When We Were Young
63 5th Year - The Freedom That Came From Pain
Notas iniciais
THE FREEDOM THAT CAME FROM PAIN
ADDIE'S HOUSE
1975
5th YEAR
Olhei-me no espelho, sentindo-me satisfeita com a minha aparência.
—Está linda, gata. – riu Adam deitado na minha cama – Mas ficaria melhor só com a minha camisa da banda. – adicionou ele malicioso e eu me virei para olhá-lo.
—Você está até arrumadinho. – rebati e Adam sorriu, se sentando. Ele usava a tal camisa da banda, com uma calça apertada, diferente da que a maioria dos garotos usavam, já que a moda era a calça boca de sino. Mas ele estava bonitão, como sempre.
—Então, podemos ir? – perguntou ele. Me virei novamente e encarei meu reflexo. Eu usava um vestidinho bem leve, com as mangas folgadas e grandes. Um cinto marrom, bem grande, estava na minha cintura e eu usava um par de botas plataforma, que me deixava muitos centímetros mais alta, apesar de ainda não ficar tão alta quanto meu namorado.
—Acho que sim. – respondi e pulei na cama, em cima de Adam. Nos beijamos um pouquinho, mas fomos interrompidos pela minha avó.
—Digam que estão transando! – implorou ela e nós dois rimos.
—Ainda não. – riu Adam.
—Bem, então perderam a chance. Estamos indo para a Plataforma. – riu minha avó e eu soltei um muxoxo.
Como da última vez, Adam pegou carona com a gente, mas dessa vez ele passou o braço pelo meu ombro e fomos aconchegados um no outro para a Plataforma. Estava morrendo de saudade de meus amigos e eu queria muito saber como estava Emmeline. Ela estava muito preocupada com a saúde dos avós e da mãe dela. O percurso foi bem curto, sendo acompanhado com alguns dos sucessos dos Beatles, que eu tinha gravado numa fita. Quando chegamos na Plataforma, me despedi do meu pai e fui junto de Adam para o Expresso Hogwarts.
De cara, encontrei Sirius e Régulus, enquanto meus tios o ajeitavam. Régulos tinha os cabelos bem curtos, portanto tia Walburga estava ralhando com Sirius por ele estar com os cabelos compridos.
—Vamos manter uma distância segura dos meus tios, ok? – perguntei. Adam concordou – Vamos. Vamos procurar Emmeline. – disse sentindo-me um pouco triste. Adam concordou de novo e fomos andando pelo mar de alunos. Logo eu entendi o motivo da minha tristeza. Era uma pessoa a menos para procurar agora e aquilo doeu. Encontrei Frank e Dorcas conversando preocupadamente – Ei! – chamei. Frank se virou e sorriu. Ele estava mais alto e tinha cortado os cabelos, deixando-os bem curtos. Usava vestes bruxas num vinho bem escuro e eu o achei bastante elegante. Dorcas estava bem bonita, também, usando um vestidinho hippie, branco e solto. Os cabelos estavam limpos e ela usava uma faixa na testa. Nem parecia aquela garota desajustada de sempre. Na verdade, aquele vestidinho que ela usava podia muito bem ter sido usado por Mary... – Como vocês estão? Cadê a Emily? – perguntei preocupada. Ninguém tinha notícias dela e Sirius começara a sugerir que ela tinha se enforcado, ou que tinha sido morta também, mas não tinham achado seu corpo.
—Não sabemos. – resmungou Frank, parecendo aflito – Ela sumiu. Simplesmente sumiu. O elfo dela sempre diz que ela não está em casa e que não tem autorização pra falar pra onde ela foi. Ela não responde nossas cartas...
—Estamos muito preocupados. – concordou Dorcas – Ela só respondeu uma carta nossa, dizendo que estava bem e que nos encontraria hoje.
—Eu falei até com o Jacques. – disse Frank – Ele disse que ela passou na loja dele, mas ele não pode me contar o que ela comprou, apesar dele ter parecido bem animado. Eu estou desesperado. – adicionou ele.
