When We Were Young
9 3th Year - Like a Cristal
Notas iniciais

LIKE A CRISTAL
HOGWARTS EXPRESS
1973
3th YEAR
—AMIGAAAAA! – Emmeline gritou alto, correndo para me abraçar. Eu estava dentro do expresso, em um corredor sozinha, já que Sirius me deixou pra ir procurar James. – Estava louca pra te ver! –e la riu e Mary logo chegou gritando que nem uma louca e ela começamos a nos abraçar e pular ao mesmo tempo.
—Vem! Vamos achar os meninos. – eu falei e nós três seguimos pelo corredor.
—Nossa olhem aquilo. Tranny Pack está totalmente dando em cima do monitor da Corvinal. – riu Emmeline. Nós olhamos e vimos à garota asiática mostrando seu decote absurdamente grande para um garoto alto e negro.
—Jace Meyer é muito gato. – falei o analisando.
—Eu sei. – Emmeline riu maliciosa. – Por isso ele nunca olharia terceiranistas como nós. – ela bufou e jogou o cabelo para o lado. – Mas nós três... – ela falou, olhando Mary que agora estava prendendo o cabelo em uma maria-chiquinha. – Vamos começar a nossa transformação.
—Transformação? Que tipo de transformação? – Mary perguntou curiosa.
—Vamos mostrar o que temos de melhor, meninas. – ela falou e deu uma risadinha. Nós paramos em frente a cabine que os meninos estavam.
— E o que temos de melhor? – perguntei. Ela me olhou travessa.
—Você vai ver o que fiz com a minha saia. – ela riu novamente. – Dizem que nós mulheres devemos nos dar ao respeito, enquanto homens podem sair por ai sem camisa porque não tem peitos. – ela falou e revirou os olhos. – Temos apenas treze anos, mas vamos começar a nossa transformação para virar as garotas mais gatas do nosso ano sempre.
—Garotas da minha vida! – James berrou e abriu a porta fazendo Emmeline cair em cima dele, já que a mesma estava encostada na porta. – Vamos relembrar os velhos tempos, Emme? – ele riu.
—Babaca. – ela disse e o abraçou, lhe beijando na bochecha. – Six! – ela pulou em cima de Sirius. Entramos na cabine e Mary foilogo tascando um beijo muito perto da boca do Peter.
—Oi, idiota. – sorri para James, ele sorriu de volta e me puxou pela cintura, colando os lábios na minha bochecha.
—Addie, olá. – me virei para Remus e o abracei também. Ele sorriu para mim todo fofo. Reparei em seu cabelo um pouco grande e com um sorrisinho baguncei ainda mais.
—Oi, Petelzinho. – falei. Não abraçei Peter, pois Mary estava muito agarrada nele. – Ah, você. – murmurei sorrindo quando olhei Sirius.
—Me segue em todo lugar não é mesmo, prima? – ele riu e se sentou puxando Emmeline para se sentar ao lado dele, passando o braço pelo ombro dela.
—Eu sei que você chora quando eu fico muito tempo longe. – provoquei e Sirius me mostrou o dedo médio rindo. Eu apenas ri com deboche.
James me abraçou por trás, apoiando o queixo no meu ombro e eu fiquei me perguntando qual será o perfume dele. Era delicioso.
—Como foi o casamento da prima de vocês? Entregaram mesmo aquela carta para o noivo? – Remus perguntou desviando o olhar de James e eu.
—Na frente de todo mundo? – Peter arregalou o olhos.
—Foi sim. – eu contei. – Foi muito legal, mas depois daquilo eu e Sirius ficamos de castigo e só saímos para ir ao banheiro, e a comida tava horrível. Tia Walburga mandava o Monstro trazer.
—Nossa, que bosta. – James disse solidário.– Vocês deveriam ter ficado na minha casa o verão inteiro.
—James, solta a Addie. – ralhou Sirius. – Mas que coisa essa sua mania de abraçar todo mundo. Parece até a Mary!
—O que eu posso fazer se eu adoro a sua prima? Ela é boa de apertar e de... – senti os dedos dele nas minhas costelas.
—Não ouse, James Potter! – disse apressada, mas lá estava ele me fazendo cócegas – Não! James! Não! Vou acertar suas bolas de novo! Juro que vou! – ameacei tentando fugir dele, mas todo mundo só ria. – Pare, idiota!
—Não faz isso, Addie. Pense nos nossos filhos! – riu James ainda me fazendo cócegas.
—Jay, por favor, Jay... chega. – pedi gargalhando e caindo de joelhos. Mas ele finalmente parou e me puxou para me deixar de pé. – Você é um cretino, sabia disso? – perguntei zangada. Ele me lançou aquele sorriso gigantesco dele e piscou pra mim, se sentando.
—Eu sei que você me ama.
E a porta se abriu novamente. Me virei e vi meu novo sonserino favorito.
—Addie. – Rabastan sorriu pra mim da porta.
—Rabastan. – Emmeline e Mary cantarolam juntas.
—Oi. – eu disse sorrindo colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
—Está bonita. — ele falou. Sorri novamente.
—Eu sei. — ri. Ele riu também.
—Posso falar com você? – ele perguntou, olhando meus amigos.
—Claro. – falei. Me preparei para sair, mas meu primo se levantou, cruzando os braços sobre o peito.
—Só conversar, Lestrange? – ele questionou completamente sério. James levantou também e percebi o quanto os dois cresceram nas férias.
—Só conversar, Black. – Rabastan respondeu, sorrindo de escárnio.
Passei pelos dois e fui até a porta. Rabastan sorriu passando o braço pelo meu ombro.
