Notas iniciais
Olá meus amores...mais um.

POV MATT

Hoje a psicóloga que está tratando Emily pediu para que eu ficasse com ela no quarto durante a consulta, para dividir o que senti quando vi meu filho morto e tive que sepulta-lo. Isso poderia fazer com que Emily também conseguisse extravasar o trauma. Não queria mais falar nesse assunto, mas ainda me sentia responsável pela Emily. Afinal se eu não tivesse sido tão irresponsável da primeira vez que transei com ela, não haveria gravides nem a perca desse filho que a destruiu dessa forma.

Brian iria comigo e esperaria na sala. Não havia mais hostilidade entre nós. Após a perca do meu filho voltei a por meus sentimentos em ordem e esclareci que aquilo que realmente sentia pela Emily era mesmo paixão física e admiração e nada mais. Lógico além de um profundo sentimento de proteção e amizade.

Quando entrei no quarto a psicóloga já estava lá, sentada em frente à cama da Emily em uma cadeira. Apontou-me a poltrona que tinha sido arrastada para ficar ao seu lado.

-Matthew será que poderia dividir conosco aquilo que sentiu ao ver o corpo do seu filho no necrotério e ainda por cima ter que tomar todas às providencias para seu sepultamento?

Entendi o que a mulher queria. Fazer Emily sair daquele estado catatônico com meu relato de como foi ter que enterrar um filho enquanto ela dormia. Tratamento de choque.

Contei exatamente como me senti e o quanto chorei e me desesperei por vê-lo naquela bancada. A lembrança me fez chorar e era aquilo que psicóloga queria arrancar da Emily, lágrimas.

Emily me encarou com um olhar furioso e começou a falar de forma histérica como se quisesse culpar alguém pelo que aconteceu ao bebê.

-Você ficou triste e chorou?!-gritou e a psicóloga a encarou com confusão, não era aquela reação que esperava dela. -Eu o carreguei dentro de mim e o amei desde o primeiro segundo que soube de sua existência. E para você ele sempre foi apenas uma responsabilidade por ter gozado sem proteção e eu SEI que faze-lo foi muito mais gostoso pra você do que espera-lo. E aposto que se soubesse que isso iria acontecer faria tudo de novo só para poder foder comigo até me arrebentar!

Ela se levantou da cama e pegou uma escultura de pedra na cômoda atrás de mim e por um momento achei que ia joga-la na minha cabeça. Mas ela arremessou o objeto na parede e começou a esmurrar a porta a sua frente como se quisesse extravasar toda sua tristeza se machucando mais uma vez. Segurei-a pelos pulsos e a apertei contra meu corpo para que parasse com aquilo, suas mãos já começavam a sangrar.

-ME SOLTA NÃO QUERO QUE VOCÊ ME TOQUE!-gritava histérica e a apertei ainda mais contra meu corpo segurando-a por trás.

Fiquei assim segurando-a sem nenhuma dificuldade para conte-la por conta da diferença de tamanho entre nós dois. Até que ela se cansou e foi escorregando para o chão e começou a chorar de uma forma desesperada. A virei de frente pra mim ainda sentado no chão e enterrei seu rosto em meu peito. Olhei para a psicóloga que sorria e assentia com a cabeça para confirmar que agora ela estava conseguindo por pra fora a dor que sentia.

POV EMILY

As lágrimas que saiam de meus olhos pareciam queima-los como brasas. A dor no peito foi diminuindo aos poucos e me agarrei a Matt abraçando-o como se ele fosse um refugio para minha tristeza. Apertei tanto as unhas em seu braço que pude sentir a pele se rompendo por baixo delas. Mas ele continuou na mesma posição apenas me abraçando forte também, mas sem me machucar. Chorei como acho que nunca havia chorado na vida. Era como se um poço profundo tivesse se formado dentro de mim e eu precisasse esvazia-lo de uma única vez se não quisesse me afogar dentro de mim mesma.

Quando consegui me controlar, parecia que havia se passado uma eternidade. Estava perdida no tempo e no lugar onde me encontrava. Olhei confusa ao meu redor tentando me situar de alguma forma e vi meu quarto exatamente como o tinha deixado a sei lá quanto tempo.

-Está se sentindo melhor?- perguntou Matt preocupado segurando meu rosto entre suas enormes mãos para encara-lo.

Assenti com a cabeça enquanto ele me pegava no colo e me colocava de volta na cama.

-Acho que por hoje já consegui o que queria. Vou deixa-la descansar agora. Obrigada Matthew pela colaboração. Comunicarei aos pais e a irmã o que houve há pouco. Até amanhã. -a mulher negra e alta retirou-se e não entendi uma palavra do ela tinha dito.

-Matt?-chamei ainda deixando algumas lágrimas rolarem por meu rosto.

-Sim querida?

-Desculpe pelo que eu disse. Estava fora de mim. Você não fez nada do que eu te acusei. -passei a mão em seu rosto para mostrar que estava sendo sincera.

-Tudo bem, Emy.-voltou a me abraçar e enterrar meu rosto em seu peito.

-Não. Não está!Eu falei como se você tivesse me estuprado! Eu não sei o que me deu...

-Só está com raiva e acabou descontando em mim. E não me importo, já que isso te ajudou a por pra fora toda essa dor que estava aí dentro. -sorriu terno.

-Por que você está sempre aqui quando eu tenho os meus surtos?-achei engraçado.

-Não sei. Talvez essa seja minha missão na vida. -ele gargalhou do que disse e adorei ouvir o som de sua risada.

-Matt... -segurei seu rosto e aproximei minha boca da dele –Me dá outro filho?Eu quero um bebê exatamente como era o primeiro...

-Emily. Não faça isso com você mesma. -olhou-me com tristeza. –Você ainda não está completamente bem e terá muito tempo para ter outros filhos. Só precisa se esforçar para melhorar agora. -acariciou meu rosto e ficou me olhando de uma forma estranha.

-Estou parecendo uma louca não é?-sorri triste e abaixei os olhos para não encara-lo depois do que tinha acabado de falar.

-Não. Eu sei que está sentindo que precisa preencher esse vazio que ficou em seu coração e em seus braços. E entendo que de alguma forma aqui. -tocou minha testa com a ponta do dedo. -Acha que sou o único que pode preencher esse vazio, já que nunca tinha ficado gravida de outro. Mas infelizmente eu não sou o único reprodutor da terra. -ri da sua última frase, ele estava tentando me alegrar.

-Mas é o mais gostoso. -ele gargalhou e beijou minha testa.

-Vejo que já está mesmo melhor, está até fazendo piada. -sorriu mostrando as covinhas.

Notas finais
Está chegando a hora que vão querer me matar...porque favor não fiquem frustadas.