When I Look At You
14 Despedida
Notas iniciais
Nas ultimas 24h, eu compreendi porque Edward entrou na minha vida de forma tão rápida e tão profunda.
Eu não conseguiria está de pé se não fosse por ele.
Depois do rodeio de ontem, quando tudo aconteceu, eu não consegui fazer mais nada. Tudo era um borrão ao meu redor e nada me tirava do estado de choque. Edward me conduziu para fora dali e me levou para sua casa. Somente lá eu despertei e ele me tranquilizou garantindo que seus pais e os pais de Rose cuidariam de tudo. Foi então que eu desabei mais uma vez.
A sensação que eu sentia era que eu estava me esvaziando.... indo embora junto com meu pai.
Tive uma noite cheia de pesadelos. Até que Edward me deu um calmante para que eu dormisse. Quando acordei, eu estava descansada, mas ainda em espiral. Caindo e caindo. Olhei para o meu lado e por um segundo esqueci tudo.
Edward ressonava ao meu lado, meio torto na cama. Meio deitado, meio sentado. Acredito que estava velando o meu sono e adormeceu. Me recordo de nossas palavras no dia anterior.
“- Edward... eu te quero tanto! – Eu digo suplicante e nós nos encaramos profundamente.
— Eu também te quero, Bella, muito! – Ele diz torturado, trazendo-me ainda mais para ele. Sinto o volume de seu prazer e ruborizo levemente. Sou tomada de uma ousadia que nunca tive.
— Edward... Eu quero passar essa noite com você! – Eu digo e me surpreendo em não haver qualquer tipo de hesitação nas minha palavras.
— Bella – Ele alisa meu rosto com carinho. – Você tem certeza, meu amor? Não temos pressa aqui...
— Eu quero Edward... eu sinto que está na hora. – Eu digo firme sem desviar de seu olhar penetrante. Ele sorri torto.
— Então te darei uma noite incrível, meu amor. – Ele diz e me beija novamente.”
De fato, passamos a noite juntos, acabei adormecendo em seu quarto, mas mas não houve nada de incrível. Eu aliso o seu rosto com carinho, me recordando de seu abraço em cada despertar durante a minha noite. Tão carinhoso, tão amoroso...
— Obrigada gatinho... – Eu sussurro e ele emite um som baixo. Pisca umas duas vezes e me olha lentamente.
— Bom Dia! – Ele diz arrastado
— Bom Dia! – Eu respondo
— Tem tempo acordada? – Ele pergunta endireitando o corpo e se sentando melhor.
— Não, acordei agora também. – Eu digo e ele leva alguns instantes me olhando com ternura.
— Bella... – Ele começa – eu sinto tanto, minha linda! – Ele toca minha bochecha. – Eu queria... me desculpar com você
— Desculpar? Pelo quê? – Eu o corto confusa
— Eu... – Ele suspira – Devia ter percebido que ele não estava bem, devia ter salvo ele, eu...
— Edward! – Eu exclamo fazendo ele me encarar – Pare! Ele... – Engulo em seco – Não tinha nada que pudéssemos fazer. Não tinha como você ter sido mais rápido em sua assistência, você estava do lado dele.
Uma lágrima cai do meu olho quando flashs do dia anterior passam por minha mente. Ele enxuga meu rosto com seus dedos macios.
— Eu só queria que você não estivesse passando por isso, meu amor. – Ele fala e sua voz sai angustiada. É nítido que ele está sofrendo comigo.
— Eu sei meu amor. – Eu digo e então nos abraçamos.
Pode ter passado alguns minutos ou horas, mas ficamos ali na nossa bolha de carinho até que alguém bate na porta do quarto dele.
— Edward? – A voz de Esme soa do outro lado.
— Entre, mãe. – Ele diz e Esme aparece pela porta entreaberta. Seu semblante está cansado, mas ela traz um sorriso meigo cheio de conforto nos lábios.
— Oh! Achei que ainda estivesse dormindo, querida. – Ela diz e se aproxima da cama. Eu estou encostada em Edward que está apoiado com as costas na cabeceira.
