When We Were Young

22 Arrow Roulette


Notas iniciais
Gente... jurei que tinha postado esse capítulo ontem... deve ter dado algum bug, sei lá... Tia Vênus aqui! o/ Então vamos lá! Em primeiro lugar, quero agradecer à leitora Blair Lestrange que nos fez uma lindíssima recomendação! Muitíssimo obrigada, eu e a Aurora adoramos, amamos, muito!!! =D Vamos postar o capítulo mais cedo por conta da sua recomendação! =D Em segundo lugar, quero agradecer MUITO a todos os comentários maravilindos que recebemos no último capítulo! Foram 13!!! Ficamos muito felizes! Obrigada mesmo, por nos dar feedback! =D Vocês são maravilindas! Em terceiro lugar, eu queria fazer um comentário sobre a Emily Valentine. Como eu disse alguma outra vez, a história dela e da Addie não serão as mesmas de Legado Lestrange. Então tudo pode acontecer. Mas em relação à personalidade dela e a relação dela com os pais, por exemplo, segue o mesmo de Legado Lestrange. Acho legal contar isso porque nunca ficou realmente explicado qual era a relação da Emily com os pais dela, vou mostrar melhor nessa fic =3 Último capítulo das férias (gigantes) Beijos! #PartiuLer

ARROW ROULETTE

PLACE: UNKNOWN

1974

SUMMER

—Uh! Uh !Uh! Uhhhhhhhh! – James tentava controlar a risada, fazendo um biquinho, mas logo se descontrolava e gargalhava. – HAHAHAHA!

Ele não escutava o enfermeiro a sua frente, que estava gritando.

—Porque você está gritando comigo? Porque está gritando comigo? – Adhara gritou com a enfermeira. A enfermeira gritava também. – Eu estou aqui para apoiar o meu marido! Meu marido! – a enfermeira tentou puxá-la – Me solta sua nojenta! Eu to grávida! Eu to grávida! Eu sou uma mulher grávida!

Sirius latia para os dois enfermeiros gêmeos a frente dele.

—Ele me mordeu! A gente precisa de uma coleira!

Sirius rosnou assustando os dois.

—Pílulas! Pílulas! – Peter corria, com uma enfermeira atrás deles. – Pílulas para o Aluado!

Remus estava deitado na maca, com anestesia da cintura pra baixo, olhando confuso tudo o que acontecia ao redor dele. Enquanto tinha um enfermeiro empurrando a maca outros tentavam pegar seus amigos.

Adhara estava sentada ao seu lado, com as pernas pra fora da maca, gritando que estava grávida para enfermeira gorda que tentava tira-la de lá.

James sentado do seu outro lado, ria parecendo um macaco, enquanto um enfermeiro gritava com ele, o qual ele não dava ouvidos rindo sem parar.

Sirius estava estrategicamente por cima das pernas de Remus, sem tocar o pé, enquanto rosnava e latia para os dois enfermeiros gêmeos que estavam considerando pegar uma coleira, numa imitação perfeita de um cachorro enlouquecido.

Peter corria de sala em sala do hospital procurando pílulas para dar de presente para Remus, com uma enfermeira logo atrás, segurando uma seringa para dopá-lo.

Tudo isso com a maca em movimento para Remus poder fazer a cirurgia. Ele não conseguiu não rir quando Adhara começou a gritar que a enfermeira queria matar seu bebê, mas parou de rir, quando fizeram uma curva em um corredor e a maca quase virou.

ADDIE’S HOUSE

EIGHT HOURS EARLY

Adam abriu a porta e deu de cara com o Sr. Black. Ele usava a varinha para limpar as coisas. James Potter ainda estava deitado no balcão, sem camisa e com o pescoço cheio de marcas de beijos. Peter Pettigrew estava empilhando um monte de copos de plástico em cima dele, com a ajuda de Henry.

—Sr. Black. – cumprimentou, timidamente. Póllux se virou, sobressaltado e uma pilha de garrafas caiu no chão, fazendo barulho. Mas nem com isso Potter acordou. Ele apenas xingou baixinho, arrancando gargalhadas de Pettigrew e Henry – Eu vim ajudar a limpar a bagunça. A festa saiu um pouco de controle ontem. – riu ele.

—Um pouco? – perguntou Póllux arqueando as sobrancelhas.

—Um pouquinho... – concordou Adam – Mas ao menos lavaram boa parte de louça, não foi? Snape me contou que ele e a amiga dele deram uma geral na cozinha.

—Sim. Graças a Merlim. – resmungou Póllux voltando juntar as garrafas vazias e quebradas com um aceno de varinha – Eu tinha me esquecido o quanto que adolescentes podem fazer bagunça.

—A festa foi um sucesso. – riu Adam. – Até a vizinhança trouxa deu um jeito de se meter aqui dentro. – disse Adam pegando uma sacola de lixo, para deixar onde o caminhão viria buscar.

—O pessoal com cabelo esquisito, não é? – perguntou Pettigrew.

—Eles mesmo. – respondeu Adam. O rapaz colocou os copos do lado de fora e voltou. Póllux nem se importou quando começou a subir as escadas. Entrou no quarto de Teddy e encontrou um casal abraçadinho. Reconheceu Lupin e a garota nova, Valentine. Sorriu e fechou a porta, antes de ir até o garoto e cutucá-lo na cabeça. Lupin piscou e resmungou, abraçando Valentine com mais força, mas então pareceu ficar tenso. Ele abriu os olhos de uma vez e pulou para fora da cama, chocado. – Tudo bem, cara? – perguntou Adam. Lupin coçou os olhos, parecendo culpado e Valentine acabou acordando e se sentando.

—Quantas horas? – perguntou a garota.

—Quase uma da tarde. O Sr. Black não vai gostar de ver um casal dormindo na cama do filho dele... – riu Adam.

—Não somos um casal! – disse Lupin parecendo envergonhado. Valentine não pareceu se importar e soltou um longo bocejo, se despreguiçando.

—Melhor acordar o Sirius. Ele ta no quarto dos pais da Addie e não está sozinho...

—Vocês são uns garotinhos precoces. – riu Adam, cruzando os braços.

—Nós não. Sirius é. Eu e Emily só estávamos dormindo. – defendeu-se Lupin. Emily deu uma risadinha e o olhou com as sobrancelhas arqueadas.

—Só dormindo? Você não se lembra da nossa noite de amor? – perguntou ela – Estou toda dolorida ainda. E você prometeu que iria falar com meu pai e assumir a responsabilidade pela nossa loucura. – disse ela. Lupin a olhou parecendo completamente em choque, mas Adam não acreditou muito naquilo. De fato, Valentine começou a rir. – Eu estou te zoando, Remus. A gente se beijou e você caiu no sono. Só isso, ok?

—O-ok... – murmurou Lupin, completamente constrangido.

—Bem... eu vou avisar os outros. – riu Adam.

—Cuidado ao abrir a porta do primo da Addie. Nós escutamos uns gemidos beeeeeem altos ontem à noite. – riu Valentine se levantando – Eu vou falar com a Addie... preciso das minhas roupas de volta. Meus pais devem vir me buscar a qualquer momento.

Adam concordou e saiu do quarto, sendo seguido por Valentine. Os dois seguiram para o quarto de Addie e Valentine entrou primeiro. Ele não esperou ser convidado, pois esperava ver alguma coisa divertida. Mas só encontrou Addie e Vance dormindo abraçadas no tapete. Ambas com muitas marcas de beijos nos pescoço. Crazy Eyes dormia sozinha na cama.

—Addie... seu pai voltou. – disse Valentine se abaixando – Você precisa levantar...

—Hum... – resmungou Addie, se virando no tapete. Adam imediatamente notou que a garota estava sem blusa. E sem sutiã.

—Seu pai está aqui. E Adam também. E você está só de calcinha.

Addie acordou de uma vez e fez uma careta, segurando a cabeça. Adam sorriu para ela e adorou vê-la corar.

—Oi, Adam... – murmurou Addie, sem jeito. Se sentando e cobrindo os seios fartos.

—Tenho um presente pra você. – riu Adam tirando uns frasquinhos do bolso – É essência de narciso. É excelente pra ressaca. – explicou ele.

—Vocês precisam disfarçar. Eu vou acordar seu primo, ok? – perguntou Valentine, que ainda usava a farda militar de Lupin – Acho que ele está com aquela garota que você não gosta. Marlene...

—Diga pra ela que se quando eu levantar, ela ainda estiver aqui, ela vai ver só. – rosnou Addie.

—Pode deixar – Valentine riu. – Mas onde estão minhas roupas?