—Só conversar. – James repetiu nervoso, antes de sairmos.
—Então o que você quer? – perguntei mesmo já sabendo a resposta. Ele olhou para os dois lados e me levou até o bagageiro, mas a porta estava fechada.
—Usa a varinha – murmurei, segurando no braço dele.
—Tem um malão emperrando a porta. – ele disse e tentou mais uma vez, então me olhou. – Que se dane. – riu me beijando.
Nem pensei em recuar. Estava morrendo de vontade de beijá-lo de novo. Senti Rabastan me empurrar contra a porta do vagão bagageiro e eu enfiei meus dedos pelos cabelos dele, na altura da nuca. Sinti as mãos dele rodearem minha cintura. Achei que ele iria me beijar daquele jeito louco da outra vez, mas logo ele parou e colou a testa na minha.
—Bellatrix machucou mesmo você? Naquele dia? – perguntou ele.
Pisco, surpresa, o olhando.
—Um pouco.
—E... e... bem... – ele parecia nervoso, olhando para os lados – Você reconheceu mais algum comensal?
—Preocupado? – perguntei arqueando as sobrancelhas. Ele fechou a cara, numa expressão confusa. Parecia em algum tipo de dilema interno.
—Eu não sabia que aquilo iria acontecer... nunca iria ter te deixado voltar pra lá se soubesse. – ele murmurou corando de leve e evitando de me olhar – E eu levei uma bronca por sua causa também. – ele disse agora mais descontraído.
—Por que? – perguntei surpresa.
—Porque te levei pra nossa casa. Não foi um comportamento adequado. Ainda mais com você estando prometida ao seu primo. Nossos pais são amigos, sabe? – perguntou ele colocando a mão no meu queixo – Mas não me arrependo. Foi muito legal. – ele ri, me mordiscando de leve e de maneira carinhosa no lábio. Nunca tinha imaginado Rabastan sendo carinhoso. Aquilo estava completamente surreal.
—Vou achar que está se apaixonando por mim, Rabs. – ri com o lábio ainda entre os dentes dele. Ele riu e voltou a me beijar com força, me empurrando contra a porta.
—Quero com você o mesmo que você quer comigo, Addie. – sussurrou ele no meu ouvido. – Eu sei muito bem que só está interessada no meu rostinho bonito.
—Oh! – falei rindo, coloquei as mãos por debaixo da camisa dele, para sentir suas costas. – Fui assim tão óbvia?
—Tudo bem, eu entendo. – riu ele me beijando no pescoço – Pessoas como nós, sempre obrigadas a seguir um padrão esperado de comportamento... – ele enroscou os dedos no meu cabelo, puxando-os de leve para trás, fazendo com que minha cabeça se inclinasse e expusesse ainda mais meu pescoço. Senti a língua dele na minha pele, desenhando uma linha úmida até minha orelha – Às vezes tudo o que queremos... – senti a língua dele na minha orelha. Era muito gostoso. – É um pouco de...
—Calor. – concluí. Ele me olhou com um sorriso maroto e concordou com a cabeça antes de voltar a me beijar. Por um momento esqueci até de mim mesma.
Rabastan disse que precisava tomar cuidado ou acabaria se apaixonando... Talvez ele não fosse o único que precisava ser cuidadoso. Talvez fosse a euforia do primeiro garoto com quem eu já tivesse tido algo mais quente... mas talvez fosse outra coisa que fazia meu coração bater mais rápido. Esperava que fosse apenas o contato dos quadris dele contra os meus.
ஐ
Marlene sorriu com malícia ao ver aquela cena. Dorcas olhava sentindo o rosto ferver. Nunca tinha visto alguém beijar daquele jeito. Na verdade, a única pessoa que já vira beijar tinha sido Marlene, e mesmo assim foi bem pouquinho. E Lily parecia completamente sem jeito.
—Francamente. – murmurou Dorcas – Isso é jeito de ficar? E ele é da Sonserina!
Marlene concordou se virando. Sabia quem iria adorar ver aquela cena. Ela saiu rebolando, com um sorriso malicioso e satisfeito no rosto. Lily sentiu o cheiro de encrenca muito antes de acontecer.
—Lene. O que vai fazer? – perguntou ela.
—Lene. Deixe pra lá. Nem é o Sirius. – concordou Dorcas.
—Mas o Sirius precisa saber que a prima dele está fazendo isso. – riu Marlene sem se interromper. – Céus, vocês viram os cabelos dela? Pareciam um arco-íris.
—Isso não é da nossa conta! – disse Lily. – Qual o problema dela namorar o Lestrange?
Marlene jogou os cabelos para trás, sem diminuir o ritmo.
—Você não entende, Lily. É nascida trouxa. Mas aquele tipo de comportamento é totalmente inadequado para alguém de sangue puro, bem... para um Black.
—Qual o problema? – perguntou Lily se zangando. Odiava um monte de regras idiotas das famílias puro sangue e odiava ainda mais não entender alguma coisa por ser nascida trouxa.
—Acho que ser rica e bem nascida tem seu preço. – riu Marlene já na altura da cabine. Dorcas apenas observava nervosa.
—Lene, não faz isso. Vai ser a maior confusão.
—Mas Sirius é meu amigo, Lily. Ele precisa defender a honra da família dele.
—É coisa de puro sangue, Lily. – disse Dorcas docemente – Mas eu acho que não deveríamos...
Mas Marlene não esperou e abriu a porta da cabine.
