When I Look At You

12 Classificatórias


Notas iniciais
Oie! Alguém vivo?! Caramba, desde fevereiro que não venho aqui! Preciso confessar que tive um leve bloqueio com essa fic, o fato de um momento muito tenso estar chegando me deixou mais emocionada do que imaginei e simplesmente não conseguia escrever. Peço que me desculpem. Acredito que isso tenha tido a ver com o fato do meu pai ter ficado doente ( todos nós ficamos com COVID ao mesmo tempo em casa) e com isso escrever sobre a perda de Charlie mexeu comigo. Enfim, agradeço a você que voltou para continuar acompanhando essa história. Principalmente você que nunca deixou de acreditar que eu voltaria para finalizar! Boa leitura!

— Ahh! – Eu acordo suada e tremendo de mais um pesadelo

A primeira fase classificatória é amanhã. Hoje, tecnicamente. Eu encaro a tela do meu celular, 3h16. Eu suspiro sabendo que não vou conseguir voltar a dormir.

Resolvo tomar uma ducha para espantar os vestígios de terror do meu pesadelo. Eu estou nervosa. Esta competição é importante, eu preciso ajudar meu pai a pagar a sua dívida com o Black. Billy e Jacob não nos deixam esquecer disso um dia sequer. O assédio deles tem sido constante, principalmente quando souberam que eu estarei na competição, uma vez que Leah também vai competir, tornando tudo pior. A decepção de meu pai é grande, ele nunca imaginou que aquele que considerava um grande amigo pudesse ser tão cruel e orgulhoso.

Isso tem enfraquecido Charlie de um jeito que eu não esperava. Apesar de estar se cuidando muito bem depois do susto que levamos semanas atrás, meu pai tem estado abatido. Ele até parou de insistir para que eu desista de competir pois não quer ficar discutindo. Claro que a família Cullen ajudou muito nisso também.

Por falar nos Cullens, um deles, especificamente, tem feito os meus dias valerem a pena. Edward tem sido maravilhoso comigo de uma forma que eu não esperava. Seu apoio à minha decisão de competir me surpreendeu, bem como o seu incentivo, até assistindo a alguns treinos. Claro que a sua preocupação e cuidado são visíveis nestes momentos, mas ele confia em mim. É algo que eu não estou acostumada e isso tem mexido comigo de uma forma muito intensa. Tenho desejado estar com ele o tempo todo e sempre mais. Percebo que só os nossos beijos e carícias não são mais o suficiente para a sede que tenho dele. Eu sempre quero mais quando estamos a sós e isso tem me assustado um pouco.

Saio do banho e me visto de forma simples: camiseta branca, jeans, botas e camisa de botões. Desço para a cozinha ouvindo o primeiro canto do galo. Resolvo passar no meu refúgio e tocar um pouco antes de começar o dia. Eu me sento ao piano e aliso algumas teclas. Sorrio ao recordar as poucas “aulas” que Edward tem me dado. Meu rosto esquenta um pouco ao lembrar que a mais recente acabou de um jeito nada musical. Quando Edward conseguiu parar nossos movimentos, eu estava sentada em seu colo, com um vestido todo embolado na minha cintura enquanto as mãos dele explorava todo o meu corpo por baixo do mesmo.

Foi um avanço e tanto na nossa intimidade, devo admitir, levando em conta tudo o que eu passei. Mas depois disso não tivemos mais nada parecido. Até porque com a iminência do dia da competição e os plantões dele, ficamos sem tempo para estarmos juntos de forma mais intensa. Eu suspiro, ajeito as primeiras coisas na cozinha e me encaminho para ordenhar a Princesa. Trinta minutos mais tarde, estamos, eu e meu pai tomando nosso desjejum.

— Sua cara está péssima, filha! – Meu pai diz depois de um tempo de silêncio. Eu suspiro remexendo meu pedaço de queijo pela quarta vez. – E você sabe que precisará terminar este café da manhã em algum momento né?

— Ah pai... eu só não dormi muito bem...

— Eu sei, deu para ouvir seus gritos lá do meu quarto, filha. – Ele diz e eu o encaro. Ele toca a minha mão em cima da mesa. – Bells, se quiser, pode simplesmente não fazer isso.

— Eu vou fazer isso, pai. Desistir não é uma opção.

Diante dessa fala, meu pai me olha profundamente e então se levanta.

— Tudo bem então. Realmente, desistir não é do feitio dos Swan. – Ele pega o seu chapéu e o coloca. – Vou ajeitar as coisas por aqui. Até mais tarde, minha filha.

— Até papai! – Eu digo endireitando a minha postura. Ele passa por mim, deposita um beijo em minha testa e então se vai. Absorvo aquele carinho e respiro fundo.

Desistir não é uma opção.

