When We Were Young

6 2th Year - Furry Little Problem


Notas iniciais
HELLOOOOOO ♥ Obrigada pelos comentários maravilhosos. E espero que gostem desse capítulo sobre o triste "probleminha peludo" do nosso querido Remus. ENJOY ♥

FURRY LITTLE PROBLEM

HOGWARTS

1972

2thYEAR

—Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. – Sirius falou, se jogando em sua cama. Ele colocou as braços atrás da cabeça e jogou as pernas em cima do colo de Remus que havia se sentado na beirada da sua cama.

—Cala a boca. – mandei e ele me deu a língua. – Primeiro um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar e segundo nem todo mundo da Sonserina é um caso perdido, olha só a Andy. – apontei e revirou os olhos. – Só quero dizer que Regulus é seu irmão mais novo e que nós dois devemos protegê-lo e não tratá-lo como bosta de dragão só por que está na Sonserina.

Ele revirou os olhos novamente, mascando um chiclete baba de bruxa.

—Ele foi pro lado negro da força. – resmungou. Foi minha vez de revirar os olhos.

—Você é tão idiota, Sirius. – falei e ele riu e jogou pra mim um chiclete.

—Addieeee, me conta. – Mary pediu, girando os olhos. – Como foi quando você e o Sirius ficaram o resto da festa de casamento da prima de vocês, presos em um armário, bem apertadinhos? – ela riu travessa e mordeu a língua. Emmeline riu também trocando risadinhas com Mary.

—Foi um saco. – disse Sirius. – O joelho da Addie ficou apertando o meu saco o tempo todo. – ela contou, fazendo todos rirem alto. Eu dei uma risadinha e masquei meu chiclete, sentada na cama de James. Ele estava ao meu lado e nossos braços estavam encostados.

—Foi nojento. – falei, lembrando-me dos peidos que Sirius soltou para me irritar.

—E o cara que vocês viram? Do jeito que falaram ele parecia ser assustador. – falou Peter, se encolhendo todo como se arrepios estivessem correndo pelo seu corpo.

—E dava mesmo. – falei, semicerrando meus olhos. Puxei minha varinha e murmurei um feitiço e o quarto todo ficou escuro. – Lummus. — sussurrei e coloquei a varinha embaixo do meu queixo. Eu sendo o único ponto de luz no quarto inteiro. – Ele era pálido, parecia morto, seus olhos pareciam a própria morte. – falei e escutei uma lamúria do Peter. — E então ele disse... HÁ! – berrei e todos gritaram assustados. O quarto se iluminou novamente e vi Remus segurando a varinha, enquanto eu gargalhava.

—Não teve graça, Addie. – Peter disse, tremendo.

—MEU MERLIN! – Sirius gargalhou. – Foi hilário! – ele disse e bateu a mão na minha. – Muito bom, Addie.

—Eu sei. – ri travessa, jogando meu cabelo para o lado. – Mas, ele era até bonitão, na verdade. — contei.

—Estou cansada. – murmurou Emmeline e se espreguiçou. Ela tinha voltado das férias um pouco mais evoluída, seu corpo estava ficando com mais curvas a começar pela bunda dele que estava ficando grande o suficiente para chamar a atenção dos meninos.

—Eu também. – Mary disse e se levantou. – Até amanhã, Petelzinho. – ela beijou as duas bochechas de Peter com força além do necessário.

Levantei-me e sorri para os meninos.

—Até amanhã, manés. – falei, enquanto Mary saia do quarto. Emme passou o braço pelo o meu, não fechamos a porta e enquanto descíamos as escadas dava para escutar os meninos conversando.

—Cara, vocês viram a bunda da Emmeline? – indagou Sirius. — Uau.

Emmeline riu baixinho ao meu lado, apertando meu braço.

—Bunda da Emmeline? O que eu vi foram os peitos da Addie, dava até para ver o sutiã dela pelo uniforme. – disse James. Eu e Emmeline trocamos um olhar divertido, mas meu primo pareceu não gostar.

—Cala a boca, Potter!

—Mandrágoras. – Professora Sprout falou. – O que vocês sabem sobre mandrágoras? – ela questionou.

Levantei minha mão, com um sorrisinho. E ela apontou para mim.

—O grito de uma Mandrágora pode ser fatal para quem se escuta, mas se a mandrágora não estiver totalmente crescida o grito apenas torna uma pessoa inconsciente. – falei, já sabendo que essa era a resposta correta.

— Muito bem. – a professora sorriu. — Cinco pontos para Grifinória. – ela disse. Peguei um pergaminho e comecei a escrever o que eu sabia que a professora iria perguntar. – E alguém pode me dizer a aparência de uma mandrágora recém-nascida?

Passei o pergaminho com a resposta para Emmeline que leu rapidamente com um sorrisinho.

—É semelhante a um bebê. – Emmeline falou para a professora. – Um bebê bem feio. – ela acrescentou, fazendo risadinhas rolarem pela sala.

—Isso mesmo, mais cinco pontos para Grifinória. – a professora disse sorrindo satisfeita. – Mas elas também são boas, alguém sabe por quê?

Passei o pergaminho dessa vez para Mary. Ela leu menos discretamente do que Emmeline, mas a professora não pareceu notar.

—Elas sevem como antídoto, para uma pessoa petrificada. – ela disse, dando o sorriso mais alegre o que distraiu a professora.

—Que trio inteligente. – Professora Sprout disse para nós, um sorriso marcado em seu rosto. – Cinco pontos para a Grifinória.

Eu e minhas amigas nos entreolhamos cheias de sorrisinhos sem dentes. A professora falou mais algumas coisas e nos mandou colocar os abafadores, nos demonstrou como reenvasar uma Mandrágora e depois nos mandou fazer igual a ela.

—Obrigada, amiguinha. – disse Mary para mim e tirou uma Mandrágora com força.

—Parece o Peter, não? – Emmeline comentou, risonha.

Viramos a cabeça de lado olhando a Mandrágora que se esgoelava, ela realmente aparecia um bebezinho extremamente feio, as folhas cresciam diretamente da sua cabeça e parecia até gordinho.

—Parece nada! – Mary resmungou, com um bico e colocou a mandrágora em outro vaso. – Petelzinho é muito fofinho e lindinho, não é feinho que nem isso. – ela disse, enquanto jogávamos terra úmida no vaso.

