When Love And Death Embrace
39 Capítulo 39
Notas iniciais
Boa leitura.
Fiquei mais uma semana na casa de Brian e quando me certifiquei que não ele teria outra recaída voltei pra casa. Matt foi comigo, disse que não queria deixar de acompanhar a gestação do filho.
Os meninos estavam indecisos se continuavam ou não com a banda. Falei com um por um dando a maior força para que seguissem adiante. Sei que era isso que Jimmy queria. Eles já estavam com um álbum praticamente inteiro gravado. Para incentiva-los disse que poderíamos ver minha volta como empresária deles após o nascimento do meu bebê. Eles acabaram ficando um pouco mais animados, mas nada estava decidido ainda.
Já havia entrado no oitavo mês de gestação e Dr.Blake havia avisado a mim e Matt que o bebê provavelmente nasceria antes dos 9 meses por conta do tamanho que já se encontrava.
-Tem certeza que quer tentar um parto natural, Emily?-perguntou o médico em minha última consulta.
-Tenho. A menos que pelo fato de ele nascer prematuro vá por em risco à sua saúde.
-De modo algum. Só seria arriscado se ele fosse pequeno demais ou ainda não estivesse na posição certa. Mas como tudo está absolutamente normal não haverá risco algum.
-Nem mesmo pra Emily?-perguntou Matt.
-Nem mesmo pra ela Matthew. Sua saúde está em perfeito estado. E o parto natural ou normal como chamam é ainda melhor para a recuperação da mulher e ajuda no vinculo entre mãe e filho. -respondeu me incentivando. -Como o parto natural não pode ser agendado como uma cesariana Emily terá que fazer algumas coisas para ajudar esse bebê querer nascer mais depressa.
-Isso é possível?-perguntei entusiasmada.
-Perfeitamente possível e simples.
-Quais tipo de coisas Dr.?-interessou-se Matt.
-Prática de exercícios leves, como caminhadas de no máximo 20 minutos em um horário de temperatura amena, pilates para gestante, subir e descer escadas com mais frequência só que devagar e o método mais eficaz e que os papais mais gostam. -sorriu olhando para Matt. -Sexo.
-Como assim?-perguntei meio envergonhada, não havíamos contato para Dr.Blake que não éramos um casal de fato.
-Bem, uma relação sexual prazerosa, delicada claro por conta do estado da gestante, provoca contrações no útero fazendo com que tenha vontade de expulsar o que está lá dentro. O esperma também contém uma substancia que procura pelo ovulo para fecundar, como ali já há um bebê em posição para nascer essa substancia também ajuda a provocar contrações musculares no colo do útero fazendo com que o parto possa ser induzido de forma natural.
-Estou de 8 meses Dr Blake, não tem como fazer sexo assim!-disse indignada apontando para o volume enorme em meu ventre.
-Só encontrar uma posição confortável para a mãe que garanto que o pai dá conta do resto. -ele piscou para Matt que acabou gargalhando dos conselhos do médico e eu ficando vermelha como um pimentão.
Saímos do consultório comigo tagarelando para ver se Matt esquecia a tal parte mais fácil de induzir o parto.
-Vou acordar as 6:00h e caminhar .Subo e desço escadas durante a tarde pelo menos umas 20 vezes e pilates, dá preguiça demais. Então é isso, amanhã mesmo começo tentar fazer esse bebê sair.
-Ou podemos usar o método mais fácil e gostoso pra você. Sem compromisso, vou estar lá apenas para ajuda-lo sair da mesma forma que o fiz entrar. -gargalhou me fazendo corar violentamente.
Soquei o ombro dele e resmunguei:
-Para com isso M.Shadows está me deixando constrangida.
-Estou falando sério. Qual é Emily!? Somos adultos e teremos um filho, qual o problema de eu ajudar mais um pouquinho para que ele nasça logo e você se sinta bem. -falou fazendo cara de inocente.
-Matt, olha só pra mim!Como vamos fazer isso, não consigo nem achar uma posição cômoda para dormir. E não é nada legal você estar comigo idealizando uma gata com corpaço. -falei cruzando os braços emburrada.
