When We Were Young
23 4th Year - Guilty
Notas iniciais

GUILTY
ADDIE'S HOUSE
1974
4thYEAR
Vesti a blusa, e sorri ao ver minha barriga de fora mostrando meu piercing. Coloquei a saia preta e meus all stars.
Olhei-me no espelho e sorri mais uma vez. A blusa vermelha com o brasão da Grifinória na frente ia até três dedos abaixo dos meus seios, minha barriga de fora e a saia puxada para baixo até o osso do quadril.
—Vamos, Addie! Você ainda tem que tomar o café da manhã! – minha mãe gritou. Estalei meus lábios terminando de passar o batom roxo. Desci as escadas sorrindo ao ver Adam sentado à mesa junto dos meus pais e Teddy.
—Eu to pronta. – digo. Eles se viram para mim e Teddy já ergue seus braçinhos querendo colo.
—Isso é um piercing? – minha mãe me olha chocada.
—É sim. Você gostou?
—Ta maneiro. – diz meu pai e minha mãe bate no ombro dele com um olhar cheio de censura.
—Quando você fez isso? Onde você fez isso? – ela pergunta.
Me sentei no meio de Teddy e Adam e pego uma torrada.
—Na casa da Mary. Emms furou pra mim. – dou de ombros, agora passando manteiga – Ela já tinha furado o dela e tinha uma loção cicatrizadora. Foi tranquilo.
—Addie, você não pode fazer isso sem pedir nossa permissão! – ralhou minha mãe, fechando ainda mais a cara.
—Porque? É o meu corpo!
—Até você fazer dezessete seu corpo me pertence. – ela diz. – Eu não ligo de você fazer isso, mas da próxima vez, pergunte!
—Tá. Tá bom. – digo calmamente, sorrindo animada por não ter levado uma bronca. Se tia Walburga visse teria tido um troço.
—E seu pai está certo, ficou muito maneiro. – murmura minha mãe. Sorrio para ela, contente, e ela sorri de volta.
—Eu sei disso. – olhei Adam. – Gostou da minha roupa?
—Você está muito bonita. – ele diz. Mordo lentamente a torrada.
—Obrigada.
Pelo canto do olho, posso ver meus pais trocando olhares e minha mãe rindo.
—Adi? – olho Teddy. – Ocê vai embola di novo? – o olhei com carinho, já sentindo saudades daquele bolinha fofa e o peguei no colo.
—Vou sim Teddy, mas eu volto. – beijei o rosto dele várias vezes e ele deu aquelas risadinhas gostosas de criança.
—E Adam? – pergunta Teddy olhando para meu novo Sonserina favorito. Adam bagunçou os cabelos dele sorrindo.
—Eu também tenho que ir. Mas eu volto também.
Teddy continuou no meu colo enquanto saímos de casa, Adam deu tchau para sua avó e entra no carro comigo e meus pais.
—Pai? Quando a gente vai ter um carro? – perguntei, enquanto Teddy brincava com os meus dedos. Estávamos no carro de Henry. Sempre pegávamos o carro dele emprestado e isso era um pouco constrangedor.
—Quando você voltar para o natal, já vamos ter um. – respondeu meu pai dando ignição.
—Obrigada por estarem me dando carona. – Adam diz, ao meu lado.
—Que isso, Adam. – minha mãe riu, se virando para nós do banco passageiro. – A partir de hoje, você vai vir sempre com a gente. – ela pisca para nós.
—Olha só, Adam. A sua ida pra Hogwarts acabou de ficar melhor! – digo sorrindo. Adam sorriu pra mim e piscou.
—Muito melhor.
—Senhor Cook. – disse meu pai muito seriamente – Se o senhor está pensando em namorar a minha filhinha... – Adam o olhou com um sorrisinho confiante – Saiba que tem a minha bênção. – adicionou meu pai com um sorrisinho divertido.
—Papai! Tem que se fazer de difícil.
—Ele é um garoto charmoso com uma banda. – disse meu pai dando partida no carro – Não tem como resistir.
Adam deu uma risadinha e me olhou parecendo até um pouquinho constrangido, mas ele logo se recompôs.
—Eu espero que a sua filha pense assim também, Sr. Black.
ஐ
PLATFORM ¾
Emmeline estava lá com os avós dela. Era a primeira vez que eu os via, então corri para cumprimentá-la. O avô dela tinha um jeito bem militar, mas a avó dela parecia ser tão legal quanto a avó de Adam. Logo encontrei Mary, se despedindo de John, então fomos lá cumprimentá-lo também.
Emmeline estava usando uma calça jeans colada e uma blusa tão curta quanto a minha, só que com o símbolo dos Stones. Mary estava usando um vestidinho bem curtinho, tomara que caia. Ela não era de usar essas roupas mais provocantes, mas naquele dia ela estava simplesmente linda, com os cabelos cacheados caindo soltos pelos ombros magrinhos dela.
Estávamos todas lindas. Essa é a minha opinião. Então, depois de me despedir dos meus pais e do Adam, que foi para junto dos amigos dele, mais velhos, nós três entramos no trem. Estávamos rindo de alguma piada boba de Emmeline, completamente alheias ao grupinho de aluninhos do segundo ano que abriam caminho para que a gente passasse. Um aluno do quinto ano da Corvinal assoviou para nós, mas nenhuma de nós se importou com isso.
Continuamos caminhando, procurando por um vagão vazio. Mas então vimos Sirius no corredor, conversando com Marlene. Ela estava encostada numa porta da cabine e ele a olhava com a “cara de caça”. Sirius com uma mão no bolso e a outra na cabine, na altura da orelha de Marlene e era bastante óbvio que estavam flertando e que em breve começariam a se agarrar.
Olhei para Emmeline, que estava à minha direita. Ela cruzou os braços, parecendo zangada, mas a sorte estava do nosso lado e não da de Sirius, naquele dia.
Porque Rabastan, Nott, Burke e Katherine Greengrass apareceram, saindo de uma cabine. Rabastan e Greengrass pareciam zangados com qualquer coisa, Nott parecia achar graça, assim como Burke.
Emmeline olhou para Burke e sorriu. O Sonserina sorriu de volta, se afastando dos colegas, que simplesmente se viraram e se afastaram.
—Emms. Que bom te ver de novo.
—Ótimo. – disse Emmeline o empurrando com alguma brutalidade contra a porta da cabine. – Sabe a proposta que você me fez? Eu aceito.
Burke piscou, surpreso e sorriu.
—Mesmo? – perguntou ele.
—Mesmo. – respondeu ela sorrindo.
Burke a puxou pela cintura e a acariciou no queixo.
—Legal. Você quer vir comigo ou quer que eu vá com você. Prometo ser mais civilizado que meus companheiros de casa. – riu Burke.
—Você é legal, Burke. Pode ficar com a gente. – digo simplesmente. Burke sorri pra mim e olha para Mary.
—Fico feliz que aprovem meu relacionamento com Emmeline. Eu realmente gosto da amiga de vocês. – ele a beijou na testa e Emmeline pareceu que iria rir da cara dele – Vamos, boneca?
—Vamos, amor. – riu Emmeline – Vamos procurar um vagão vazio.
—Ok. – disse Burke simplesmente.
Seguimos andando e entramos numa cabine perto de onde Sirius e Marlene agora estavam se beijando. Eles nem nos viram entrar. James e Peter estavam lá dentro, jogando snap e James ficou de pé assim que me viu.
—Addie! Minha nossa. – riu ele – Você superou todos os limites da gostosura.
—Precisa melhorar essas suas cantadas, Jay. – riu Emmeline se sentando. Burke se sentou ao lado dela e passou o braço ao redor dos ombros dela.
—O que esse cara tá fazendo aqui? – perguntou Peter desconfiado.
—Ele é o novo namorado da Emmeline, Petelzinho. – respondeu Mary se sentando ao lado dele. Peter tinha emagrecido bastante, apesar de ainda ter uma barriguinha saliente por debaixo da blusa.
—Emmeline namorando? – perguntou Peter – Eu não acredito. E com esse cara?
—Algum problema, Petelzinho? – perguntou Burke arqueando uma sobrancelha. James me olhou como se tivesse certeza de que Emmeline só queria provocar o Sirius.
—Nenhum, Muambeiro. – respondeu James se sentando. Todo mundo sabia que Burke arrumava de tudo, pra quem tivesse galeões para pagar, mas Burke não parecia estar ofendido – Senta aqui, Addie. Estou com saudades suas. – riu James.
