When Night Comes

4 Capítulo 4


Notas iniciais
VOLTEEEI Queria agradecer a CahPiimentel pelo comentário ♥ Muito obrigado! Isso me da mais vontade de continuar a escrever!

Pov Nevena

Abri meus olhos devagar, fazendo-os se acostumar com a forte luz solar que vinha em minha direção. Minha audição aguçada detectou passos a quilômetros de minha posição, fazendo-me virar para tentar ver alguma coisa, mas infelizmente não possuía uma visão além do comum, a única diferença para o comum era que eu percebia mais detalhes, mais pigmentação, mais fragmentações... Como se fosse um 3D ampliado.

Inspirei o ar com calma e de maneira profunda, fechando os olhos, concentrando-me: lobos. Abri os olhos e me virei para onde o barulho vinha. Fiz uma careta, tendo em minha mente como essas bestas eram! Olhei para o chão e joguei para ele, sendo puxada pela gravidade, saindo do topo da árvore alta que permanecia na floresta a muito tempo.

Olhei ao redor e não vi nenhum movimento, nem escutava nada além do farfalhar das árvores e do som dos lobos, mas pelo que percebi eles não estavam em sua transformação, permaneciam como humano.

“Eu disse para você que ir até lá não era uma boa ideia!”

Movi minha orelha, captando uma das falas, denunciando sua proximidade. Corri em alta velocidade e icei-me para outra árvore, tentando me camuflar a fim de obter informações.

“Você acha que eu acato alguma sugestão sua? Se toca, Lakan”

“Deveria escutar! Sou mais velho e já vi isso acontecer!”

“Não me importo!”

“Você sabe que se o A descobrir, está ferrada... Até eu posso ir junto! Por te ajudar!”

“Não te obriguei a nada!”

Eles pararam e ouvi sons altos de galhos quebrando, arfares e grunhidos.

“Por que está fazendo isso?”

Eram duas vozes, uma masculina e uma feminina. Ambas alteradas.

Olhei para a árvore mais próxima e me posicionei, pulando para ela sem fazer muito barulho, o que consegui com êxito.

“Qual sua fixação por ela, Lumía? Qual seu problema com a humana?!”

“Não é fixação! Você que é burro e não percebe o que podemos conseguir com ela!”

Do que eles estão falando afinal?... Humana? Sabia que havia humanos aqui, e muitos, para falar a verdade... Minha mente entrou em um leve limbo e me lembrei dela... A humana que resgatei na floresta.

“Cala boca. Estou sentindo o cheiro...”

Droga!

Levantei-me e pela audição percebi que corriam. Me apressei e subi mais na árvore, chegando ao topo rapidamente, começando a saltar pelas árvores, tentando me afastar deles e quando percebi ser uma distancia confiável, lancei-me ao chão e passei a correr em alta velocidade, despistando-os pouco tempo depois.

Diminui a velocidade até estar caminhando, depois parei e olhei ao redor. Estava no lago, do outro lado onde residia. Inspirei e não senti cheiros preocupantes, então me sentei na areia e passei a observar o lago...Hoje ventava muito, o que marcava a superfície plena e lisa com ondinhas constantes.

Apoiei meus braços nos joelhos erguidos e suspirei, pensando na humana... Fiz uma careta e senti um incomodo no corpo. Quem era aquela coisa?... Ela era estranha... Parecia alheia ao que se acontecia em grande parte do tempo e... Me encarava demais, mas tudo bem, eu também estava curiosa com essa humana, acho que ela ainda mais por (depois de muito tempo) notar que eu não era como ela, que havia realmente algo diferente comigo e até mesmo com Astrid, a bruxa que nos ajudou, antes dele aparecer... Pax era nosso ancião e responsável por... Quase cem anos!

Me senti inquieta por lembrar dele... Pax não simpatizava com humanos, pensava neles como uma raça inferior que só tinha três motivos para não mandar todos nós os destruir: 1) sangue, eles eram alimento; 2) construíam tudo para nós, como se ficassem com o trabalho mais difícil e nós usufruímos disso escondido; 3) sexo, servos para saciar nossos desejos. Enfim, uma visão que eu discordava completamente, mas não poderia intervir... Não ainda.

—Sabe que está muito vulnerável perdida em pensamentos assim, certo?

