When Sunset Comes

2 1. Um Sol de Inverno


So if you’re out there I swear to be good to you, but I’m done lookin’ for my future someone (Dear No One — Tori Kelly)

Relacionamentos são uma piada.

E eu sou a garota que nunca dá certo no final. Não importa de quem eu gosto, eles sempre acabam se apaixonando por outra pessoa. Tipo um reality show ruim ou aqueles filmes em que a protagonista acaba sem ninguém — alô, O Casamento do Meu Melhor Amigo!

Chega a ser cômico como eu realmente não tenho sorte. Tenho a impressão de que na vida passada eu chutei a bunda do Cupido, chamei ele de estúpido e cortei suas asas pra ele nunca mais voar e, nessa vida, ele resolveu se vingar sabotando minha vida amorosa. Ou essa talvez seja a desculpa perfeita que eu dou por ser uma pessoa… complicada.

Meu nome é Sunset Mist. Meus pais me deram esse nome porque eu nasci bem no pôr-do-sol do solstício de verão. Eles contam que tive que ficar um tempo na encubadora porque nasci prematura, mas quando eu saí, fui um raio de sol na vida deles. Eles acharam que isso era um sinal do universo e por isso agora eu tenho um nome ligeiramente esquisito. Mas tudo bem, passei a me acostumar com ele — apesar de que todos os meus amigos são obrigados a me chamar de Sunny ou só Sun — especialmente depois que Sunny Entre Estrelas fez sucesso na Disney.

O fato é: apesar de meus pais acharem que eu trouxe um raio de sol pra vida deles, o único raio que eu trouxe pra minha vida foi o que queimou todas as minhas esperanças no amor. Então, sim, pode-se dizer que eu sou uma desacreditada no amor. Uma amargurada. Uma solteirona convicta. Não me levem a mal! Não é que eu odeie o amor. É o amor que me odeia.

No momento, eu era mais como um sol de inverno. Um sol que, mesmo que apareça como uma esperança para os dias gelados, permanece frio e distante, sem esquentar completamente. E eu estava ok com esse fato até dar de cara com ele.

No último fim de semana antes do semestre retornar, Christopher me convidou pra ir a um show de uma banda da faculdade. Eu os conhecia apenas pelo nome: Second Chance, cujo símbolo era uma ouroboros com uma caveira com chifres no centro. Sabia também que eles estavam começando a fazer muito sucesso no campus (e também fora dele) por causa das competições que participavam, o que acumulou uma legião de fãs pro grupo.

Basicamente, havia diversas formas de representar a Universidade em algum evento nacional ou até internacional, dependendo do curso. Uma dessas maneiras era o Emerging Bands Contest (ou EBC), o evento anual mais esperado de todos. A cada ano, o EBC ocorria em alguma Universidade do país diferente e as bandas independentes se inscreviam a fim de representar seus locais de origem. Claro que quem participava tornava-se surpreendentemente famoso no campus, além da bajulação que sofria quando ganhava o evento. Bom, esse é o caso da 2nd Chance. Apesar de serem incrivelmente bons no que faziam, eles nunca haviam ganhado o EBC, mas isso não os impediu de serem muito reconhecidos.

Eu não conhecia a banda pessoalmente, a não ser (para minha infelicidade) o vocalista insuportável, Drazen McKean. Ele era o arquétipo do astro do rock que sabe que é bonito e que pode conquistar quem ele quiser, mas não passa de um babaca estúpido, a julgar pelo que dizem por aí. Sem contar que o cara se achava a última Coca-Cola do deserto.

Por não ter nada melhor pra fazer, concordei em ir com Chris. O local do show era… peculiar. Se meu melhor amigo não estivesse comigo, eu com certeza teria pulado fora dali no instante que vi onde era. O bar ficava no final de um beco esquisito, com várias luzes neon cercando, mas não havia letreiro, apenas uma porta de chapa preta grafitada e um homem que parecia um armário de braços cruzados na frente dela.

— Será que é aqui mesmo? Não tem nenhuma placa… — falei, olhando para os lados na esperança de encontrar outra entrada.

— O Google Maps diz que é aqui mesmo — Chris disse, para minha decepção. Ao ver a minha expressão de horror, ele continuou: — Relaxa, Sun!

