What's a Soulmate?

4 Capítulo 4 - Estou apaixonada por você


Como uma típica adolescente inexperiente e apaixonada pela primeira vez, Cosima sentia-se extremamente nervosa. Nunca havia sentido antes o que estava sentindo agora por Delphine. Um sentimento terrivelmente forte, poderoso, bom e ao mesmo tempo ruim, porque lhe causava sensações esquisitas, como um desconforto constante no estômago, que parecia revirar toda vez que estava perto da loira. Num bom sentido, é claro. Seu corpo parecia ter vida própria. Cosima não conseguia controla-lo. Sentia arrepios, calorões, tremores. Sua médica era capaz de lhe causar as coisas mais absurdas.

Se Cosima fosse uma adolescente normal talvez às coisas fossem menos intensas. Só talvez. A morena de olhos verdes desconfiava que mesmo que tivesse crescido rodeada de outras pessoas, que mesmo que já tivesse beijado algumas bocas e se apaixonado antes, nada se compararia ao que estava sentindo agora. Ela era inteligente demais para acreditar que se tivesse conhecido Delphine em outra circunstância não estaria na mesma situação atual: perdidamente apaixonada. Não havia definição melhor.

Estar apaixonada por sua médica e monitora era absurdo. Qualquer um enxergaria o relacionamento delas como abusivo; mais do que isso, antiético e até mesmo doentio. Mas a questão não eram os títulos. Médica e paciente. Monitora e cobaia. Amigas. Namoradas, talvez? Não importava que nome que resolvessem dar àquela relação. O que as duas estavam sentindo, o que estavam compartilhando era... Maravilhoso. E Delphine só lhe fazia bem, só lhe causava sensações inéditas e boas. Ela era boa médica, boa amiga, boa monitora. Cosima não conseguia enxergar perigo ou maldade, mesmo sabendo que talvez Delphine pudesse estar apenas usando-a para obter benefícios. Pensar nisso deixava a garota tensa. Era complexo demais. Porque Delphine poderia estar realmente apaixonada por ela e ainda assim usá-la. Cosima bem sabia disso.

“Oh man, o que eu estou fazendo?” perguntou a si própria enquanto mexia em seu notebook, sozinha em seu quarto. Pensativa. “Eu deveria apenas me preocupar em encontrar a cura para essa maldita doença que está atacando meu útero e pulmões, mas não. Estou pensando o tempo inteiro em cabelos perfeitos e um sotaque francês. Grande gênio você é, Cosima” debochou de si mesma.

***

Depois que o momento de ímpeto passou, Delphine ficou aterrorizada com as atitudes que havia tomado. De repente tudo se transformou. De um instante para o outro havia tornado real o que até então estava num plano imaginário. Deixou-se levar por instintos, por emoções. Pior: deixou-se levar por uma adolescente que era sua paciente, seu trabalho. Delphine sentia-se terrivelmente perdida num dilema. Por um lado se arrependia de suas atitudes, porque sabia que haveria consequências mais tarde, mas por outro... Quando pensava naqueles olhinhos verdes brilhando para ela... Aquele sorriso, aqueles lábios nos seus... Os abraços tão carinhosos... Era impossível desejar não ter cedido à Cosima. Impossível.

Nos poucos momentos que não estava ao lado da adolescente, Delphine se corroía de culpa, medo e angústia. Especialmente quando chegava o momento de fazer o telefonema à Leekie.

“Como estão indo as coisas?” perguntou o médico assim que Delphine atendeu a ligação dias depois do incidente na cachoeira.

“Bem... Eu acho...” murmurou à francesa, que estava na varanda da mansão com um cigarro entre os dedos. “Estamos fazendo progressos nas pesquisas.”

“Não me refiro a isso. Refiro-me a relação de vocês.”