Ri de forma despreocupada e dei de ombros, não me movendo.

—Ai, ai. – A senti sentar ao meu lado, ouvindo sua respiração de forma próxima e alta. – Tudo bem com você, Nena? – Assenti devagar, ainda tendo Pax e a humana em meus pensamentos. – Quem é essa? Não sabia que se envolvia com humanos.

Olhei para Eco e balancei a cabeça, havia esquecido do seu poder.

—Nada. Não preciso falar se já leu minha mente. – Falei inquieta, olhando para o lago, tentando achar algo que eu nem sabia o que era. – Como estão as coisas? Você notou alguma movimentação estranha de todos?

—Não. – Disse ajeitando-se nos cascalhos. Ri minimamente por vê-la ali, ela realmente detestava essas cascalhos. Sua expressão denunciava algo, mas não captei. – Todos estão os mesmos... Mesmo faltando meses, estamos preocupados com a ascensão.

Assenti, olhando-a, percebendo que era isso que a incomodava. Voltei a olhar para o lago. A ascensão só ocorria de cem em cem anos, levando em consideração que nossa expectativa de vida beira isso, se você não correr riscos, claro.

A cerimônia andava mexendo bastante conosco, pelo que os mais velhos me relataram, sempre fora assim, um alvoroço quando se chegava perto da data ou no ano, pois era sim uma coisa incerta. Nosso padrão de escolha era feito com qualquer um que recebesse indicação do conselho central, ou que se candidatasse com certo apoio do nosso povo, como maioria simples, ou seja, qualquer um pode se eleger como ancião. Acha isso até que bom, trazia mais dinamismo e inclusão com todos, o problema atual era outro... Pax não queria sair e sua governança já estava deixando todos fartos, ele não era um homem admirável e muito menos caloroso conosco, só foi eleito pelo conselho que o ainda apoia, então ele estava manipulando-os para que escolhesse pessoas que o apoiassem como ancião, que aplaudiam suas ações. Muito complicado.

—É, seria melhor todos entrarem em um consenso. – Falei me levantando, começando a caminhar para a floresta. Estava anoitecendo e queria chegar em casa o mais rápido possível. – Ficar brigando por poder é algo ridículo, principalmente se são pessoas que só se importam com ele e mais nada.

Ouvi algo de Eco, mas não me importei em identificar, apenas comecei a correr em alta velocidade, atenta a sons que possam denunciar algo preocupante e também prestando atenção no caminho, tentando ver algo de errado. Não demorei muito para parar e escutar barulhos altos e falações, humanos.

Droga! Estava quase chegando em casa!

Icei-me na árvore mais próxima e segundos depois uma menina passou correndo em alta velocidade, estranhei e a vi parar com as mãos nos joelhos, talvez tentando pegar fôlego. Quando ameacei ir embora, ouvi mais barulhos e apenas passei para o galho acima, pois estava relativamente próxima e eles poderiam me ver, o que seria um grande problema!

—Por favor, Jessie! Me escuta! Eu posso te explicar!

Senti meu corpo paralisar ao reconhecer a voz e a cabeleira ruiva... A humana.

—Explicar o que? Você tá ficando louca! – Essa moça, Jessie, parecia nervosa... – Sério, Brenda? Lobos? Uma mulher que se atracou com lobos e ainda por cima jogou ele numa árvore? Mágica? Sério? Acha que foi acreditar nisso? Você acha que tenho quantos anos?

—Ai, meu! Você que quis saber o que aconteceu comigo! – Falou emburrada e meio desesperada. Então o nome dela é Brenda... – Quer que eu minta para você?

—Isso não é mentira?! Olha o absurdo que está me dizendo!

Balancei a cabeça e decidi ir embora. Levantei-me e parti, nada ali me interessava... Mas confesso que saber o nome dela era... Interessante.

ʘ

—Bom dia. – Saudei descendo as escadas de maneira apressada. – Como passou a noite?

Minha mãe sorriu e me cumprimentou fazendo os sinais que assenti. Minha mãe era muda então se comunicava com sinais, aprendi desde pequena a usa-los com ela, mas como ela conseguia escutar, raramente usava, mas respondi que passei bem a noite e que estava atrasada para sair e que a amava. Ela respondeu e beijei sua cabeça, pegando uma garrafa negra na geladeira com o liquido que bem sabia o que era.