—Quem vocês acham mais bonito? – perguntou Emmeline. Acho que estávamos chegando naquela época que garotos pareciam mais interessantes, pois Emmeline não parava de falar sobre eles, muito mais que no ano passado. – Dos meninos? – ela apontou para os meninos que se divertiam balançando as mandrágoras pelas raízes.

—Petelzinho. – Mary respondeu imediatamente, com uma voz melodiosa. Ela apoiou a mão no queixo olhando sonhadoramente para ele.

Eu e Emmeline a imitamos. Remus percebeu que olhávamos para lá e falou com os garotos. Quando Peter nos olhou, nós três sopramos um beijinho para ele, fazendo-o corar, enquanto Sirius e James davam risadinhas.

—Eu gosto do Sirius. – Emmeline contou e mordeu os lábios travessa. Revirei os olhos. Ela fava como se ninguém soubesse disso.

—Isso tá na cara – Mary resmungou. E eu ri. – E ele parece gostar de você também, mas... – Mary continuou e Emmeline perdeu o sorriso.

—Mas o que? – ela perguntou, ficando ereta.

—Mas ele gosta da Marlene também. – terminou Mary. Olhamos para a menina loira no meio da ruiva e da esquisita. Ela deu um sorrisinho para Sirius que retribuiu.

—Mas que bosta de dragão. – Emme murmurou, jogando mais terra na mandrágora. – Por que essa chata da Mckinnon tinha que se meter?

—Porque não gosta de outro garoto? — indaguei.

—Tipo quem? — bufou Emmeline, encarando Marlene parecendo irritada. — James? A única coisa que ele se importa é com quem vai zoar na próxima vez.

—Talvez alguém de outra Casa. — sugeriu Mary, ainda mandando beijinhos para Peter.

—Mas, eu gosto do Sirius. — resmungou Emmeline, cruzando seus braços. Eu e Mary nos entreolhamos e rimos.

—Então vai ter que aprender a lidar com McKinnon.

—Como vai, bichinha? – Rabastan Lestrange falou para Sirius em frente à sala de Transfiguração. Meu primo se virou para ele, pronto para puxar a varinha, mas apenas revirou os olhos.

—Cala a boca, Lestrange. — ele resmungou e puxou James para entrarem na sala. Eu e Remus estávamos logo atrás do dois, com Peter nos seguindo.

— O que foi? É um tempinho a sós com seu amiguinho? Antes da aula começas. – ele riu. Senti seu olhar em mim e eu o encarei de volta, mostrando o quanto estava incomodada com a presença dele.

—Do que você ta falando, Lestrange? – James indagou. Ele assumiu a frente e encarou Lestrange com desafio.

—Sirius não quer casar com Adhara, por que é uma bichinha apaixonada por você. – ele debochou, piscando para mim. Revirei os olhos mais e os amigos sonserinos de Lestrange riram alto, principalmente Snape.

—O que você disse? – James questionou e jogou a mochila no chão.

—Você ouviu. – Lestrangerespondeu, também jogando a mochila no chão. Os dois rapidamente sacaram suas varinhas.

—Lonquens Spinas. – James gritou e apontou a varinha dele para a cara de Lestrange que deu um berrou e colocou a língua para fora que estava dura e com pequenos espinhos, resultado da azaração.

—Tarantallegra! – Snape berrou e apontou a varinha para James fazendo com que as pernas dele começassem a bambear.

—Trip Jinx! – me meti e lancei a azaração em Severus e Lily me lançou um olhar de irritado, mas eu apenas empinei meu nariz para ela.

—Adhara! – Snape resmungou, me olhando com raiva.

—Você atacou o James. – eu disse. Snape levantou a varinha para mim. E Sirius rosnou irritado se colocando na minha frente.

—Ora, seu... – Sirius ele resmungou, mas antes de terminar se jogou em cima de Severus e os dois começam a se atracar, dando socos.

Remus ajudou James com um contra feitiço que já se levantou e empurrou a cara de Lestrange na parede. E Sirius continuou empurrando Snape no chão e o socando onde era possível.

—Isso, Sirius! – Emmeline gritou segurando a bolsa dela e a dele enquanto eu segurava a do James. – Esfrega esse nariz horrível dele no chão.

—Sirius! James! Parem com isso. – gritei para eles. Aquilo daria em uma grande detenção se eles não parassem antes de serem pegos. – Parem. – repeti, mas acabei rindo quando James berrou que nem louco quando acabou encostando as mãos nos espinhos na língua de Lestrange.

—Senhores. – todos ficamos duros ao escutar a voz séria de McGonagall apareceu na porta e a pessoas começam a dispersar. Os meninos que estavam na briga se separaram imediatamente e a encararam todos desarrumados. – O que é que está acontecendo aqui?

—Professora! – Remus chamou e entrou na frente dela. – Não foi culpa deles! Eu juro! Lestrange provocou o James. – ele falou rapidamente. – Não foi culpa deles.

—É muito bom querer ajudar os amigos, Sr. Lupin. Mas não quando estão errados! – ela disse, ainda muito séria. James soltou um muxoxo. – Todos entrem na sala, menos vocês quatro.

Eu e Emmeline sentamos juntas e Mary sentou com a esquisita da Meadowes na nossa frente. Apoiei minha cabeça no meu braço e escutei a voz severa da professora McGonagall do outro lado da porta dando um esporro nos meninos.

—Eles vão se ferrar. – Emmeline sussurrou para mim. Ninguém na sala falava, todos estavam quietos querendo ouvir o que a professora dizia par aos meninos. – O que o Lestrange quis dizer?

—Nas férias ele e Sirius brigaram lá em casa. – contei pra ela. – Lestrange chamou Sirius de gay. – murmurei. Ela assentiu, entendendo. – O que é horrível. — eu disse. — Rabastan Lestrange é o maior idiota, não acha?

—Definitivamente. – ela disse, deitando a cabeça sobre o braço também. – Então... – ela sorriu travessa. – Vi uns sorrisos do James pra você. – ela riu e eu revirei os olhos, com um sorrisinho.

—Ele sorri daquele jeito pra todo mundo. – respondi e ela riu travessa.

—Sim, mas quando é pra você é diferente.

—E por que seria?

—Por que ele sorri toda vez que te vê.

—Eloá, por favor. – nos escondemos ao escutar a voz de Lucius Malfoy – Vamos! Mais uma vez.

—Não mesmo, Lucius. – dessa vez escutamos a voz de Elóa Bustrolde, uma das melhores amigas de Narcissa. — Ela quase nos pegou da outra vez.