-Acha mesmo que preciso fantasiar outra? Você não se olha no espelho só pode. -disse indignado. -Você é a grávida mais linda que já vi. -sorriu mostrando as covinhas.
-Podemos tentar... Mas se não der certo da primeira vez vou prosseguir com as outras coisas que o médico sugeriu ok?
-Caso não de certo na primeira vez tem mais de uma semana para tentar. Acredite não vai ser nenhum sacrifico. -riu sapeca.
-Tá bom, mas eu não tiro a roupa perto de você nem morta!
-Por quê?
-Vai que você broxa. -ele gargalhou mais uma vez.
-Não acredito que está dizendo isso?
-Só estou falando a verdade, Matt há 8 meses eu estava magra ,bonitinha e não parecendo uma orca como estou hoje!-expliquei ainda insegura com aquilo.
-Magra e bonitinha era tudo que você não era há 8 meses!Gostosa e gata pra caralho você devia dizer. Continua linda. Só que de uma forma mais inocente e maternal. Deixa de ser boba. Mas se vai se sentir mais confortável damos um jeito de você não tirar toda a roupa ok?-falou acariciando meu rosto enquanto parávamos no semáforo.
-Super!-respondi desanimada.
Jantamos e fomos para o quarto mais cedo tentar o tal método de induzir o parto natural de forma natural. Mais isso só podia ser algo natural para os médicos só pode!
-Ok Matt,você insistiu agora pensa num jeito!-falei mal humorada olhando para ele. Ambos embaixo do edredom. -E já vou avisando, me canso até de virar na cama!
Estava usando uma camisola larguinha com um laço abaixo dos seios que amarrava nas costas de algodão própria para gestantes. Era branca e me deixava mais ainda com cara de mãe.
-Romântica... -ironizou sorrindo fofo pra mim.
-Nessa fase, eu só necessito ser prática!-retruquei ainda não sabendo como íamos fazer isso.
-Ok. Deita de lado assim. -ajudou-me a ficar de lado e ajeitou o travesseiro embaixo da minha cabeça. –Agora a gente conversa com o bebê, pra ele não ficar assustado quando o meu “amigo” bater na cabeça dele.
Comecei a gargalhar até lagrimejar.
-Matt, isso não vai dar certo! -disse enxugando uma lágrima.
-Só estou brincando pra quebrar a tensão. Deu certo, você não está mais de mau humor!-sorriu mostrando as covinhas de novo.
-Bobo. -sorri ao vê-lo sorrindo.
-Agora é sério. Tenta relaxar ok?
Assenti com a cabeça enquanto ele continuava ajoelhado na cama e subiu devagar acariciando minhas pernas. Lógico que senti um arrepio gostoso subindo junto com o calor de suas mãos. Fechei os olhos e suspirei tentando não ficar envergonhada com aquilo. Senti suas mãos na minha calcinha a deslizando lentamente para baixo e a tirando com cuidado.
-Vai ficar incomodada se eu tirar toda a minha roupa?-perguntou segurando meu rosto fazendo-me encara-lo.
Fiz que não com a cabeça.
Ele ficou de pé ao lado da cama e tirou primeiro a camiseta, a bermuda e depois a boxer ficando totalmente nu na minha frente. Tudo bem que já tinha transado com ele antes, mas apenas o senti, não tinha ficado olhando pra ele que nem agora. E juro que o que estava vendo me deixou assustada. Suspirei e ele riu meio safado pra mim. O filho da mãe sabia que era lindo e ainda por cima... deixa pra lá.Deu a volta na cama e se deitou embaixo do edredom.
-Tudo bem?-perguntou colado ao meu ouvido.
Assenti com a cabeça novamente. Estava ficando nervosa.
Ele ajeitou meu cabelo, que agora estava um pouco mais comprido, para o lado e começou a beijar meu pescoço, passando a língua de leve. Puxou meu rosto e beijou meus lábios começando bem devagar e depois aprofundando mais. Correspondi dando passagem para sua língua que agora acariciava a minha. Suas mãos voltaram a subir por minhas pernas devagar até chegar a minha intimidade. Acabei fechando com força as coxas apertando sua mão entre elas. Uma espécie de defesa para o bebê. Por que foi meio involuntário.
