When Night Comes
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Pov Jessie
Minha cabeça doía de uma forma absurda. Não aguentava mais tanta magia, tudo o que eu andava fazendo me sugava muita energia, eu mal conseguia sentar sem estar cochilando cinco minutos depois! Eu realmente preciso de um descanso.
—Você pode se levantar? Não temos o dia todo?
Abri os olhos e encarei a grama entre meus dedos, levantando a cabeça para encarar Astrid com todo o ódio desse mundo.
—Acuta Acris! – Joguei minha mão para frente enquanto falava e milhares de agulhas surgiram e voarem na direção da bruxa.
—Cadentem Caeli! — Cerrei os punhos ao ver minhas agulhas voarem, espalhando-se.
—Droga! – Soquei o chão e me levantei rápido.
—Se concentre! Quanto mais raiva sente, mais fracos são os feitiços. – A voz de Astrid era calma, não estava me dando bronca nem nada, mas mesmo assim me irritava, pois ela sempre fazia isso, sempre me treinava horas a dentro sem me dar descanso e sabia o quão cansativo isso era!
—Se concentre, Jessie. Index Venti! – Sua mão se movimentou e eu senti meus pés saírem do chão. Arregalei e gritei, virando-me na direção do chão, tentando agarra-lo, mas eu subia cada vez mais e quando já estava alto, comecei a girar. – Se concentre, Jessie!
Conseguia sentir meu coração batendo forte, meus olhos se arregalavam para tentar achar uma saída, mas meu pânico não deixava. Fiquei um tempo girando até que ouvi a voz de Astrid ao longe, não consegui identificar, mas no segundo seguinte, o vento que me segurava no ar sumiu e eu despenquei, entendendo de que me machucaria feio.
—Videtur lectulo!
Uma cama surgiu no segundo seguinte antes de me chocar com o chão, fazendo com que minha cara se enterrasse nela profundamente e meu corpo quicasse algumas vezes.
—Essa foi inteligente, parabéns. Acabamos por hoje. – Senti uma mão em meu ombro e voltei a respirar, girando para poder inspirar mais ar. – Como se sente?
—Podre. – Falei aceitando sua mão para levantar. Me pus de pé e sentir meu corpo todo doendo, fiz uma careta e alonguei o braço. – Nossa, to quebrada.
—Faz parte. – Ela começou a sair em direção a casa, porém parou e eu a olhei, ela me olhou. – Você fez o que pedi? Contatou ela?
—Mandei mensagem no celular mais cedo, mas ela não me respondeu. – Falei lembrando-me de seu pedido de avisar Brenda de que os lobos a estavam cercando cada vez mais, pretendiam pega-la. Astrid havia sido comunicada pelo plano superior dos planos dos lobos, a cada dia eles achavam uma forma de espalharem-se e pegar Brenda... Depois de me pedir isso e eu fazer, parece que ela não recebeu mais nenhuma mensagem e eu considerava isso ruim. -Devo ir atrás dela? Usar um feitiço de localização?
Ela desviou o olhar e pela primeira viz, vi ela excitar... Ela não sabia o que fazer.
—Por enquanto não. – Sua cabeça se ergueu, olhando em direção ao por do sol. – Agora não adianta mais... Vamos esperar a cerimonia na Vila, devemos nos encontrar com Nevena em breve.
Engoli em seco vendo-a entrar, corri atrás dela.
—Como sabe que ela vai ganhar todas as lutas? Qual o motivo deles fazerem isso?! – Perguntei cheia de duvidas.
Astrid, diferentemente do que Nevena e Brenda provavelmente pensavam, não contava tudo para mim, então tem coisa que eu realmente não faço ideia e suas visões e conexão com o plano superior é uma dessas coisas.
—Eu sei e você sabe. – Ela me olhou antes de revirar os olhos e adentrar na casa. – Isso é tradição deles, é coisa de vampiro. A tradição faz parte dele, a força bruta também, exercer suas habilidades muito mais. Eles são seres evoluídos fisicamente e mentalmente, diferentemente dos lupinos que são evoluídos fisicamente e nós, bruxos, mentalmente. Os vampiros foram a última raça depois dos humanos e nós a surgir. – Ela sentou-se em frente a cafeteira e apertou o botão, fazendo a máquina começar a preparar o que ela chamava de liquido milagroso. – Mas todos temos limitações, defeitos fatais e o dos vampiros é o que realmente faz eles serem o que são: a vontade insaciável de sangue.
—Mas quando foram criados por seja lá o que, não colocaram essa característica? Digo... Eles nasceram como a raça vampira, não? – Perguntei, interessada no assunto. Sentei-me em sua frente.
—Não. Eles não eram entendidos como vampiros, nós não fomos criadas e dadas como bruxas, nem os lobisomens por lobisomens ou qualquer coisa assim. – Ela pegou a xícara e colocou na saída da maquina que começou a encher o copo com o liquido milagroso. – Todos nós fomos criados pelo seres do plano divino, Jessie. Eles não nomeiam as coisas como fazemos, quem nos deu nomes e raças, foram nós mesmos, nós nos batizamos de todas as formas possíveis, sempre fazemos o que vem a mente.
—Entendi, mas... Como é isso de defeito fatal de cada raça? Cada um de nós temos defeitos?
—Nós sempre temos defeitos, mas esse que me refiro é compartilhado por todos da mesma raça, que compartilham a mesma espécie e geni. – Falou desligando a máquina, pegando a xícara cheia até a boca de café. Ela ia tomar tudo de uma vez como sempre faz, mas olhou para mim e provavelmente viu meu fascínio por tudo que falava e apenas deu um gole e continuou. – Foram criadas quatro grandes grupos, o primeiro foram os humanos, os anciões, mais velhos e experientes, depois foram nós, as mais parecidas com eles, porém com mais desenvolvimento cerebral, depois vieram os transmorfos, homens que podiam se transformar em lobos, tendo o desenvolvimento físico mais avançado do que os outros dois grupos e por último vieram eles... Os vampiros. – Ela tomou um gole longo de café dessa vez. – Eu não estava viva nesta época, obviamente, nasci na quarta geração de nosso povo, mas mesmo assim sempre ouvi histórias...
Astrid olhou para mim e eu sustentei, mas logo depois ela suspirou e desviou o olhar, e profeciou:
—Mnemosynum proiectura.