—No closet. – Addie respondeu. – Emily.

A menina parou na porta do closet.

—Sim?

—Me da à farda do Remus. Você não precisa mais, né? – Emily concordou constrangida e tirou a farda e deu para Addie. – Vocês fizeram mais alguma coisa ontem? – Adam se sentou na ponta da cama vendo, que Vance estava de bruços no tapete com apenas uma calcinha rosa. Valentine demorou em responder.

—Não, só dormimos. – a garota respondeu. Ele viu Addie ficar de costas para ele e colocar o sutiã.

—Quer ajuda? – perguntou Adam.

—Não... eu acho que não. – riu ela o olhando com malícia. Pegou a farda de Lupin e colocou abotoando em seguida. Ela então colocou o pé descalço sobre a bunda de Vance e começou a sacudir. – Acorda, Emms. – a garota resmungou e se virou. – Você tá pelada. – Addie disse e a menina lhe mostrou o dedo do meio.

—Que saco, Addie. – ela disse manhosa.

—Meus pais já estão aqui. – Addie falou e começou a cutucar Crazy Eyes. Essa acordou mais rápido que Vance e logo estava sentada na cama, segurando o coberto em frente ao peito desnudo.

Valentine saiu do closet, usando roupas clássicas de uma bruxa.

— Vou acordar seu primo. – a garota disse saindo pela porta.

—Sabe? Não estou nada incomodado pelo fato de vocês estarem só de calcinha, mas acho melhor vestirem alguma roupa. – riu Adam olhando para a bunda torneada de Vance. Emmeline deu uma risadinha. Ela se levantou e sem pudor algum andou até o closet. Ela voltou vestindo uma blusa preta de manga longa que batia no meio das suas cochas.

—É de quem, Addie?

—Sirius. – Emmeline sorriu e cheirou a blusa. Depois atirou para Mary um vestindo florido de Addie.

—Adam, o que acha de eu namorar o Jacques? Seria bom para minha popularidade? – Adam riu.

—Bem, ele é rico e contrabandeia bebida para escola, então sim, acho que seria bom para sua popularidade. – ele respondeu.

—Porque, Emms? – Mary franziu a testa, ela estava prendendo os cabelos encaracolados em um rabo de cavalo baixo.

—Porque ele quer voltar comigo e eu vou adorar esfregar na cara do Sirius como eu fico bem sem ele. – ela deu um sorriso malicioso.

Emily bateu na porta do quarto dos pais da Addie, dez vezes até alguém abrir.

—O que é? – ela olhou Marlene de cima a baixo. A garota usava a blusa do Sirius e o mesmo estava deitado na cama aparentemente dormindo com as calças aberta e marcas no peito. Eles transaram?

—Os pais da Addie chegaram. – Marlene revirou os olhos e voltou para cama se sentando no colo de Sirius. O rosto de Emily pegou fogo e ela continuou parada na porta. Se seus pais sequer sonhassem que os seus colegas de Hogwarts eram tão desapegados das boas maneiras bruxas como ela estava notando, iriam colocá-la novamente em Beauxbatons. Um segredo que vou manter a sete chaves. Hogwarts parece um paraíso.

Marlene começou a distribuir beijos no rosto dele, até que ele acordou rindo e mesmo sonolento a virou na cama a beijando. Emily não sabia se podia ficar ainda mais constrangida, quando Marlene começou a dar gemidinhos.

—Ahn... Sirius? Sirius? – murmurou Emily, achando aquilo completamente embaraçoso. Sirius parou de beijar Marlene e se virou para ela com as sobrancelhas arqueadas. – Os seus tios chegaram e Addie disse que se vir aqui e encontrar Marlene, ela vai pirar.

Ele revirou os olhos e saiu da cama abotoando as calças e afivelando o cinto.

—Posso ficar com a sua blusa, Six? Ela é tão cheirosa. – Marlene pediu manhosa, de joelhos na cama.

—Claro que pode. – ele a beijou mais uma vez.

—Desculpe, mas vocês podem se apressar? – os dois a olharam irritados, mas Marlene colocou o short e calçou os sapatos. – Acho melhor você não sair pela porta da frente. Addie disse que você ia ver só. Ela está possessa por você ainda estar aqui. Ameaçou fazer um escândalo, sabe?

—Mas por onde eu saio? – os três olharam para janela e Marlene soltou um resmungo.

—Boa sorte. – riu Emily.

—Ei, Valentine. – chamou Marlene. Emily se virou e a encarou com as sobrancelhas arqueadas – Não acredite no que Crazy Eyes, Vaca Vance e Adhara Black falam de mim. Eu posso ser uma pessoa super legal. – disse ela se aproximando e olhando um broche da família que tinha em seu vestido. Marlene sorriu e a olhou nos olhos – Mas eu também posso ser um pesadelo. Tente não cativar meu lado ruim.

Emily sorriu olhando para Marlene.

—Querida. Eu cresci em Beauxbatons. – riu ela – Não aprendemos a ignorar ameaças por lá, então... – Emily segurou o pulso de Marlene – Se eu fosse você, tomaria cuidado para não cativar o MEU lado ruim, afinal... – Emily soltou o pulso dela, quando Marlene soltou o broche – Meu pai é chefe do seu e ele odiaria saber que a filhinha dele está sendo importunada pela filha de um bruxo subordinado dele. Papai se importa muito com o prestígio da família, sabe? – Emily deu um sorriso divertido para a garota, que parecia se divertir tanto quanto – Cuidado ao pular a janela.

—Elas já vão descer. Só vão escovar os dentes. – Adam disse assim que desceu as escadas. Póllux o encarou agradecido.

—Vocês podem parar de colocar copos em cima dele? – perguntou o pai de Addie a Henry e Pettigrew, que tinham conseguido colocar em cima de Potter uma quantidade absurdamente impressionante de copos.

Remus, que estava com um saco reto na mão ajudando Póllux, riu vendo que tinha copos em toda parte do corpo de James.

—Não devíamos acordar ele? – perguntou, pegando o que parecia ser uma calcinha e jogando no saco, antes que o pai da Addie visse.

—Acho que... que porra é aquela? – disse Póllux olhando pasmo para a janela. Todos olharam para janela onde viram um par de pernas e logo depois uma cabeleira loura caindo no chão.

—Era uma garota? – Henry perguntou.

—Era Marlene? – perguntou Adam com um sorriso divertido. Addie fez mesmo a garota pular a janela...

A garota se levantou e olhou com vergonha. Deu um sorrisinho fraco e logo em seguida pulou os arbustos e saiu correndo.

—Oi, pai. – Addie beijou a bochecha do pai e em seguida olhou para os lados cerrando os olhos. – Alguém viu a Marlene?

—Não. – responderam todos muito rápido. Emmeline ao lado dela bufou como se torcesse para Marlene estar ali e Addie a chutar para fora da casa.

—Não precisam ficar tristes, eu cheguei. – Sirius pareceu descendo as escadas com Emily em seu alcanço.

—Obrigada por me deixar dormir aqui, Addie, mas meu pai já chegou. – em seguida ouviram o barulho da companhia sendo tocada.

—AHHH! – James acordou agitando os braços e jogando copos vazios para todos os lados. Todo mundo caiu na gargalhada e Emily correu para a porta.

—Até a próxima, gente! – riu a novata. Adam sorriu para ela e depois mirou Addie, para lhe lançar uma piscadela.

—Deixa eu abrir pra você, querida. – disse Póllux. Emily sorriu fracamente e se virou para a porta. Um homem loiro, com olhos verdes, pose aristocrática e com impecáveis vestes bruxas estava parado ali. Adam pode ver o vizinho da frente olhar de braços cruzados e semblante completamente confuso, para o bruxo – Olá, Richard.

O Sr. Valentine primeiro sorriu, mas em seguida ele olhou para a imensa bagunça dentro da casa, os adolescentes mal vestidos, as várias sacolas de lixo e as garrafas de bebida empilhadas ali e aqui. Depois ele olhou novamente para Póllux, arqueando uma sobrancelha.

—Hum... você realmente conseguiu se esconder, não é, Póllux. Você é o único bruxo dessa rua... você e a velha Cook. – disse Richard olhando para a filha, como se quisesse descobrir se ela tinha feito algo de errado, apenas com o olhar. Emily parecia não ter expressão alguma no rosto e Adam pode se lembrar da descrição que Addie tinha dado dela, quando a tinha conhecido. Completamente entediante. Adam entendeu na mesma hora que a garota não podia ser ela mesma com o pai, basicamente como fora com ele, anos atrás, antes de vir morar com a avó – Eu tinha imaginado um baile... mas... mas parece que foi uma bagunça aqui. – disse ele com um leve tom de censura.

