinha. — Vamos chapar, meus caros.

—Eu digo, se você não pode colocar um preço no amor, como sabem quanto é que vale? — indagou Peter, tragando o baseado com força. — É por isso que eu estava planejando comprar algo para Mirtha Flint…

—Peter, que porra é essa? — indagou Sirius pegando o baseado dele. Estavam em um círculo no meio do quarto de James com a janela e a porta trancada. Adhara, Emmeline e Emily estavam no quarto ao lado conversando sobre sabe se lá o que, eles não estavam interessados em saber, a não ser que estivesse rolando uma briga de travesseiros o que elas deixaram muito claro para Peter de que não aconteceria. — Você não aprendeu nada comigo? — ele perguntou. — Dimitre! Você aprendeu, certo?

—Claro. — riu Dimitre. — Você me ensinou direitinho quando me deu um fora fingindo que estava me traindo. — ele falou. Remus e James gargalharam alto.

—Sirius, o que quer dizer? — perguntou Peter confuso. — Eu sempre escuto as suas técnicas!

—Wormy, romance foi criado por corporações para prender os fracassados que pensam que comprando coisas legais, farão com que alguém ame eles. — disse Sirius. Remus e James riram e o licantropo pegou o baseado de Sirius que estava aparentemente muito irritado com Peter. Dimitre riu também deitando a cabeça no colo de Sirius. — Se você lesse algo além do Semanário das Bruxas, você aprenderia algo. — ele disse, revirando os olhos. Peter ofegou ultrajado.

Você sabe que eu leio o Semanário das Bruxas apenas para que as garotas acharem que eu sou sensível. — disse Peter, mexendo seu queixo. — Argh.

Remus tragou o baseado e assoprou a fumaça para cima, rindo bobamente.

—Sabe… eu e Addie estamos tão bem. — ele disse, o baseado entre os dedos. James tentou pegar de volta, mas Remus tragou novamente antes que o amigo conseguisse. — Usualmente essa é a hora onde eu fodo tudo. — falou.

—Porque você não tenta não foder as coisas? — indagou Peter. Remus que ofegou em uma risada olhando James e Sirius que o olharam de volta também rindo.

—Como se fosse fácil para ele. — riu Dimitre.

James conseguiu roubar o baseado de volta. Ele colocou entre os lábios, mas Sirius pegou antes que o amigo pudesse tragar.

—Como eu sempre consigo estragar as coisas e então fazer ficar pior? — indagou Remus, confuso consigo mesmo.

—Parece impossível, mas… você sempre acha um jeito. — disse Sirius e deu de ombros.

—O quanto de punheta é demais? — indagou Peter parecendo extremamente preocupado naquele momento.

—Não existe tal coisa como “demais”, Peter. — disse Sirius. — Bem, para nós… — ele apontou para ele, Dimitre, Remus e James. — … para você provavelmente já passou do limite.

—Eu estou namorando Lily e estou feliz. — disse James o baseado esquecido. Ele estava sentado e se deitou de costas encarando o teto. Sirius o mirou estranho como estava fazendo desde que acordou de sua soneca pré-baseado. — Porque Lily é inteligente, gostosa e… gostosa. — murmurou – E estou muito feliz porque ela gostosa e o cérebro dela também… porque ela é inteligente e… gostosa.

—Bem, você fez ela estúpida. — disse Dimitre, se lembrando das semanas antes do primeiro encontro do casal.

—Se você está profundamente e verdadeiramente feliz é só um grande sinal de que você está fazendo tudo errado. — falou Sirius, dando de ombros. Ele acariciou os cabelos de Dimitre com uma mão.

