When We Were Young
95 6th Year - Losing It
Notas iniciais
LOSING IT
HOGWARTS
1976
6th YEAR
Havíamos chego a Hogwarts a menos de uma semana. E tudo me parecia estranho. Era estranho como as pessoas me olhavam nos corredores agora. Era diferente. Era por motivos diferentes. Não era porque eu era Adhara Black, rica, bonita, capitã das líderes de torcida, namorada do capitão do time de quadribol da Sonserina, não era porque eu era popular. Era porque eu era pobre garota que passou o verão internada nos Mungus, a pobre garota com os pais mortos e namorado morto. A pobre garota. Era isso que eu era agora. A mesma coisa tinha acontecido com Emily, mas ela parecia bem o tempo inteiro, então logo passou, mas eu simplesmente não conseguia parecer bem o tempo inteiro. Eu não estava feliz.
Eu não estava bem.
Eu não conseguia dormir. Acordava todas as madrugadas gritando de um pesadelo, eu até mesmo havia colocado um silenciador na minha cama para que as meninas não escutassem. Mas ele sempre ouvia. Antes quem ficava comigo era Sirius, e ele não reclamava, e me acalmava quando eu acordava assutada, mas eu sempre pedia por Remus, assim como nas férias. E ele vinha e Sirius saía, até que passou apenas Remus a vir. Dormia comigo, e quando eu acordava chorando e gritando, ele me abraçava. E os pesadelos eram horríveis. Sempre começava diferente, mas acabava igual. Começava as vezes na minha casa, as vezes na de Adam, ou em qualquer outro lugar, e começava tudo bem, meus pais estavam lá, e Adam, então decidíamos passear de carro, e era ai que tudo desandava. Bellatrix aparecia, o carro capotava, e eu ficava agonizando, sentindo a vida acabar dentro de mim, e quando eu estou quase acabando, é quando eu acordo assutada.
Todas as noites.
Eu comecei a relatar os meus sonhos. Escrever para ver se eu conseguia fazer algo a respeito. Já havia tomado Poção do Sono sem Sonhos. Não funcionava. Mas eu tentava parecer bem. Eu passava maquiagem nas minhas olheiras e mantinha um sorrisinho no rosto quando estava com meus amigos, mas era só eles se afastarem que meu sorriso se apagava. E tudo parecia escurecer a minha volta.
Eles não percebiam o que estava acontecendo ou ao menos pareciam não perceber. Só Sirius e Remus sabiam sobre os pesadelos, e fora isso eu não mostrava nenhum sinal evidente. Eu brincava de estar ficando bem, e eles brincavam comigo. Eles acreditavam, e as pessoas começavam a acreditar, após dois dias seguidos comigo andando pelos corredores sem nenhum sorriso ou pose, eu comecei a tentat andar como antes, e sorrir para algumas pessoas. Isso diminuiu os olhares.
Mas não diminuiu a verdade. Eu poderia começar a chorar com um piscar de olhos. Eu podia sentir dentro de mim o desespero, a culpa, a solidão. A raiva. Eu ainda sentia tanta raiva.
—Addie. — Remus me chamou, o Professor passava alguma lição no quadro negro, mas eu não copiava, apenas ficava quieta, olhando o pergaminho. — Você tem que copiar.
Olhei o quadro negro, e vi que a lição era sobre feitiços para quando se está preso em um poço, ou algo tão fundo quanto. E pareceu completamente sem sentindo.
—Remus. — murmurei, o olhando, o toquei no braço, e ele pousou a pena de volta no tinteiro. — Eu estava pensando…
—O que? — ele indagou, franzindo a testa. Tirei minha mão no seu braço devagar.
—Quer saber? Não é nada. — eu disse. E Remus pareceu não acreditar. — Digo, nada importante, posso te contar depois.
—Promete?
—Prometo.
ஐ
—Eu tenho algo para você. — Remus me disse, me segurando pela mão. Subimos para o dormitório dos meninos. E eu me sentei na cama. Ele foi até o próprio malão e tirou uma caixa de lá de dentro. Era uma caixa de papelão, mas parecia em perfeitas condições. Entendi o que era na hora. — Eu achei que pediria assim que entrássemos no Expresso, mas você não pediu.