—Foi muito legal, papai. – murmurou Emily, sem encarar o pai no rosto, mas Richard não pareceu escutar.

—Foi minha filha e meu sobrinho quem organizaram a festa. – riu Póllux – E os vizinhos trouxas não resistiram à música e à festa... acabou vindo um monte de gente sem convite e tudo saiu um pouco de controle.

—Esses trouxas. – riu o Sr. Valentine colocando a mão no ombro da filha – São mesmo caricatos. Aposto que não faziam a menor ideia que estavam entrando na casa de um bruxo... – agora o senhor parecia estar se divertindo, como se tudo tivesse feito sentido – Imagino que foram os trouxas quem fizeram essa bagunça. Não são muito civilizados, esses trouxas, não é?

Adam fez uma careta e mirou Henry, que tinha cruzado os braços e encarava o Sr. Valentine com censura. O Sr. Black certamente iria responder algo a altura do momento, mas foi Sirius quem quebrou o silêncio.

—Os trouxas são tão civilizados quanto nós, ok? – perguntou o garoto indo em direção ao pai de Valentine, que mantinha o mesmo rosto sem expressão de antes.

—Calma, garoto. – riu Richard – Eu sou a favor dos trouxas, sabe? Confesso que não os conheço tão bem. Mas eu faço o meu melhor para protegê-los das pessoas realmente perigosas, sabe?

—Então por que falou desse jeito? Heim? – perguntou Sirius.

—Porque, como eu disse, eu não os conheço muito bem. – respondeu Richard – Imagino que esse é seu sobrinho. – riu ele olhando para Sirius – Agora eu entendo o motivo de Órion não falar sobre ele. – Adam respirou fundo e olhou para Adhara, que parecia furiosa. Sirius apertou o punho, furioso, sem gostar da insinuação.

—Não faço a menor questão de... – começou Sirius, mas Richard o cortou.

—Finalmente mais um Black decente além de você e Afardo, Póllux. – disse Richard – Precisamos marcar de sair. Sua presença no Ministério seria ótimo pra mim. Mostrar que um galho da família Black não está totalmente podre e que apoia Dumbledore... seria certamente uma boa publicidade, sabe?

Adam mirou o Sr. Black, que sorria tranquilamente.

—Desculpe, Richard. Mas minha resposta segue a mesma. Não vou entrar numa cruzada contra meus irmãos e primos. Eu tenho minha família para me preocupar.

—Entendo, entendo... mas eu também tenho e cá estou eu. – disse Richard – Mas respeito a sua decisão. Até a próxima, obrigado por convidar minha filha.

—Claro. – respondeu Póllux.

—Se despeça de seus amigos, Milly. – disse Richard. Emily fez uma reverência, segurando o vestido, olhando para o chão, parecendo completamente constrangida.

—Até a próxima, obrigada pelo convite.

—É claro, amiga! – riu Addie – Vamos repetir os passos de dança qualquer dia desses!

Emily sorriu para ela, de verdade e saiu com o pai, desaparecendo no jardim, fazendo com que o vizinho da frente caísse no chão de espanto.

—Ah... preciso fazer um feitiço de memória. – resmungou Póllux.

James tinha dado a ideia de irem para um parque e os pais dele adoraram a ideia. Aproveitar a tarde de sol, num piquenique tranquilo, com os amigos parecia completamente agradável...

Porém, um piquenique tranquilo era a última coisa que James tinha em mente.

—Coloca isso pra baixo, James. Agora! – mandou Remus desesperado.

—Isso vai ser um máximo! – riu Sirius. Ele e Peter ficavam se dando soquinhos e pulando no lugar como idiotas.

—Isso não é perigoso? – Adhara perguntou, colocando seu irmão estrategicamente apoiado no seu quadril.

—É claro que é! – respondeu Remus. – James abaixa isso!

James gargalhou alto e apontou o arco e flecha pra cima. Um arco e flecha de verdade.

—Fala sério, Aluado! Esse jogo é legal! – James disse eufórico.

—E como é exatamente? – Remus perguntou olhando temeroso o arco na mão de James.

—Eu vou atirar a flecha pra cima e quem ficar mais tempo no círculo ganha. – disse James vibrando.

—Isso é muito perigoso. – comentou Peter.

—Vai ser irado. – gritou Sirius.

Adhara olhou para os lados se perguntado como nenhum adulto naquele parque reparou em cinco adolescentes e um bebê segurando uma arma letal. Por um momento lamentou por não estar com Adam, Emmeline e Mary, junto com os adultos, bebendo suco de abóbora e comento bolo de chocolate.

—Vamos lá! – pediu Peter.

—Não! Porque sempre fazemos as coisas idiotas que o James fala? – Remus perguntou irritado.

—Porque são idiotamente geniais! – James respondeu como se fosse óbvio.

Adhara colocou Teddy sentado na grama, segurando sua vassoura de brinquedo.

—Jay, é melhor não fazermos isso, e se alguém se machucar? – Addie pediu manhosa. James imediatamente hesitou, reconsiderando.

—JAMES POTTER! O QUE ESTÁ FAZENDO? – o grito da Sra. Potter pegou todos de surpresa e com o susto James acabou soltando a flecha.

—Porra! – gritou Addie olhando o céu.

—Onde tá? Onde ta? – Sirius perguntou quicando no lugar.

—Eu não to vendo! – disse Peter.

—A luz do sol ofuscou! – gritou James.

Sirius gritou e saiu correndo, sendo seguido pelos amigos que correram em direções diferentes.

Peter gritou desesperado e sentiu um comichão na bunda, pois era o aluno mais sedentário da escola. A câimbra o pegou de jeito e ele coçou o lugar enquanto corria e por isso foi dando pulinhos até que caiu de joelhos no chão. Mary ao longe gritou de horror quando viu Peter com a cara esmagada no chão, ainda coçando a bunda.

Sirius ouviu o grito de Mary e continuou correndo desesperado, sabendo que Peter tinha caído e provavelmente já estava morto. Sirius sacudia as mãos a cima da cabeça e não viu quando tropeçou e um troco no chão e caiu. Seu rosto bateu com força no que parecia ser o maior coco de cachorro do mundo. Levantou o rosto se negando a abrir a boca e ouviu o a exclamação de nojo de Emmeline.

Adhara ouviu o barulho nojento de algo sendo esmagado contra um coco, mas não ligou e continuou correndo olhando o céu em todo processo. Tinha escutado as exclamações de Emmeline e Mary o que significava que seu primo e Rabicho tinham sido abatidos. Ela estava tão distraída olhando preocupada para o céu que não notou no grande galho de árvore no meio do caminho. Sentiu seus peitos serem esmagados e caiu com tudo no chão escutando os gritos de seus pais e suas amigas. Com os peitos doendo olhou para trás e arregalou os olhos quando viu seu irmãozinho, brincando com a vassoura.

—TEDDY! – ela gritou desesperada.

James que estava correndo com a língua para fora ouviu o grito de Addie, e pareceu estar em câmera lenta, quando derrapou e voltou correndo para o lugar em que estavam. Agarrou Teddy e o menino gritou animado. James reparou que Remus ainda estava na roda, e quando voltou a correr bateu a cabeça de Teddy no peito de Remus. O bebê reclamou, mas logo voltou a rir. James pisou nas costas de Sirius que agora se levantava e afundou a cara dele novamente no coco.

—Eu ganhei! – gritou Remus vendo o estado dos amigos. James agora no chão, com Teddy em seu colo. – Eu ganhei! – ele riu alto – Eu não acredito...

A flecha desceu e atravessou o pé de Remus, que usava um chinelo preto. Ele olhou a flecha pasmo e gritou de dor.

Eu andava na frente segurando meu irmãozinho com força, e os três meninos logo atrás carregavam Remus. Olhei a dor estampada no rosto de Remus.

—Meu Merlin! – disse a Sra. Potter.

—Está tudo bem, mãe. – disse James. – Remus só foi atacado por índios.

—Mas eles já foram embora! – acrescentou Sirius. Eles deitaram Remus em uma cadeira, e Peter correu e pegou um banquinho para o amigo colocar o pé com a flecha.

—Malditos ianques. – brincou Emmeline olhando com uma careta para o pé de Remus.

—Atacado por índios, James? Nós vimos você com o arco! – ela gritou dando um tapa no braço dele. Além dela e do Sr. Potter, somente meus pais, de adultos, estavam lá também.

—Adhara! Me dá seu irmão agora! – minha mãe agarrou meu irmão e andou para longe de mim.

