When Night Comes

5 Capitulo 5


Notas iniciais
Hellooo! Faz tempo? Talvez... e.e kkkk Eu andei tão atolada de coisa para fazer e quando me vi podendo relaxar eu aproveitei kkkk =>.<= Claro que nesse meio tempo escrevi e cá está um novinho para vocês ;*

Pov Brenda

—Mãe, olha essa! – Peguei o notebook e coloquei em sua frente, sem me importar com a papelada que ela estava vendo. – Já tinha ouvi falar dela pelos professores da escola, alguns até se formaram lá e disseram ser muito boa! — Minha mãe olhou para a tela acesa e leu a apresentação da faculdade e depois do curso de Práticas de Arte Contemporânea cujo me interessei completamente.

Andei procurando muito uma universidade e um curso que me interessasse por completo, cheguei até a ir em algumas universidades falar com professores e alunos sobre algum curso que despertou meu interesse, mas até agora eu não defini nada e isso me deixava apreensiva! Senhora Boyle não me apressou sobre isso agora, dizendo apenas que eu deveria estar ingressada em algum curso de graduação até o começo do ano que vem, e faltava dois meses para isso acontecer, então sim: eu estava desesperada!

—Olha filha, eu gostei, viu?! – Disse desviando os olhos do notebook para mim, sorrindo. – Achei bem interessante e para você, que sempre gostou disso de arte, desenho, pintura e tudo mais, vai ser o paraíso. – Riu, voltando a olhar seus papéis.

Senti um alivio e me distanciei, indo até o sofá, caindo nele com o aparelho em mãos.

—Ai! Eu também achei mãe! – Falei, sentido-me mais tranquila. – Jessie que achou essa universidade para mim. Ela me lembrou, na verdade, já que os professores já haviam comentado dela antes. – Me ajeitei no sofá, deixando o notebook de lado. – Mas acho que vou fazer isso mesmo, mãe! O ensino é bom e o curso eu gostei muito, além dela ser relativamente perto do colégio!

—Você deu uma olhada na mensalidade? Tem que ver o preço antes de decidir, amor. – Perguntou olhando para os papéis ainda.

—Ainda não. – Peguei o aparelho de novo, já indo ver, procurando pelo site. – Dois mil euros, mãe.

Olhei para ela e ela já me olhava de uma forma séria e concentrada, mas depois sorriu e assentiu.

—Vou falar com seu pai. – Falou e eu sabia que o assunto estava encerrado por aqui. – Enquanto isso, veja como ingressar, se tem bolsa e tudo mais.

—Vou ver. – Me levantei, depois de desligar o notebook e fui até ela, beijando sua bochecha. – Obrigada.

—De nada, minha filha. – Sorriu para mim, correspondendo meu beijo antes de voltar aos papéis.

ʘ

Hoje o dia estava chato e puxado, muitas provas e trabalhos que os professores cobravam até além do esperado no cronograma por causa dos atrasados e dos que não tinham nota suficiente, sim, todos tinham que fazer por causa de um quarto da sala que era folgado e despreocupado, só percebendo que isso é realmente preocupante, geralmente, no último mês.

Olhei para o relógio em meu pulso e suspirei, já havia passado um bom tempo do horário comum que costumávamos sair do colégio, então dei de ombros e caminhei mais devagar. Hoje Jessie havia me mandado uma mensagem falando que estava indisposta por causa de uma dor no estomago e acabou por faltar, Mota estava conversando mais com aqueles meninos idiotas do que comigo, então acabei por passar quase o dia todo sozinha.

Sai pela porta da frente e vi que haviam muitos carros no estacionamento da frente ainda, o que denunciava que os professores realmente decidiram cobrar todos hoje. Só sai mais cedo por saber o assunto das duas atividades que nosso professor de literatura passou em dupla, claro que fiz sozinha, não ia carregar ninguém nas costas principalmente sabendo que era essa a intenção de alguns ao se aproximarem de mim depois que ele anunciou na sala.