Lily achou que estaria a maior zona, mas estava estranhamente silenciosa. Mary McDonald estava abraçada com Pettigrew, que parecia desesperado para se livrar dela. Remus estava lendo e levantou o olhar para elas, quando Marlene abriu a porta. Potter e Black estavam emburrados, como se tivessem brigado e Emmeline estava de mãos dadas com Black, parecendo um tanto sem jeito.
Mas assim que ela viu Marlene, ela ficou de pé, com um olhar ferino.
—O que quer aqui, McKinnon? – perguntou ela.
—Nada que seja da sua conta, Vance. – devolveu Marlene – Eu vim falar com Sirius.
—E o que quer falar com ele? – perguntou Vance. Lily revirou os olhos achando que aquilo era completamente desnecessário, enquanto Dorcas se encolhia, com medo de Vance.
—Você é dona dele por acaso? – perguntou Marlene.
—Sou amiga dele!
—Eu também.
—Meninas... – riu Black, com superioridade – Não precisam brigar por mim. Tem Sirius Black pra todo mundo.
Lily revirou os olhos novamente.
—O que você quer, Marlene? – perguntou Mary, soltando Pettigrew.
—Eu vim dizer que acabei de ver Adhara num pega completamente inapropriado com Rabastan Lestrange. Mãos por dentro da roupa e tudo mais. – disse ela docemente, olhando para as unhas – Achei que deveria saber.
—Está mentindo. – disse Potter ficando de pé. Black parecia ter ficado sem a capacidade de falar, o que normalmente seria algo bom, sendo que ele só falava besteira.
—Não estou, não. E o modo como Rabastan mordia e chupava ela... vai ficar toda marcada. – Marlene deu uma risadinha – Mas não precisa acreditar em mim. É só esperar um pouco e ver com seus olhos, quando ela voltar pra cá, com carinha de santinha. Vai estar toda roxa. Isso se ela voltar pra cá. Talvez ela prefira ficar com o pessoal da Sonserina. É como eu sempre disse... um raio não pode cair duas vezes no mesmo lugar, não é? – ela olhou obliquamente para Sirius – Você é o único Black decente, Sirius. Conforme-se com isso.
Lily achou que Black iria pular no pescoço dela, mas ele passou direto, com Potter em seus calcanhares. O grupo todo se entreolhou antes de sair atrás dos dois.
—Isso vai acabar mal... – lamentou Lily.
—Marlene estava exagerando, não estava? – perguntou Remus com a testa franzida.
—Bem... – Lily mordeu o lábio um pouco nervosa – Mais ou menos... Eles estavam realmente muito... – mas Remus voltou a andar apressado.
Podia jurar que ele não tinha gostado nada de ouvir aquilo.
ஐ
—Meu Merlin, Addie... quero outra noite que nem aquela lá de casa... – murmurou Rabastan no meu ouvido.
Finalmente tínhamos conseguido abrir o vagão bagageiro e agora tínhamos mais privacidade. Então eu estava sentada no colo dele. Ele apertava minhas coxas com força e estava tentando me convencer de abrir a blusa do uniforme.
—Bônus de férias, queridinho. – provoquei.
—Mas você disse que me deixaria tirar sua calcinha da próxima vez. Eu lembro disso. – riu ele com desejo.
—Eu disse isso? – perguntei me fazendo de inocente.
—Sim. Você disse. Eu me lembro bem. E ainda foi na frente da sua família inteira.
—Acho que eu disse que deixaria você tirar uma casquinha, não foi, não? – perguntei risonha. Ele deu uma risadinha e me puxou para voltar a me beijar com volúpia. Senti as mãos dele nos meus seios.
—Você está cada dia mais peituda. – riu ele me apertando com força, me roubando um gemido – Ah... lá vem você com esses seus...
Um barulho alto entrou nos nossos ouvidos. Olhamos, assustados, para a porta que tinha aberto com violência.
—Sirius? O que você está...
Mas meu primo não quis conversar. Ele olhou de mim, para Rabastan e avançou contra nós. Primeiro ele me empurrou, me jogando no chão. Antes que eu tivesse tempo de xingá-lo, ele levantou Rabastan pela gola da camisa e o socou com força. Quando ia socar de novo, Rabastan o socou também.
Não sendo o suficiente, James se uniu a Sirius e começou a chutar Rabastan, parecendo quase tão zangado quanto.
—VOCÊS ESTÃO LOUCOS? – gritou Lily.
—FIQUE FORA DISSO, EVANS! – gritou Sirius, que tinha os dentes sujos de sangue.
Rabastan caiu zonzo no chão e quando Sirius estava para socá-lo novamente, eu finalmente consegui reagir. Me enfiei entre os dois e apontei a varinha para meu primo.
Nunca. Nunca. NUNCA em nossas vidas trocamos um olhar como aquele.
—Não se meta. – sibilou Sirius.
—Não acredito que tá defendendo esse bostinha! – rosnou James, olhando enfurecido pra mim – A gente odeia esse cara! O irmão dele é um comensal de morte! É um assassino!
Meu estômago gelou na mesma hora, mas eu não baixei a varinha e nem parei de encarar Sirius.
—Se não sair da frente... – sibilou Sirius – Vou achar que é igual a Regulus.
Senti um nó na garganta. Escutei Rabastan ficar de pé atrás de mim.
—E depois, Black? O que vai fazer? Heim? – perguntou Rabastan ficando ao meu lado. O nariz torto, o olho roxo e o lábio cortado. Ele cuspiu pouco de sangue no chão. – Vai dar as costas pra única pessoa da sua família que gosta de você de verdade?
Sirius fez menção de avançar, mas eu ergui a varinha de maneira mais ameaçadora.
