When I Look At You
6 Fofoca
Notas iniciais
A batida da música latina coordenava nossos movimentos. Nada era dito, mas nossos olhares não se largavam. Quando a música acabou, um sorriso torto brincava em seus lábios. Sua mão, ainda em minha cintura, emanava calor para o meu corpo através do pedaço de pele que minha regata deixava exposto por ter subido um pouco. Ele faz uma leve pressão antes de retirar a sua mão dali e pisca para mim. Ele tá flertando comigo?
OMG!
— Uau! Nunca pensei que estaríamos nos divertindo tanto. — Alice exclama se abanando. Percebo que Jasper ainda está bem próximo a ela.
— Nem me fale... — Rose diz e olha sugestiva para Emmett – Hoje, aqui, está muito bom mesmo!
— Sou obrigado a concordar, não pensei que aqui fosse existir um lugar tão legal. — Edward diz e nosso olhar se cruza.
— Vamos pegar uma bebida? — Eu pergunto desviando o olhar do dele. Eu ainda não sei bem o que ele pretende e nem como reagir com ele. Todos nós vamos para o balcão.
A noite segue tranquila. Nós voltamos para a pista de dança e era nítida a atração entre Rose e Emmett. Eles, inclusive, a certa altura, resolveram tomar um ar juntos do lado de fora. Sozinhos.
Neste momento, eu resolvi pegar outra bebida para mim, mas antes fui ao banheiro e Alice veio comigo. Na volta, nós encontramos Jasper encostado no balcão conversando com Lauren, ou tentando se livrar dela pela cara dele. A Lauren é muito vadia mesmo, a pouco estava tentando chegar no Edward, agora já está em cima do Jasper. Mas a culpa é dele de dar ousadia.
Alice ofega e passa que nem foguete por mim indo até eles. Eu fico de longe olhando a cena abismada com a ousadia da novata. Ela chega pelo outro lado de Jasper e enlaça o seu pescoço, Jasper se surpreende, mas logo se recompõe e sorri. Ela diz algo e ele sorri mais ainda, segurando a sua cintura. Alice acena para uma Lauren chocada e possessa e os dois saem dali.
Meu riso sai fácil enquanto começo a me encaminhar de encontro aos meus amigos que estão indo para a pista. Ao me aproximar, eu observo que Edward está dançando com uma garota. A garota está flertando a olhos vistos com ele, fazendo o máximo para se esfregar nele ao ritmo da música que toca. O descarado tem uma das mãos na cintura da loira e parece estar adorando o tipo de atenção que recebe. Eu sinto meu sangue ferver e minha boca secar.
Mas que merda é essa?
E o que eu tenho a ver com isso?
Eu giro nos meus calcanhares e dou as costas à cena, indo para o balcão. Eu fico ali, evitando olhar para a pista e ver Edward e a loira burra da Tânia dançando e flertando. Por que eu estou com tanta raiva afinal? Era de se esperar que ele não terminasse a noite sozinho, pois além de ser a ‘novidade’ é lindo e charmoso como o inferno, além de rico. Aposto como tem uma fila de garotas por aí esperando para ter a sua vez com ele. Merda! Eu viro a cerveja inteira de uma vez.
— Bella, tá tudo bem? — Sua voz chega primeiro que sua presença. Edward! Eu sinto a raiva me dominar a ouvir seu tom descontraído.
— Estou ótima! Por que não estaria? — Eu digo irônica e ele arqueia a sobrancelha para o meu tom.
— Estou percebendo... — Ele diz — Não quer mais dançar? — Ela faz menção de se aproximar, mas trava com o meu olhar.
— Não, a pista está cheia demais. — Eu digo e coloco a garrafa sobre o balcão. — Quer saber? — Eu digo ácida. — Eu tenho que ir, amanhã o meu dia começa antes do sol nascer. Diz pro pessoal que eu já fui! — Eu digo e o deixo para trás.
Homens!