Caminhei até ele, o olhando nos olhos e então me sentei em seu colo, sem interromper o olhar, mas logo escutei a voz de Sirius.
—Addie, James. O que pensam que... – mas então ele entrou de vez na cabine e olhou para Emmeline e Burke – O que esse babaca está fazendo aqui? – perguntou Sirius. Burke o olhou com alguma rivalidade.
—Estou com a minha namorada. Algum problema com isso, Black? – perguntou Burke, calmamente. Emmeline deu um sorriso torto e se aconchegou melhor em Burke.
—Sim. Esse é meu vagão e não são permitidos Sonserinos aqui! – rosnou Sirius.
—Seu vagão? Não vi seu nome escrito nele.
—Sirius! – ralhei escorregando para o acento e cruzando as pernas lentamente – Qual o problema. Burke é um cara legal.
—Seu gosto é questionável, Addie. Você achava o Rabastan legal.
—Claro, ele me fazia muitas coisas legais. – digo rindo e enrolando uma mecha de cabelo no dedo – E eu acho Burke legal sendo que ele nunca encostou um dedo em mim.
—Isso é... – começou Sirius.
—Vamos, Black. Eu não quero problemas. – resmungou Burke se levantando – Eu não vim aqui te provocar. Só quis passar mais tempo com a minha namorada. Eu estou fazendo onze matérias. Não tenho muito tempo pra ficar com ela na escola. Eu quero aproveitar o máximo de tempo possível com ela enquanto posso.
—E precisa ser no nosso vagão? – perguntou Sirius o olhando com desgosto.
—E qual o problema? – perguntou Emmeline – Não é como se eu estivesse ofendendo ninguém aqui. Não devo satisfação a nenhum de vocês e eu posso namorar quem eu bem entender.
James e Peter trocaram um olhar receoso.
—Emmeline. Todo mundo aqui sabe que você só está fazendo isso pra me provocar, igual da outra vez. – disse Sirius. Jacques Burke piscou um pouco surpreso.
—Você se acha tudo isso? Acha que meu mundo gira ao seu redor? – perguntou Emmeline cruzando os braços – Eu e Jack estamos de rolo há séculos, Sirius. O que aconteceu entre eu e você na casa da Addie só aconteceu porque eu tinha bebido demais. Eu cansei de correr atrás de quem não me valoriza. E o Jack me valoriza, sempre valorizou.
—É. Em galeões, não é? – perguntou Sirius.
—Não ouse insinuar isso, Black. – rosnou Jacques. Nós apenas observávamos. Se tudo continuasse daquele jeito, terminaria em sangue, como no ano anterior, quando eu e Rabastan ficamos nos agarrando no vagão bagageiro e Sirius e James nos descobriram – Eu gosto de verdade de Emmeline, muito mais do que você alguma vez já gostou de alguém. E se eu dava presentes para ela é simplesmente porque eu gosto de agradar as pessoas por quem eu tenho apreço.
—Uhum. Dava presentes caros esperando que... – começou Sirius, mas Emmeline o cortou.
—Jacques. Vamos sair daqui. Foi uma péssima ideia vir pra cá, me desculpe. – disse ela abraçando o braço dele. Jacques lançou um olhar rancoroso para Sirius, mas concordou – Vocês vêm?
–Eu vou ficar com o Petelzinho. – disse Mary, simplesmente.
—Eu vou lá rapidinho. – digo me levantando.
—Addie! De novo isso? Esquece os Sonserinos! – ralhou James.
—Eu já volto, amor. Só quero averiguar umas coisas.
Saí com Emmeline e Jacques, caminhando pelo corredor. Logo vi Remus, Emily, Dorcas e Frank conversando. Emily estava com um vestido cor de rosa, rodado, cheio de babadinhos e mais uma fita rosa no rosto. Ela parecia levemente irritada, mas provavelmente era porque Frank estava rindo dela.
Acenei para Remus, que acenou de volta, olhando desconfiado para Emms e Jack, mas logo voltei a andar ao lado do casal. Foi quando Greengrass saiu furiosa de uma cabine. Rabastan veio logo atrás dela, parecendo furioso também.
—Vai ser assim mesmo, Kat? – perguntou ele, zangado – ÓTIMO! – ele entrou e voltou a fechar a cabine, com mais força do que o necessário.
—Acho melhor deixar o Rabastan ai. Ele não vai gostar de ver um casal feliz agora. – murmurou Jacques. Emmeline sorriu marota pra ele.
—Por que não vamos, só nós dois pro vagão bagageiro? – perguntou ela baixinho. Emmeline piscou pra mim e eu suspirei cruzando os braços, me recostando na parede da cabine. Ela e Burke se afastaram e eu olhei para a porta.
Mas então dei de ombros, com um sorrisinho. Depois me virei e saí andando, pelo caminho que Greengrass tinha feito. A encontrei sozinha, de braços cruzados, sentada numa cabine. Sorri e abri a porta, entrando.
—O que está fazendo sozinha aqui? – perguntei, me fazendo de gentil.
Ela me olhou, parecendo prestes a cair no choro.
—Eu... eu briguei com o meu noivo. – respondeu ela. Fiz cara de compaixão e me sentei ao lado dela.
—Oh, coitadinha. Por que? – perguntei.
—Oh. Eu tenho certeza de que ele me traiu, mas ele não confessa! – lamentou ela.
—Como assim? – perguntei me fazendo de surpresa.
Katherine Greengrass fungou longamente.
—Sabe... sabe a sua festa?
—Claro, amor.
—Então... estávamos super bem, sabe? – ela tirou um lencinho de dentro da bolsa e secou as lágrimas que começavam a escorrer – Então ele disse que ia ao banheiro... – ela fungou de novo – Mas quando ele voltou... e ele demorou muito. – ela suspirou fundo, como se estivesse juntando coragem para falar algo horrível. Eu estava morrendo de vontade de sacudi-la para que ela falasse de uma vez – Ele... ele voltou com... com uma marca de batom da gola da camisa. – chorou ela de uma vez. Eu me segurei muito para não rir.
—Nossa. E você reconheceu o batom?
—Não. Tinha muita gente lá, sabe? E eu não conheço o Rabastan tão bem quanto eu gostaria...
Me levantei e sorri para ela, tirando meu batom roxo de dentro do bolso da minha saia, para depois jogar para ela.
—Foi esse aqui. Passar bem, amor. Espero que nos tornemos amigas em Hogwarts. – disse piscando para ela, repetindo a mesma frase que ela tinha dito pra mim no baile de debutante de Emily.
Não fiquei pra ver a reação dela, apenas saí me sentindo simplesmente ótima. Mas antes que me afastasse uns dez passos, Rabastan apareceu. Ele olhou pra mim, pra porta da cabine e suspirou.
—Eu vou querer entrar ai? – perguntou ele apontando pra porta.
—Descubra. – digo sorrindo quase radiante. Rabastan deu um sorrisinho convencido.
—Está com ciúmes, Adhara? Por isso está agindo assim? – perguntou ele.
Revirei os olhos.
—Nos seus sonhos, Lestrange. – respondi me virando e me afastando dele.
Voltei para a cabine onde James estava com Sirius, Peter e Mary. Marlene estava lá também e isso me fez querer vomitar. Me sentei ao lado de James e no segundo seguinte Remus e Emily apareceram na porta.
—Então a gente conversa mais depois. Você vai ficar com o Frank, não é? – perguntou Remus.
—É. A gente combinou de trocar nossas figurinhas dos sapos de chocolate. – respondeu ela – Mas... – ela se encostou na porta, olhando sonhadoramente para Remus... bem, talvez não parecesse tão sonhadora se ela não estivesse vestida daquele jeito ridículo. Nem Narcisa se vestia daquele jeito tão tradicionalista – Você é bem vindo pra aparecer mais tarde se quiser. Eu divido meus sapos de chocolate com você.
—Você realmente sabe como barganhar, senhorita. – brincou Remus. Emily sorriu para ele e então olhou para dentro da cabine.
—Olá, gente. – disse ela – Ai, Addie. Que batom lindo!
—É a cor favorita da Greengrass. – digo cruelmente. Emily franziu a testa sem entender, mas então deu de ombros.
—Ei, Valentine. – chamou Marlene. Emily a olhou sem mudar de expressão, parecendo levemente curiosa – Que gracinha seu vestido. Se ele voltar à moda, minha avó vai poder voltar a usar os dela pra sair.