Fiz um bico contrariado e bufei indignada. Escutamos o trem apitar, dizendo que era hora de entrar e fui correndo com Adam levar minhas coisas para o vagão bagageiro. Depois entramos e procuramos uma cabine apropriada. Encontrei Emmeline em uma delas, mas não entrei. Ela conversava com Jacques. Puxei Adam para que ele não entrasse e esperamos uns dois minutos, até que Jacques saísse, parecendo muito tranquilo.
—Ei, olá, Addie, olá, Adam. – riu ele.
—O que você... – comecei, mas Jacques levantou a mão, como se pedisse silêncio.
—Crescendo. – garantiu ele, antes de se virar e andar para longe de nós. Pisquei surpresa e Adam suspirou.
—Eu vou ver meus amigos. – disse ele piscando para mim – Converse com Emmeline. Acho que vocês precisam de um tempo para melhores amigas, agora. – disse ele se curvando. O beijei nos lábios e ele me mordiscou de leve – Mas aviso logo que hoje você dorme no meu dormitório. – sussurrou ele e eu dei uma risadinha.
—Ok. – respondi e Adam se virou para seguir pelo corredor. Entrei e notei que Emmeline estava de pé, mirando a janela, parecendo muito infeliz. Ela usava uma blusa marrom terra e uma calça boca de sino, um cinto dourado e uma bota de salto alto – Emms? – chamei, preocupada.
—Ele veio me pedir desculpas... por ter me empurrado. Acredita nisso? – perguntou ela parecendo um caco – E por ter dito todas aquelas coisas. Disse que estava zangado e magoado... mas que nunca deveria ter explodido daquele jeito. – ela se calou e me olhou completamente destruída – Jacques Burke me pediu desculpas... hoje nós estaríamos comemorando um ano de namoro. Mas eu o traí, várias vezes. Eu tive um caso. Ele me pegou no flagra e me pediu desculpas... e disse que sentia muito por Mary... e... – ela engoliu em seco olhando para cima, com seus olhos enchendo-se de água – Ele disse que não gosta de mim e que não tem a menor intenção de ser meu amigo de novo, mas ele pediu desculpas por desejar a morte da minha família... por que ele precisa ser assim? Ele só faz com que eu me sinta ainda pior! – chorou ela, finalmente – Eu vi que os pais da Emily morreram... até o irmãozinho dela morreu. – soluçou Emmeline – Eu fui sempre tão cruel com ela e ninguém sabe como ela está... eu me sinto tão mal... – choramingou ela.
—Podemos resolver isso. Ela certamente deve voltar para Hogwarts e... – murmurei, mas me calei quando a cabine se abriu. Era James e ele parecia chocado. Ele estava com os cabelos mais desarrumados do que nunca, uma camisa vermelha, sem estampa, com uma camisa marrom xadrez, por cima, além de uma calça jeans apertada, como a de Adam. Peter vinha com ele, mas parecia simplesmente indiferente.
—Vocês não vão acreditar. – disse James.
Peter deu de ombros e se sentou parecendo infeliz. Ele usava um moletom e eu mirei Emmeline, decidida que deveríamos fazer uma intervenção nele se ele quisesse continuar andando com a gente.
—O que houve? – perguntei, mas quando James foi responder, Sirius entrou de uma vez e o derrubou no chão.
—Vocês não vão acreditar! – disse ele em choque. Franzi a testa e o olhei sem entender – Não há palavras pra descrever. Mas... mas nós vimos Emily. Ela estava flertando com Aluado. – explicou Sirius. James se levantou, ajeitando os óculos, que tinham ficado tortos em seu rosto.
—Nós estávamos lá, chocados... – continuou James.
—Completamente chocados. – concordou Sirius.
—Emily pintou o cabelo. – resmungou Peter – Grande merda.
—E ela está... muito foda! – disse James. Pisquei surpresa – E então...
—E então Lestrange passou por ela e assoviou! – disse Sirius apertando a cabeça com as mãos, em completo choque e eu franzi a testa ligeiramente enciumada. Eu sempre sentia ciúmes de Rabastan e provavelmente seria a mesma coisa com James – E ele a devorou com os olhos!
