When I Look At You
7 Socos, jantar e beijo
Notas iniciais
— Eu realmente espero que seja a primeira e última vez que você encosta nela desse jeito. Agora, largue a minha filha, Black! — Charlie grita potente e ameaçador. Jake me larga imediatamente.
— Senhor Swan, me desculpe, eu me descontrolei. — Jacob diz nervoso enquanto o meu pai termina de se aproximar. — Eu...
— Cale a boca e saia da minha casa, Jacob. Agora! — Meu pai rosna furioso. — Eu só não acabo com a sua raça moleque, por você ser filho de quem é. Billy e Rachel são pessoas importantes para mim. — Ele dá um passo e agarra Jake pela camisa. — Mas trate de nunca mais se dirigir à minha filha, ou eu vou esquecer quem são seus pais. — Meu pai solta Jacob, que está pálido de susto, e coloca a mão no seu peito. Ele arfa e cambaleia para trás.
— Pai?! — Eu digo me aproximando e ele se apoia em mim. — O que houve, pai?!
Ele respira fundo algumas vezes e se endireita.
— Nada, filha, estou bem. — Ele diz ofegante, alisando meu rosto preocupado. — Não se preocupe. — Ele desvia o olhar. — E você ainda faz o que aqui? — Ele exclama para Jake. Eu me viro possessa de raiva e o empurro.
— Sai daqui, idiota! — Eu grito. Jacob me olha e sai. Eu me viro de novo para o meu pai que se apoia na parede. — Pai, vem! Vamos entrar. — Eu digo e nós entramos em casa, onde meu pai senta na poltrona. Eu corro para a cozinha e trago um copo com água.
— Obrigado, filha! — Ele diz – Eu já estou melhor.
— Pai, acho melhor irmos ao hospital – Eu digo apreensiva. Ele realmente parece melhor, porém eu sei que esse mal estar não é raro, ele vem se sentindo mal às vezes, segundo Sam e Embry.
— Bella, eu estou bem! — Ele diz sério — Só fiquei irritado com aquele moleque. O que ele veio fazer aqui afinal? — Meu pai diz se levantando.
— Eu não sei, pai. Ele falou do Cullen, provavelmente é por causa da fofoca sobre ontem. — Eu digo dando de ombros.
— E o que aconteceu ontem. Exatamente? — Meu pai pergunta enfático.
— Nós fomos ao Your Song, pai! — Eu digo, abismada do meu pai achar que realmente aconteceu algo. — Bebemos e dançamos. Os Hale estavam lá também. O senhor sabe que isso é suficiente para inventarem coisas. Eu vim de carona com o Edward e só. — Digo irritada.
— Desculpe filha, eu sei. — Ele diz passando a mão no cabelo.
— Mas agora o senhor vai me dizer o que andam falando por aí, pois para o Jacob chegar aqui desse jeito... — Eu digo séria e ele suspira.
— Disseram que você está ficando com o Edward. Viram vocês dois saindo juntos no fim da noite... — Meu pai diz
— E provavelmente disseram que eu já esquentei a cama dele, né? — Eu digo furiosa — Eu mato quem falou isso!
— Filha, acalme-se! — Meu pai diz e me abraça — Não foi só com você. — Eu o encaro – Falaram da Rose com o Emmett.
— Quer saber, tô de saco cheio dessa gente! — Eu digo. — Vem, vamos almoçar!
E assim o nosso dia segue tranquilo. No fim da tarde, eu ligo para Rose para falar sobre as fofocas e juntas xingamos todos os fofoqueiros do condado. Mas também ouço um relato quente de minha amiga sobre como foi o fim de sua noite com Emmett. Safadinhos!
— Pelo menos, a sua fofoca tem um fundo de verdade, Rose. — Eu digo – eu e Edward não temos nada...
— Bom, mas vocês tem uma química, deu para ver ontem na dança..
— Não viaja, Rose. Ele é tão arrogante e metido. Nem tem como rolar algo entre nós. — Eu digo e nessa hora, meu pai aparece na porta.
— Filha, tem uma visita para você — Ele diz com uma cara estranha.
Visita essa hora? Já estava anoitecendo.
— Rose, vou desligar. Nos falamos depois – Eu digo para a minha amiga e largo o celular em cima do meu livro.
Ao chegar na sala, eu fico surpresa. Nada mais, nada menos do que Edward Cullen.
— Edward? — Eu digo confusa – Tudo bem? — Eu me aproximo.
Ele está com uma roupa mais formal, acho que estava no hospital. Camisa social azul escura, calça preta e um casaco cinza. Ele é sempre tão arrumado e bonito! Eu olho de relance para mim mesma. Uma camiseta branca, uma camisa xadrez amarela e jeans. Totalmente caipira. E a maluca da Rose ainda diz que temos química. Eu reviro os olhos com o pensamento.
— Oi Bella! — Ele diz se levantado do sofá e acenando para mim. Ele me dá um sorriso meio sem jeito e passa a mão pelo cabelo já bagunçado. Por que ele está nervoso?— Eu preciso falar com você. Desculpe vir assim sem avisar.