—Tem uma flecha no meu pé! – disse Remus. Ele olhava catatônico a flecha em seu pé.

—Fica calmo! – pediu James, olhando pasmo para o pé de Remus.

—Ficar calmo? Qual parte de tem uma flecha no meu pé que você não entendeu! – Remus gritou se virando para James, mas logo gemeu de dor.

—O que vamos falar para os pais deles? Que nosso filho o atacou com uma flecha? – a mãe de James acariciou o cabelo de Remus. – Coitadinho!

—Podíamos colocar uma flecha no pé de James, também. – sugeriu Sirius, dando uma risadinha.

—O que vamos fazer? – meu pai perguntou, ignorando meu primo.

—Talvez devêssemos arrancar o resto da flecha pra fora. – Sirius sugere.

Entreolhamos-nos até James gritar.

—Eu tiro! Eu tiro! – Ele tenta chegar até Remus.

—Não eu também quero! – gritou Peter, e eu passo por Sirius tentando chegar até a flecha, mas Sirius agarrou minha cintura, me puxando pra longe.

—Eu disse primeiro! Eu disse primeiro!

—Eu quero arrancar a flecha! – grito.

—PAREM! – a mãe de James grita.

–Vamos levá-lo para o hospital trouxa! – meu pai diz. – Temos uma amiga que trabalha em um aqui perto. Vai ser melhor, porque não vamos conseguir aparatar com todas essas crianças.

O pai de James pegou Remus no colo e foi andando na frente com a minha mãe.

—Seus peitos tão bem? – olhei Adam ao meu lado, que ficou quieto o tempo inteiro, mas sabia que ele estava achando tudo realmente hilário.

—Eles tão doloridos. – resmungo, tirando uma folha do meio deles.

—Foi uma loucura! – Mary diz.

—Verdade! Quando vimos vocês caindo... – Emmeline agarra o braço de Sirius. Ele tinha limpado o rosto, mas pude perceber que ela evitava chegar muito perto.

—Acho que minha mãe tá brava comigo. – murmuro. Ela tinha me lançados olhares furtivos e matadores o tempo inteiro.

—Você quase matou seu irmão, é bem plausível que ela esteja brava. – Adam me responde, com um meio sorriso no rosto.

—Foi sem querer. Além disso, James o salvou. – James sorri galanteador para mim e me puxa, passando o braço pelo meu ombro.

—Aluado tá com muita dor. – Peter comenta, com Mary agarrada a ele.

Olhamos Remus à frente, dando gemidos de dor, seu pé com filetes de sangue.

—Acha que ele vai ficar bravo? – pergunto mordendo o lábio.

—Talvez devêssemos dar algo pra ele. Afinal ele ganhou. – Sirius responde. Cheguei perto do meu primo e o cheirei.

—Que perfume gostoso, Sirius. Você com certeza é muito cheiroso. Melhor perfume esse de coco de cachorro. – ele me olhou zangado enquanto os outros riam.

—Andem mais rápido seus pestinhas! – a mãe de James gritou. – Ah, James Poter, você está de castigo ouviu? Ouviu?

Ao chegarem ao hospital, descobriram que Willow tinha tirado um tempo, e não estava lá. Mas mesmo assim iam levar Remus, que teria que fazer uma pequena cirurgia para remover a flecha. Enquanto os enfermeiros colocavam Remus na maca, os adultos conversavam com uma amiga de Willow.

—Sabe quando ela vai voltar? – Kat perguntou.

—Desculpe Sra. Black, mas ela não me disse. – a mulher a respondeu.

—Ele vai ficar bem? Não vai ter que amputar o pé? – Sra. Potter sussurrou para que nenhumas das crianças escutassem.

—Não, o pé dele vai ficar bem.

—Sr. Black? – Adam chamou, Emmeline e Mary estavam logo atrás dele o segurando pela jaqueta chocadas.

—Sim, Adam? – Dennis se virou para olhá-los.

—Eles levaram Remus.

—Ah que bom, temos que mandar imediatamente uma carta para os pais deles. – disse o Sr. Potter.

—Eles levaram o Remus. – Dennis arregalou os olhos começando a entender. Olhou para os lados vendo que sua filha tinha sumido junto de seus amigos.

—Eles não... – Kat olhou em choque a entrada para as salas de operações.

—Eles sim. – Sra. Potter tremeu.

—Eles entraram com ele! ENFEMEIRA! ENFERMEIRA! – gritou o Sr. Potter.

—Desculpe senhor, não estou entendendo.

—Eles entraram lá. Eles entraram lá! – Dennis gritou dando pulinhos desesperados.

—Quem entrou lá?

—Nossos filhos! Meu filho! Ele é o mais perigoso! Ele é louco! – gritou Sra. Potter.

—Eles vão matar todos eles! Você tem que achá-los. – pediu Kat desesperada a enfermeira.

—Eu sei, senhora. Estou fazendo o possível.

Emmeline viu a mãe de James tomando um calmante, enquanto o pai dele estava olhando para os lados em pânico. Viu a mãe de Addie brigando com uma enfermeira e o pai dela que foi ao banheiro vomitar.

—Eles estão tão ferrados. – Mary disse.

—Você acha? — Emmeline mordeu o lábio, olhando mais uma vez a situação.

—O que aconteceu pra eles ficarem assim? – Mary perguntou. – Eles estavam parecendo meio chapados.

—Eles estavam totalmente chapados. – concordou Adam. Emmeline o olhou e achou bonitinho como ele segurava Teddy em seu colo com jeito.

—O que acha vai acontecer? – Emmeline o perguntou.

—Acho que...

A porta se abriu em um estrondo. James escorregou pra fora, com um enfermeiro o segurando pelas pernas, fazendo sua calça sair. Ele se levantou e correu de cueca pela recepção do hospital.

—Tarado! Tarado! – ele gritava apontando para o enfermeiro que o seguia.

Em seguida outro enfermeiro apareceu carregando Adhara sobre o ombro, enquanto a menina gritava sobre seu marido e sobre como eles estavam matando seu bebê. Ela batia nas costas dele fazendo um escândalo.

Quando o enfermeiro passou pela porta eles podem perceber Sirius agarrado a perna dele, mordendo a panturrilha.

—Ele tá me mordendo!

— Snuffles. – Addie gritou. – Morde ele! Morde! – Sirius então rosnou e mordeu mais uma vez, enquanto o enfermeiro sacudia a perna.

—Eles estão mais do que chapados! – Mary disse assustada quando James passou correndo de cueca na sua frente. – Onde ta meu Petelzinho, amiguinha? – Emmeline não precisou responder, porque logo depois, carregando várias pílulas e potinhos de remédios nas mãos, Peter passou correndo.

—Desculpe, mas podemos cedá-los? Eles estão completamente descontrolados. – a enfermeira na recepção perguntou.

—É claro! – rosnou a mãe de Addie.

—Não precisava nem perguntar. – os pais de James responderam.

—Ótimo. Patty, podemos cedá-los. – disse uma enfermeira parecendo satisfeita.

—Não dá. – a enfermeira gorda veio até eles. – Acertaram o Jonny naquele lugar e passaram correndo de voltar.

—Chame o Tom e o Tim! E vá! – os pais começaram a gritar para enfermeira correr e ela saiu desesperada.

—Eu odeio Woodstock. – resmungou um médico idoso, que olhava a confusão – Woodstock estragou essas últimas gerações.

—Onde é o quarto do Remmy? – Adhara perguntou enquanto subiam as escadas correndo. Pegar o elevador era perigoso demais.

—A moça falou que ele ia pro quarto no quarto andar. – respondeu Sirius, em um rosnado.

—Não posso subir tantas escadas. Não é bom se esforçar quando se está grávida. – os outros concordaram.

—Minha barriga tá doendo, mas eu não consigo parar de rir. – riu James.

—Não deveríamos ter comido aqueles cogumelos do James... – resmungou Pedro – Remus tem razão... como é que a gente sempre faz tudo de idiota que James manda?

James olhou para ele completamente ofendido.

—Rabicho, seu traidor!

—Você foi o primeiro a comer os cogumelos. – ralhou Addie – É sempre o primeiro a fazer tudo que o Jay manda!

—Eu sou um líder nato. – gabou-se James, com lágrimas nos olhos de tanto rir.

Eles logo chegaram ao andar de Remus, e foram de quarto em quarto.

—Achei! Achei! – gritou Peter, todos correram e viram Remus deitado na cama, com o pé enfaixado e tomando soro.

—Oi, pessoal. – ele disse.

—Você tá bem, Remusinho? – Addie logo se sentou na maca o abraçando.