“Próximas. Estamos próximas” até demais, pensou antes de tragar o cigarro mais uma vez. “Cosima, ela... Ela deu em cima de mim e eu...” gaguejou, ficando ainda mais tensa. “Nós nos beijamos, Leekie.”

O homem sorriu do outro lado da linha, bastante satisfeito com o que estava ouvindo, embora ligeiramente preocupado.

“É importante que Cosima confie em você. Quanto mais próximas, melhor. Nós precisaremos de você, Delphine.”

“Para quê?” quando o cigarro chegou ao fim, ela o apagou depressa em um cinzeiro, sentando-se em uma cadeira.

“Em breve você saberá. Por hora, continue fazendo seu trabalho.” E desligou.

Delphine ficou intrigada. Dr. Leekie era demasiadamente misterioso, assim como a professora Duncan e todos os outros mandachuva da Neolution. Eles pareciam saber demais e nunca falarem um terço do que sabiam para seus funcionários, mesmo aqueles mais aptos ao trabalho como era o caso de Delphine.

Dr. Leekie a enviou à Ilha afirmando que seu trabalho principal seria ajudar Cosima a descobrir a cura de sua própria doença, mas a francesa tinha a impressão de que tanto ele quanto os professores Duncan estavam mais preocupados em que a francesa estabelecesse uma relação de confiança com Cosima do que de fato encontrar a cura. Aliás, quando mais pensava no assunto, mas alguma coisa parecia não se encaixar, porque Leekie e os outros estavam fazendo uma pesquisa no Institudo Dyad com muito mais material do que ela e Cosima poderiam ter isoladas na Ilha. Era de se esperar que eles obtivessem à cura bem antes que ambas, logo, sua presença na Ilha para encontrar a cura não fazia muito sentido. Talvez só estivesse lá realmente para monitorar a saúde de Cosima, evitar que ela piorasse ou que ficasse sozinha na ausência da mãe. Ainda assim, alguma coisa não estava batendo na história, deixando a francesa com uma pulga atrás da orelha.

***

“Cosima, posso entrar?” perguntou após bater duas vezes na porta.

Mais que depressa a adolescente abriu a porta, surpresa. Delphine nunca mais tinha ido ao seu quarto depois da noite de febre. Talvez fosse uma maneira de estabelecer um limite, embora elas já tivessem cruzado praticamente todos ao se beijarem.

“Hey...” disse com um sorriso tímido. “Entra.” Ela deu espaço e a francesa passou pela porta que Cosima fechou novamente em seguida.

“Só bati porque ouvi você digitando, deduzi que estivesse acordada” se explicou, pois estava demasiadamente tarde para fazer uma visita noturna.

“É... Eu estou...” falou o óbvio, sentindo-se constrangida. Havia um constrangimento entre elas depois do dia que se beijaram, um constrangimento que aumentou pelo fato de não terem falado a respeito do incidente nos dias que se seguiram. “E você? Por que está acordada?”

Delphine respirou fundo. Com as mãos dentro dos bolsos da calça, ela caminhou alguns passos pelo quarto grande, deixando-se perder por toda aquela quantidade de informação, de cores, de objetos, até que finalmente se virou para encarar a garota.

“Eu não consigo parar de pensar naqueles beijos.” Confessou.

Cosima a olhou assustada. Por essa ela não esperava.

“Hãm... De uma maneira boa ou de uma maneira ruim?”

“Eu nunca beijei uma mulher antes” contou, aproximando-se da adolescente. “Eu nunca pensei na sexualidade. Quer dizer, na minha sexualidade. Mas, como cientista, sei que a sexualidade é um espectro” falava rápido e de maneira nervosa, gesticulando. “Preconceitos sociais codificam a atração. É contrário aos fatores biológicos, sabe?”

Cosima estava entendendo bem o que a francesa falava, apesar do nervosismo evidente da médica.