Olhei para as casas e fiquei imaginando como seria ver a Vila de cima, será que era tão grande quanto parecia ou era um pequeno aglomerado de casas no ponto mais alto de Rothiemurchus? Nunca saberei. Abri a tampa da garrafa e levei a boca, sentindo o gosto do sangue fazer meu corpo relaxar, tirando-me da tensão.

—Acho que alguém já esta fazendo seu desjejum. — Abri os olhos e vi Eco, com mais três pessoas vindo atrás dela.

Terminei de beber o que restava na minha boca e molhei os lábios, sentindo o gosto de uma maneira melhor, até mesmo sentia o cheiro. Levando isso a parte, reparei mais nas pessoas atrás de Eco e ergui uma sobrancelha.

—Bom dia. – Saudei de maneira educada, mas não saudosa. Cruzei os braços atrás das costas. Quem eram eles?

—Bom dia. Neve, queria te apresentar... – Se virou, apontando para o homem negro e alto que estava ao seu lado. Seus músculos eram visíveis mesmo com o moletom que usava. – Este é Vanir! A do lado dele é Âmbar e a outra é Miriã. — Assenti para todos e eles retribuíram. A única que sorriu foi essa Miriã. – Queremos conversar com você. Está ocupada?

—Não. – Avancei, começando a caminhar e Eco me acompanhou, sendo seguida por eles. – Do que se trata?

Voltei a beber o liquido em minha garrafa de maneira calma e saborosa.

—Percebemos a movimentação suspeita dos lobos. – Comentou o homem chamado Vanir. Olhei para ele e o mesmo sustentou meu olhar, mas ergui uma sobrancelha e ele desviou, olhando para frente. – Notamos que eles estão desestabilizados. Não andam em bando, apenas em trio o que é muito raro.

—Pensamos que algo está acontecendo e deveríamos investigar. – Falou Miriã.

Inspirei profundamente. Realmente isso não era do feitio deles... Lobos são como bestas selvagens, mas possuem um laço fraternal pelos seus, como se fossem todos da mesma família e todos fossem um só, comandados pelo mais forte. Uma fragmentação... Se for como estou pensando, pode custar muito caro para qualquer um deles que trombar com um dos nossos por ai. Era notória nossa força contra a deles.

Mas me lembrei de um fato: o que eu tinha com isso?

—Por que vocês não falam com Pax? Ele que é o ancião e tem o conselho para acatar ou não a ideia de vocês de intervenção ou analise. – Falei, andando um pouco mais depressa. Não que eu tivesse muita coisa para fazer também, mas mesmo assim, não queria me estender muito nesse tipo de assunto, pois já sabia onde iria parar. – Eu não tenho absolutamente nada com isso, sabem bem disso.

—Sim, entendemos, mas... – Âmbar entrou na minha frente, brecando-me e fazendo todos brecarem. Olhei para a menina de maneira curiosa... Quem ela pensa que é? Bom, não a intrometi na fala e muito menos a enxotei, apenas escutei. – Não somos ouvidos pelo conselho e nem por Pax, ele não houve ninguém!

—E? – Perguntei, entediada. – Quer que eu fale com ele? Por que eu faria isso?

—Sabe que ele tem medo de você ser eleita com anciã. – Vanir trouxe o assunto para o real.

Expirei de maneira rápida e profunda, cerrando os punhos, sentindo-me irritada por sempre tocarem nisso!

—Eu não quer participar do processo! – Falei de maneira irritada, olhando para eles. – Eu não quer ser anciã, eu não quero me envolver em nada disso!

Os quatro se olharam e eu fiquei impaciente. Sai do minicirculo que tinham feito e prossegui meu caminho por, mais ou menos, dois metros, até Eco falar:

—Você sabe o que ele fez, como pode ficar calma, Nevena? Como pode não fazer nada? – Apertei minha garrafa com força, fechando os olhos. – Você deveria fazer alguma coisa, por sua mãe, por você... Por ele!

Virei-me bruscamente para trás e trinquei os dentes, sentindo meus músculos retesarem. Bufei e me virei, correndo logo depois para bem longe dali, para longe daquilo tudo, para longe daquela hipocrisia maníaca que a Vila Vampire virou!