No segundo em que pisquei não estávamos mais na mesa, muito menos dentro da casa. Assustei-me, dando alguns passos para trás, rodando e vendo que estávamos em um campo aberto. Olhei para Astrid e ela apontou para frente, quando olhei havia uma pessoa em pé... Ela estava sozinha, mas logo depois surgiu outro atrás dela... Depois mais outro e outro, muitos foram surgindo atrás e eles começaram a descer o monte em que estavam, pessoas começaram a passar por nós... Pessoas comuns, vestidas como antigamente, talvez no século dois ou algo assim, talvez mais, eu realmente não era boa em história no instituto. Eu gosto de música, não de livros.
—Assim eles surgiram, do nada. –Astrid falou ao meu lado, mas eu estava ocupada demais olhando para os dois grupos começando a interagir. – Os humanos fizeram contato primeiro. A primeiro momento nada aconteceu, apenas houve conversa e entendimento, nós sempre sabemos ao nascer de onde viemos, quando uma nova raça é criada por eles, não se cria bebês, cria-se e surgem adultos que sabem o que aconteceu e repassam isso para os outros que tiveram o mesmo começo, achando-os e ficando com eles.
—Mas? – Instiguei, olhando para ela.
Astrid me olhou... Seu olhar estava sombrio.
—Mas nada nunca é perfeito. – O local mudou e agora estávamos em um dia claro, mas nebuloso. Haviam algumas pessoas conversando e outras caminhando, porém apareceram quatro pessoas e uma delas estavam sendo carregada. – Holton Mallboy... O primeiro vampiro que mostrou o defeito da raça. – O homem parecia desacordado, mas enquanto os outros o carregavam e pediam passagem, o mesmo levantou o rosto... Seus olhos eram vermelhos.
No segundo seguinte ele pulou sobre um homem que passava, provavelmente um humano, e enfiou sua cabeça no pescoço do rapaz, seus gritos começaram a serem ouvidos, mas ninguém fazia nada, acho que por choque... Mas estava feito quando o homem se levantou com o rosto, pescoço e roupa manchados de sangue.
O homem olhou para todos, que também o olhavam incrédulos e aterrorizados, seus dentes pontiagudos estavam a mostra e quando o mesmo jogou sua cabeça para trás, soltou um rugido tão alto e forte, diferente de tudo que já havia ouvido, que todos os meus pelos se arrepiaram por completo.
Quando pisquei novamente, estávamos sentadas na cozinha e Astrid segurava calmamente sua xícara de café. Meu coração batia feito louco no peito e meus olhos estavam arregalados.
—Começaram a aparecer mais casos e casos disso até que os vampiros se mudaram, partiram assim como fizeram os lobos antes. – Mais um gole de café. – O defeito deles sempre foi a lealdade aos deles e apenas ao deles, nenhum mais, assim como o alto teor de egoísmo. Seres selvagens com alta capacidade física e pouca mental. – Ela riu e balançou a cabeça, tomando mais café. – Eles foram porque não queria mais ficar com os humanos, seres inferiores claro, os humanos sempre foram, mas isso não quer dizer que são realmente inferiores. – Astrid se levantou. – Quando eu falei para Nevena que ela seria o elo de união entre os mundos e Brenda a ajudaria... É nessa parte que eu estou me referindo. – Me mexi no banco, completamente intertida no que minha tutora falava. – Ambas terão de restaurar o entendimento de que somos semelhantes, mesmo com diferenças, somos semelhantes e até podemos dizer irmãos.
Ergui a sobrancelha, isso realmente parecia muito difícil, dado o histórico de todos...
—Acha que elas conseguem? – Perguntei.
Astrid riu e me olhou antes de levantar e ir em direção a pia, porém quando ela ia apoiar a xícara a mesma caiu no chão, quebrando-se. Levantei-me com presa e peguei-a, segurando sua cintura e mão, apoiando-a até a cadeira.
—Tudo bem? – Perguntei, porém já sabia que sim... Ela só fazia essas coisas quando o plano superior falava com ela. – O que foi dessa vez?
—Eles pegaram a Brenda! Estão levando-a para... – Falou, olhando para o chão, mas no segundo seguinte, seu olhar vidrou-se no meu. – Nevena... Ela... Nós temos que ir!
Ela se levantou e correu para o corredor, fui atrás dela e a vi subindo as escadas. Bufei e corri para segui-la.
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Pov Nevena
Um estrondo chamou a atenção de todos e nós que estamos de manto preto, nos aglomeramos indo para a lateral, dando a visão ampla do piso do altar, mostrando nosso história: cenas de vampiros chegando pelas montanhas em um dia chuvoso e nublado; interação e batalhas contra lobos e humanos; morte dos humanos e lobos pelos nossos; nosso isolamento na Vila e o começo de sua construção; nossos acordos com os humanos e lobos em manter nossa raça isolada deles, principalmente dos humanos; lobos cercando a Vila para ataque; nossos anciões lado a lado, abençoando os novos para os combates. Muitas partes da história de nosso povo estavam ali e aqui nasceria uma nova.
—Bom dia a todos. – Os membros do Conselho entraram e pararam longe do centro do altar. – Nós do Conselho guiaremos a nova ascensão de nosso ancião. – Silêncio. – Os escolhidos pelo povo estão do nosso lado esquerdo, lembrando que para se eleger como possível ancião é necessário ter o apoio de pelo menos cinquenta votos e não ter cometido nenhuma infração nos últimos cinco anos! – Apenas um dos Conselheiros falava, os outros se mantinham calados, porém eles viraram-se a entraram para dentro da cortina que havia ali, sumindo. – Neste ano, para induzirmos um melhor ancião, incluiremos um detalhe ao nosso ritual... – Ele esticou a mão e se pôs de lado, como se apresentasse algo, no segundo seguinte, os outros membros do conselho surgiram de uma vez, saindo da cortina com uma pessoa em mãos. – Pegamos uma pessoa especial para que vocês se empenhem em regata-la, caso contrário... Ela morrera assim como vocês. – Meu coração pulou dentro do peito ao ver quem estava ali. — Daremos a chance dos representantes de manto falarem com a pessoa antes de começarmos a cerimônia. Vocês têm cinco minutos. – Dito isso, ele saiu e eu praticamente voei na direção de minha mãe, abraçando-a quando o homem a soltou e se afastou, dando alguns passos para trás.
—Mãe! O que está fazendo aqui? Como eles te pegaram? – Exclamei, segurando seus braços, mas me esqueci que ela não ouvia, então rapidamente fiz os sinais e ela fez uma careta de pena e começou a responder.
“Não tive escolha, minha filha. Eles chegaram e falaram que Pax ordenou, ele criou essa nova etapa, ele nos obrigou a estar aqui.”
