When We Were Young
25 Angie
Notas iniciais

ANGIE
HOGWARTS
1974
4°YEAR
Eu estava no campo de quadribol, enquanto a Sonserina treinava. Adam estava lindo como sempre, mas eu acabava olhando para Rabastan, que tinha se tornado o novo batedor da Sonserina, junto com Adam. Os dois conversavam no chão, bebendo água de uma garrafinha.
Mas eu não estava lá apenas para apreciar a paisagem. No chão, espalhadas pelo campo, próximas às arquibancadas, as capitãs das líderes de torcida vinham fazer o teste para ver quem entraria no time. Eu estava com meu uniforme de capitã, assim como Emmeline, que era minha Co-líder. Mary, para que não ficasse tão óbvio o meu favoritismo, iria fazer os testes, mas eu iria simplesmente passá-la.
Mas havia muita gente ali.
Tatiane Corecha, Mikayla Blackwood, Dorcas Meadowes, Marlene McKinnon, Mellaria Vayne e Jayne Poole (essas duas me olhavam feio, pois suspeitavam, e com razão, que eu as tinha sabotado). As três Briannas também estavam lá. Brianna McGregor, Brianna Graham e Brianna Lamont. Todas do quinto ano. Mas também alunas do primeiro ano e algumas do sexto. As do sétimo estavam enfurecidas por terem que responder a uma garota do quarto, então em protesto, simplesmente não apareceram para a seleção.
Eu estava para começar, quando Emily e Frank apareceram.
—Ei! Esperem! – pediu o Frank.
—Emily. Você resolveu tentar? – perguntei surpresa. Emily me olhou como se eu tivesse dito algo absurdo.
—Oh, não. De jeito nenhum. – riu ela – Eu vim apoiar o Frank. Ele quer ser uma animadora de torcida. – riu ela com algum deboche.
—Vou ficar uma gracinha. – disse Frank em tom de brincadeira – E eu quero ser animador de torcida. Eu sou forte. Posso jogar as garotas para o alto. Sem falar que eu sei fazer algumas piruetas também.
—Acho que não tem nenhum garoto como animador de torcida. – riu Emmeline – Gosto da audácia dele.
—Ok. Você pode tentar. – digo com um sorriso empolgado no rosto – Tem certeza de que não quer nem tentar, Emily.
—Não. Eu não vou ter tempo pra treinar com vocês. Eu já estou no clube de feitiços e no clube do coral. Não vou ter condições de me dedicar a isso também.
—Mas, meu amor. Ser líder de torcida é muito melhor do que tudo isso que você falou. – riu Emmeline colocando as mãos nos quadris.
—Algumas pessoas gostam de cometer suicídio social. – riu Marlene com desdém.
—Ou acham perda de tempo ficar lutando pra ser alguém nessa pirâmide ridícula. – ralhou Frank. Eu dei uma tossidinha com a garganta e ele me olhou sem jeito – Eu vou ficar calado, Black. – prometeu ele.
—Muito bem, minhas vadias. – digo com a voz alta, olhando minhas candidatas a subordinadas – Sim, agora vocês são minhas vadias, porque vão trabalhar exaustivamente pra mim. Frank, diz que é minha vadia.
—Eu sou sua vadia! – riu Frank sem parecer ofendido.
—Viram. Esse é o espírito. – olhei para o grupinho e sorri – Vocês são trinta, mas apenas quinze podem se tornar líderes. Isso contando comigo e com a minha co-capitã. Isso significa que apenas treze vadias entre vocês poderão usar o manto sagrado.
—Gostaríamos de dizer que as primeiranistas estão desclassificadas, porque não são gostosas o suficiente. Tentem no próximo ano, bebês. – riu Emmeline com uma prancheta, riscando os três nomes das candidatas do primeiro ano.
—As vadias restantes. Vamos ver se têm preparo físico. Vamos fazer um aquecimento, correndo até metade do campo, desviando dos balaços, goles e jogadores da Sonserina, que com certeza vão tentar sacanear vocês, e então voltando pra cá. Comecem quando eu apitar. Vocês vão fazer isso umas dez vezes. E tentem ser glamourosas no processo. Tipo o Frank aqui.
—Querida. Ninguém aqui me supera ou se iguala a mim em glamour. Sinto muito. – Disse Frank estalando os dedos em zig zag na frente do rosto e fazendo um biquinho desdenhoso. Todas nós caímos na gargalhada e eu estava muito convencida de que ele se tornaria um de nós.
—Desafio lançado, vadias. Correndo! – disse para apitar em seguida.
—FAÇAM EU GOSTAR DE VOCÊS! – gritou Emmeline quando as candidatas e Frank começaram a correr.
—Ei, Addie. Eu já disse que você fica super sexy nessa roupa? – perguntou uma voz vinda do alto. Olhei pra cima e vi Adam voando logo acima de mim – E devo dizer que a visão daqui de cima é excelente.
—Olá, amor. Aprecie enquanto pode então. – digo piscando marota pra ele. Adam ri pra mim e rebate um balaço que Rabastan jogou contra ele.
—Acho que alguém está enciumado. – riu Adam olhando para Rabastan. Mas o ruivo estava longe demais pra escutar.
Adam voltou para o treino e eu para as minhas candidatas.
