What's a Soulmate?
5 Capítulo 5
Mesmo hipotérmica, Cosima ouviu e entendeu muito bem o que a francesa dissera. Estou apaixonada por você.Puta que pariu. A garota mal podia acreditar no que acabara de ouvir. Aquela voz doce, o sotaque francês. Delphine declarando-se a ela. Era surreal demais para ser verdade. Talvez pudesse estar sonhando, ou pior, delirando. Delirando antes de morrer. Se fosse morrer naquele momento, era uma boa imagem final para se ter na cabeça. O lindo rosto de Delphine próximo ao seu, aquele olhar profundo, doce, apaixonado.
Ao notar que Cosima ainda tremia bastante e estava gélida, Delphine teve uma ideia. Ela se deitou de barriga para cima e puxou a garota menor para deitar completamente sobre seu corpo, pesando-se sobre Delphine, deixando as duas coladas como nunca antes. Cosima ficou com o rosto apoiado no peito da loira. Era quente e macio e podia ouvir as batidas de seu coração. Ele batia bem forte na opinião de Cosima.
“Vamos te manter aquecida...” sussurrou a francesa. “Logo você vai estar melhor, mon amour...”
Cosima não se lembrava de muita coisa daquela noite, pois não aguentou ficar muito tempo de olhos abertos. Mas lembrava-se claramente das sensações, de como era bom estar colada em Delphine, sentindo aquele corpo quente, macio. Nunca estiveram em uma posição tão íntima como aquela. Cosima podia sentir seu calor, seu coração batendo forte, seu cheiro, sua respiração, os braços delicados da francesa que lhe envolviam o tempo inteiro. Em dado momento, Delphine passou a cantarolar baixinho em francês, e mesmo não entendendo nada do que ela dizia, Cosima desconfiava que era uma música de amor. E com essa melodia, a garota apagou.
Quando Cosima acordou, ainda estava em seu quarto, mas Delphine não estava mais ali. E tocava Bach. Cosima reconheceu a música imediatamente, porque uma das que mais gostava. Prelude no1. Sentou-se devagar na cama, porque ainda sentia uma ligeira fraqueza e tontura, mas estava bem melhor. Não tremia mais sem parar e nem tinha aparência de um cadáver ambulante. Notou que permanecia com suas peças íntimas e que não havia amanhecido ainda. Ouviu o barulho da descarga em seu banheiro e viu Delphine voltar, os cabelos enrolados levemente amassados e o corpo com manchas vermelhas de dormir. Era uma visão e tanto.
“Mon cher!” Delphine sorriu radiante ao ver que a garota estava acordada. “Como você está?” voltou depressa para a cama, sentando-se de frente para ela e pondo a mão rapidamente em sua testa. “Está quentinha... Um bom sinal.”
“Me sinto bem melhor” murmurou Cosima, esboçando um sorriso fraco. “Mas ainda estou com bastante frio.”
“Posso continuar te esquentando...” ofereceu.
Os olhares delas estavam conectados com aquela força atrativa incontrolável de sempre.
“Quando eu cheguei, estava bem mal, quase desmaiando... Lembro-me de você deitar na cama comigo e... Você disse que estava apaixonada por mim. Não tenho certeza se foi um delírio ou não” falou meio sem graça, sentindo seu rosto todo esquentar.
Delphine sentiu uma aflição no estômago e o coração acelerou. Claro que Cosima lembraria e tocaria no assunto. A francesa não podia fugir disso. E nem queria.
“Não foi um delírio” sussurrou, tocando o rosto os lábios de Cosima com seu polegar. “Oh, esses lábios...” Delphine mordeu seu próprio lábio inferior, alternando o olhar entre os olhos e a boca de Cosima. “Estou apaixonada por você...”
Os lábios da francesa encostaram nos seus e Cosima simplesmente deixou-se levar pelo momento, beijando-a apaixonadamente.
Em um instante estavam ajoelhadas, beijando-se de uma maneira demasiadamente intensa, com seus corpos colados. As mãos de Delphine percorriam as costas da garota, que estava arrepiada e levemente trêmula, não só pela hipotermia que ainda circulava seu corpo, mas especialmente pelos toques da francesa.