Olhei com descaso para Marlene, mas Pedro e James riram. Até Sirius riu um pouquinho.
—Verdade, né? – perguntou Emily – Ai eu aproveitava para contar o que eu vi você fazendo com o Black na festa da Adhara. Seus pais sabem que você costuma pular janelas pra fugir da casa alheia na surdina?
Marlene corou com violência e James riu de novo.
—Poooonto para Valentine. – brincou ele.
—E seu papai sabe que você dormiu com um garoto na mesma festa? – perguntou Marlene, ainda corada.
—Eu dormi com um garoto. Pelo o que eu ouvi, dormir foi a última coisa que você fez naquele dia. – devolveu Emily, sem se afetar – Eu estava no quarto do lado, sabe?
Marlene corou novamente.
—Seu vestido é ridículo. – disse ela, muito vermelha. Emily abriu a boca para responder, mas eu a cortei.
—Ela pode trocar o vestido quando quiser. Não é o mesmo que você pode dizer dessa sua cara. – retruquei calmamente – E sinceramente. Quer falar da roupa da Valentine quando Dorcas parece que se esforça pra se vestir daquele jeito.
—Não ouse falar da Dorquinhas, Black.
—Eu falo de quem eu quiser, Lenezinha. – respondi.
—E essa é minha deixa. – riu Emily – Até a próxima, Remus. – adicionou ela piscando pra ele. Remus sorriu sem jeito e então se sentou parecendo levemente satisfeito.
—Remus, seu cachorrão. Já está cercando a novata. – riu James.
—Ela parece ser uma idiota. – resmungou Marlene.
—Eu gostei dela. – devolvi, com um sorrisinho. Marlene me olhou zangada e estava para falar qualquer coisa, mas Sirius falou primeiro.
—Ela é ok.
—Ok? OK? – perguntou Marlene – Ela é muito chata, isso sim. – ela soltou um suspiro – Ela me ameaçou aquele dia, Six. Depois da festa que você me convidou.
—Sem me avisar, diga-se de passagem. – adicionei acidamente. Sirius tossiu de leve.
—Ameaçou como? – perguntou ele.
—Ela disse que ia mandar o pai dela demitir o meu. – murmurou Marlene.
—Eu realmente duvido que Emily faria algo assim. – disse Remus, calmamente.
—Eu também. Ela é uma garota muito doce. – riu Mary – E não parece ter uma relação muito saudável com o pai dela a ponto de dar uma ordem que seja nele.
—Como assim? – perguntou James.
—Oras. Emily é uma garotinha comportada. Ela não pode nem escolher as próprias roupas. Quem é que iria usar aquilo por vontade própria? – perguntei dando uma risadinha.
—Eu achei o vestido muito bonito. – disse Remus. Todos olhamos para ele – Ela parece uma das bonecas que minha mãe colecionava quando era mais nova. Eu acho bonito.
—Ok, Aluado. Para que você tá passando vergonha. – riu James passando o braço pelos meus ombros.
—Eu vi isso, Pontas! – ralhou Sirius.
—Afe, Almofadinhas. Vai procurar sarna pra se coçar. – resmungou James.
—Almofadinhas? Pontas? – perguntou Marlene.
—Longa história. – riu James.
O tempo passou, comigo e Marlene trocando uma alfinetada ou outra. Quando a tia do lanche finalmente chegou, eu comprei um chocolate. James comprou uma gelatina e os outros compraram varinhas de alcaçuz, sapos de chocolates e feijõezinhos de todos os sabores.
Eu estava comendo meu chocolate, quando James suspirou provando a gelatina.
—Isso parece bom. Posso pegar um pouquinho? – perguntei inocentemente.
—Claro, Addie. O que é meu, é seu. – riu ele.
Coloquei meu dedo na gelatina dele e depois o lambi lentamente, até que o dedo ficasse limpo. E fiz isso olhando James, que engoliu em seco.
—Uma delícia. – digo rindo.
—Hum... q-quer mais? – perguntou James.
—Uhum. – adiciono. James colocou o próprio dedo na gelatina e então me ofereceu, com uma cara deslavada. Mas eu não me intimidei e lambi o dedo dele do mesmo jeito.
—Oh, Merlin... – sussurrou James dobrando a perna, colocando o tornozelo em cima do joelho, para esconder o que eu imaginava ser uma ereção. Eu dei uma risadinha convencida e Sirius me olhou feio, mas eu só dei de ombros pra ele.
Minutos depois Remus se levantou, penteando as sobrancelhas com os dedos.
—Eu já volto, gente. Vou filar o lanche da Emily. – riu ele sem jeito.
—Pega ela, Aluado. De jeito. – riu Sirius, que estava com o braço ao redor dos ombros de Marlene.
—Eu já disse que você ficou uma gracinha naquele uniforme, Remuzinho? – perguntou Mary, comendo feijõezinhos. Remus corou de leve e sorriu.
—Obrigado...
—É verdade... eu adooooooooro homens de uniforme. – digo sorrindo maliciosa. Remus sorriu, corando pra mim e James me beliscou de leve na costela.
—Então eu vou passar o resto do ano usando o uniforme de quadribol. – disse James.
—Não mesmo. Minie não vai deixar. – riu Sirius.
—Quer apostar que eu consigo? – perguntou James.
—Claro. – riu Sirius – Já ganhei uma aposta com a Addie. Vou ganhar mais uma.
É... ele ganhou essa aposta também. Minerva mandou James trocar de roupa no café da manhã do primeiro dia, ou iria proibi-lo de jogar.
Sirius é muito chato algumas vezes.
ஐ
HOGWARTS
—Será que eu desaprendi como aprender? – perguntou Emmeline deitando a cabeça nos braços – Sério. Parece que meu cérebro é uma esponja e que durante as férias alguém o apertou e todo o conhecimento adquirido até aqui escorreu e foi embora.
—Não se preocupe, Emms. – disse Jacques, que estava sentado com a gente na mesa da Grifinória, para o almoço – Se você quiser, posso te ajudar a estudar no que tiver mais dificuldade. Quer minhas anotações do Binns?
Emmeline piscou e levantou a cabeça.
—Amor, eu tinha esquecido que você era um nerdezinho-sabe-tudo! – riu ela. Jacques deu uma risadinha, achando graça e pegou o caderno dele.
—Adoro o modo como você vê as coisas, Emmeline. – riu ele. Sirius bufou do outro lado da mesa, parecendo enfurecido, mas Emmeline nem deu bola e eu achei isso simplesmente ótimo – Aqui. Eu já passei isso a limpo. O que tiver em tinta preta é que são detalhes que normalmente o Binns não cobra em prova. Em azul são as coisas relevantes e em vermelho o que eu julguei mais importante. Então estude com muita atenção o que tiver em ver...
—Me dá isso aqui! – digo pegando o caderno do namorado da minha melhor amiga do mundo – Meu Merlim. Olha esse caderno. É mais organizado que o do Remus!
—Não é possível! – disse James se levantando e subindo na mesa, para ir para o lado em que eu estava sentada – E olha essa letra redonda! É mais bonita que a sua, Addie! – James deu uma risadinha – Burke, você tem letra de garota.
Jacques deu uma risadinha, sem parecer se importar. Ele nunca parecia se importar com as provocações de James...
—É que meu pai me obrigou a fazer aulas de caligrafia, por conta da nossa loja. Nossa letra tem que ser impecavelmente legível para que não aconteçam mal entendidos em negociações. Sem falar que eu ajudo meu pai com os diários de venda. Eu sou acostumado a escrever. – explicou ele.
—Eu escrevo no meu diário e olhe lá. – murmurou Emmeline pegando o caderno das minhas mãos – Obrigadinha, Jack. Não sei o que seria de mim sem você.
—Disponha, Emms. – riu Jacques apertando a bochecha dela. Ele nunca dava uns amassos nela na frente das pessoas por achar “desrespeitoso”. Esse Burke simplesmente não existe. Ele deve ser algum tipo de alucinação conjunta nossa – Eu preciso ir agora. – ele se levantou. Era o primeiro sábado do nosso ano letivo e estávamos bastante agitados, pois tanto eu quanto Sirius faríamos os testes para nos tornarmos batedores – Eu prometi pra Rabastan, Theo e Rick que iria malhar com eles. E o Rabastan e o Rick estão, tipo, alucinados com essa ideia de ficarem fortes logo.