Quase dez minutos depois eu desclassifiquei as que não tinham conseguido terminar o teste. Eu precisava de pessoas com fôlego e energia para pular durante boa parte das partidas. Sedentários não passariam.
—Muito bem, vadias. Vocês passaram no primeiro teste. – digo rindo. Jeyne Poole me olhava furiosa, mas isso só me dava satisfação – Muito bem. Como líderes de torcida vocês precisam ser boas ginastas ou boas dançarinas e de preferência os dois. Então vou dar cinco minutos para vocês pensarem em algo para me impressionar. Vocês vão se apresentar pra mim e terão um minuto pra me convencer que merecem ser minhas vadias. Prontas?
—Marcando. – riu Emmeline apertando seu cronômetro. Ela sorriu, animada e veio andando até mim, para sussurrar no meu ouvido – Não deixe Marlene entrar para o time. – pediu ela.
—Emmeline. Se Dorcas me impressionar, até ela entra. – digo autoritária – A equipe é maior do que nossos problemas pessoais, ok?
Emmeline soltou um muxoxo, olhando para Marlene, que se alongava esticando as longas pernas alvas.
Escutei outro apito e vi que Adam tinha interrompido o treino para dar uma pausa e permitir que os jogadores tirassem uma folga. A maioria deles se dirigiu para onde Zamora selecionava as alunas da Sonserina. Vi que Katherine estava fazendo o teste e eu fiz uma careta de descontentamento quando ela correu para dar uma estrelinha e uma pirueta perfeitas.
—Eu estou torcendo pra que ela caia e quebre a coluna. – resmungou Emily de onde os espectadores assistiam à seleção.
—Somos duas. – digo sorrindo.
—Eu entendo a Addie, mas qual o seu problema com a Greengrass? – perguntou Emmeline.
—Ela nunca gostou de mim. Simples assim. Sempre me tratou mal e ficava incentivando as pessoas a implicarem comigo, porque ela é a senhorita perfeita, bonita e bem nascida.
—Você é tudo isso. – disse Frank sentado na grama.
—Oh. Vão para um quarto vocês dois! – disse Emmeline – O fogo de vocês vai incendiar o campo.
Frank e Emily fizeram uma careta se olhando e os dois negaram com a cabeça.
—De jeito nenhum. – resmungou Frank – Emily é minha irmã. Tá louca?
—Isso mesmo. Eu prefiro beijar Katherine a beijar o Frank.
Frank olhou para onde os Sonserinos estavam e sorriu.
—Eu também prefiro que você beije ela.
—Bobão. – riu Emily – Já sabe o que vai fazer?
—Vou fazer uma dança sexy. Vou arrasar. – riu Frank.
Não tinha como não rir com aqueles dois.
—Frank. Como é que eu nunca soube o tanto que você é legal? – perguntou Emmeline.
—Tipo isso. Quase me arrependo de ter armado pra você beijar a Dorcas. – adiciono rindo. Frank fez uma careta e Emily o olhou surpresa pra ele.
—Você beijou a Dorquinhas???? – perguntou ela caindo na gargalhada. Frank fez careta de novo e me olhou amuado.
—Eu te odeio, Adhara... – resmungou ele.
Eu estava rindo dele com Emmeline e Emily, quando senti alguém me abraçar por trás, a ponto de me tirar do chão. Dei um gritinho no susto, mas logo senti o perfume de Adam.
—Você tá muito gostosa nesse uniforme. – sussurrou ele no meu ouvido, para em seguida mordiscar a minha orelha. Achei que iria virar gelatina e meus cabelos ficaram num vermelho tão intenso que parecia que estavam sangrando.
Me recompus, sem tentar me livrar do abraço dele e sorri satisfeita com o elogio.
—Olá, Adam. – digo com um sorriso impossível de ser desfeito – O que acha das minhas candidatas?
—Longbottom é uma das candidatas? – perguntou ele.
—A mais promissora até o momento. – digo rindo. Frank deu uma risadinha e Adam também.
—Você parece ter boas garotas ai. – riu Adam me beijando demoradamente na bochecha e em seguida no pescoço.
—ADAM COOK! – gritou uma voz lá de cima. Levantamos o olhar e eu vi os Marotos nas arquibancadas. James quem tinha gritado. Ele segurava a vassoura e agora voava para onde nós estávamos – Tire as mãos da minha garota.
Adam levantou as mãos, como se estivesse se rendendo, mas dirigiu a James um sorriso um tanto quanto desdenhoso.
—Sua garota? Não sabia que Addie era algo pra pertencer a alguém. – disse Adam.
—Gente. Adoro esse menino. – riu Emmeline observando as candidatas que se alongavam um tanto mais distantes de nós.
James olhou enfadado para Adam e eu caminhei até meu apanhador.
—James. Está com ciúmes?
—É claro que eu estou com ciúmes! – disse ele sem delongas.
—Que gracinha. Você veio para me ver comandando? – perguntei sorrindo.
—Isso e porque Sirius e Peter queriam ver as garotas. – disse James dando de ombros – E Remus disse que você poderia gostar de saber que a gente se importa com as coisas que você faz... ou qualquer coisa assim. O Frank vai usar saias se ele passar?
—Meu amor. Se eu quiser uso até vestido. – disse Frank numa perfeita imitação de Emmeline. Tanto eu quanto James caímos na gargalhada.