Delphine beijava Cosima sem parar, deixando a garota sem fôlego. Seus lábios se roçavam, as bocas interviam as posições, as línguas dançavam uma dança sensual e romântica. Cosima envolvia o pescoço da médica com ambos os braços, às vezes a soltava e tocava seu corpo, passando as mãos por sua cintura, pelas costelas, sentindo-as se expandirem com seu toque. Durante os beijos, ambas respiravam de uma maneira erótica, além de deixarem escapar gemidinhos.
Cosima agarrou os cabelos loiros, firmando seus dedos na nuca de Delphine. A adolescente mordeu e puxou levemente o lábio inferior da francesa e depois seu queixo, logo em seguida atacando seu pescoço com urgência, enchendo Delphine de beijos que a fizeram gemer mais alto, arfando.
Delphine sentia seu corpo pegar fogo com aqueles toques. A adolescente era tão selvagem e ao mesmo tempo doce. Seu toque totalmente diferente do toque dos amantes que Delphine teve ao longo da vida.
“Oh, Cosima...” gemia ao sentir os dentes dela marcarem levemente sua pele. A menina mordiscava seus ombros e agora beijava sua clavícula. “Je veux... Eu te quero... “ falou primeiro em francês, depois em um inglês carregado de sotaque. “Te quero demais.”
Cosima olhou para ela e sorriu, segurando seu rosto entre suas mãos. Mesmo nervosa, com o estômago revirando, a garota também a queria muito.
“Eu também te quero” sussurrou antes de beijá-la na boca em cheio.
Delphine derrubou Cosima na cama, ficando sobre ela. Agarrou as mãos da menina e entrelaçou seus dedos aos dela enquanto se beijavam. Suas pernas se enroscaram e Delphine começou a pressionar sua coxa contra o centro da adolescente, que gemeu alto dentro de sua boca, remexendo-se toda, impulsionando o quadril na direção daquela perna deliciosa.
Cosima ergueu sua própria coxa e imitando Delphine, passou a pressioná-la contra a calcinha da francesa, sentindo o calor que emanava de seu sexo. A francesa também gemeu, apertando seus lábios nos de Cosima.
Soltaram os dedos e Cosima agarrou-lhe os cabelos que tanto adorava. Delphine distribuiu vários beijos pelo rosto da garota, que sorria.
“Você é tão jovem... “ Delphine lembrou, roçando os lábios na têmpora dela. “Ainda tem tanta coisa, tanta gente pra conhecer...”
Cosima sabia onde ela queria chegar, mas não concordava com o pensamento da médica e não queria interromper aquele momento tão delicioso.
“Eu não quero ninguém que não seja você” falou seriamente, puxando os cabelos de Delphine, obrigando-a a encará-la. “Entende isso, por favor.”
Delphine entendeu. Entendeu aqueles olhos verdes que cintilavam.
“Você é virgem e eu nunca estive com uma mulher. Não sei ao certo o que fazer, mas não quero machuca-la. Nem quero que você se arrependa. Eu te desejo muito, mon cher, mas ainda acho que devemos esperar mais um pouco...” sussurrava como se estivesse sendo torturada, pois Cosima lhe beijava o pescoço enquanto isso.
“Eu sei. Eu sou virgem, então nunca estive com ninguém. Nunca fiz nada, mas... Eu quero tanto você” choramingava, roçando-se propositalmente na coxa dela. Cosima sentia-se cada vez mais molhada. “Quero te sentir agora, nem que seja um pouquinho... Não precisamos passar dos limites, mas... Podemos brincar um pouco?” pediu manhosa e com um olhar e sorriso atrevidos que causaram calafrios no corpo da francesa.
Delphine mordeu seu lábio inferior e deu seu olhar mais sensual para a garota.
“Okay, mon cher... Vamos brincar...” sorriu com malícia com a ideia que veio à sua cabeça. “Vamos esquentá-la até os ossos...”
Delphine a beijou como se a atacasse. Girou seus corpos, deixando Cosima por cima de si e se inclinou para sentar-se. Rapidamente a adolescente dobrou as pernas, sentando-se no colo da francesa, que lhe apertava nos braços enquanto beijava sua boca sem parar. Quando pararam o beijo, as duas ofegavam demasiadamente.
