When I Look At You
13 A queda
Notas iniciais
O sábado está espetacular. Sol forte, céu claro, vento fresco. Tudo estava dando certo. A brisa da esperança se espalhou sobre mim. Repensei minha técnica, refiz minha orações. Quando o primeiro toque soou, eu estava pronta.
Na primeira hora, executamos a primeira etapa. O objetivo é avaliar a qualidade da montaria. Saltos, corrida, obstáculos. Tudo que treinei durante semanas a fio e Trovão não me decepciona. Faz um tempo incrível sob meu comando. Inclusive, alcançamos um novo recorde pessoal. Vejo minha família – meu pai e meus amigos – me aplaudirem e vibrarem quando minha pontuação fica em primeiro lugar nas notas da primeira etapa. A outra competidoras, 12 comigo, também se saem bem. As diferenças são mínimas.
— Obrigada Trovão! – Eu aliso sua crina e ele relincha em resposta. Eu olho para plateia e vejo Edward soltar o beijo para mim. Eu solto um para ele e retorno para o box para que Trovão descanse um pouco para a segunda etapa: o laço.
Em 15 minutos, cada uma de nós somos chamadas para laçear. Duas competidoras laceiam com uma rapidez impressionante e passam a frente na classificação. Leah é rápida, mas ainda mais lenta que as demais. Porém sua pontuação na primeira prova foi alta e ela passa na frente. Na minha vez, Trovão dispara na arena. Logo meu laço dá duas voltas no ar e eu alcanço o bezerro com facilidade que até me impressiona. Estou na frente do placar novamente, porém a classificação está acirrada comigo, Leah e as outras duas com diferenças mínimas. Apenas décimos nos separem.
Sinto a atmosfera mudar enquanto nos preparamos para a prova final. A fera enfurecida.
— Obrigada Trovão, mais uma vez. Você foi incrível! – Eu converso com meu animal, lhe oferecendo petiscos. – Você me levou até o primeiro lugar até o momento. Agora é por minha conta. – Dou um cafuné no animal.
Sam vem buscar Trovão, já que não precisarei dele na última etapa. Nesta, a prova decisiva, serei apenas eu, minha técnica e minha força. Esta é a prova do tudo ou nada, ficar 8 segundos sobre a fera. Engulo seco e começo a me preparar.
Mais uma vez reforço minha prece e me preparo com cuidado. Coloca as esporas sem pontas e visto o colete de gibão de couro genuíno. Calço a luva e aguardo o sorteio de montaria. Respiro fundo, sou a última a montar.
Assisto cada uma das minhas concorrentes na execução. Metade não consegue nem chegar em 8 minutos. Quando Leah vai para disparada, eu prendo a respiração. 1... 2... 3...Tenho que admitir, a minha maior rival é boa. 4... 5... 6... Leah firma o tronco, se inclina para frente e o touro não perdoa. Ela escorrega, mas se apoia e se mantém. 8... Leah avança depois do tempo natural e a plateia delira. Ela é a primeira que consegue ir além e o público fica eufórico. Nos 12 segundos, Leah tomba ao chão.
Merda, eu penso. Preciso fazer 13! Apenas 13 segundos, meu orgulho grita quando vejo o sorriso presunçoso de Leah ao sair da arena. Eu mantenho o olhar desafiador.
As próximas competidoras alcançam 11 e 10 segundos respectivamente e a próxima não alcança 8 segundos. A penúltima ante de mim também alcança 10. Eu me encaminho para o box e encaro a fera. Com o auxílio apropriado, eu monto a Fera, nome dado ao touro da competição. O sedem do animal está bem preso, apertando-o com força. Ele está furioso, eu posso sentir. Uso a técnica para segura a rédea com a mão se está enluvada. Mantenho o braço firme e meu corpo contraído. Travo a mandíbula e mentalizo.
13, 13, 13, 13... só 13 segundos. Eu busco o olhar de meu pai na plateia e ele sorri para mim.
Disparada. A Fera galopa raivosa na arena e meu corpo tomba para frente.
1... 2... 3...
