When I Look At You
2 Primeira vista
Notas iniciais
— Bom dia Princesa! – Eu digo alisando o dorso do animal a minha frente. – Como estamos hoje?
A vaca faz um som e balança o focinho levemente. Eu sorrio.
— Hum, parece que estamos muito bem! – Eu comento e pego o meu banquinho para começar a minha primeira atividade do dia. Eu ordenho a vaca cantarolando uma canção qualquer. Princesa adora uma música. Quando o pequeno balde já está com a quantidade necessária, eu desamarro as patas traseiras e retiro o banquinho dali.
— Pronto, Princesa. Muito obrigada! – Eu faço mais um carinho nela e saio da baía.
Eu vou caminhando animadamente pela trilha de pedras, do estábulo para o galinheiro, carregando o balde cheio de leite fresco. Os primeiros e fracos raios de sol começam a despontar para mais um lindo dia. Recolho os seis ovos habituais e caminho para minha casa, indo pelo fundo.
Na cozinha, eu começo a ajeitar o café da manhã. Separo o leite em duas partes e reservo uma para fazer queijo enquanto fervo a outra. A água do café já está fervendo e eu o finalizo. O cheiro preenche o ambiente inteiro. O melhor cheiro do mundo.
Eu começo a arrumar a pequena mesa do quintal. Corto fatias de pão, ponho geléias e manteiga sobre a mesa, junto com o café fumegante e o leite quente. Algumas frutas e biscoitos. E é claro, o queijo do papai. Ai de mim se não colocar este queijo ao alcance dele.
— Pai, tá pronto! — Eu grito da cozinha enquanto retiro o avental. O relógio aponta 6h e eu ajeito o meu vestido florido e solto o coque mal feito que há em meu cabelo.
— Filhota, bom dia! — Charlie diz entrado na cozinha e respira fundo – Ah! Eu já disse que o seu café tem o melhor cheiro do mundo? — Ele diz sorrindo e eu coro levemente.
— Já, mas adoro ouvir isso todo dia! — Eu respondo e nós vamos juntos para a mesa. — Que horas vamos sair? — Meu pai senta na ponta e me fita, reparando em minha roupa.
— Assim que Embry e Sam chegarem para tomar conta das coisas. — Ele diz pegando uma fatia de pão. — Nem acredito que Carlisle está voltando para nós! — Ele exclama. Eu sorrio para a felicidade que há em meu pai.
Carlisle Cullen cresceu aqui e foi um grande amigo de infância do meu pai. A família Cullen acabou tendo que se mudar quando eles eram adolescentes, porém eles continuaram amigo e sempre partilhavam suas conquistas. Pelo que meu pai me contou, Carlisle é um grande médico, é casado e tem 3 filhos já adultos. Ele está voltando para a nossa cidade para assumir a direção do nosso hospital municipal. Seus filhos também seguiram carreira médica e estão vindo para a cidade também.
— Você está tão feliz, pai. Tem tempo que não te vejo sorrir assim. — Eu digo e tomo um gole de café. — Estou ansiosa para conhecer seu amigo e a família dele. Devem estar bem diferentes do que na foto.
— Ah com certeza, aquela foto tem uns 10 anos. — ele diz cortado uma grande fatia de queijo
— Pai! Já disse que o senhor tem que maneirar. Seu coração não é mais tão novo assim! — Eu digo cortando metade do pedaço do queijo que ele pôs em seu prato.
— Nada derruba esse velho aqui filha! — Ele diz batendo no peito. De fato, Charlie parece ser forte devido ao seu porte físico, porém ela sabe que o pai anda sentindo umas dores fortes e esconde dela.
— Se o senhor diz. Mas acho que devia aproveitar esse seu amigo e marcar umas consultas de rotina. O que me diz? — Eu digo comendo um pedaço de mamão.
— Bella, eu estou ótimo! Nunca estive melhor! — Ele diz meio irritado. — Acho melhor adiantarmos, quero pegar a cerimônia desde o começo. Eu assinto suspirando. Ele sempre foge dos médicos.
Nós terminamos o nosso café e eu retiro a mesa enquanto meu pai vai dar ordens aos meninos, Embry e Sam. Sam tem 24 anos, é casado com Emily e tem uma bebê de 1 ano. Ele nos ajuda com os animais de porte grande, como os cavalos, porcos e bois. Não temos muitos animais pois é apenas um sítio, mas conseguimos uma boa renda com eles. Embry é cunhado dele, irmão de Emily, e tem 22 anos. Ele nos ajuda com a terra pois temos uma grande horta e um pomar. Eu cuido também dessa parte, além da casa e do meu pai.