“É estranhamente romântico” comentou a adolescente com um sorriso que tranquilizou a loira, fazendo-a rir brevemente. Quando o riso cessou, a seriedade das duas era algo extremamente erótico. “Totalmente encorajador...” sussurrou Cosima ao ver o olhar fatal que a francesa lhe dava, como se conseguisse enxergar através de seu crânio.

Delphine tocou o rosto de Cosima enquanto ainda havia uma distância segura entre elas, então puxou aquele rosto delicioso e a beijou profundamente. A menina não resistiu, simplesmente entregou-se, envolvendo o pescoço da mais alta com um de seus braços. Foi o beijo mais intenso que deram desde então.

As duas brigavam durante o beijo, competindo para ver quem dominaria. E Cosima estava perdendo propositalmente, impressionada com a maneira possessiva de a francesa lhe beijar. Delphine apertava seu corpo, deslizando as mãos por suas costas e para piorar, ela gemia. Gemia baixinho contra os lábios da adolescente, tornando a situação toda ainda mais excitante, fazendo Cosima arder de desejo por ela.

“Delphine” a menina gemeu ao sentir os lábios rosados deslizarem pelo seu pescoço. Os beijos delicados e estalados fizeram Cosima se arrepiar da cabeça aos pés. “Delphine...” apertou os braços ao redor dos ombros da mais velha, que agora mordia levemente sua pele. “Oh...”

Ao ouvir os gemidos instigantes da adolescente, Delphine despertou de repente, dando-se conta da gravidade do que estava fazendo e do quão perigoso era. Cosima era só uma menina, uma menina virgem.

“É melhor pararmos” murmurou, soltando o corpo dela de repente. “Antes que seja tarde...” brincou, ofegante, tocando o rosto de Cosima.

“Oh man...” a adolescente riu baixinho também ofegante. “Isso foi...”

“Incrível” a francesa respondeu, selando os lábios irresistíveis de Cosima demoradamente. “Mas precisamos ir com calma. Essa situação toda é incomum... Delicada. Temos que ir devagar, sabe?” encostou sua testa na testa de Cosima.

“Uhum, sim, eu sei” concordou, segurando os antebraços da francesa. “Vamos devagar, mas... Eu... “ mordeu o lábio inferior nervosamente. “Eu queria te pedir uma coisa” afastou seu rosto para poder encarar Delphine.

“Oui, mon petit?” Cosima sorriu, desmanchando-se por um instante com aquelas palavras carinhosas ditas num francês charmoso.

“Será que... Você, hm... Quer dormir comigo? Digo, dormir mesmo. Só dormir. Comigo, na minha cama. É que... “ Cosima começou a gesticular com as mãos sem parar e parecia bastante perdida em sua linha de raciocínio. “Está fazendo bastante frio e os cobertores não tem sido suficiente para me esquentar e... Oh man, estou falando bobagens...” sorriu nervosamente e Delphine sorriu-lhe de volta. Um sorriso doce que a incentivava a prosseguir. “A verdade é que depois daquela crise de tosse e da febre, eu fiquei com medo. Eu tenho medo de dormir sozinha e passar mal e... Você sabe...” sua voz foi baixando e a menina sentiu-se ruborizar.

“Oh, mon petit” Delphine desmanchou-se com aquela confissão adorável. “É claro que eu durmo com você. Mas só dormir, okay?” brincou, para descontrair sua geniazinha que ainda estava envergonhada. “Não precisa ter medo. Eu estou aqui” invadiu seu espaço pessoal, tocando o rosto de Cosima com ambas as mãos. “Eu não vou deixa-la sozinha” sussurrou, beijando sua testa em seguida em um gesto extremamente protetor, que fez Cosima sentir-se demasiadamente bem.

O calor no coração das duas naquele momento era inexplicável.

“Só vou trocar de roupa e volto para dormirmos, okay?”

“Sim, sim!”