—Eu saí correndo para vir contar. – disse James.
—É, e não viu a reação dela. – disse Sirius, olhando James, parecendo quase em pânico.
—Merlin! Diz que ela azarou ele. Diz que ela enfeitiçou ele. Ela é boa em feitiços! – riu James.
—Pior! Ela riu pra ele! – disse Sirius, parecendo horrorizado – Depois bagunçou os cabelos de Aluado e disse: eu te vejo mais tarde, ok? Remy.
—Ela o chamou de Remy?! – perguntei fechando a cara.
—Ela chamou o Remus de Remy?! – perguntou Emmeline cruzando os olhos e ficando muito sério – Eu sempre disse que ela era uma vadia. Só a Addie chama o Remus assim.
Foi quando a porta se abriu e acertou as costas de Sirius e James. Foram Lily e Dimitre.
—Céus! Vocês já viram a Emily?! – perguntou Dimitre – Ela está demais!
—Ok, vamos averiguar isso. – eu disse de uma vez, morrendo de curiosidade – Onde ela está? Vamos lá ver. – adicionei marchando para fora da cabine. Andamos até a cabine que Lily apontou e eu entrei primeiro. Frank estava sentado, com Dorcas e Marlene. Emily estava de pé, encostada na janela. Usava uma calça de couro que parecia ter sido pintada em suas pernas grossas, além de uma camisa do Aerosmith, que estava rasgada aqui e ali, mostrando bastante de sua pele, inclusive parte do sutiã roxo. Os cabelos estavam num penteado estranho, com a lateral da cabeça completamente trançada até certa altura, onde formava-se um rabo de cavalo, completamente colorido, e trancinhas de várias cores pendiam do penteado. Além disso ela estava com três brincos em uma orelha, na parte de cima, igual aos meus. No ombro dava para ver um pedaço de uma tatuagem em forma de flor, o que seria até fofo, se não fosse uma flor de salvia. A salvia que usávamos para fumar. O pulso estava cheio de pulseiras, as orelhas dela estavam com argolas grandes, a maquiagem estava forte, com um batom roxo e os olhos com um lápis bem marcado. As unhas estavam roxas, da cor do batom e ela ainda fumava um cigarro – Emily?
—Addie. – riu ela parecendo muito satisfeita – Como é bom ver vocês. – riu ela.
—Céus, o que aconteceu com aquela bonequinha? – perguntou Sirius dando uma risada. Emily o olhou e lhe mostrou o dedo médio.
—Que se foda, a boneca. – ralhou ela com o cigarro nos lábios.
—Você está foda! – riu James.
—Sim, tá muito bonita. – riu Sirius – Agora dá pra olhar pra você. Parece que se libertou das correntes, heim?
—Você não fuma. — Emmeline falou.
—As coisas mudam, Vance.
Emily deu um sorriso arrogante, mas eu notei... eu notei que ela não estava sorrindo de verdade. Ela estava encenando... mas eu não ousei desmascará-la. Eu mesma tinha feito isso por um tempo. Se ela se sentia protegida assim, que fosse. Sorri para ela e cruzei os braços.
—Você está uma vadia. — murmurei ainda a analisando. Ela sorriu mais uma vez arrogante para mim.
—O suficiente para andar com você? — ela perguntou.
—É, pode até sentar com a gente no intervalo. – disse sorrindo. Emmeline me olhou chocada e Emily deu uma risadinha.
—Por que não? – perguntou ela pegando a caixa de cigarro e me oferecendo um – Pode ser divertido.
ஐ
Emmeline olhava feio para Sirius, que conversava animadamente com Emily. Os dois riam das piadas bestas dele enquanto eu revirava os olhos. Mais uma para cair no mel tóxico do meu primo. Marlene parecia furiosa também, olhando feio para Valentine, mas ela não notou. Estava muito entretida com Sirius e Remus, parecendo estranhamente feliz demais para alguém que tinha perdido toda a família, recentemente. Até Frank a olhava com um pouco de preocupação para ela, mas Dorcas parecia que tinha bebido um pouco de Gole da Paz, pois não tirava um sorriso do rosto, provavelmente feliz por a amiga não estar no fundo do poço como todos pareciam achar que ela estaria.