—Sai da frente, Addie! – rosnou James – Pare de defender o Lestrange! Ele é tão ruim quanto o irmão dele! Eles ameaçaram as suas amigas. Os seus amigos. Ele é igual a sua prima. Ele é igual a...
—Escute aqui, Potter! – cortei finalmente quebrando o contato visual com Sirius e olhando agora para James. Ele parecia quase ofendido por eu o ter chamado pelo sobrenome – Sirius é meu primo e talvez, no futuro, meu noivo, mas você não tem nada comigo. Eu não devo satisfações a Sirius e muito menos a você. Eu fui clara?
Por um momento quase me arrependi do meu momento de fúria. James me olhou parecendo magoado e então me lançou um olhar profundamente gelado.
—Como um cristal, Black. – respondeu ele me dando as costas e saindo do vagão.
—James... espere... – murmurou Peter, indo atrás dele.
Mas era tarde demais para voltar atrás, para qualquer um de nós. Sirius me olhava com profundo desgosto.
—Espero que saiba o que está fazendo, prima. – sibilou Sirius.
Remus se colocou entre nós.
—Calma. Acalmem-se, os dois. – pediu ele parecendo aflito – Saia daqui, por favor. – pediu ele olhando friamente para Rabastan.
Rabastan cuspiu sangue no chão, novamente e olhou Remus com o mesmo olhar frio.
—Se Addie quiser que eu saia, eu saio.
—Saia, Rabs. – eu disse. Remus pareceu quase aliviado e isso fez com que eu quase desistisse de falar o que eu tinha em mente – Vamos para a sua cabine.
—O que? – perguntou Remus.
—Eu disse que vou pra cabine dele. – repeti baixando a varinha – Ou será que Sirius vai me socar covardemente também?
Vi meu primo apertar o punho com força.
—Você bem que merecia, mas eu jamais faria isso. – sibilou ele.
—Eu sempre te avisei, Sirius. – disse uma voz lá de trás.
—Oh, Marlene. Por que não estou surpresa? – perguntei acidamente – Aposto que foi você quem foi correndo chamar meu primo, não foi?
—E se tiver? – perguntou Sirius tentando avançar, mas Remus o segurou. – ELA NÃO ESTARIA ERRADA. OLHA SÓ PRA VOCÊ. VAI ACABAR IGUAL À BELLATRIX! OU TALVEZ IGUAL À NARCISSA, AQUELA SONSA. APAIXONADA POR UM BOSTA RETARDADO QUE NÃO VALE NADA!
—O que você disse, priminho? – Sirius corou e se virou. Narcissa, que era monitora da Sonserina, estava parada na porta – Do que foi que me chamou? — indagou. Sirius bufou, mas não respondeu. Narcissa caminhou, abrindo caminho, com uma elegância sem limites. Ela caminhou até Rabastan e sacou a varinha, tocando-o nos machucados, recuperando-os – Quem te atacou, Rabastan?
—Potter e Black. Não a Addie... ela estava aqui comigo. – explicou ele – Mas não estávamos fazenda nada de errado, Cissy. – Adicionou Rabastan. Eu olhei para Narcissa, sabendo que eu estaria com problemas. Eu não tinha autorização para me envolver com ninguém além de Sirius. Principalmente com Rabastan. Meus pais tinham proibido depois do meu show na mesa do jantar – Eu nunca faria algo que prejudicasse a reputação dela.
Eu sabia que ele estava mentindo, mas achei muito legal da parte dele dizer aquilo.
—Eu sei que não, Rabastan. Você é um garoto com modos, ao contrário do Sirius. – disse Narcissa com muita calma. – Sirius. Eu vou te dar uma detenção. Vou falar com a professora McGonagall sobre o que você fez. Você e Potter. Começou bem o ano, primo. É um novo recorde. Não esperou nem mesmo chegarmos ao castelo. – Narcissa deu um sorriso desdenhoso e se virou para Sirius – Não me espanta que Addie esteja louca pra se livrar de você. Você é imaturo, egoísta e sem educação. – Narcissa suspirou e depois olhou para mim – Mas a culpa é minha, Addie.
—Que? – perguntei completamente confusa – Culpa? Culpa de que?
—De você ter virado amiga dele. De ter se deixado levar pela má influência. Eu deveria ter tentado ser sua amiga, como Andy fez... Nós temos idades próximas. Mas não se preocupe, ok? – perguntou ela me dando a mão – Eu vou cuidar de você. Vamos ser amigas. Somos as últimas da nossa casa. Temos que nos ajudar... ou algo realmente ruim pode acontecer... de novo. – Narcissa soltou um suspiro – Você quer ficar na nossa cabine? Prometo que ninguém vai te tratar mal lá.
—Vamos, Addie. – chamou Rabastan.
Respirei fundo e olhei para Sirius, que parecia estar com nojo de mim. Ignorei o olhar suplicante de Remus e me voltei para Narcissa.
—Só se Emmeline e Mary puderem vir também.
Narcissa olhou para as duas, como se ponderasse, mas Rabastan sorriu colocando a mão na minha cintura.
—É claro que podem. Se elas quiserem vir, podem vir.
Emmeline parecia um pouco indecisa e olhou para Mary.
—O Petelzinho vai vir? – perguntou Mary.
—Claro que não, amiga. – murmurou Emmeline.
—Emmeline, se você for... – rosnou Sirius – Não precisa mais olhar na minha cara. – ele se virou para ela – Nunca mais.
Emmeline olhou horrorizada para ele e depois trocamos um olhar. Eu sabia que ela realmente era apaixonada por Sirius e eu não sabia se queria que ela me escolhesse... qual seria o real preço daquilo?