—Bem que aquele Rabastan precisa mesmo malhar um pouco. – riu James, com desdém.
—Jay, Rabastan dá dois de você, já. – riu Emmeline.
—Mas eu sou lindo e perfeito assim. – disse James – Rabastan parece um palito cabeçudo.
—Não mesmo. – digo rindo – O Rabastan é bem gostosinho se comparado com os garotos do nosso ano.
—Ele tem uma bundinha bonita. – disse Emmeline. Jacques a olhou fechando a cara e ela riu – Mas a sua é melhor, amor! Você sabe que eu aaaaaamo a sua bundinha.
Jacques corou tanto que eu achei que a cabeça dele iria explodir.
—Emmeline. Vamos dar uma volta! – pediu ele. Emmeline deu uma risadinha safada e eu tive certeza que aquilo era alguma piada interna bem abusada dos dois.
—Claro, amor. Não quero que você ache que eu não te dou atenção. – riu ela guardando o caderno dele dentro da bolsa e então se levantando. Jacques entrelaçou os dedos com os dela e parecia quase desesperado pra sair de lá – Até mais tarde. Eu vou tentar aparecer pra te ver no teste pra batedora, Addie, minha linda.
—Ok. É bom aparecer mesmo, sua piranha, ou eu vou te partir ao meio, ouviu? – perguntei sorrindo.
—Claro, amor. Claro. – riu Emmeline abraçando o braço de Jacques para sair de lá.
—Idiota. – rosnou Sirius, baixinho, estourando uma gema de ovo mole com o garfo – Ele é um babaca, metido a esperto.
—Na verdade, Jacques Burke foi um dos melhores alunos do ano passado. – disse Remus – Ele ficou atrás do Frank, se eu não me engano.
James piscou, parecendo surpreso.
—Frank ficou entre os três melhores da escola? – perguntou ele.
—Sim. Ele foi o melhor do ano nos três anos, na verdade. – disse Remus, casualmente.
—Como é que eu nunca soube disso? Em que lugar EU fiquei? – perguntou James.
—Acho que em décimo... – murmurou Remus coçando o queixo de leve – Ficou entre os dez, isso é certeza.
—Espera. – digo rindo – Você é um nerd, James? – pergunto surpresa – Não acredito.
—Por que não? – perguntou ele com um sorriso enorme.
—Porque você já é tipo uma lenda do quadribol, é o aluno com mais detenções da escola e detém o recorde de detenção mais rápida da história, ainda no trem de Hogwarts... – digo sorrindo.
—Aquele ano foi louco. A Grifinória começou o ano com menos cinquenta pontos. – riu Sirius – Temos que quebrar o nosso recorde, James. – disse ele.
—Como? Vão levar detenção antes do trem sair da plataforma? – pergunto arqueando a sobrancelha.
—Nosso novo projeto de verão. – riu James – O que acham? – perguntou ele para Remus e Peter. Peter estendeu os polegares, parecendo animado, mas Remus fez uma careta.
—Eu prometi a mim mesmo que não vou mais deixar vocês me convencerem a fazer essas coisas idiotas. – resmungou ele.
—Por que? Sua namoradinha vai puxar sua orelha? – provoquei. James, Sirius e Pedro deram risadinhas. Eu e Mary apenas olhamos para Remus, que suspirou.
—Ela não é minha namorada. – resmungou ele – Seria muito complicado ter uma namorada. Ainda mais ela, que é de uma família importante e... – ele se cortou – Somos apenas amigos. Nada mais do que isso. Não podemos ser mais do que isso.
Ele parecia muito decidido falando isso, mas no segundo seguinte Frank e Emily passaram conversando. Emily estava com os cabelos lisos, muito compridos, soltos. E como ela estava de uniforme (ela provavelmente preferia o uniforme aos vestidos dela), não estava parecendo um ser esquisito. Apenas uma garota bonitinha e simpática.
—Boa sorte no teste, Addie. – riu ela me dando um beijo na bochecha – Eu vou lá pra torcer por você, ok? – perguntou ela.
—Claro, amor. – digo sorrindo, confiante.
—Boa sorte, galera! – riu Frank – Eu também vou assistir. – disse ele estendendo os polegares, para em seguida sair com ela.
Remus soltou um longo suspiro, observando Emily se afastar.
—Tão complicado... tãaaaaaao complicado. Por que tudo na minha vida tem que ser complicado? – lamentou ele. Sirius e James deram risada, mas eu fiquei com um pouco de pena. Olhei para Mary e notei que ela parecia sentir o mesmo.
—Não dá nada, Remus. Não é como se você estivesse pensando em se casar com ela, ou em ter filhos. São só uns beijinhos. – disse Peter.
—Isso mesmo. – riu James.
—Mas eu penso no futuro. – resmungou Remus apoiando a cabeça na mesa, com um ar de derrota – Nós tivemos uma química perfeita. E eu não fiquei agindo que nem um retardado perto dela...
—Fala sério, Remus. – riu James – Emily nem é isso tudo. – adicionou ele – E você já está pensando em casar e ter fi...
—OLHA SÓ QUEM FALA! – gritou Sirius com um sorrisinho. James deu uma corada – Vive falando que a minha prima vai ser a futura Sra. Potter e que vocês vão ter sete filhos, pra poder montar a equipe Potter de quadribol.
—Sete filhos, Jay? Vai sonhando. – digo revirando os olhos – Dois no máximo.
—Esse é o momento, Addie, em que você fala que ele é um doido psicopata por já estar pensando essas coisas, quando nunca nem te beijou. – resmungou Sirius.
James virou o rosto, tentando que Sirius não visse um ar de culpa nele. Mas eu sempre fui meio cínica e consegui disfarçar perfeitamente.
—Ou, ela pode achar romântico, como James está levando essa possibilidade de namorar a Addie a sério. – disse Mary, girando os olhos.
—Eu acho que não. – resmungou Sirius – Vamos. Chega desse assunto bobo. Hora de pegar nossas vassouras e acertar a cabeça dos outros jogadores com o balaço... e ainda ser aclamado pra isso. Que maravilha.
Todos nós rimos, é claro.
ஐ
Entrei no dormitório feminino e encontrei Emmeline e Mary, apenas. As duas me olharam com expectativa.
—Adivinha quem vai ser a nova batedora do time? – eu disse sorrindo – Dica: tem os peitos mais lindos e divinos dessa escola e provavelmente vai ser a Queen Bitch a desbancar a Zamora pra mandar em tudo daqui pra frente.
—Eu sabia! – riu Emmeline pulando da cama para me abraçar. Mary fez o mesmo. Nos abraçamos, pulando juntas e a porta abriu. Era Emily.
—Parabéns de novo, Addie. – riu ela sorridente – Um absurdo não terem deixado a gente ver o teste. Queria te ver voando.
—Pois é. O Gray vai ser um capitão bem rígido. – murmurei cruzando os braços.
—Ainda bem que você apareceu, Emily. – murmurou Mary – Sua coruja chegou tem alguns minutos e ela tava louca da vida.
Emily olhou para a cama e correu até a coruja, para tirar um bilhete de dentro dela. Ela pareceu um pouco sem cor ao ler e isso fez com que eu, Emmeline e Mary trocássemos um olhar preocupado.
—Meu pai foi atacado... mas ele está bem. – murmurou ela parecendo mais aliviada – Ainda bem. Nem vai precisar ir para o Mungus.
—Que horror... quem atacou ele? – perguntou Mary.
—Não sabem. Foi um Comensal de Morte. Odeio esses caras. – resmungou ela dobrando o bilhete – São um monte de carniçais.
—Verdade. – murmuro me sentando na minha cama – Ainda bem que seu pai não se machucou...
Ela concordou com a cabeça.
—É a primeira vez que tentam matar o meu pai. Já nos ameaçaram várias vezes... mas é a primeira vez que fazem alguma coisa contra nós... de verdade... – murmurou ela. Emily soltou um suspiro e pegou a própria mochila – Bem... eu estou indo pra biblioteca. Frank vai me ajudar com transfiguração. Estou sendo um desastre nessa matéria.
—Nós vimos. – riu Emmeline – Você colou seu braço na mesa ao tentar transfigurar os objetos em um só. Foi muito hilário.
—Eu não achei. – resmungou Emily – Acho que meu braço ainda está meio madeira até agora. Foi muito escroto. Meu braço e a mesa se tornaram um só. Transfiguração é horrível.
—Eu gosto. – digo rindo.