Eu, James, Sirius, Remus e Peter estávamos embaixo da capa e como éramos muitos, às vezes nossas canelas apareciam, mas nos esprememos o melhor possível.

—O que será que o Malfoy quer? – Peter perguntou, curioso.

—Cala a boca, Peter. – todos sussurramos ao mesmo tempo.

—Não, Lucius. – a voz da Elóa saiu meio abafada e nos esticamos para ver melhor. Ela estava encostada na parede e Lucius a empurrava ainda mais contra a parede, enquanto a beijava na boca. Meu queixo caiu na hora... se Cissy visse isso. — Não! – ela resmungou desgrudando os lábio agora vermelhos e inchados dos dele. – Narcissa me mataria se... — vimos a mão dele subir pelas coxas dela e lhe aperta o traseiro. — Chá de Lua me da enjoo...

—Eu não ligo de ter um bastardinho. – ele falou.

—Que droga, Lucius... – ela murmurou, mas tinha os olhos fechados e a mão de Lucius agora se perdia no meio das saias dela. Ela deu uma risada e agarrou a gravata do uniforme dele. – Lucius. – ela gemeu e segurou o braço dele que fazia algo no meio das pernas dela.

— O que ele está fazendo? – perguntou Remus, arregalando os olhos e escutamos mais um gemido de Elóa. Ela tinha a pele morena e cabelos amarronzados e lisos.

—Não sei, mas quando Narcissa ver isso... – falei, minha mente trabalhando em várias formas de contar isso para ela. Sirius olhou para mim.

—Qual é? – Sirius disse e sorriu malicioso. – Como vocês não sabem o que ele está fazendo? – ele perguntou e deu uma risadinha – Ele está dedando a Elóa.

Cubri minha boca com minhas mãos e dou uma risada alta abafada. Já tinha ouvido falar sobre aquilo, é claro. E se eu perguntasse a Emmeline com certeza ela sabia de algumas histórias sobre as amigas da avó dela.

—Dedando? – Peter perguntou confuso.

—É, Peter. Sabe quando seu pintinho fica levantadinho e você dá uma aliviada? – James disse e arqueou a sobrancelha. Peter acenou com a cabeça, corado. – É isso, só que é como as garotas fazem.

—Sério? Mas como? – ele perguntou curioso. — Garotas realmente fazem isso? — ele perguntou e me mirou.

—Ah... isso. – Elóa gemeu mais uma vez e voltamos a prestar atenção neles. – Já chega, Lucius. – ela pediu manhosa e se soltou dele. Ele riu e chupou os dedos dele que antes estavam dentro das saias dela.

Sirius e James riram maliciosos. E Remus estava muito vermelho.

—Volte aqui, Elóa, ainda não terminamos. — ele disse, a puxando pela saia.

—Sim, terminamos – ela disse ofegante. Ela sorriu e se deixou ser puxada pela saia até que seu corpo estivesse apertado contra o dele. — Malfoy, sua noiva não vai gostar de saber que você fica me perseguindo. – ela falou, com uma voz provocativa. Ela o deixou beija-lá no pescoço, até se separar novamente dando risadinhas e sair andando. Lucius sorriu também e começou a andar atrás dela. Ele acabou batendo em Remus, que bateu em James, que bateu em Sirius, que bateu em mim, que bati em Peter, que bateu na parede fazendo um estalo. Ficamos parados, sem nem respirar direito para que a capa não se mexesse.

— Quem está ai? – gritou Lucius. Mas como ninguém respondeu e a voz de Elóa chamou seu nome ele foi embora. Nós tiramos a capa e deixamos ela escorregar par ao chão.

—Aquela Eloá é uma... — meu primo suspirou sonhadoramente. Eu olhei para ele e o cutuquei com meu cotovelo.

—Narcissa vai pirar.

—Já perceberam que sempre que eu estou de detenção é por culpa de vocês? – murmurei zangada, limpando mais um troféu.

—Como se você fosse uma santinha, né Adhara? – Sirius debochou. Dei um peteleco em sua cabeça, com um sorriso divertido.

—Silêncio ai! – Lucius resmungou para nós. Ele que havia nos dado detenção, depois de pegar a gente tentando colocar um quadro de Godric Grifinória nas Masmorras.

—Ora, cale a boca, Malfoy. – Sirius disse petulante.

—O que você disse? – perguntou Lucius, se levantando.

—O que ele disse, Malfoy... – falei e dei um sorriso maldoso. — Eloá, eu te amo, vamos se amassar antes que Narcissa chegue. Eu sou patético, Eloá. — fiz uma cara engraçada e uma imitação zombeteira. – Eu largo aquela tonta da Narcissa por você, Eloá. — ri, inventando.

Sirius e James gargalham e Lucius nos olhou chocado, mas logo se recompôs. E o vi segurar a varinha com força.

—De onde tiraram essa asneira? – ele perguntou sério.

—A gente te viu e se você achar que a Cissynão vai acreditar, pode ter certeza que satisfações com a Eloá ela vai querer tirar e você vai estar fo-di-do. – falei sorrindo e cruzei os braços. Eu nunca havia falado aquela palavra antes, mas desde que Sirius vivia a falando agora, meio que acabei pegando a mania também.

— Agora, Malfoy, não enche meu saco, se não eu falo pra minha prima que você anda entrando nas saias de Eloá Bustrolde – riu Sirius, de modo vitorioso.

—Vocês... seus... – Lucius gaguejou. Ele estava vermelho de raiva.

—V-v-ocês? – James imitou. – Patético – ele riu e se virou jogando o pano que limpava o troféu no chão. – Agora por que não acena a varinha e limpa isso aqui para nós?

Ele e Sirius saíram rindo da Sala de Troféus. Mirei Lucius e sorri para ele.

—Eu não te julgo, Lucius. – falei e ele desviou o olhar para mim enquanto eu jogava o meu pano no chão também – Cissy é tão chata. — ri. — Mas é minha prima, sabe? E ela é mil vezes mais bonita que Eloá. — dei de ombros e sai andando.

—Sabe o que minha mãe quer, Adhara? – ele perguntou. Eu me virei para ele já na porta.

—O que? – perguntei, já tendo uma idéia do que seria.

—Ela quer que eu me case com você. Eu ri claro, você só tem doze anos. – ele riu e arqueou a sobrancelha. – Mas minha mãe é dez anos mais nova que meu pai. – Lucius disse e deu de ombros. – O que aconteceria se eu pedisse para o meu pai me mudar de noiva? Seria um escândalo, mas só de ter o prazer de ver a sua cara seria uma ótima recompensa. – ele debochou. Fechei minha cara o olhando irritada.