—Eu to, mas vocês estão bem? Tão muito loucos. A enfermeira me disse que durante minha cirurgia perseguiram vocês pelo hospital inteiro.

—Não sabemos por que esses monstros estão nos perseguindo. – disse James. Remus reparou que ele estava sem calças.

—Aqui, Aluado. Pílulas para você se sentir melhor. – Peter jogou uma quantidade grande pílulas em cima do colo de Remus.

Depois Remus viu que Sirius ficava cheirando e rosnando. E que Addie estava acariciando a barriga falando o filho que eles teriam juntos.

—Vocês estão chapados? – Remus notou. – Sabia que estavam mais loucos que o normal, mas não que estavam chapados!

—Que isso, Remus. Ta doidão, cara? – James riu e bateu no ombro de Sirius.

– Olha o cara. – Sirius riu também.

—Qual vai ser o nome? Eu gosto de Stlavena ser for menina, mas Jebdaiah ser for menino. – ele olhou Addie chocado.

—Eu disse que eles estavam aqui! – dois enfermeiros gêmeos entraram e logo atrás mais duas enfermeiras.

Um deles agarrou Addie, que gritou pelo seu nome, e a jogou sobre o ombro. O outro gêmeo foi até Sirius que tinha corrido até o canto da parede rosnando e colocou uma coleira em seu pescoço, feita de faixa para ferimentos.

A enfermeira enrolou James na sua própria calça jeans e deu um nós. Só faltou Peter que olhou tudo assustado e foi pacificamente com a enfermeira.

Remus observou risonho e chocado seus amigos serem expulsos do quarto em fila, como se estivessem indo para a prisão.

—Eu tenho os melhores amigos do mundo. – disse num suspiro feliz, mas logo fez uma careta ao ver o próprio pé enfaixado.

MARY'S HOUSE

A casa de Mary era bem mais humilde que a minha. Só tinha um andar e apenas três quartos. O do pai dela, o dela e um outro que era mais um escritório do que um quarto.

E claro, era tudo trouxa.

O pai dela era um homem muito alto, careca, negro como Mary, só que num tom ainda mais chocolate que ela. Ele trabalhava como cozinheiro num restaurante e eu tinha certeza de que se algum sonserino puro sangue ouvisse isso, diria que o pai dela tinha um emprego de um elfo doméstico.

Descobrimos que Mary ficava a maior parte do dia sozinha em casa e que o pai dela só voltava pra casa a noite, mas ele estava de folga naquele final de semana. Por isso passamos boa parte da manhã com ele, o ajudando a fazer o almoço e a sobremesa.

Mary e Emmeline sabiam se virar na cozinha. Mary cozinhava quase profissionalmente e Emmeline sabia se virar, mas eu logo descobri que era um completo desastre naquilo. Fui tentar quebrar um ovo para fazer o bolo e explodi o ovo em cima da bancada. Tentei mais quatro ovos antes de Emmeline vir me ajudar e quebrar o ovo pra mim, apesar de termos que catar uns caquinhos de casca que acabaram caíndo na xícara onde deveríamos botar a gema.

Mary ficava tão bonitinha com o avental e o lenço nos cabelos que parecia uma bonequinha. Emmeline ficava antes engraçada do que fofa e eu não fazia ideia de como eu tinha ficado.

O pai de Mary, John McDonald, era muito gentil, conversador e entusiasmado com o mundo bruxo. Ele achava um absurdo que Mary não pudesse usar magia em casa e até tinha mandado uma carta para Dumbledore, pedindo que o diretor abrisse uma exceção, mas Dumbledore explicou que eram regras do Ministério e que ele não podia fazer nada.

Depois de fazer muita sujeira na cozinha, fomos tomar banho e depois comer o banquete que tínhamos feito. Meu bolo tinha ficado muito torto, com uma parte mais alta do que a outra. Emmeline ficou implicando que meu bolo era uma rampa e eu devolvi falando que os biscoitos que ela tinham feito quebrariam os dentes de um troll. Mas a torta de Mary ficou simplesmente perfeita e não sobrou nenhum pedacinho no final da sobremesa.

Passamos o resto do dia vendo televisão, na sala. Emmeline disse que nos mataria se não assistíssemos o tão amado boxe que ela queria ver a noite e todos nós concordamos que iríamos dar uma chance para aquele esporte estranho, onde dois adultos ficavam trocando socos.

Mas o pai de Mary disse que iria para o quarto dele e que poderíamos fazer nossa noite do pijama ali na sala mesmo. Ele se despediu de nós e saiu para o próprio quarto.

Eu coloquei uma blusa de Sirius e um short bem pequenininho , Emmeline o short e top e Mary uma calça moletom com uma blusinha com um panda. Ficamos fazendo guerras de travesseiros, enquanto passava um filme na televisão. Mas quando cansamos, Mary foi na cozinha e trouxe meu bolo torto para que a gente ficasse beliscando e conversando.

—Ok. Eu quero saber o que você achou do novo penteado do Rabicho. – riu Emmeline.

—Ficou tão gracinha! – disse Mary, deitada no chão, abraçando um ursinho de pelúcia – Ele tá tão lindinho, o meu Petelzinho.

—Fala sério. Ficou horrível, Borboletinha! – riu Emmeline.

—Eu até que gostei. Ficou diferente. – respondi – Ele desistiu de ficar passando aquele gel no cabelo, pra deixar todo arrepiado. Igual ao do Jay. – eu pego uma das revistas trouxas de Mary e as folheio – Ele ficou bem original, na verdade.

—Original... Dorcas Meadowes é original também? – perguntou Emmeline cruelmente.

—Não. Ela é um atentado à moda... falando em moda... a moda trouxa agora é usar piercings? – pergunto olhando uma foto de um cara com um moicano e o rosto cheio de brincos.

—Na verdade não. – respondeu Mary – Apenas um grupo de trouxas usa e é algo meio que tabu. Desafiar a sociedade e as regras impostas pela moda.

—Eu quero ter um piercing. – digo decidida – Desde que eu vi a professora de estudos trouxas.

—Parece bem maneiro. – concordou Emmeline.

—Eu tenho alguns brincos aqui. Se quiser eu faço um segundo furo na sua orelha, amiguinha. – disse Mary se levantando, com um sorriso animado.

—Ok. Traz seus brincos, borboletinha. – digo olhando para a revista, mas em seguida a jogando no chão, perdendo o interesse. Alguns minutos depois Mary voltou com um baú com uma bailarina em cima. – Vamos escolher um bem bonito! – digo animada.

—Ok. – riu Mary – Que tal esse? – perguntou ela, me mostrando um bem pequeno e delicado, com uma pedrinha de brilhante, que parecia ser falsa.

—Hum... eu quero colocar no meu umbigo. Precisa ser com uma argola... – digo. Emmeline me olha em choque, assim como Mary.

—Eu não sei se consigo furar seu umbigo, amiguinha... – murmura Mary, segurando a agulha. Emmeline, no entanto, sorri.

—Deixa comigo. Eu furo! – diz ela se sentando em cima de mim e pedindo a agulha – Vamos por esse daqui. – diz ela pegando uma argolinha pequena, prateada.

—Calma. – digo sorrindo e empurrando Emmeline – Eu tenho um aqui pro meu umbigo. – digo sorrindo e indo até a minha bolsa. Tiro de lá dois piercings, uma poção e uma pomada – Aqui!

—O que é isso? – perguntou Emmeline.

—Foi o Adam quem me deu. – digo fazendo pose – Ele já tem um piercing na orelha. Então ele me deu esses aqui quando eu falei que queria furar o umbigo.

—Huuum... já está trocando presentinhos com esse Adam? – riu Emmeline me abraçando por trás.

—Ele me ama. Como não me amar? Eu sou foda. – digo rindo. – Ele me explicou que tem que passar essa pomada no lugar, antes de furar, porque ai não dói. Depois que furar molha um algodão ou gase com o líquido, que é pra cicatrizar rápido e não infeccionar. – explico – Mundo bruxo ajudando na moda trouxa. Maravilha! – digo rindo. Emmeline puxou o saquinho com os dois piercings e mostrou para Mary.

—E por que dois brincos? – perguntou Emmeline.

—Ele falou preu escolher o que gostasse mais. Não é um fofo? – perguntei – E eu gostei desse prateado que tem um rubi. – digo me deitando e colocando a pomada no meu umbigo – Quem vai me furar?

—Eu! – diz Emmeline se sentando em cima de mim novamente, com a agulha nos dedos – Pronta?

—Sim.

—Certeza, amiguinha? – perguntou Mary.

—Sim. – digo confiante. Emmeline tentou me furar, mas logo fez uma careta.

