When Night Comes

11 Capitulo 11


Notas iniciais
Então gente kkkkk eu postei o cap errado kkkk postei o 12 ao invés do 11 e.e mas estou corrigindo agora! Então recomendo que leia este e o próximo (que era o passado que eu embananei as coisas kkkkk) Boa leitura

Pov Nevena

Eu de fato nunca desejei ser anciã, nem ao menos cogitei a possibilidade até este ano. Todo passado fora revirado, o povo já estava exaurido e o momento de ascensão trouxe a oportunidade que todos esperavam, tendo eu como eleita para concertar as coisas. A pior parte não fora matar alguns dos meus para assumir tal responsabilidade, o que anda me incomodando fora que eu, aparentemente, havia mudado e isso chocava-me. Eu ainda era a mesma, claro, mas aparentava ter... Evoluído.

Como havia falado para Eco, meus sentidos pareciam estar ainda mais aguçados, mais desenvolvidos e realmente achava ter sido culpa do sangue de Pax, algo que ninguém me mandou fazer e nem eu tinha tal intenção, mas a raiva e frustração tomaram conta de mim, levando-me a fazer tal ato, até então, submetido a acusações e medidas severas de nosso povo. Talvez ser anciã e cometer “crimes” eram coisas legais por nós, não que eu pretendesse cometer outros... Bom, não sei, dada minha circunstâncias com ela.

Cá estou eu, sentada na poltrona que outrora fora de Pax, estabelecida na casa que outrora pertenceu a Pax e agora é minha, tudo que era dele agora é meu e como prometido, honrarei a morte de meu pai pelos corredores, redecoraria este lugar para ser o que deveria ser, honroso e de orgulho para nosso povo. Eles me escolheram para ser a anciã e consegui fazer de seu desejo realidade, agora seria minha resposabilidade tomar todas as medidas necessárias para tal feito.

Olhei para a porta da frente quando ouvi passos rápidos vindo até mim. Ajeitei-me na poltrona e as portas se abriram, revelando a presença amigável de Eco, Âmbar, Vanir e Miriã.

—Mandou nos chamar, senhora? – Vanir adiantou-se.

—Sim. – Sinalizei para que eles se aproximassem e assim o fizeram. – Preciso de informações da matilha de lobos que conseguiu fugir. Conseguiram alguma informação?

Vanir se ajoelhou antes de começar a falar, erguendo-se novamente.

—Não, senhora. Aguardamos noticias dos enviados a coletar informações e a localização nova dos lobos restantes.

—Faça o favor de seguir o rastro deles e coletar informações o mais rápido possível, Vanir. – Os olhos negros do homem encaravam-me com expectativa. – Deixo esta tarefa para você. – O mesmo assentiu e fez menção de sair, porém o parei com um gesto. – Lembre-se de que se os atacarmos agora teremos mais chance de vitória. Não os subestime depois de recuperados, mesmo estando em menor número eles ainda são fortes. – O mesmo assentiu e o dispensei, vendo-o sair pela porta da frente. – Conseguiram o número de baixas até agora?

—Nosso povo fora contabilizado novamente, senhora. – Falou Âmbar, adiantando-se na reverencia. – Agora somos em duzentos e três, totalizando cinquenta e sete baixas, senhora.

—Providência as ações fúnebres de nosso povo para os falecidos, todos terminaram de partir hoje. Cuide disso, Âmbar e certifique-se que o corpo de Pax, seja entregue a mim ainda hoje. Não se esqueça das partes arrancadas. – A mesma assentiu e saiu com minha permissão. – Vá com ela, Miriã. Deixe-me sozinha com Eco.

A menina partiu logo atrás de Âmbar e me levantei, indo até Eco.

—Aconteceu algo? – Perguntou preocupada.

—Preciso que faça alguns favores para mim, mas não quero que espalhe para os outros. – Comentei, pondo-me a caminhar com sua presença para o corredor lateral onde haviam pinturas de todos os anciões, eleitos de maneira justa pelo povo. – Vou mudar algumas coisas aqui na casa, decorações e acrescentar algumas coisas para que a memória dos que se foram sejam lembradas, assim como lembretes de nosso povo para os anciões. – Enquanto falava eu olhava para os retratos, muitos semelhantes, quase sempre na mesma pose... Não pude deixar de pensar que o do meu pai deveria estar substituindo o de Pax. – Recolha depoimentos de nosso povo sobre os anciões, sobre regras que devem ser seguidas. Não em importa se é negativa ou positiva, apenas quero saber a opinião deles e também faça o favor de verificar seus pedidos a mim, pedidos que posso ou não coceder.