Rolei os olhos e continuei caminhando até o ponto de ônibus, porém franzi o cenho ao ver uma mulher escorada no poste, esperando ali, sem se importar com os pingos leves caindo sobre nós, denunciando uma garoa fina e gélida, por causa do vento. Cocei minha garganta e me sentei no banco coberto no mesmo instante que a chuva pareceu aumentar.

Olhei para a moça e a vi olhar para o céu, ficando de perfil para mim... Franzi o cenho e um deja vu me tomou... A mulher se virou e meu coração disparou para logo depois falhar algumas batidas. Nevena se aproximou, ficando abaixo da parte coberta do ponto, assim como eu, mas não se sentou, permaneceu em pé.

—Boa tarde, Brenda. – Saldou sem sorrir. – Estava na escola?

Meus punhos se fecharam e meu coração pareceu parar de bater dentro do peito, deixando apenas um vazio, passando-me uma sensação ainda maior de frio.

—Nevena. O que está fazendo aqui?

Sei que podia parecer rude, mas desde quando a encontrei naquela floresta, desde quando ela e sua amiga estranha me apagaram em sua casa e apareci, misteriosamente, na cabana de novo, eu me sentia estranha em relação a ela. Era como uma mágoa... Não sei ao certo, talvez eu estivesse realmente chateada por ser tratada como uma criança, ou pior, como um nada! Realmente me sentia assim, elas me trataram como se eu fosse nada, ou como se não se importassem comigo! Tudo bem que não nos conhecíamos, mas não precisava ser daquele jeito.

Esperei sua resposta, mas ela não veio, ao invés disso só fiquei a observando travar o maxilar, engolir saliva de uma maneira forte e visível, ficando paralisada no local, olhando hora para mim, hora para a rua.

—Acho que fiz errado então. – Levantei uma sobrancelha, não entendendo sua fala. Ela me olhou e continuou: — Devo ir embora. Pensei que iria... Que seria bom te visitar. – Abri a boca para falar, mas ela se adiantou, começando a se afastar. – Peço desculpas pelo incomodo, adeus.

Antes que ela pudesse partir, me levantei e segurei seu pulso, tendo seus olhos verdes torando a me encarar, mas nada falei.

Essa mulher era complicada, muito complicada. Eu olhei para ela durante, quase, dois dias e suas expressões eram indecifráveis, como se ela soubesse que eu tentaria compreendê-la e dificultasse só para se manter afastada! Como se quisesse se manter afastada. Suas expressões corporais só demonstravam tensão, apreensão e acho que medo, não sei se medo ao certo, mas algo como “em alerta”, afinal ela sempre olhava para todos os lados, como se algo fosse a atingir em cheio e mata-la do nada.

Mas a coisa mais expressiva que encontrei nela foram os olhos. Suas obres denunciavam seus sentimentos, mas como ela desviava muito o olhar, ainda era difícil decifrar por completo...

—Pode ficar, mas... O que está fazendo aqui? Pensei que você e sua amiga só estivessem se divertindo comigo?! — Meu tom era magoado? Com toda a certeza que sim!

Nevena me encarou com sua expressão de sempre, séria, mas dessa vez foi diferente... O peso de seu olhar sob mim me fez pensar que ela não estava “indiferente” com meu pensamento. Senti, pois ainda segurava seu punho, que seus dedos se fecharam e ela recuou um passo, me fazendo perceber que meus passos em sua direção, afim de evitar que fosse embora, nos deixou bastante perto uma da outra. Corei, me afastando alguns passos também.

—Não quero que pense isso de mim. – Falou e reconheci a careta de dor novamente em seu rosto. Quis rir, pois realmente era engraçado vê-la fazendo essa expressão, mas me contive. Era como se ela estivesse com dor de barriga! – Em momento algum me aproveitei de você ou estava brincando com você! Eu... – Brecou. Seus olhos tinham ido para o chão, mas ela os levantou e me encarou, voltando a sua expressão séria. – Só não pense isso, está bem? Não gosto desse tipo de brincadeira que insinuou. Não sou esse tipo de pessoa.

