Notas iniciais
Azulzinha linda(Pokeb3lls)!Muito obrigado pela sua recomendação!Adorei mesmo...
Esse capítulo é o único de hoje,mas é bem maior que os últimos.
Não deixem de comentar...

POV MATT

Estava sentado no fundo da pequena capela com todos os outros ao meu lado. Zacky estava com rosto enterrado nas mãos e Gena acariciava suas costas tentando consola-lo. Johnny estava meio catatônico só olhava para o nada. Brian era o pior estava com olheiras enormes e parecia que não havia vida em seus olhos. Ele não chorou, nem teve nenhum tipo de surto apenas ficou assim sem falar nada como um zumbi ou um fantasma. Eu já tinha chorado muito e estava de óculos para esconder os olhos vermelhos. Nossos familiares estavam sentados nas poltronas à frente. Não dava para explicar uma dor como essa, nosso melhor amigo em um caixão. Jimmy parecia tão invencível, mas a realidade era fria demais e nos atingiu sem nenhuma piedade.

Vi uma moça de vestido até os joelhos e casaco aberto na frente de mesmo comprimento, meia calça grossa e botas toda de preto. Seu cabelo era castanho avermelhado muito liso e estava na altura do queixo, um corte moderno mais comprido na frente e curto atrás. Ela correu pelo corredor e se debruçou sobre o caixão. Ao vê-la de lado notei a barriga enorme. Era Emily, bastante diferente da última vez que a vimos. Kat estava ao seu lado, seu cabelo loiro e ondulado meio bagunçados pelo vento. Ela abraçava a amiga pelos ombros e tentava em vão tira-la de perto do caixão. Emily chorava em silencio, mas suas lagrimas rolavam caindo sobre o corpo imóvel de Jimmy.Parecia falar algo pra ele. Lea estava sentada bem atrás dela, mas elas não se viram, a dor era grande demais para notarem qualquer um naquele lugar.

Depois de tanto falar no ouvido de Emily, Kat conseguiu tira-la dali. E arrasta-la para fora da capela. Vi Syn segui-la com os olhos e voltar a ficar com o mesmo olhar perdido de antes. Apesar da dor que estava sentindo, tive a consciência de que Emily e principalmente nosso filho precisava de mim naquele momento. Levantei-me e fui atrás dela.

Encontrei as duas sentadas em um banco debaixo de uma árvore, os últimos raios de sol refletiam no cabelo dela como em um espelho. Caminhei devagar e fiquei de frente pra onde estavam. Kat me encarou como se quisesse dizer que sentia muito, mas não falou nada. Emily nem notou minha presença, olhava para o chão com as mãos repousadas sobre a barriga e lagrimas silenciosa caiam de seus olhos sem parar molhando seu colo. Kat se levantou e tocou meu ombro sem dizer nada e se afastou. Sentei onde a loira estava e abracei Emily a puxando para que encostasse a cabeça em meu peito.

-O que aconteceu Matt?-perguntou num sussurro. -Como isso foi acontecer?

-Bebida e remédios pra dormir. -foi tudo que consegui explicar naquele momento. Não queria chorar mais ainda na frente dela, ela já parecia arrasada demais.

Passei a mão em sua barriga e senti o bebê chutando forte. Pude até ver ele se movimentando sob o leve tecido do vestido.

-Não consigo acreditar. Parece um pesadelo...

-Também me sinto assim. -respondi baixo encostando meus lábios em seu ouvido.

-Brian deve estar destroçado... -comentou com a voz ainda mais embargada.

-Acho que é o que mais está sofrendo. Mas não consegue desabafar. -falei ainda com a boca encostada em seu ouvido.

-Queria poder amenizar essa dor que estão sentindo, mas como?Eu mesma estou...

-Eu sei eu sei... -beijei o alto de sua cabeça e acariciei seus cabelos mais curtos agora.

Perto dela pude notar que estava mais magra, apesar do barrigão e os seios, às pernas, braços e o rosto mais finos. O cabelo parecia ter a cor natural, igual às fotos que tinha visto de sua infância e seu rosto parecia mais angelical sem a argola no nariz, usava apenas um pontinho brilhante no lugar. Parecia tão maternal e inocente com aquela aparência e tive uma vontade ainda maior de protegê-la de tudo.

Estava meio pálida e pelo que conheço dela devia estar sem comer a muito tempo, pelo menos desde que soube da notícia sobre Jimmy.