Cerrei os punhos. Aquele filho da puta estava querendo me atingir com toda a certeza! Ele já havia matado o meu pai e agora estava mirando na minha mãe! Respirei fundo e segurei o rosto de minha mãe
“Eu sei que a senhora tem medo e não me apoia nisso, mas saiba que me pediram para estar aqui, pediram-me para guiar nosso povo, para ser a líder que eles merecem. Eu não quis nada sozinha, o povo me escolheu, muitos deles!” – Segurei seu rosto de novo e beijei sua testa. – “Eu te amo, não se preocupe que não irei morrer, você vai ver. Você terá orgulho de mim hoje, vou fazer o que acho justo. Nós duas vamos sair vivas hoje!”
Ela começou a chorar e eu afaguei seu rosto.
O tempo acabou quando a trombeta soou, pedindo para nos reunir novamente e assim fizemos, caminhei para longe de minha mãe, ficando lado a lado na lateral do altar. Olhei novamente para minha mãe que chorava e depois para Eco que estava na multidão... Eco sempre foi uma ótima amiga, sempre ao meu lado, apoiando-me em tudo e amparando-me quando fraquejava... Ela também merecia essa mudança para nosso povo, ela e todos ali, até os que não me apoiavam. Todos mereciam algo melhor que Pax.
Falando no diabo...
O Conselho anunciou Pax e o mesmo entrou, parando no centro do altar, sorrindo com aquela cara enrugada. Cerrei meus punhos com pura raiva.
—Meu povo! Muito obrigada por estarem aqui e como sabem, este evento é de suma importância para nós, para nossa história! Nossos ancestrais nos passaram essas tradições e as seguimos com êxito e não será diferente hoje. – Ele caminhou até se sentar na cadeira do ancião, com o conselho atrás de si. Pax sorriu e seus olhos caíram em mim, eu o sustentei. – Todos sabem que os de manto lutarão entre si e o que ganhar lutará comigo pelo posto de ancião. Lembrando que nosso povo elegeu os que estão aqui, então será representando de forma justa pelo que sair vivo no final deste dia. – Ele voltou a olhar para todos, voltando a sorrir de novo. – Não temos armas, usamos nossas habilidades naturais e primeiro eles lutam na floresta, o que sobrar lutará comigo no Coliseu. Podemos acompanhar a luta dos de manto pelo campo, mas sem interferências, apenas a luta entre eles será válida e a morte de um dá a vitória para o ouro. – O silêncio pairou entre nós. Pax ainda sorria. – Representantes, por favor, dirijam-se até o ponto de partida na floresta.
Eu e os demais começamos a caminhar para o ponto, tendo nosso povo nos deixando passar e a caminho de lá ergui as mangas do manto e o ajustei mais apertado em meu corpo, colocando a toca para dentro, assim ficaria mais fácil de me movimentar. Paramos atrás da faixa branca na boca da floresta, tendo nosso povo atrás de nós, em nossos lados e nas árvores, cercando-nos. Olhei para os de manto que estavam ao meu lado e infelizmente teria de matar todos. Voltei-me para a floresta e respirei fundo, cerrando os punhos... Hoje eu só pararia com a morte de Pax por tudo que ele fez a minha família, ao nosso povo.
A trombeta soou e corremos para dentro da floresta.
Eu não me daria o trabalho de matar todos, então apenas avancei com meus concorrentes por um tempo, depois comecei a subir nas árvores até a mais alta, depois voltei pelo caminho até o ponto de partida e no galho mais alto me sentei, começando a esperar o vencedor aparecer para que eu o matasse com êxito, afinal, o elemento surpresa seria o meu trunfo.
De onde estava, conseguia observar Pax em sua cadeira sorrindo como de costume. Desde quando me lembrava dele o sorriso presunçoso sempre o acompanhava, assim como os rumores de corrupção com o Conselho da Vila, este que deveria para-lo e aconselha-lo a manter a ética e prudência, mantendo nosso povo em primeiro lugar, aparentava estar corrompido assim como ele e quando eu assumisse, teria de me preocupar com isso também, afinal este foi um dos motivos do povo me eleger também: a quebra do ciclo negativo que Pax nos colocou. O observando de longe, até parecia inofensivo... Mas eu sabia quem ele era, tudo o que fez e o que é capaz de fazer, todos sabiam.
Suspirei e olhei para o horizonte, hoje meus maiores problemas serão resolvidos...
Uma imagem surgiu em minha mente... Fechei os olhos, sorrindo ao perceber o que era, na verdade, quem era: Brenda. Fazia um bom tempo que não a encontrava, que não me comunicava com ela, apenas a observava escondida atrás de muros, árvores, arbustos, me escondendo e tendo a mínima satisfação de tê-la relativamente perto e ainda saber que estava bem... Ela andava com uma cara preocupada ultimamente, mas ainda sim não parecia ter nenhum tipo de problema físico... Deve ser coisa do que eles chamam de escola.
Levantei meu rosto, olhando onde o sol brilhava forte e os pássaros cantavam entre as nuvens que pairavam no céu, mas algo prendeu mais minha atenção, fazendo-me sorrir e sentir meu corpo arrepiar: cheiro de sangue. Mordi o lábio e levantei-me, avançando pelos galhos até alcançar o cheiro, localizando-o no chão entre galhos. Lancei-me para lá e o toquei, o corpo estava quente e o sangue ainda escorria, o que indicava que acabou de ser morto, eu não ouvia nada por perto, mas então percebi que havia mais cheiro de sangue no ar, fazendo-me seguir pelo chão até achar outro corpo, este mais frio.
Provavelmente um matou o outro... Mas ao me levantar notei várias pegadas, indicando várias direções. Dois haviam sido mortos, mas ainda havia cinco vivos além de mim, com tantas pegadas assim, ou os que sobraram correram da matança ou ocorreu um cerco aqui, uma emboscada!
Cerrei os punhos e resolvi voltar para as árvores. Icei-me e comecei a voltar para o local de partida, saltando de galho em galho até que parei ao ouvir passos, passos rápidos e depois silencio, mas logo em seguida um farfalhar... Um barulho estranho depois, os dois se intercalavam... Entendi! Alguém me seguia pelas árvores!
Saltei para o chão e me pus a correr em alta velocidade, por fim icei-me em uma árvore e me escondi até que ele apareceu, tentei fazer o mínimo barulho possível, nós todos tínhamos uma audição muito aguçada, então ele saberia se eu me movimentasse. Revirei os olhos.
Foda-se.
Desci da árvore e me pus em sua frente, o homem me olhou e eu o sustentei, mas diferente do que eu pensei, ele não atacou. Estranhei e dei um passo, vendo que ele não fez nada, dei um passo para a lateral e ele fez o mesmo, andei e ele me seguia, começamos a andar em circulo. Ergui uma sobrancelha e ri, isso realmente é um modo diferente de se batalhar. Achei engraçado e interessante, porém não tinha tempo para isso, precisava voltar a me esconder se ainda quisesse o elemento surpresa.