Me virei de uma vez, para olhar as garotas e notei que Rabastan as estava sobrevoando, parecendo com o pensamento muito distante. Estava para olhar para o outro lado quando ele virou o rosto e me encarou. Eu o encarei de volta e por um momento me lembrei do jantar, no verão antes do terceiro ano. Aquele jantar depois do dia em que eu dei uma escapadinha para a casa dele e nos beijamos pela primeira vez. Daquele jantar onde ficamos trocando olhares divertidos, antes que Bellatrix e Rodolfo aparecessem para estragar o clima de tudo.
E então eu senti muita saudade dele. A voz de Emmeline foi chegando até mim muito baixa e distante. Parecia que ela estava do outro lado do campo e não do meu lado. Eu nem ouvi James soltar os espinhos pra cima de Adam e nem ouvi Adam ignorar o ciúmes dele com aquele jeitinho descontraído que só ele conseguia fazer.
Eu só conseguia olhar pra Rabastan, que me olhava completamente focado nos meus olhos. Mas então, depois de sabe-se lá quanto tempo, ele suspirou e virou o rosto, voltando a voar preguiçosamente pelo campo.
Respirei fundo e me virei para Emmeline. Foi quando eu notei que ela estava beijando Jacques Burke, que eu simplesmente não tinha visto chegar. Sirius estava bufando ao lado de Emily e Peter secava as Briannas com um olhar sonhador. James ainda estava olhando indignado para Adam, que ria com divertimento para ele.
Ninguém parecia ter notado.
Então eu cutuquei Emmeline, que se soltou de Jacques.
—Quanto tempo já passou? – perguntei.
Ela olhou o cronômetro e sorriu.
—Temos mais dois minutos ainda. – respondeu ela.
—Dois minutos pra te beijar, Emms. – sussurrou Jacques a olhando intensamente. Emmeline sorriu para ele o envolvendo com os braços e eu vi Corecha suspirar olhando sonhadoramente para Burke.
Sei de ombros, afinal Burke era mesmo bonitão. Ela não seria a primeira a lançar olhinhos doces pra ele e nem a última.
Esperei o tempo passar e James veio falar comigo.
—Então. Qual vai ser o próximo passo? Alguém vai ter que fazer um strip? – perguntou ele – Você vai fazer uma demonstração? – perguntou ele. Mas eu ainda estava com Rabastan na cabeça, me recordando do quanto ele parecera magoado com as coisas que eu tinha feito. Me sentia muito inclinada a fazer alguma coisa para compensar. Só não sabia o que... olhei para a equipe Sonserina, onde Katherine estava fazendo uma abertura completa no chão, encostando a cabeça no joelho, no processo. – Terra para Adhara Black?
—Agora não, James. – resmunguei nervosa com um monte de coisa. O deixei pra trás e peguei o apito o assoprando, fazendo Emmeline saltar de susto.
—Muito bem, vadias. É hora de mostrarem o que sabem fazer. Façam fila e me impressionem. Me façam gostar de vocês e provem que não são uma reles perda do meu tempo!
Eu tinha perdido o tom descontraído da minha voz e eu tinha notado aquilo, mas simplesmente dei de ombros.
Emmeline veio para o meu lado e me olhou assustada.
—Você está bem? – perguntou ela.
—Não. Mas depois eu explico, ok? – murmurei olhando para a fila de garotas. Não quis olhar nem para Adam, nem para James.
—Ok. – murmurou Emmeline.
—Muito bem. Brianna número um. – eu chamei olhando a lista de Emmeline. As três Briannas trocaram um olhar confuso.
—Qual de nós é a número um? – perguntou Graham.
—Qualquer uma. A primeira que vier apresentar. – riu Emmeline.
As três Briannas se mostraram boas ginastas e boas dançarinas. Nenhuma delas pareceu excepcional como Greengrass lá do outro lado e isso me deixou ainda mais emburrada. Corecha dançava muito bem e conseguia pular com uma abertura de perna impressionante. Mas então ela começou a dançar sensualmente olhando para Jacques e Emmeline pareceu realmente zangada.
—Ok, querida. Eu vou pensar no seu caso. – digo antes que Jacques fizesse algo que o comprometesse mais do que a olhar boquiaberto.
Mikayla já era do time no ano anterior, então ela sabia coreografias, gritos de guerra e sabia fazer a importantíssima “ShowFace”, que era aquele sorriso capaz de curar um câncer. Dorcas, para a minha alegria, foi um desastre. Frank sabia fazer a ShowFace muito bem e ele sabia dançar uns passos esquisitos, girando no chão, plantando bananeira e principalmente um passo estranho andando para trás sem tirar os pés do chão direito. Emmeline gritou de euforia quando ele fez isso e eu fiquei completamente sem entender o que estava acontecendo. Mas era um passo legal, de qualquer maneira.
Poole estava indo muito bem, mas foi fazer uma estrelinha e Sirius a sacaneou, jogando um feitiço na grama, que a fez tropeçar e cair de cara no chão. Emmeline caiu na gargalhada e eu a olhei com desdém.
—Ah, não fique triste, Poole. Sempre há o próximo ano. – disse quase docemente.
Mellaria foi bem e eu me convenci que teria que engolir a presença dela no time. As segundanistas tentaram, depois as restantes das terceranistas. Depois foi a vez de nossa Borboletinha.