—Mais alguma coisa, senhora? – Falou, parando quando chegamos ao fim do corredor.

—Sim. – Olhei para os lados, tentando ouvir e ver algo ou alguém, mas nada foi detectado, então voltei a olha-la. – Preciso dos registros dos últimos anciões. Sabe que a maioria escrevia em um livro ou algo assim, Pax deve ter sido o único que não o fez, mas mesmo assim quero que acha alguma coisa que o mesmo registrou, mesmo que fora alguém que registrou por ele. Recolha todos de todos os anciões, tudo que puder e coloque em meu escritório, tranque-o e entregue a chave para mim. Eco? – Aproximei-me e a mesma fez o mesmo. – Recolha qualquer informação válida sobre os humanos que puder. – A mesma me olhou de forma curiosa, mas voltou a prestar atenção quando continue. – Colete livros, depoimentos, cartas. Absolutamente tudo que encontrar e coloque juntos com os depoimentos dos anciões passados em meu escritório. Lembre-se de entregar a chave apenas a mim! Deixe tudo trancado, apenas eu posso ler sobre isso e saber disso, entendido?

—Sim, senhora. – Eco se curvou e assentiu. Gesticulei para lhe permitir sair e assim ela o fez, retornando pelo corredor que caminhávamos.

Me esqueci de lhe perguntar sobre Brenda, porém ao fechar os olhos conseguia sentir seu cheiro... Tornei a abri-los e pus-me a caminho de seu quarto, sendo que este era o meu.

Eco havia a trancado em meus aposentos dando-lhe poucas explicações imagino. Quando cheguei conseguia ouvir seus gritos, pedidos de socorro e explicações, claro que ninguém ousou entrar aqui sem meu consentimento, muito menos atacar alguém que estava aqui, então por hora ela estava segura.

Aproximei-me da porta ao sair da escadaria e parei... Conseguia sentir o cheiro forte e doce que emanava da porta, fechando os olhos eu podia senti-la. Isso era louco... Muito louco. Nunca havia sentido isso antes, nunca havia lido isso em lugar nenhum, todo esse alvoroço que meus sentidos pareciam entrar ao vê-la ou tê-la por perto. Era interessante, mas também preocupava-me... Por isso também pedi para Eco verificar os registros que tínhamos sobre os humanos, seria-me útil, principalmente se conseguisse colocar meu plano em prática, mas antes precisava de confirmações... E a primeira eu teria agora.

Abri as portas com a chave que estada do lado de fora, dando os primeiros passos para dentro de meus aposentos, fechando-as logo atrás de mim.

A primeira coisa que vi foi a cama bagunçada, o lençol branco de baixo estava mexido e o vermelho de cima totalmente emaranhado com algo por baixo. Já soube o que era apenas de ver e ouvir, sentir, ou melhor, já sabia quem era. Tranquei a porta e retirei meu manto preto, colocando-o na cabideiro, aproximando-me da cama sem querer fazer muito barulho.

Brenda dormia profundamente, seu corpo estava parcialmente coberto pelo lençol, deixando algumas partes de seu short e camiseta, levemente levantada, a mostra. Eu queria me aproximar... Queria me aproximar de uma maneira a sentir o calor de sua pele emanar até mim. Queria tocar-lhe e sentir sua pele contra minha mão, queria fechar os olhos e senti-la próxima a mim, sentir sua presença junto de mim, seu cheiro, seu calor.

A primeira coisa que senti com meus pensamentos fora o coração, batendo forte e rápido como nunca antes! Deixando minha respiração ofegante, sendo estimulada também pelos pensamentos que surgiram em minha mente, fazendo meu ventre comprimir-se e meu corpo se arrepiar ao observa-la ali, em minha cama, totalmente relaxada e em sono profundo.

Sem perceber eu havia abaixado a altura da cama, que ficava poucos centímetros acima do chão, e debrucei-me até estar próxima a ela, mas parei ao ver meus dedos quase tocando-lhe a pele do rosto. Recuei a mão e fechei os olhos, abaixando a cabeça.