—Vocês… vocês sabem de uma coisa? — disse Remus exasperado, ele puxou James até que ele estava sentado novamente. — Amor te faz estúpido. — ele falou. — Nós, nós, nós… não vemos as coisas claramente. — falou, acenando a mão na frente dos olhos dos amigos. — Porque nos cega, sabe? E Addie… oh, Addie! Ela também te faz estúpido, sabe? Eu aposto que James estava compondo sinfonias antes de namorar ela! — ele suspirou. — Estou tão apaixonado pela aquela francesa loira… que me faz estúpido. — Remus suspirou novamente. — Acho que vou ir no quarto ao lado e beijar a cara dela fora!

—Remus, você está amando bolo novamente. — avisou James, se levantando do chão. — Cara, tá muito calor. — ele murmurou. Era verão e eles haviam fechado as janelas não deixando nenhum vento entrar no quarto. James tirou a camisa e Sirius olhou estranho para ele novamente. — Sirius! Qual o seu problema? Está me olhando que nem Peter olha para o Professor Bins.

—Não é natural ele ser nosso professor! — berrou Peter, esmagando o resto de baseado com a mão. Remus ofegou chocado. — Vocês não entendem?

—Padfoot, vamos lá, o que foi? — indagou James, segurando a camisa com uma mão. Remus e Peter miraram Sirius que desviou o olhar. Dimitre levantou a cabeça também curioso.

—Ahn… vocês já tiveram um sonho em que estavam com uma garota? — indagou Sirius. Dimitre se sentou reto.

—Definitivamente. — disse Remus. Sirius o olhou de lado. — Sim, estou falando de sua prima. — falou. Isso fez James rir e piscar para Remus, afinal ele também já havia tido sonhos molhados com Adhara.

—Certo, então, sabe, vocês já tiveram talvez um sonho com oposto de uma garota? — continuou Sirius.

—Sim, duas garotas, claro. — disse Peter, confuso.

—Ele quis dizer um garoto, Pete. — disse Remus.

—Oh! Não, não. — riu Peter. — Nós deixamos para você e Dimitre fazerem isso.

—Cale a boca, Peter.

Dimitre e Sirius falaram ao mesmo tempo.

—Por favor, me digam que guardaram baseado para amanhã. — disse Emmeline entrando no quarto, atrás dela vinha Adhara e Emily. Adhara se sentou no colo de Remus que agora estava sentado na cama de James e Emily se jogou no chão ao lado de Peter.

—Sirius estava prestes a nos contar algo importante, Emme. — disse Remus.

—Uhhh, a segredo? — ela riu e se sentou em cima da escrivaninha de James. — Quero ouvir.

Sirius revirou os olhos e cruzou os braços. Ele mirou os amigos no olhos. James ainda em pé segurando a camisa. Adhara e Remus, com ela o olhando e o lobisomem a dando beijinho no queixo. Emily e Peter, ela dividindo um chocolate com ele, mas os dois prestando atenção nele. Emmeline mostrando toda a suas pernas na posição em que estava e Dimitre ao seu lado com os lábios muito beijáveis naquele momento, mas não era hora de pensar aquilo.

—Eu tive um sonho desses enquanto tirava uma soneca… um sonho… daqueles… e foi sobre James. — contou.

A comoção foi geral.

—O QUE? — berrou Emmeline abrindo o maior sorriso, achando muito hilário.

—Uau. — gargalhou Remus, ficando em pé. Ele girou no lugar balançando uma mão. — Uauuuuuuuu.

—Eu sabia! — berrou Emily.

Peter olhava os amigos chocado demais para falar alguma coisa, sua boca aberta em um “O” perfeito. Emily ria, tentando acertar pedaços de chocolate na boca aberta de Peter. Adhara gargalhava tanto que caiu no chão com as mãos na barriga que doía com a força de suas risadas. Dimitre parecia estar em tanto choque quanto Peter.

James tentou se cobrir com a sua camisa amassada, se afastando até encostar na parede. Ele estava catatônico.

—Por Godric Grifinória, isso é incrível! — berrou Adhara.

—Você precisa nos contar sobre esse sonho, Sirius. — pediu Emily, gargalhando.