—Você não faria isso. — eu disse, apesar de um pouco temerosa. — Seu pai não faria isso também.

—Não vou nem tentar. — ele disse, com um sorrisinho. — Vou deixar pra ver quando você for obrigada a casar com seu priminho de bosta ali. – ele riu e pegou a varinha para limpar os troféus. – E eu irei rir por último,Addie.

—Addie... deixa eu ver suas respostas... por favoooooor... – implorou Peter.

—Já disse que não. – respondi, fazendo Remus sorrir para mim Ele tinha se recusado a dividir as respostas dele também. Eu mirei Remus, vendo que ele estava com a aparência bem cansada. Encostei meu ombro no dele e mexi meu nariz para ele. Ele riu e me imitou.

—Mas você deixou Emmeline ver! – disse ele, zangado, não querendo deixar para trás. Virei de volta para ele, ainda com meu ombro encostado no de Remus.

—É porque a Addie gosta da minha bunda. – brincouEmmeline, adaptando as minhas respostas da tarefa de feitiços, para não ficar tão na cara que ela tinha copiado. Sirius, que estava vendo alguma coisa atrás de um livro com James, desviou a atenção para olhar para nós.

—E daí? – perguntou ele. – Não é como se ela fosse usufruir da sua bunda.

—É claro que ela usufrui. – disse Emmeline se fingindo de indignada – Quando brincamos de guerra de travesseiros, Addie sempre pega na minha bunda. É tipo uma brincadeira nossa, não é Addie?

—Você poderia parar de ficar apertando meus peitos toda vez que eu pulo na sua cama. – murmurei entrando na brincadeira, mas me fazendo de séria.

—Ok. O banho hoje vai ser beeeeeem demorado. – riu James.

—James! Que nojo! – respondi me lembrando de Lucius e Eloá, por algum motivo.

—Me desculpe. Mas a imagem de você e Emmeline se esfregando com seus corpos ainda em desenvolvimento não sai da minha mente... Mary, o que você faz enquanto isso? – perguntou James olhando para ela. Mary estava escrevendo uma carta para seu pai e deu de ombros.

—O que mais eu faria? Tiro fotos das duas. Quero montar um calendário.

—Eu com certeza vou comprar. – garantiu James e Sirius sorriu.

—Eu também. Só por Emmeline. – adicionou ele – E a Lene? Ela não entra não? Na brincadeira?

—Ou a Evans. – riu James – Com a Meadowes?

—Nossa guerra de travesseiros não é no zoológico, querido. – resmungou Emmeline. Marlene levantou a cabeça para nos encarar. Ela estava ali perto.

—Não. É uma fazenda, não é? Vaca Vance? – perguntou ela, olhando feio para Emmeline. – Temos também a Porca Black e... Que animal prefere, Crazy Eyes? Um pato?

—A sua mãe, que tal? – perguntou Mary de maneira angelical.

Emmeline começa a gargalhar de maneira espalhafatosa e eu não perco a chance de rir da cara de McKinnon. Mary normalmente não se envolvia nas nossas patadas. Quando ela fazia, sempre era maravilhoso.

—Como é que é? – perguntou Marlene, ficando de pé.

—A sua mãe, aquela topeira. – respondeu Emmeline ficando de pé – Ou você prefere, sei lá... um besouro rola bosta?

—Está bem! Você pediu por isso, Vance. – rosna Marlene tirando os brincos. Emmeline a chamou com as mãos.

—Pode vir, projeto de bruxa. – provocou ela.

Fiquei olhando, completamente entediada, as duas se agarrarem pelos cabelos para rolarem no chão. Elas viviam se bicando sempre, mas não era tão comum levarem isso para a violência. Olhei para os meninos, querendo ajuda, mas, com exceção de Remus – que parecia muito chocado – eles pareciam realmente felizes por ver aquilo. Principalmente Sirius.

—ALGUÉM TRAGA A GELEIA! – gritou ele levantando as mãos.

—Lene! Pare, por favor. – pediu Evans, com o olhar preocupado e os cabelos ruivos presos.

—Emmeline, você vai levar uma detenção! — eu disse. Emmeline conseguiu girar o corpo, para se sentar em cima de Marlene. As duas seguravam as mãos da outra, tentando defender o próprio rosto, ambos arranhados. — Façam alguma coisa! – peço olhando para os meninos. Eu não estava muito disposta a me meter ali no meio.

—Certo. – disse James, sorrindo – Mary, onde está a sua câmera?

—Larga de ser tonto, James! – resmunguei.

—O QUE RAIOS É ISSO? – gritou uma monitora-chefe da Grifinória. – SE SOLTEM AGORA MESMO, OU EU VOU DESCONTAR CINQUENTA PONTOS DA GRIFINÓRIA.

—Larga de ser estraga prazeres! – resmungou Fabian Prewett... ou seria Gideon? Nunca sabia diferenciar aqueles gêmeos.

Emmeline e Marlene ainda rolavam no chão, tentando arranhar uma a outra. Mas a mnitora perdeu a paciência e sacudiu a varinha, fazendo com que as duas se separassem.

—Vou dar uma detenção pras duas! – ralhou ela, sem humor algum.

Era final de Dezembro e Remus tinha acabado de voltar para Hogwarts. Ele teve outra crise da doença misteriosa dele e parecia realmente debilitado. Marlene e Dorcas ficavam paparicando ele, deixando-o completamente constrangido. Marlene tinha até sentado ao lado dele no sofá e jogado as pernas em cima do colo dele para lhe dar bolas de chocolate.

—Céus. Ela é tão vulgar. – resmungou Emmeline – Ridícula. Só porque eu queria falar com o Remus... mas com ela lá eu não vou. – resmungou ela.

Concordei imediatamente. Estava louca para abraçar o Remus e perguntar como ele estava se sentindo, mas com Marlene lá o paparicando não queria ir. Lily não se importava muito e logo foi conversar com Remus, para se oferecer a ajudá-lo a estudar o conteúdo que ele tinha perdido.

—Sabe. Tem uma coisa que você pode fazer para aproveitar que Marlene está muito ocupada. – disse Mary. Emmeline a olhou curiosa e ela apontou para Sirius, que estava muito empolgado falando sobre quadribol com James.

—Mary. Você é um gênio. – riu Emmeline – Vamos! Cada uma escolhe um dos meninos e senta em cima, pra zoar a McKinnon. — ela disse. Revirei os olhos, vendo o sorriso animado das minhas amigas.