Respirei fundo e corri em sua direção com o intuito de agarra-lo pela cintura eu me joguei, porém o mesmo apenas deu alguns passos para trás, senti a dor nas minhas costas dadas por cotoveladas consecutivas, depois ele me jogou para longe, rolei, porém logo me levantei surpresa.
Ri olhando para ele.
—Qual seu nome? – Perguntei, mas não esperei pela resposta, aproximei-me e desferi uma sequencia de socos que o mesmo defendeu poucas vezes, fazendo com que eu acertasse mais do que errasse, deixando-o sangrando levemente.
—Do que isso lhe interessa? – Sua voz era fina, porém ele nada parecia gentil. Me decepcionei.
Aproximei-me novamente e comecei a soca-lo novamente, mas dessa vez ele defendeu bem e acertou-me um forte soco no rosto que me fez cambalear para o lado, depois senti a dor de seu chute em minhas costelas, fazendo-me ser jogada a alguns poucos metros até cair no chão. Essa realmente doeu agora.
Levantei-me e ele veio em minha direção, sorri... Agora sim é minha chance.
Quando ele estava perto o suficiente levantei minha perna com força e velocidade, atingindo seu queixo, fazendo seu corpo subir suficientemente alto para que seu corpo caísse com força no chão. Sorri minimamente e alonguei-me rapidamente, ele socava bem.
Caminhei até onde ele estava e me ajoelhei ao seu lado, vendo-o tossir e cuspir sangue, molhando parte de seu rosto, tingindo-o.
—Você luta bem, também não é nada pessoal, desculpe. – Coloquei a mão em seu ombro e no segundo seguinte ele levou a sua até meu pulso.
Arregalei os olhos ao ver uma sequencia de imagens rápidas e dolorosas: sangue, lobos, dor, gritos, fogo, destroços, chuva. Tudo passando muito rápido... Astrid estava presente, Brenda, Eco, eu, nosso povo, a alcateia de Aeolus, mas ele não estava lá, havia também... Humanos! Uma luz dourada surgiu, explodindo e eu me assustei, caindo para trás, livrando-me de seu toque.
Pisquei várias vezes ao ver que ainda estava na floresta, olhei para os lados afoita como se minha mente houvesse processado que eu estava naquelas imagens, em perigo, em grande perigo! Levantei-me tremula e olhei para o homem, meu coração batia rapidamente e não tive nenhuma reação ao ver que ele havia morrido definitivamente.
Respirei fundo, meu corpo parecia anestesiado. O que havia acontecido?
—Como vai, Nevena? — Assustei-me e vi um homem parado ao meu lado, relativamente distante, mas ainda sim perto.
Vi mais sair da floresta... De todos os lados, parando na mesma direção que o outro estava. Ótimo, um cerco! Provavelmente não os ouvi por causa das imagens na minha cabeça, agora tinha que lidar com esse elemento surpresa!
Suspirei, erguendo meu olhar para ele.
—Poderia estar melhor. – Comentei, encarando os outros. – Vocês já poderiam ter se matado para eu me preocupar apenas com Pax. Agora tenho que lidar com suas mortes.
Cruzei os braços e eles riram, agitando-se, cerrando e batendo os punhos, fazendo caretas, tentando me intimidar.
—Como se fossemos burros o bastante para não entender seu plano sujo de pegar apenas o último que sobrasse! – Outro falou, chamando minha atenção, porém logo desviei e vi que havia um tronco perto de meus pés.
Ergui a cabeça e sorri.
—Foram burros o bastante para me enfrentar.
Lancei o tronco seco que estava perto de meu pé no rosto do homem a minha frente, saltando para o lado, chutando o outro que começou a dar passos em minha direção, mas isso deu a chance do outro vir por trás e me agarrar e outro aparecer para me dar socos, muito bem dados por sinal, a dor se espalhou pelo meu abdomem, pernas e rosto, mas percebi uma brecha e lhe dei um chute, assustando-o que me segurava, me dando uma brecha para soltar-me e virar rapidamente, socando o mesmo, logo depois saltando para cima dele, quebrando seu pescoço, caindo com seu corpo para dar um salto e acertar um chute no queixo do outro, vendo-o cair ao lado.
Dois mortos, faltavam três.
Senti mãos agarrem meus braços por trás e um se aproximar pela frente. Icei-me e chutei o peito do da frente com meus dois pés, içando-me para trás, libertando-me do que me aprisionava e no ar, quebrando seu pescoço, dando uma cambalhota antes de cair em pé e ver o que levou um chute se aproximar. Lancei-me contra ele, pegando sua cabeça enquanto me impulsionava para cima, arrancando-a, jogando no rosto do outro que ainda se mexia com dor pelo pontapé ter lhe lançado na árvore.
Quatro mortos, restava um.
Esse último se levantou cambaleante, olhando para os corpos ao nosso redor, tremendo feito um humano amedrontado. Suspirei.
—Nevena, por favor! Não faça isso!
Levantei uma sobrancelha.
—Por que está implorando? – Perguntei me aproximando dele que já estava de joelho. – O que te faz pensar que não vou te matar para ir atrás de Pax? – O homem já chorava. Fiz uma careta, aproximando-me de seu rosto. – Deveria ter pensado nisso antes de me cercarem.
Silvei, sentindo meus dentes crescerem e enfiei em sua carne, puxando logo em seguida, cuspindo o osso no chão junto com o sangue que escorreu para minha boca.
—Erro comum de principiante. – Limpei rapidamente qualquer vestígio do sangue dele em mim. Esse tipo eu realmente não queria perto da minha boca.
Virei-me e voltei para a linha de partida as preças, só agora percebendo que havia muitos dos meus observando aquilo, muitos devem ter observado a luta a minutos atrás. Conforme eu me aproximava do centro meu povo se afastava, abrindo caminho, vi Eco e a mesma sorriu largo para mim e eu retribui antes de deixa-la lá e subir no altar, parando em frente a Pax e o Conselho, curvei-me ficando de joelhos, me levantando tão rápido quanto abaixei.
—Pax! Eu sou a vencedora! Sua luta para permanecer será contra mim! — Abri os braços. – O povo me elegeu pela primeira vez em séculos que permaneci aqui. – Abaixei os braços e sorri para ele. – O povo cansou de você, Pax, e hoje escolhem a filha do homem que matou para estar no poder! – Me virei, pondo-me a andar, ainda olhando-o. – Você tentou, certo? Eu sei que tentou manter todos contra mim, mas parece que não adiantou, não é mesmo?! Os que me elegeram para hoje, e posso dizer que não foram poucos! Cansaram de você, Pax. – Fiz uma ressalva parando de andar, mas logo voltei. – O seu povo cansou de você! Todos votaram para um candidato substituir você, como se sente?