ʘ

Hoje fazia duas semanas desde minha visita a casa de Astrid com a humana cujo nome descobrir ser Brenda. Os dias tinham passado de forma rápida... O alvoroço na Vila por causa da ascensão era notório e por todos os lados surgiam pessoas que o povo queria eleger e eu, aparentemente, era uma delas, o que me deixava deveras inquieta... Então, para tentar espairecer vim aqui, sabia que não devia e ela estava aqui por um motivo, mas, ela era a única pessoa que realmente me conhecia... Ela além dele.

Astrid saiu da casa com um sorriso malandro no rosto, parando a porta com os braços cruzados e apenas os descruzou para me chamar com um aceno

—Sabe que eu não mordo. – Sorriu.

Ela falou baixo, mas minha audição superdesenvolvida me trouxe suas palavras como se ela estivesse ao meu lado, sussurrando.

Respirei fundo e dei alguns passos a frente, começando a caminhar para sua casa, entrando nela depois de passar por minha anfitriã sem cumprimenta-la. Astrid não se importava com essas coisas, também pouco se importava com algo ou alguém... Felizmente eu não era uma dessas opções, mas ainda sim era tratada de forma estranha, o que me levava a pensar como ela tratava as pessoas que não gostava. Podia fazer uma ideia.

—O que lhe trás aqui, pequeña?

Caminhei até chega a sua sala, onde me sentei no sofá, vendo-a se aproximar e sentar-se no outro sofá, de frente para mim.

—Precisava espairecer um pouco... – Falei em um tom baixo e sólido, distante. – As coisas andam complicadas na Vila.

—Já me falaram. – Falou, chamando minha atenção. Quem havia contado?

—Não sabia que tinha contato com mais alguém de lá além de mim.

Ela deu de ombros.

—Tenho contatos com muitas... De muitas formas. – Disse rindo, parando de fazer o som, deixando o sorriso pairar pelo seu rosto de uma forma... Curiosa.

Astrid era o tipo de pessoa que parece apenas ser um pouco mimada, rancorosa, egoísta e narcisista, mas quando você a conhece, percebe que algo muito além disso. A história dela sempre fora, de certa forma, escondida pela Vila, como se fosse algo perigoso de ficar sendo dito. A verdade é que ela é tão velha quanto Pax, tão importante e poderosa, mas ainda sim estava banida da convivência com os Vampiros por tempo indeterminado, onde só voltaria pelo aval do conselho e do ancião. Não a conheci quando mais jovem, não a conheci perto do tempo em que foi banida, na verdade eu só a conheci quando a mesma me abordou por eu passar despreocupadamente perto de sua casa quando mais jovem, procurando por comida rápida e fresca.

Sempre a achei estranha e depois... Quando percebi o que ela era e o que fazia, a achei ainda mais e até mesmo quis me afastar, mas ela sempre falava as coisas certas e com convicção... Deixando você sem saída, como se ela soubesse de tudo e de todos. Já entendi a muito tempo como sua magia funcionava e que Atrid era a última de sua espécie, a última bruxa viva que conhecemos. Fizemos expedições para tentar achar outra pelo mundo, mas nunca encontramos, então ela ainda não está morta por Pax ou qualquer outro ancião passado ou membro do conselhos por causa disso. Ela era importante e sua morte traria problemas maiores no futuro.

—Você pensa tanto que me dá até tédio. – Disse com uma expressão enojada e desinteressada. Revirou os olhos e se levantou, a acompanhei. – O que veio fazer aqui? Pelo que me lembre, Pax alongou minha sentença por você fazer exatamente o que está fazendo agora e eu não a impedir. – Ela se virou, parando, fazendo-me para também. – O que me faz pensar... Que eu deveria te matar, ou mandar ir embora.

—Sabe que me matar está fora de cogitação e já vou embora. – Falei passando por ela, sem em intimidar. Já fazia anos que eu ia ali e ela nunca fez nada comigo, acho que não seria agora que iria. – Prometo. – Reforcei, indo até a cozinha, pegando minha garrafa, começando a lava-la vendo a água se misturar com o líquido vermelho indo para o ralo da pia.