— Esse lugar é bizarro, isso sim…

— Não é bizarro. É underground!

Revirei os olhos.

Chris e eu éramos muito parecidos, mas, ao mesmo tempo, muito diferentes. Nós dois adorávamos sair e ir pra festas, dançar e encher a cara até esquecer o próprio nome. Mas tínhamos divergências quanto aos locais frequentados. Ele tinha uma vibe mais rock, música alternativa, uma parada mais underground, enquanto eu era fã de tudo o que estava em alta no Spotify. Não é que eu não curtisse aquele estilo de música, em geral, eu era bem eclética, mas quando envolve frequentar lugares esquisitos, eu tinha minhas ressalvas.

O garoto colocou o braço ao redor do meu ombro e me direcionou à entrada do local. O segurança (que parecia um armário de tão grande) pediu nossas identidades e, após verificar e nos revistar, nos deixou passar. Ao atravessar a porta, tinha uma escada que levava a um subsolo e um letreiro em neon vermelho escrito “The Cave”. O lugar não era muito grande, mas bem maior do que eu imaginei que seria. O palco ficava do lado oposto à entrada, então já pude ver os instrumentos da banda organizados por lá. Havia um bar ao lado esquerdo e algumas cadeiras e mesas altas, estilo bistrô, postadas próximas às paredes, que continham vários letreiros em neon, quadros coloridos e grafites. O gelo seco aliado à iluminação predominantemente vermelha deixavam a atmosfera mais envolvente, parecido com um cenário de série adolescente de vampiros. Por outro lado, aquela fumaça me fazia sentir com falta de ar. Ou talvez fosse pelo fato de estar lotado de gente. Ou os dois.

— Quer alguma coisa pra beber? Daqui a pouco a banda vai começar a tocar — disse Chris ao meu ouvido, tentando falar mais alto que a música que tocava pelos auto-falantes.

Assenti e fomos em direção ao bar. Pedi um lagoa azul e Chris pegou uma cerveja. Decidimos ficar bem perto do palco, do lado esquerdo. Dali, minha visão ia direto para uma das guitarras à frente, e para a bateria ao fundo. Uma mulher de cabelo raspado subiu ao palco e anunciou que a 2nd Chance iria começar o show, ao passo que as pessoas foram se aproximando. Reconheci algumas garotas da universidade ali na frente, bem entusiasmadas. Chris falou ao meu ouvido que eles tinham muitas fãs. Muitas mesmo. Dava pra ver, já que o lugar estava bem lotado.

A primeira a subir no palco foi a garota, Naomi Goto-James, segundo o que meu amigo falou. Quando eu a vi, entendi por que todos eram tão apaixonados por ela. Ela era absurdamente linda. Cada passo que ela dava exalava sua imponência naquele palco e, claro, seu estilo roqueira rebelde ajudava. Ela passou a mão pelos cabelos azuis, que na luz vermelha se transformaram em um roxo intenso, e passou a alça quadriculada da guitarra pelo seu ombro.

Do outro lado do palco, estava Josh Accorci, o baixista, fazendo o mesmo que Naomi. Quando o vi, pude finalmente associar ele à fofoca que corria solta pelo campus. Dizem as más línguas que ele pegou a namorada o traindo com um garoto de T.I no dormitório. E o pior: ele perdoou após ela jurar de pés juntos que foi o garoto que deu em cima dela. Ele parecia ser legal, mas o título de corno-manso deixava ele com cara de otário, coitadinho.

Ao fundo, algo me chamou atenção, mais do que Naomi e, com certeza, mais do que Josh. Uma figura esguia passava em direção à bateria. Diferente dos outros, eu não o reconhecia de nenhum lugar, não havia nenhuma informação que eu me lembrasse sobre ele. Eu não sei bem o que me chamou atenção nele: se foi o cabelo platinado em contraste com sua roupa preta; se foi sua total falta de carisma, entrando sisudo no palco sem nem olhar pro público; ou se foi a sua beleza rústica e única. Ele tinha algo. Um tchan.

— Quem é o baterista? — perguntei a Chris.

— Hã… Na real, não sei bem — disse, olhando para o garoto. — Acho que o nome dele é Adrien… Ayden! Ayden alguma coisa. Algo assim. Mas ele é novo. Essa deve ser a primeira apresentação dele na 2nd Chance.