—Muito bem. – Falou, levantando da cadeira com a expressão séria. – Senão se importa, cansei de seu discurso infantil. Dirija-se até o Centro, menina. Quero ver se luta bem o suficiente para me deter, matei seu pai e matarei você, levando sua mãe também!
Inspirei fundo e cerrei os punhos, encarando-o com ódio. Eu daria tudo para mata-lo hoje, pois querendo ou não, seria minha única chance sem cometer um crime e ser exilada ou condenada, ou pior, morta.
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Pov Eco
Aquilo realmente estava sendo uma puta batalha para ser ancião! De todos os meus anos aqui nunca havia visto tanta intensidade nas lutas e nas discussões, tanto entre eles, o Conselho com Pax e nós, a multidão que os seguia para todo lugar. Eu sabia que a grande parte disso era por Nevena, todos sabiam de sua história, todos sabiam de quem era filha e quem era seu pai, todos sabiam quem era Pax e como ele chegou ao poder e se manteve até agora, mas hoje isso iria mudar.
Uma grande parte de nosso povo não conhecia de fato Neve, mas eu conhecia e sabia o quanto ela amava ao pai e o quanto ele era importante na vida dela, quando ele morreu ela descobriu seus dons da pior forma: fez sua antiga casa desmoronar com tremores vindo do chão e rajadas de vento, dando a entender a alguns que ela havia matado o seu pai e de alguma forma deixando a mãe surda, mas depois de um bom tempo isso veio a ser desmentido de alguma forma, não por falta de tentativas minhas, de Neve e de sua mãe, não por isso, mas de alguma forma, todos sabiam a verdade e então a popularidade de nosso ancião vigente começou a decair.
Muitos dos nossos apoiavam Petros, pai de Nevena e muitos poucos apoiavam os outros concorrentes, mas ainda sim era o suficiente para fazê-los concorrer para o cargo de ancião. Petros nem ao menos chegou a concorrer na floresta como Nevena fez agora pouco, ele foi morto por Pax, que invadiu a casa e o pegou desprevenido com um arma, uma espada que ficava na sala do ancião... Até hoje imaginamos que o ancião antes de Pax o ajudou nisso, mas ele tinha uma reputação tão boa que todos também consideram que ele roubou a espada da sala do ancião e a usou contra seu consentimento para tirar uma vida de um dos nossos, uma lei expressamente proibida a não ser por rituais como os de hoje.
Desde então, da morte do pai de Nevena e da ascensão de Pax ao comando, nossa Vila pouco produziu, pouco cresceu e não tivemos progresso, mas a pior parte é que de alguma forma ele sempre conseguia se eleger novamente, talvez porque até hoje não houve ninguém realmente bom para mata-lo no último combate, talvez ele fosse realmente forte e ninguém o conseguisse vencer, mas sei que hoje mudará! Todos aqui subestimam Nevena, a não ser os mais velhos, ninguém nunca viu os poderes reais dela, seus dons! Hoje eu sei que ela daria tudo de si para conseguir o cargo e eu veria de perto.
Corri por entre os meus e cheguei ao Coliseu com alguns outros. Sorri, entrando no mesmo e escolhendo um bom lugar para ver tudo, não queria perder nada!
—Está ansiosa? Não acredito que ela realmente conseguiu! – Sorri ao ver Vanir ao meu lado.
—Eu sempre acreditei nela! Sabia que conseguiria chegar até aqui! – Falou Miriã ao seu lado.
—Concordo com você, Mir! – Falou Âmbar surgindo pelo meu outro lado, sentando-se.
—Concordo com vocês duas. – Falei rindo. – Nevena é incrível! Com certeza ela vai vencer Pax e se tornar nossa anciã!
—Dizem que ela vai ser a mais nova anciã até hoje, certo? – Perguntou Miriã, animada olhando para nós. – Isso é realmente incrível! Ter cem anos e já ser anciã!
Sorri suspirando e abri a boca para falar, mas um grito me impediu:
—Eco!
Virei-me para o lado, encontrando Astrid ao lado de uma menina que eu não conheci.
Arregalei os olhos e avancei em sua direção rapidamente, sem em importar com as perguntas mais tarde vinda dos três que deixei lá quando a puxei em alta velocidade para um dos corredores que levavam a saída do local, parando apenas para pressiona-la contra a parede.
—O que você está fazendo aqui?! – Rosnei, afastando-me rapidamente ao notar a falta de distancia. – Eu falei para nunca mais aparecer!
—Não temos tempo para isso, por favor! – Ela tentou se aproximar, mas afastei suas mãos de mim, dando alguns passos para trás. Meu coração batia forte dentro do peito e a vontade de ler sua mente era enorme! Mas eu jurei que nunca mais faria isso, nunca mais a manteria perto de mim para tal feito! – Se você não quer falar tudo bem! Mas temos que avisar Nevena!
Olhei para ela, desconfiada.
—Do que está falando? – Desviei o olhar do dela, sentindo tudo aquilo de novo. Depois de tanto tempo... Por que isso não passava?!
Cerrei os punhos, com raiva de mim mesma.
—Precisamos avisar Nevena que...
Uma trombeta soou, calando-a, chamando nossa atenção.
Seja lá o que ela queria falar para Neve, agora não adiantava mais... Daqui eu consegui ouvir as duas grades do Coliseu se levantaram e os passos deles surgiram, caminhando em direção ao outro, provavelmente.
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Pov Nevena
Enquanto caminhava para o Centro, onde ocorreria nossa batalha, pensei em alguém menos provável neste tumulto todo: Brenda. Estávamos a tempos sem se ver e conversar diretamente, confesso que me preocupei muito com sua curiosidade extrema... Com o ocorrido de Astrid e sua “pupila”, mas mesmo mantendo-me longe, eu estava perto da menina mulher de cabelos acobreados em minhas visitas e isso me deixava minimamente relaxada para o momento em que estava.
Não queria admitir, mas sentia falta, mas também não queria admitir o que Astrid já havia me falado... Algo de nossos destinos estarem ligados e uma hora descobriríamos, uma hora, eles iriam se chocar para valer. Engoli em seco, lembrando-me das imagens que vieram em minha mente quando o homem tocou em meu braço na floresta... Brenda estava nelas e... Não parecia nada bom, isso não me tranquilizava.
Balancei a cabeça, tentando voltar a me focar no que ocorria aqui e agora! Na batalha que teria contra Pax e que teria de vencer!