—NÃO! — gritou James, os fazendo rir mais. — Não precisa, Emily. — ele disse. — Olha só! — ele apontou para Sirius. — Ele está me despindo com os olhos dele agora mesmo!

—Você se despiu sozinho, seu filho da puta! — berrou Sirius de volta. Todos riam tanto que estavam surpresos que os pais de James não haviam vindo ver se eles não estavam morrendo ou algo de tipo.

—Sirius… — sorriu Emmeline, se sentando ao lado dele e botando uma mão no ombro dele. — Nos conte o que aconteceu. — pediu.

—E não precisa ter medo de usar palavras calorosas como “suado” ou “proibido”, até… “estremecido”. — disse Remus, fazendo os outros gargalharem menos James e Sirius.

—James… era um enfermeiro. — contou Sirius. — E tinha uma esponja molhada.

As gargalhadas foram tão altas quanto o barulho de choque que James soltou. A fumaça do baseado ainda rondava o quarto de janela fechada.

—Oh Merlin, o que isso significa? — indagou Peter.

—Não é óbvio? — berrou James, colocando sua camisa de volta. — Significa que eu sou gay!

—Lily, estou tão feliz que você e James estão namorando. — disse Euphemia, sentada na mesa de jantar que fora aumentada para caber todo mundo. — James falou tantas coisas boas sobre você. — ela contou. James sorriu para a namorada que sorriu de volta tocando a mão dele sobre a mesa.

—Eu também estou muito feliz, Sra. Potter.

—Oh, por favor, me chame de Euphemia. — disse. As duas riram e James e seu pai sorriam, mas o resto da mesa os observava se empaturrando de comida. Peter soltou um arroto após tomar um grande gole de refrigerante de soda. James o olhou como se fosse matá-lo e Peter se desculpou corado com Sirius rindo alto de fundo e Remus balançando a cabeça negativamente para ele.

James olhou todos os amigos que estavam na mesa. Era uma mesa cheia. Seu pai estava sentado na ponta, e sua mãe ao lado direito dele a sua frente. Lily estava ao seu lado e Sirius estava ao lado de sua mãe. Dimitre estava ao lado de Sirius, com o rosto vermelho e James não sabia o por disso. Adhara estava ao lado de Dimitre, cortando a comida de Teddy que estava ao seu lado. Os avós de Adhara estavam ao lado de Lily. Ele suspirou, bem, afinal isso era para ser um jantar apenas com essas pessoas, tirando Dimitre. Os outros deveriam ter ido embora no final da tarde e sem hipótese alguma te aceitado o convite educado de Fleamont para o jantar. Mas ao lado de Teddy estava Remus enchendo o suco dele, Peter ao lado dele repetindo o prato pela terceira vez, enquanto muito ainda estava em seu primeiro. Ao lado dos avós de Adhara estavam Emmeline e Emily conversando e comendo.

—Obrigada por nos receber para o jantar, Euphemia e Fleamont. — disse a avó de Adhara. Os avós de Adhara usavam vestes bruxas naquele dia, mas diferente dos pais de James não usavam todos os dias, a avó de Adhara era conhecida no mundo trouxa pelos seus trabalhos de atriz e desde então estavam acostumados a usar roupas trouxas, assim como os pais de Adhara que antes de morrer haviam se desvinculado do jeito que podiam do lado bruxo deles. A mãe dela arrumou um emprego trouxa e o pai dela cortou o máximo possível as horas de trabalho no Gringotes e ajudava na loja de discos do amigo. E assim como os avós e pais desde que saiu do Largo Grimmauld só se via Adhara usando roupas bruxas quando ira para o Beco Diagonal e as vezes também não usava.

—Vocês sempre são bem-vindos aqui, Susan. — disse Fleamont, em uma veste verde púrpura. Eles começaram a conversar junto com o avô de Adhara, Charles. Enquanto isso Euphemia tentava descobrir todos os segredos de Lily, com James se intrometendo na conversa em alguns momentos. Tinha conversas paralelas por toda a mesa.