Segundo Chris, o garoto loiro estava entrando na banda agora, após dar uma intriga com o antigo baterista. Aparentemente, o outro saiu da banda e entrou na rival da Second Chance, que precisou às pressas arrumar um novo baterista pra poder fazer a pré-inscrição na EBC.

Continuei encarando o baterista lindo, enquanto ele se organizava para começar a tocar. Tinha algo de apaixonante no modo como ele segurou as baquetas, como se elas fossem parte do seu próprio corpo. Eu o vi abaixar a cabeça e dar um beijo em um anel em seu dedo (será que ele era comprometido?), enquanto o queridinho de todas, Drazen McKean entrava no palco, arrancando gritos e mais gritos da plateia. Ele claramente se achava o protagonista.

Drazen segurou o microfone com bastante intimidade, bateu com dois dedos em cima dele e começou a falar.

— E aí, galera? — Ele aparentava estar bem entusiasmado e era claro que tinha muito carisma só pelo jeito que se portava em cima do palco. — Estão prontos pra ouvir um pouco de Rock N’ Roll? — A galera gritou e assobiou em resposta. — Hoje montamos a setlist especial de anos 60 para vocês. Esperamos que gostem!

O público vibrou bastante e Drazen virou para o baterista gatinho dando um sinal com a cabeça para ele iniciar. O garoto loiro levantou as baquetas para o alto, deu quatro batidas nela e a música começou. De repente, o som da guitarra explodiu, preenchendo o lugar e fazendo todo mundo começar a dançar. Reconheci a música como sendo twist and shout dos Beatles, mas em uma versão bem mais rock. Drazen estava de olhos fechados, curtindo a música, e o cabelo preto caia desleixadamente em seu rosto. Quando chegou sua deixa, ele abriu os olhos e começou a cantar e dançar no palco, com uma energia gigantesca. Dava pra entender porque todos gostavam dele: sua animação era inegável.

As luzes vermelhas piscavam no palco, acompanhando o som do baixo pulsante que vibrava o chão. O cheiro de cerveja barata e gelo seco pairavam no ar, misturando-se com o calor abafado das pessoas dançando coladas ao palco. Eu amava aquela sensação. Apesar do lugar ser meio caído, era mágico sentir o calor humano e poder sentir a energia intensa que emanava do público. No começo eu não quis admitir, mas eu estava curtindo.

Eles cantaram mais algumas músicas que eu não reconheci, mas deviam ser bem famosas, já que todos estavam cantando do início ao fim.

— Agora, uma música um pouco mais suave. Pros apaixonados. — Quando Drazen falou isso, ele olhou com o canto do olho para Naomi.

Ih… parece que as garotas da frente do palco perderam seu príncipe desencantado.

A garota notou o olhar dirigido a ela e pareceu meio desconfortável com a situação, mas acho que ninguém mais notou. Em geral, eu era boa pra perceber sutilezas nas ações dos outros. Talvez fosse a minha habilidade comunicacional que se expandia para linguagem corporal e afins. Ou eu só era meio louca mesmo.

Na hora que a música começou eu já reconheci, ainda que estivesse com muito mais guitarra envolvida: era can’t help falling in love do Elvis Presley. No mesmo instante, fui transportada para uma memória antiga e invadida pela nostalgia do momento. Meu pai era um grande fã do Elvis, mas tinha alguém de quem ele era ainda mais fã: minha mãe. O amor que eles sentiam um pelo outro era surreal. Uma das memórias mais bonitas que eu tenho deles foi de um dia bem frio de inverno, na época em que morávamos em um trailer. Meu pai acendeu uma fogueira do lado de fora, minha mãe pegou uns cobertores e ficamos nos aquecendo ali, sentados em cadeiras de praia. Meu pai pegou um violão e começou a tocar, enquanto eu me aconcheguei no colo da minha mãe para dormir. Ao passo que Aurora acariciava meus cabelos loiros, Leo dedilhava o início de can’t help falling in love. Quando ele cantou as primeiras palavras, ainda estava concentrado nas cordas do violão, mas assim que proferia o refrão, seu olhar se direcionou aos olhos da minha mãe.