—E qual tipo de pessoa você é? – Falei, cruzando os braços, encarando-a. Até agora ela não me mostrou absolutamente nada sobre quem realmente é! Nada além de praticamente matar um lobo gigante, correr em uma velocidade absurda e saltar para árvores a metros do chão! – Eu não sei nada sobre você, sem ser claro, coisas absurdas que nunca vi ninguém fazer!

Ela novamente não falou nada e eu já estava começando a tentar me acostumar com essas pausas que ela tirava para, quem sabe, pensar antes de falar algo para mim, o que era interessante. Fazendo isso, demonstrava que ela não era uma pessoa impulsiva, certo?

—Você pensou sobre o que viu? – Seu tom era forte, completamente limpo e interessado. Apertei minhas mãos, que estavam escondidas graças ao braço cruzado, em minha jaqueta. – O que você pensou sobre aqueles dois dias?

—Tirando o fato que vocês estavam tirando uma comigo! Nada. – Revelei e ela continuou me encarnado, como se esperasse eu continuar. Comprimi os lábios: o que ela queria que eu falasse? – Olha, realmente não me atentei em pensar realmente no que aconteceu, não pensei mesmo! Estava mais preocupada com outras coisas e... Sei lá, não sei... Sinto que é algo que eu não deveria saber, que eu não deveria ter visto. Eu não deveria estar lá.

—Não deveria mesmo. – Nossos olhos estavam presos um no outro. – Muito menos eu. – Nosso contato ocular fora desfeito, pois ela desviou para olhar para a rua, como de costume. – Mas você não tem duvidas? Curiosidade?

Ri baixo e achei interessante essa fala. Ela queria que eu ficasse com isso na cabeça?

—Eu sei que foi algo bem esquisito, mas é como eu falei: sinto como se eu não tivesse nada a ver com isso.

Ela assentiu e não falou mais nada, o que não liguei muito, já me acostumei com isso, provavelmente estava pensando em alguma coisa. Mudei o peso do meu corpo para uma perna e fiquei olhando para rua. É bem estranho, nenhum ônibus passou até agora, isso é muito raro. Será que ocorreu alguma coisa na linha ou na estrada?!

—Você é diferente. – Falou e olhei para ela de novo, encontrando seus olhos verdes no meu. – Onde você mora?

Ergui uma sobrancelha.

—Por que quer saber isso? – Questionei. Se eu tinha adotado uma postura mais defensiva com ela? Muito! – Duvido que não saiba.

—Não sei, por isso estou perguntando. Posso te levar até em casa.

Ri baixo, olhando para ela, esperando que falasse algo que revelasse ser uma brincadeira... Mas nada veio e o sorriso em meu rosto diminuiu.

—Está falando sério? – Ela assentiu e me surpreendi. O que ela queria? Quem é ela? – Tudo bem, mas com uma condição.

—Qual? – Perguntou e pela primeira vez, vi um sorriso mínimo surgir em seus lábios, fazendo meus olhos desceram para essa área especifica, vendo seus lábios vermelhos e finos alongando-se no sorriso mínimo. Pisquei e respirei fundo, arfando com os olhos fechados, logo os abrindo em seguida, percebendo que os olhos verdes me fintavam com curiosidade e... Expectativa? – Vai me contar mais sobre você. – Ela fez a careta de dor e abriu a boca para falar, mas ergui um dedo. – Falar sobre VOCÊ! Não sobre o que aconteceu naqueles dois dias, tudo bem?

Ela assentiu e eu concordei com um aceno de cabeça, depois ela me disse que iria buscar seu carro e desapareceu em uma das laterais da escola, o que me fez revirar os olhos.Voltei a cruzar meus braços e me sentei no ponto novamente, ouvindo o barulho de motor vindo do começo da rua e me virei, vendo que era meu ônibus... Fechei meus olhos e respirei fundo... Ouvindo-o passar acelerado por mim, que não dei o ponto...

Será que estou fazendo a coisa certa? O que de fato eu estou querendo com isso?

Balancei a cabeça e levantei bruscamente, abrindo os olhos enquanto suspirava, mas quase engasguei com o que vi em minha frente. Um calafrio percorreu todo o meu corpo e senti ele formigar, como se faltasse sangue em minhas veias.