O que eu estava fazendo?

Senti meu coração se acelerar mais quando notei as mudanças de seu corpo, denunciando o fim de seu corpo. Levantei-me depressa, pondo-me em pé até mesmo um pouco distante da cama. Seus batimentos aceleraram-se minimamente e a mesma começou a emitir grunhidos enquanto se espreguiçava, mas como se alguém lhe desse um susto, ela se pôs sentada na cama e os olhos se abriram completamente, olhando ao redor até encontrar ali, paralisada ao lado da cama.

Tive a impressão que minha respiração parou, porém ao se mover o cheiro dela se levantou e foi inevitável não fechar os olhos e sentir como ele era funcional em meu corpo, como se ele passassem em minhas veias, estimulando-me. Foi inevitável pensar se apenas o cheiro dele me estimulava, imagina o restante.

Voltei a abrir os olhos a tempo de não vê-la na cama, mas perceber que ela havia corrido para a porta e estava a abrindo, pondo-se pra fora no outro segundo. O medo de velem-na tomou-me e pus-me a correr atrás dela, mas a mesma era rápida e eu evitava usar meus poderes nela ou perto dela, porém foi inevitável quando a vi começar a chegar perto da porta de entrada.

Acelerei-me e segurei-a, içando-a em meu colo, já correndo com ela no colo para ao quarto, deixando-a na cama um segundo depois, correndo até a porta e depois voltando-me para ela.

—Desculpa, Brenda. Mas você não pode sair daqui, não ainda! – Falei e a mesma se encolheu na cama com uma expressão mista de surpresa, medo e raiva.

—Por que você está fazendo isso? Por que está me prendendo aqui?! De novo, Nevena! De novo! – Ela esbravejou, saindo da cama e vindo até mim. – Eu pensei que já tínhamos passado dessa fase idiota de sequestro!

—Sequestro?! – Exclamei. – Eu não te sequestrei! Eu te salvei! – Ela parou de falar e me encarou ainda irritada. – Você foi sequestrada pela matilha de Aeolus, não por meu povo! – Sim, eu estava irritada. Nunca havia falado assim com ela, talvez fosse culpa do estresse que passei nas últimas quarenta e oito horas e pelas mudanças em meus sentidos. – O meu povo sofreu uma emboscada porque de alguma forma eles sabiam que trazer você ali me desestabilizaria! O meu povo inteiro viu que uma humana torna sua anciã fraca! E o que eu fiz para amenizar esses pensamentos?! Mandei Eco lhe tirar de lá enquanto sofríamos o ataque e lhe trazer para cá! Não deixando ninguém se aproximar!

Meu corpo estava tenso, minha voz grossa e alta. Tremi de leve e esse foi o sinal para me afastar dela, não queria machuca-la de alguma forma. Respirei fundo querendo quebrar qualquer coisa que estivesse ao meu redor.

—Onde eu estou, Nevena?

—Você está segura, Brenda! Não precisa se preocupar, tudo bem? – Falei ríspida, aproximando-me da janela, vendo a movimentação de todos com os falecidos.

—Onde eu estou? – Ela tornou a perguntar, atraindo minha atenção.

Eu a responderia, novamente, de forma ríspida, mas vi que seus olhos estavam marejados e todo o meu corpo pareceu amolecer. Suspirei e passei a mão nos cabelos. Como é que lida com essa situação, pelos deuses!

—Você está na minha casa. – Falei, caminhando para a cama, sentando-me nela sem olha-la. – Você está entre meu povo, nós te salvamos dos lobos que te sequestraram e mandei uma dos meus lhe trazer aqui. Infelizmente é melhor você ficar escondida aqui por um tempo, por que... Bem, é complicado.

Deitei-me, apoiando meus braços atrás da cabeça, mas tampando meu rosto logo depois. Eu não sou boa com palavras e ainda tenho que ficar tomando cuidado com elas para não falar demais!

—Eu estou com os vampiros? Quem me sequestrou?

Ela não estava no meu campo de visão, mas eu sabia que ela estava a dois metros de mim e me encarava.

—Sim, foram os lobos.

—Que lobos?!

—A matilha de Aeolus. – Meu tom era ameno. Eu encarava o teto. Precisava de respostas, não sabia o que estava acontecendo. – Não se preocupa, eu matei ele. Muitos dos seus também morreram.