—Claro, né. Você é metamorfomaga. Metamorfomagos tem um talento natural pra transfiguração. – disse Mary. Dei de ombros e Emily se levantou com a mochila no ombro.
—Bem. Até a próxima. Beijos, meninas. – riu ela, indo em direção à porta.
Mary e Emmeline se sentaram na minha cama, comigo, e Mary sorriu parecendo animada.
—Então. Sabe o show de talentos? – perguntou ela. Eu sorri me animando na mesma hora.
A professora de Estudo dos Trouxas tinha organizado um show de talentos para o próximo dia das bruxas. Os pais dos alunos iriam ir para assistir e parecia que seria super legal. Primeiro porque seria obrigatório inclusive para os alunos que não estavam fazendo estudo dos trouxas. A ideia era mostrar para todo mundo o quanto eles eram interessantes, para diminuir o preconceito. Então todo mundo estava pensando no que iria fazer, já que tinha que ser relacionado aos trouxas. Em segundo lugar, porque os pais iriam vir assistir às apresentações. Sirius estava louco da vida, de tanta alegria.
A ideia de ver seus pais assistindo a um monte de apresentações trouxas, inclusive de alguma coisa vinda da parte dele... enfim, ele estava super animado.
Mas eu também estava. Provavelmente seria super maneiro e tenho certoza de que meus pais iriam adorar.
—Pois então. Mary teve uma ideia excelente! – riu Emmeline – Lembra do ano passado, quando o Remus dançou a “Dobra do tempo” com você?
—Acho que sim... acho que foi a única vez na minha vida que vi Remus dançar. – respondo sorrindo.
—Então. Essa dança é de um musical trouxa. – explicou Mary – A gente podia interpretar uma cena. É meu show favorito. Eu sei todas as falas e coreografias decoradas.
—Vamos fazer nós três?
—E a Emily? – perguntei.
—Não sei. Ela deve fazer algo com o Frank. Eles não desgrudam um do outro. Acho melhor o Remus abrir o olho. – riu Emmeline.
—Que nada. – riu Mary – O Frank não beijaria a Emily e nem ela beijaria ele.
—Isso é uma aposta? – perguntou Emmeline.
Mary a olhou girando os olhos.
—O que eu ganho se eu estiver certa e for uma aposta.
—O que você quer ganhar? – perguntou Emmeline. Eu sorri achando aquilo hilário.
—Hum... – Mary girou os olhos de novo – Eu quero que... não sei, amiguinha. – riu Mary – Realmente não sei... que tal... você fazer minhas tarefas de feitiços?
—Ok. Feito. Mas se eu ganhar, você vai ter que fazer minhas tarefas de poções.
—Feito.
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Estava descendo as escadas para o café da manhã quando vi James conversando com Lily. Ela não parecia muito feliz, mas James não parecia se importar muito com isso.
—Vamos, Lily. Você sobe na minha vassoura e eu te mostro Hogwarts inteira por cima. É outra visão. Você iria adorar.
—Me esquece, Potter. – resmungou Lily – Eu quero distância de você e da sua vassoura. Apenas isso.
—Eu sei que você me deseja, Evans. Para de tentar fingir que... ADDIE! Você é um colírio para os meus olhos. – riu ele ao me ver. Arqueei uma sobrancelha o olhando com um sorriso torto.
—Você não cansa de tentar, não é, Jay?
—Tentar o que? Te conquistar? – perguntou ele se aproximando e me puxando pela cintura – Só quando a Lula Gigante criar asas e pegar o pomo de ouro no meu lugar, baby.
James me deu um beijo no rosto e eu pude sentir o perfume dele se enroscar em mim gostosamente. Senti os cabelos da minha nuca se arrepiarem e tive certeza que meus cabelos mudaram de cor, só pelo sorriso satisfeito que James me deu. Voltei a cor ao normal e o afastei, fazendo-me de difícil.
—Muito perto, Jay. Meu primo vai brigar com você, viu? – perguntei.
—É... ele vai me dar um soco. – riu James – Mas vai valer a pena, baby. – ele me lançou uma piscadela e eu acabei rindo dele.
—Só você, Jay. Emmeline, Mary. Vamos? – perguntei virando o rosto. Mary estava de papo com Peter e deu um beijo no rosto dele antes de se afastar. Emmeline estava com um espelhinho maquiando uma marca de chupão no pescoço, para que ficasse mais discreto. E Sirius olhava completamente enciumado pra ela – Não quero me atrasar pra aula.
—Ok, amor, to indo. – disse Emmeline levantando a cabeça – Jack está me mastigando. McKinnon já veio tirar sarro falando que eu pareço ter lepra.
—Ela só está com inveja porque queria que Sirius a marcasse desse jeito. – resmunguei – Vamos logo.
Saímos do salão comunal e fomos para o Salão Principal, para tomar o café da manhã.
—E então. Seu plano sabotagem já está em andamento? – perguntou Emmeline.
—Claro. Você achou que eu estava brincando? – perguntei sorrindo – Mellaria está suspensa por andar com aquele livro azarado. Jeyne também, afinal encontraram uma máscara igual ao dos comensais de morte nas coisas dela. Agradeça a seu namorado por mim. Como ele arruma essas coisas?
—Sei lá. Eu acho melhor não perguntar. – riu Emmeline. – Principalmente porque ele me arrumou um monte de salvia.
—Eu amo seu namorado, Emmeline. – digo rindo – A melhor ideia que eu já tive foi mandar você namorar ele.
—Aiaiai... me mandou coisa nenhuma. – riu ela. Eu apenas a olhei com as sobrancelhas arqueadas – Você apenas me aconselhou insistentemente.
—Uhum, ok. – digo rindo.
Quando chegamos no Salão Principal, Jacques já estava de pé, esperando por nós.
—Olá, meninas. – riu ele, entrelaçando os dedos com os de Emmeline.
—Oooooi, Jack. – digo rindo. Mary sorri pra ele girando os olhos e Emmeline o beija estalado nos lábios.
—O que conta de novo, amor? – perguntou Emmeline.
—Que vou precisar de uma massagem. Esses exercícios do Rabastan estão me matando. – resmungou Jacques fazendo careta, enquanto andávamos para a mesa da Grifinória.
—Já decidiu o que vai fazer no show de talentos? – perguntei.
—Nada. Essa foi a ideia mais estúpida que Dumbledore já teve. – resmungou ele.
—Eu adorei a ideia. Emmeline também, não foi?
—Claro que eu adorei. Vou fazer a dança do acasalamento trouxa, que eles fazem dançando com os seios aparecendo. – riu Emmeline.
Jacques revirou os olhos.
—Eu sei um pouco sobre cultura trouxa, Emms. Você não vai me pegar dessa vez.
—Será que tem algo que você não saiba, amor? – perguntou Emmeline o beijando na bochecha. Burke se endireitou todo, contente pelo elogio e eu o achei meio bobinho por isso.
Seguimos para a mesa da Grifinória e nos sentamos. Frank e Emily estavam conversando animados sobre qualquer coisa e Dorcas prestava muita atenção. Os três caíram na gargalhada e Marlene revirou os olhos se sentindo meio por fora. Mas logo Lily chegou e Marlene a sequestrou para conversar.
Foi quando notei que Dorcas estava se vestindo um pouco melhor. Ela parecia até ter lavado o cabelo e isso fez bastante diferença.
—Céus. Valentine está adestrando Meadowes. – digo com um sorrisinho pra Emmeline. Emmeline olhou para o grupo delas e sorriu.
—Alguém tinha que fazer isso, não é? – perguntou ela. Rimos baixinho, sob os olhares curiosos de Mary e Jacques.
—Frank está passando mais tempo com a gente agora, não é? – perguntou Mary. – Ele costumava passar mais tempo com os Corvinais, por conta da Alice.
—É bom tê-lo de volta. – riu Emmeline.
—Realmente. Principalmente tão risonho. – digo dando de ombros – Jacques. O que o Rabastan vai fazer na apresentação dele e quão amigo dele você é?
Jacques me olhou e coçou a sobrancelha.
—Ele é tão meu amigo quanto você é amiga da Evans. Algumas vezes conversamos, outras não. Ele é mais próximo do Theodore Nott e do Severus Snape. Eu ando mais com Mulciber e Aminco. – disse ele dando de ombros – E até onde eu sei, ele vai interpretar uma cena de alguma lenda trouxa.
—Lenda trouxa? – perguntei curiosa – Qual?