Segura neste fio de comprometimento, eu encaro minhas tarefas do dia. O rodeio começará às 15h e eu tenho que estar lá, pronta, bem antes disso. Após arrumar tudo e organizar o almoço para meu pai, eu subo para me arrumar. Levo um tempo maior embaixo do chuveiro e quando saio do banho ouço vozes no meu quarto. Intrigada, abro a porta bem devagar.

— Aí está a nossa campeã! – Alice exclama sorridente. É impossível não sorrir. Ao lado dela está Rose, com um sorriso enorme, mas bem mais realista, afinal Rose sabe como é duro um rodeio. Ambas estão sentadas na minha cama. Ali há roupas lindas e novas, eu reviro os olhos.

— Ali! Sério? – Eu digo secando meu comprido cabelo com uma toalha.

— Ei! Não faça isso, fica cheio de frizz! – Ela exclama se levantando e pegando um secador portátil de uma malinha aos seus pés. – Você será uma estrela magnífica hoje e eu e Rose estamos aqui para garantir que você esteja linda quando for receber sua classificação! – Eu olho para Rose espantada.

— Eu tentei segurar... mas... – Ela diz erguendo as mãos, mas o sorrisinho a entrega.

— Como se você não estivesse adorando tudo isso, né? – Eu digo e sou o ar – Está bem, não vou discutir, só não exagerem. É um rodeio, não uma festa de salão.

Ambas alargam seus sorrisos e eu deixo que elas trabalhem em mim. Tento ir me distraindo enquanto elas cuidam da minha aparência, mas a preocupação permanece. Eu tenho que ganhar, é a minha única opção! Somente as 4 primeiras classificações passam para próxima fase e eu tenho que estar entre elas. Cerca de 40 minutos depois, ouço Alice bater palminhas e sei que elas acabaram.

— Bells, os jurados vão surtar com você! – Alice exclama e eu me encaminho para o meu espelho grande de parede para me olhar.

E eu fico sem palavras.

Meu cabelo está numa trança embutida bem elaborada, com algumas flores aplicadas aqui e ali, descendo para o meu ombro esquerdo. Meu olho está bem marcado, mas sem exagero algum. Um batom rosado cobri meus lábios de forma suave. A roupa que minhas amigas trouxeram me cai super bem: Uma camisa de botões rosa clara, com bordados de flores do campo nos pulsos e nos ombros, com um macacão acinturado num jeans escuro e botas na cor caramelo com um salto baixo. Eu fico encarando aquela beleza toda sem saber o que dizer. Olho o rosto de Rose e de Alice pelo espelho, ambas ansiosas e meus olhos lacrimejam.

Eu amo essas duas!

— Eu amei, meninas! – Eu digo com toda a emoção. – Serei a mais bonita do rodeio, sem sombra de dúvida! – Eu digo e abro os braços para um abraço triplo.

— O bom é que a maquiagem é a prova d’água né! – Rose diz e todas rimos, pois eu estou em lágrimas de fato.

— Agora um detalhe que um certo ruivo mandou lhe entregar – Alice diz e vai até a bendita malinha. Ela tira dali um chapéu do mesmo tom da blusa e também com bordados de flores. Meu coração para quando eu o pego e vejo o meu nome bordado atrás, numa letra cursiva e elegante: Bella Swan

— Ah Edward! – Eu exclamo e então ouço sua voz.

— Gostou, minha campeã? – Ele diz parado na soleira da porta. Magnífico como só ele sabe ser. Vestido uma camisa azul marinho, numa calça jeans e botas. Inclusive, de chapéu. Um verdadeiro par para mim.

— Eu amei, gatinho! – Eu digo e me jogo em seus braços para um beijo apaixonado.

— Vou deixar vocês a só, mas vê se não estraga todo o meu trabalho, EdChato!

Eu sorrio com a revirada de olhos que Edward dá para a fala da irmã e quando minhas amigas nos deixam sozinhos, ele me puxa para um beijo de verdade. Com muita fome e desespero. Tudo que eu preciso.

— Obrigada! – Eu digo ofegante entre os pequenos selinhos pós beijo.

— Nada além do que você merece, minha campeã! – Ele responde e alisa meu rosto com carinho. – Eu queria estar com você de uma maneira ainda mais presente.

— Amor, você está aqui dentro – Eu digo e coloco mas mão dele sobre meu peito esquerdo – não tem como ser mais presente que isso. Mas eu amei o presente. Nunca ganhei algo assim, com tanto carinho e amor!

— Te amo gatinha! – Ele fala intenso. – E estarei contigo aconteça o que acontecer.

Eu sinto meu corpo estremecer, não por duvidar dele, mas justamente por acreditar nele. Fico sem palavras e ele sorri torto antes de capturar meus lábios em mais um beijo.

Dessa vez o beijo é despido e intenso. Suas mãos tomam ousadia e passeiam pelo meu corpo. Eu também não me faço de rogada e exploro o seu corpo. Minhas mãos se infiltram na sua camisa e seu calor me aquece inteira. Sinto minha intimidade umedecer levemente e junto nossos corpos um pouco mais. Ambos arfamos.

