Notas iniciais
Último capítulo.

O que aconteceu foi que Gray teve uma longa conversa com o Mestre — ele precisava de um tempo para treinar a magia de Devil Slayer e Makarov sabia que um dia ele voltaria — e, dois dias depois, deixou Magnólia, levando Juvia consigo. Agora, eles moravam numa casinha afastada de tudo, escondida entre bosques de cedros, e os dias eram todos iguais.

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Pela manhã, logo que o sol nascia, Gray saía para treinar numa clareira perto do rio. Não havia ninguém ali para atrapalhá-lo, ninguém para reclamar das árvores e dos rochedos que eventualmente ele acabava destruindo enquanto tentava dominar a técnica que herdara do pai, nenhum Natsu ou Gazille para se meterem nas suas coisas e distraí-lo, nada com que ele precisasse se preocupar. Então ele podia dar tudo de si naquele pedaço esquecido de província.

Tudo o que havia era um céu azul e o murmúrio do rio.

E, dia após dia, Gray sentia a energia da magia de Devil Slayer ficando mais forte dentro de si.

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Quando Juvia acordava, percebia-se sozinha na cama, embora se lembrasse de Gray deitado ao seu lado antes de ter pegado no sono. Então ela se dava conta de que ele havia saído para treinar e começava a contar as horas até poder vê-lo outra vez.

Ela se vestia, arrumava a cama — com o cheiro dele, e isso sempre a fazia sorrir —, abria as janelas e ia para a cozinha. Enquanto colocava as coisas em ordem, porque Gray sempre deixava pratos e copos em qualquer lugar quando tomava seu café da manhã, ela bebericava uma xícara de chá e comia alguns biscoitos. Gray adorava biscoitos, por isso ela sempre fazia muitos deles.

Às vezes, Juvia se ocupava inteiramente da casa. Prendia o cabelo com um lenço e não parava até que todos os móveis e vidros das janelas estivessem brilhando. Lavava as roupas de Gray — que eram sempre bermudas e cuecas, já que ele não conseguia ficar com uma camisa no corpo por mais de meia hora — com um amor que brilhava nos olhos e as pendurava para secar nos fundos da casa. Depois, ia cuidar do jardim, embora não gostasse das abelhas. Quando alguma se aproximava, zumbindo perto dela, Juvia jogava no chão o regador e corria para dentro de casa, batendo a porta atrás de si. Então quando já passavam das dez horas, ela ia preparar o almoço. Fazia os bolinhos de arroz de Gray com um sorriso no rosto, cantarolando qualquer coisa, e cortava cubos de peixe e de legumes com extrema precisão.

Tudo precisava estar perfeito para quando seu Gray-sama chegasse.

Às vezes, ela também saía para treinar. Escolhia um trecho do rio mais abaixo — não queria atrapalhar a concentração de Gray — e passava as horas manipulando a água, controlando-a, sentindo-a como uma extensão de seu corpo.

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Então, ao meio dia, ele voltava para casa.

Juvia sorria e ia pendurar-se em seu pescoço. Embora ele lhe dissesse que estava suado e que iria sujá-la, ela não se importava, e agarrava-se a ele com carinho. Então Gray a pegava pela cintura e a beijava, sentia seu cheiro e, dentro do peito, todo aquele gelo habitual derretia. Só então Juvia percebia que ele tinha as mãos machucadas e ia cuidar daquilo.

Gray se deixava levar, gostando do modo como ela se preocupava.

Comiam juntos, na pequena mesa da cozinha. Ele não perdia tempo falando sobre como adorava a comida que ela preparara — Gray não era desse tipo —, mas pelo modo como ele devorava a comida para então pedir que ela lhe servisse mais, Juvia sabia que ele gostava dos pratos que ela cozinhava, e isso a deixava radiante.

Depois, enquanto ela lavava a louça, ele lhe contava sobre a nova magia que estava aprendendo e o quanto havia progredido naquela manhã. Juvia gostava de ouvi-lo falar. Mas então ele ia abraça-la pelas costas, e a louça acabava ficando para mais tarde.

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À tarde, eles sempre ficavam juntos.

Nos dias frios, quando o vento assoviava do lado de fora, Juvia preparava duas xícaras de chocolate quente e os dois iam para a cama, para debaixo dos cobertores. Conversavam sobre a Fairy Tail e sobre como deviam estar todos, Erza, Lucy, Natsu, e concordavam que, provavelmente, Erza ainda assustava muita gente, Lucy se dedicava a escrever romances e Natsu continuava o mesmo irresponsável de sempre. Gray contava histórias sobre sua infância e sobre Ur, sobre a terra gelada onde ele nascera. Mas também havia momentos em que preferiam não conversar.

Gray enfiava as mãos geladas por baixo da roupa de Juvia e ela dava gritinhos enquanto implorava para que ele não a torturasse assim. No entanto, ele deixava as mãos sobre a pele dela até aquecê-las, e então ficavam abraçados em silêncio. Ou fazendo outras coisas. Coisas que envolviam beijos e gemidos.

Nos dias quentes, eles iam se deitar debaixo de um grande cedro perto da casa. Gray cruzava os braços debaixo da cabeça e Juvia ia se apoiar no peito dele. Alguns raios de sol penetravam pela copa da árvore e caíam sobre o anel no dedo dela, que brilhava como a coisa mais bonita que ela já tinha ganhado de alguém.

Gray havia colocado um anel no dedo dela e a chamado de Juvia Fullbuster.

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Às vezes, Gray ia até a cidade mais próxima — que, ainda assim, ficava bem longe dali — comprar coisas para a casa e voltava com um presente para Juvia. Não eram presentes caros, mas pequenos objetos que mostravam que ele havia pensado nela e que a deixavam feliz ao ponto de lhe brotarem lágrimas dos olhos: um prendedor de cabelo em forma de coração, um lenço bordado, um doce, um par de brincos de pérolas azuis, da cor do cabelo dela, um imã de geladeira colorido, e assim por diante.

Então Juvia ficava olhando para esses presentes e pensava que, até pouco tempo atrás, ela nunca pôde acreditar numa vida assim, numa vida com Gray. Mas então eles estavam ali, vivendo sob o mesmo teto e dormindo na mesma cama. E Juvia era a mulher mais feliz de todo mundo.

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Quando a noite chegava, depois de terem visto as estrelas da varanda e observado os vaga-lumes piscando no escuro, eles iam para a cama. Gray a olhava despir-se diante do espelho do quarto para então vestir o pijama, e se perguntava por que ela se dava ao trabalho de vestir qualquer roupa, se ele a tiraria quando Juvia se deitasse ao seu lado.

Ele a via pentear o cabelo e pensava que era mesmo um cara muito sortudo por ter uma mulher como Juvia. Pensava que a amava, e que aquele amor não podia ser medido porque não havia nada no mundo capaz de medi-lo. Pensava que a vida era perfeita como estava, e que não havia nada mais que ele precisasse. Pensava que, um dia, eles teriam de voltar para a guilda e lutar outra vez, mas que, por enquanto, eles podiam apenas viver um dia após o outro. Simples assim.

E tudo o que ele queria agora era fazer amor com sua mulher.

Então puxou-a para a cama e Juvia sorriu.

E mais uma noite se foi.

Notas finais
Gostaram? Deixem um comentário. Recomendem. O shipper merece. Enfim, obrigada a quem leu. *-*~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!