—Se eu sou um babaca, o que eu posso dizer? — indagou Sirius, enfiando uma batata cozida. Ele deu de ombros para Dimitre e Adhara e Remus que participavam da conversa. — Todo mundo tem que ser alguma coisa. — ele disse. E depois disso Dimitre engasgou na batata que comia e tossiu tentando disfarçar, enquanto Sirius sorria marotamente.

—Querido, você está bem? — indagou Euphemia, preocupada.

—Parece que engasgou feio ai. — disse Charles, o avô de Addie.

—Não, não. — sorriu Dimitre vermelho. — Estou bem. — murmurou e no momento seguinte Sirius tossiu também se engasgando na batata.

—Batata grandes. — ele murmurou.

Adhara franziu a testa e disfarçadamente mirou o colo de Dimitre ao seu lado, vendo a mão de Sirius agarrando o volume do loiro por cima da calça.

—Pode colocar hipócrita nas coisas que você é também, Sirius. — ela disse, depois que os adultos pararam de prestar atenção, se lembrando de quando ela fez a mesma coisa com James em 1975 e Sirius achou um absurdo.

—Parece que a Sra. Potter gostou bastante da Ruivona. — comentou Emmeline para os outros. Peter apenas resmungou algo comendo o delicioso frango empanado.

—E James parece que vai explodir de felicidade. — disse Remus. Eles olharam James e o sorriso que não saia do rosto dele, enquanto segurava a mão de Lily.

—Argh. — bufou Emily, olhando os dois também. — Sinto falta de…

—Não diga. — cortou Emmeline. — Finja que está morto. — ela disse.

—Isso não ajuda, Emme. — disse Adhara.

—É melhor do que ouvir ela resmungando mais, não é? — riu Emmeline.

—Como se nós não tivéssemos que escutar você resmungando sobre a sua mais nova experiência lésbica com a monitora da Lufa-Lufa. — retrucou Emily. Emmeline a olhou chocada e irritada por dizer aquilo tão alto.

—É por isso que me perguntou sobre ela! — riu Sirius.

—MERLIN! O que está acontecendo?! — berrou Peter, atraindo a atenção da mesa toda. — Nós estamos perdendo todas as garotas para sonserinos! Ou outras garotas!

—Me desculpe. — disse Remus se virando para os pais de James e os avós de Adhara. — Ele não teve café da manhã hoje. — se desculpou.

—Posso ter mais batatas cozidas? — escutaram a voz de Teddy.

—É, claro, Teddy. — sorriu Fleamont. Ele puxou a varinha e batatas cozidas voaram do meio da mesa para o prato de Teddy.

—Obrigado, pai. — murmurou Teddy, distraído. Isso teria passado despercebido se a mesa não estivesse meio quieta desde o ultraje de Peter a nova experiência lésbica de Emmeline com a monitora lufana.

—O que você disse, Edward? — indagou Adhara, falando o nome do irmão de fez o apelido dele que era mais o nome dele do que o próprio nome. Ela se virou para ele soltando seus talheres de forma barulhenta no prato.

—Addie… — murmurou seu avô.

—Eu só… — Teddy olhou para os avós e para o pai de James. — Sirius chamou ele assim e eu achei que…

—Ele não é seu pai. — cortou Adhara, o rosto contraído em dor. — O seu pai está morto e ninguém nunca vai substituí-lo.

—Adhara. — Susan a chamou atenção.

—Teddy não quis dizer… — Fleamont murmurou.

—Você entendeu? — questionou Adhara, sem ligar para ninguém mais na mesa que tentava não a encarar naquele momento.

—Sim, Addie. — sussurrou Teddy olhando para as próprias mãos.

Adhara suspirou voltando a olhar para o prato, mas não aguentou como a mesa estava quieta e como todos tentavam não a olhar ou os que olhavam e a miravam com dó. Ela se levantou depressa, sentindo o cheio do pernil em seu prato a fazer querer vomitar. Saiu andando da cozinha, sem prestar atenção no chamado de seu namorado.