—Céus, Sirius. Pare de ser tão egoísta! – disse Remus.
—Eu sou egoísta? – perguntou Sirius, se voltando zangado para Remus.
—Sim! Egoísta. É esse o tipo de pessoa que você é? Que faz a garota que gosta escolher entre você e a melhor amiga dela? – perguntou ele – Addie... Você está zangada. – disse Remus – Você sempre se deu bem com o pessoal da Sonserina, então eu entendo que queira ficar com eles... – Remus lançou um olhar zangado para Sirius e depois me olhou com ternura – Mas somos seus amigos. Nunca se esqueça disso, ok?
—Ok. – eu disse um pouco mais calma. Remus me deu um abraço e suspirou – Obrigada Remms... – me virei para Emmeline – Emme... está tudo bem... Eu... eu vou ficar com o Rabastan e a Narcissa... e depois a gente conversa. Não vou fazer você escolher... Nem você, Mary. Fiquem com os meninos.
Emmeline e Mary me olharam um tanto sem jeito.
—Tem certeza, Addie...? Se você quiser... – começou Mary.
—Sim. – disse com convicção. Eu sabia muito bem que nenhuma das duas ficaria confortável ali, com os Sonserinos.
Narcissa saiu primeiro, andando com o nariz empinado. Rabastan entrelaçou os dedos com os meus e me puxou. O segui, batendo meu ombro no ombro de Sirius. Ele nem me olhou. Narcisa nos guiou até a cabine e abriu a porta. Os Sonserinos me olharam confusos.
—Bem vinda, prima. – disse Narcisa parecendo muito satisfeita – Todos os Blacks pertencem à Sonserina.
—UOU! – riu Amycus Carrow. Eu não conhecia ele, mas Rabastan me falou sobre ele no dia em que fui em seu casa. Ele era o que tinha uma irmã gêmea. – E essa mãozinha dada aí, Rabs?
Rabastan sorriu torto e soltou minha mão para passar o braço ao redor dos meus ombros.
—Pois é... foram as férias mais doidas da minha vida. – riu ele – Abre espaço pra minha garota aí. – adicionou ele.
Regulus ainda me olhava em choque e Snape parecia muito feliz em me ver.
—O que ele fez com você? Lavagem cerebral? – perguntou Severus chegando para o lado, para que eu e Rabastan sentássemos.
—Potter e Black foram os idiotas de sempre. – respondeu Rabastan – Sem motivo algum dessa vez. – adicionou ele quando eu fiz careta. Não gostava de ouvir esse tipo de coisa.
—Onde está a gostosa da sua amiga? A Vance? – perguntou Amycus. – Agora você tem que fazer os contatos, Rabastan!
Um garoto que eu não conhecia bufou para Amycus e o Nott riu.
Narcissa cruzou os braços, achando graça e ficou com as costas apoiadas na porta.
—Vance ficou com os Grifinória. – respondeu Rabastan – Eu falei que ela seria bem vinda, mas para evitar uma crise entre amigas, Lupin interveio.
—O que quer dizer? – perguntei para Rabastan.
—Não é óbvio, prima? – perguntou Narcissa ainda rindo, parecendo muito satisfeita com tudo – Ele sabia que ela escolheria o Sirius. Quis proteger seus sentimentos e falou que era egoísmo do Sirius fazer aquilo, assim nenhum de vocês iria exigir uma escolha dela. – Narcissa riu debochadamente – Muito esperto e nobre dele, admito.
—Eu não acho que Emmeline escolheria Sirius. – disse querendo me convencer daquilo.
—Nenhuma delas iria querer vir aqui. Não são como nós. Não se sentem bem. – disse Rabastan.
—Pare de dizer besteira. – ralhei.
—Entenda, Addie. Nós somos diferentes deles. Suas amigas são legais, mas... – Rabastan fez uma careta desconcertada – Não estou querendo ofendê-las, não me entenda mal. Mas você sabe que elas não se sentiriam a vontade aqui, como você se sente.
—Eu ainda não sei se estou à vontade. – sibilei.
—Logo fica. – riu Narcissa – É só esses idiotas não começarem a falar do Lorde das Trevas.
—Por que não? Vai dizer que Bellatrix Lestrange é a única Black fêmea que tem bom senso. – provocou Amycus.
—Alguns de nós acham que ele é muito radical. Não é matando e torturando pessoas que se...
—Narcissa. Estamos em guerra. O que acha que se faz numa guerra? – cortou Rabastan. Ele era o único que era realmente amigo dela ali, afinal os amigos dele apenas a conheciam por ela ser monitora da Casa deles, mas Rabastan a conhecia desde milhões de jantares.
—Desculpe, mas ninguém aqui é Comensal de Morte. Vocês são apenas crianças e não soldados. Então vão fazer o que gente da idade de vocês deveria fazer. Conversar sobre quadribol, matérias, férias... – Narcissa olhou de rabo de olho pra mim – Paqueras...
Rabastan deu uma risadinha.
—Tipo isso. Quando foi que isso aí aconteceu? – perguntou Severus.
Eu e Rabastan ficamos em silêncio um tempo, antes que ele respondesse.
—Isso é só entre eu e ela. – disse ele – Pelo menos enquanto ela preferir assim.
—Por que? – perguntou Regulus – Eu realmente queria saber o que REALMENTE aconteceu entre vocês... – ele provavelmente se referia às coisas que eu tinha dito naquele fatídico jantar em que levei um tapa da minha tia.
—Eu já disse que prometi para Addie que não falaria a respeito com ninguém. Eu sou um cara de palavra. – disse Rabastan e eu me senti obrigada a sentir afeto por ele.