Era a caixa de Adam. As coisas que Remus havia pego no quarto dele para mim. Eu suspirei. Assim como essa caixa, havia outra coisa que eu fingia não existir. A carta que ficava todos os dias embaixo do meu travesseiro, fechada. Eu a ignorava todos as noites, ao deitar minha cabeça no travesseiro. Eu não queria que ela existisse. Eu queria que ela evaporasse. Mas eu não conseguia fazer nada. Rasgá-la. Queimá-la. Nada. Então, eu deixava lá, fingindo que não era nada importante. Fingindo que era um pedaço de pergaminho qualquer.
Engoli em seco, quando Remus colocou a caixa no meu colo. Ele pegou a varinha e deu um toque na caixa que se abriu para mim. Assim como o malão de Remus, a caixa havia um feitiço indetectável de extensão. Enfiei a mão lá dentro de olhos fechados, e minha mão tocou o que parecia uma foto. A segurei e puxei. Abri os olhos novamente, para mirar a foto. Era eu e Adam no Natal de 74, não namorávamos, eu estava com James, mas tínhamos sorriso no rosto. Eu estava em cima dos seus ombros vestida de elfo de Papai Noel, com Teddy em meus braços, colocando a estrela no topo da árvore. Eu apertei a foto contra meu peito, e olhei Remus. A foto era de quando nada havia acontecido. Mary estava viva. Adam. Meus pais. Daisy.
—Pode me deixar sozinha, Remus? — eu pedi. Remus assentiu na hora, e saiu dor dormitório fechando a porta.
Voltei a olhar a foto em minhas mãos. A coloquei sobre meu colo, e enfiei minha mão novamente na caixa. Peguei algo grande, e meu coração apertou quando senti o que era. Puxei o violão de Adam para cima, o segurei com cuidado e dedilhei, assim como Adam gostava de fazer quando estava feliz, apenas dedilhar e escutar uma melodia. O coloquei de lado também, e enfiei minha mão uma terceira vez. Dessa vez peguei um pergaminho, o li vagarosamente, era o poema que Adam havia recitado para mim no meu aniversário ano passado. Eu ofeguei e o deixei cair na cama. Me levantei, com a caixa nas mãos e virei despejando tudo que tinha nela na cama. Eram mais pergaminhos e fotos. Blusas do Adam, as quais pude sentir o cheiro de longe, tinha alguns braceletes, posters da banda dele, e várias outras coisas, que eu passava o olho rápido. Peguei a seu uniforme da Sonserina, por algum motivo eu me vi sem roupas. Eu me deitei na cama, no meio das coisas de Adam, e agarrei seu uniforme, o puxei para mim, me encolhendo. Era como se eu precisasse tirar tudo que vestia para sentir realmente. Para sentir que Adam estava ali. Senti o cheio saindo pela sua blusa, e chorei nela, sentindo as saudades doerem em meu peito.
Eu podia sentir o cheiro dele, e como os olhos fechados imaginei ele ali, na ponta da cama, dedilhando seu violão, logo depois de termos feito amor. E estávamos felizes, e olhando um para o outro. Como se nada no mundo importasse mais do que olharmos um nos olhos dos outros.
Não ouviu quando os meninos entraram no dormitório, mas eu senti a onde de olhares em mim. E lá estava a pobre Addie na cama, deitada, chorando sobre a blusa do namorado morto. Abri os olhos e olhei os meninos.
—Isso é como o chão do banheiro, Addie. — Peter murmurou.
—Eu sei. — eu falei.
—Você não pode fazer essas coisas…
—Peter, cala a boca. — escutei a voz de Sirius.
—Eu só estou dizendo que se ela continuar fazendo esse tipo de coisa, só vai piorar. — Peter se defendeu. — Ela está pelada, chorando na blusa… do namorado morto. Onde diabos isso é saudável?
—Não é, mas a gente tem que ajudar de algum jeito. — Dimitre disse. — Não mandar ela parar. Ela não consegue.
—Ela está agindo estranho. — escutei a voz de James. — Ela não agiu assim quando a Mary morreu…
—Dessa vez foi diferente. — Frank disse. — Três pessoas que ela amava muito morreram…
—Quatro. — Sirius murmurou. — A irmã dela também…
Eu soltei um soluçou e escutei um bufar.