Pago a minha comanda e saio para a noite fria. Um arrepio percorre todo o meu corpo e eu me xingo mentalmente por ter vindo de saia e não de calça. Eu abraço o meu corpo e vou andando para o estacionamento a procura do meu carro.
Merda!
— É eu achei que você fosse precisar de uma carona, já que veio conosco num carro só, lembra? — Edward diz bem atrás de mim e eu não preciso vê-lo para saber que há um sorriso torto em seus lábios. Eu engulo seco.
— Vem, vou te levar. — Ele diz e eu me viro para olhá-lo a contragosto.
— Vamos. – Digo curta e seca.
Seguimos então até o carro. Ele abre a porta pra mim, eu agradeço cm um meneio de cabeça, ele dá a volta e entra ao lado do motorista. Seguimos em completo silencio até chegar ao sítio. Ainda bem que o caminho é curto.
— Obrigada pela carona Edward, foi muito gentil de sua parte, sair no meio da sua diversão para me ajudar. — Digo virada para ele dentro do carro. — Deveria voltar para lá...
— A diversão já havia acabado! – diz ele olhando nos meus olhos.
— Hum... sei! – Balanço a cabeça.
Ele me olha por alguns segundos tentando decifrar o que eu disse. Ele solta uma lufada de ar, meio frustrado. Eu o olho, mas logo desvio.
— Preciso ir. – Aviso e me viro para descer do carro.
Porém, ele segura minha mão, me obrigando a encará-lo novamente.
— Muito obrigado, Bella! — Franzo o cenho.
— Pelo o que?
— Por nos acolher tão bem, pelo almoço mais cedo em sua casa e pela ida ao Your Song! Foi muita gentileza sua nos apresentar a seus amigos. – Responde.
Sorrio surpresa por sua sinceridade.
— Não se preocupe, foi um prazer! É bom ter gente nova por aqui.
Assentimos um para o outro.
— Boa noite Edward, tenha uma boa semana. – Digo e lhe dou um beijo na bochecha.
—Obrigado Bella, boa noite. – Me responde.
Então desço do carro e sigo para casa. Abro o portão e me viro para acenar um adeus. Ele faz uma curva e segue seu caminho.
Na manhã seguinte, o tom de anil antes do amanhecer preenche o céu quando desperto. Meu relógio biológico não se intimida com algumas cervejas, afinal. Tomo banho e logo estou vestida. Camiseta amarela de algodão, macacão jeans e botas. Prendendo meu longo cabelo numa trança lateral, eu desço para fazer o café da manhã.
Vou tirar leite da Princesa e pegar os ovos no galinheiro. De volta para o casarão, começo a preparar tudo. Fervo o leite, faço o café que meu pai tanto ama, frito os ovos. Vou arrumando a mesa, colocando o pão, o café, a manteiga, o leite quentinho, torradas, geléia e algumas frutas. E o bendito queijo de papai. Quando está tudo quase pronto, então vejo meu pai descendo as escadas.
— Bom dia filhota! — Sua voz grave preenche a cozinha.
— Bom dia pai, como o senhor está? – indago com um sorriso.
— Tudo ótimo1 E como foi à noite de ontem? Se divertiram bastante? Os meninos Cullens tomaram conta de você?
— Nada demais, nos divertimos bastante! – respondo. — E eu sei me cuidar sozinha, Sr Swan!
— Que ótimo! — Ele diz e começa a se servir. Eu o acompanho.
Depois que tomamos café, ele diz.
— Vou à cidade com Sam, preciso ver alguns clientes que querem aumentar os pedidos e ele vai levar as entregas! — Ele se levanta – Quer algo da cidade?
— Tudo bem, pai, não preciso de nada — digo.
Não demora muito para Embry e Sam aparecerem pela porta dos fundos.
— Bom dia Bella, bom dia Charlie! – Ambos dizem juntos.
— Bom dia Sam, Embry! Como estão? – pergunto – Como estão Emily e Claire?
— Bom dia rapazes! – Charlie fala.
— Estão bem, Claire resolveu que é independente e está enlouquecendo a Emily. A menina anda a casa inteira e já alcança coisas na bancada da cozinha.