Ela nada falou, mas eu ouvia seu coração batendo de forma rápida, denunciando seu nervosismo e sua respiração estava ofegante. Brenda se sentou ao meu lado, fazendo-me olha-la com curiosidade... Então... Estava tudo bem eu prendê-la aqui?

—Eu... Deus, é muita coisa na minha cabeça. – Ela falou, apoiando a cabeça nas palmas das mãos. – Eu... Vocês. O que eles fizeram? Seu povo batalhou contra os lobos? – Ela me olhou e eu sentei-me ao seu lado assentindo. – Por quê?

—Eles ultrapassaram a fronteira, foi invasão. Invasões de fronteiras não são permitidas dos dois lados. – Falei calmamente.

—Como assim fronteiras? – Sua expressão era de confusão... Mas me perdi demais na linha de seu rosto, dos seus lábios e na cor dos seus olhos cor de mel. – Vocês tipo... Como... Nós estamos na Escócia ainda, certo?

—Sim. As fronteiras que falo são do território de Rothiemurchus. – Parei de falar, mas seu olhar pedindo por respostas me fez continuar. – São leis antigas, mais antigas do que eu posso imaginar. O ponto importante é que eles infringiram leis deles e nossas, o que acarretou em morte dos dois lados.

Brenda olhou para baixo e depois se virou completamente para frente, ignorando-me como se pensasse em algo muito importante.

—Agora eu lembro... Eu... – Percebi seu coração se acelerando novamente, sua respiração descompensada. – Eu estava com meus pais! Aquele menino do restaurante me pegou quando fui até o carro ver o vestido! Lumía apareceu e o ajudou, eu apaguei e quando acordei já estava em uma floresta.

—Você viu onde era essa floresta? – Perguntei interessada. – Se lembra de alguma coisa nela? Estamos procurando o restante dos lobos, eles podem ter voltado para esse local que você estava!

Brenda me olhou confusa, uma careta que recordava-me as de dor, mas não sei se ela realmente está com dor!

—Não, eu... Quer dizer. – Ela colocou a mão na cabeça. – Eu lembro que tinha árvores grandes e altas, os caules eram grossos sabe. Eu lembro de andar por aqui quando vim aquele dia que nos encontramos, mas nada aqui é parecido com aquelas árvores grossas.

—Isso já vai me ajudar muito, Brenda. Obrigada. – Em impulso, segurei-lhe a mão. – Já sei onde é isso. É no território deles, mas vamos lá verificar! Vou mandar uma grupo ainda hoje!

Ela assentiu. Nossos olhares estavam conectados... Senti seu corpo relaxar, seus olhos se fecharam e ela desviou o olhar, desvencilhando-se do meu aperto em sua mão.

—Quanto tempo me manteve aqui, Nevena?

—Um dia.

—Meus pais devem estar preocupados. Preciso voltar para casa. – Ela disse se levantando ido para a porta.

—Brenda! – Levantei-me e segurei seu pulso, virando-a para mim. – Você não pode ir!

—Por que não?! – Exclamou, soltando-se de mim. Abri a boca para responder, mas travei. O que falaria? Ela levantou uma sobrancelha. – Porque não posso ir, Nevena? Meu lugar não é aqui! O pouco que sei de vocês todas já me basta para saber que não devo ficar aqui por muito tempo! – Ela me olhou demoradamente, mas por fim se virou e começou a andar para a porta.

Cerrei os punhos e fechei os olhos com força. Ela não podia ir ainda!

—Brenda! – Exclamei avançando até ela, abraçando-a e empurrando-a enquanto ela se debatia até a parede mais próxima.

Ela me estapeava e gritava enquanto eu tentava prendê-la de alguma forma, por fim paramos na parede e coloquei meu peso contra seu corpo para ela parar... O problema foi que quando ela parou eu senti meu corpo ferver como se em minhas veias houvesse lava. Um arrepio forte apoderou-se de meu corpo e minha respiração vacilou assim como as batidas de meu coração.

Eu sentia a respiração dela contra a mim, nossos corpos totalmente colados e roçando conforme respirávamos. Fechei os olhos e aproximei meu rosto do seu, sentindo seu nariz roçar perto do meu, seus lábios... Eu conseguia senti-los mesmo que não os estivesse tocando. Eu conseguia vê-la, mesmo com os olhos fechados.