— Bella...

— Edward... eu te quero tanto! – Eu digo suplicante e nós nos encaramos profundamente.

— Eu também te quero, Bella, muito! – Ele diz torturado, trazendo-me ainda mais para ele. Sinto o volume de seu prazer e ruborizo levemente. Sou tomada de uma ousadia que nunca tive.

— Edward... Eu quero passar essa noite com você! – Eu digo e me surpreendo em não haver qualquer tipo de hesitação nas minha palavras.

— Bella – Ele alisa meu rosto com carinho. – Você tem certeza, meu amor? Não temos pressa aqui...

— Eu quero Edward... eu sinto que está na hora. – Eu digo firme sem desviar de seu olhar penetrante. Ele sorri torto.

— Então te darei uma noite incrível, meu amor. – Ele diz e me beija novamente.

— Bella, Edward, vamos nos atrasar! – Rose grita lá embaixo e eu olho para o relógio. De fato, estamos em cima do horário. Ambos sorrimos.

— Vamos gatinha, você tem um rodeio para ganhar! – Ele diz colocando em mim o lindo chapéu que me deu. Eu lhe dou um sorriso enorme, pego minhas coisas e nós descemos de mãos dadas.

A única coisa que me lembro com clareza é de estar sentada no banco do carona da caminhonete cantando Shape of You com Edward no volante. Depois que chegamos no rodeio tudo virou um borrão. Meus cavalos foram descarregados e eu me despedi do meu amor, dos meus pais e dos meus amigos para me preparar. O local, a Arena Warriors, estava lotada. A classificatória masculina estava sendo finalizada, já que iniciou pela manhã. Ouvi que Jacob era um dos favoritos a uma vaga classificatória. Claro, Jacob sempre foi um dos melhores da região, de fato. Se eu não estivesse sentindo repulsa total pela família Black no momento, até eu estaria torcendo por ele.

— Olha só.... pronta para a derrota Swan. – A voz grave e sarcástica de Leah me alcança enquanto estou escovando a crina de Trovão. Eu suspiro e giro o pescoço para encará-la.

— Clearwater. – Eu digo seca. – Cuidado com essa pretensão...

— Lee, deixe-a em paz! – Nessie, irmã de Leah aparece ao seu lado e se manifesta. Meu interior sorri. Nessie eu sempre nos demos muito bem. Era bom saber que mesmo com tudo isso, esse carinho ainda permanece.

— Fique tranquila, Ness. Leah não me abala. – Eu digo e dou de ombros. Os olhos de Leah se estreitam e o canto de sua boca crispa um pouco.

— Veremos, Swan! – Ela diz e segue seu rumo. Nessie me dá um sorriso sincero e cansado e segue a irmã.

— Não ligue para ela, Trovão. Seremos nós dois que daremos a volta por cima, certo? – Eu digo fazendo um carinho no belo cavalo a minha frente. Ele relincha em resposta, sacudindo a crina de leve. Eu sorrio para seu gesto – Ainda bem que você concorda comigo.

— Filha!

— Ah pai! – Eu digo me virando novamente, mas agora eu deixo a escova cair e me jogo em um abraço carinhoso com Charlie.

— Você está incrível minha filha! – Ele exclama – Vai ser a campeã mais linda que esse rodeio já viu!

— Obrigada pai! – Eu digo e olhos em seus olhos – Estou tão nervosa...

— Filha, você já é uma campeã! – Ele diz alisando meu rosto. – Eu sou o pai mais orgulhoso do mundo. Estarei lá do outro lado, bem em frente. É só olhar para mim e tudo ficará bem.

— Eu sei, pai! – Eu digo firme e ele deposita um beijo na minha bochecha. Depois sai sem dizer mais nada e eu fico ali colhendo poda aquela energia e segurança que meu pai me passa.

O fato de meu pai sempre ter acreditado em mim é o que me faz mais forte e corajosa. Foi assim que eu tive coragem para me inscrever anos atrás. No dia da competição, enquanto tentava me manter o máximo de tempo sobre o animal, eu focava meus olhos em meu pai, no meio da plateia. Ali eu conseguia manter o foco, a coragem, a força. E vencia. Quando eu olhava para o meu pai, eu vencia. E é nisso que eu acredito agora. Hoje, enquanto eu olhar para o meu pai, eu vou conseguir!

Mas sabia eu que, olhar para o meu pai seria justamente o que me derrotaria ainda hoje.

Notas finais
Sei que vão querer me matar, mas garanto não demorar muito mais. Se vocês observarem, eu estou retornando as atualizações com mais frequência, tenho conseguido escrever mais e com isso os capítulos estão vindo mais rápido, ok? Me deixem saber que vocês ainda estão por aqui! Beijinhos!