Eu estava com medo, na verdade, porque a concorrência estava bem alta. Eu não queria prejudicar muito o time. Mas quando Mary começou a fazer piruetas, girando no ar, dando mortais e se mostrando absolutamente elástica, eu e Emmeline ficamos boquiabertas.
—Essa é a minha Borboletinha! – gritou Peter – É isso ai!
Mary corou muito e girou os olhos, fazendo um giro do balé, com um sorriso sublimemente feliz no rosto. Fiquei completamente satisfeita, porque o teste dela tinha sido simplesmente maravilhoso.
Depois que as garotas do quinto ano tentaram, foi a vez de Marlene. Eu estava bastante convencida a não deixá-la entrar, mas Marlene sabia dançar, era uma excelente ginasta e parecia ter um equilíbrio perfeito. Quando ela terminou a performance, me olhou com provocação, como se me desafiasse a não aceitá-la.
Eu me livrei de Dorcas Meadowes, mas Marlene teria que entrar para o meu time.Sobraram vinte e duas garotas contando com Frank.
—Vocês que estão aqui são boas dançarinas e ginastas. Mas, ser boa não é ser a melhor. E aqui só queremos as melhores. – Disse olhando para elas com autoridade.
—E todas vocês acham que são as melhores. Isso é engraçado. – debochou Emmeline.
—Bom, se não souberem fazer isso... – apontei para Emms.
Emms respirou fundo e ergueu a pernas bem alto e depois em seguida abriu um perfeito espacate no chão, com as pernas num ângulo de 180°. Ela deu um sorriso debochado. Duas garotas saíram cabisbaixas.
—E se não souberem fazer isso... – adicionei com um sorrisinho.
—Manda ver, Mary. – disse Emms e Mary deu um pulo fazendo uma abertura zero no ar.
—Porque ainda estão aqui? – digo pra o grupinho que dizia que aquilo era insanamente impossível. Três garotas saíram, parecendo irritadas.
—Crazy Eyes já entrou para equipe? – uma garota pergunta.
—Sim, ela entrou e se chamar ela assim novamente você que não vai entrar, piranha. – ergo a mão e Emmeline se cala irritada.
—E nem pensem que vão passar sem saber fazer isso. – dou dois passos para trás e pulo para frente dando uma estrelinha, depois dou dois mortais para frente e um mortal de costas. Mais quatro garotas saíram.
—Parece que todas as vadias imprestáveis foram embora. Parabéns! Vocês entraram para equipe. – diz Emmeline batendo palmas sarcásticas.
As garotas restantes comemoraram dando pulinhos, e cantando o grito de guerra da Grifinória.
Dispensei as garotas, os Marotos começaram a sair, assim como as equipes de líderes de torcida. Zamora passou por mim com um olhar gelado e perigoso, como se a minha presença a irritasse e isso me fez sorrir. Se eu era um incômodo, significava que eu estava tendo sucesso em ameaçar a posição dela.
Eu estava escrevendo o nome das alunas que passaram no teste e vi que Emmeline estava saindo junto com Jacques. Mas ela olhou para trás e deu um tchauzinho pra mim, em despedida.
Soltei um suspiro e observei o time de quadribol da Sonserina se retirar de campo. Mas Rabastan não estava entre eles. Me perguntei o motivo. Peguei minha mochila e fui caminhando até o vestiário. Escutei o som do chuveiro e a voz de Rabastan, cantarolando uma música do Soneto de Cibele. Era uma música meio triste, sobre um bruxo que tinha perdido a esposa por conta de uma doença e estava cantando para o túmulo dela, prometendo ser forte e seguir em frente.
Sorri achando a voz dele muito bonita. Espreitei e vi que ele estava mesmo tomando banho, lavando os cabelos cacheados, que ficavam mais escuros quando molhados, quase negros.
Mas então Rabastan começou a cantarolar uma música trouxa que eu tinha escutado na casa da Mary. Uma música dos Stones. Angie. Senti um aperto no peito ao escutar ele cantarolar aquilo. Era uma música trouxa, pra início de conversa. Nunca teria imaginado que algum dia ele teria sequer ouvido aquilo...
—Angie, Angie, when will those clouds all disappear. Angie, Angie, where will it lead us from here, with no loving in our souls and no money in our coats. You can't say we're satisfied. But Angie, Angie, we can't say we never tried. – cantou ele com muito sentimento. Entrei de vez no banheiro, mas ele estava enxaguando o cabelo e não me viu entrar. – Angie, you're beautiful, but ain't it time we said goodbye? Angie, I still love you, remember all those nights we cried? All the dreams we held so close seemed to all go up in smoke. Let me whisper in your ear… Addie… — ele desligou o chuveiro e sacudiu o cabelo para tirar o excesso de água. Observei Rabastan se virar para alcançar a toalha. Ele a colocou na cabeça, secando os cabelos, saindo nu do chuveiro. Mas não era como se eu nunca tivesse visto ele daquela maneira de todo caso. Rabastan foi andando até o banco, parando de cantar, apenas murmurando o ritmo, mas então tirou a toalha dos cabelos e a enrolou na cintura. Só então ele se virou e me viu. – Puta que pariu! – disse ele saltando de susto e quase escorregando no chão molhado – O que você quer aqui dessa vez, heim? – perguntou ele corado.
—Você canta bem. Não sabia que era fã dos Stones. – murmurei desviando o olhar do dele.