Take my hand

Take my whole life too

For I can't help

Falling in love with you


A voz de Drazen se misturou à minha memória, confundindo-se com a melodia que meu pai cantava. O jeito que eles se olharam naquele dia me fez perceber, ainda que sem entender muito bem, que eles se amavam incondicionalmente. Era… intenso. À medida que fui crescendo, pensava que eu queria viver um romance igual ao deles. Quando cresci mais, percebi que o que eles tinham era raro, difícil de encontrar. Agora, eu sei que nunca terei isso em toda minha vida.

Enquanto devaneava, me peguei olhando para o baterista. Ele parecia tão imerso na música quanto eu, estava totalmente entregue. Seus braços fortes moviam as baquetas em uma precisão quase hipnótica, o corpo balançava no ritmo da música. Cada toque no instrumento retumbava em meu peito, como se meu coração estivesse seguindo as batidas. Em alguns momentos, o garoto fechava os olhos, como se estivesse perdido em outro mundo.

A voz de Drazen soava rouca e intensa no microfone, mas era o loiro escondido pela bateria que dominava a cena para mim. Quando a última nota da música se arrastou pelo ar, ele abriu os olhos e olhou para a plateia. De longe, eu conseguia ver seus olhos brilhando, carregando o peso que aquela música tinha. Com certeza, tinha algum significado para ele, assim como para mim.

O bar explodiu em aplausos. Chris, ao meu lado, aplaudia e assobiava, extasiado. Meu coração estava acelerado naquele momento, provavelmente pela energia das pessoas ao meu redor. Os integrantes da banda sorriam animados com a agitação, menos o loiro. Dava pra ver que ele estava empolgado, mas não demonstrava, permaneceu sério, sem esboçar reação nenhuma. Aquilo me chamou atenção.

Achei encantador.

O grupo seguiu tocando mais músicas. Algumas eu conhecia, outras não. Para fechar o show, eles tocaram uma música dos Rolling Stones. Não satisfeitas, as pessoas pediam para tocarem mais.

— Vocês querem mais uma? — Drazen gritou no microfone. Naomi e Josh se divertiam com o público. O vocalista passou a mão pelos cabelos e deu um sorriso largo. — Então, vamos tocar mais uma.

Ele fez um sinal e eles tocaram a última música. Era come together dos Beatles. Uma música digna de encerramento. Todos cantavam em coro, as batidas se intensificavam e dançávamos como se aquele fosse o último dia de nossas vidas. Drazen se movimentava pelo palco, brincando com os outros integrantes e cantando com eles, até o baterista entrou no meio da diversão. Finalmente eu o vi esboçando minimamente uma expressão que não fosse uma linha reta na boca. Drazen não se contentou e também incentivou a plateia, proferindo a letra com algumas moças que estavam quase subindo no palco, bem no centro.

Posso dizer que, se antes eu não entendia por que eles faziam tanto sucesso, naquele momento passei a entender. O show foi eletrizante.


~ ҉ ~


O bar ainda estava bem cheio; as pessoas bebendo e aproveitando os clássicos dos anos 60 que o DJ tocava. Eu e Chris conseguimos pegar uma mesa vazia próxima ao palco, nossas bebidas estavam quase acabando. Eu estava concentrada encarando Ayden. Ainda sentia o impacto dele tocando, fechando os olhos nas partes intensas e incorporando a música. Aquilo definitivamente era encantador. Eu estava encantada.

Chris percebeu para quem eu estava olhando e me cutucou.

— Pensando na morte da bezerra, Sunny?

Pisquei, voltando à realidade.

— Há? Ah…

— Você é tão clichê, Sun… — Ele fez um muxoxo. — Ficou afim do baterista? Sério, Sun? Achei que você tivesse mais bom senso…

— Ah, cala a boca! — reclamei, empurrando seu ombro. — Eu só achei ele… interessante.

— Isso tem um nome, cê sabe né? Chama-se charme de palco. Não é real. Ele desce do palco e volta a ser o cara normal que faz xixi e não puxa descarga, e pior, não lava as mãos.

— Que nojo. — Franzi o nariz. — Me recuso a acreditar nisso. Ele é lindo demais pra fazer uma atrocidade dessas!

De repente, o olhar de Chris fixou-se em um local atrás de mim, acima dos meus ombros.