—Petelzinho é meu! Pedi primeiro! – riu Mary correndo até os três garotos, que estavam relativamente perto de Remus. Eu sabia que Emmeline iria sentar no colo de Sirius então me conformei em ficar no colo de James.

Os garotos ficaram chocados e surpresos, mas nenhum reclamou, apesar de Peter ter ficado visivelmente assustado com Mary, que passeava os dedos nas orelhas dele. Ela parecia realmente apaixonadinha por ele.

—A que devo a honra? – riu James me abraçando. Revirei os olhos novamente, mirando Remus pelo Salão Comunal. Ele me mirou de volta, mas se distraiu quando Marlene o chamou.

—Ideia da Emmeline. – respondi, piscando e virando para James.

—Pode me agradecer depois, James. – riu Emmeline pegando algumas uvas. – Come uma uva, Sirius. Come? Abre a boca que eu vou te dar. – riu ela. Eu ri também, pois agora ela tava igualzinha a Marlene.

Sirius abriu a boca e Emmeline segurou a uva pelo cabinho, com os lábios. Sirius sorriu e pegou a uva, com os lábios roçando nos dela.

—Eu com certeza aceito uma uva. – riu James sorrindo pra mim.

Devolvi o sorriso e peguei o cacho.

—Quer?

—Sim.

—Aqui. – falei, dando na mão dele – Espero que esteja bem docinha. – murmurei. James corou.

—Aposto que você é muito mais.

Senti uma pequena vertigem, mas logo ouvi a voz do meu primo.

—Pare com isso, James. Ou a minha prima vai achar que você fala sério. Ela é só uma menina inocente.

—Inocente? – perguntei. – Eu ando com Emmeline, esqueceu?

—Ela tem um ponto, Six... – riu Emmeline.

—Six? De onde tirou esse Six? – perguntou Peter, que estava corado, evitando de olhar para Mary.

—Six... Lembra Sirius, lembra sexy e significa que ele é seis vezes mais interessante que a maioria dos meninos. – explicou Emmeline fazendo meu primo sorrir.

—Sexy? Ele tem doze anos. — sussurrei para James que riu. Meu primo fingiu não ouvir.

—Só seis? – perguntou ele. Emmeline sorriu marota pra ele.

—Não sonhe alto, primo. Interessante, até a lula gigante é. – provoquei fazendo James rir alto.

Estava no meu quarto, escrevendo para Emmeline, quando Sirius entrou chutando a porta e se jogando em cima de mim, atravessado.

—Ei! – resmunguei. – Juro que se você peidar, eu te mato.

Ele riu com desdém e bufou.

—Advinha quem veio pro Natal? Vou dar uma dica. – ele riu zangado – É um idiota, é um cuzão e queria estar dentro de todas as amigas de Narcissa.

—Lucius não tem casa, não? Por que raios ele tem que vir pra cá? – perguntei zangada.

—E pra completar o circo dos horrores, os Lestrange também vieram. Rodolphus, com nossa amada prima, no Natal! Isso é muito injusto. Pelo menos Rabastan não veio, sabe-se lá o porquê!

—Prefiro passar o Natal com a Murta que Geme. – resmunguei. – Acho que Snape disse que Rabastan ia passar as férias com Nott... – adicionei dando de ombros.

—Murta que Geme? Parece interessante. Quem é essa?

—Ah. Preocupa não que eu te apresento. – prometi, sorrindo. Sirius rolou para ficar deitado no meu lado.

—Do jeito que você falou, eu acho que não vou gostar...

—O que te deu essa ideia? – perguntei sorrindo, travessa.

—O que está fazendo? Pra quem é isso?

—Emmeline. – respondi dando de ombros.

—Aquela sua amiga é uma gatinha, sabia disso? – perguntou ele me olhando de rabo de olho.

—Sim. Eu sei. – respondi simplesmente, apoiado o queixo nas mãos.

—Aquela história da guerra de travesseiros...

—É mentira. – respondi e Sirius fez uma careta – Mas ela dorme quase pelada na maioria das vezes.

—Eu preciso entrar no dormitório feminino. – resmungou ele.

—Você é um safado.

—Eu sou homem. – resmungou ele dando de ombros – Ou você acha que eu sou o único que pensa nisso? James está louco pra apertar os seus peitinhos. Peter bate uma pensando em você, Lene e Emme. Até Remus olha pra você de vez em quando. Ele até ficou de pau duro quando...

—Eu realmente não preciso saber disso! – cortei de uma vez.

Sirius riu da minha cara e pulou para fora da cama.

—Vamos. Não quero ser a ovelha branca sozinho, lá embaixo.

—Quem é seu amigo, Lucius? – perguntou tio Orion. Eu olhei o homem grande, musculoso e peludo que Lúcio tinha trazido. Ele tinha um olhar muito feroz.

—Desculpe trazê-lo. – murmurou Lucius com um sorriso malvado pra mim – Mas é que temos assuntos importantes para falar. Sobre os negócios da família. Não queria deixar de passar o natal com minha Narcissa. – ele segurou a mão da minha prima e eu Sirius trocamos um olhar travesso – Mas não poderia deixar de resolver certos assuntos. Acabei trazendo o trabalho pra cá.

—Isso porque nem se formou ainda. É um garoto muito esforçado, esse meu genro. – riu Cygnus.

Olhei para Sirius e ele me olhou de volta. Tinha um péssimo pressentimento quanto a aquele homem.

Depois do jantar, onde eu fiquei praticamente em silêncio o tempo inteiro, eu corri para a sala de estar. Sirius logo me seguiu.

—Não gostei daquele cara. Não gostei mesmo! – resmungou Sirius.

—Nem eu. Ele tem um jeito esquisito, não é? – pergunto pro meu primo. Sirius concordou e se sentou num sofá, de maneira esparramada. Eu sentei ao lado dele, jogando meus pés em cima dele. Achei que ele iria reclamar, mas ele simplesmente jogou a cabeça para trás e ficou em silêncio.

Passaram-se alguns minutos e Andromeda apareceu fazendo uma careta. Ela estava muito bonita num vestido vermelho e os cabelos cacheados soltos.

—Aquele Greyback... é um grosso sem modos... – resmungou ela vindo se deitar em cima de mim e de Sirius – Ele nem disfarça na hora de ficar olhando pra mim. Estou com medo dele me atacar se eu ficar sozinha.