Sua mão alcançou minha nuca e o toque de sua pele na minha me fez acordar do torpor e simplesmente sair do quarto em velocidade, trancando-a novamente.

Abri os olhos e observei minhas mãos nas duas maçanetas da porta. Logo depois ouvi os barulhos e logo ela se chocou contra a porta. Retirei minhas mãos quando Brenda começou a tentar abrir a porta de todas as maneiras possíveis.

—Nevena! Por favor! – Ela gritou e eu senti meu corpo pedindo para ir até ela, como se tivesse vida própria! – Não me deixe aqui! Por favor! Não me deixe sozinha!

Eu sabia que ela chorava... Podia sentir, ouvir. Cerrei os punhos e coloquei a chave no bolso, virando-me.

—Eu vou voltar, não se preocupe. – Falei antes de rumar para fora da casa.

ʘ

—Hoje estamos aqui para dar adeus aos que morreram na batalha por nosso território, por nossa história. – Comecei a falar olhando a brasa da fogueira onde os corpos crepitavam. – Sofremos um ataque e vencemos graças aos que se foram, aos que deram suas vidas para que a vitória fosse garantida. Eu os parabenizo pela vitória e dou a permissão para partirem em paz. Garantirei aos que restaram de nosso povo que a partir de hoje, nossa história nos fará prosperar mais do que nunca. – Olhei para meu povo, todos em pé ao redor do centro do coliseu. – Vocês me elegeram anciã e eu tomarei, sempre, as melhores decisões para nós! Os que se foram hoje não morreram em vão! Eles se foram para garantir nossa prosperidade! Eles não se foram em vão!

Várias urros em aprovação e palmas surgiram, inclusive eu aplaudi. Durou um certo tempo até que os fiz parar, e voltei a falar:

—Para comemorar essa nova era que começa, vou enviar um grupo para a caça aos lobos de Aeolus que restaram. – Avisei, sentindo a excitação e nervosismo de meu povo. – Gostaria que fossem, pelo menos, doze voluntários cujo houvesse o entendimento e interesse em participar e ajudar nesta nova era de nosso povo. Obtive a informação de que eles podem estar entocados a oeste de seu território, na floresta das grandes árvores! Se conseguirmos pega-los agora, frágeis e desorientados, teremos mais território para procriarmos, para nos expandir e menos problemas!

Vi alguns dos meus levantarem-se e virem até onde eu estava, um a um, eles foram vindo até mim, ajoelhando-se e saldando-me como anciã, apresentando-se para o trabalho. Quando juntaram-se os doze, olhei para Eco e assenti, a mesma ordenou que se levantassem e a seguissem, a mesma iria junto.

—Encerramos aqui, meu povo! – Anunciei. – Tenham uma ótima noite.

O povo começou a sair do coliseu, saltando pelos muros até o chão, outros desceram pelas escadas e rumaram para os portões de saída, diferentemente de mim, que rumei para uma saída secreta que havia a leste do coliseu, passando por caminhos rochosos e rústicos dentro do muro do lugar antigo. Sai próxima a floresta que dava atrás dele, olhando para todos os lados e tentando ver e ouvir algo ou alguém que estivesse por perto, mas não vi nada, então corri em alta velocidade para onde eu obteria respostas.

Não era longe e em alta velocidade ficava menos ainda. Entrei na varanda e bati na porta de madeira da residência escura, mas logo a ouvi rumando para a porta, depois vi a luz se ascender e a porta se abrir, revelando uma Astrid com roupas para dormir.

—O que você quer aqui? – Ela me perguntou com pouca animação e muita irritação, mas notei que ela virou minimamente a cabeça para o lado, como se ouvisse alguém falar no seu ouvido, mas não havia ninguém aqui além de nós duas. Antes que eu pudesse responder, ela continuou sorrindo. – Ora, ora. Parece que meus presságios ocorreram. Entre, nova anciã.

Entrei na casa sem falar nada, parei para olha-la sorrindo para mim, mas continuei até alcançar a sala, onde me sentei no sofá, tendo-a sentada agora em minha frente, na poltrona.

—A que devo a honra? – Perguntou sorrindo largo.