-Tenta relaxar Emily. -disse afastando um pouco os lábios dos meus.
Abriu minhas pernas gentilmente e acariciou entre elas bem de leve usando toda a mão. Ofeguei em sua boca e ele sorriu. Foi deslizando um dedo bem lentamente para dentro de mim e voltou a beijar e lamber meu pescoço. O bebê estava quietinho. Parecia não querer atrapalhar esse momento dos pais. Com a outra mão Matt começou a acariciar apenas tocando de leve meu seio esquerdo por debaixo da camisola. Gemi baixinho e ele tirou o dedo de mim bem devagar.
-Acho que já está pronta. — imagino que havia sentindo o quanto já estava úmida.
Deitou se encaixando atrás de mim segurando meu quadril e começou a deslizar seu membro em minha entrada muito lentamente. Não me penetrou por inteiro, colocou novamente uma das mãos em minha intimidade e começou a estimular meu clitóris com movimentos lentos e a se movimentar da mesma forma. Continuou beijando meu pescoço e eu estava achando aquilo muito gostoso. Devia estar se segurando muito para ser delicado daquela forma, porque me lembrava muito bem como era transar com ele. Muito intenso.
Podia sentir seu coração disparado com o peito colado as minhas costas. Estava sentindo um prazer diferente, nada torturante a ponto de me fazer querer gritar. Ambos gemíamos baixinho e quando ele se empolgava um pouco mais parecendo se descontrolar ouvia-o ofegar e voltar a se movimentar mais lentamente. Comecei a sentir minha entrada se contraindo ao seu redor e ele juntou nossos lábios no exato momento que gemi mais alto gozando exatamente ao mesmo tempo em que ele. Senti seu liquido quente dentro de mim. Ofeguei ainda em sua boca e minha respiração estava descompassada. Apertei os olhos com força ainda sentindo as contrações em meu baixo ventre.
-Hei, está tudo bem?-perguntou acariciando meu rosto.
-Sim. -respondi ainda respirando com dificuldade.
Saiu de dentro de mim de uma só vez e se deitou ao meu lado respirando com mais dificuldade que eu.
-Nossa! Isso foi...
-Difícil?-perguntei meio gritado.
-Uma experiência incrível! Difícil é só me segurar e não... -parou de falar meio no susto.
-Não?-perguntei curiosa.
-Vai ficar com vergonha já vou avisando. -riu baixinho-meter com mais força, você é demais.
-Tinha razão estou com vergonha.
Ele gargalhou e me abraços por trás e ficou passando a mão na minha barriga. Acabei pegando no sono. Já tinha avisado que cansava até de virar na cama
POV MATT
Acordei ainda pelado e com uma das mãos em baixo da camisola da Emily, entre suas pernas mais especificamente. Seu sono parecia tão pesado que do mesmo jeito que adormeceu em meus braços continuou. Levantei sem fazer barulho para não acorda-la ,tomei uma ducha rápida e desci para preparar algo para comermos .Kat estava de saída para levar Mel para escola e ir para seu ateliê.
-Bom dia!-falei pras duas.
-Bom dia Matt.-responderam juntas.
-Já tomaram café?
-Não. Vamos ter de comer no caminho já estamos atrasadas. -pegou as chaves na bancada e já ia saindo quando se voltou pra mim. -Por favor, avisa a Emily que vamos voltar mais tarde hoje, tenho que levar a Mel numa festinha de um amiguinho da escola e vou direto do trabalho. Sabe como ela é. Se eu atraso um minuto pra trazer a Mel pra casa ela se desespera. -riu do seu comentário como se tivesse esquecido quem era a mãe da menina.
-Ok.Bom trabalho e boa aula Mel.
Fiz panquecas cobrindo-as com geleia de morango e preparei uma vitamina de frutas. Já estava arrumando a bandeja para levar para Emily no quarto quando a vi entrando na cozinha.
-E aí algum sinal que esse bebê nasce hoje?-perguntei entusiasmado.
-Não. Não estou sentindo nada de diferente. -apoiou o queixo nas mãos que estavam sobre a mesa e suspirou desanimada.
-A gente continua tentando. — sorri largo pra ela.