Rabastan cruzou os braços, se recostando na meia parede que separava os chuveiros.
—Snape colocou uma vez um vinil dos Stones... no ano passado, antes das férias, digo... – respondeu Rabastan – Eu... eu meio que gostei dessa música.
—É uma música bem bonita mesmo. – murmurei me aproximando, olhando ao redor do vestiário.
—O que quer, Black? Não vou cair nas suas brincadeiras de novo. Saia daqui. – disse ele rispidamente.
Respirei fundo e o olhei nos olhos.
—Me desculpe. Por tudo. – murmurei.
—Me desculpe? – perguntou ele com um sorriso zangado. Mas os olhos dele correram para o meu busto por um milésimo de segundo – Você acha que depois de tudo pode simplesmente vir aqui e me falar um “me desculpe”? Que tudo vai ficar bem? É isso? – perguntou ele e mais uma vez vi o olhar dele passear rapidamente por mim. Mas ele virou o rosto para não me encarar, como se não pudesse controlar os próprios olhos se olhasse na minha direção.
—Não é o que eu acho. – murmurei. – Mas é o que eu posso fazer, não é? – perguntei me aproximando mais dele. – Eu não sei o que acontece comigo. Deve ser alguma herança malvada da minha família. A maioria de nós é simplesmente cruel... infelizmente eu fui cruel com você... – eu soltei um suspiro e Rabastan me olhou desconfiado – Eu faria diferente se pudesse voltar atrás... eu... eu teria ido discutir com você, naquele banheiro e exigido alguma explicação... e então ouvido você. Nunca deveria ter te sacaneado com a sua namorada e você tem todo o direito de ficar com quem você quiser. Não é da minha conta. Nunca foi.
Rabastan me olhou ainda desconfiado enquanto eu me sentia completamente indefesa ali. Eu nunca tinha feito um pedido de desculpas daquele. Sem saber se a pessoa iria realmente me desculpar. Falando que eu era realmente culpada. Era Rabastan quem estava de toalhas, mas eu me sentia completamente nua na frente dele, desesperada para ouvir um: “tudo bem, Addie”.
—Você está armando alguma coisa pra mim? – perguntou ele estreitando os olhos – Vai me provocar e então Kat vai entrar, porque você mandou ela vir, ou fez alguém fazer ela vir? Eu não sei mais o que passa nessa sua cabeça.
—Não há plano algum, Rabs. – murmurei.
Rabastan respirou fundo e eu me aproximei mais um passo, ficando ainda mais próxima dele.
—Como eu posso saber? – perguntou ele.
—Olhe nos meus olhos e veja o quanto eu estou sendo sincera. Você sempre soube o que eu estava pensando. Sempre tivemos essa sinergia. Eu não acho que ela simplesmente tenha acabado. – Rabastan olhou para o teto, de braços cruzados – Vamos, Rabs. Por favor. – pedi quase desesperada, colocando minhas mãos no pulso dele.
—Não dá, Addie. – murmurou ele olhando para o lado.
—Por que? – perguntei.
—Se eu te olhar... eu vou querer... – Mas dessa vez era eu quem sabia o que ele queria dizer. Então me coloquei na pontas dos pés, me impressionando com o quanto que ele estava alto, e o beijei. Rabastan suspirou e me beijou de volta por dois segundos, mas então me empurrou gentilmente pela cintura – Não, Addie... isso seria idiotice da nossa parte. Deixe morrer.
Respirei fundo e neguei com a cabeça. Rabastan engoliu em seco, se recostando completamente na meia parede.
—Uma última vez, Rabs... uma última vez. – pedi o olhando nos olhos – Sem planos. Sem segundas intenções... só eu e você. Confie em mim que nem eu confiei em você, naquele dia que você me levou pra sua casa. Eu tinha todos os motivos do mundo pra não confiar em você... mas eu confiei. Então por favor. – murmurei encostando a testa na dele. Senti as mãos dele envolverem minha cintura e nós dois nos olhamos com uma intensidade impressionante.
—Uma última vez? – perguntou ele – Por que precisa ser a última, Addie?
—Eu... eu não sei. – murmurei honestamente.
Rabastan então, finalmente, me deu um sorriso.
—Você é mesmo louca, Black... bem que dizem que todos os Black são loucos...
—E que todos os Lestrange são absurdamente intensos.
—É... – murmurou ele levantando meu rosto delicadamente para me beijar.
Suspirei derretendo nos braços dele. Eu nunca tinha beijado Rabastan daquele jeito. Tão carinhoso. Me fez lembrar do dia em que tinha beijado James, na barraca de jardinagem dele. Mas havia algo ali de diferente. Com James, eu sabia que estava apenas começando.
Mas aquele beijo com Rabastan tinha gosto de despedida e eu quis sentir cada segundo dele. Rabastan foi me empurrando contra a parede, onde tinha o registro do chuveiro. As mãos dele foram até a minha blusa e ele a tirou lentamente. Minhas mãos foram até a toalha dele e se livraram dela, a jogando no banco. Rabastan me beijou no pescoço e me prensou contra a parede, colando o corpo contra mim. As mãos dele passearam nas minhas costelas e então seguiram para o fecho do sutiã. Em um segundo ele o abriu e me despiu daquela peça também. Eu não me importei e gemi de satisfação quando ele pegou meus seios com as duas mãos e os apertou.