—Eu não sei muito bem. – explicou ele – Mas ele vai ser um príncipe e a Katherine vai esquecer um sapato e ele vai procurar por ela depois... E em algum momento Theo e Sev vão estar vestidos de mulher e tentar roubar o sapato, por algum motivo.
—Ah! É Cinderela! – riu Mary – Quem diria que o Rabastan iria fazer uma cena de contos de fada. – suspirou ela.
—Rabastan um príncipe encantado? Acho que não, heim? – riu Emmeline.
—Não importa. Nós precisamos sabotar de alguma maneira. – digo convicta. – Você vai nos ajudar, Jack.
Jack pegou uma uva e a mastigou, me olhando com a sobrancelha arqueada.
—Você está insinuando que quer humilhar Rabastan em público, assim como aquela namoradinha irritante dele? É isso?
—Algo contra.
—Claro que não. O que tem em mente? – perguntou Jacques com um sorrisinho cruel.
—Oh, Jack. Você é simplesmente maravilhoso. – riu Emmeline o abraçando de maneira escandalosa, fazendo o namorado corar e rir feito bobo. Achei meio desnecessário, mas no segundo seguinte Sirius e os outros marotos chegaram e eu entendi o que estava acontecendo – O que acha que podemos fazer?
—Hum... eu poderia sabotar o vestido dela. – sugeriu ele – Para ficar invisível na metade da apresentação. Ela merece algo assim. Ela é insuportável.
—Jack, você é o meu namorado da Emmeline favorito. – digo sorrindo cruelmente também.
—Disponha. Você é a melhor amiga metamorfomaga da Emmeline que eu mais gosto também. – disse ele com um sorrisinho.
—Por que não se beijam logo, seus... retardados. – bufou Sirius se sentando ao meu lado – Por que não vão pra mesa da Sonserina e me poupam de ficar vendo essas ceninhas durante o café da manhã?
—Ele acordou de mau humor. – riu Jacques pegando mais uma uva.
—Oh, Sirius. Jacques vai nos ajudar a sabotar a apresentação do Rabastan. Ele não é ótimo. – digo com um sorrisinho.
—Se ele faz isso com os amigos dele... – começou Peter colocando ovos e bacon no prato. Emmeline acenou a varinha e o prato dele voou para longe dele. Ela acenou mais algumas vezes e algumas frutas foram para outro prato que surgiu no lugar do primeiro – Emmeline! Eu já estou magro!
—Mas ainda precisa perder essa barriguinha, oras. Não quer engordar tudo de novo, quer? Já ouviu falar em efeito sanfona, querido? – perguntou ela.
—O que vocês vão fazer na apresentação de vocês? – perguntou James – Sirius não vai apresentar com a gente e não quer falar o que vocês vão fazer.
—É surpresa, oras. – riu Sirius – Inclusive, precisamos ensaiar, não acha, Emmeline? – adicionou ele olhando para Emmeline de maneira sugestiva. Emmeline corou de leve e olhou para Jacques, que finalmente pareceu incomodado com algo que Sirius fizesse – Queremos estar perfeitos, não acha?
—O que vocês vão apresentar? – perguntou Jacques passando o braço ao redor dos ombros de Emmeline.
—É surpresa, você não pode saber. – disse Sirius – Eu não contei nem pro Peter e nem pro James, então você não pode contar pro seu namorado o que estamos fazendo todas as tardes, não é?
Eu juro que tentei não rir, mas não deu. Mordi meus lábios, segurando a risada e Mary fez o mesmo do outro lado.
—Escute aqui, Black. – rosnou Jacques se levantando e apontando o dedo na cara de Sirius. É... teria sangue daquela vez... – Fique longe da minha garota.
—Sua garota? Não vi seu nome escrito nela. – riu Sirius se levantando. Jacques socou a mesa com força, fazendo os pratos pularem de leve.
—Vamos, gente. Não precisamos disso. – disse Remus, tentando apaziguar. Jacques se sentou, parecendo zangado e Emmeline o afagou nos cabelos.
—Que lindinho, você com ciúmes. – disse ela – Mas você não acha mesmo que Sirius tem qualquer chance comigo, não é? – perguntou ela. Eu dei um sorriso largo, tipo os de James.
—Ainda mais com ele se esfregando o tempo inteiro em Marlene, pra deixar Emmeline com ciúmes. – digo afagando os cabelos de Jacques também. Ele pareceu meio desconcertado com aquilo. Mary se levantou e o abraçou por trás, também.
—Tipo, ele está falhando miseravelmente, diga-se de passagem. – disse Mary – Porque Emmeline só fala de você.
—É até meio chato, algumas vezes. – digo abraçando Jacques no braço. Emmeline o abraçou no outro braço e Jacques ficou todo vermelhinho.
—Viu, amor. Não tem que ficar bravinho por conta do Sirius não. Eu só quero você agora. – ela então se curvou para falar sussurrado no ouvido dele – Só. Você. Amor.
—Emmeline. – murmurou Jacques a olhando tão vermelho quanto uma beterraba – Vamos ali um minuto?
—Claro, amor. Até cinco minutos se você quiser. – riu ela.
—Provavelmente uma meia hora se forem fazer o que eu acho que vão fazer. – digo com um sorrisinho.
Jacques olhou um tanto pasmo para Emmeline e ela o levou pela mão para fora do salão.
Sirius bufou e socou a mesa se sentando.
—Emmeline vai ver só. Fica me provocando desse jeito! Quem ela pensa que é? — perguntou ele.
—Ela não pensa. Ela tem certeza que é sua reles amiga. Não é isso que você é dela? – pergunto pegando uma maçã, para em seguida dar uma mordida.
—Guarde minhas palavras, Addie. Sua amiga vai estar gemendo meu nome no meu ouvido até o fim do dia.
—Quer apostar? – pergunto rindo.
—Quero. Estou numa maré de vitórias. É só você, ou a Mary não se meterem e eu te garanto que faço a Emmeline trair aquele mauricinho comigo.
—Apostado. – disse Mary.
—Eu não aposto não. Estamos falando de Emmeline e Sirius. – digo rindo – Mas ela está feliz com o Jack. Se conseguir fazer ela trair o garoto, seja discreto e não faz ela terminar com ele pra ficar sendo seu casinho. É muito egoísmo da sua parte.
—Só de lembrar que ela meteu uma galhada nele quando ele sorrir daquele jeitinho presunçoso pra mim já vai ser o suficiente pra me deixar satisfeito. – disse Sirius pegando uma fatia de bacon e colocando-a inteira na boca.
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Eu e Remus estávamos sentados em nossas cadeiras para a aula de Runas Antigas.
—Eu não sei o que fazer. Eu sei que ela está esperando algo de mim, mas... mas é tão complicado, Addie. – lamentou ele.
—Com toda a razão. Você não é um safado tipo James, Sirius ou Peter. Você é alguém que leva as pessoas a sério. Vocês se beijaram, dormiram juntos e estão flertando mais que eu e James e Marlene e Sirius juntos. – digo rindo – Do que tem tanto medo, Remus.
—Você sabe, Addie... – murmurou ele baixando o tom de voz – Primeiro tem o meu probleminha peludo, como James chama. – murmurou ele cabisbaixo – E a verdade é que eu não sei se realmente gosto dela pra valer... digo... eu gosto muito dela. De verdade... mas... mas não sei se ela é A pessoa certa pra mim...
—Remus. – digo segurando a mão dele – Você realmente precisa parar de pensar que vai casar com ela. Tenta só curtir. A Emily é uma garota super gente boa. Ela é simpática, bonita e gosta de você pra valer. E só você olhar pra ela que ela fica cheia de suspiros.
—Eu não sei... e se ela descobrir sobre... sobre meu problema e... e espalhar pra todo mundo... ou então me odiar... ou então... não sei...
—Remus. Você é o oposto do Sirius. – digo revirando os olhos – Sirius não dá a mínima. Já você se preocupa demais.
—São coisas para me preocupar, Addie. – Remus levantou os olhos e pigarreou – Os N.O.M.s estão chegando. É no próximo ano. Precisamos pegar pique de estudo desde agora e...
Escutei a cadeira do meu lado ser empurrada. Olhei para trás e vi que Rabastan tinha se sentado do meu lado. Ele parecia zangado, muito zangado. Zangado como no dia da minha festa.
A sala de Runas antigas tinham várias mesas com três lugares. Normalmente era Frank quem se sentava do meu lado e não Rabastan. Ele costumava ficar com Severus e Mulciber.