-Coisa engraçada. Para ser gerado foi necessário apenas uma vez e para nascer vou ter que virar uma coelha?-perguntou séria me fazendo rir da sua cara.
-Adoro coelhas!
-Engraçadinho.
Tomamos café da manhã e dei o aviso da Kat.
Passamos o dia todo assistindo tv.Emily estava muito preguiçosa para fazer qualquer outra coisa. Até tentei convence-la de tentar novamente a tal contração do útero, mas ela apenas me mostrou o dedo do meio no maior mau humor.
Já eram umas 7:ooh da noite quando ela inventou que estava com vontade de comer lasanha de um restaurante italiano do outro lado da cidade. Liguei no restaurante e estavam sem serviço de entrega por que alguém da família do entregador tinha morrido e ele não estava lá nesse dia. Fiquei com pena da carinha de pidona dela e fui eu mesmo buscar a tal lasanha. Peguei um transito infernal no centro por causa de um carro que tinha tombado na pista. Ela vai morrer de fome até eu conseguir chegar com a comida, pensei ainda dentro do carro.
POV EMILY
Enquanto Matt foi buscar minha lasanha, tomei banho e sequei o cabelo. Estava descendo as escadas e a sapatilha que eu usava ficou presa em uma tabua solta no primeiro degrau da escada.
-Mas que droga!
Agachei com dificuldade e vi que o tecido da sapatilha estava preso numa lasca de madeira da tal tabua. Puxei com força a sapatilha e ela acabou soltando. Quando me virei pra voltar a descer me desequilibrei pisando em falso no segundo degrau e rolei escada abaixo. Bati com cabeça no corrimão e cai de barriga pra baixo num estrondo ao fim da escada.
Senti uma dor no baixo ventre na hora e uma fincada aguda nas costas. Olhei com a vista embaçada para minhas pernas quando senti um liquido quente escorrendo por elas. Comecei a ficar muito tonta e perdi a consciência.
POV KAT
Saímos da casa do amiguinho da Mel as 07h45minh da noite. A festa não havia acabado, mas me deu uma vontade estranha de voltar pra casa. A Mel reclamou de ir tão cedo, mas nem liguei pros resmungos dela. Chegamos em casa quase meia hora depois, o transito no centro estava infernal. Desci e não vi o carro do Matt na entrada da casa, mas as luzes estavam acesas. Não entendi ao sentir um aperto no peito quando pisei no capacho e coloquei a chave na fechadura.
Abri a porta e me desesperei ao ver Emily caída ao pé da escada. Fiquei uns segundos em choque até que Mel começou a chorar atrás de mim. Corri e caí de joelhos na poça de sangue ao redor da Emily.
-Mel, querida precisa ajudar a mamãe e ligar pra emergência ok?-falei tentando manter a calma.
Ela assentiu e correu para cozinha para pegar o telefone.
Olhei a cena e fiquei mais desesperada, tinha liquido amniótico da bolsa estourada e uma quantidade de sangue enorme que ainda escorria entre as pernas da Emily e formava uma poça ao redor do seu quadril. Segurei seu pulso com as mãos tremulas e estava muito fraco, os lábios arroxeados. Não consegui segurar mais as lagrimas. Não podia perder minha amiga. Minha irmã querida. E o bebê. Tentei não pensar no bebê. Precisava socorrê-la o mais rápido possível.
Deslizei pelo carpete de madeira e deitei sua cabeça em meu colo tentando controlar as lágrimas.
Mel voltou ainda em pânico dizendo que a moça da emergência avisou que chegaria em cinco minutos. Não podia consolar minha filha agora com minha melhor amiga naquele estado.
Os paramédicos chegaram rápido e como estava em choque tiveram que me arrastar para poderem prestar os primeiros socorros.Matt entrou logo em seguida. E um dos paramédicos teve que segura-lo para que ele não chegasse perto da Emily. Ele chorava e passava a mão na cabeça o tempo todo enquanto colocavam-na na maca.
Deixei a Mel ainda chorando com a vizinha e segui com Matt na ambulância. Dois paramédicos a intubaram e aplicaram algumas injeções enquanto um terceiro comunicava seu estado ao médico do hospital pelo rádio.