Senti o beijo dele no meu ombro, enquanto os quadris dele pressionavam os meus. Mas logo a língua dele achou o caminho para os meus lábios e estávamos nos beijando completamente hipnotizados pelo momento. O abracei ao redor do pescoço amando como a língua dele acariciava a minha. As mãos dele desceram pela minha barriga, numa carícia deliciosa. Gentil e sensual. Era quase estranho vindo dele. Rabastan sempre fora um tanto feroz, bruto... mas agora ele parecia me tratar com se eu fosse de vidro.
E céus... aquele beijo dele. Eu tinha certeza que nunca mais esqueceria aquele beijo dele.
As mãos dele continuaram a explorar meu corpo, indo agora para minha bunda. Ele me apertou um pouco ali, soltando um suspiro de satisfação e então levantou minha saia de leve, para tocar a minha bunda por debaixo dela. Mas logo os dedos dele acharam o zíper e abriram a saia aos pouquinhos, como se quisesse fazer suspense naquele momento.
Meu coração estava acelerado, mas não tanto quanto minha respiração. Ele tirou minha saia lentamente, se abaixando tão lentamente quanto. Primeiro para beijar meus seios. Mas depois a minha barriga também. Ele ficou de joelhos na minha frente e tirou a minha saia com cuidado, para que eu não caísse. Ele a jogou lá atrás, junto com a toalha dele e então me abraçou ao redor da cintura, para beijar minhas coxas. Ele me mordeu de leve e eu me arrepiei inteira. Ele mordiscou meu quadril e então segurou a alça da minha calcinha com os dentes. Depois me olhou nos olhos rapidamente, para depois voltar a me beijar na barriga.
Os dedos dele passearam pelas minhas coxas e foram subindo de leve, para colocar o tecido da minha calcinha preta de lado. Senti os dedos dele me tocarem daquele jeito indecente e isso me roubou um gemido.
Ele se levantou lentamente, me masturbando de maneira deliciosa e então abriu o registro do chuveiro. A água começou a cair em nossas cabeças, mas continuamos nos beijando, sem nos importar com a possibilidade de nos afogarmos ou de sermos flagrados.
Ele me prensou contra a parede e eu levantei uma perna, para me encaixar nele. Ele me segurou pela coxa e então pegou a outra perna. Enrolei a cintura dele com minhas coxas, sentindo o membro dele me tocar de maneira provocante. Mas ele seguiu apenas me beijando. Me abraçando tão forte contra ele, que eu tive medo das minhas costelas quebrarem.
Mas sinceramente, eu nem iria me importar, se acontecesse.
Só continuei beijando aquele garoto, como se o mundo pudesse acabar caso eu não o fizesse. Ele foi escorregando para o chão, aos pouquinhos e eu acabei sentada no colo dele, sentindo a água quente cair sobre meus ombros.
Rabastan me beijou nos seios, os massageando de leve, mas logo os dedos dele voltavam para dentro da minha calcinha. Gemi ao ser tocada novamente e eu decidi retribuir a carícia. Ele sorriu pra mim no meio do beijo e nos olhamos com aquele sorriso no rosto. Joguei a cabeça para trás, perdida em prazer e volúpia e senti Rabastan me mordiscar no queixo.
—Você me deixa louco. – sussurrou ele.
Senti uma vertigem quando ele girou o corpo, me deitando no chão.
—Me beije, Rabs... não pare nunca...
Ele sorriu pra mim e me beijou novamente, descendo os lábios para meu queixo... pescoço... colo... seios... costelas... barriga...
Eu já estava louca de desejo quando ele tirou minha calcinha. Disposta a qualquer coisa que ele cogitasse. Mas ele apenas me beijou lá, como naquele dia na cama dele, no dormitório da Sonserina.
Gemi cantadamente, louca, completamente louca e entregue. Amando o que ele fazia com a língua e com os dedos. Parecia que eu iria alçar voo, sem vassoura. Apenas flutuar e encostar nas nuvens.
Enrosquei meus dedos no cabelo dele, com um sorriso no rosto. Meu quadril se movia sozinho, como se quisesse fazer algum tipo de brincadeira infantil com a língua dele. Fechei o olhos com força, sentindo aquele calor que subia por todo meu corpo, contrastando com o chão molhado e frio.
Rabastan continuou naquele beijo indecente, entre minhas coxas, até que não fosse mais suportável. Eu quase gritei de prazer, quando ele me fez alcançar o ápice. Eu empurrei a cabeça dele de leve, pois tinha sido tão intenso que tinha ficado completamente sensível.
Ele entendeu o sinal e foi me beijando por todo o caminho de volta e se deitou do meu lado, me olhando intensamente. Eu toquei o peito dele e o fiz se deitar, pronta para retribuir. O beijei do mesmo jeito que ele tinha feito e o segurei firmemente.
Ele soltou um gemido rouco quando eu o toquei com a língua e comecei a lambê-lo. O beijei por todo o membro, lentamente e provocante, me concentrando na cabeça. Mas também acariciei as bolas dele com a mão e ele pareceu até se assustar. Mas logo ele riu e gemeu com aquele sorriso bobo no rosto. O masturbei com a mão, enquanto minha língua o acariciava na cabeça e então o coloquei o máximo na boca, roubando o gemido mais alto que já tinha recebido dele.