Notei que o ferimento que havia feito em seu pescoço da última vez que nos encontramos já havia se curado, mas não foi disso que vim tratar.

—Você foi no Coliseu não foi? – Ela assentiu, encarando-me em silêncio. – Nos ajudou com os lobos? – Novamente ela assentiu. – Porque não ficou e falou comigo?

—As informações que obtive de última hora de nada seriam útil naquela hora. Não poderia entrar na arena, não com todos olhando... Apenas falei com Eco. – Seu último tom... Ela e Eco realmente tinham muito o que falar.

—Ela me falou, por isso vim atrás de você, já que também não apareceu novamente como havíamos combinado.

—Nosso combinado foi nos vermos depois que acabasse e cá estamos nós. — Balancei a cabeça com sua fala, voltando a olha-la com um ar de repreensão. – O que você quer aqui, Nevena? O que realmente te fez vir aqui?

—Quero que me fale o que sabe sobre eu e Brenda. – Falei sentindo-me agitada. Afastei as pernas, apoiando meus cotovelos nos joelhos, entrelaçando as mãos, encarando-a. – Minha batalha para me tornar anciã fora como esperando, porém eu... Suguei o sangue de Pax e por algum motivo tudo foi ampliado! Meus sentidos estão deveras aguçados, de uma forma sem igual! Nunca havia sentido as coisas que sinto!

—E como Brenda se envolveu neste seu descobrimento? – Ela perguntou, mas quando fui responder, ela fez a mesma coisa que fez na porta: virou a cabeça para o lado como se alguém falasse com ela. Quando “terminou”, ela se virou para mim, sorrindo sem mostrar os dentes o que a deixava assustadora, pois seus olhos era levemente arregalados e com o sorriso macabro só piorava a impressão. – Não precisa falar, já sei de tudo. – Ela suspirou e sua expressão mudou para entediada. – Eu sempre avisei vocês. – Revirou os olhos. – Principalmente você! O destino liga vocês duas, não tem o que fazer, Nevena. O destino de ambas já estão traçados e entrelaçados, o final pouco mudará conforme a decisão de vocês.

—Me conte mais sobre esse destino e o final que fala. – Ordenei, ajeitando-me no sofá.

—Há anos eu venho avisando os anciões sobre o presságio mais forte que tive até hoje: o de dois mundos aproximando-se demais, mesmo todos indo contra. – Falou, atraindo minha atenção para sua cara descontente. – Mesmo depois de banida eu sempre tentei avisa-los, mas nenhum nunca me ouviu, muito pelo contrário, mandavam me caçar por tê-los perturbado! – Revirou os olhos novamente. – Eu tentei avisar Pax sobre a morte do mesmo por suas mãos, mas claro, ele também não me ouviu. Sabe, Nevena? Vocês deveriam me ouvir mais, assim não correriam tanto perigo.

Franzi o cenho.

—Nem eu sabia se conseguiria matar Pax! O matei de forma justa, era impossível saber se eu ganharia. – Argumentei.

—Como falei, seu destino está trilhado. Apenas algo muito forte pode alterá-lo. – Finalizou olhando em meus olhos. – Não tem como eu errar, Nevena. Quem me conta, nunca erra.

—Quem te conta essas coisas? – Franzi o cenho. – Pensei que fosse magia sua! Magia sobre o futuro!

—O futuro é incerto, nenhuma magia pode muda-lo com certeza e permanência. – Falou de forma displicente, gesticulando e voltando a me olhar. – O destino é o destino e só que sabe mesmo dele, dos fatos sobre ele, são os seres do plano superior. Seres que se comunicam comigo há anos, desde minha infância. – Seus olhos estavam fixamente calmos em mim. — Meus semelhantes nunca foram iguais a mim, os vivos comentavam sobre alguns de um passado longínquo que era parecidos comigo, mas nunca iguais. Aparentemente, eu possuía algo que até mesmo nossos ancestrais não possuíam.

—Como?