—Preciso de uma pinça. Borboletinha, pega a minha, que tá ali na minha bolsa. – Mary correu para a bolsa e pegou a pinça de Emmeline, que sorriu parecendo empolgada – Então vamos lá. – fechei os olhos, um pouco nervosa – Está doendo? – perguntou Emmeline.

—Não. Não estou sentindo nada.

—Então conta até dez. – disse Emmeline.

—Um... dois... três... quatro... cinco... seis...

—Pronto. – diz Emms. Abro os olhos surpresa – Me dá o Piercing.

Mary obedece e eu sorrio por realmente não ter doído. Espero mais alguns segundos e depois Emmeline limpa minha barriga com um algodão. Depois ela pega o frasco e com outro algodão passa o líquido que Adam tinha me dado.

—Ah. Ficou tão lindo, amiguinha. – suspira Mary – Mas eu não teria coragem de fazer um. Eu não uso essas roupas mostrando o umbigo.

—Eu uso. – suspirou Emmeline saindo de cima de mim e olhando sonhadoramente para meu novo piercing. Eu o estava olhando completamente satisfeita – Eu queria botar um, mas não sei se tenho coragem...

—AH, se eu tive... você também tem. Mary, me ajuda. – digo sorrindo.

—O que? Não! – diz Emmeline, mas eu a empurro e sento no colo dela – Não! Addie! Não!

—Mary, põe aquele ursinho de pelúcia no rosto dela, pra ela não gritar. Não quero acordar o seu pai!

—TÁ! – ri Mary, animada. Emmeline ainda esperneia de leve, mas logo ficou quieta quando eu comecei a passar a pomada no umbigo dela. A vi morder o ursinho, no nervosismo – Vou segurar seus braços, amiguinha. Pra você não entrar em pânico.

—Eu vou estrangular as duas durante o sono! – ameaçou Emmeline, mas ela parecia antes assustada do que assustadora. Com a pinça, puxei a pele da parte de cima do umbigo dela – Eu não sei se concordo com isso, Addie... – lamentou Emmeline, mas eu não disse nada. Apenas peguei a agulha e a furei, sem cerimônia – Se minha mãe descobrir, ou meus avós... sei lá... vai doer muito? Doeu quando você furou, Addie? – ela estava com os olhos fechados, com muita força.

—Só um pouquinho. – digo rindo e pegando o piercing com uma pedrinha azul. Coloquei no furo e comecei a limpar a barriga dela. Emmeline piscou e me olhou um tanto surpresa.

—Já furou?

—Há séculos. – digo rindo junto com Mary. – Só tenho que limpar e passar a poção cicatrizadora. – explico calmamente. Emmeline se sentou quando eu saí de cima dela e sorriu animada.

—Oh... ficou simplesmente perfeito! – disse ela, contente – Obrigada por me furar, miga. – riu Emmeline.

—Não há de que. – respondo passando a poção nela – É isso que amigas fazem. Se furam em festas de pijamas.

—Claro.

—Completamente. – concordou Mary.

—Eu amo vocês, suas bobonas. – digo rindo e beijando cada uma nas testas. Logo as duas pularam em cima de mim para me beijarem no rosto também.

Rimos um pouco e logo estávamos guardando as poções e chumaços de algodões que tínhamos usado quando pintamos as unhas, um pouco antes de nos furarmos.

—Amiguinhas. Eu tenho uma confissão pra fazer. – diz Mary, sorrindo. Eu e Emmeline a olhamos curiosas – Eu... na festa da Addie... – Mary corou muito e escondeu o rosto com as mãos, girando os olhos – Eu deixei o Petelzinho colocar a mão nos meus peitos.

—Meu Merlin. – digo em choque.

—Nossa criança está crescendo, Addie. – disse Emmeline com um sorriso no rosto. Nós duas corremos para nos ajoelhar mais perto de Mary, para escutar – Detalhes, Mary. Como foi? Você tocou ele por dentro da roupa também? Ele só apertou, ele massageou? Foi por dentro da roupa?

—Você tirou a blusa? – pergunto curiosa.

—Não! Não. – riu Mary – Foi por cima da blusa, mas foi tão gostoso. O Petelzinho tremia tanto... Ele estava me beijando no pescoço e então tocou meu peito. Eu fiquei com vergonha, mas pensei: ah, é só meu Petelzinho. Eu amo ele. – riu Mary. Senti um frio na barriga ao escutar ela falar aquilo. Falar com tanta honestidade e convicção que amava o Peter... – Mas ai o Pontas chegou e ficou rindo do cabelo do Petelzinho, o chamando de Rabicho... ficamos com tanta vergonha que eu fui ficar com a Lily e ele foi beber com o Jay.

—Meu Merlin. Eu vou esganar o Potter. – ralhou Emmeline – Como ele ousa? Estragar a festinha da nossa borboletinha!

—Eu sacaneei o Rabastan na festa. – digo sorrindo. As duas me olharam curiosas e eu contei o que tinha feito com ele no banheiro.

—Não é pra menos que ele tenha ficado zangado e agido daquele jeito no “verdade ou desafio”. – disse Emmeline – Ele deveria estar se roendo de raiva, com o ego ferido.

—Acho é pouco. Quem mandou levar aquela biscate pra minha casa? – pergunto zangada. Emmeline e Mary dão uma risadinha – E o que vocês acharam da Emily?

—Ela parece ser bem legal. Ela e o Remusinho se deram bem, não acham? – perguntou Mary.

—Eu não sei se ela tem poder o suficiente pra ser uma de nós. – diz Emmeline – Vocês viram como ela ficou, quando o pai dela chegou? – perguntou Emms franzindo a testa – Pareceu que tinha entrado um dementador lá e não o pai dela...

—Foi muito esquisito mesmo. – concordo – Mas eu acho que deveríamos dar uma chance pra ela, ou ela pode virar amiga da Marlene. Marlene já abduziu Lily pro time dela.

—Lily não é do time dela. – discordou Mary – Lily não sente antipatia por ninguém. Ela é simplesmente amiga de todo mundo.

—Hum, eu não sei... – murmurou Emmeline – Acha que devemos dar uma chance pra ela?

—Eu acho que sim. Ela parece bem legal. – digo convicta.

—Então vou convidá-la pra vir aqui em casa amanhã. O que acham? – sugeriu Mary correndo para pegar um lápis e papel – Papai não vai se importar. Tenho certeza.

Mary escreveu o convite num papel e o enrolou, para depois entregar para sua coruja. Algumas horas depois, enquanto assistíamos à tal luta de boxe que Emmeline tanto gostava, a coruja voltou, parecendo cansada.

—Nossa. Já? – perguntei surpresa.

—Ela deve morar aqui perto. – disse Mary se levantando para dar uns biscoitos para a coruja e pegar a carta – Ela disse que vem sim. Parece bem feliz por ter sido convidada.

—Os pais dela devem estar querendo que ela se enturme logo, pra não ficar sem amigos na escola. – digo pensativa.

—Bem... se os Valentine continuarem falando tudo o que estão falando no jornal, eles vão precisar de todos os amigos que puderem conseguir. – diz Mary – O pai dela está fazendo duras críticas ao Ministro, ao Ministério e às famílias tradicionais da Grã Bretanha.

Nós três nos olhamos por alguns segundos e eu sorrio pegando um pedaço de bolo.

—Bem, se ela não for uma preconceituosa eu não me importo de ser amiga dela. – digo convicta. Mary concorda com um aceno de cabeça e Emmeline solta um muxoxo um pouco contrariado.

—Tudo bem. Mas se ela se engraçar pro lado do meu Six, eu vou acabar com a raça dela.

—Mas você não vai namorar o Burke? – pergunto arqueando a sobrancelha.

—Detalhes. – ri Emmeline.

—Falando em relacionamentos. – começa Mary – No verdade e desafio você insinuou que não era mais virgem, não foi?

Eu olhei completamente em choque para Emmeline, que sorriu, marota.

—Pois é. Perdi a virgindade, meninas.

—Meu senhor! Como assim você não me contou isso antes? – pergunto zangada.

—Eu acabei esquecendo. – ri Emmeline, calmamente, enrolando uma mecha de cabelo no dedo.

—Como foi e com quem? – perguntou Mary.

—Com um vizinho meu. Ele é mais velho, tem dezessete.

—Ele já é maior de idade! – digo chocada.

—Não. Ele é trouxa. Os trouxas atingem a maior idade só aos dezoito. – explica Emmeline – Foi na casa dele. Os pais estavam viajando, sabem? Ele me convidou pra tomar uma cerveja com ele e eu fui. A gente já se beijou várias vezes... só que dessa vez não ficamos só nos beijos.