—Assim... – murmurou ele segurando a minha cabeça, lentamente, me ajudando no ritmo. Mas logo ele me soltou, respirando apressado, sem saber exatamente onde colocar as mãos.
Fiquei de quatro, em cima dele e ele me olhou desesperado para que eu voltasse a tocá-lo com a língua. Mas eu quis fazer algo diferente. Coloquei o membro dele entre meus seios e o apertei com eles. Rabastan soltou um gemido baixinho, como se tivesse ficado sem ar. Ele colocou as mãos nos meus seios, apertando-se entre eles.
—Assim é bom? – perguntei para ele. Ele sorriu pra mim e concordou com a cabeça.
—Vem cá, Addie. – pediu ele me puxando e me beijando novamente. Ele segurou minha mão e a guiou para o membro dele, desejando que eu o masturbasse.
—Não quer um bo... – comecei entre os lábios dele.
—Eu quero te beijar... não sei quando vou te beijar de novo. – murmurou ele – Nem me importo com o orgasmo, Addie... eu só quero beijar você.
Sorri para ele voltei a beijá-lo. Mas eu não iria deixar de dar um orgasmo pra ele. Ele tinha me dado um. Então continuei a masturbá-lo, enquanto o beijava sem parar.
Alguns minutos depois Rabastan parou o beijo, louco demais com o toque da minha mão e eu entendi que ele iria gozar.
—Eu vou te sujar... espera... espera... – pediu ele segurando a minha mão.
—Estamos no chuveiro. Foda-se. – murmurei.
Ele concordou parecendo perdido e gozou como havia dito que faria. Senti o jato quente na minha barriga e ele me olhou completamente constrangido.
—Ah... desculpa... – murmurou ele.
—Relaxa... – murmurei ficando de joelhos no chão. Ele mordiscou o próprio lábio olhando para a minha barriga suja com aquele viscoso líquido branco – Vamos tomar um banho?
—Vamos. – murmurou ele.
Tomamos o banho, sem conseguir desgrudar os lábios um do outro. Depois de limpos, nos vestimos e começamos a conversar. Eu contei sobre como Zamora tinha mexido com meus amigos e me ameaçado. Contei como estava sendo minha nova vida, na rua trouxa e fora do Largo Grimmauld.
—Vou sentir sua falta nos jantares. – murmurou ele vestindo a camiseta do uniforme – Eles não são tão legais sem você.
Rabastan me contou que tinha feito um curso no verão, de transfiguração e azarações e que faria outro no próximo verão, para prepará-lo para os N.O.M.s. Contou como ele não estava satisfeito com Katherine e como ela era muito fútil e controladora. Contou que o pai dele não estava gostando de como Rodolfo estava obcecado com as Artes das Trevas e de como tinha rolado uma tremenda briga na casa deles por conta daquele porão na casa de Rodolfo.
—Meu pai falou que se ele não acabasse com aquilo, não seria mais bem vindo na nossa casa... – explicou ele – Até eu acho que aquilo foi demais. Aquilo não é lutar pela causa. Aquilo é só ser cruel... mas eu acho que foi coisa da sua prima e não do Rodolfo.
—Eu não vou defender Bellatrix... mas nem eu imaginaria que ela teria algo como aquilo. – murmurei enquanto saíamos do campo, lado a lado.
Rabastan ainda me contou que Jacques estava mesmo completamente apaixonado por Emmeline.
—Você fala isso... – eu murmurei brincando com uma mecha de cabelo – Mas você é um cara bem romântico, não é?
—Eu? De onde tirou isso? – perguntou ele levemente corado.
—Momentos atrás você não estava nem pensando em fazer loucuras. Só queria me beijar, beijar e beijar. – disse com uma risadinha marota. Rabastan sorriu sem jeito.
—Eu me deixei levar pelo momento... aquilo foi muito surreal pra mim... – murmurou ele.
—Você pensa mesmo em casar? Digo, por amor e não por contrato?
—Casar por amor? – ele deu uma risadinha, travesso – Calma, lá, Addie. Vou achar que você está pensando demais no futuro.
—Não estava falando sobre nós. Estava perguntando se você teria coragem de largar essa obrigação que a sua família te fez engolir e mandar Greengrass pra puta que pariu. Tudo pra ficar com alguém que você amasse loucamente.
Rabastan franziu a testa e negou com a cabeça.
—Não sei... eu tenho muita pressão sobre meus ombros. Tacar um foda-se pra tudo, por conta de um sentimento completamente confuso e instável me parece muita loucura, não acha?
—Não. – respondi – Eu quero me casar com alguém que eu ame, de verdade. – disse calmamente.
—Suas perspectivas de vida são bem diferentes das minhas, Addie... e eu não me imagino casando de qualquer maneira.
—Com ninguém? Nem comigo? – perguntei fazendo charme.
—Não. Nunca casaria com você. – riu ele com um largo sorriso divertido.
—E por que não? – perguntei colocando as mãos no quadril. Rabastan deu uma risadinha e me olhou.
—Você iria me transformar no seu cachorrinho. Mais ou menos como a sua prima fez com meu irmão. – Rabastan soltou um suspiro – Vamos ser honestos, Addie... a gente só dá certo nesses momentos de loucura. Somos orgulhosos demais, teimosos demais e temos pontos de vista diferentes demais. Se a gente se casasse, acabaríamos matando um ao outro, eu acho.
