When I Look At You
15 Insuficiente
Notas iniciais
— Droga! – Eu exclamo sentindo a raiva e saudade apertarem meu peito. Eu amasso levemente a nota promissória em minha mão – Maldito Black!
Eu me levanto da cadeira alta do escritório de papai e vou até a janela. Olho novamente para a mesa. Tudo está organizado, graças a Deus. Demorou, mas consegui por tudo em ordem. Meu celular toda e no visor vejo o nome de Edward. Outra mensagem. Suspiro, pego meu chapéu e saio para o pomar.
As últimas 4 semanas foram intensas. Sinto falta de papai todos os dias.
No primeiro dia, eu chorei o dia inteiro. O cheiro dele, as coisas dele... tudo me fazia chorar. Edward ficou aquele primeiro dia todo comigo e o segundo também. Depois ele teve que voltar ao trabalho e aquilo meio que me fez despertar e entender que a vida continua.
Voltei às minhas atividades diárias aos poucos, com Sam e Embry me ajudando muito a organizar tudo. Rose veio passar uns dias comigo e foi ela quem me ajudou a arrumar as coisas de papai uma semana depois. Separei algumas peças e objetos, mantive guardado em seu quarto e o resto entregamos à doação.
No primeiro fim de semana, fiquei com os Cullens. Edward me levou ao cinema e jantar. Um encontro incrível. Ele tem sido compreensivo e carinhoso como nunca. Além disso, ele tem se disposto a ajudar em tudo que pode. Em alguns dias vi seu pai reclamar com ele sobre alguns atrasos no hospital e sei que é por minha culpa.
Na segunda semana, ele encasquetou em me ajudar diretamente na gestão do Rainbow, já que eu estava verificando toda a contabilidade para ver as medidas a serem feitas sobre o pagamento da dívida. Na parte administrativa ele se saiu muito bem, mas ali eu também sou muito boa. Mas na parte prática, na lida do campo, realmente, não é para ele. Eu agradeci sua boa vontade, mas pedi que ele ficasse comigo na administração mesmo.
Se ele se ofendeu, disfarçou muito bem. Mas depois comecei a ver um olhar meio magoado toda vez que eu pedia para Sam ou Embry executarem algo para mim, principalmente coisas que daria para ele fazer. Mas ele nunca reclamou, nem ao menos questionou. Porém com isso, o nosso namoro esfriou muito. Ouso dizer que congelou.
Os Cullens tentaram mais uma vez, sem sucesso, me oferecer dinheiro para a dívida. Até os Hale tentaram, Mas eu fui irredutível. É o nosso orgulho, nossa terra, somos nós, os Swan que deve resgatá-la. Ao pensar nisso meu peito se aperta, porque agora os Swan é somente eu. Bella Swan.
Resolvo mudar a rota e vou até o jazigo da família, numa área reservada do sítio. Venho ali pelo menos umas 3 vezes na semana, seja para desabafar ou para brigar com papai. Ou por ele ter feito essa dívida estúpida ou por ele ter me deixado aqui sozinha. Eu olho a lápide mais nova de todas ali e sorrio.
— Ah papai... que saudade!
Converso um pouco ali, mas logo me movimento para voltar. As coisas precisam acontecer e eu não posso me entregar a dor como na primeira semana. Porque eu tenho que pagar essa dívida, não há outro jeito. Agora que meu pai está enterrado aqui eu nunca vou permitir que essas terras sejam de Billy Black.
Quando chego no pomar, encontro Embry ajeitando algumas coisas para a colheita que se aproxima.
— Tarde, Bella!
— Tarde, Embry! – Eu respondo — Tudo certo?
— Tudo, eu terminei essa área, mas tem uns ali que precisa dar uma olhada na raiz. Acho que tem umas ervas nascendo...
— Beleza, eu olho. Sam já voltou da cidade?
— Ainda não. – Ele diz – Vou ver os cavalos. – Ele fala e vai após meu aceno.
Eu gasto bem uma meia hora cuidando as árvores ali e sinto alguém se aproximar. Quando me levanto, levo um pequeno susto ao ver Edward parado bem próximo a mim. Faz dias que não o vejo, ele entrou numa sequência de plantões seguidos que não nos possibilitou nem um jantar sequer. Seu semblante está cansado, posso apostar que ele veio direto do trabalho e o dia foi bem puxado por lá.