— Acabamos de acordar.
— Bom, o café está servido. – Ele fala e pega em minha mão – Eu e Carl vamos terminar de organizar as coisas junto ao reverendo. – Com sua fala, eu me endireito e me sento reta.
— Meu Deus! O funeral... eu...
— Calma, Bella, está tudo sobre controle! – Ela me tranquiliza. – Você precisava de espaço e nós tomamos a liberdade de cuidar de tudo. A Senhora Hale avisou a sua mãe, ela disse que tentaria chegar a tempo para a despedida, mas de qualquer forma está vindo. – Eu assinto – Organizamos uma cerimônia para as 15h.
— Mas...
— O que foi?
— Eu tenho que leva-lo para casa. – Eu falei me levantando da cama — Preciso ir para o sítio, organizar as coisas.
— Do que você está falando Bella? Não acho uma boa ideia você ir para casa agora. – Edward se manifesta, também se levantando.
— Você não entende... – Eu digo procurando minhas roupas do dia anterior. Então me recordo que eu vim com as roupas do rodeio e agora estou usando um pijama de Edward que em algum momento eu coloquei em meu corpo. – Será que Alice poderia me emprestar uma roupa?
— Claro, querida. – Esme fala se encaminhado para porta – Mas não precisa ficar aflita, já está tudo pronto. O velório será na biblioteca da cidade...
— Ele precisa ser velado e enterrado em casa! – Eu digo sentido os meus olhos pinicarem pelas lágrimas. Era duro falar sobre a morte de meu pai.
— Bella, não acha melhor....
— Edward, você não entende, mas é isso que precisa ser feito. – Eu digo e olho para Esme – Eu vou para casa, poderia... organizar tudo para o levarem para lá?
— É claro, filha. Te ajudaremos em tudo. – Ela diz, deposita um beijo em minha testa – Vou pedir para Alice te trazer uma muda de roupa. – E sai.
— Amor, você tem certeza? – Edward fala carinhoso.
— Sim, Edward. Aquela é a nossa terra, a terra dos Swan. É lá que todos nascem e morrem. – Eu digo e me afundo em seus braços. – Sei que era isso que ele queria, descansar nas nossas terras assim como meus avós e meus bisavós.
— Todos foram enterrados lá? – Edward pergunta.
— Sim, todos. Você vai ver.
Logo Alice me traz um vestido e um par de sapatilhas. Descemos para tomar café e recebo o carinho de todos. Incrivelmente não me desfaço em lágrimas e fazemos a nossa refeição num silêncio confortavelmente interrompido por frases sobre assuntos variados.
Após o café da manhã, Edward se despede de mim pois precisa ir ao hospital, mas garante que estará comigo no começo da tarde. Ele fica ressentido de não poder ficar comigo, mas eu digo a ele que ele tem um dever a cumprir. Seus pais lhe garantem que vão estar comigo o tempo todo e isso o conforta um pouco.
Como combinado, Carlisle e Esme me levam para o Rainbow. Sam e Embry estão a postos e me acolhem num abraço de irmãos. Ambos tinham meu pai como uma referência de homem e pai também. Após este momento, Sam me informa que já providenciou tudo na área reservada para o descanso de meu pai. Eu entro como os pais de Edward para prepararmos a casa, depois de pedir que meus amigos providenciem algumas coisas.
— Bella, querida, você está bem para fazer isso? – Esme questiona num tom maternal quando chegamos na sala. Eu me encaminho para a poltrona de meu pai e toco o espaldar do móvel.
— Sim, estou. – Eu digo, mas minha voz falha – Eu preciso. Tenho que honrar o meu pai. – Ao dizer isso, eu olho para Carlisle que assente.
Carlisle cresceu aqui, ele entende o que preciso fazer.
— Eu vou tomar um banho para começar a preparar tudo. – Eu digo.
— Certo, eu vou ao encontro do reverendo para informa-lo das mudanças, mas Esme ficara com você, filha. – Carlisle diz gentil.
— Obrigada, vai ser bom ter companhia. – Eu digo. Ele me dá um abraço carinhoso que logo me faz sentir falta do abraço do meu pai. Ele dá um beijo na esposa e sai.