—O que você... – comecei o olhando zangada. Mas Rabastan me cortou.
—Você é muito babaca. – disse ele. Pisquei em choque e o olhei confusa – Uma verdadeira filha da puta. Sério. Não sei como perdi tanto tempo da minha vida pensando em você.
—Do que está falando, Lestrange? – perguntou Remus, fechando a cara.
Rabastan sorriu furioso pra mim. Eu só conseguia pensar que o filho da mãe do Burke tinha aberto a boca, mas Rabastan tirou algo do bolso e colocou em cima da mesa.
Era meu batom roxo. O que eu tinha usado na minha festa e o que eu tinha entregado pra Katherine Greengrass.
—Roxo não é a sua cor, Rabastan. Tente um vermelho, meio vinho, pra combinar com os seus cabe...
—Por que faz isso, heim? – perguntou ele zangado – O que raios eu fiz pra você? Foi um crime tão grande assim eu tentar superar você? Te esquecer?
—Rabastan, você está fazendo cena. – digo meio sem jeito com os olhares curiosos dos outros alunos que começavam a prestar atenção.
—Eu não dou a mínima se estou fazendo uma cena. – rosnou ele se levantando – Qual o seu problema? Eu realmente não entendo. Você não quer ficar comigo, mas eu não posso ficar com ninguém, enquanto você fica se envolvendo com Potter, com Cook e sabe-se lá mais com quem. Está dando uns beijos no Lupin também? Ou talvez no namorado da sua amiga, o Burke. Eu vi você se abraçando com ele hoje no café da manhã.
—Oh, cale a boca. – resmunguei levantando também – Greengrass estava chorando e querendo saber com quem você tinha traído ela e...
—Me poupe, Black. – rosnou Rabastan me olhando com algo próximo do desgosto. Ele nunca tinha me olhado daquele jeito – Só me poupe. E me deixe em paz. – disse ele pegando a mochila e colocando no ombro. Ele se virou e foi em direção à porta, mas a professora chegou e o viu tentando sair.
—Onde pensa que vai, Sr. Lestrange? – perguntou ela, severamente.
—Pra puta que me pariu. – rosnou ele saindo pela porta, sem olhar pra trás. Senti os olhares de todos os outros alunos caírem sobre mim. Mas eu estava furiosa. Como ele ousou fazer aquele escândalo naquele lugar? Ele me expôs! Quem ele pensa que é?
—RABASTAN LESTRANGE! – rosnei zangada. Remus tentou me segurar, a professora ameaçou tirar pontos da Grifinória, mas eu não me importei. Saí de dentro da sala e segui Rabastan pelo corredor – Volte aqui agora mesmo!
—Vá se danar, Black. – resmungou ele relativamente alto.
—Lestrange!
—Me deixa em paz. – rosnou ele virando no corredor, mas eu apressei o passo, o alcancei e o empurrei com toda a força contra a parede – O que você quer, heim?
Eu não fazia a menor ideia do que eu queria. Então o empurrei de novo com força e ele bateu a cabeça na parede. Ele rosnou zangado e segurou meus pulsos, me empurrando para o outro lado do corredor, contra a parede. Mas ele não fez isso gentilmente. Ele me empurrou com força e eu me dei conta do quanto ele era forte.
—Me larga.
—Não. – rosnou ele – O que você quer?
—Quero que me solte.
—Por que veio atrás de mim? – perguntou ele. Eu não respondi. Apenas o encarei, ficando zangada comigo mesma – Por que, Black?
—Você me expôs ao ridículo! Por que foi conversar comigo ali? Por que não me chamou num canto pra conversar, heim?
—Te chamar num canto? – perguntou ele rindo parecendo ainda mais zangado – Da última vez eu quis fazer isso e você tirou sarro da minha cara! – rosnou ele. Ele respirou fundo e me soltou, me olhando mais calmo, nos olhos – Você me beijou, Adhara. Você me beijou. – disse ele parecendo magoado – Você me atiçou inteiro, me deu esperanças. Eu acreditei que você queria que eu corresse atrás de você e você me humilhou, me sacaneou. Contou pra minha namorada que a gente se beijou, quando foi você quem correu atrás de mim e me encurralou. – eu desviei o olhar, sem conseguir encarar os olhos prateados dele – E pra que? Pra que? – perguntou ele, num tom mais baixo e magoado – Foi porque eu fiz aquele teatrinho, fingindo que eu não queria te beijar? Foi por isso que você me sacaneou? Sabe por que eu levei a Katherine pra sua casa?
—Pra me irritar. Me provocar.
—Não. Não foi. – retrucou ele – Era a única maneira de eu poder te ver. Meu pai não me deixou ir sozinho.
—Por que não? – perguntei cruzando os braços, tentando fazer uma barreira entre nós dois – Seu papaizinho não te deixa frequentar bairros trouxas?
—Meu papaizinho não queria ofender os seus pais. – respondeu ele friamente – Porque naquele jantar, quando você falou que a gente se beijou... falou que a gente tinha transado. Meu pai achou que seria um absurdo eu ir pra sua casa depois daquilo. Se eu fosse com a minha noiva, seu pai iria ficar mais despreocupado. Eu levei Katherine porque eu queria ir te ver.
—Conta outra, Rabastan. – disse sem conseguir encará-lo.
—Acredite no que quiser, Adhara. Não fui eu quem te sacaneei. Seu primo sempre foi super protetor com você... mas eu quem me fodi. Eu deveria ter ouvido o Theodore. Eu nunca devia ter te encontrado em Godric’s Hollow. Ele me avisou que você só iria me magoar.
—Do que está falando? – perguntei o olhando sem entender.
Rabastan bateu algumas palmas sarcásticas, que pareceram ecoar por todo o corredor.
—Eu me apaixonei você. De verdade. – disse ele – E você sabia disso. Sempre soube. Por isso terminou comigo. Por isso ficou me evitando e eu fui grato por isso. Mas então você me usou pra amaciar o seu ego quando Cook te deu um fora. – eu abri a boca em choque – É, eu fiquei sabendo. Muito obrigado, aliás. E depois ficou putinha quando me arrumaram uma noiva. Me acusou de nunca ter gostado de você, quando foi você quem nunca gostou de mim.
—Pare com esse...
—E então me convidou pra sua festinha e armou pra cima de mim do jeito que você fez. Parabéns, Adhara Black. – ele bateu palmas de novo e então abriu os braços, andando de costas – Você realmente é a maior Queen Bitch.
Ele se virou e saiu... foi a primeira vez que Rabastan me deixou sem palavras sem encostar um dedo que fosse em mim.
E foi horrível...
ஐ
Emmeline se despediu do cretino e entrou no salão comunal. Sirius bufou ao ver Jacques Burke se afastar parecendo a pessoa mais feliz da face da terra. Estava com vontade de quebrar a cara daquele mauricinho de merda. Por isso, quando ele passou (Sirius e James estavam no corredor, escondidos pela capa de invisibilidade), Sirius colocou a perna para ele tropeçar e cair.
Jacques levou um puta tombo e olhou pra trás confuso. James e Sirius seguraram a gargalhada e esperaram o Sonserino se afastar e sumir ao descer as escadas para rirem.
—Babaca. – riu Sirius.
—Não sei o que Emmeline viu nele. – concordou James – Fala sério.
—Eu vou cuidar da Emmeline. – disse Sirius – Você vai entregar o recado?
—Claro. – riu James. Sirius sorriu e foi rapidamente para a Casa da Árvore. Se deitou no sofá e esperou ansioso.
Os minutos passaram e ele se levantou e foi até a porta, esperar de pé, encostado na parede. Mais alguns minutos de espera e Emmeline finalmente entrou, parecendo preocupada. Ela olhou ao redor e Sirius fechou a porta. Ela se virou e cruzou os braços quando o viu.
—Addie não está com problemas, está? – perguntou ela.
—Que eu saiba... não. – respondeu Sirius – Mas eu estou.
—E o que eu posso fazer por você?
Sirius andou a passos lentos, com as mãos nos bolsos, olhando para Emmeline com todo o charme que conseguiu reunir. A expressão severa dela foi perdendo a força a medida que ele se aproximava. Quando ficou bastante próximo dela, ela engoliu em seco o olhando nos olhos.
—Eu estou louco pra te beijar, Emmeline. Eu não penso em outra coisa. – murmurou ele.