Em minha frente estava um lobo cinza, do mesmo tamanho, senão maior, do que vi pela última vez, em cima da árvore enquanto Nevena se atracava com ele na floresta.

A primeira coisa que pensei foi correr... mas com toda a certeza ele me alcançaria sem fazer muito esforço. Pensei em gritar, mas ele também avançaria em mim, provavelmente arrancando minha cabeça com aquela boca enorme! Senti minhas mãos formigarem de uma maneira mais forte do que antes.

O lobo começou a rosnar, mostrando os dentes enquanto praticamente marchava até mim, atravessando a avenida sem movimento. Pensei em olhar para os lados, tentando pensar em alguma coisa para me salvar, mas fiquei com medo de me virar e ele me atacar de vez... Era realmente o fim, eu não teria como sair desse, não com ele tão próximo e tão nervoso, como parecia estar. Senti uma vontade enorme de chorar... Meus olhos se encheram de lágrimas e solucei, ficando imóvel quando vi que ele estava a pouco menos de dois passos de mim.

Meus soluções vieram um atrás do outro e permaneci de olhos fechados, imaginando-o próximo a mim, ainda mais. Meu coração batia forte e meu corpo ainda formigava, como se soubesse que deveria fazer algo! Mas não conseguia por causa do medo...

Um grunhido chamou minha atenção, sobressaltando-me pelo susto, fazendo meu corpo tremer por inteiro e saltar para trás, abrindo meus olhos, os arregalando na mesma hora. Nevena estava com ambas as mãos na boca do lobo, que se mantinha aberta, pela força que ela estava fazendo para não se fechar, mas era visível que ele tentava de todas as maneiras abocanhá-la...

Arfei. Minha mão foi para meu peito e me apoiei no assento do ponto de ônibus, ouvindo grunhidos, rosnados e engasgos, não sabendo de quem era! Da besta ou de Nevena! Percebi que ela tentava chuta-lo nas pernas, mas sempre que tentava, por um milésimo de segundo quase perdia para ele, desequilibrando-se por ele aplicar mais força, entendendo o que ela queria fazer.

Olhei para os lados e vi que não havia movimento algum, não sei se isso era bom ou ruim! Afinal, não acho que eu seria capaz de fazer algo contra o lobo para ajuda-la, além de distraí-lo ou de ser comida mesmo... Pisquei. Eu... Poderia ajudá-la! Sim! Vou ser a isca enquanto ela ganha tempo para golpea-lo!

Corri alguns metros pelo asfalto, sem olhar para trás até que deduzi ser uma distancia boa... Me virei e vi que agora ela já havia soltado a boca do animal e parecia tentar golpea-lo com velocidade, mas o animal se movia, saltando e tentando abocanha-la sempre que possível! Mas o que me tirou o ar foi ver seu braço completamente ensanguentado, não conseguia ver um milímetro de sua pele alva.

Preciso ajudá-la!

—EI! – Gritei, ele não ouviu. – EI! Olha pra mim! – Deu certo, o lobo (e Nevena) olharam para mim, mas o mais rápido fora ele, que avançou a trotadas velozes e rápidas em minha direção.

Senti meu corpo paralisar novamente. E agora? Olhei para trás e não vi Nevena, entrando em um desespero tamanho que comecei a cambalear para longe, depois começando a correr enquanto gritava e tentava não pensar no lobo de dois metros que me perseguia, mas seu rosnado estava se tornando mais audível até que... Parou. Não percebi de imediato, o que me fez continuar a correr por um tempo até que realmente não escutava mais nada atrás de mim.

Diminui a velocidade, começando a trotar até que, cambaleante, me virei, percebendo que o lobo não mais me perseguia. Semicerrei os olhos... Eles estavam tão longes. Olhei para os lados novamente, vacilante sobre ir ou não caminhando até lá... Senti meu corpo estremecer, quis chorar novamente por ter que ir lá ver o que ocorria... Se Nevena estava bem, se... Se eu teria de correr novamente daquele animal!