O Coliseu era antigo e ficava em um dos campos que era delimitado em nossas terras, aqui aconteciam as batalhas pelo posto de ancião. Eu havia entrado pela grande da esquerda e vi todos do nosso povo sentar-se para observar a luta que começaria. Suspirei e inspirei profundamente, tirando o manto negro, jogando-o pelo campo por já ter andado bastante, ficando apenas com um short preto curto e um top também na cor preta. Senti o cheiro... Denunciando a presença de Pax na arena.
O observei, ele estava apenas com um short também preto e o peito nu. Nosso, ainda, ancião possuía muitos séculos nas costas, por mais que estivesse envelhecido muito com o passar dos anos, o mesmo não era bobo, fraco, devagar ou nada do gênero, muito pelo contrário. Os anos passados lhe trouxeram experiência, mas hoje ele já não servia mais. Eu o substituiria.
O campo era liso, sem obstáculos e eu tomei para mim que só utilizaria meus dons em último caso, então corri até ele e o mesmo se pós a correr até mim também, porém esquivei para o lado quando o mesmo golpeou em minha direção.
A areia do campo subiu e aproveitei para me afastar, sabia que se ficasse parada, ele me atacaria rapidamente. Saltei para longe e depois para cima, mas nada vi dele. Quando a areia abaixou fui pega de surpresa, um chute forte me fez voar pelo campo e chocar-me contra a parede dura do coliseu. Meu corpo doeu por completo e o ar faltou de meus pulmões tão rápido quanto um respirar.
—Cadê a menina mal educada que sempre foi? A que sempre se deu de forte, invencível! – Sua voz surgiu enquanto eu tentava me levantar, mas não foi tempo o suficiente.
Vi Pax correr até mim e segundos depois desferir inúmeros socos que só consegui reagir depois de tomar vários! Empurrei-o e com agilidade lhe soquei o rosto, fazendo-o cambalear. Com essa chance lancei-me contra ele, dando-lhe socos e mais socos, até que o mesmo me afastou e me afastei de com grado, colocando uma grande distância entre nós.
Se ficasse muito perto, ocorreria chances dele me pegar, então corri pelo campo, afim de tentar cansa-lo minimamente, ou deixa-lo irritado para que eu pudesse me aproveitar de sua insanidade estúpida e ele mordeu a isca. Ficamos correndo por um tempo, encontrando-se poucas vezes até que ele tentou pegar-me para valer, parando e esperando eu vir em sua direção, porém percebi isso a tempo e agarrei seu braço esticado para me pegar, puxando-o com o peso do meu corpo em alta velocidade lançado, quebrando-o, quase o arrancando.
—Argh! Vagabunda! – Pax urrou se virando para mim em fúria. – Eu deveria ter lhe matado quando tive chance!
Cerrei meus punhos e avancei em sua direção tentando de todas as maneiras acerta-lo com algum golpe, mas o mesmo sempre desviava e em um momento de descuido ele me agarrou pela nuca, jogando meu rosto contra a areia fina do coliseu, fazendo-me rebater-me, mas logo senti vários socos desferidos em minhas costas e cabeça, enterrando-me ainda mais no chão, mal conseguindo respirar.
Comecei a sentir várias ondas de dor passarem pelo meu corpo, vindas de minha cabeça até terminar nas pernas, mas minha cabeça começou a doer infinitamente pior do que qualquer outra dor hoje!
—Realmente acha que pode me vencer nessa luta, Nevena? – Senti o ar de sua boca em minha nuca. – Você só mata peixe pequeno. Não está pronta para governar nosso povo! – Eu tentava tirar sua mão de meu pescoço, tentava me levantar mesmo contra sua mão, mas nada adiantava, eu estava começando a perder a consciência. – Acha que é fácil? Acha que conseguiria fazer isso do jeito que é hoje? Pois eu te digo não! Você não é capaz!
Senti meu corpo ferver de raiva. Espalmei minhas mãos ao lado do peito e fiz força para me levantar, sentindo uma pressão absurda no meu pescoço, forçando-me para baixo e mais socos surgiram. Consegui fôlego e isso me ajudou minimamente, mas a solução surgiu e fechei os olhos, imaginando um tornado de areia surgir e puxar Pax de cima de mim.
Poucos segundos depois a areia ao nosso redor começou a se agitar e Pax agitou-se, mas antes que ele pensasse em qualquer saída para isso a pressão em meu pescoço sumiu e ouvi seu grito. Virei-me com pressa, tossindo e recuperando ar o mais rápido possível. Abri os olhos e vi o furacão rodando Pax que gritava, sorri, acho que isso já era o suficiente.
Encerrei o tornado, fazendo-os se dissipar aos poucos e Pax despencar no chão, dando-me a oportunidade de avançar sobre ele e desferir inúmeros socos em seu rosto, peito e braços, já que ele tentava se esconder e defender.
—Pax! Você não tem ideia de como quero lhe matar! – Cuspi em sua face. – Mas vou te fazer sofrer primeiro! – Me levantei, pegando seu braço e virando sua mão, quebrando-a. – Vou fazer você sofrer! Você vai provar do seu próprio veneno! – Segurei seu braço e o arranquei fora, vendo o sangue jorrar para todos ao lados.
Joguei seu braço para longe tendo seus urros como música no coliseu. O mesmo se levantou, cambaleando para longe, ainda gemendo e gritando de dor, mas ao me ver segui-lo, ele quis correr, porém peguei seu outro braço e puxando-o, deferindo um soco forte em seu rosto, fazendo despenca-lo. Me aproximei de seu corpo e arranquei o outro braço.
Pax ficou gritando no chão, contorcendo-se como uma minhoca. Os dois buracos mostravam seus ossos e veias, ambos expostos e pegando areia. Se ele saísse vivo daqui por algum milagre, seria interessante vê-lo recuperado depois, isso senão morresse na tentativa de sobreviver.
—É bom, não é? Sentir dor! – Falei, aproximando-me letamente do local onde ele estava se remexendo no chão. Abaixei, ficando próxima de seu ouvido. – A dor que está sentindo não se compara a dor que trouxe a minha família, ao nosso povo e aos que perderam vampiros que você matou.
Cometi um erro que foi subestima-lo, pensei que o mesmo já estava parcialmente derrotado, porém apenas percebi o erro quando ele saltou e seus dentes cravaram em meu ombro, na tentativa de quebrar meu osso com seus dentes, porém puxei sua cabeça para trás, sentindo a dor de seus dentes desprendendo de minha carne.