— Emergência hoje? – Eu pergunto
— 6 cirurgias. 2 mortes. – Ele fala tenso já que detesta perder pacientes na mesa de cirurgia. – Você me ignorou.
— Edward...
— Bella, o que eu fiz? – Ele dá um passo para mais perto e vejo algo mais em seu olhar. Dor. Aquilo me incomodou, mas eu não sabia o que fazer.
— O que quer que eu diga, Edward? – Eu digo incisiva – Eu não tive tempo para te responder...
— Em 2 semanas? – Seu tom ácido é como um tapa para mim.
— Eu...
— Por que está me afastando de você, Bella? – Ele fala devagar, mas seu olhar está cravado em mim, ele não quer perder a minha reação.
— Edward...
Ele dá mais um passo, ficamos frente a frente, a poucos centímetros.
— Bella, por favor, não me tire da sua vida! – Ele fala subindo sua mão pelos meus braços descoberto, já que eu estou de regata.
— Eu tenho algo grande para resolver Edward – Digo impaciente.
— Eu quero te ajudar, Bella!
— Você não percebe que você não serve? – Eu me arrependo assim que a última palavra sai. Eu olhar é magoado e dolorido. – Edward, eu...
Ele dá um passo para trás e eu logo sinto falta do toque de sua mão.
— Eu não quis dizer isso, Edward, eu...
— Você quis sim, Bella. Eu não sou o que você quer. – Ele responde e seu tom é tão sem emoção que me assusta.
— Edward, eu sei que sua família e você querem me ajudar com dinheiro, mas não é o certo. – Eu digo e me percebo ofegante. – Eu tenho que fazer esse dinheiro e pagar os Black.
— E eu não sirvo para te ajudar nisso. – ele fala seco – Entendi.
— Não é isso... – Eu digo meio desesperada quando o vejo dar mais dois passos para longe.
— Eu tenho tentado por um mês ser tudo que você precisa Bella, te ajudar de todas as formas. – Ele fala – Eu estava organizando todos os meus horários e tenho feito hora extra para poder te ajudar mais ainda durante a colheita. Sei que não sou o fazendeiro raiz com quem você adoraria se casar, mas eu sou bom em aprender!
— Edward...
— Eu te dei espaço, não forcei nada, te deixei viver seu processo de luto, segurei sua mão. Você recusou o meu dinheiro e eu entendi, tentei te ajudar com trabalho – Ele me olha profundamente – Eu te amo, Bella, mas meu amor não é suficiente para você.
— Não, Edward! Eu...
— Você...
O peso das verdades das palavras dele pairam sobre mim. Era exatamente isso que eu estava fazendo, eu o estava afastando. Mas porquê? Eu não sei como sair disso, estou entorpecida. Ele dá o sorriso mais triste que já vi na vida.
— Eu atendi uma mulher chamada Anne Duckson hoje. – Ele fala – Fraturou a tíbia e dois ossos do pulso treinando. Achei que você gostaria de saber.
— Por que eu iria gostar de saber de uma coisas assim? – Eu devolvo indignada, mas ele não me responde. Ele só continua me olhando e ergue levemente uma sobrancelha.
Neste momento, eu sinto que já ouvi este nome. Anne Duckson...
Um display vem fresco em minha memória. O resultado final do rodeio.
1º Leah Clearwater
2º Heidi Steel
3º Suzan Scott
4º Anne Duckson
Bella Swan brilha em quinto lugar no display. Um décimo de segundo atrás do terceiro e quarto lugar. Era só mais um segundo e eu teria me classificado.
Se Anne se machucou... Eu sou a próxima classificada automaticamente.
— O treinador dela falou com a organização hoje, acredito que eles devam te procurar amanhã. – Ele fala ainda num tom triste, me olha por alguns instantes — Até mais, Bella! – Ele diz, se vira de costas para mim e vai embora.
Meu corpo faz duas tentativas de se mover, minha boca, três de falar algo. Mas nada acontece.
E eu deixo partir a única pessoa que havia me restado.
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