Coloquei a mão na boca, tampando os soluços descontroláveis que começaram a ultrapassar minha garganta. Caminhava vacilante, olhando para os lados, para trás e principalmente para frente. Uma hora pensei ter ouvido algo ao meu lado e soltei um grito, saltando para o lado oposto enquanto olhava para o lado e não via nada de diferente. O choro continuava, mas eu... Eu não podia parar, Nevena estava lutando com aquele animal e estava gravemente ferida! Mais lágrimas surgiram em meus olhos, escorrendo por minha face.

Depois de muito caminhar, conseguia vê-los lutando mais de perto... Nevena sangrava muito! Mas o lobo mancava e também sangrava, o que me parecer estar levando o pior. Estaquei ali, no meio da pista, ainda com as mãos na boca, tentando me contar enquanto os via lutar brutalmente. Nevena agarrava o lobo, tentando usar a força bruta e a velocidade para pegá-lo em uma falha do mesmo, mas o lobo parecia saber disso e evitava um contato direto a todo custo, avançando só quando achava ter achado um buraco na defesa da mulher.

Meu coração parou, meus olhos pareciam passar a cena em câmera lenta: Nevena caiu de joelhos, segurando o braço que sangrava enquanto o lobo rosnou forte, avançando contra ela, trotando até ficar a menos de um metro dela, neste momento a mulher de olhos verdes saltou, saltou tão alto que sumiu do meu campo de vista por poucos segundos, até que surgiu novamente, mas agora vindo de cima com o joelho posto na direção da coluna do lobo, que não percebeu o que ocorria e só ganiu quando sentiu o joelho atingi-lo.

Levei a mão aos olhos por um segundo, afastando-as depois, vendo-a desferir socos na barriga do animal que não tardou a tombar, ganindo, vivo, mas sem se levantar. Senti minha cabeça rodar e meu corpo ficar mole, fraco, vendo-a se aproximar do lobo e seus lábios se moverem (falando algo que não consegui identificar), depois seu punho se ergueu e um soco desacordou o animal, deixando-o imóvel e desacordado... Morto, talvez?

Quando a vi caminhar para longe dele, olhando para os lados com pressa e por fim achar-me ali, imóvel e em prantos, ela suspirou... Seus olhos verdes se fecharam por um minuto e depois abriram, começou a caminhar em minha direção e solucei, correndo até ela sem me importar com o lobo atrás da mulher. Apenas joguei-me contra seu peito, permitindo-me chorar igual antes, mas agora ouvindo seu coração bater contra meu rosto e suas mãos vacilantes passarem por minhas costas.

—O-brigada. – Falei em meio aos soluços, fungando. – Obrigada! Obrigada! Obrigada! Obrigada!

Mais uma vez ela me salvou.

ʘ

—Você não sente nenhuma dor, mesmo? — Olhei para ela e a vi negar com a cabeça, ainda com seus olhos fixados em mim.

Fazia poucos minutos que havíamos chego a minha casa, meus pais estavam no trabalho e hoje chegariam tarde, ambos avisaram-me ao sair para a escola de manhã, dando-me carona, até por isso não consegui um carro emprestado para ir estudar, tento que optar pelo ônibus. Enfim, deixando isso para lá... Quando chegamos em casa me apressei para pegar álcool, duas toalhas limpas, gaze, faixas, água mineral e oxigenada para cuidar do ferimento do braço dela que não parava de jorrar sangue para todos os lados (o carro dela estava horrível por dentro justamente por causa desse fato!).

Estávamos sentadas aqui a um tempo e ela não parou de me olhar com a expressão neutra de sempre, mas já havia me acostumado e sabia que ela pensava em algo... Não ousei perguntar nada, então apenas comecei a tratar seu ferimento até agora, onde eu já havia terminado de limpá-lo, no chão jazia uma toalha tingida de vermelho escuro, bem aos nossos pés. Só torcia para isso não manchar o chão...

Eu não tenho e nunca tive nojo de ferimentos, muito menos de sangue, quando criança machuquei-me inúmeras vezes, tentando até ossos expostos algumas vezes, nenhuma delas me fez vomitar, desmaiar, ficar tonta. Considero isso como um bônus.