Enterrei sua cabeça na areia com força o suficiente para quebra-la, o mesmo parou de se mexer, mas me levantei e fui até sua perna, quebrando seus pés para que não levantasse, reduzindo-os a coisas molengas e flácidas. Pax urrou de dor novamente, denunciando que estava vivo.
Passei a mão no meu ombro, vendo o sangue em minhas mãos. Cerrei os punhos e olhei na direção do filho da puta com mais ódio ainda!
Havia um costume, uma lenda antiga entre nós, entre nosso povo, a lenda de que nunca deveríamos sugar o sangue de nossos semelhantes, nunca fazíamos isso, mas a consequência era pouco falada, apenas ouvi duas vertentes, uma delas era negativa, falava que se o sangue não fosse compatível, levaria você a morte mais dolorosa que um dos nossos poderia ter, suas veias queimariam antes de secar e seu corpo se reduziria em pó, mas a positiva dizia que você tomava a força daquele que faleceu, se tornando mais forte!
Olhei para Pax... Ponderei, mas por fim apostaria para ver. Aproximei-me de seu corpo trêmu-lo e lancei-me contra seu pescoço, perfurando-o e sentindo o gosto mais amargo que já senti na vida! Franzi o cenho, fazendo uma careta enquanto sugava tudo rapidamente, sentindo-o se debater muito, mas ir diminuindo. O gosto amargo fluía para mim e me dava vontade de cuspir tudo, porém não pararia agora!
Quando não havia mais nada e o corpo inerte de Pax jazia no chão, me afastei cambaleando. Engasguei, sentindo minha garganta secando assim como meus lábios! Cai de joelhos e senti meu ombro, onde ele havia me mordido, arder como se estivesse em chamas! Engasguei novamente e tremi, sentindo meu corpo tremer junto ao erguer minhas mãos, vendo-a mais pálidas do que o normal.
Cai com as mãos no chão, tentando segurar-me para não cair de vez. O que era isso?! O que estava acontecendo?! Eu estava morrendo?! Engasguei novamente, sentindo minha garganta mais seca do que nunca, como se eu tivesse ficado mil anos sem beber nada!
Se isso era a morte, me recusava morrer assim!
Puxei minha perna, tentando me por de pé! Levantando-me com ajuda do chão, apoiando minhas mãos nele enquanto sentia meu corpo dar várias espasmos! Inspirei e senti um cheiro horrível de queimado! Tossi já não aguentando a secura, porém me levantei cambaleante, tentando me manter em pé com os espasmos fortes.
Olhei para Pax no chão, seus olhos azuis estavam arregalados e totalmente voltados para o céu, sua expressão era de surpresa e medo, como se ele não acreditasse no que ocorria. Bem, eu também não estava acreditando que eu estava morrendo.
Tossi caindo no chão, mas ouvi passos vindos de minha frente e ouvi suspiros, exclamações vindos de todos os lados, depois ouvi gritos e rosnados Tentei me levantar, mas tudo que consegui foi me levantar meu rosto minimamente da poça de sangue perto de minha boca.
—Ora, ora, ora. Parece que cheguei bem na parte mais importante! – Franzi o cenho... Eu reconhecia aquela voz. – Devo admitir que admiro sua coragem, Nevena! Até eu sei sobre os rumores que ocorrem quando um de vocês suga o outro. – Aeolus apareceu em minha frente, mas o que mais me chamou minha atenção foram dois dos seus que seguravam alguém pelos braços, meu coração parou. – Confesso que isso não estava nos meus planos, digo... Eu não queria que morresse senão fosse por minhas mãos, claro! Daí você me faz essa. – Ele riu, chamando minha atenção, mas meus olhos iam dele para ela, dela para ele enquanto tremia no chão. Aeolus me encarou de forma séria. – Você sabia que poderia tê-lo matado sem ter sugado ele, porque fez isso? Só para estragar meus planos! Mas que porra, Nevena! – Ele chutou um dos braços de Pax que estava ao lado dele, começando a rodar e expressar sua frustração. – E agora? Como vou matar você para ela ver e ela para você ver?! Você já está morrendo, porra! Assim não tem graça!
Tossi abaixando a cabeça, sentindo meu pulmão em chamas, meus músculos tremerem feito doidos, minha garganta e boca secas. Tentei me levantar ouvindo muitas coisas, desde múrmuros dos meus até os dos lobos de Aeolus, inclusive as reclamações dele. Torci para que ele estivesse distraído enquanto eu me levantava, porém não deu muito certo.
Senti uma mão em meu cabelo, puxando-o para cima, me fazendo ficar de pé.
—Ah, deixa que eu te ajude! – Falou ele, tentando continuar a espremer meus curtos fios entre seus dedos. – Não se preocupe que você ainda vai viver um pouco para vê-la morrer!
Olhei para frente, deparando-me com Brenda em prantos, debatendo-se contra os híbridos que lhe segurava. Percebi que ela estava com vários roxos nas pernas, braços expostos, até mesmo nos rostos, mas... Ver seus olhos... Castanhos claro, marejados. Senti meu corpo entrar em êxtase... Sentia minha cabeça ser chacoalhada pelo Alfa, mas minha mente só conseguia ver Brenda e pelos deuses, como ela era linda, sua beleza era algo que me tirava o ar.
Sua voz era ligeiramente rouca e seus cabelos encaracolados acobreados eram perfeitos, seu corpo era majestoso. A fama de vampiro serem seres sexuais era um boato completamente verdadeiro, humanos eram isso para a maioria de nós, objetos a serem colecionados e usados como brinquedos sexuais, até porque para nós, sugar sangue enquanto fazíamos sexo era um ponto a mais, era um ponto a mais para o paraíso que podemos sentir... Mas para mim Brenda era algo a mais... Ela era perfeita, ela é muito mais do que toda essa barbárie que meu povo gostava de pensar que ela era! Ela é mais, mais do que tudo isso... Ela... Merecia viver!
Como um estalo, meus pulmões foram preenchidos por ar e fechei meus olhos, sentindo a sensação de meu corpo voltar ao normal, porém de uma forma muito melhor! Eu conseguia sentir, sentir tudo... Conseguia sentir a presença de todo o meu povo, seus corações batendo. Conseguia sentir o cheiro dos lobos, aquele cheiro horrível de terra, merda, mijo e suor! E conseguia sentir o cheiro dela... Fechei os olhos, sentindo aquele aroma... O cheiro doce de Brenda fez minhas veias formigarem, meu coração bater mais rápido e meu corpo responder com força a minha respiração!
Levei minhas mãos até a mão de Aeolus e me pus de pé, depois torci sua e puxei seu braço para trás, prendendo-o em uma chave de braço.