—Vocês sabem que ela pode escutar vocês, não é? Vocês são todos idiotas. — Remus falou, exasperado. — Querem saber? Saiam daqui!
Os meninos saíram aos resmungos. Mas mesmo assim eu escutava mais duas respirações no quarto, além da minha.
—Ela vai ficar bem? — escutei Sirius indagar, devagar, como se temesse falar muito rápido e dizer algo errado. — Ela vai melhorar, não é? Você vai melhorar, Addie?
Eu suspirei contra a camisa de Adam, e assenti. Aos poucos Sirius saiu do quarto me deixando sozinha com Remus. Ele se sentou na ponta da cama.
—Eu só queria me sentir perto dele. — eu murmurei. — Como se ele estivesse aqui.
—Tudo bem.
—Por isso tirei a ….
—Você não tem que se explicar para mim, Addie. — Remus me disse, o encarei em seus olhos âmbar. — Nunca, está bem? — ele me falou. Eu me sentei na cama, e coloquei a blusa de Adam, depois coloquei minha calcinha de volta. E Remus olhou apenas em meu rosto o tempo inteiro. Fui para o lado dele, sentado na ponta da cama. — Em uma escala de 1 até 10 o quanto está sua dor hoje?
—9. — murmurei. Ele se pegou a varinha e convocou uma barra de chocolate, que voou para a mão dele, de seu malão aberto. Remus abriu, e me entregou. Mordi um pedaço da barra e fui comendo com vontade. Mordi até ficar um pedaço final para Remus, que abriu a boca.
—Sirius está chateado. — ele me contou. — Você não notou, Addie, mas você se afastou dele… — ele disse. Franzi a testa confusa. — Você se afastou de todo mundo. Você está lá, mas também não está.
—Não…
—Quando foi a última vez que realmente teve uma conversa com Sirius, ou Emmeline, ou James? Heim? E Emily? Peter? Frank? Alice? Dimitre? Lily? Marlene? Dorcas? — ele falou os nomes dos nossos amigos, e isso me fez mais confusa.
—Eu falo com eles. — murmurei.
—Então, o que está acontecendo com eles? — ele me perguntou, só que eu não sabia a resposta dessa pergunta. — Eu vou te contar. — ele me disse. — Sirius e Marlene começaram a namorar. Você não percebeu, afinal eles estão a mesma coisa das férias, só que agora oficializado, isso significa que Dimitre está… está mal, sofrendo de coração partido. Lily o ajuda, mas ela tem seus próprios problemas com Snape, e um grupo da Sonserina que encheu o saco dela, e a chamou de nomes feios pelas costas. Emmeline está se comunicando com Freddie da Bósnia, e se atracando com uma quantidade incrível de garotos para menos de uma semana de aula. Emily está mais… provocadora com meninos. Frank está de olho nela, e adivinha, ele está pensando em pedir a Alice em casamento, não agora, tipo talvez no final do sexto ano, ele ainda está pensando, e Alice está ajudando Peter a estudar para as matérias que ele passou nos NOMs. E Dorcas… ela está estranhamente bem, feliz. Ah, e James, ele me disse que está se apaixonando por Lily Evans, mas no mesmo dia transou com uma lufana, então eu não sei se é verdade ou não. Você sabia disso, Addie? De qualquer coisa que eu falei, você sabia alguma coisa? Qualquer coisa?
—Não.
ஐ
Emmeline tagarelava a minha frente. Alguma baboseira sobre Freddie e um garoto corvino que ela havia transado no banheiro. Eu tentava a escutar, afinal eu que a chamei para ir a cozinha comigo, tomar chocolate quente, e bater um papo. Só que eu não conseguia a escutar. Não queria.
Parecia sem sentindo. Parecia que não importava que Emmeline tinha perdido sua calcinha no banheiro masculino, e que Freddie tinha achado Bósnia um saco. Parecia sem sentido nenhum, e eu queria a fazer parar.
Parar de falar.