-Precisa comer algo, sei que é difícil, mas precisa pensar no nosso... -pensei no que iria dizer para que não ficasse nervosa com minhas palavras. -seu filho.

-Nosso filho, Matt. Não dá pra esconder mais isso de você. Vai saber quando olhar pra ele. -sorriu triste e ficou em silencio.

Também sorri quando finalmente ouvi isso dela: nosso filho.

-Como pode saber que ele vai se parecer comigo?-perguntei baixinho.

-Fiz o ultrassom morfológico e deu pra ver tudo. O rostinho, o tamanho, o peso exato... não tem como negar que é seu. Só conseguiria te enganar se fosse burro, coisa que você não é.

-Ele se parece tanto assim comigo?-tentei não chorar, mas foi impossível.

-A marquinha no queixo, o mesmo formato de rosto, as covinhas o tamanho exagerado... -riu pelo nariz. -Igualzinho...

Comecei a soluçar e afundei o rosto em seus cabelos. Aquilo pareceu um refugio pra mim nesse momento de tanta dor. Ouvir sobre meu filho me trouxe esperança e força novamente.

-Vai me deixar ficar ao seu lado e cuidar de vocês dois agora?-perguntei esperançoso.

-Vou precisar mais do que nunca de alguém para cuidar de mim agora... já que Jimmy não está mais aqui para fazer isso. -voltou a chorar alto dessa vez.

Afundei mais meu rosto em seus cabelos e me assustei ao abrir os olhos e me deparar com Brian nos observando calado.

Quando notou sua presença ela se soltou de mim agarrando seu pescoço.

-Syn,eu sinto tanto...-chorava até soluçar.-Sei como está se sentindo...sei como é perder um irmão.-ela afagou e beijou seu rosto e voltou a abraça-lo meio com dificuldade por causa da barriga. Ele retribui o abraço, mas não disse nada. Apenas ficou lá parado com o mesmo olhar perdido.

-Vou deixar vocês sozinhos por uns minutos... -levantei-me e voltei para a capela. Apesar de sentir ciúmes sei que ele precisa da presença dela mais do que nunca agora. Se havia alguém que podia aliviar um pouco daquele sofrimento que Brian sentia era ela.

POV EMILY

Puxei Syn pela mão para que nos sentássemos no banco. Fiquei olhando pra ele ainda com lágrimas nos olhos. Ele não chorava, nem demonstrava nenhuma emoção. Estava mais pálido que o normal e com olheiras muito visíveis. Era como se pudesse ver meu próprio reflexo de quando Eric e Tyler morreram. Lembrava exatamente como me senti, sem conseguir desabafar toda aquela tristeza e culpa.

-Syn... -sussurrei enxugando os olhos-Eu sei que doí. Sei que se sente quebrado por dentro e que pensa que esses pedaços nunca mais vão se juntar. Eu me sinto destruída só de pensar que nunca mais vou vê-lo, ele se tornou muito especial pra mim nesses últimos 3 anos. Imagino como seria se estivesse ao seu lado desde a infância como você... -acariciei seu rosto com a ponta dos dedos.

Fiquei em silencio apenas olhando seu semblante frio.

-Um dia essa dor vai passar e só ficará a saudade e as boas lembranças. Acredite eu sei. -continuei acariciando seu rosto de forma terna e soube só de olha-lo de novo o quanto ainda o amava.

Uma senhora de cabelos brancos se aproximou e olhou para Brian.

-Já vamos levar o caixão. Vai acompanhar os outros rapazes Sr.Haner?-pela forma como falou deve ser a responsável por toda a cerimonia fúnebre.

Brian assentiu com a cabeça e levantou-se seguindo a mulher. Kat voltou para meu lado e seguimos juntas até onde enterrariam Jimmy. Os quatro garotos carregavam o caixão e Lea andava sozinha atrás deles cabisbaixa. Após o sepultamento os presentes foram indo embora.

Fiquei mais um pouco e depositei uma rosa na cripta de Jimmy.

-Adeus meu amigo. Vou sentir sua falta. Meu filho não terá outro padrinho, será sempre você. Espero poder de reencontrar um dia... -mais uma lagrima rolou caindo sobre o mármore frio da lápide e saí daquele lugar sabendo que mais um pedaço do meu coração tinha ficado pra trás.

-Emily!-ouvi a voz de Matt gritando para que eu o esperasse. -Sei que não é o momento, mas não quero te deixar e não quero ficar sozinho. Será que posso ir com você para sua casa?-seus olhos verdes estavam tão escuros e vermelhos que podia enxergar sua alma através deles e não pude negar um pedido dele nesse momento.