Cosima já estava com seu pijama nerd. Uma camisola de mangas longas do Batman. A garota tirou os óculos e sentou no centro de sua cama de pernas cruzadas, esperando ansiosamente pela francesa. Delphine demorou tanto que Cosima achou que ela não voltaria, por isso deitou encolhida e estava quase dormindo quando a francesa retornou.

Delphine fechou a porta e foi até a cama. Sorriu ao ver Cosima naquele estado, os olhinhos cerrados, a carinha de sono. Deitou ao lado dela, uma de frente para a outra. A francesa tocou o rosto dela delicadamente.

“Bonsoir, ma petit...”

Cosima não respondeu com palavras, apenas sorriu e logo apagou.

***

Delphine acordou com o sol forte batendo em seu rosto. O vento que passava pela fresta aberta da janela fez com que as cortinas se movessem, dando espaço para o sol adentrar. Delphine sentiu algo em seu corpo e ao olhar para baixo viu Cosima abraçada a ela, dormindo serenamente com a cabeça em seu peito. A francesa não se lembrava de como a garota havia parado ali, mas não reclamava. Estava maravilhada com aquela visão. Aproveitou-se do fato da garota ainda dormir para mexer em seus cabelos, que despertavam um interesse quase infantil na loira.

Delphine pegou um dos dreads e levou para o rosto, fingindo-o ser um bigode e riu baixinho de si mesma. A risada fez seu corpo se mover e acabou despertando Cosima, que a olhou sorrindo com a cara amassada.

“Hey.. Bom dia! O que está fazendo?” perguntou desconfiada ao ver a loira ainda segurando um de seus dreads.

“Bon, bon... “a loira não conseguiu completar a saudação, caindo na gargalhada. Cosima sorriu, mesmo não entendendo. “Oh mon dieu...”

“O que foi?” Cosima ergueu a cabeça e riu junto dela.

“Estava usando seu dread de bigode” admitiu, ainda rindo até ficar sem fôlego.

A risada de Delphine era a coisa mais adorável do Universo.

“Finalmente descobri uma utilidade para ele” brincou a mais nova, fazendo a francesa rir um pouco mais.

Delphine segurou o rosto dela e o trouxe para pertinho do seu, beijando os lábios de Cosima devagar.

“Dormiu bem?” a médica quis saber.

“Tá brincando? Eu nunca dormi tão bem em toda vida” abriu seu sorriso radiante e cheio de dentes para a loira.

“Que bom, mon petit, que bom” Delphine deslizava os dedos pelo rosto da garota. “Pena que temos que nos levantar. Gostaria de ficar nessa cama para sempre com você.”

Cosima sorriu ao ouvir aquilo. A francesa era tão galanteadora, especialmente falando aquelas coisas enquanto lhe olhava profundamente. Apertou-se contra o corpo quentinho da francesa, suspirando. Ela também gostaria de ficar ali para sempre.

***

Nos dias que se seguiram a dinâmica da mansão mudou. Pelo menos na visão de Delphine e Cosima, que agora assumiam estar envolvidas e beijavam-se pelos cantos sem se preocupar se seriam vistas pelos empregos ou por Paul, que não estava nada contente com a situação.

Mesmo achando desnecessário, por desconfiar dos planos de Dr. Leekie, Delphine continuou sua pesquisa ao lado de Cosima sem contar para a garota suas desconfianças. Era uma situação delicada envolver-se com ela sendo sua monitora. Não podia contar-lhe tudo, assim como não podia manter segredo de Leekie das muitas coisas que estavam compartilhando.

Mesmo não querendo, Cosima desconfiava de Delphine. Desconfiava porque era fato que como sua médica e monitora, a loira frequentemente falaria sobre ela para os poderosos da Dyad.

Em uma tarde extremamente fria, Cosima flagrou Delphine falando ao celular na biblioteca e escondeu-se atrás da porta para ouvi-la.