Ela nada respondeu sobre isso, apenas foi até a geladeira e me serviu com café frio, o que me fez virar o rosto. Gosto de café, o gosto amargo assemelha-se a 90% do gosto do sangue humano, mas ainda sim... Frio não! Ela notou isso e revirou os olhos, esquentando ao micro-ondas, servindo-me depois, tomei o café com prazer agora.

—Me diga. O que realmente veio fazer aqui? – Perguntou, olhando-me de forma séria.

—Já disse... Vim espairecer.

—A verdade. – Repreendeu-me com o olhar.

Relaxei meu corpo e apoiei-me na bancada, escorando minha cabeça em minhas mãos, deixando o café de lado.

—Só quis fugir daquilo tudo. – Falei, olhando para a pedra da bancada como se ela fosse em responder, e não Astrid. – Não aguento aquilo, Trid. Não aguento mesmo. Eles me pressionam para isso! Para assumir e a pior parte é que tantas pessoas falam disso, tantos de nós parece me apoiar e eu nem ao menos sei o que fazer! Não sei se quero isso! Não sei se tenho capacidade para isso e... Pax! Pax sabe o que está acontecendo! – Levantei meu olhar e a vi me olhando de voltar, encarando-me com atenção e serenidade. – Acha que ele me achou aqui por quê? Ele SABE o que andam fazendo para ele cair, ele sabe que querem me colocar no poder!

—Minha querida, o que seu povo está fazendo não é nada de errado. Sabe disso, não? – Assenti e ela concordou. – Bom, o que Pax sabe ou não, você já sabe. – Disse rindo e neguei com a cabeça, pela brincadeira. – Mas você está certa. Ainda tem coisas para aprender e compreender, para aceitar e para se opor. A vida ainda é longa para você, pequeña. – Fiquei olhando para ela, esperando que falasse mais. Astrid era bruxa, qualquer coisa que ela falasse, de maneira rápida ou que ocupasse muito seu tempo, deveria ser ouvido com atenção por quem estivesse recebendo as informações. – Mudando de assunto... – Ela sorriu. – Você deveria estar em um lugar relativamente longe daqui. Lá começa sua história de mudança, lá você começará o caminho para se tornar quem está predestinada a ser.

ʘ

Fazia duas semanas que não a via, mas em nada mudou. Os cabelos encaracolados em tom de cobre estavam soltos, caindo em seus ombros enquanto os olhos castanhos pareciam brilhar olhando para uma garota ao seu lado, que falava sem parar, fazendo gestos e expressões exageradas, ao meu ver.

Estávamos em uma escola. Não que eu já havia frequentado uma, mas já tinha visto e ouvido falar, era um lugar até que interessante pelos relatos desesperados que sempre ouvi. Olhei para os lados e não vi nada suspeito, então permaneci encoberta pelas poucas árvores que haviam em frente ao colégio dela.

Brenda parecia distraída, assim como todos ali, ninguém até agora olhou na direção das árvores, o que era bom e irônico ao mesmo tempo. Vivíamos em um país que animais perigosos estavam misturados entre as árvores quase sempre.

Vi que eles vinham em minha direção, então me abaixei, olhando entre galhos e folhas de um arbusto que me encobria da visão de todos mais próximos ou longínquos.

—Então quer dizer que conseguiu a aprovação da Senhora Boyle? Isso é o máximo, Brê! Já viu a faculdade que quer fazer? – Falou a outra menina, ao lado da ruiva.

—Sim! Estou muito feliz, Jessie. Mesmo! – Olhei para seu rosto e vi que um sorriso estava praticamente estampado em seu rosto, não saindo por nada, nem enquanto ela falava... Fiquei encarando-a, enquanto falava. – Vi algumas faculdades sim, mas ainda não entrei em um acordo sobre qual ir. Até cheguei a falar isso com a Senhora Boyle, ela me disse para não me apressar que entrando até o começo do ano que vem já está ótimo.

—Mas você tem que ver como faz para entrar, certo? Valores e tudo mais? – Falou a outra menino, fazendo o sorriso de Brenda vacilar. Encarei a menina ao seu lado seriamente... Por que ela fez isso?!

No fim elas começaram a andar para longe e não as vi mais... Sentei na grama e olhei para o céu: o que é uma faculdade?

Notas finais
E AÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