Mas eu sabia que o sorriso dele era algo ilegítimo. Sabia que ela tinha muito sentimento não trabalhado dentro de si e que aquele novo estilo e aquele comportamento eram apenas ferramentas para fugir de si mesma. Ela queria ser forte e mostrar que não tinha se deixado abater, mas era óbvio para mim que ela estava completamente perdida dentro de si mesma. Mas se ela não queria admitir aquilo, eu não iria desmascará-la.
—Emily. – disse Frank e ela o olhou – Por que não faz o teste para as líderes de torcida? – perguntou ele e eu a olhei animada.
—É verdade. Temos vagas agora. – concordei, dando de ombros – Você pode tentar entrar.
—Não, obrigada. – riu Emily dando de ombros – Eu não gosto desse tipo de coisa. – explicou ela me olhando com os grandes olhos verdes, muito evidentes graças ao lápis preto e a sombra preta ao redor dos olhos – Eu posso até tentat... Mas tenho certeza de que vai arrumar alguém muito bom, Addie. Ninguém tem olhos melhores que os seus pra isso. – disse ela apoiando o queixo em uma das mãos.
—Eu gostaria de te ver no uniforme das líderes de torcida, Emily. – flertou Sirius e Emily deu uma risadinha.
—Tenho certeza que sim, mas não se pode ter tudo na vida, não é? – perguntou ela dando de ombros e Sirius piscou surpreso pelo fora – Ei, vocês viram o aluno novo da Sonserina? Ele é o maior gato.
—Baden, não é? – perguntou Emmeline olhando sonhadoramente para a mesa da Sonserina, onde um garoto bonitão, conversava com Zamora. Alto, forte, com os olhos verdes e um sorriso debochado. Ele era mesmo um pedaço de mal caminho, muito agradável aos olhos – Tem nome de cerveja. – e então ela se curvou para perto de mim – Eu não me importaria de provar um pouco.
—Não acha que teve o suficiente de Sonserinos? – ralhou meu primo e Emmeline deu uma risada seca.
—Sabe como eu sou. Nunca aprendo com meus erros, Black. – sibilou ela e Sirius a olhou ligeiramente desconfortável.
—Sabe quem está muito bonitinho? – perguntou Marlene, subitamente, e nós a olhamos – Régulus.
—Nossa. Eu concordo. – riu Lily se virando para encarar a mesa da Sonserina – Está é uma gracinha.
—Claro, ela é uma cópia menos perfeita minha. – riu Sirius, jogando os cabelos para trás, de maneira arrogante – É impossível não ser bonito e ser parente meu em primeiro grau.
—Isso explica o porquê que Addie é tão bonita. – riu Tati de pé atrás de mim e ma abraçando por trás – Ainda bem que dá pra ser uma pessoa decente, mesmo sendo parente seu.
—O que quer dizer com isso? – perguntou Sirius.
—Você é uma vadia. A vadia mais linda da escola... mas ainda uma vadia. – riu Tati me soltando – Addie, você sabe se Samuel vai continuar como goleiro esse ano?
—Acho que sim, por que? – perguntei e Tati deu de ombros.
—Eu esperei que ele fosse querer focar nos N.I.E.M.s, sabe? – perguntou ela encolhendo os ombros – Acho que vou ter que esperar o próximo ano pra tentar uma vaga no time. – suspirou ela.
—Não sabia que você jogava quadribol, Corecha. – disse James, com um sorriso divertido.
—Eu jogo sim. Tenho três irmãos mais velhos, que sempre gostaram de quadribol, então cresci vendo os três jogarem. Inclusive, o Stwart, o mais velho, joga no time dos Tornados, como artilheiro.
—Pera... Stwart Corecha é seu irmão? – perguntou James, assombrado.
—Sim, não é um sobrenome muito comum. O que achou que era? Só coincidência? – perguntou ela com um sorrisinho.
—Bem... basicamente. – riu James.
—Mas... seus irmãos... eu nunca vi nenhum deles. – disse Lily franzindo a testa.