—Não parecia. – disse ela virando o rosto – Passou todo o tempo com a idiota da Marlene.
—Eu só queria te provocar. Você sabe que eu gosto de você. – disse ele colocando a mão em seu rosto, de maneira delicada – Você é a minha garota, Emmeline. Sempre foi. Sempre vai ser.
Emmeline sorriu parecendo derretida e ele sorriu vitorioso, mas ela balançou a cabeça e se afastou dele.
—Eu estou com o Jacques. Deveria ter pensado nisso antes, Sirius. – disse ela se abraçando. Sirius soltou um suspiro e a abraçou por trás.
—Emms... – disse manhoso.
—Não vem com esse “Emms” pra cima de mim, Sirius.
—Eu gosto tanto de você. Por que quer me fazer sofrer? – perguntou ele afastando os cabelos dela do pescoço.
—Porque você não me valoriza.
—Claro que eu valorizo, Emms... eu só penso em você. O tempo todo. Eu nem consigo dormir... eu fico lembrando dos nossos bons momentos... – Sirius a beijou no pescoço, com pequenos selinhos, achando excelente o modo como ela se arrepiava.
—Sirius... eu preciso ir. – disse ela tentando muito fracamente se desvencilhar. Mas Sirius a abraçou mais forte.
—Fica só mais um pouquinho, Emms...
—Eu estou com o Jacques, Sirius...
—Esquece aquele mané, Emms... é de mim que você gosta. Eu sei disso, você também sabe... – ele a abraçou mais uma vez, passeando as mãos pelas costelas e barriga dela – Pra que negar. Nós dois temos uma química sem igual, Emmeline. Eu tenho impressão que as coisas vão explodir ao nosso redor, quando nos beijamos. Parece que o mundo inteiro vai sumir... – ele começou a falar baixinho, no ouvido dela – Até que só existam nós dois no mundo. Só nós dois... era só o que eu queria, Emms... ser só eu e você, pra sempre...
—Eu conheço esse seu joguinho, Sirius... – sussurrou ela manhosamente. Sirius sentiu as mãos dela sobre as suas, mas ela não tentou afastá-las – Você só me enrola...
—Me dá um beijo, Emms... só um beijo, antes que eu fique maluco.
—Sirius... eu... eu estou com o... com o Jacques... Eu sou a... a namorada dele e...
—Seja minha agora, Emms... – sussurrou ele no ouvido dela, descendo a mão de leve, para dentro da saia dela. Emmeline jogou a cabeça para trás.
—Oh... não. Não posso... – mas ela não fez nada pra evitar. Ele sorriu e subiu a outra mão para dentro da blusa dela, enquanto com a primeira mão, procurava o caminho para dentro de Emmeline – Oh, não, Sirius... não... não... não...
—Emmeline... você me deixa louco falando assim... – sussurrou a masturbando, apreciando como ela estava molhada. Emmeline gemeu gostosamente e ele a puxou para si – Me deixa louco, Emmeline... céus... você me deixa completamente maluco.
Ele virou Emmeline, para que ela o olhasse nos olhos. Ela o fez e em seguida ele a beijou. Ela não resistiu. Ela nunca resistia. Satisfeito, a puxou para o colo e a levou até o sofá. A deitou ali e a beijou na barriga, descendo os beijos aos pouquinhos.
—Six? – perguntou ela, cheia de expectativas. Nunca tinha feito aquilo nela. Ele sorriu de maneira marota e tirou a calcinha dela, lentamente.
—Quero fazer você se sentir bem, Emms. – disse metendo o rosto entre as pernas dela. Emmeline meteu os dedos em seus cabelos e gemeu o gemido mais maravilhoso que ele já tinha escutado. Ele a provou com desejo, amando o modo como ela gemia e movia o quadril. A chupou de leve no clitóris e Emmeline jogou a cabeça para trás, completamente perdida em prazer.
Foi quando a porta abriu.
Sirius se levantou de uma vez, completamente chocado. Foi quando viu Addie. Ela os olhou surpresa e então saiu batendo a porta.
—Puta que...
—Oh, não. James não estava mentindo... – disse Emmeline pegando a calcinha e indo pulando e se vestindo.
—Ele tava sim. – disse Sirius se sentando no chão – Volta aqui, boneca.
—Não. Você não viu a cara dela? – perguntou Emmeline se vestindo.
—Na verdade não. Eu estava com a cara entre as suas pernas. Quando eu olhei pra Addie só vi susto. – disse amuado.
—Ela não parecia bem. Eu preciso falar com ela... e Sirius... – Emmeline o olhou já com a mão na maçaneta. Ele a olhou com um sorriso safado, que não foi correspondido – Eu gosto do Jacques. De verdade. Não conte pra ele, por favor. Isso não vai se repetir. – disse ela antes de sair da sala secreta.
Sirius deu uma risadinha e negou com a cabeça.
—É o que veremos, Emms...
ஐ
Não falei com ninguém. Apenas subi para o dormitório e me escondi na minha cama. Eu estava simplesmente furiosa. Não com Sirius e Emmeline. Eu já esperava que aquilo fosse acontecer, na verdade... eu só tinha ido lá pra ficar sozinha. Eu estava furiosa com ele. Com Rabastan.
Ele estava fazendo joguinho comigo. Tinha certeza que sim. Ele só queria me ver triste. Me fazer sentir culpa pelo que tinha feito. Mas eu não iria cair no drama dele. Não mesmo. Se ele achava que eu iria acreditar em uma palavrinha que fosse...
Ele estava absolutamente certo.
Eu sou uma pessoa terrível.
Mas eu simplesmente não queria me importar. Ele tinha sido um babaca e eu tinha devolvido à altura. Ele fez pra me irritar e eu devolvi ainda pior. Eu nunca levaria um desaforo daqueles numa boa. Trazer aquela piranha pra minha festa, sem me pedir, sem me avisar... que tipo de pessoa ele era?
Estava decidida a nunca mais falar com aquele cretino, quando Emmeline entrou no dormitório.
—Ok. O que houve? Sirius estava comendo na minha mão e então eu vi você entrar com cara de que iria desfiar alguém na unha.
—Não precisava interromper sua festinha por mim, Emms... – murmuro ainda mais zangada com Rabastan.
—Claro que eu precisava, amor. – riu Emmeline se sentando ao meu lado – Você é minha melhor amiga, lembra? Nós fizemos um juramento solene de pizza que nunca deixaríamos os garotos virem antes da nossa amizade. – Emmeline sorriu e colocou uma mecha dos meus cabelos atrás da orelha – E não podemos quebrar um juramento de pizza. Seria simplesmente errado.
—Realmente. – digo fungando de leve.
—Ok. A última vez que te vi assim foi quando você e o Rabastan terminaram aquela suruba que vocês viviam. O que houve? – perguntou Emmeline.
—Rabastan basicamente me disse que eu sou uma vadia malvada. – digo soltando um muxoxo.
—Mas nós somos. – riu Emmeline.
—Eu sei, mas... eu me senti mal, ainda assim. – digo soltando um suspiro – Eu queria magoar o Rabastan. De verdade. Mas então eu magoei e agora ele me fez...
—Fez você se sentir culpada. – disse Emmeline.
—Bem... é. – digo de uma vez.
Emmeline soltou um suspiro e me olhou muito séria. Era estranho quando ela me olhava assim, porque normalmente ela nunca era séria.
—Addie... se você se arrependeu, então você deve pedir desculpas e dizer que exagerou, que fez, seja lá o que tenha sido, de cabeça quente. Que não tava pensando e tudo o mais. Mas se você acha que ele mereceu, então que se foda. Rabastan não é nenhum santinho.
—Você se sente mal por ter traído o Jacques? – pergunto calmamente.
—Sim. O Jack é um santinho. Algumas vezes eu me visualizo indo pro inferno por estar prestes a partir o coraçãozinho apaixonado dele em milhões de pedacinhos...
—E o que você faz pra se sentir melhor? – pergunto. Emmeline deu uma risadinha divertida.
—Eu faço ele se sentir super bem, sabe? Pra compensar. – responde ela colocando a língua para fora, numa risada marota.
—Céus, Emmeline! Você não vale nada. – digo rindo e jogando o travesseiro na cara dela.
—Eu sei. Por isso que eu sou perfeita pro seu primo. – riu Emmeline me abraçando na cama. – Nós dois somos dois canalhas nojentos que se merecem.
—Completamente. – digo rindo.
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