Notas iniciais
Como o foco do capítulo anterior foi a Juvia, o foco deste é o Gray.

Gray a levou até seu quarto e trancou a porta.

E nos três segundos que levou para girar a chave e tê-la nos braços outra vez, na semiescuridão do quarto que, como todo quarto de homem, se resumia a coisas espalhadas por todos os lados — e que, ainda assim, conseguia ser aconchegante —, uma infinidade de imagens choveu sobre ele.

E naqueles recortes de memória estava Juvia.

Juvia e seu rosto branco como a neve das montanhas onde ele crescera. Juvia o espiando de longe. Juvia o chamando de Gray-sama, o tempo inteiro. Juvia corando. Juvia lhe dando um cachecol de presente. Juvia tão perto que ele poderia beijá-la. Juvia sorrindo. Juvia correndo atrás dele, onde quer que ele fosse. Juvia e seus chocolates de Valentine’s Day. Juvia sendo meiga, insegura, mas também forte e decidida. Juvia e aquele olhar que sabia ser aflito e apaixonado ao mesmo tempo. Juvia expulsando Lucy, sua rival no amor. Juvia ajeitando o cabelo quando ninguém além dele estava olhando. Juvia parada diante de uma vitrine qualquer, perdida em si mesma. Juvia tamborilando os dedos no tampo da mesa. Juvia mordendo um lábio enquanto tentava decidir qual missão pegar. Juvia sendo sensual sem saber. Juvia estando sempre ali, tão perto.

Porque Juvia sempre o amara, e só agora ele percebia como também a amava, como a queria para si. O tempo todo, aquilo tinha sido tão óbvio que até mesmo seu pai percebera — “a mulher do Gray”, ele havia dito. Só ele tinha fingido não ver o que sempre esteve diante de seus olhos, mas agora isso não importava mais.

Gray já tinha tudo do que precisava bem ali, ao alcance da mão.

E, por isso, ele a beijou.

E sentiu um calor esquisito dentro do peito quando ela cedeu passagem à sua língua. Um calor que tremia como a chama de uma vela, mas que crescia e ia tomando conta dele enquanto ele a beijava, a apertava contra si e, junto dela, dava passos cegos em direção à cama. E quando os dois caíram sobre o colchão, aquele calor já o consumia como se o tivessem posto sobre uma fogueira — porque todo o gelo de sua alma já tinha derretido.

Juvia.

Ela gemeu um suspiro quando ele abriu-lhe os botões da roupa e sentiu os pelos dos braços ficando de pé porque, bem, ele tinha parado para vê-la. Vê-la deitada debaixo de seu corpo com a pele nua, o vestido aberto e a calcinha e o sutiã cobrindo aquilo que ela tinha certeza que ele estava imaginando, as meias subindo até quase a altura das coxas. Vê-la tão sua, tão linda, sem precisar fechar os olhos e imaginar.

Gray beijou-a outra vez — desta vez mordeu-lhe um lábio — e sentiu que precisava fazer-lhe uma pergunta.

— Juvia.

— O quê? — a voz dela era apenas um sussurro.

— Você gostaria de trocar o Lockser pelo Fullbuster?

E quando ela sorriu, ele viu nos olhos molhados de Juvia todo o seu mundo.

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Gray percebeu como a pele dela era macia e perfumada e sentiu vontade de mordê-la — mais ainda. Enquanto jogava o vestido dela para longe e beijava-lhe o corpo inteiro, desde o pescoço, passando por entre os seios e pelo umbigo, até a ponta de um pezinho tão delicado que dava vontade de nunca mais largar, ele sentia a maciez de sua pele debaixo dos lábios e aquilo lhe dava água na boca.

Juvia inteira era tão branca que ele tinha medo de deixar-lhe marcas. Mas não pôde evitar quando ela passou-lhe uma perna pela cintura e puxou-o para mais perto.

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Porque aquelas pernas seriam a sua perdição.

Pálidas e nuas, de coxas bem torneadas, elas pareciam perfeitas para as suas mãos. Gray sentiu-se sob efeito de um ritual quando se pôs a tirar as meias dela, deslizando as mãos ao longo de suas pernas, devagar, quase como se tocasse algo sagrado. Ele beijou-lhe um tornozelo, depois o joelho, e Juvia estremeceu quando ele começou a descer-lhe a calcinha.

Então ele a viu totalmente nua e, antes de colocar-se gentilmente entre as pernas dele, pensou que só queria fazê-la feliz.

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Gray também pensou que gostava da voz de Juvia.

Da voz que saiu num gemido quando ele a penetrou. Ela afundou as unhas em suas costas e ele sentiu que poderia sucumbir sob a sensação de estar dentro do corpo dela, daquele corpo quente e macio que o apertava e que pedia mais. Então ele beijou-lhe o canto dos lábios e depois a ponta do queixo na tentativa de controlar-se e de não estragar tudo enquanto se movia devagar dentro dela.

Mas ela era tão incrível...

E quando Juvia gemeu seu nome, bem baixinho, ele não pôde mais se conter.

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Ele a devorou.

Afundou com vontade para dentro dela e apertou-lhe as pernas que depois ficariam por um bom tempo com as marcas das mãos dele, beijou-a até deixar-lhe a boca vermelha e o peito pedindo ar. Gray arrancou-lhe longos suspiros ao beijar-lhe os seios. Ele puxou-a para cima de si e deixou que ela o sentisse por inteiro. E gostou de como o cabelo dela cobria-lhe uma parte do rosto.

Gostou de como a respiração dela era algo ofegante e entrecortado. Aquela respiração descompassada entre um beijo e outro, uma respiração quente, quase febril, que o tocava no rosto e na curva do pescoço e que o deixava louco. A respiração que ficou suspensa durante segundos quando Juvia enrijeceu e o apertou com força, submersa numa onda de prazer que quebrava dentro dela. Então ele também se permitiu deixar que aquilo acontecesse.

Gray apertou os lábios contra os de Juvia e derramou-se dentro dela.

E ambos, pela primeira vez, sentiram-se inteiros.

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Depois, enquanto ela descansava sobre seu peito e ele deslizava os dedos pelos cabelos dela, Gray pensou na ideia que há muito vinha o incomodando como um alfinete na roupa que o espetava e que ele não era capaz de encontrar, e tomou uma decisão.

Uma decisão que agora incluía Juvia.

— Até onde você iria por mim? — ele quis saber.

— Eu irei onde você for, Gray-sama.

— Mesmo se precisássemos ficar longe de todos? Longe da guilda?

Ela o olhou e piscou, confusa.

— Por que está perguntando isso?

— Porque eu vou passar um tempo longe. E quero que você venha comigo.

Durante algum tempo, houve apenas o silêncio. Lá fora, já se ouviam as vozes e os ruídos da guilda que despertava, cadeiras sendo arrastadas, portas batendo, os gritos de Natsu chamando alguém pra briga e toda a exaltação orgulhosa de Elfman sobre ser homem — a Fairy Tail de sempre. Mas Juvia permaneceu calada, e Gray já estava imaginando que ela lhe diria um não, que começaria a fazer perguntas sem fim, que talvez chorasse e o fizesse se sentir um perfeito canalha.

Contudo, nada disso aconteceu.

Juvia abriu um sorriso maior que o mundo e perguntou:

— Quando nós vamos?

E Gray sentiu vontade de ficar o resto do dia com ela naquela cama.