— Agradeço o elogio, loirinha. — Uma voz familiar, grave e rouca, soou em meus ouvidos. Revirei os olhos.

— McKean — falei.

— Sunset. — Ele deu um sorrisinho travesso.

— Não achei que soubesse meu nome. — Ergui uma sobrancelha.

— Claro que sei. — Drazen pigarreou. — A gente teve uma cadeira juntos no semestre passado, lembra? De…

— Marketing — completei.

— Isso! Você sentava sempre lá atrás, perto da janela.

— E você sempre chegava atrasado. — Revirei os olhos.

— Detalhes. — Ele deu de ombros, como se não fosse relevante. — Então, vocês vieram pra ver o show?

— Sim — foi Chris quem respondeu. — Mandaram muito bem hoje, cara.

— Valeu! O que acharam da setlist?

— Foi boa. — Eu não conhecia metade das músicas. — Gostei de Can’t Help Falling in Love.

— Ah, sim. Ayden, o nosso baterista novo, que deu a ideia de tocar essa. Ele adora. — Sorriu de canto. Havia algo nos olhos azuis dele… um brilho diferente, como se tivesse percebido algo.

— É, a Sunny reparou bem nisso. — Chris falou e lancei a ele um olhar fulminante.

Sutileza não era o forte dessa praga que chamo de amigo.

— Entendi… — Ele continuou com aquele maldito sorriso de canto, suas covinhas aparecendo. — Bom, vou deixar vocês curtirem o resto da festa. Vejo vocês por aí!

Drazen saiu andando como se fosse o rei do mundo. Cumprimentou algumas pessoas, que se derretiam ao lado dele, dando risada de cada besteira que ele provavelmente dizia.

— Até o jeito que ele anda esbanja arrogância — reclamei.

— Ele é um gostoso, isso sim. — Chris mordeu os lábios.

— Para de ser atirado, garoto! Depois eu que não tenho bom senso!

E assim seguimos a noite, dando risadas e bebendo. Depois do meu drink, resolvi dividir a cerveja com Chris, o que foi uma péssima ideia já que eu tenho baixa tolerância pra álcool. Quando deu umas 3h da manhã, resolvemos ir embora. Eu estava meio cambaleante, mas Chris ainda mantinha uma certa postura de falsa sobriedade, então me conduziu até a saída para que eu não tropeçasse em meus próprios pés, ou pior: tivesse um surto de coragem e fosse falar com Ayden, que passara o resto da noite sentado do lado oposto ao que estávamos no bar com seus colegas de banda.

No momento em que estávamos quase pisando fora do bar, senti uma mão segurar meu pulso e me virei imediatamente. Era Drazen. Seu rosto estava avermelhado pela luz neon do letreiro e ele segurava meu pulso com delicadeza.

— Já tá indo embora? — ele perguntou.

— Que nada. Vim apreciar a vista desse beco sinistro, sentir o cheiro de cigarro e xixi. Delícia — falei, irônica.

Ele soltou uma risada sincera, mas não tive certeza se foi pelo que eu disse ou se foi por como eu disse. Quando ouvi minha voz, percebi que estava falando um pouquinho enrolado.

— Palhaça.

— O que é que você quer? — falei, me desvencilhando de sua mão. Talvez eu tenha soado mais ríspida do que precisava.

— Eu tenho uma proposta pra você.

— Não tô interessada nas suas propostas, McKean. — Me virei em direção à saída novamente. Vi Chris lá fora com o celular na mão, chamando o carro de aplicativo.

— Certeza? É proposta profissional.

Hum, ok, agora eu estava levemente interessada.

— Hã… Ok. Me manda um e-mail. — Saí do bar e rumei em direção ao meu amigo. Drazen continuou me seguindo.

— Eu prefiro negociar pessoalmente.

— Sun, o carro chegou, vamos — Chris disse, me puxando.

— Me manda um e-mail com a proposta, McKean! — gritei, enquanto corria para o carro.

A última coisa que ouvi foi Drazen gritando de volta que não tinha o meu e-mail.


Notas finais
Oi, gente!! Esse foi o primeiro capítulo! Espero muito que vocês gostem!! Essa história foi reescrita muitas e muuuitas vezes. E agora acho que finalmente to gostando do resultado :D Me digam o que vocês acharam!!