Eu olho ao redor e vejo que meu pai não nos acompanha na conversa. Estranho. Ele provavelmente já deve saber do se trata. Eu me sento no sofá e Edward volta a sentar também, ficando ao meu lado.
— Tudo bem. Hum... pode começar então. — Eu digo.
— Bella, eu tive um dia muito interessante hoje. — Ele diz se recostando um pouco, porém sem deixar de me olhar. — Eu já esperava que foi ser um pouco assim, já que foi o meu primeiro dia de trabalho mesmo no hospital. Porém, foi muito além do que eu esperava e acho que você deve ter ideia do porquê. — Ele diz e sorri torto.
Claro, as fofocas chegaram até ele. Eu suspiro.
— Olha Edward, sei que você não deve estar acostumado com isso, mas é como eu falei ontem no almoço. O povo daqui fala de tudo e de todos. E ainda mais por vocês serem novos aqui...
— Eu sei Bella. Tudo isso é fofoca, até porque eu sei que não aconteceu nada ontem entre mim e você. — Ele começa e se aproxima um pouco de mim – Mas veja bem, o pessoal aqui pega pesado. Já falam em bebês e casamento, sabe – Eu arregalo os olhos – Confesso que eu até achei graça.
Ambos sorrimos.
— Eu não acho, esse povo é louco. — Eu digo.
— Bom, até o fim do dia, eu estava até achando graça realmente. Até porque também falaram sobre os meus irmãos e os Hale. — Ele diz. Depois hesita um pouco antes de retomar — Porém, em um determinado momento, tudo isso perdeu totalmente a graça. — Seu tom fica sério e nossos olhares se prendem um no outro. Uma hipnose perfeita.
— O que aconteceu? — Eu desvio de seu olhar sedutor.
— Jacob Black foi ao hospital e me deu um soco. — Edward diz e eu arfo. Céus!
— Como é? — Eu não contenho a exclamação e encaro seu rosto procurando sinais da violência. De fato, há um avermelhado na lateral esquerda de seu rosto.
— Ele me mandou ficar longe da mulher dele e partiu para cima de mim. Por sorte, tenho um bom reflexo, tive minha cota de confusão no ensino médio sabe, e tenho Emmett como irmão. — Ele diz com um sorriso debochado.
— Meu Deus, Edward! — Eu digo me aproximando automaticamente dele — Você está bem?
— Estou bem, Bella. Não se preocupe. — Ele diz — não posso dizer o mesmo de Jacob. — Ele sorri malicioso.
— Como assim? — Eu franzo o cenho.
— Bom, eu não podia simplesmente deixar ele entrar no meu local de trabalho e me acusar de algo que eu não fiz e não fazer nada né mesmo? — Ele diz – digamos, apenas, que ele agora sabe que não pode mexer comigo e ficar por isso mesmo.
— Se você diz – Digo dando de ombros. — Só me deixe feliz dizendo que deixou uma marca nele também.
— Várias! — Ele diz sorrindo e eu sorrio junto.
— Ótimo! Ele veio aqui em casa também, na hora do almoço. Meu pai ficou possesso, até passou mal. — Eu digo sem perceber.
— Passou mal? — Edward pergunta visivelmente preocupado. Eu suspiro e assinto.
— Sim, uma dor forte no peito. Estou preocupada com ele, pois não é a primeira vez e ele não se cuida. — Eu digo e Edward ri de lado. — O que foi?
— Você faz um biquinho adorável quando está chateada. — Ele diz e eu percebo que estamos perigosamente próximos. Tanto que consigo sentir seu cheiro adocicado. Eu coro de leve pelo comentário dele. — E este tom rosado de sua pele é adoravelmente sedutor. — Ele diz olhando fixamente para os meus lábios. Seu hálito me atingi e eu fico inebriada pelo cheio doce.
Morangos, eu penso.
— Meu doce favorito... — Ele diz baixo, denunciando que eu pensei alto
Ele está cada vez mais perto... perto demais...
Oh Meu Deus!
— Edward, janta conosco? — Meu pai pergunta surgindo do nada, fazendo tanto eu quanto Edward pularmos em nossos lugares. Eu coro violentamente.
Caramba, pai, a gente ia se beijar! Suspiro.
— Eu não quero incomodar, sr Swan. — Edward diz se recuperando mais rápido do que eu.
— É um prazer, não um incomodo. Pode ser filha? — Charlie me pergunta erguendo uma sobrancelha.
— Claro, pai. Tem comida de sobra. — Eu digo – Quero dizer, vai ser bom tê-lo conosco Edward, fique! — Eu me viro para Edward e o encaro envergonhada. Ele não está melhor do que eu.
— Se é assim, será um prazer! — Ele diz e sorri.
— Então eu vou preparar a mesa. — Eu digo e me levanto, doida para sair dali. — Daqui a pouco eu chamo vocês.
E então eu praticamente corro para a cozinha. Chegando lá eu respiro fundo e tento colocar minha cabeça em ordem. E o meu corpo também. O que foi aquilo??