Narcissa ficou quase uma hora no vagão, até que eu esquecesse que ela estava ali. Eu conversei numa boa com Regulus, Rabastan e Severus. Alecto logo se sentou ao meu lado para falar o quanto aquele garoto ao lado de Nott era bonitinho. Claro que aos sussurros, mas tenho certeza que Rabastan escutou.
Eu já estava tão concentrada e a vontade na conversa sobre quadribol com Amycus e Rabastan, que nem notei quando Narcissa saiu. Fiquei todo o tempo espiando a porta da cabine, esperando que Emmeline ou Mary apareceriam para me ver, mas nenhuma das duas vieram.
Senti um desconforto no estômago. E se Narcisa e Rabastan estivessem certos? Emmeline não iria me escolher? Ela daria mais importância ao pau de Sirius do que à nossa amizade? Quis não me sentir magoada com isso...
Mas não deu.
ஐ
Jantei na mesa da Sonserina pela primeira vez na minha vida. Algumas pessoas me olhavam confusos, outros sorriam e davam tapinhas nas costas de Rabastan. Ele parecia levemente desconfortável com aquilo e eu sabia exatamente o que era.
Estavam todos esperando que em breve seríamos um casal. Mas ele tinha deixado claro e eu também.
Só queríamos nos divertir.
Mas até que consegui me distrair durante o jantar. Eu e Sev ficamos conversando durante muito tempo, sem que Rabastan falasse algo. Ele ficou de papo com Avery e Mulciber. Mas quando o jantar terminou, e recebemos a orientação de voltar para nossos salões comunais, eu fiquei realmente apreensiva.
—Quer dormir comigo? – perguntou Rabastan no meu ouvido. — Podemos dar um jeito de você entrar...
—Não... melhor não. – murmurei – A gente se vê amanhã, ok? – perguntei.
—Como quiser. – respondeu ele me beijando na bochecha. Então ele se virou e saiu com os colegas sonserinos.
Fiquei muito para trás da turba de grifinórios e por pouco não peguei o retrato aberto – o que seria um problema, afinal, eu não tinha a senha. Nenhum dos meninos estavam no salão, então imaginei que já teriam ido para o dormitório. As meninas também tinham subido. Bem... Emmeline e Mary tinham subido. Marlene, Dorcas e Lily estavam ali.
Lily, assim que me viu, veio falar comigo com cara de preocupação.
—Como você está? – perguntou ela.
—Vou sobreviver. – respondi me abraçando. Ela deu um sorrisinho e cutucou meu pescoço.
—Está roxo aqui. – riu ela – Quero que saiba que eu acho que Sirius e Potter foram idiotas. Você tem o direito de beijar quem você quiser. – adicionou ela – E eu achei completamente errado da parte de Marlene correr para contar pro Sirius. Eu tentei impedir, mas... você sabe como ela é.
—É... eu sei... – sibilei olhando para Marlene. Ela riu com deboche para mim e me mostrou o dedo médio – Mas eu vou te contar uma coisa, Lily. Quando eu quero ser boa, eu sou... mas quando quero ser má, eu sou melhor ainda. Marlene vai pagar caro por isso.
—Addie... deixa isso pra lá. – pediu Lily – Não vê que esse comportamento só faz piorar a situação? Toda hora alguém quer se vingar. Sempre tem alguém querendo dar o troco! Precisamos parar com essa desunião e...
—Lily. – eu cortei – Eu briguei com meus melhores amigos e com o meu primo por causa dela. E agora estou com milhões de dúvidas na minha cabeça. Dúvidas essas que eu nunca tive antes. Alguém vai pagar o preço e esse alguém vai ser McKinnon. Ela vai pagar e caro.
—Addie...
—Boa noite, Lily. Eu gosto muito de você. Não fique andando com aquela nojenta, por favor.
—Mas...
—Eu tenho que falar com Emmeline.
Com isso virei as costas e saí. Estava indo subir as escadas quando cruzei com James. Ele me olhou e não sorriu. Os olhos dele desviaram dos meus e ele desceu as escadas. Meu coração doeu de leve, mas repeti para mim mesma que eu precisava ter dito aquilo.
Eu não era um objeto deles, nem um bichinho de estimação. Eles não eram meus donos. Eles não tinham o direito de ditar com quem eu ficaria ou deixaria de ficar. Era a minha vida e ponto. Por isso suspirei e voltei a subir os degraus.
Quando abri a porta, Emmeline e Mary estavam na mesma cama, conversando aos cochichos. As duas riram para mim, cheias de animação.
Mas eu não estava animada.
—Pensei que ao menos iriam ficar um pouco comigo... mas nem se preocuparam, não é? – perguntei acidamente. Emmeline e Mary perderam o sorriso e Mary encarou Emmeline com receio.
—Amiguinha... não fique assim... nós... – começou Mary. Mas eu não estava com raiva dela. Minha raiva era só de Emmeline.
—Preferiu ficar no colinho do Sirius, Emmeline? Achei que dava valor à nossa amizade. – disse zangada.
—Desculpe. Você acha que eu não dou? – perguntou ela ofendida.
—É o que parece, não é?
—Amiguinhas. – murmurou Mary – Addie... é só que...
—É só que o Sirius é mais importante. Não perder para Marlene é mais importante. Arrumar um maldito namorado é mais importante.
—Do que está reclamando? – perguntou Emmeline saindo da cama – Você nos deixou no clima mais esquisito do mundo pra se agarrar com aquele garoto!
—Oh, sim. Deixei o SIIIIIX... – falei com uma voz irritante – ... zangadinho. Tadinho dele, não é? Ele é seu mundo, certo?