—Fica aqui com a gente, Andy. – disse Sirius – Como vai a vida? Fiquei sabendo que você está noiva de um Rosier que mora nos Estados Unidos, não é? – ela concorda em silêncio – Ele é legal?

—Eu nunca o vi, nem nunca falei com ele. Mandei uma carta, uma vez, mas ele nunca respondeu... – murmurou ela com uma voz distante.

Me sinto mal por ela na mesma hora. Eu adoro a Andy. Escutar aquilo era terrível.

—Que babaca. – disse Sirius.

—E o Tonks? – perguntei. Andromeda piscou e se sentou ao lado de Sirius.

—O que tem ele?

—Eu sei que estão juntos. – respondi. – Eu te vi no trem, se amassando com ele.

—Oh! Por favor, Addie. Não conte a ninguém, ouviu? Ninguém!

—É claro que não, Andy. Acha que eu faria isso com você? – perguntei levemente ofendida. Andromeda deu um suspiro e começou a torcer as mãos, de nervoso.

—Às vezes... eu penso em... em fugir com ele, sabe? – perguntou ela, num sussurro quase inaudível.

—Fugir? Pra onde? – perguntei, chocada.

—Pra longe dessa loucura que é a nossa família... – respondeu Andromeda, com a voz tremida – Pra longe desses preconceitos ridículos... Pra longe de todas essas regras medievais... pra longe da...

Mas escutamos passos, subindo as escadas e Andy se interrompeu. Luciuse o colega aparecem, sorrindo de maneira maldosa.

—Olá, cunhadinha. – ri Lucius. Andromeda o olhou feio e Sirius cruzou os braços, irritado com a presença dele. Olhei com nojo, para aquele homem, achando-o simplesmente desprezível – Estão te chamando lá em baixo. – Andromeda se levantou e Lucius ofereceu o braço para ela. A princípio, ela o ignora, mas Lucius a agarrou pelo braço e a levou escada a baixo.

—Grosso. – murmurei.

—Você que é a Adhara, não é? – perguntou o tal Greyback. Olhei para ele, com nojo.

—Não é da sua conta, quem eu sou ou quem eu deixo de ser.

—Que língua afiada que você tem, menininha... – riu Greyback se aproximando de nós. – Se você não tomar cuidado com ela... eu posso me ofender. – disse, ele se aproximou de mim e segurou meu rosto com força, a ponto de machucar minhas bochechas – E você não iria gostar de descobrir o que eu faço com quem me ofende...

—Larga ela, seu idiota. – disse Sirius – Essa é a nossa casa, sabe o que o meu pai vai fazer se te vir machucando a minha prima?

Senti os dedos fortes dele contra o meu rosto apertarem ainda mais.

—Estou curioso pra descobrir, garotinho. – riu ele – Esse seu olhar arrogante e prepotente... me faz lembrar de um velho conhecido meu... Que eu conheci anos atrás... durante um julgamento no Ministério da Magia... – Greyback olhou no fundo dos meus olhos – Qual era mesmo o nome dele? Lyall... Lyall Lupus, eu acho... algo assim... – Greyback seguia me olhando, com um sorriso muito cruel – Tinham me acusado de atacar uns trouxas, mas eu me fiz de desentendido e acabei sendo julgado inocente, mas ele viu algo em mim... um segredo meu... um segredinho bem sujo...

Foi quando os olhos dele mudaram de cor, para um tom âmbar. O rosto dele se contorceu de maneira selvagem. Se ele era assustador, piorou absurdamente. Meu corpo inteiro tremeu de medo. Segurei a mão dele, tentando fazer com que ele me soltasse, mas não consegui. Comecei a entrar em pânico, sentindo um medo irracional dele. Meus cabelos ficaram azuis, como sempre ficavam quando eu me assustava.

—SOLTA ELA. – gritou Sirius chutando a canela do homem, que nem pareceu notar. Na verdade, ele parecia menos humano até que o padrinho de casamento de Bellatrix.

—Você viu, não viu, garotinha? – riu Greyback rindo pra mim, daquele jeito assustador. Quis soluçar.

—Me solte... – pedi sentindo o rosto doer.

—Ele disse que pessoas como eu éramos desalmadas, cruéis, merecedoras apenas de morte... – flaou. Ele apertou ainda mais e eu tive medo que ele partisse meu crânio – Riram dele, é claro... Mas ele estava muito certo. Você sabe o que eu sou, garotinha? – perguntou ele se aproximando de mim. Seus caninos afiados cada vez mais próximos do meu rosto.

—Lo-lobisomem... – respondi tremendo de medo.

—Isso... eu sou um lobisomem. E sabe o que eu fiz com aquele idiota do Lyall?

—Você o mordeu? – perguntou Sirius.

—Não. Eu mordi o filho dele... – Greyback sorriu para mim com a boca assustadoramente próxima – O moleque deve ter a sua idade, garotinha...

Ele me jogou com força no sofá e Sirius correu até mim.

—Você tá bem, Addie? – perguntou Sirius. Me encolhi, procurando conforto no meu primo, tremendo muito. Extremamente assustada.

—Nunca mais ameacem meu amigo Lucius... ou eu posso querer prestar uma visita a vocês qualquer dia desses. Como eu fiz com o filho daquele tal de Lupin... acho que o nome era Lupin...

Ele se virou e saiu da sala, deixando eu e Sirius ainda mais chocados e desorientados que antes.

Ele tinha dito... Lupin?

Eu e Sirius estávamos muito calados na cabine do trem. James, Peter e Mary estavam conversando animadamente. Remus apenas ria deles, sempre com seu sorriso gentil.

Não queria acreditar que um dos meus melhores amigos era um monstro. Sirius estava de braços cruzados, amuado, olhando a janela. Mas eu sabia que ele só não queria encarar Remus. Nós dois sabíamos que era verdade. Batia perfeitamente com as atitudes de Remus. Sempre contido e risonho, para esconder seu lado lupino e viver acima de suspeitas... Sem falar que todo mês ele tinha um motivo diferente para deixar a escola. E muitas vezes voltava bem machucado.

Nunca tínhamos associado isso com a lua cheia. Como nunca notamos isso?

Eu e Sirius tínhamos decidido agir normalmente e não contar pra ninguém. Observar mais um mês e ver se Remus realmente iria ir embora na lua cheia. Mas eu não sabia se aguentaria a ansiedade. Se seria capaz de fingir que estava tudo bem...