—Mediunidade. Transcendência. Chame como quiser. – Falou sorrindo. – O ponto é que eles se comunicam comigo e me passam informações que são uteis para nós, mortais. – Eu não falei nada por um bom tempo depois disso, apenas pensando no que ela acabou de falar, então Astrid continuou. – Eu cheguei a falar com Brenda sobre isso, de que recebo informações de um plano que eles chamavam de plano divino ou plano de Deus, algo assim. Ela também ficou espantada assim como você, mas como falei para ela, repetirei para você: todos somos iguais Nevena. Eu, você e os lobos somos iguais, híbridos, meio humanos, meio vampiro, meio bruxo! Você com a parte vampiresca e eu com a parte das bruxas. Brenda é apenas humana, não hibrida como nós, mas isso não interfere no destino, muito pelo contrário, é um fator importante!

—Por que a Brenda é importante para nossos mundos? – Questionei confusa com isso. – Há anos nós vemos os humanos apenas como objetos, não interferimos na vida deles e eles não interferem na nossa! São apenas objetos carnais! Por que Brenda tem que surgir mudando isso?

—Brenda está ligada a você, Nevena. Ao seu destino. – Respondeu calmamente, olhando-me de forma séria. – Brenda não interferirá diretamente no seu povo, nem no meu, nem dos lovos, mas ela interferirá em você e você interferirá no seu povo já que agora é a anciã, e o seu povo, nos outros.

Abaixei a cabeça, apoiando-a em minhas mãos, tentando processar as informações em minha cabeça.

—Então ela pode, realmente, ser entendida como minha fraqueza.

Senti um bolo no estomago, algo querendo sair por minha garganta.

—Creio que sim. – Confirmou.

—Mas por quê? Qual o motivo para isso tudo?! – Perguntei, voltando a olha-la. – Eu nem deveria ter me aproximado dela! Ela é humana e eu vampira! O que o destino quer com isso?! O que os seus amigos desse plano querem com isso?!

— Há uma lenda sobre seu povo com os humanos, assim como há uma lenda dos lobos com os humanos, até mesmo o meu povo. Somos híbridos, Nevena. — Ela falou, surpreendendo-me e me confundindo — Viemos deles também e assim há a lenda de que humanos e nossas raças se apaixonam, não é algo de ocorrer, mas pode acontecer. Você sabe que os humanos vieram primeiro! Depois os lobos, nós e por fim vocês! – Sim, eu lembro dessa história antiga. — A lenda diz que esse amor será difícil entre a humana e o meio humano, sem falar qual raça será, mas o amor será amaldiçoado. Os dois povos irão se contrapor, mas o amor será forte o suficiente para alcançar o objetivo do destino.

—Que é? – Questionei.

—A união de todos.

—Como assim?! União de todos? Todos os povos?

—Você verá, Nevena. Você verá, mas lembre-se de uma coisa, mudando um pouco de assunto. – Falou risonha no final, mas eu me mantive séria. – Você é a anciã, as leis estão na sua mão, assim como as regras a se seguir, mas isso não lhe cumpre o dever de obedecê-las ou criar novas. Lembre-se disso, faz parte da mudança para o destino e nem pense que pode fugir do destino de alguma forma, será mais fácil se ambas se permitirem a aceitá-lo.

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A lua brilhava no céu de maneira forte e torrencial enquanto eu entrava em nosso território em passos curtos, pensando em tudo que me foi dito por Astrid. Confesso que tudo ainda está nebuloso em minha cabeça, ela não me falou nada com clareza, apenas que eu e Brenda estávamos ligadas pelo destino e seria muito difícil muda-lo, e que, mesmo não devendo, havíamos nos cruzado para haver uma união total de tudo e todos, mas mesmo assim... O que ocorreria para isso ser algo importante? O que viria com essa união? O que aconteceria com meu mundo se me unisse a ela?! Como eu faria essa união?

Eu e Brenda fomos “escolhidas” pelo destino a servir como mudança para tudo, nós traríamos a mudança para todos, mas qual seria está mudança? A união de todos? O que essa união de todos quer dizer?!

—Senhora? Tem um momento?

Parei próxima a minha casa, já ouvindo os gritos já roucos de Brenda. Olhei para o lado e vi um dos meus parado, esperando minha resposta.

—Claro, pode falar. – Sorri minimamente, virando-me para ele.

—Perdoe-me a intromissão, senhora. – Ai tem coisa. – Mas alguns de nós estamos curiosos com... Sua hóspede, na residência. – Indicou minha casa. – Gostaríamos de saber o motivo dela continuar aqui.