— Ah que encanto, imagino os sustos que vocês levam. — Eu digo rindo.
— Bom, rapazes, vamos começar o trabalho. Vou à cidade com você Sam, cuide de tudo por aqui Embry. — Meu pai diz ajeitando o seu chapéu.
—Vamos! Tem muito que se fazer hoje! – diz Sam empolgado.
Charlie beija minha testa e sai.
— Tenham um bom dia! – aceno para eles.
Sigo para o celeiro com Embry e aproveito para cavalgar um pouco, enquanto ele escova os cavalos.
— Bom dia Chloe, como você está hoje? Pronta para dar uma volta comigo? – acaricio o seu pelo sorrindo. Minha égua é da raça Gypsy Vanner, meu pai a me deu quando eu tinha 10 anos. Desde então, compartilhamos muitas cavalgadas por essas terras. Ela é preta e branca, amável, dócil e muito inteligente. Tenho tanto amor por ela que nunca a levei para as competições, com medo de machucá-la. Para essas ocasiões, o meu companheiro é o Ryder, da mesma raça que a Chloe, porém completamente preto.
Relinchando, Chloe me responde alegre, então coloco a sela nela, aceno para Embry e saio para cavalgar.
Cavalgamos por um longo tempo pelo sitio. Ao voltar para o casarão, depois de deixar Chloe descansando no celeiro, observo que Charlie e Sam já de volta. Charlie logo entra e vai direto pro escritório da casa. Ele está chateado. Mas o que será que houve?! Vou até o Sam.
— O que houve? — Pergunto, e apesar dele entender o que estou falando, vejo que ele tenta disfarçar.
— A cidade inteira já sabe que os Cullens tiveram uma noite incrível no YourSong! — Ele diz dando de ombros.
Respiro fundo.
— Que merda inventaram agora Sam? — Eu digo tentando manter a calma. Ah esse povo fofoqueiro!
— Não sei os detalhes, mas tem a ver com você, porque nunca vi seu pai tão chateado por uma fofoca como dessa vez! — Sam diz sério. Suspiro.
Resolvo ir atrás de papai no escritório. Bato na porta.
— Pai, porque o senhor está ligando para o que esse povo fala?! Era de se imaginar, os Cullens são novos aqui...
— Não estou chateado por isso! Esse povo sempre fala da nossa vida, já estou acostumado! – ele diz. — Mas os coitados acabaram de chegar, esse povo nem esperou para conhecê-los. Eu não admito que eles falem coisas sem cabimento! – Ele exclama.
— Então, pelo quê, exatamente, está chateado? O que disseram dessa vez? Tem meu nome no meio, suponho. – Questiono séria.
Entreolhamo-nos por alguns segundos e ele suspira.
— Vamos deixar esse assunto pra lá, não liga pra esse povo! – ele diz por fim. Não mesmo, tem algo de errado!
Olhei pra ele cética. Ele me olha de volta.
— Você está certa, eu me irritei à toa, esse povo só fala o que não sabe! — Pausa — Tenho que ir checar as coisas os rapazes, até mais tarde — E então ele sai do escritório.
Tenho que descobrir o que aconteceu, mas por hora vou deixar pra lá. Começo a preparar o almoço, escolhendo fazer uma lasanha. Pego os ingredientes, coloco tudo na bancada e vou fazendo aos poucos. Ponho a massa para cozinhar e passo para o molho de tomate que eu faço na hora. Nada melhor do que um molho de tomate fresco. Então, quando está quase tudo pronto, ouço uma moto estacionando. Estranho, não estamos esperando ninguém para almoçar.
Corro para a varanda, assim que chego na frente da casa, me deparo com um Jacob muito puto. Seu cabelo comprido está revolto, provavelmente ele veio sem capacete. Sua expressão me arrepia. Ele sobe os degraus do terraço em frações de segundo. Então ele puxa meu braço e me ergue levemente do chão. Eu arfo pelo susto.
— Que porra está acontecendo entre você e o Cullen, Bella?
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