Só que Emmeline era minha melhor amiga. E havia passado o verão comigo, me ajudando, me apoiando. Chorando comigo e me amando. Ela havia feito isso por mim, e eu sabia que não havia sido fácil. Então, eu engoli. Emmeline não tinha culpa de nada. Ela não tinha culpa da raiva que borbulhava em meu peito ou do desespero que parecia se alastrar pelo meu corpo. Ela era minha melhor amiga para sempre, e ela queria o meu melhor. Então, eu sorri. E ri quando ela riu, e fiz alguns comentários, para incentivá-la a continuar falar, mas era diferente de quando Remus falava, com ele parecia natural, ele começava a me contar a história de um livro ou de qualquer coisa, com sua voz amável e aveludada. E eu prestava atenção em cada detalhe.
—Eu ouvi que Emily foi vista beijando um cara. — murmurei. — Quem era?
—Ah, era o locutor dos jogos de quadribol, aquele Glenn, sabe? — Emmeline riu animada. — Ela disse que ele tem muito poder com a boca, mais do que só narrar os jogos. Aquela garota é uma safada.
Eu sorri, bebendo um gole de chocolate quente. Emmeline me olhou, e um pequeno elfo passou a nossa frente correndo.
—O que? — perguntei.
—Os meninos me contaram do seu… da coisa no dormitório. — ela murmurou. — Você pelada, chorando no uniforme de Adam.
—Ah, é. — dei de ombros.
—Como está se sentindo hoje? — ela me perguntou. — Como se fosse chorar até desmaiar?
Todos os dias eu me sentia como se fosse chorar até desmaiar. Porque eu não recebia quartas dos meus pais e sim de tia Walburga, fazendo pergunta sobre o casamento. Porque eu não escutava Adam tocar em seu violão mais. Só que eu não respondi isso.
—Não. — falei. — Hoje eu estou tomando um chocolate quente com minha melhor amiga e estou bem.
Eu menti.
ஐ
Monty Foley me olhou do outro lado do Salão Principal. Ele estava sentado na mesa da Corvinal com alguns amigos. Primeiro, ele me olhou, e olhou para o meu corpo, enquanto eu me sentava. Segundo, ele deu um sorriso de lado, que agora eu achava nojento. Terceiro, ele piscou para mim, como se o que ele tivesse feito não passasse de uma brincadeira divertida. Na verdade, quando o olhei nos olhos, parecia que ele simplesmente não havia notado, percebido, ou se importado com o que aconteceu. Ele parecia tão calmo, mas desviou o olhar de mim, quando viu algo pelo meu ombro. Eu me virei devagar, e da mesa da Sonserina, Theo olhava Foley. A cara séria, depois ele desviou o olhar para mim. Não sorrimos. Não era como se fossemos melhores amigos agora, ou qualquer coisa, mas agora não tinha um olhar de ódio puro como antes. Esse olhar tinha sumido dos olhos escuros dele e dos meus.
Desviamos o olhar, e eu voltei a encarar minha comida. Eu não conseguia comer, aquele rosbife. Ou beber o suco de abóbora. Eu tentei e parecia sem gosto, então, apenas fiquei mexendo na comida em meu prato.
—Addie. — James me chamou animado. — Adivinha Bethany Toots pediu o Peter em namoro! E ele disse não! — ele gargalhou. – Na verdade ele gritou que não!
Peter ao lado dele soltou um muxoxo e deu de ombros. Eu dei uma risadinha, e Marlene no colo de Sirius também, mas por outros motivos.
—Porque, Peter? — indaguei curiosa. Ele me olhou, e deu de ombros novamente.
—Eu não gosto dela. — ele murmurou.
—Porque Monty Foley está te encarando? — Sirius perguntou para mim. Todos olhamos ao mesmo tempo para ele na mesa da Corvinal. E ele piscou para mim. Desviei o olhar, e encontrei o de Remus em mim. Nós não tínhamos contado para a turma sobre Monty Foley, eu não queria que eles soubessem que eu não havia feito nada. E era agora, ou mentíamos ou…
—Na festa. — eu murmurei. — Que o Sirius deu, ele estava lá. — eu contei. — Eu estava na escada, e ele apareceu lá, ele deu em cima de mim e eu disse que não tinha interesse, então… ele começou a me tocar, sem a minha permissão. Ai o Theo Nott chegou e o tirou de cima de mim, e foi isso.