—É que eu sou filha do segundo casamento do meu pai. – explicou Tati – Sou nove anos mais nova que o meu meio-irmão mais novo. – explicou ela e nós concordamos com um aceno de cabeça.
—Sua mãe é uma Selwyn, da raiz francesa, não é? – perguntou Emily e Tati concordou dando de ombros.
—Bem... eu vou voltar pro meu lugar. E adorei o cabelo, Emily. Combinou com você. – riu ela e Emily sorriu dando uma piscadinha pra ela.
—Oh, não... – resmungou Marlene e nós a olhamos. Até Tati desistiu de voltar para seu lugar – Não olhem agora, mas Zamora e companhia estão vindo aí. – disse ela fazendo careta.
Soltei um muxoxo, pronta para renovar a chama da rivalidade entre nós. Zamora chegou com Soto, Greengrass e Shafiq a tiracolo. Ela me olhou com aquele sorrisinho dela e eu me levantei. Frank, Emmeline, Marlene e Tati cruzaram os braços, ficando atrás de mim. Minhas outras chanels olharam atentamente.
—Olá, Addie. – disse Zamora calmamente – Não se preocupe, eu vim em paz. – adicionou ela e eu concordei dando de ombros.
—O que você quer, Zamora? – perguntei querendo logo ir direto ao assunto.
—Reunião das Líderes amanhã, logo depois do almoço. – explicou ela parecendo não querer esticar a conversa – Para marcarmos nossas seleções. Tradicionalmente, duas equipes fazem seleções ao mesmo tempo. Precisamos sortear como vai ser esse ano. Todas as quatro Casas precisam selecionar novas atletas. – explicou ela e eu concordei.
—Certo. Amanhã. – disse firmemente.
—Ótimo. – riu ela. Zamora se virou para ir embora, Dido olhou Emmeline com algum nojo, Katherine olhou Emily com desdém e Lehanna apertou a bochecha do meu primo, com um sorriso safado no rosto.
—Céus, que coisa ridícula é essa que está deixando crescer em sua cabeça? – perguntou Katherine para Emily, que deu uma risadinha.
—Seu noivo gostou. – retrucou ela e Kat corou de leve – Theo também, diga-se de passagem. – adicionou ela e Kat pareceu ficar mais zangada.
—Está muito maneiro, Valentine. – riu Soto pegando em uma das trancinhas dela – Poderíamos conversar qualquer dia desses.
Emily deu de ombros e soltou um “por que não?” um tanto inocente, sem entender o que Soto queria, e isso fez a Sonserina rir com desejo pra ela.
—Vocês duas! Andem logo. – ralhou Dido e as duas foram embora com o quarteto confusão.
—Você está realmente fazendo sucesso. – riu Remus e Emily concordou com um aceno de cabeça.
—Porque é novidade. Logo eles deixam de lado. – riu ela pegando um pouco mais de sobremesa.
—Mas ficou realmente muito bonito. – disse Remus um tanto corado e Emily o olhou com um sorriso gentil. Pelas barbas brancas de Merlin. Será que Remus finalmente teria culhões para namorar Emily? – Tipo... eu não consigo parar de olhar para eles. – disse ele se referindo nervosamente para Emily, que franziu o cenho – Digo, são bem chamativos, né? Tipo um enfeito de natal... não estou falando que você parece uma árvore de natal, super enfeitada! – disse ele se corrigindo e fazendo careta – Digo... – ele olhou para James e Sirius, como que pedindo ajuda, mas os dois cruzaram os braços ao mesmo tempo, dando sorrisos cruéis e esperando Remus terminar de se enforcar – Está bonito. Está muito bonito. É isso que eu queria dizer, está bonito. – repetiu ele engolindo em seco e pegando o copo de suco de abóbora enquanto Emily dava um sorriso divertido – Está quente aqui? – perguntou ele para Peter, que deu de ombros. Peter não parecia disposto nem pra comer – Eu... ah... nada. – terminou Remus se dando por vencido e eu me virei para Emily.