Notei que Remus olhava para mim. O olhei de volta, apreensiva e ele me deu um de seus doces sorrisos. Então ele se levantou para vir se sentar do meu lado. Ele abriu a mochila e tirou um pote lá de dentro, cheio de trufas de chocolate.

—Minha mãe fez pra mim. Para eu comer na viagem. Você aceita um? – perguntou ele com aquele sorriso extremamente amável. Quis novamente acreditar que Greyback estava mentindo – São bem gostosos. Olha... esse é de limão, esse é só chocolate, é meu favorito. – adicionou ele, sorrindo, apontando para um dos doces – Esse aqui é de morango. Eu acho que você ia gostar. Eu sei que adora morangos.

—Sabe? – perguntei sorrindo. Remus corou e concordou balançando a cabeça.

—Você sempre come na sobremesa... e sempre come a tortilha de morango também. – Remus me ofereceu a trufa de morango e eu a segurei – Tenho certeza que vai gostar...

Sorri timidamente para Remus, que sorriu de volta, pegando a trufa de chocolate. Provei o doce e constatei que de fato era delicioso. Troquei outro olhar com Remus, que suspirou saboreando seu doce.

—É mesmo uma delícia. – concordei.

—Que bom que gostou. – riu ele sorrindo daquele jeito gentil. Ele segurou minha mão gentilmente – Se quiser mais um, pode pegar.

Soltei um suspiro e abracei Remus no lugar disso. Ele corou com violência e Sirius deixou de olhar a janela.

—Eu adoro você, Remus. Sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa, não é? – perguntei querendo confortá-lo por tudo de ruim que pudesse acontecer com ele. — Nós... somos melhores amigos para sempre. — eu disse.

—Er... você pode soltar o Remus antes que a cabeça dele exploda, Addie? – sibilou Sirius olhando zangado pra nós. Soltei meu amigo e notei que a cabine estava muito silenciosa. Mary e Pedro estavam tentando não rir e James, que estava de pé no banco, fez uma carinha de troça.

—Vou ficar com ciúmes, heim? – perguntou ele. Ri dele.

—Até parece..

—Onde está o Remus? – perguntou Marlene se sentando ao lado de Sirius. Emmeline entortou a própria colher com o polegar, de raiva, e a deixou cair no chão.

Estávamos almoçando, tranquilamente. Eu e Sirius completamente convencidos da verdade por trás da doença de Remus.

—Parece que a mãe dele ficou doente de novo... – respondeu James dando de ombros.

—Coitadinho do Remus. – murmurou Mary soltando um suspiro – Ele é tão bonzinho com todo mundo... E a mãezinha dele doente... Ele não merecia isso...

—Mas essa mulher vive doente. Por que ele tem que ir visitar toda vez? – resmungou Marlene.

—No dia em que se importar mais com alguém do que com o próprio umbigo, McKinnon, vai entender. – sibilou Emmeline.

—Olha só quem fala, Vaca Vance. – devolveu Marlene, arqueando uma sobrancelha.

—Você nem me conhece pra falar isso. – devolveu Emmeline se levantando.

—Calma, Emme. Deixa essa... – comecei, mas Emmeline seguiu falando, apontando um dedo para Marlene e o sacudindo enquanto falava.

—Não sabe quem sou eu. Não sabe nada sobre a minha família ou sobre meus problemas. Então CALA ESSA MERDA DE BOCA, MCKINNON! – e então ela se levantou, pegou a mochila e saiu.

Troquei um olhar com Mary e nos levantamos para ir atrás de Emmeline. Ela estava próxima às ampulhetas que marcavam os pontos das Casas.

—Ei... está tudo bem? – pergunto, um tanto apreensiva.

—Não! Não está tudo bem. – resmungou Emmeline – Eu não suporto aquela guria. Não suporto. Sempre querendo se dar bem às minhas custas. Sempre tentando conseguir o que eu quero, só pra me irritar... Sempre querendo me diminuir na frente dos outros. Ela não sabe nada sobre mim. Nada! – disse Emmeline, furiosa – E eu estou estressada por conta das cólicas. Odeio menstruar. ODEIO. Por que temos que passar por isso? Que saco!

—É chato, mas... – riu Mary – Fica assim não, amiguinha. A Lenezinha é só uma chata que nem menstruação, ok?

—Mary tem razão. Não perde a cabeça por conta dela, ok? – perguntei tirando uma mexa dos cabelos de Emmeline da frente de seus olhos. – De novo, quero dizer. – adicionei, sorrindo.

Emmeline sorriu para nós e concordou.

—Vamos... vamos comer. Fiz vocês levantarem por besteira.

Voltamos para a mesa, mas as palavras de Emmeline ficaram repercutindo na minha cabeça... Eu era amiga dela, mas não sabia quase nada sobre ela.

—Ainda acho que só eu e você deveríamos saber. – falei para Sirius. Mas ele é revirou os olhos.

—James precisa saber. – insistiu Sirius – Ele é bom pra lidar com esse tipo de situação.

—Que tipo de situação, exatamente? – perguntei franzindo a testa.

—Ser empático, ver o lado bom das coisas, ser positivo. Coisas que normalmente pessoas da nossa família não conseguem ver.

—Não somos como nossa família. – resmunguei, cruzando os braços.

—Mas temos coisas deles que não podemos negar. – disse Sirius sorrindo – Como ser majestosamente lindos.

—Oh. Então me acha majestosamente linda? – perguntei sorrindo.

—Você não é Emmeline nem Marlene, mas...

—Está bem, Black. Me comparar com Emmeline tudo bem! Mas com Marlene não!

Sirius revirou os olhos e colocou as mãos nos bolsos. Estávamos mais afastados do pessoal, no salão comunal. Remus deveria voltar em dois dias.

—Você é minha prima, Addie... eu não te vejo desse jeito. – disse ele – Pode ser a garota mais bonita da escola que eu vou continuar te vendo como minha priminha bobinha. Você é mais minha irmã do que Regulus, as vezes.

Suspirei com simpatia por Sirius e concordei.

—Mas acha Andromeda gostosa...

—Claro. Ela é mais velha. Não sou tão próximo dela como sou de você. – explicou ele – Mas vamos mudar de assunto! Vamos focar no ponto da questão, certo?

—Certo. E eu não posso contar pra Mary e pra Emmeline?

—Claro que não. Suas amigas são desmioladas. – resmungou ele.

—Oh! Não mesmo. E James e Peter não são poços de austeridade. – murmuro olhando para os dois, que estavam competindo quem conseguia falar mais letras do alfabeto, arrotando. Peter estava ganhando, chegando até a letra “j”.