—Ele te tocou? — Frank perguntou. — Espera… ele…
—Ele te assediou. — Lily falou, arregalando os olhos.
—Talvez. — murmurei, voltando a encarar minha comida.
—Porque não me chamou? — Sirius perguntou, ele parecia nervoso. — Aquele babaca…
—Temos que dar um jeito nele. — James falou, decidido.
Quando eu vi, Sirius, James, Frank e Emmeline estavam andando até a mesa da Corvinal em passos duros. Eu peguei a mão de Remus por debaixo da mesa. Lily saiu correndo atrás deles, e o resto estava chocado demais para falar alguma coisa. Peter até tinha deixado a comida de lado. Emily me olhava, com a testa franzida.
—Addie… — ela me chamou, me tocando no ombro. — Porque não nos contou?
—Eu não tenho que contar tudo para vocês. — eu respondi.
—Nós poderíamos te proteger! — ela rebateu.
—Eu posso me proteger sozinha! — eu bufei. — Está bem? Eu posso cuidar das coisas sozinhas. Eu não preciso de ajuda o tempo inteiro!
Alice chegou na mesa e se sentou ao meu lado. Ela sorriu, mas franziu a testa ao ver o clima tenso.
—O que eles estão fazendo lá? — Alice perguntou, apontando para os meninos e Emmeline.
Marlene e Dorcas se entreolharam, e antes que qualquer um de nós respondesse, Sirius estava falando duro e alto com Monty Foley. James o catou pelo colarinho da blusa, e Emmeline começou a berrar alto.
—Ei, ela queria! — riu Monty. Surpreendentemente foi Frank que deu um soco na cara de Monty. James o soltou surpreso, vendo o garoto cair para trás com a boca sangrando.
—Meu Merlin! — Alice colocou as mãos sobre a boca, surpresa. Ela se levantou correndo, para ir até o grupinho.
Eu me levantei também, e catei minha mochila. Eu vi Monty se levantando e socando como tudo Frank, que caiu no chão. E depois Sirius pulou em cima do sonserino, e eles começaram a se bater no chão, aos socos e pontapés. Muita gente começou a ficar em volta e gritar entusiasmadas com a briga que rolava. Por entre os pés das pessoas eu pude ver a cara de Monty, e o punho de Sirius descendo na cara dele.
Mas eu não senti nada. Era como se nem aquilo importasse. Eu não me senti bem de ver ele sofrendo. Ou mal. Eu só não senti nada. Nenhum sentimento. Quase como se eu não tivesse nenhum.
ஐ
—Sirius está de detenção. — Remus me contou, risonho. — Ele fez um escândalo e conseguiu fazer o Foley ficar de detenção também. Mas o Frank só foi para enfermaria sem detenção, Sirius o defendeu disse que ele só levou na cara, que ele não havia batido.
—Sirius consegue não ser um babaca as vezes. — eu disse. Remus assentiu, com um sorriso.
—James deixou o recado dado. Monty Foley não vai mais se aproximar de você se não quiser levar um balaço na cara e perder todos os dentes, ah e Emmeline o chutou nas bolas, sabia?
Eu sorri, e me sentei na cama de Remus, ele se sentou ao meu lado, e eu tirei um baseado do bolso da saia, e coloquei entre os dentes. Eu não estava fumando, assim como a bebida a salvia podia confundir tudo minhas poções, então eu só colocava na boca. Entre os dentes e brincava.
—Porque você acha que eu não fiz nada? — eu perguntei. — Eu não lutei o suficiente…
—Addie, você estava… sendo assediada, não tem uma reação certa para se ter, acho que cada um reage dê um jeito e você não estava no seu melhor momento. Você está frágil.
—Eu não estou frágil. — rebati. Remus me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
—Addie, você não pode mentir para mim. — Remus me falou. — Você pode mentir para James e Peter, ou Emmeline e Emily. Você pode mentir para todos eles, até Sirius, mas você realmente acha que pode mentir para mim? – ele perguntou. Eu fiquei quieta, e dei de ombros. Remus suspirou. — Eu quero te ajudar, Addie. Sua vida está uma droga neste momento e é tudo bem você se sentir como se a vida tivesse perdido o brilho ou coisa assim. O que você não pode deixar é isso ser verdade.