-Claro que pode. -olhei para todos os lados. -Onde estão os outros?

-Já foram. Parece que não conseguimos ficar muito tempo na presença um do outro... é como se estarmos todos juntos nos fizesse lembrar que falta mais alguém...-respondeu com a voz triste e uma expressão dolorida no olhar.

-Syn não se despediu de mim. -sussurrei pra mim mesma.

Passamos na casa de Matt para pegar suas coisas e embarcamos no voo noturno para Seattle.

Chegamos em casa de madrugada .Kat beijou minha testa me desejando boa noite e abraçou Matt e subiu para o quarto.

Sentamos no sofá e ficamos um tempo em silencio.

-Acredita que ele está em um lugar melhor?-perguntou sem me olhar.

-Sim. Se Jimmy não merece estar no céu, como todos chamam ninguém mais merece. -sorri triste e toquei seu ombro para fazê-lo olhar pra mim-Vai ficar bem se eu for dormir agora?

-Não quero ficar sozinho... -segurou minha mão que ainda estava em seu ombro. -Posso dormir com você essa noite?

-Matt... não quero que confunda as coisas .

-Só dormir. Prometo que não vou tentar nada. Só preciso dormir olhando pra você e sentir nosso bebê, sei que isso me deixara mais tranquilo. -seus olhos estavam marejados claro que cedi.

-Tudo bem. Além do mais com esse corpo de abobora que estou é difícil você querer tentar alguma coisa. -falei séria referindo-me ao fato de ele estando em sã consciência sentir atração por uma grávida barriguda daquele jeito.

Ele acabou gargalhando da minha cara.

-Você está mais linda que nunca. Deixa de ser boba! Vamos dormir vem. -levantou e me ajudou me puxando pelas mãos.

Fomos para meu quarto e coloquei minha camisola de flanela super larga, nada pelo menos bonitinho me cabia mais, e deitei na cama ao lado de Matt. Ele usava uma calça de pijama xadrez e sem camisa. Estava com os braços atrás da cabeça e olhos fechados, apaguei a luz e acendi o abajur no criado mudo e fiquei olhando pro teto, tinha pedido o sono.

-Também está sem sono?- ouvi sua voz baixa me perguntar.

-Sim. Não consigo parar de pensar no Jimmy.

-Eu também. Vem cá. -me puxou com a maior facilidade apesar daquele barrigão me abraçando por trás.

Ficou passando a mão em minha barriga e o bebê chutava tanto que me fez rir.

-Ele reconhece você. De alguma forma sabe que é o pai dele. Fica todo agitado quando está por perto e agora acho que está querendo jogar futebol dentro de mim de tanto que está se mexendo. -ri ao colocar a mão na barriga e sentir toda aquela movimentação.

-Os Sanders são bem bagunceiros pode ir se acostumando. -gargalhou e se curvou sobre mim para beijar minha barriga.

-Já percebi. -voltei a acariciar minha barriga. -Não pode dar trabalho pra mamãe Eric Tyler Draven Sanders, sou muito preguiçosa.

-Que nome enorme!-zombou ele.

-O que achou? Que ele teria só o seu sobrenome?Eu que estou carregando A Pequena Muralha Júnior aqui e tenho o direito de ter meu sobrenome em seu registro. -falei fingindo estar brava.

-Nada mais justo. Mais que é comprido isso é. -falou rindo.

Ficamos o resto da noite conversando sobre amenidades e principalmente sobre o bebê. Contei tudo o que o médico disse durante esses meses que não nos vimos e ele achou o máximo e ficou todo orgulhoso do filho.

Quando Kat desceu já estávamos sentados à mesa tomando café.

-Cairam da cama crianças?-perguntou nos cumprimentando com um beijo na bochecha.

-Só insônia mesmo. — respondi já me sentindo cansada por conta da noite mal dormida.

-Antes de descer liguei no consultório do Dr. Blake e marquei consulta pra você às 3h da tarde. -comunicou já colocando um pedaço de bolo na boca.

-Mas fui a uma consulta há uma semana!-protestei.

-Muitas emoções. Ficou nervosa. Não custa ter certeza que está tudo bem com você e o pequeno Eric.-respondeu sorridente e acariciando minha barriga.

-Ela tem razão Emily, é melhor termos certeza se está tudo bem. -concordou Matt sério.

-Tudo bem mamãe e papai. -zombei da preocupação dos dois.

Matt me acompanhou na consulta e entrou comigo no consultório.