—Mas são amigos do Remus. Isso é o importante. – insistiu Sirius.

—Certo, certo. Como vamos fazer?

—Quando for exatamente duas da manhã, a gente se encontra aqui, feito?

—Feito.

—Não. Não pode ser. – murmurou James, mortificado. Peter parecia completamente em choque.

—Nós não queríamos acreditar, mas... mas parece que é mesmo. Tudo bate. O motivo do Remus sempre ser tão contido e sempre ter uma desculpa para se ausentar da escola. – explico.

James caiu sentado na poltrona, com as mãos na testa. Sirius estava de braços cruzados, recostado na parede. Peter estava muito encolhido em sua poltrona, com os olhos movendo-se muito rápido enquanto ele murmurava coisas num volume baixo demais para se ouvir. Eu estava sentada no braço da poltrona de James e olhava para os dois com preocupação. Eu não sabia o que iria fazer se eles resolvessem não mais ser amigos de Remus.

Ele não merecia aquilo.

—Como ele pode não nos contar isso? – perguntou James.

—É complicado... – murmurou Sirius – Eu e Addie conhecemos um lobisomem que é exatamente o que o estereótipo de lobisomem parece... E não foi nada agradável. Achei que ele fosse arrancar o rosto da Addie. – Sirius desviou o olhar e por um momento ele pareceu muito mais velho – Eu nunca tive tanto medo na minha vida... Eu achei que ele fosse machucar a minha prima e mesmo assim, não consegui fazer nada... foi... foi...

—Assustador... – murmurei.

James ficou de pé e me abraçou. Senti o perfume gostoso dele e fechei os olhos.

—Que horror, cara. – murmurou ele olhando com seriedade para Sirius. Logo James me soltou e foi até Sirius para colocar a mão no ombro dele – Não fique triste, Sirius... a Addie não se machucou. Ninguém julgaria você por ficar com medo de um lobisomem... quem não teria?

—Eu não tenho medo de Remus. – falei. – Mas se ver Greyback de novo, juro que... – respirei fundo me lembrando daquele momento assustador, onde pude ver o lobo no rosto de Greyback. Senti um calafrio me subir por toda a espinha – O que faremos em relação a Remus? Vamos contar que sabemos? Vamos fingir que não descobrimos?

—Eu... eu ainda... – murmurou Peter, sem olhar pra ninguém – Quero dizer... ele não é perigoso, é?

—Ele é Remus. Nosso amigo Remus! – ralhou James – Ele não é perigoso. A gata do Filch é mais perigosa e má que ele. Remus é tão bonzinho que chega a ser sonso!

—Não fale assim! – resmunguei. – Ele não é sonso. Só é a encarnação da gentileza.

—Eu não sei o que pensar disso tudo... Digo... – Peter suspirou – Eu acho que ele não deveria saber que nós sabemos.

—Como não? – perguntou Sirius olhando para ele com uma expressão fechada – Nós temos que falar com ele!

—Temos? – perguntou Peter ficando de pé, apesar de ainda estar com um olhar concentrado – Porque ele não queria que a gente soubesse. Ele nunca nos contou isso, não era nosso direito saber...

—Mas nós TEMOS que fazer alguma coisa. – disse James.

—Não há nada que a gente possa fazer, James. – resmungou Peter – Digo... ele é um lobisomem. Isso é algo imutável e provavelmente ele não queria que a gente soubesse por conta disso...

—Mas tem que ter alguma coisa que a gente possa fazer! – insistiu James, olhando ao redor, buscando apoio. Mas daquela vez, por mais que odiasse fazer aquilo, eu concordava com Peter. James olhou para Sirius, que deu de ombros.

—Eu não sei que merda a gente deve fazer... – resmungou ele.

James então perde o sorriso e tira a capa do bolso.

—Jay, onde você vai? – perguntei surpresa. Mas só escuto os passos dele, se afastando, e logo passando pelo buraco do retrato.

—Ele ficou maluco. – sussurrou Emmeline olhando para James, que engolia a comida, completamente sério – Ele tá indo na biblioteca, sozinho, todos os dias. O que ele está fazendo?

Tentando descobrir a cura para a licantropia, imagino eu. Mas não podia falar isso para Emmeline.

—Talvez ele esteja atrasado com as matérias. – sugeri.

—Conta outra. Eu nunca vi James estudar pra coisa alguma e mesmo assim, ele tirou nota alta em tudo. – disse Emmeline – Ele está aprontando alguma coisa.

Remus parecia muito confuso com o comportamento de James. Sirius e Pedro ficavam repetindo que James deveria estar querendo aprender algum feitiço qualquer, para testar nos Sonserina, mas não acho que Remus tenha se convencido disso.

—Não ligue. Uma hora ele volta ao normal. – assegurei segurando a mão dele. Remus sorriu pra mim, daquele jeitinho todo dele.

—É... Ele deve estar preparando alguma peça, não é? Pro final do semestre...

—Aposto que sim. – concordei.

Todo mundo do segundo ano pareceu reparar.

—Ei, Black. É verdade que você e Potter terminaram? – provocou Lestrange.

—Ele sabe que eu prefiro a sua mãe, Lestrange. Aquela vadia. – respondeu Sirius, deixando Lestrange vermelho de raiva.

Outra lua cheia chegou e todos nós trocamos olhares cheios de significado quando Remus teve que voltar pra casa por causa de um problema familiar. Em meados de Maio, James soltou um livro pesado, em cima da mesa da Casa da Árvore. Estávamos apenas Peter, Sirius, eu e James lá.

—Eu sou um gênio. – riu ele – Já sei como vamos fazer isso.

—Isso o que? – perguntei, pensando que James tinha ficado maluco.

—Ajudar o Remus. – riu James.

—E como seria? – perguntou Sirius – Descobriu uma cura ou qualquer coisa assim?

—Não. Mas sei como poderíamos ficar com ele, durante as transformações. Para que ele não fique sozinho. – explicou James.

—Tá louco? Eu não vou virar lobisomem. Ele mata a gente! – disse Peter.

—Não. Lobisomens não atacam animais. – riu James.

—Não sei se você percebeu, James... mas nós não somos animais. – riu Sirius.

—Mas podemos virar. – disse ele apontando para o livro – Já ouviram falar em animagos?

Notas finais
Lonquens spinas - um feitiço bobo que criei para essa ocasião. Significa língua de espinhos. Obrigada novamente aos maravilhosos comentários e continuem acompanhando ♥ xoxo ~Aurora