Eu dei um sorrisinho. Remus sempre parecia saber dizer a coisa certa, ele sempre parecia sacar o que estava acontecendo comigo, antes de eu saber.
—Eu te odeio. — eu ri. Ele riu também.
—Uma promessa é uma promessa. — Remus murmurou para mim. — O que queria me dizer hoje mais cedo?
—É só algo, que tem ficado na minha cabeça. — eu contei. — Como… Pop! Pop! Pop! — murmurei. — E não sai, só fica… Pop! Pop! Pop!
Remus me olhou atentamente, enquanto eu continuava fazendo o som, cada vez mais alto, até quando estava bem alto, eu voltava para o baixinho. Ele franziu a testa.
—E o que esse “Pop” significa? — ele me perguntou.
—Que eu só estou viva… porque eles estão mortos. — contei. — Que eu só estou agora aqui viva e bem, porque meus pais e Adam tiveram que morrer por isso.
—Addie, esse é o tipo de coisa que você tem que trabalhar para tirar da cabeça. — Remus me disse. — Não foi culpa sua.
Eu assenti, e me deitei na cama para conversar com Remus, sobre alguma bobeira e ele entrou na conversa, me contando coisas.
Mas continuava lá...Pop! Pop! Pop!
ஐ
Eram os testes para as líderes de torcida. Emmeline estava super animada para ver quem entraria para o time agora, afinal tínhamos perdido quatro Chanels que haviam se formado.
Emily estava sentada na grama, comendo um chocolate entediada, e Frank estava ao seu lado, enquanto Emmeline ficava com a prancheta, e uma pena na mão, para chamar as líderes.
—Nós só precisamos de 4 meninas. — eu falei alto, chamando a atenção. — Então, deem o seu melhor…. Ahn… Emmeline?
Ela franziu a testa para mim, mas começou a comandar os testes, enquanto eu ficava ao lado dela, vendo as meninas darem piruetas, e dançarem, a cada grito de Emmeline.
Eu tive aquela sensação mais uma vez. Tudo estava sem sentindo. Eu comecei a me perguntar… Porque eu me importava tanto em ganhar o campeonato de líderes de torcida, ou de ganhar a coroa no final do ano letivo? Porque antes isso importava tanto e agora parecia sem sentindo? Talvez fosse porque eu quase morri, e isso fez eu repensar a minha vida. Mas algo dentro de mim me dizia que não era isso. Era outra coisa que estava fazendo as coisas virarem sem sentido. Não era minha experiência de vida ou morte, era o que ela trouxe, o que ela deixou. Era aquela coisa dentro de mim, aquele buraco no meu peito, aquele buraco escuro, e estava tomando conta do meu coração, e se espalhando, como algum tipo de doença.
Eu não era idiota, eu sabia o que era. Eu sabia o nome daquele buraco, e sabia que deveria procurar ajuda, mas eu só sai dos testes de líderes de torcida sem falar nada, e fui para o vestiário, eu tomei uma ducha, tentando clarear meus pensamentos, mas o buraco parecia estar indo para meu cérebro, então eu continuei. Coloquei um uniforme de Hogwarts, que eu nem usava mais, a anos, então estava apertado, e dobrei delicadamente meu uniforme de líder de torcida, o coloquei sobre as palmas da minha mão, e sai do vestiário.
Emmeline gritou meu nome, assim como Emily e Frank, mas eu não dei ouvidos. Eu não estava conseguindo escutar nem a eu mesma. Era novamente o Pop! Pop! Pop! Ele estava explodindo na minha cabeça a cada passo que eu dava dentro do castelo.
Pop! Pop! Pop!
Eu bati à porta do escritório e quando fui chamada eu entrei, mas deixei a porta aberta, afinal seria rápido. Andei até a mesa, e a Professora Minerva me olhou, e me deu um sorriso. Aquele maldito sorriso solidário que todo mundo me dava agora. Eu não sorri de volta, só coloquei o uniforme dobrado na mesa dela. Ela franziu a testa, e eu empurrei o uniforme para o meio da mesa, ela o tocou devagar e me encarou confusa.
—Srta. Black…
—Eu quero sair.
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