—Addie... – começou Emmeline, mas eu estava numa ira absurda. Parecia que estava naquela mesa de jantar novamente, com Rodolphus querendo falar que só estava tentando nos defender. Com Bellatrix falando que eu deveria só estar nervosa com o que tinha acontecido.
—Naquela hora, no vagão bagageiro... você ia escolher o Sirius, não ia? – perguntei. Emmeline respirou fundo e desviou o olhar. Mas logo vi que seus olhos estavam enchendo-se de água.
—Sim... eu ia. – respondeu ela.
Respirei fundo, tão fundo, que achei que iria explodir. Era exatamente como Narcissa e Rabastan tinham dito. Respirei tão fundo, mas ainda assim parecia sem ar. Emmeline poderia ter me dado um tapa. Não teria doído tanto quanto aquelas palavras.
—Nossa, Emmeline... é realmente seu tipo preferir um pau a sua melhor amiga. Se é que eu sou sua amiga. Se é que você sabe o que isso significa, não é? – perguntei querendo soar fria, mas tenho certeza que meus olhos cheios de água não deram a impressão que eu tinha desejado.
—Acha que eu não sei o que é amizade? – perguntou Emmeline inchando como eu tinha feito pouco antes – Eu estava tão desesperada com o que aquela comensal, sua prima, faria com você que eu estava para me entregar. Eu nem pensei no Sirius. Eu só pensei em você! E na Mary. Eu chorei de desespero quando começou o ataque em Godrics Hollow, porque eu achava que você estava lá. Eu pensei que você tinha morrido. Eu saí desesperada atrás de você. O Remus teve que me segurar, falando que você estaria muito mais segura lá do que eu. Mas eu nem liguei. Tudo o que eu queria era te achar de novo! Mas você acha que eu não sei o que é amizade?
—Então por que não iria me escolher? HEIM?!
—Porque eu estava morrendo de medo, está bem?! – gritou ela com o rosto cheio de lágrimas.
—Medo? Medo de que?
—Lestrange, Addie! Ele é um Lestrange. Pra você ele pode ser apenas um garoto bonito que te trata bem, mas sabe o que ele é pra mim, ou pra Mary? Sabe?
—Ele não é o irmão dele!
—Não é? Quão diferente ele é? Ele apoia as coisas que o irmão dele faz, não apoia? Ele acha que... que Você-Sabe-Quem é um super herói! Você disse que ele tinha um monte de recortes de jornal sobre ele. Que ele achou super maneiro que aquele monstro fosse padrinho do casamento do irmão dele... então me diz, Addie! O quão diferente ele é?
—Ele nunca machucaria vocês! – disse sem ter certeza disso – Ele disse que vocês seriam bem vindas, não disse?
—Claro que disse. – disse Mary, tranquilamente – Porque ele quer entrar nas suas saias, amiguinha.
—Não se mete, Mary.- mandei.
—Escute, Addie... eu amo você. Eu tenho um carinho por você que eu nem consigo explicar. Mas eu tenho medo. Medo pela minha família. E se eu estou te falando isso... – Emmeline limpou o rosto com as costas das mãos – É porque eu me importo pra caralho com você. Eu nunca choro. Eu nunca admito ter medo. Eu sempre cobro de mim mesma ser forte. Ser confiante. Eu preciso ser isso, lá em casa. Eu preciso nunca ter medo, porque todos contam comigo lá...
—Emmeline...
—Eu respeito que você queira curtir com o Lestrange. Ele é bonitão e te trata bem... Mas não me peça pra ficar com você quando ele estiver, e por favor, não diga nada sobre mim ou sobre minha família pra ele... – Emmeline cruzou os braços fungando – Eu sou a única pessoa que pode proteger minha família... Eu sou a única bruxa... E só porque minha família está com o prazo de validade quase vencendo...
Ela parou de falar. Nós duas ficamos no encarando de braços cruzados. Mary sentada na cama, chorando baixinho, abraçada a um ursinho de pelúcia muito feio e verde.
Suspirei e a puxei para um abraçado apertado.
—Está tudo bem, Emmeline. — murmurei.
Senti as mãos dela me abraçarem de volta.
—Pra sempre amigas, lembra? – disse ela, chorosa.
—Pra sempre amigas... – concordei, com o rosto muito molhado. Olhamos para Mary.
—O que está esperando, Borboletinha? – riu Emmeline – Vem já aqui.
—É claro, amiguinhas! – riu Mary correndo para nos abraçar – Eu amo vocês!
—Eu amo vocês. – repetimos eu e Emmeline, em coro.
ஐ
No outro dia eu achei que tudo ficaria bem depois que me resolvi com Emmeline e que estávamos bem como nunca. Esperamos ficar sozinhas no dormitório para colocar o plano transformação de Emmeline em prática.
—Vamos ficar simplesmente muito gostosas. – disse ela – Saia curta, decote evidente, seios maiores. Essas coisas. – riu ela – Sem falar que precisamos ter postura de quem é gostosa e sabe disso. Tipo aquela sua prima Narcissa. Todos os garotos quebram o pescoço quando ela passa. Temos que ser desse jeito.
—Mas como? – perguntou Mary olhando para o próprio busto pequeno. Nem ela e nem Emmeline tinham os seios muito grandes. Só eu já tinha alguma coisa. Mas o que Emmeline não tinha em peito, ela tinha em bunda. Uma linda bunda empinada, que fazia seu rebolado ficar muito chamativo. Mary, no entanto, era bem magrinha – Feitiços para fazer os seios crescerem são avançados...