—E doeu?? – pergunto curiosa.

—Nada. Essa história de que dói muito é só um tabu que a sociedade impõe para que a gente tenha medo de se descobrir e acabe se guardando pro casamento. Foi simplesmente ótimo. Ele acendeu umas velas, a gente ficou comendo morangos com calda de chocolate, então começamos a nos beijar... ele tirou a minha roupa, eu a dele, eu fiz aquilo que Narcisa nos ensinou... – ela nos olhou com um sorrisinho safado – Ele gozou na minha boca e nem se importou de voltar a me beijar e então... a gente transou. Foi super legal.

—E vocês fizeram de novo, depois? – pergunto curiosa.

—Claro. Ele quer fazer o tempo todo, agora. Mas também não é fácil assim, não é mesmo? Além do mais, logo as férias acabam, então não quero alimentar as esperanças dele. – disse Emmeline se sentando com um sorriso contente.

—Algo me diz que Jacques Burke vai adorar o namoro. – diz Mary, com um sorrisinho.

—Com certeza. – digo rindo.

—Seja bem vinda. – disse o pai da Mary. Emily estava usando um vestido que a deixava parecendo uma boneca de porcelana e ela parecia quase triste – Não se preocupe, Sr. Valentine. Vamos cuidar bem da sua filha, não é?

—Claro, claro. – murmurou o pai dela olhando ao redor um tanto preocupado – Você se importa se eu jogar alguns feitiços pela casa. Fiquei sabendo que o senhor é viúvo e que sua esposa era a bruxa da casa... sabe como é... esses tempos perigosos...

—Ah. Claro. Fique a vontade. – riu John. Eu ainda olhava para Emily, que estava de pé, muito comportada, esperando que o pai desse permissão para ela respirar, ou qualquer coisa assim.

O Sr. Valentine sacou a varinha e saiu murmurando um monte de feitiços. A casa pareceu até ficar um pouco abafada. Ele encantou todas as janelas, a lareira, as portas e o quintal. Depois olhou para Emily e a proibiu de sair de dentro de casa, porque não teria um bruxo competente para cuidar dela se ela saísse.

—Eu venho te buscar às sete horas. – disse o Sr. Valentine – Seja uma boa garota.

—Sim, senhor. – murmurou Emily. Eu e Emmeline nos olhamos achando aquilo estranho. Tinha um ar um tanto constrangedor no ar – Prometo me comportar, papai. – adicionou ela como se tivesse ensaiado.

—Ótimo. Então até mais. – disse o Sr. Valentine – Até mais tarde, Sr. McDonnald. Espero ter a oportunidade de conhecê-lo melhor. Vocês trouxas são fascinantes.

—Vocês bruxos também. – riu o pai de Mary apertando a mão do Sr. Valentine sem parecer se sentir insultado. O Sr. Valentine se retirou e quando John fechou a porta escutamos o pai de Emily aparatar do lado de fora – Muito bem. Está com fome? O almoço logo fica pronto.

—Tudo bem. – riu Emily, timidamente – Olá, meninas.

—Oi, bonequinha. Vamos trocar de roupa? – perguntei sorrindo.

—Oh, pelas cuecas manchadas de Merlim. Sim! – riu ela, parecendo verdadeiramente contente. Ela se virou para o pai de Mary – Tenho sua permissão pra me retirar, senhor?

John sorriu achando graça.

—Parece comigo mesmo quando eu servia o exército. É claro meu bem. Não precisa pedir permissão pra sair. – riu ele – Vão brincar e Mary, arrume algo bem confortável pra sua amiga. Eu lembro dos amigos da sua mãe. Vestiam os filhos como se fossem adultos, quando os meninos não tinham idade nem para brincar sem supervisão...

Emily sorriu e eu a segurei pela mão, a puxando para o quarto de Mary. Emmeline torceu o nariz, no que eu pensava ser ciúmes, e Mary veio pulando serelepe atrás de nós.

—O que quer vestir, Emily? – perguntou ela.

—Uma calça e uma blusa mesmo. – disse Emily – É verdade que em Hogwarts nós não precisamos usar o uniforme nos fins de semana? – perguntou ela.

—Não. – disse ajudando Mary a escolher algo. As roupas da nossa borboletinha eram simples e a maioria não era assim muito glamourosa.

—Ah... que pena. – resmungou ela, se sentando num pufe que tinha no chão – Vou ter que usar aqueles vestidos ridículos que meu pai me manda vestir. Tipo esse. As pessoas são descoladas em Hogwarts, não são? Elas não se vestem assim.

—Bem... os Sonserina se vestem. – riu Emmeline.

—Quem são os Sonserina? – perguntou Emily, franzindo a testa e começando a tirar o vestido.

—São os futuros comensais de morte. – respondeu Emmeline – Com exceção do meu futuro namorado.

—O Black? – perguntou Emily.

—Não. Ele é outro futuro namorado. – riu Emmeline – Estou falando do cara que vou namorar esse ano. O Jacques Burke.

Joguei uma calça e uma blusa para Emily e ela logo começou a se vestir.

—O Burke era o que estava com aquele garoto enfezado? – perguntou Emily.

—Acho que ela está falando do Rabastan. – riu Emmeline – É, o Burke estava com ele sim. Falando nisso, o que achou do Rabastan?

—Sei lá. – riu Emily dando de ombros – Eu nem prestei muita atenção neles. – disse ela vestindo a calça – Eu tava mais interessada no Remus. Ele é tão legal.

—A gente viu que você achou ele legal. – riu Emmeline.

—Sim. Ele é um fofo. – concordei sorrindo – Ele gostou de você, diga-se de passagem.

Ela estava terminando de colocar a blusa e sorriu parecendo animada.

—Mesmo? – perguntou ela – Que legal. Eu gostei dele, também. – riu Emily – E então. O que vamos fazer? – perguntou ela.

—Que tal sair pra fazer compras? – sugeri. Emmeline e Mary riram achando graça.

—Ah... meu pai disse...

—Qual é a do seu pai, heim? – perguntei de uma vez. Emily deu de ombros.

—Como assim?

—Você parece um zumbi quando está perto dele. – riu Emmeline.

—Zumbi?

—É. Tipo um Inferi. – expliquei e ela deu uma risadinha.

—Oras... eu só ajo como uma filha comportada. – explicou ela – Você é um Black. Não fica assim com seus pais?

—Querida. Você viu a festa que eu dei? Acha mesmo que eu fico com medo de me mexer quando estou perto dos meus pais? – perguntei sorrindo. Emily soltou um suspiro.

—Bem... eu tenho que seguir as regras. Ficar calada até que falem comigo, lembrar sempre das boas maneiras, pedir permissão pra fazer as coisas... sabe? Etiqueta bruxa.

—Fala sério, amor. – riu Emmeline – Se ela for andar com a gente, não vai poder ser assim. Sabe quem é assim? Dorcas Meadowes. E ela é simplesmente ridícula.

Emily franziu a testa sem parecer gostar de ouvir aquilo.

—Eu gosto de Dorcas. Nossos pais são amigos de infância e eu conheço ela desde sempre. Somos amigas desde antes de aprendermos a andar. Então, por favor, não fale assim dela pra mim.

—Ou o que? – perguntou Emmeline cruzando os braços. Emily a encarou com os olhos frios.

—Ou eu quebro a sua cara. – ela deu um sorrisinho – Vaca Vance.

Emmeline abriu a boca em choque, mas eu e Mary caímos na gargalhada.

—Ela te pegou nessa, Emms. – digo.

—Eu vou acabar com você. – ralhou Emmeline pegando uma almofada e jogando em Emily, mas a garota desviou, com um sorrisinho.

—Pega ela, Emmeline! – digo achando graça. Emmeline joga Emily na cama e se senta nos quadris dela.

—Retire o que disse. – ralhou Emmeline, semicerrando os olhos.

—Ou o que?

—Ou eu vou te dar uma lição à moda trouxa! – ameaçou Emmeline, mostrando o punho fechado.

Emily deu uma risadinha.

—Ok, eu retiro o que eu disse. – riu a garota. Emmeline saiu de cima dela, a olhando com desconfiança, mas Emily jogou um travesseiro na cara dela – VACA VANCEEEEEE!

—EU MATO VOCÊ! – rosnou Emmeline correndo atrás dela, mas ela sorria também.

—Ela está dentro? – perguntou Mary. Eu a olhei com um sorrisinho.

—Eu acho que sim. – digo assistindo ela e Emmeline duelarem com os travesseiros.