Abriu a porta da frente da casa com pressa e andou alguns passos para a calçada em frente a casa e vomitou. Apertou sua mão contra a barriga como fosse conseguir parar o estômago de se revirar como ela estava sentindo, como se dessa forma fosse parar de se sentir mal. Sentiu vontade de chorar, revivendo todas as dores que sentiu depois da morte do seus pais, revivendo os momentos em que simplesmente não queria levantar da cama e os momentos em que queria apenas se entregar para que a dor que sentia no fundo do coração parasse. Reviveu os momentos com Adam e como ainda sentia como se de algum jeito tivesse traído ele, porque ele morreu a amando e no final ela não estava sendo totalmente honesta com ele, pois não estava sendo totalmente honesta consigo mesma.

Imaginou como tudo seria mais fácil com seus pais vivos e a amando. A gravidez ainda seria algo que a faria enlouquecer, mas seus pais pelo menos estariam ali para lhe dar apoio, não se sentiria inteiramente sozinha como se sentia agora. Ela podia ter suas amigas e podia se erguer nas forças que elas lhe davam, só que sabendo o que Remus sentia sobre ter um bebê a fazia se sentir desacompanhada, porque sabia que de forma alguma conseguiria fazer isso sem Remus ao seu lado.

Mirou a poça de vômito aos seus pés. Tinha caído um pouco sobre seu tênis, tirou o tênis ficando descalça e pegou os dois com a mão. Sentia uma brisa gostosa bater em seu corpo. Os braços e pernas desnudos. Usava um vestido branco de havia pego de Lily há um tempo atrás e não havia devolvido desde então. Pegou depressa uma bala do bolso do seu vestido e mastigou para tirar aquele gosto ruim da boca.

Olhou o braço que segurava os tênis, as tatuagens dos nomes de pessoas amadas por ela e que agora estavam mortas. Seu coração deu uma pontada dolorosa. Contornou o nome de Daisy, mais uma vez se perguntando se tinha uma Daisy na barriga como sua mãe tinha. A mão livre ainda estava apoiada contra sua barriga e ela podia sentir o volume de sua barriga. Olhou para o céu escuro, fazendo um carinho em sua barriga. Sempre fora muito magra e pode notar que sua barriga de recém-quatro meses não estava tão grande quanto da de sua mãe. Mas já era o suficiente para que Peter perguntasse se ela estava roubando os chocolates de Remus como ele, o suficiente para que tivesse medo de voar muito alto nos treinos de quadribol, medo suficiente para que não estivesse transando com Remus a mais de um mês. Sabia que não havia mais muito tempo para esconder isso. Logo teria cinco meses e aumentar suas camisas de banda com um feitiço não seria mais o suficiente para esconder ou usar sempre a capa fechada do uniforme.

Adhara ofegou.

A mão apoiada em sua barriga sentiu um movimento contra ela. Lágrimas escorreram pelo seu rosto tão rápido quando abaixou o olhar do céu para a sua barriga. Mais uma vez sentiu uma pressão contra a palma da sua mão, não era tão forte, mas definitivamente dava para sentir. Ofegou mais uma vez tentando continuar a respirar normalmente. Seu bebê havia se mexido dentro de si.

Arfou ao sentir braços conhecidos abraçarem sua cintura. A mão pousou em cima da sua e ela agradeceu internamente por isso. Sentiu um beijo em seu ombro e se virou para mirar Remus nos olhos.

Não sabia quanto tempo ele havia esperado antes de ir atrás dela. Tinha se passado segundos? Minutos? Adhara não fazia ideia. Agarrou o rosto de Remus com as duas mãos e o beijou. Ele a abraçou e puxou para perto, mas ela manteve uma certa distância para que sua barriga proeminente não se apertasse contra a dele. Os lábios de Remus eram macios e a pequena cicatriz que ele tinha no lábio inferior era mera sentida por Adhara quando ela o beijava. Queria contar para ele o que havia acabado de acontecer, queria contar para ele sobre o bebê, pois quando sentia os braços dele a sua volta, os lábios dele sobre o seu e o olhar doce dele a mirando com tanto amor se sentia protegida, toda solidão, todo o sentimento de se sentir sozinha sumiam tão rápido que pareciam nunca terem estado lá.