Aperto firme na rédea e esporeio para me manter firme no lugar. Meu pai meneia em afirmativo
4... 5.... 6....
Um solavanco me faz voar e cair sentada no flanco do animal. Sinto gosto do sangue da minha língua mordia na boca.
7... 8.... 9....
A dor me distrai por um segundo e quando olho para meu pai novamente tudo muda para mim. Respira Bella.
Mão no peito, rosto pálido, corpo caindo.
Meu pai. Caindo. Morrendo.
O touro me joga para frente e, totalmente desprevenida, sou arremessada na cabeça do animal. Perco todo meu equilibro e concentração. Eu sinto a queda antes mesmo de atingir o chão. Nem sei qual foi o número em que parei.
— 10 segundos! – O narrador ecoa na arena, mas eu nem ouvi de fato. Me ponho de pé rapidamente. Tonta, dolorida, machucada. Corro com tudo o que me resta para a multidão.
— Pai! Pai! – Eu grito, todos ao redor dele se movimentam ao mesmo tempo. – Charlie!
Com fúria violenta, salto o alambrado e removo todos que estão em meu caminho. Encontro meu pai caído na arquibancada, parte de seu corpo está no colo de Carlisle e Edward está ao seu lado, monitorando-o. Alguém está chamando a ambulância, mas nada consigo assimilar a não ser o vazio. Me agacho ao lado de meu pai. Grossas lágrimas se espalham em meus olhos.
— Pai! – Eu sussurro em contraste com o vozerio ao nosso redor. Parecia que havia uma bolha a cobrir o meu corpo e o dele, alheios a toda confusão.
— Be... Bells...
— Eu te amo pai – El digo e duas lágrimas caem. Eu pego sua mão
— Te... amo... Bells...
E então tudo parou e meu pai se foi. Eu senti exatamente o momento em que meu pai me deixou.
Edward e Carlisle se mobilizaram como podiam. Emmett e Jasper ajudavam. Mas eu sabia que nada resolveria.
Charlie se foi.
A sensação de vazio cresceu dentro de mim. Era como cair num abismo em espiral.
Sozinha... eu estava sozinha!
— Bella! – Ouço uma de minhas amiga me chamar – Bella!
Meu torpor é imenso, eu estou caindo em mim mesma. Sei que estou me movendo, me afastando, mas não tenho controle de mais nada. Meu pai está morto.
— Bells! – O calor da voz de Edward se aproximar, mas eu me retraio. Não quero o conforto que eu sei que vai vim dele.
Eu estou caindo num abismo e eu quero cair...
Não consigo ainda sentir a dor, o torpor é maior. Espiral, espiral....
Meu olhar vagueia ao meu redor sem nada enxergar. Sinto Edward perto de mim, conheço o calor que emana dele. Algo me chama atenção. O display. O resultado final do rodeio.
1º Leah Clearwater
2º Heidi Steel
3º Suzan Scott
4º Anne Duckson
Bella Swan brilha em quinto lugar no display. Um décimo de segundo atrás do terceiro e quarto lugar. Era só mais um segundo e eu teria me classificado. Encaro o lugar ondo o corpo do meu pai cai inerte na arquibancada. Muita gente agora vem em nossa direção. Vejo rostos conhecidos desde minha infância me olhando com espanto e pena.
Perdedora e órfã.
— Bella... – meu nome sai num sussurro de seus lábios. Ele sente a minha dor. O amor faz isso com as pessoas, faz com que nós sintamos a dor do outro.
Eu foco meu olhar no seu e quando eu olho para ele meu torpor acaba.
Tudo que eu precisava naquele momento era olhar em seus olhos. Nem eu mesmo entendo o que se passa no meu coração. É muita dor. A dor da perda, da insegurança, da derrota, da solidão...
Mas tudo isso desaparece quando eu o vejo. E então eu deixo que tudo desabe em mim e ele permite que eu desabe em seus braços.
"When my world is falling apart
And there's no light to break up the dark
That's when I, I, I look at you "
(Quando meu mundo está caindo aos pedaços
E não há luz para quebrar a escuridão
É quando eu, eu, eu olho para você)
(Miley Cyrus)
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