—Vamos fazer isso à moda trouxa. – riu Emmeline pegando papéis e enchendo o sutiã, na frente do espelho. Então ela arrumou para que ficassem do mesmo tamanho e então desabotoou a camisa, deixando um decote evidente, mas não tanto a ponto de mostrar o sutiã. Então ela se virou e mostrou os novos peitos – Viram? Simples, rápido e sem magia.
—Hum... eu vou usar só a saia curta mesmo. – falei.
—Eu tenho uma ideia pra você. – riu Emmeline desabotoando uma casa da minha camisa. Meu sutiã preto aparecia, mas como ele era de renda, ficou um efeito até bonito – Pronto. Tá perfeito.
—Meninas... eu não sei se esse estilo combina comigo... – lamentou Mary – Não vai ficar muito falso?
—Não. É só começar com pouco enchimento e ir aumentando com o passar do tempo. Ai quando notarem... PAM... peitões. Entendeu? – riu Emmeline.
Depois de dez minutos estávamos descendo as escadas, completamente risonhas, nos achando – e sendo – simplesmente deliciosas. Quando chegamos no Salão Comunal, Marlene e Sirius estavam conversando, mas Emmeline não se abateu. Ela foi até ele o abraçou no braço.
—Six. Vamos pra aula? – perguntou ela. Sirius sorriu para ela.
—Café da manhã primeiro. – riu ele.
—Ah... é verdade.
—Você podia pular a refeição, Vance. Está engordando. – sibilou Marlene.
—Eu estou gostosa e não gorda, sua tábua. – riu Emmeline com malícia, colocando as mãos na cintura e girando no mesmo lugar. Sirius a devorou com os olhos.
—Bom dia, Addie. – riu Lily – Uau. Você esqueceu de abotoar sua blusa. – disse ela baixinho.
—Não... é assim mesmo. É um novo visual. – disse dando de ombros. – Ideia da Emmeline. – adicionei. Lily olhou para o próprio busto, que era quase tão grande quanto o meu e deu uma risadinha.
—Talvez eu tente. Mas preciso de um sutiã bonito como o seu.
—Eu te empresto um! – disse sorrindo.
—Certo! – riu ela.
Remus logo veio me dar um beijo de bom dia e James e Peter vieram atrás dele. James olhou para mim e seus olhos castanhos foram direto para meu decote. Fingi não ver, mas ele não fez nenhum comentário. Na verdade, ele abraçou Lily Evans no lugar disso.
—Oi, Lily! Tudo bom? Bom dia! – riu ele a beijando no rosto. Lily corou completamente, não esperando por aquilo.
—Me solta, Potter. Tá louco? – ralhou ela.
—Não consigo. Você é tão boa de apertar. Sente cosquinhas? – perguntou ele rindo muito. Dando o sorriso que normalmente era pra mim.
—Não! Não! EU ODEIO COSQUINHA! PARA COM ISSO, POTTER! – gritou Lily, mas logo ela estava gargalhando, tentando se livrar dele. Virei o rosto, zangada. Por que raios eu estava zangada? Eu odiava quando ele fazia aquilo comigo.
—Vamos, Addie? – riu Emmeline.
—Vamos. – resmunguei furiosa, saindo de perto deles. As risadas de James e Lily na minha cabeça.
—Eles formam um casal bonitinho, não acham? – perguntou Emmeline olhando para trás, enquanto Lily dava um monte de tapas em James, que gargalhava, tentando se proteger.
—Não! – respondi sem humor – Potter é um idiota e Lily... Lily é só uma sabe-tudo!
—Opa! – riu Emmeline fingindo farejar algo no ar – Estão sentindo esse cheiro? Parece ciúmes...
—Vai a merda, Emmeline. – ralhei. – Ele não falou comigo e me interrompeu. Eu estava conversando com ela, mas agora nem dá mais, não é?
—Calma, calma... não tá mais aqui quem falou. – riu ela.
Eu não estava com ciúmes. Não mesmo.
Quando chegou o fim do dia eu estava num humor ruim dos infernos e provavelmente tinha comido algo estragado, porque minha barriga não parava de doer. Estava tão furiosa, que mandei Rabastan voltar para o ninho de cobras dele. Por sorte ele riu e disse que me procuraria depois.
E quando finalmente voltamos para o Salão Comunal, e eu, Emmeline e Mary nos sentamos para fazer as tarefas do dia, Remus parecia muito sem jeito, Sirius não soltou nenhuma piadinha pra mim. James não sorriu e nem me abraçou e Peter não pediu minhas respostas. James beijou Lily no rosto e saiu correndo, fugindo dos tapas dela. Sirius nem deu em cima de Emmeline e Peter saiu correndo atrás deles.
Remus parou no pé da escada, me olhando, como se pedisse desculpas. Ele suspirou e subiu em seguida.
Ficamos em silêncio por um tempo. Tentei escrever qualquer coisa sobre o feitiço que destransfigurava as coisas, mas não consegui. Então larguei minhas coisas no sofá e saí andando.
—Addie... – chamou Emmeline. Mas eu não parei. Subi para o dormitório, entrei na minha cama e fechei as cortinas.
—Eu vou chorar agora... – murmurei para meu travesseiro – Mas vai ser a primeira e última vez. Nenhum deles, nunca mais vai conseguir arrancar uma lágrima minha. – jurei pra mim mesma. E então chorei, abafando o som com o travesseiro.
Sentia falta do meu primo, de Remus e de Peter.
Mas principalmente do sorriso largo de James. Tudo que conseguia fazer era lembrar dele falando.
Como cristal, Black.
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