—No que está pensando? – Resolvi perguntar. Não é como se ela fosse falar algo arrebatador ou totalmente estranho! Certo?

—Estou começando a pensar na possibilidade de você ser do meu mundo.

Errado.

Olhei para ela não entendendo muito sua fala, já que era deveras estranha.

—Como assim? – Perguntei, rindo ao continuar. – Está pensando em me fazer ficar na sua vida ou algo assim? – Continuei com um sorriso pela graça do pensamento.

—Quem sabe. – Ri baixo e continuei a passar a água oxigenada no seu machucado, vendo-a ficar branca logo em seguida. – Você é uma pessoa peculiar. Gostaria de conhecê-la de uma maneira mais profunda.

Meu corpo estremeceu com seu tom de voz, ou poderia ser sua fala, não sei ao certo. Levantei meu olhar, encontrando suas esmeraldas fixas em mim e em seus lábios um singelo sorriso que se confundiria com um entortar de lábios, se eu não o soubesse reconhecer.

—O que você quer saber de mim? – Me limitei a isso... Não queria saber (ou queria, não sei!) como ela queria me conhecer mais “profundamente”. Passei água em seu ferimento, vendo-a sair com um tom de vermelho também, saquei com outra toalha, começando a prender a gaze depois de passar álcool.

—Não sei... O que você gosta de fazer? No seu tempo livre.

Fiz uma careta, rindo de leve ao perceber que ela realmente estava falando sério em me conhecer melhor. Ergui os olhos novamente e percebi a intensidade por trás de seu semblante sério e calmo, meu coração saltou no peito, fazendo-me congelar por um momento... Seus lábios voltaram a se tornar uma linha reta rosada, seus olhos brilhavam como duas esmeraldas mesmo e seu semblante era calmo, mas ainda podia notar uma pitada de expectativa.

—Ler. – Falei, dando de ombros, tentando me concentrar em algo que não seja seu rosto, sua fala, seus olhos. – Estudar, pintar, desenhar. Acho que ouvir minha amiga tocar seus instrumentos também. – Sorri, lembrando-me de Jessie. – Faz um tempo que ela não vem até aqui tocar algo.

—Você tem instrumentos aqui? – Assenti. – Você toca? – Neguei. – Então porque os instrumentos?

—Ah... Meus pais são festeiros. – Sorri, lembrando-me deles e de suas “reuniões” cheia de pessoas animadas, gritaria, bebida, comida e música. – Algumas das pessoas que sempre vem em suas festas tocam instrumentos, além de meu pai ter um fascínio por instrumentos musicais. Ele tenta esconder isso, porque eu e minha mãe o incentivamos muito para ele aprender! Mas ele nem da bola, fica com seu amor platônico mesmo.

—O que é um amor platônico? – Perguntou enquanto eu começava a enfaixar seu braço. A mordida próxima ao ombro direito tinha sido superficial, mas ainda sim precisava ser tratada.

—Seria como um amor não correspondido, mas pior. – Falei, rindo. – Tipo... Você ama muito uma pessoa, mas sabe que não pode tê-la, ou até mesmo não é correspondido.. Acho que é isso.

—Oh... Entendo.

Terminei de amarrar a facha, prendendo-a com esparadrapo para que não ficasse movendo-se muito. Afastei minhas mãos e sorri, até que fiz um ótimo trabalho!

—Prontinho! – Sorri, olhando para ela que encarava as mãos de maneira compenetrada e perdida. – Tudo bem? – Toquei-lhe de leve o antebraço e ela me olhou.

—Sim! Tudo bem, desculpe!

Eu ia falar que ela não precisava se desculpar, mas... Senti-me preza com seus olhos em mim dessa maneira. Eu não conhecia absolutamente nada dela, Nevena era um mistério, um mistério que salvou minha vida duas vezes em menos de um mês de intervalo e ainda por cima de maneiras absurdas, como me salvar de lobos que tentavam me comer. Eu poderia não saber quem era, ou o motivo dela ser assim... De fazer as coisas que faz cujo eu tentava abstrair para não pirar de uma forma profunda e complexa! Mas mesmo não conhecendo-a... Sabia que ela não me faria mal... Já teve tantas oportunidades, mas nada fez, muito pelo contrário, apenas cuidou de mim e se preocupou comigo. Eu a considerava uma pessoa boa, independente de qualquer coisa.