—Por que vocês não tentam conversar melhor depois? – perguntei e Emily concordou com um aceno de cabeça – E que tinta está usando para colorir os cabelos? Resseca os fios? – perguntei pensando em pintar os meus.
—Addie, você é metamorfomaga, não precisa de tinta. – riu James e eu dei de ombros.
—Eu sei, mas eu queria experimentar a maneira trouxa. – disse dando de ombros.
—Não é mais fácil colorir com a varinha? – perguntou Emmeline e dei de ombros, mirando Emily, que parecia ligeiramente nervosa. Eu só tinha perguntado para saber se ela tinha colorido o cabelo com a metamorfomagia dela.
—Vai ser difícil conseguir agora. Em Hogwarts. – riu Emily desviando o olhar e pegando o copo de suco – Não acho que o Jacques venda a tinta aqui.
—O que fez no verão, Emily? Você sumiu. – disse Dorcas e Emily engasgou-se com o suco. Remus deu uns tapinhas nas costas dela e ela respirou fundo.
—Ah... estava resolvendo uns assuntos, sabe? – perguntou ela – Meu padrinho conseguiu me emancipar, então eu sou considerada maior de idade já. – explicou ela – Arrumei um emprego num estabelecimento trouxa...
—Addie também. – cortou James – E ela fica uma gracinha no uniforme dela.
—Que tipo de emprego? – perguntei enquanto os alunos do quarto ano me olhavam curiosos.
—Hum... eu trabalho num bar. – respondeu Emily parecendo não querer aprofundar-se no assunto.
—Num bar trouxa? – perguntou Marlene com um sorrisinho malvado – O mundo dá voltas, não é? Pra quem não gostava dos trouxas... – riu ela e Emily baixou os olhos por alguns segundos. Por um momento reconheci a velha Emily, sempre tão conformada com a vida. Mas no segundo seguinte ela sorriu malvada e levantou o olhar para Marlene.
—Bem, pelo menos estou me reinventando, ao contrário de você que segue da mesma lenga-lenga, torcendo para o dia em que Sirius vai assumir você finalmente chegue. – devolveu ela e Marlene corou tanto que parecia que a cabeça dela iria explodir – Estou voltando pro Salão Comunal.
—Eu vou com você. – riu Frank. Dorcas olhou de Marlene para Lily e suspirou.
—Eu já alcanço vocês. – disse ela. Frank e Emily foram andando juntos para o dormitório e eu sorri.
—Eles não lembraram de perguntar a senha do Salão Comunal. – eu murmurei – Remus, você é o Monitor do nosso ano, por que não vai lá falar pra ela? – perguntei docemente e Remus concordou, respirando fundo e se levantando para correr até os dois.
—Cinco galeões que o Frank volta pra cá. – riu Sirius.
—Apostado. Ele não gosta do Remus flertando com a Emily por conta do chove e não molha deles. – riu James, mas dois minutos depois Frank voltou com um sorriso divertido no rosto.
—Esqueci que preciso falar uma coisa muito importante pra você, Addie. – riu Frank enquanto James xingava baixinho, passando as moedas para Sirius.
—O que, Número 4? – perguntei com um sorrisinho.
—Eu e James estávamos planejando criar um clube. – explicou Frank e James o olhou confuso – Não me diga que esqueceu! Conversamos sobre isso alguns meses atrás! – ralhou Frank e James piscou sem entender – Da nossa promessa?
—Aaaah! É. Isso. – riu James dando de ombros – E o que a Addie tem...
—Eu talvez fique com a agenda apertada esse ano, Addie. – cortou Frank voltando a pegar mais comida do banquete.
—Que tipo de clube? – perguntou Lily.
—De duelos. – explicou James – Depois do que aconteceu em Hogsmeade... – ele engoliu em seco e todo o ar descontraído da mesa murchou – Eu acho que todos nós deveríamos praticar mais, sabe? Treinar de verdade. O pessoal da Sonserina melhorou muito. Não podemos ficar pra trás. – adicionou ele. Concordei com um aceno de cabeça.
—Estou dentro. – disse Lily com convicção.
—Eu também. – disse mirando a mesa da Sonserina, observando Rabastan e Theo gargalharem de qualquer coisa.