— Filha, do que precisa? – Esme pergunta e eu a olho.
Do meu pai. Vivo.
— Um banho e começar os preparativos.
As 14h tudo está pronto. Foi bom preparar toda a recepção, manteve minha mente ocupada o suficiente para que eu consiga equilibrar as emoções. Eu precisava ser forte. Era a única Swan, receberia todas as condolências e não poderia desabar a todo instante.
Edward chegou quando eu tinha subido para trocar de roupa. Uma saia longa evasê e uma blusa de manga curta, tudo preto. Meu cabelo numa trança lateral e no topo o chapéu do meu pai. Calço um par de botas de cano curto e desço. Ele me recebe com um abraço.
— Bella, como você está? Tem certeza que é uma boa ideia?
Eu sei que seu espanto é genuíno. Mas é a nossa tradição. Na sala já estão todos os Cullens, os Hale e o reverendo do condado. Eu olho para o meu namorado com carinho.
— Edward, talvez você não entenda, mas é como fazemos. – Eu digo e vejo os Hale assentir – Nós velamos os nossos em nossas casas, no seio da nossa família. É nossa tradição. Filhos velando os pais na casa que eles os criaram. – Meus olhos pinicam mais uma vez – Meu pai nasceu dentro dessas paredes, sobre este chão, Edward. É aqui que ele vai partir e adormecerá para sempre.
Eu respiro para me conter.
— Meus avós estão aqui, meu estará aqui e um dia serei eu. É por isso que nossa terra é tão importante, Edward. É mais que um pedaço de chão que produz nosso sustento, é nossa vida. Nosso nascimento e também a nossa morte. – Eu digo firme e ele me abraça.
— Então estarei ao seu lado todo o tempo.
As pessoas vão chegando. Famílias de toda a região prestam suas homenagens ao meu pai. Uma roda de viola se forma do lado de fora. No centro da sala de jantar, onde havia nossa mesa, há o caixão que resguarda o corpo frio do homem que me criou.
Espiral... espiral...
Eu me lembro de quando eu caí do cavalo pela primeira vez.
Eu me lembro de quando eu caí tentando andar de bicicleta.
Eu me lembro de quando eu caí tentando andar de salto alto.
Eu caía e ele me levantava. Ele sempre estava lá.
Ele estava lá quando Leah me disse que eu era sem graça demais para consegui um namorado quando entramos no high school e também estava quando Jacob, Benjamim e Eric fizeram uma fila para me convidar para o baile.
Ele estava lá quando eu reprovei em matemática porque simplesmente não conseguia entender as matrizes (e nem para que aquilo serviria na minha vida), mas também estava lá quando eu tirei o único A+ em Álgebra e Trigonometria da escola.
Ele estava lá quando tudo caiu ao meu redor. Quando sofri uma violência sem tamanho e ainda fui injustiçada no processo, assim como estava lá quando tudo se resolveu.
Meu pai estava sempre lá. E agora não estaria mais.
Sou eu quem estou. Diante dele. Ou melhor, de seu descanso eterno.
Meu olhar encara a lápide de mármore negro como a noite. Charlie Washington Swan se destaca em um dourado brilhante. Seria tão lindo se não decretasse o fim da vida no meu pai.
Respiro fundo e olho pro céu. Está um domingo de verão radiante. Sem nuvens, um azul límpido e intenso nos brinda com o que é de longe um dos dias mais lindos deste ano. Não haveria de ser diferente, afinal a alma mais linda que havia na terra agora está lá em cima.
Sinto braços ao meu redor, me abraçando por trás. Um beijo no topo da minha cabeça e um afago no ombros. Silêncio total. Edward!
— Eu estou aqui com você, minha linda. Para sempre – Ele sussurra. Percebo as pessoas se afastando ao nosso redor. As cerimônias acabaram e agora só me resta o luto e o vazio.
— Fiquei sozinha, Edward.
— Eu estarei sempre aqui, Bella. É uma promessa.
Apesar de tudo, eu quero acreditar nisso.
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