—É... você provavelmente tem razão...
Voltamos a conversar amenidades. Ele me contou como foi o restante das férias dele e como ele conquistara a vaga de batedor, tirando o cargo de um aluno do sexto ano.
Eu contei sobre minha festa do pijama e do meu piercing...
—Que ficou maravilhoso, diga-se de passagem. – cortou ele. Rimos um para o outro e seguimos andando e batendo papo.
Quando finalmente chegamos no castelo, ele me beijou na bochecha e foi em direção às masmorras, mas antes de descer as escadas ele se virou e sorriu.
—Eu ainda tenho seu sutiã. – riu ele.
—E eu ainda tenho seu anel.
—Legal... – ele passou a mão pelos cabelos e suspirou – A gente se vê, Addie... por ai...
—É...
Foi quando ouvimos passos. Nos viramos e vimos Katherine, que vinha completamente indignada.
—Onde você se meteu? Heim? – perguntou ela, furiosa. Rabastan virou o rosto, parecendo indisposto pra conversar com ela – Você sumiu e agora aparece depois de uma hora com essa garota? – perguntou ela apontando pra mim. Rabastan a olhou zangado e eu tive certeza de que ele iria explodir com ela. Sorri o mais amavelmente que pude e me coloquei entre os dois.
—Desculpe, Greengrass. Foi tudo um enorme mal entendido. – digo numa falsa careta de culpa – Eu estava muito bêbada na minha festa e eu costumo fazer merda quando estou bêbada. E bem... Rabastan estava muito bonitinho naquela festa. – eu lancei um olhar maroto para ele, que me olhou sem saber muito bem onde eu queria chegar com aquilo – Então eu meio que dei um beijo no pescoço dele e sugeri que a gente deveria fazer algo mais... mas ele não quis e eu fiquei meio zangada. E naquele dia no trem, eu tinha fumado salvia com o Cook antes de entrar no trem, então estava meio chapada. Por isso que eu falei aquelas coisas pra você... na minha mente meio doida eu não estava querendo te provocar. Eu só quis falar que o batom era meu, mas que não tinha rolado nada entre eu e o Rabs e que eu queria que fôssemos amigas... – eu dei um sorriso culpado – Mas por conta do baseado, eu acabei falando só meias coisas e isso acabou num profundo mal entendido. O Rabastan veio ralhar comigo e falar que eu preciso diminuir a velocidade desse meu modo louco de viver, porque eu estava prejudicando a vida dos outros e a gente começou a conversar sobre outras coisas... mas o importante é que... – eu segurei as mãos de Kat e ela me olhou desconfiada – Eu realmente sinto muito por toda essa situação e eu te garanto que eu e o Rabs somos só amigos. Na verdade, eu meio que estou quase namorando James Potter, sabe?
—Isso mesmo, Kat. Como eu falei antes. Era só neura sua. – disse Rabastan tão deslavadamente quanto eu.
Katherine puxou as mãos para longe das minhas e me deu as costas olhando para Rabastan. Eu aproveitei para fazer um símbolo de chifres com as mãos, atrás dela e eu vi que Rabastan respirou fundo para não rir.
—Eu acho que essa história está muito mal contada, Rabastan. Você ainda vai ter que me compensar. Não pense que fugiu da encrenca. – ralhou ela. Greengrass se virou e eu fingi estar olhando minhas unhas, para então sorrir docemente pra ela – E você. Fique longe do meu namorado.
Eu olhei para Rabastan, que sorriu um sorriso safado pra mim. Eu acabei rindo da mesma forma.
—Claro, queridinha.
—E não me chame de queridinha.
—Queridinha. Eu te chamo... – me aproximei dela e a empurrei de leve – Do que eu quiser.
Katherine me empurrou de leve, da mesma maneira.
—Não toque em mim, sua vaca.
Eu a empurrei de volta, um pouco mais forte, me estressando de vez e ela devolveu o empurrão com outro. Quando eu a empurrei pela terceira vez, ela grudou nos meus cabelos, os puxando, fazendo com que eles ficassem laranja berrante.
—Me solta, sua louca! – digo puxando os cabelos dela também.
—Garotas! Parem com isso! – diz Rabastan tentando nos afastar – Katherine. Solte a Addie agora! – rosnou ele.
—Fica fora disso, Rabastan! – rosnou ela enquanto nós duas tentávamos voltar a nos atracar, mas Rabastan se colocou entre nós e não permitiu isso.
—Ok. Mas só pra constar. Eu estou terminando com você. – rosnou ele.
Tanto eu quanto ela ficamos imóveis por um segundo e depois voltamos a olhar pra ele.
—O que? Está louco? Você não pode terminar comigo. Eu sou sua noiva! – resmungou ela.
—Então espere bastante até nossa noite de núpcias. E tente ficar menos insuportável até lá. – sibilou ele. Por fim parei de tentar alcançar Greengrass, com a intenção de estrangulá-la.
Rabastan nos soltou, ajeitou as vestes e simplesmente voltou caminhando muito cheio de si para as masmorras.
—RABASTAN LESTRANGE! VOLTA AQUI. QUEM VOCÊ ACHA QUE É PRA TERMINAR COMIGO?! – gritou ela indo atrás dele.
Eu ri achando graça e fui em direção da Torre da Grifinória.
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