-Gestante de aproximadamente 33 semanas . Idade 27 anos. Provável queda da escada. Hemorragia nível cinco batimentos cardíacos fracos e pressão arterial caindo. Sangue AB positivo precisará urgente de transfusão e um pediatra de prontidão. Obstetra responsável Dr.Arnold Blake. -outra pessoa falou algo em resposta no rádio, mas não pude entender o que era. -Muito improvável que ainda esteja vivo.
Chegamos ao hospital e uma equipe inteira de médicos, incluindo Dr. Blake, e enfermeiros esperava na entrada de emergência. Levaram Emily às pressas para sala de cirurgia.
Liguei para os pais dela, Jason e para Zacky pedindo para avisar os outros meninos. Matt estava tão desesperado que acho que nem raciocinava direito e não sei de onde tirei forças para pensar em avisar alguém.
Ela estava lá dentro há horas quando o Sr. e a Sra.Drave chegaram .Dona Sarah não parava de chorar e Papa Draven tentava faze-la ficar calma. Mas percebi o quando o mesmo tremia.
-Não aguento perder mais um filho John... -chorava enterrando o rosto no peito do marido.
Matt estava com o olhar vidrado nos pais de Emily e nem imagino o que se passava em sua cabeça.
Levantamos todos juntos quando uma mulher com o jaleco branco coberto de sangue veio até nós.
-Vocês são parentes de Emily Draven?-perguntou baixo.
-Sim. -respondemos juntos mais desesperados impossíveis.
-Sou a Dra.Anne Howard pediatra do hospital. Infelizmente o bebê não sobreviveu. -nos olhou com tristeza. -Sinto muito. Já não respirava quando o tiramos, ficou muito tempo sem oxigênio.
Matt se jogou na cadeira e afundou a cabeça entre as mãos, Sarah soluçava ainda mais alto e eu não consegui nem me mover ou emitir qualquer som.
-E a Emily?-perguntou John tentando ser o único ainda são naquela situação.
-Ainda está na sala de cirurgia. Dr.Blake está fazendo o possível para salva-la mais não tenho informações mais especificas. Terão que esperar por ele para ter mais noticias. Sinto muito. -repetiu se retirando.
Uma enfermeira levou dona Sarah porque a mesma estava descontrolada demais e ficamos com medo dela passar mal. Iriam aplicar um sedativo e deixa-la descaçar num dos quartos. Sr.Draven acompanhou a esposa, mas voltou rápido se sentando ao meu lado e segurando minha mão.
-Sabe rezar filha?-me perguntou com lágrimas rolando de seus olhos.
-Não. Mas podemos improvisar. -beijei a mão dele e sorri também deixando lágrimas correrem por meu rosto. -Tem uma capela nos fundos do hospital, vamos. -levei-o pela mão e ficamos lado a lado sentados no banco da capela, cada um rezando a seu modo em silencio.
POV SYN
Fretamos um jatinho particular para chegarmos a Seattle o mais rápido possível. Zacky organizou tudo. Eu estava desesperado demais para pensar. Havia perdido Jimmy e juro que se perdesse a Emily também eu colocaria fim a minha vida de vez. Vê-la gravida de outro e rompida comigo doía, mas não como me imaginar num mundo sem ela.
Pegamos um taxi ao chegar ao aeroporto e descemos no Hospital Sta. Barbara.
Corri que nem um louco pelos corredores na frente dos outros, encontrei Matt com o rosto enterrado entre as mãos.
-Matt, como ela está?!-perguntei aflito.
Ele me encarou com os olhos vermelhos e inchados. Ficou mudo por um tempo.
-Responde pelo amor de Deus cara!-implorei já chorando e puxando meus cabelos.
-Meu filho... -passou a mão pela cabeça e voltou a soluçar.
Abracei ele pelos ombros enquanto os outros entravam na sala.
Gena se ajoelhou de frente para Matt e acariciou suas costas.
-Nos conta o que aconteceu. -pediu com a voz doce.
Ele pareceu recuperar um pouco da sanidade.
-Meu filho, morreu! E a Emily... -interrompeu voltando a soluçar.
-O que tem a Emily Matt?-Gena também já chorava e eu fiquei tão estático que não conseguia mover um musculo sequer.