—Eu não... – Desviei meus olhos dos seus, encarando minhas mãos que segurava o que restou das faixas em eu braço. – Eu não te agradeci corretamente por ter salvo minha vida, Nevena. – Levantei meus olhos para os seus, sustentando a intensidade deles. – Eu realmente te devo a minha vida! Você me salvou duas vezes e nem nos conhecemos! Eu te agradeço muito e peço desculpas por qualquer mal entendido que possa ter criado, ou até mesmo falado algo para você! Sei bem que fui meio grossa na casa de sua amiga no outro dia, mas... Eu só estava com medo e assustada, não sabia onde estava, que dia era e nem quem era vocês e quais seriam suas intenções! – Meu tom era exasperado sim, pois realmente falava tudo de uma maneira verdadeira e de como realmente me senti. – Eu peço desculpas e se você quiser, podemos se conhecer com toda a certeza. – Sorri minimamente, ao ver uma mínima surpresa em seu rosto. – Eu confio em você.

ʘ

Pov Lakan

Levantei meu focinho para o alto, tentando localizar o cheiro que tanto segui o dia todo: Lumía.

Mais cedo nos encontramos junto dos demais, recebendo algumas informações de A sobre os vampiros e o que parecia estar chegando para eles, a escolha do novo ancião. A nos disse que isso era de muita importância para nós, pois quem assumisse o comando de todos os vampiros, junto do conselho que eles tinham, assumiria também uma postura sobre nós, e era isso que deveríamos tomar cuidado.

Lumía, obviamente, começou a discutir sobre isso com A, mas nada fora definido, pois ela propunha uma intervenção brutal no território deles quando estivessem desprevenidos, vulnerável, no dia da ascensão do novo ancião. Seria algo baixo, mas com pouca chance de falha. Depois de toda repreensão e rejeição de seu plano, Lumía transformou-se em sua loba cinzenta e partiu da alcateia em alta velocidade e A enviou-me para localiza-la e trazê-la, ambos sabíamos que ela poderia ser perigosa e agir impulsivamente quando estava de cabeça quente.

Agora eu estava procurando-a a mais de três horas e nada. Conseguia sentir seu cheiro de uma maneira muito fraca, como se ela estivesse... Desacordada. Essa hipótese despertou-me a necessidade absoluta de acha-la! Concentrei-me e tentai farejar novamente seu rastro, achando-o e parecia não estar muito longe daqui.

Comecei a correr em alta velocidade, sentindo seu cheiro se aproximar assim como a floresta começava a acabar, dando espaço para uma pista de carro. Parei ao sentir seu cheiro mais forte ali, na pista. Farejei novamente e olhei para os lados, sentindo os pelos de meu corpo lupino arrepiar-se com a visão que tive: um lobo cinzento deitado no meio da via.

Farejei novamente e percebi que realmente era ela. Avancei em sua direção até alcança-la e saltar sobre suas costas, virando-me para olhar e perceber que realmente ela estava desacordada. Inclinei meu focinho perto do seu, empurrando de leve, mas Lumía nem se moveu. Tentei novamente e nada, mexi com a pata em sua barriga e a percebi molhada, olhando e vendo sangue escorrer dali... Acumulando-se. Quanto tempo ela estava ali??

Farejei seu corpo e rosnei, olhei para os lados, mas não vi nada. Ela tinha cheiro de vampiro. Coloquei minha cabeça para o alto e uivei, todos deveriam saber disso!

Notas finais
Quero agradecer pelos comentários gente ♥ Realmente me dão ânimo para continuar a escrever, fora que adoro conversar! kkkk Então e.e O que acharam deste?! Muita ação?Pouca ação? Falta mais descrição? Tem muita descrição? Contem-me como melhorar para vocês u.u