—Vadia! – Aeolus cuspiu tentando soltar meu braço, porém a força que ele fazia nem ao menos fazia eu me esforçar.
Olhei para os lobos a minha frente, parando o olhar em Brenda, mas algo me chamou mais atenção... Olhei ao redor do coliseu, notando que os muros estavam cheios de lobos de todos os tamanhos e cores... Estávamos cercados, mesmo que matasse Aeolus agora, a probabilidade de sermos atacados ainda era extramente alta! Talvez até inevitável.
—O que você quer, Aeolus? – Perguntei em seu ouvido, apertando a chave de braço, fazendo os lobos se agitarem com o resmungo de dor de seu Alfa.
—Quero sua morte! Quero o que sempre foi de nossos ancestrais até você aparecerem aqui! – Ele tentava falar, mas saia tudo com dificuldade. – Eu sei que se importa com seu povo e a humana! Podemos fazer um trato! – Ele cuspiu, tossiu tentando respirar. – Vamos batalhar! Se eu ganhar, nós vamos embora e deixamos vocês em paz, nos afastamos das fronteiras e lhe dou a humana!
—Se você ganhar? – Perguntei olhando-o.
Aeolus riu, ou tentou rir.
—Se eu ganhar, todos vocês morrem e nós ficamos com o território!
Não respondi, mas eu não cairia nessa, não sou burra. Olhei para meu povo e a procurei rapidamente, quando encontrei olhei para ela o mais profundamente possível, não entendi a presença de Astrid e a amiga de Brenda ali, mas ignorei este fato por ver as expressões preocupadas e me foquei em Eco, apenas nele e depois olhei dela para Brenda, em um sinal mudo para que minha amiga entendesse que eu queria que ela tentasse pegar a Brenda, por sorte, a mesma assentiu e me lembrei que ela podia ler mentes, pois é, isso foi de extrema importância, porque agora ela sabia tudo o que eu faria, com sorte, daria certo o meu plano.
—Bom, sabe de uma coisa, Aeolus? – Ele resmungou para que eu continuasse. – Acho melhor não. Sou a nova anciã de meu povo, não cometerei um erro terrível.
Em um movimento rápido o afastei ligeiramente e agarrei sua cabeça, torcendo-a para o lado, o matando. No segundo seguinte, quando seu corpo sem vida caiu no chão os lobos, que estavam em forma de lobo, uivaram de forma longa e forte.
Urrei e senti meu povo avançando e com minha visão melhorada, vi Brenda sumir em um piscar de olhos pela grade do coliseu, sendo levada por Eco e mais algum dos nossos que não prestei atenção, ela estava segura e isso que importava, mas agora tínhamos algo a se preocupar, um ataque da alcateia inteira de lobos!
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O dia já estava acabando, o sol estava se ponto e eu caminhava com mais algum dos nossos no campo do coliseu. Haviam muitos corpos, corpos de lobos, de híbridos e de vampiros, tivemos muitas baixas, mas pelo menos tivemos a vitória contra os lobos! Infelizmente não matamos todos, os poucos que sobraram fugiram, mandei alguns dos nossos irem atrás, rastrearem e se der mata-los, mas duvido que eles ataquem, porém a informação de onde eles estão seria de ótimo valor.
—Como se sente?
Eco acompanhava-me na caminhada na areia do coliseu, observando os corpos e vendo senão havia sobreviventes, mas até agora não. Eu sabia que era em vão, não conseguia sentir nada, nenhum batimento, mas eu ainda caminhava... Também para me acalmar e pensar, e eu estava pensando muito.
Suspirei, olhando para minha amiga, sorrindo minimamente. Estávamos ambas sujas de sangue quase que no corpo inteiro, mas ainda sim era reconfortável tê-la ali comigo!
—Bem... Percebi que meus sentidos estão mais desenvolvidos do que nunca. Consigo ver e ouvir as coisas de forma muito melhor, mais detalhada, também em câmera lenta! – Eu falava e percebia que a mesma prestava atenção. – Consigo sentir as coisas também, antes não conseguia fazer isso. Eu consigo sentir tudo e ainda de uma forma rica sabe? De uma forma mais detalhada, mais ampliada!
—Isso é muito bom! – Falou sorrindo. – Isso é ótimo. Neve, você agora é nossa anciã! Se seus dons foram mais desenvolvidos, isso é ótimo! Essas outras coisas que também acha que melhorou, é bom também!
Revirei os olhos de forma aborrecida.
—Eco, comece a parar de ler minha mente! Sou a anciã agora! – Suspirei vendo-a assentir. – Enfim... Voltando ao assunto, não quando acho que se desenvolveram por ter sugado Pax.
Ela nada falou de imediato, mas também não a culpei... Também consigo imaginar o que meu povo pensava, não gostaram da atitude, mas duvidavam que faziam diferente, então não falavam nada para mim, muito menos ouvi rumores, mas ainda poderiam surgir com o tempo...
—Eu vi... Astrid ao seu lado, quando a olhei na plateia, depois não a vi mais... – Comecei. Eu sabia que a bruxa era um assunto detalhado para minha amiga, tanto que senti seu sangue passar mais rápidos nas veias e o coração acelerar-se, levando junto a respiração. – O que ela queria?
—Queria falar com você. – Falou rapidamente, olhando para o lado, olhando o horizonte. – Provavelmente ela deve ter descoberto da invasão e tentou vir avisar, mas já era tarde. Você já estava na arena.
—Entendo... Bom, espero que ela apareça para conversar comigo como tínhamos combinado.
—Sobre Brenda... – Começou, aparentemente ignorando o que falei.
—Eu tenho que resolver isso, eu sei. – Retruquei.
—Sim, você tem que resolver isso. – Me interrompeu, parando de andar, fazendo-me parar também. – Só queria te falar que mudamos tudo na casa do ancião e a coloquei lá, não há nada mais do Pax lá, então pode ficar tranquila e ir para lá, mas é bom elaborar mais o plano para mantê-la aqui, se quiser... Eu. – Ela parou, porém eu ainda a encarava. – Eu sei que há algo entre vocês, quer dizer, não sei e ao mesmo tempo sei, porque... – Ela parou, mas apontou par a cabeça e entendi: ela havia lido minha mente. – Bom, só acho que deve tomar cuidado, Neve. Muito cuidado! Alguns dos nossos são bem conservadores, seguem e prezam as leis antigas e esse seu relacionamento amoroso com a humana irá agitar muitos dos nossos!
—Eu sei, Eco! – Falei de forma dura. – Eu pensei em uma opção, mas não sei se dará certo...
Ela ficou em silencio e soube que ela lia minha mente.
—Pode dar certo... Mas não sei se ela irá gostar muito.
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