—O motivo é simples e todos podem saber. – Sorri de maneira calma e mínima. – A humana pertence a mim e ninguém deve toca-la. Ela é minha propriedade, consegue entender? – Ele assentiu nervoso pelo meu tom. – Se alguém toca-la, sofrerá consequências. Cada um de nós podem ter suas aventuras com os humanos, podem ficar com qualquer um, menos esta, entendeu? – Ele assentiu novamente e eu voltei a sorrir. – Ótimo. Tenha uma boa noite.

—Boa noite, senhora! Desculpe o incomodo! – Falou e eu gesticulei para ele ir, fazendo-o partir rapidamente.

Terminei o caminho até a porta e a tranquei quando entrei, ouvindo os gritos de Brenda. Suspirei e rumei a Brenda, avisando-a que amanhã conversaríamos. Amanhã conversaria com ela sobre os problemas que atormentam, sobre as mensagens que me foram passadas, sobre as verdades, sobre as partes boas e ruins.

Amanhã seria um grande dia, cansativo também.

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Pov Lumía

Olhei para meus amigos, minha família. Todos cansados, machucados, ensanguentados, mas unidos e era isso que importava!

Aeolus estava morto, muito dos nossos estavam mortos e fugimos, sim, fugimos, corremos até aqui, nossa casa na floresta das grandes árvores, mas já estávamos de partida. A não havia deixado herdeiros, não ainda, porém havia engravidado uma de nós e ela daria a luz ao herdeiro em breve, por isso partiríamos para que ele nascesse e crescesse rapidamente como nós, sendo o líder que precisávamos.

—Para onde vamos? – Perguntou Poll, um dos mais velhos. – Consigo sentir o cheiro deles seguindo nossos rastros! Se aproximando de nós! Temos que sair, mas para onde vamos?

—Para as terras dos humanos. – Falei, atraindo atenção dos poucos de nós que sobraram, cerca de vinte lobisomens. – Vamos sair da cidade, ficar escondidos e nos fortalecer novamente! Assim poderemos voltar para nossa terra!

Todos ficaram em silêncio, ninguém ordenou contrapor minha ideia ou sugerir outra, então todos começaram a andar para a estrada, o melhor jeito de ingressar para a terra dos humanos.

Enquanto eu andava, senti a presença de Lakan ao meu lado, segurando seu ombro antes de tocar no meu.

—Ei?... Legal que você está tomando as decisões agora. Foi o que sempre quis, certo? – Falou, chamando minha atenção.

—Sim, mas não nestas circunstâncias. – Falei, caminhando junto dos nossos, tendo-o ao meu lado.

—Mas mesmo assim... Você é quem nos lidera agora! – Engoli em seco, sentindo sua afirmação entusiasmada chegar aos meus ouvidos de maneira... Diferente do que eu esperava. – Espero que tudo dê certo. Ainda não acredito que perdemos tantos assim!

—Pois é. – Falei olhando para frente, sentindo em minha pele o arrepio que era quando eles estavam pertos. – Mas não se preocupe que nos vingaremos, Lakan. Eu estou nos tirando daqui, mas nos trarei de volta no momento certo e quando isso ocorrer, eles sofreram as consequências por ter matado tantos dos nossos. Espere e verá.

Eu me lembro até hoje do dia que recebi a noticia de que alguns dos nossos foram mortos por alguns vampiros mais jovens que estavam “testando” seus poderes, sua força, e no meio deles estavam meus pais. Desde então eu simplesmente não consigo compreender quando falam que eles também são “pessoas”, que também compartilham de bons sentimentos, para mim isso não fazia sentido algum, já que mataram vários dos nossos por diversão.

Depois dessa noticia eu tomei para mim a responsabilidade de vinga-los, vingar a morte de meus pais daqueles que o mataram de forma cruel e brutal! Sem pensar duas vezes! Eu queria ser Alfa de nossa matilha, mas não fui na época, desacreditada de que iria trazer vingança para os mortos, mas com o tempo eu reacendi essa chama, querendo novamente, ser Alfa e comandar nosso povo para o massacre contra os Vampiros.

O primeiro fracassou ao comando de Aeolus, mas o segundo seria ao meu comando, e eu faria de tudo para não fracassar.

Notas finais
Não me matem pelo erro. Vejam pelo lado bom, vocês tem 2 caps para ler em sequência! hehe e.e