—Você está bem? — indagou Remus quando se separaram. Adhara chorou mais por mentir para ele quando ele a olhava bem nos olhos.

—Não devia ter falado com Teddy daquele jeito. — ela sussurrou. — Ele é só uma criança. — falou, acariciando o rosto dele com o dedão. — Você acha que eu vou ser uma boa mãe para ele? Que eu vou conseguir cuidar dele?

—Acho. — respondeu Remus, sinceramente. — Addie, você o ama. — disse e sorriu. — Você vai ter que aprender muita coisa, sem dúvidas, mas você vai conseguir fazer isso. — falou. — Você vai ser uma ótima mãe. — disse. Adhara sentiu o bebê se mexer novamente em sua barriga e beijou Remus para conter um soluço do seu choro inacabável. — Tenho certeza disso.

Adhara continuou a tentar a lembrar de respirar.

—Acho que está na hora de eu sair daqui, Remus.

—Teddy está bem. — escutei a voz da minha avó vindo de trás de mim. Não me virei e fiquei escutando os passos dela até ela chegar ao meu lado olhando pela janela. A porta estava aberta do meu quarto e de Teddy e eu podia ver a porta do quarto de James e Sirius também aberta, porque essa foi a regra dos pais de James, após o filho deles convidar todo mundo para passar a noite. Então, eu dividia meu quarto com o meu irmão e Remus, os dois dormiam na minha cama de casal, de vez Remus dormir na no chão que ele fez e Teddy na sua própria. Meu irmão dormia com o rosto apoiado no ombro de Remus, os dois parecendo tão calmos.

No quarto de James dormia ele, Sirius, Lily e Dimitre, mas diferente de Remus que escapou para minha cama, Lily dormia na de James, Dimitre dormia no chão e James e Sirius dividiam uma cama. Emmeline, Emily e Peter estavam em outro quarto e meus avós em outro. Parece que o tataravó Potter pretendia ter muitos filhos para fazer seu próprio time de quadribol.

—Eu sei. — murmurei para minha avó. Não querendo acordar Remus ou meu irmão. — Ele é mais forte do que eu. — falei e imediatamente abri a janela porque minha avó como sempre estava com um cigarro aceso entre os dedos. — Teddy ainda é inocente. — falei aquilo mais para eu mesma do que para minha avó.

Senti o seu toque tão familiar com o da minha mãe em meu cotovelo. Eu geralmente usava apenas uma blusa de Sirius para dormir, como eu fazia desde o quarto ano, mas quando acordei no meio da noite, com o braço de Remus em volta de mim, levantei e fui até meu malão. Tirei a camisa de quadribol de Adam de lá e vesti por cima da camisa de Sirius. Minha avó pareceu notar minha escolha de blusa.

—Vocês eram um casal bonito. — ela disse, tragando seu cigarro. — Achei realmente que estava apaixonada por ele. — falou. A mirei de lado, cruzando meus braços. — Mas quando eu te vejo com Remus… parece que é a primeira vez que a vejo amando alguém dessa forma. — disse. Quis chorar. O sentimento de culpa borbulhando dentro do meu estômago porque a cada minuto eu passava mais tempo mentido para Remus. E isso estava me consumindo lentamente. — Adhara. — ela me chamou.

—Sim? — sussurrei. O olhar que ela me deu foi penetrante.

—Ninguém nunca vai substituir seus pais. — ela disse. Mordi meu lábio para não chorar.

—Eu sei. — falei com a voz embargada. — Sinto tanta a falta deles… e dele. — disse, apertando a camisa de Adam.