-Não sabemos se vai sobreviver.
O que eu fiz para merecer isso Meu Deus! Só pode ser um maldito pesadelo. Mas minha Emily é forte, vai conseguir. Preciso me agarrar a isso para não sair daqui agora mesmo e me jogar de um prédio.
Ficamos mais umas duas horas esperando por noticias. Eu estava desesperado, mas cansado demais para demonstrar como Matt. O pai de Emily e Kat voltaram de não sei de onde, e o tal Jason chegou meio apavorado abraçando os dois e se juntaram a nós num silencio tenso.
Ficamos todos estáticos quando o médico, Dr Blake, entrou na sala de espera tirando as luvas e o avental sujo de sangue. Nem respirávamos direito esperando ele falar.
-Terminamos a cirurgia agora. -disse ele num tom baixo se dirigindo a Matt e o Pai de Emily-Ela teve uma lesão muito grave no útero e perdeu muito sangue. Teve duas paradas cardíacas durante o procedimento cirúrgico e sinto muito ter que dizer isso, mas não devem ter muitas esperanças à chance dela de sobreviver é mínima. Está em coma profundo e não posso garantir que acordará.
Kat soltou um grito agudo agarrando-se ao pai da Emily ,que também soluçava ,enterrando o rosto em sua camisa. Matt apenas deixava lágrimas rolarem por seu rosto e os outros pareciam não estar acreditando no que ouvíamos. Eu entrei em choque e já estava planejando como acabar com minha vida se ela não acordasse mais.
-Sei que é um momento muito triste e complicado, mas precisamos fazer o registro do bebê e emitir o atestado de óbito para liberar o corpo para ser sepultado. -respirou fundo olhando para cada um de nós. –Alguém precisará cuidar disso infelizmente.
Matt se levantou enxugando as lágrimas e Zacky e Gena foram com ele.
-Podemos vê-la Dr.?-perguntou Kat num sussurro.
-Sim. Um por vez. Ela está na UTI.
O pai da Emily foi primeiro e voltou desolado de lá.Kat a mesma coisa.Eu fui o terceiro a ir vê-la e juro que preferia arrancar os olhos do que assistir aquilo.
Ela estava intubada, com vários aparelhos ligados ao corpo, sangue para transfusão sendo injetado num dos braços e soro na mão do outro lado. Estava até meio azulada de tão pálida e havia hematomas em seu rosto por causa da queda e seus lábios e unhas roxos. O bip ao lado cama indicava que seu coração batia fraco. Ela parecia já estar morta. Talvez estivesse se não fosse pelos aparelhos.
Saí daquela sala sentindo a pior coisa de toda a minha vida. Não sabia se era tristeza, desespero, dor ou uma mistura de tudo junto. Corri para fora daquele hospital e só parei quando meus pulmões pareciam pegar fogo. Sentei numa espécie de praça e me perdi na minha própria mente. Precisava me agarrar a lembranças boas e ter fé que ela acordaria.
POV MATT
Cheguei ao necrotério do hospital com Gena e Zacky praticamente me ajudando a ficar de pé.Dr Blake indicou uma bancada com um lençol cobrindo o corpinho do meu filho. Tirou o pano e juro que se Gena e Zacky não estivessem me segurando tinha caído de joelhos. Ele era mesmo grande. O rosto tinha traços bem parecidos com os meus. Estava meio roxinho e não aguentei, me apoiei na bancada e chorei tudo que tinha pra chorar. Zacky tentava me consolar falando algumas coisas que não conseguia discernir e Gena não falava nada, apenas chorava baixinho e afagava minhas costas. O médico me deu um formulário para preencher com nome do bebê, dos pais e endereços. Minhas mãos tremiam quando escrevi o nome que Emily tinha escolhido pra ele. Eric Tyler Draven Sanders.
Gena e Zacky se ofereceram para cuidar do resto, caixão e tumulo. Não velaríamos um bebê, muito menos com a mãe dele quase morrendo.
Voltei com eles pra casa da Emily. Não quis ir vê-la, já estava difícil demais tirar a imagem do meu filho morto da cabeça. Dormi de exaustão no sofá da sala.
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