Quando o jantar terminou, me despedi de todo mundo e fui para junto de Adam. Ele conversava com Jason e Nathan, parecendo estar se divertindo muito.
—... contar. – disse Nathan – Eu sou um cavalheiro. – adicionou ele e Jason e Adam riram muito alto.
—Conta outra. Você é a definição do termo promiscuidade. – riu Adam e Nathan negou com a cabeça.
—Vamos, primo. Conta logo. – ralhou Jason.
—Olha, Addie aqui. Oi, Addie. – riu ele e eu sorri para Adam. Meu namorado passou o braço pelos meus ombros.
—Sobre o que vocês estão conversando? – questionei.
—Sobre a namorada secreta do Nathan. – riu Adam.
—Ei! Eu não estou namorando. Sai fora. – ralhou Nathan – Eu sou tipo um pássaro. Se você me coloca numa gaiola, eu definho de tristeza. Eu preciso voar... – disse ele e Adam e Jason deram risadinhas – Já o Jason...
—Oh, cale-se. – ralhou Jason, timidamente – Eu não estou namorando. Eu só a chamei pra tomar um sorvete, ok? Uma vez, no verão inteiro!
—Isso é quase um pedido de casamento, Jason. Francamente, ele não entende os sinais. – ralhou Nathan fazendo com que eu e Adam caíssemos na gargalhada – Mas e vocês dois? Quando vão se casar? – perguntou ele – Porque se Adam continuar falando sobre como está apaixonado, eu vou me dar de comida para Lula Gigante.
—Cale a boca! – ralhou Adam, corando de leve.
—Por que casar melhoraria as coisas? – perguntou Jason.
—Oh, Jason. Eu tenho que te explicar tudo? – perguntou Nathan passando o braço pelos ombros do primo – Casamento faz com que os casais parem de se amar e passem a se aturar. É a lógica da natureza. – disse ele.
—Que coisa horrível de se dizer. – ralhou Diana Rosier passando por nós, junto de Cindy e Mirtha – Oi, Addie. Como você está? – perguntou ela com doçura – Eu não tive oportunidade para falar no ano passado. – adicionou ela se aproximando – Eu realmente sinto muito pelo que aconteceu com McDonald.
—Eu também. – disse Cindy – Você está bem? – perguntou ela. Ouvir o nome de Mary pareceu ser uma facada no coração, mas eu sorri.
—Estou. – murmurei, reparando que Flint parecia louca para sair dali. Kat a pegou abraçando seu braço e as duas saíram juntas – Estou bem.
—Bem... – Diana suspirou – Se precisar de qualquer coisa, saiba que pode contar com a gente. – disse ela.
—Obrigada. – sussurrei ligeiramente surpresa e Diana sorriu gentilmente.
—Bem. Até mais. – riu ela indo embora com Cindy.
—Eu já falei que traçaria a Diana? – perguntou Nathan e Adam e Jason responderam ao mesmo tempo.
—Já.
—Não? Bem... eu traçaria a Diana. – disse Nathan com um semblante de quem cogita algo seriamente – Em várias posições.
—Cale a boca, Nathan. – ralhou Adam me puxando para seguir a turma da Sonserina. Entrei com ele no Salão Comunal e vi Rabastan gargalhar de qualquer coisa, sentado no sofá. Theo estava falando algo, enquanto Severus parecia ligeiramente desinteressado, Amico morria de rir e Jacques parecia completamente sem jeito.
—Só um minuto. – pedi, indo até eles, de mansinho.
—Então nosso pequeno Jacques fez o que? – perguntou Theo – Pediu desculpas para ela. – ele riu de novo e Rabastan parecia tentar recuperar o fôlego – Fala sério. Você deveria ter dado uns beijos em todas as amigas dela. Tipo aquela McKinnon. Ela não gosta da McKinnon.
—Bem, ele saiu com a Valentine, no baile, não saiu? – perguntou Severus calmamente – Vance também não gosta da Valentine.
—Falando nela. – Theo fez uma cara safada e Rabastan me viu e se recompôs olhando em pânico para Theo – Eu estou apaixonado. Matarem os pais dela foi a melhor coisa que poderia ter acon...