Meus pais se separaram quando eu tinha 6 anos. Basicamente, minha mãe largou o meu pai porque ‘não nasceu para ser caipira’. Minha mãe queria ter ido para a faculdade e morar numa cidade grande, porém eu fui concebida no dia do baile de formatura dela. Eles tiveram que se casar e ela nunca realizou seu sonho.
Meu pai sempre a amou, mas do jeito dele. Mas minha mãe ficou frustrada com o tempo e quando não aguentou mais, ela foi embora. Eu fiquei com meu pai e quando eu tinha 13 anos ela voltou querendo me levar com ela. Mas eu não quis. Desde então são só eu e meu pai. Hoje ela está casada com um jogador de Baseball aposentado, na vida boa que sempre sonhou.
Eu escovo meu longo cabelo castanho para deixá-lo mais arrumado. Eu me encaro pelo espelho e suspiro. Eu sou tão simples, tão comum. Sou baixa, magra, porém com músculos firmes devido ao trabalho pesado. Meu rosto não tem muitos atrativos, traços finos e pequenos e olhos castanhos claros. Meu cabelo é bem longo, rebelde e ondulado. Por conta disso, quase sempre ele está numa longa trança ou num coque. Eu pretendia deixá-lo solto para ir na cidade, porém o vento da estrada pode piorar ainda mais a situação dele. Então faço uma trança lateral bem arrumada.
Olho o meu corpo pelo espelho e ajeito o laço na minha cintura. Este é um dos meus melhores vestidos. Ele tem um fundo branco e estampa de flores num tom azul. É de mangas curtas e vai até meus joelhos. Nos pés eu coloco minha melhor bota, que tem um pequeno salto. Eu passo o lápis e um batom claro, o máximo de maquiagem que eu me permito.
— Estou pronta pai. — Eu digo no terraço. Meu pai está falando com os rapazes.
— Você está linda, minha filha! — Ele exclama e eu coro. — Não saia de perto de mim, não quero ninguém se engraçando com você.
— Só se for para o Jake acabar com o sujeito. — Embry diz e todos riem.
— Jacob é um idiota. Nós não somos namorados. — Eu digo chateada – Vamos logo, pai! — Eu me encaminho para a caminhonete.
Eu geralmente não vou muito na cidade, pois Embry e Sam é que fazem as nossas entregas e a maior parte do que consumimos é do nosso sítio mesmo. Mas hoje estamos indo para um evento importante. Haverá uma cerimônia para anunciar Carlisle como diretor do Hospital Municipal de Joilet. Como nosso sítio fica em Preston Height, área distrital do Condado de Will, Joilet é a nossa cidade de referência. Tanto que boa parte dos nossos produtos são vendidos lá.
Joilet é uma cidade grande, a quarta maior do estado de Illinóis. Meu pai diz que ela cresceu muito nos últimos 15 anos, principalmente. Eu particularmente a acho enorme, até porque foi o mais longe de casa que eu já consegui ir. Minha mãe tentou me levar para passar alguns verões com ela no Arizona, mas eu nunca quis ir.
Ao chegarmos no hospital, nos juntamos à movimentação numa área reservada do estacionamento. Avistei por ali o Jacob Black. Jacob é filho de um grande amigo de meu pai e nos conhecemos desde sempre. Ele tem uma prima, Leah e uma irmã, Vanessa, que eu chamo de Nessie. Leah não é muito minha fã, mas Nessie é uma grande amiga, apesar de ser muito 'pra frente'. O prefeito aparece e dá inicio ao seu discurso em que todos se concentram. Depois, ele anuncia o novo diretor e o convida ao microfone. O senhor loiro de meia idade e muito bonito toma a palavra. Eu observo meu pai fitá-lo com um olhar de orgulho.
Quando a cerimônia se encerra Charlie me reboca para o salão de recepção. Lá, ele me leva até seu amigo e sua família. Mas antes de qualquer coisa eles trocam o abraço mais comprido e carinhoso que eu já vi o meu pai trocar com alguém que não seja eu.
— Charlie! — O senhor exclama.