—Então... – murmura Emily enquanto pinta as unhas dos pés. – Quem são os garotos proibidos? Essa é uma boa conversa pra se ter.

—Realmente. – concorda Emmeline, que estava sentada enquanto Mary fazia várias tranças no cabelo dela.

—Eu sei que o Siiiiix é território proibido. – riu Emily – E provavelmente o Burke, afinal ele vai ser seu namorado. Certo?

—Claro. – digo rindo, deitada na cama de Mary, brincando com meu piercing, mexendo-o de um lado para o outro.

—Aquele Potter, com quem você estava se amassando aquele dia da festa? Foi um amasso esporádico ou...

—Jay é proibido também. Ele vai ser meu namorado.

—E o Cook? – perguntou Emily soprando as unhas – Ele é uma gracinha. E é puro sangue.

Todas nós nos sentamos e a olhamos com reprovação.

—E daí que ele é puro sangue? – perguntou Emmeline, cruzando os braços.

—Que minha família conhece a dele e meu pai não iria implicar comigo se ele fosse meu namorado. – Emily sorriu marota – Eu queria que ele fosse meu namorado... mas eu ainda prefiro o Remus. – adicionou ela pegando acetona para limpar o esmalte que tinha ficado fora da unha – Ele é tão lindinho e fofo. – Emily sorriu – Eu acho que poderia me apaixonar por ele, sabe? E ele beija bem também...

—Ai, ai... ela viu o garoto uma vez e já tá assim. – debochou Emmeline.

—Bem... eu pelo menos tenho chances com ele. Addie disse que ele gostou de mim. E ele não parece ser do tipo que agem como se as garotas fossem só uma diversãozinha. – Ela soltou um longo suspiro – Estou de saco cheio desses garotos. Beauxbatons está cheia deles.

—Hogwarts também, não se preocupe. – murmurei olhando o teto cheio de adesivos de estrelas.

—Ok. Qual é o seu garoto especial, Mary? – perguntou Emily.

—O Petelzinho. – respondeu Mary girando os olhos – Ele é só meu. Meu. Meu. Meu! – riu ela parecendo simplesmente feliz.

—Ok. Cada uma de nós terá um dos marotos, então. Eu fico com o Remus, Addie com James, Emmeline com Sirius e Mary com o Peter. Perfeito. – riu ela.

Emmeline soltou um sorriso e pegou um espelho para ver a cabeça cheia de tranças. Era meio engraçado, porque dava pra ver o couro cabeludo dela.

—Frank está ficando bem bonitinho também. A Grifinória está cheia de meninos bonitos. – disse ela.

—Oh. Não consigo achar Frank bonito. – riu Emily – E ele foi o primeiro garoto que eu beijei. E foi tão estranho que a gente prometeu nunca mais tentar isso de novo.

—Quantos anos vocês tinham? – perguntou Mary.

—Uns oito ou nove... – respondeu Emily guardando os esmaltes.

—Nossa... nessa idade eu achava que os garotos davam alergia. – riu Mary – E você já estava beijando na boca.

—Foi só um selinho. Inocente. Mas ainda assim, esquisito. Espero que meus pais não me casem com ele. – Ela soltou um suspiro – Somos muito amigos, é verdade, mas seria esquisito. Ele é tipo um irmão pra mim.

—Eu sei como é. Sou assim com o Sirius. E estamos prometidos. – resmunguei virando na cama – Isso é tão ridículo. Essa obrigação para nos casarmos.

—É. – concordou Emily dando de ombros.

—Mas seu pai é defensor do fim da causa puro sangue. Por que ele quer te obrigar a casar com Longbottom? – perguntou Emmeline.

—Porque meu pai é um hipócrita. Ele nunca achou que Você Sabe Quem ficaria tão forte. Ele escolheu um lado anos atrás e agora não quer mudar de posição, pois tem medo de enfraquecer politicamente. – respondeu Emily – De falarem que ele virou a casaca quando a coisa ficou feia. Então ele vai ficar no barco furado até afundar.

—O barco não está furado. – digo franzindo a testa – Aquele bando de birutas não vão ganhar essa guerra.

—Eu não tenho certeza quanto a isso. – disse Emily – O que a mídia internacional diz é que Aquele-Que-Não-Pode-Ser-Nomeado está ganhando a guerra. Eu espero que ele perca, ou meu pai vai estar em maus bocados, mas sinceramente... – ela deu de ombros – As famílias mais ricas, influentes e poderosas apoiam o Você-Sabe-Quem. E essas famílias controlam o Ministério, controlam os aurores, controlam a mídia e controlam boa parte da economia. O outro lado tem alguns bruxos de caráter e Dumbledore... E meu pai. – riu ela quase com pouco caso – Mamãe está furiosa.

—Com o que? – perguntou Mary.

—Papai está nos colocando em risco por conta de jogo político. Ela queria que ele ficasse mais ausente e então adquirisse uma posição mais neutra. No lugar disso ele me trouxe pra Inglaterra para falar que não tem medo e que as pessoas não devem ter medo de enfrentar a causa... mas bem... ele está sendo inconsequente... ou é o que minha mãe diz.

—Ele está sendo corajoso, na minha opinião. – retruco a olhando com atenção. Emily soltou um suspiro.

—É o que eu repito pra mim mesma, mas... meu pai está tendo cada vez mais que andar com seguranças, porque já sofremos várias ameaças. Mandaram uma foto minha com um risco vermelho no pescoço pra gente. Isso foi hoje de manhã. Ele não mostrou pra minha mãe, ou ela ficaria louca da vida.

—Eu entendo o seu pai e a sua mãe e os dois tem um pouco de razão nisso tudo. – murmurou Mary – A impressão que eu tenho é que o seu pai está fazendo o certo, mas pelos motivos errados.

—É... acho que sim. – disse ela, simplesmente. – Mas que seja. Vamos parar de falar sobre isso, ok?

—É. Vamos falar sobre as coisas realmente importantes! – digo me sentando. As três me olharam curiosas – Como vamos nos tornar realmente populares esse ano. Quadribol. – digo.

—Sim. Vamos tentar entrar pras líderes de torcida, não é? – perguntou Mary – Vocês vão ter que me ajudar com o máximo de dicas.

—Você vai tentar entrar pro time também, certo? – perguntou Emmeline.

—Vou. Eu vou fazer uma apresentação com vocês, depois vou pro jogo e então vocês continuam sem mim. Emms, você vai ser minha Co-Líder.

—Vão deixar vocês serem as líderes do time? – perguntou Emily – Somos apenas do quarto ano.

—Como assim, “vocês”? – pergunto ficando de pé e colocando as mãos na cintura – Você está inclusa nessa, Milly.

Emily fez uma careta.

—Eu odeio quadribol. – resmungou ela – Eu sou horrível numa vassoura e Katherine Greengrass era simplesmente diva nesse jogo. Ela vivia jogando os balaços contra mim, enquanto eu estava nas arquibancadas, fazendo meus exercícios.

—Ela era batedora? – pergunto com um sorriso cruel no rosto.

—Era. Das boas. – resmunga Emily – Ela parece ser boa em tudo. Mundo injusto.

—Hunf... pois ela vai descobrir que não vai ser a melhor em tudo. – digo cruzando os braços – Eu vou destruir aquele rostinho presunçoso dela. Ela não vai ser melhor do que eu em absolutamente nada e Rabastan vai ter que se contentar em...

—Rabastan é tipo o Six, só que seu? – perguntou Emily me olhando curiosa.

—Touché! – riu Mary finalmente terminando as tranças de Emmeline.

—Não. Rabastan é passado. – digo convencida.

—Ele é seu ex-namorado?

—Ex-rolo. – respondeu Emmeline. – Ele e Addie tiveram muitas conversas. – adicionou ela colocando a mão em punho de um lado do rosto e colocando a língua contra a bochecha do outro, simulando um boquete. Emily começou a rir e eu dei de ombros.

—Ele foi um babaca trazendo ela pra minha festa. Simples assim. Agora vai comer o pão que o diabo amassou. – digo decidida.

Notas finais
Gente... não usem drogas... Sério kkkkkk Corre, Rabs! É ciúmes ou não é ciúmes? Deixem suas opiniões nos comentários! E aí, gostaram? Apesar de ser eu (Tia Vênus) quem estou postando, quem escreveu esse capítulo foi a Aurora =3 Eu morri de rir lendo huashauhsauhs Espero que vocês tenham gostado! Continuem comentando, ok?? =D Amamos seus comentários! PROMETo que amanhã eu vou responder os comentários do capítulo passado. E os desse também! hsuahsuahsua Beijos! Até a próxima o/