—Eu perdi a minha filha, minha única filha. — minha avó disse e ela parecia estar sofrendo tanto quanto eu, mas a sua voz não estava embargada como a minha. — E eu quis morrer quando ela morreu. — disse. — E seu avô quis morrer. — ela contou. — Foi a pior coisa que senti na minha vida… eu queria morrer no lugar dela, Adhara. — disse. — Só que eu tive que ser forte por você e Teddy e mesmo assim eu não consegui. Não consegui ficar tanto tempo perto de você como eu deveria ter ficado… porque você me lembra tanto ela.

—Vó…

—Você lembra tanto ela que eu não conseguia ficar mais de cinco minutos perto de você sem querer chorar. — ela me contou. Eu não sabia de nada daquilo. — Seu avô tentava me ajudar, tentava te ajudar… mas eu sei que não fizemos bem o nosso trabalho. — disse e então eu vi as lágrimas escorrendo do seu rosto. — Quando você mandou aquela carta contando o que aconteceu na Torre aquele dia… eu senti que tinha desapontado minha filha porque eu não consegui te manter segura. — falou e pousou sua mão livre de cigarro em meu rosto.

—Está tudo bem agora. — murmurei. — Sinto falta deles, mas… a dor está diminuindo.

Ela sorriu e tragou o cigarro uma última vez e jogou a bituca pela janela.

—Adhara. — ela disse. — Porque seu irmão me disse que você tem uma Daisy na barriga? — quis saber.

Congelei naquele momento e meus olhos se arregalaram. Talvez eu devesse ter sido mais específica com Teddy, ele deve ter imaginado que se podia contar para nossos pais nas estrelas, não tinha problema também contar para nossos avós. Fiquei com medo dele ter mencionado qualquer coisa para Sirius.

—Eu estou grávida. — solucei. — Eu não sabia o que fazer. — contei, desesperadamente. — Mas agora… eu vou ter o bebê e vou cuidar da minha Daisy. — chorei.

—Oh, minha neta...

Minha avó parecia um pouco estática e suas mãos caíram do meu rosto, mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa Remus acordou na cama e se sentou confuso ao notar que eu não estava lá e que tinha duas sombras de pessoas perto da janela.

—Addie? Está tudo bem? — ele falou, ajeitando Teddy no travesseiro. Quando olhei para minha avó de volta ela não estava mais lá e a porta do quarto estava se fechando.

—Não. — eu disse chorando, isso o fez se levantar correndo. Ele viu a blusa que eu usava mais isso não o impediu de me abraçar.

—O que aconteceu?

—Eu venho mentindo para você. — solucei, sem controlar minhas lágrimas ou a força do meu choro. — Eu estou mentindo, Remus.

Quando Remus se afastou de mim, eu me abracei sentindo o bebê se mexer o que me fez chorar mais ainda, enquanto eu tentava me lembrar de respirar.

Só continue respirando.

Notas finais
E Remus AINDA NÃO SABE! Ansiosos para reação dele? E DIMITRE E SIRIUS!SERÁ QUE TERMINAM ESSA FANFIC JUNTOS E ENROLADOS? Me falem tudo o que acharam desse capítulo :))) Préviassss: 1º: "-Você ainda o ama? " 2º: "Emmeline foi levada para cama totalmente carregada por Sirius e James depois que ela deitou em uma poça do próprio vômito." 3º: "-Eu tenho que terminar com ele." 4º: "-Nós vamos nos casar escondido antes do ano letivo terminar!" 5º: "-Não deveria guardar segredos do seu namorado." 6º: "-Eu odeio você, Rabastan." ACABOUUUUUUUUUUUUUUUUU! Mistério para o próximo capítulooooo, será que Adhara conta? CRONOGRAMAAAAAAA: Próximo capítulo 07/11 com 10 COMENTÁRIOS e dia 10/11 com 5 COMENTÁRIOS. xoxo ~Aurora