“A cobaia não apresentou piora dos sintomas” pode ouvi-la dizer em dado momento e seu coração se comprimiu dentro do peito. Cobaia? Era isso que Cosima era para a francesa? Uma simples cobaia? “Mas está bastante doente. A doença tem atacado seu útero e pulmões” à francesa relatava com voz robótica.

Não querendo ouvir mais nada, a menina saiu correndo dali, aos prantos. Chorava como uma criança e era assim que se sentia. Uma criança idiota e solitária, sem família, indigna de ser amada. Uma aberração da natureza que só havia nascido para sofrer.

Com pensamentos negativos e confusos, Cosima saiu da mansão e correu pela praia em direção à floresta. Ela não queria falar com ninguém, muito menos com Delphine. Não queria falar e nem vê-la e isso era impossível morando na mesma casa, trancafiadas na ilha.

Quando percebeu, havia escurecido e estava perdida dentro da floresta. Não fazia ideia de como retornar e o pior era que a temperatura caía mais a cada momento. Fazia um frio de rachar. Mesmo estando agasalhada e de toca, Cosima sentia seus ossos congelando ao ponto de não conseguir respirar direito. Sem saber o que fazer e sem forças para continuar andando, ela sentou em baixo de uma árvore.

***

Quando Paul não encontrou a garota em nenhum lugar, ele saiu desesperado para procura-la. Viu as pegadas dela na areia e correu em direção à floresta. Enquanto isso, Delphine estava na biblioteca, pensativa, sem imaginar o que havia acontecido com Cosima.

Ao encontrar Cosima pálida e gelada como um cadáver, Paul mais do que depressa pegou-a do chão. Ela estava fraca, desorientada. Ele a ergueu do chão, carregando Cosima nos braços de volta até a mansão. Quando ele chegou com Cosima, Delphine já estava sabendo do sumiço da garota e junto de Martha, ela sofria de angústia.

“Oh Deus!” a francesa exclamou ao ver o estado de Cosima, que estava quase desmaiada nos braços do segurança. “O que aconteceu?”

“Eu a encontrei na floresta...”

“Depressa, leve-a para o quarto!”

Os quatro foram até lá. Delphine pediu ajuda do segurança e da empregada para tirarem depressa a roupa da garota enquanto Delphine pegava seus equipamentos e conferia a temperatura de Cosima, que estava acordada, olhando ao redor, mas parecia perdida.

“Deixem-nos a sós” pediu depois de Cosima estar só de calcinha e sutiã, coberta até o pescoço.

Paul e Martha saíram. Delphine começou tirar suas roupas às pressas. Cosima a encarava. A maldita era tão linda. Delphine ficou apenas de roupas íntimas também e foi em direção à cama, erguendo a coberta para deitar embaixo da mesma ao lado da garota. A francesa se posicionou próxima ao corpo de Cosima e se inclinou, tocando o rosto dela.

“Eu acho que estou morrendo...” murmurou.

“Não, você não está. Eu não vou deixa-la.” Sussurrou, notoriamente preocupada. “Eu vou aquecê-la...” debruçou-se, colando seu corpo quente ao corpo frio de Cosima, que tremia sob a francesa. Delphine encostou delicadamente seus lábios e sentiu como os lábios da garota estavam frios. Cosima estava hipotérmica.

Fazia parte da hipotermia deixar a pessoa com espasmos musculares, a pele demasiadamente fria e o cérebro confuso, mas ver Cosima, ver sua Cosima naquele estado era doloroso e assustador.

“Você... Eu sou só uma cobaia pra você...” sussurrou a morena, trêmula.

“Quoi?” Delphine olhou para ela assustada e não levou mais de dois segundos para concluir o óbvio: Cosima havia lhe escutado no celular. “Não, não é nada disso...” sussurrou para a menina, acariciando seu rosto. “Você não é só uma cobaia para mim, Cosima. Eu digo a eles o que preciso dizer, mas... Eu estou apaixonada por você.”