-Então esse é o pai do Eric Tyler?-perguntou Dr.Blake gentil como sempre.

-Sim. Matthew Sanders.-respondeu Matt estendendo a mão para o Dr.

-Agora entendo porque esse menino é desse tamanho Emily. Puxou ao pai. -riu da própria conclusão e senti Matt todo orgulhoso ao meu lado.

O médico me examinou, mediu minha pressão e ouviu meu coração.

-Não vejo nada de errado e pelo que senti o bebê está se movimentado bastante. Acho que sua única reclamação no momento é que está começando a ficar sem espaço aí dentro. -ri da piadinha dele-Podem ficar tranquilos está tudo bem com vocês dois.

Voltamos pra casa e Mel já estava lá. Beijou Matt e ficou agarrada comigo no sofá fazendo perguntas sobre o Jimmy. Tentei explicar para ela a coisa sem deixa-la muito triste.

Após Kat lhe dar banho a coloquei para dormir. Fiquei olhando por um tempo seu rostinho inocente e queria muito voltar a ter essa idade. Onde a morte não nos machuca tanto.

Entrei na banheira a fim de ficar por lá um bom tempo, para relaxar. Ouvi batidas na porta.

-Sou eu, Matt. Posso entrar?

-Pode. -escondi meus seios com os braços e fiquei sentada na mesma posição na banheira cheia de espuma.

-Quer que eu entre aí com você, posso fazer uma massagem? Vai te fazer relaxar mais rápido, parece cansada. -ofereceu fazendo carinha de sapeca.

-Matt!-ralhei com ele pelo fato de eu estar nua na banheira.

-Fico de bermuda. Só uma massagem. Prometo!-levantou as mãos cruzando os dedos.

-Ok. Uma massagem seria bom agora.

Ele tirou a camisa e os chinelos e entrou na banheira se sentando atrás de mim com uma perna de cada lado do meu corpo. Começou a massagear as minhas costas e meu pescoço a senti meus músculos relaxando. Quando meus dedos já estavam enrugados pedi para que me ajudasse a sair da banheira. Ele se virou enquanto enxaguava meu corpo na ducha, me enrolei na toalha e voltei para o quarto enquanto ele fazia o mesmo. Vesti meu pijama branco de tecido leve ,short e blusa com botões e me deitei.

Ele saiu do banheiro apenas de boxer e enxugando a cabeça com a toalha. Pegou uma bermuda na gaveta e colocou deitando-se ao meu lado. E mais uma vez perdi o sono e fiquei olhando para o teto.

-Insônia de novo?-perguntou.

-Sim. Você também?

-Sim. -respondeu suspirando.

-Kat tem remédio para dormir, quer que eu peça um para você tomar?-olhei pra ele esperando sua resposta.

-E você?

-Não posso tomar nada por causa do bebê.

-Precisa dormir parece muito cansada.

-Eu sei, mas vou fazer o que se não consigo. -suspirei desanimada.

Ouvi-o rindo.

-Do que está rindo?-perguntei curiosa.

-Só me lembrando de uma coisa que eu fazia quando era adolescente e tinha insônia. Mas se te sugerir isso vai me xingar.-riu novamente.

-O que é?-perguntei inocente-Fiquei curiosa.

-Posso tentar? Tenho certeza que vai dar certo!

-Ok. -concordei achando que se tratava de algum tipo de jogo como contar carneirinhos.

-Vira de costas pra mim. -fiz o que ele pediu.

Senti sua mão deslizar para dentro do meu short e minha calcinha.

-Matt,você tá de...-não consegui terminar a frase quando senti seus dedos deslizando pelo clitóris .

-Fica quietinha que logo vai conseguir dormir. -sussurrou no meu ouvido e logo depois dando beijos molhados em meu pescoço.

Meus hormônios estavam à flor da pele e acabei fazendo exatamente o que ele mandou. Seus dedos deslizavam pela minha intimidade usando a minha própria umidade para facilitar os movimentos. Ficamos assim por um bom tempo e eu tentava abafar meus gemidos enterrando o rosto no travesseiro. Sabia que ele podia ver o quanto eu estava gostando daquilo e quando gozei em seus dedos deixei escapar um gemido baixo e fiquei sonolenta no mesmo segundo.

-Não disse que conseguiria te fazer dormir. -sussurrou no meu ouvido tirando a mão de dentro do meu short e ajeitando o mesmo no lugar.

Dormi com seus braços ao meu redor.

Notas finais
Espero vocês nos reviews...