A química que Rose tanto fala, minha mente acusa.
Não, foi só um momento, digo espantando o pensamento.
Foco no jantar, Bella!
Quando a carne está borbulhando no fogão, o arroz bem sequinho e a salada pronta, eu chamo meu pai e nosso convidado para a mesa. Eu tinha ficado na dúvida, mas acabei deixando a mesa na área externa posta. É uma noite linda de primavera e o clima está agradável.
O jantar é agradável e engraçado. Meu pai nos diverte contando aventuras de sua juventude junto com Carlisle e Edward adora saber as travessuras de seu pai na adolescência. Conversamos um pouco sobre tudo e sobre nada. Ofereço uma de nossas compotas para Edward experimentar com sobremesa, e apesar de satisfeito ele prova um pouco.
— Nossa, isso é divino! — Ele exclama sincero. — Parabéns Bella!
— Obrigada – Digo, levemente corada. — Leve um pote para sua família. Ontem meu pai esqueceu de entregar a seus pais.
— Minha mãe vai adorar! — Ele diz. — Acho que devo ir. Agradeço, mais uma vez, pelo jantar e me desculpem pelo incomodo.
— Fique tranquilo rapaz! Nós adoramos receber visitas. Fique à vontade para vir sempre que quiser. — Meu pai diz e todos nos levantamos. Meu pai, porém, parece meio desconfortável e seu semblante é de dor. De novo?!
— Pai! Pai! — Eu exclamo quando ele cai sentado de volta em sua cadeira. Eu e Edward avançamos para ele que leva a mão ao peito.
— Está tudo bem, filha. — Ele diz ofegante – Foi somente uma pontada, acho que exagerei no prato – Ele diz com um sorriso fraco.
— Sr Swan, permita-me examiná-lo o senhor está pálido. — Edward diz num tom completamente profissional e se não fosse o meu pai o paciente, com certeza, eu ficaria admirando a sua postura como médico. — Bella, você pode pegar a minha pasta lá no carro? Está no banco traseiro, atrás do motorista. — Eu assinto, pegando a chave que ele me oferece e disparo para o carro.
Enquanto eu pego a maleta, fico pensando no porquê Edward mesmo não veio buscar seu material. Minha mente estala, ele queria sondar o meu pai sem a minha presença, é óbvio.
— Aqui! — Eu digo, lhe entregando a bolsa. Ele agradece com um sorriso e começa a examinar o meu pai que aparenta estar melhor.
Depois de um tempo, Edward diz que meu pai está bem, mas que serão necessários exames mais detalhados, sugerindo um check up completo. Eu fuzilo meu pai com o olhar e ele dá de ombros.
— Se não se sentir a vontade comigo, acredito que meu pai possa te atender. — Edward diz guardando seu material. — Mas, por favor, faça esses exames assim que puder. Apesar de forte, o senhor não é mais tão jovem.
— Eu digo isso todo dia, Edward, mas ele não me escuta. — Eu digo – Ele está bem mesmo? — Pergunto, pousando minha mão no ombro de meu pai. Edward assente e sorri, isso me tranquiliza um pouco. — Bom, então acho melhor o senhor subir e descansar, pai.
Meu pai se despede de Edward e vai para o seu quarto. Não discutir comigo não é um bom sinal, eu penso. Edward se oferece para me ajudar a retirar a mesa e fazemos o trabalho conversando sobre como ele deixou o rosto de Jacob marcado com três socos certeiros.
— Bom, mais uma vez, obrigado pelo jantar. Estava maravilhoso. — Ele diz quando chegamos ao terraço. Ele já está de saída, após termos tomado um café juntos.
— De nada, volte sempre. — Eu digo levemente ruborizada. — Obrigada por ajudar com meu pai. Eu entendi que eu estava nervosa demais na situação.
— Não se culpe, é normal, é o seu pai. Mesmo sendo médico, também ficaria nervoso se meu pai passasse mal em minha frente. — Edward diz e coloca uma mecha rebelde de meu cabelo atrás de minha orelha — Você não precisa ser forte o tempo todo.
— Eu sei. — Suspiro – É que ele é tudo que eu tenho, Edward.
— Vai ficar tudo bem, eu prometo que vou ajudar. — Edward diz e se aproxima um pouco. Sua mão desce de minha orelha para meu ombro e me faz um carinho gentil. Ergo meu olhar para o dele.
— Obrigada. — Digo – Afinal, o que você veio fazer aqui hoje Edward?
— Toda essa confusão com o Jacob me fez vir até aqui. Queria te ver. — Ele diz sem filtro algum. Sua mão agora escorrega pelo meu braço e toca a minha mão. — Bella... eu não sei você, mas tem algo que quero fazer a algum tempo. — Ele diz baixo com o olhar fixo em meus lábios.
— E o que te impede? — Eu digo num sussurro. Ele deixa a minha mão e segura a lateral de minha cintura suavemente. Se inclinando um pouco para frente, ele captura meus lábios num beijo úmido.
Nosso primeiro beijo.
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