— Carl! — Meu pai diz sorrindo.
— Carl? — Três vozes exclamam ali perto. E todos riem. Eles se separam.
— Sim, era assim que eu era chamado na escola. Quando essa cidade ainda era um ovo! — Carlisle explica aos filhos e esposa. — Charlie, essa é minha esposa, Esme. A única que sabe de todos os meus segredos. — Ele apresenta uma linda mulher ao meu pai. Ela tem os cabelos acobreados num tom escuro e olho verdes claros. Ela me pareceu muito jovem para ter três filhos adultos.
— Todos? Inclusive sobre aquela vez... — O meu pai começa e Carlisle pigarreia corado.
— Charlie... maneira de dizer, né mesmo? — Ele diz e todos riem.
— Claro! — Meu pai pega a mão de Esme e beija o dorso. — É um prazer enfim conhecê-la.
— É muito bom conhecer alguém que pode me dizer como era o Carlisle na juventude, pois eu já o conheci como um velho num corpo jovem. — Ela diz e o som de sua voz me traz uma enorme paz. Senti que nos daríamos muito bem.
— Sinto em dizer que ele nasceu assim! — Meu pai responde alegre. Era muito raro vê-lo assim e eu estava muito feliz com isso.
— E estes são os nossos filhos. — Carlisle diz e cada um se aproxima à menção de seu nome. — Alice minha caçula. Emmett, o mais velho. E Edward, o do meio.
— Nossa, estão bem diferentes daquela foto. Também, tem uns 10 anos aquilo. — Meu pai comenta. — Sejam bem vindos à Joliet. Espero que sejam felizes enquanto estiverem conosco. Você tem uma linda família, Carl!
Meu pai aperta a mão de cada um deles.
— Esta aqui é a minha filha única, Isabella. — Meu pai me apresenta e eu reviro os olhos.
— É Bella, pai! — Eu digo baixo, mas todos escutam. Eu coro levemente.
— Que menina graciosa! — Esme é a primeira a falar.
— Sejam bem vindos! — Eu digo tímida. Todos sorriem para mim e ao me aproximar para cumprimentá-los, meus olhos se cruzam com os de Edward. Fico ali uma fração a mais de segundo. Que cara lindo!
— Charlie, você tem uma filha adolescente? Achei que ela fosse mais velha. — Carlisle diz —
— Adolescente? — Charlie ri – Bella tem 20 anos.
— Nossa, parece uma menina! — Esme exclama
— Vai mudar de opinião quando ver Bella competindo. — Charlie diz — Não quero me gabar, mas ela vale por dois filhos... homens!
— Pai! — Eu digo corando até a alma.
O tal de Edward ri debochado com o irmão mais velho. Aquilo me irrita.
— Competindo? — Edward pergunta.
— Não acredito que Bella compete! — Carlisle exclama olhando de mim para o meu pai – Ela é só uma menina, Charlie! — Ele balança a cabeça.
— Pois Bella não só compete como é a atual campeã da categoria dela. — Charlie exclama orgulhoso e Carlisle arregala os olhos admirado e preocupado. Eu coro novamente.
— Isso é admirável! — Ele me parabeniza. — Realmente admirável.
— Afinal, que super competição é essa? — Edward com desdém e eu cerro os punhos. Quem ele pensa que é?
— Eu sou peoa de rodeio. Amadora. — Eu digo cravando o meu olhar naqueles olhos verdes água. Por um momento pareceu só existir nós dois ali. Eu o vejo vacilar com minha declaração.
— Uau! — Alice exclama. — Que coragem. Eu achava que
— Que somente homens competem? — Eu digo me recompondo e desdenhando. — Existem várias categorias, inclusive mirim e feminina. Participo desde os 16 anos.
— Eu jamais iria imaginar! — Edward exclama atônito e me olha de baixo para cima com... desejo?
— Normal, não ia esperar que você fosse saber disso. — Eu respondo seca olhando em seus olhos.
Há uma certa tensão entre nós. Eu nunca vi esse cara, porque estou reagindo dessa forma a ele? Eu me pergunto confusa. O que sei é que este par de olhos claros me atraem como um imã. Ele sorri torto e aquilo provoca diversas sensações em mim, porém o que eu não esperava era que um súbito desejo de lhe beijar os lábios me tomasse.
Céus, o que há comigo?
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