—Theo... – chamou Rabastan. Eu estava atrás de Nott, com os braços cruzados.
—O que foi? Até você confessou que ela está a maior gata. Se eu conseguir colocar as mãos naquela...
—THEO! – ralhou Rabastan e eu dei uma tossida. Theo se virou e me olhou, parecendo sem jeito.
—Ah... Black? O que faz aqui? – perguntou Theo.
—Ela está comigo, esqueceu? – perguntou Adam, atrás de mim – O que estava dizendo sobre a Srta. Valentine?
—Hum... – Theo olhou para mim, intimidado e depois para os amigos, que desviaram o olhar – Bem... ela está gostosa, né? Eu estou louco para...
—O que você estava falando de Emmeline? – perguntei furiosa e Theo sorriu.
—Que ela foi uma vaca com o meu amigo. – respondeu ele sem hesitar – E que ele não deveria deixar passar tão rápido. Você sabe o quão na fossa ele ficou? – perguntou ele e eu pisquei surpresa com a resposta dele.
—Isso não é da sua conta.
—Nem é da sua o que eu falo pros meus amigos. Você não deveria nem estar aqui. Esse é o Salão da Sonserina. – devolveu ele.
—Está tão louco assim pra sair do time, Nott? – perguntou Adam, fechando a cara.
—Fique a vontade pra arrumar um artilheiro melhor. – riu Nott com desdém – Eu não tenho medo de você, Cook. E Black, eu te aconselho a baixar a sua bola aqui dentro. – riu ele.
—Ou o que? – perguntei. Foi quando notei o silêncio do Salão.
—O que ela está fazendo aqui, Cook? – perguntou uma voz que eu odiava. Me virei e vi Mulciber. Ele estava mais alto que antes, com uma cicatriz estranha na bochecha, que o deixava muito ameaçador. Lembrava do clima do último aniversário de Jacques, onde eu tinha sido super bem acolhida na Toca da Serpente. Mas parecia ter sido em outra vida. – Sabe que não aceitamos traidores de sangue aqui.
Adam me puxou mais para perto e Nathan e Jason se aproximaram. Eu podia sentir a tensão no ar. Zamora e as amigas se mantiveram em silêncio.. Algo muito estranho tinha acontecido ali.
—Greg. – chamou Régulus e Mulciber o olhou – Deixe passar. Por favor. É a minha prima. – pediu ele.
—É, Greg. Deixe estar. – pediu Rabastan, do sofá. Mulciber se aproximou com os olhos fixos em mim e eu quase me arrependi de ter ido pra lá. Mas claro, mantive minha bitch face. Como se não tivesse um pingo de medo.
Mulciber continuou me encarando.
—Ela é Black. — Régulus apelou. — Tem sangue puro. — Mulciber virou o olhar para ele.
—Por Régulus. Mas se ela se meter onde não é chamada, eu mesmo vou cuidar dela. – jurou ele. Adam concordou com um aceno de cabeça e me puxou. Nathan e Jason nos seguiram. Virei meu olhar para Rabastan, sentindo nojo, quando ele desviou o olhar de mim para Theo, notei que ele tinha percebido meu olhar. Descemos os lances de escada e fomos pro dormitório do sétimo ano. Adam me soltou e suspirou. Jason se jogou na cama e Nathan coçou o queixo.
—Precisamos degolá-lo enquanto ele dorme, Adam. É sério. – disse ele. Adam negou com a cabeça e suspirou novamente.
—As coisas ficaram muito feias na Sonserina, Addie. – murmurou ele e eu o olhei ainda tentando manter minha máscara de tranquilidade – Aqui dentro... – Adam engoliu em seco – Somos uma absoluta minoria aqui. — ele suspirou. — Ei... não faça essa cara. Vamos aproveitar nossa noite, ok? – perguntou ele e Nathan e eu voltamos a sorrir.
—Isso. Vão trepar pra esquecer os problemas. É um bom método. – riu ele sendo atingido na cara por um travesseiro, arremessado por Adam.
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