“Vire-se” Delphine pediu carinhosamente.
“Como?”
“Sente-se de costas para mim, assim...” quando Cosima saiu do colo dela, Delphine abriu suas pernas, indicando que a garota deveria sentar entre elas. Cosima obedeceu e recostou seu corpo ao dela, apoiando a cabeça em seu ombro. “Agora abra suas pernas” sussurrou eroticamente no ouvido da menina, que se arrepiou dos pés a cabeça e prontamente obedeceu.
“Okay...”
Cosima abriu suas pernas, que estavam trêmulas. Na verdade ela toda tremia dos pés a cabeça e agora era por puro e simples desejo. Um desejo incontrolável.
Delphine sentia que seu coração sairia pela boca. Mesmo tendo transado diversas vezes com homens diferentes, ela nunca vivenciou um momento tão erótico quanto aquele. E nem tão especial, tão cheio de energia, de vida.
A francesa tocou os braços da morena, deslizando os dedos lentamente por sua pele. Tocou vagarosamente a barriga lisa de Cosima, que se contraiu com seu toque. Depois subiu até os seios, apertando-os na medida certa por cima do sutiã.
“Isso é bom?” perguntou a médica no ouvido de Cosima.
“Hum-hum...” gemeu.
Lentamente a mão direita de Delphine guiou-se até o meio das pernas da garota, tocando seu sexo por cima da calcinha. Ainda em ritmo lento, ela adentrou a peça íntima e deslizou o indicador por entre os grandes lábios, afastando-os, sentindo o calor e a umidade de sua pequena, que tremia.
Delphine tinha medo de machuca-la ou de fazer qualquer coisa que a desagradasse. Por isso movia a ponta dos dedos com extremo cuidado, explorando pela primeira vez o pequeno sexo de Cosima, que não fazia nada além de respirar profundamente.
Levou o indicador para a entrada estreita da adolescente e não ousou penetrá-la, apenas lubrificou o dedo ali e tornou a subi-lo até o pequeno órgão inchado de desejo. Delphine começou a mover indicador e dedo médio juntos em movimentos circulares, massageando o clitóris de Cosima.
“Ooh... Delphine... “a menina gemeu, desesperada com a sensação de formigamento ao pé da barriga e o calor crescente no centro de suas pernas.
Cosima agarrou o braço livre da médica que lhe envolvia e cravou as unhas na pele dela com força conforme sentia seu prazer aumentar.
“Cosima” a loira gemeu no ouvido dela sem parar de mover seus dedos.
As duas estavam conectadas de maneira única naquele instante.
Delphine continuou a masturba-la com cada vez mais intensidade. Cosima gemia junto da loira e se contorcia em seus braços, arranhando as coxas da francesa, que também sentia seu corpo ardendo de desejo e o coração disparado. Ficaram durante longos minutos assim até Cosima não aguentar mais e explodir, desfalecendo nos braços da médica em seguida.
Minutos depois, permaneciam na mesma posição. Mas agora Delphine abraçava Cosima com força, prendendo-a em seus braços com carinho. Os braços da adolescente cobriam os dela.
“Até quando isso vai durar?” Cosima perguntou depois de um longo silêncio. Sua voz estava carregada.
“Como assim?” Delphine não podia ver o rosto dela, mas sentiu na rigidez de seu corpo que algo havia mudado.
“Estou condenada. Não posso sair da ilha e estou doente. Se eu não morrer, continuarei presa aqui. Já você... Seu prazo se encerra em doze meses... Agora, onze.”
Havia amargura e medo no tom de Cosima. Delphine virou-a de frente para si e viu os olhos verdes marejados.
“Vem aqui...” sussurrou a francesa, segurando o rosto dela e puxando-o para perto do seu. Cosima virou-o, não querendo encará-la. “Vem aqui” repetiu, virando-o delicadamente.
Cosima a encarou e duas lágrimas rolara pelo seu rosto.
“Eu não quero ficar sem você” admitiu, chorando.
Delphine sentiu uma vontade súbita de chorar, porque sabia que Cosima tinha razão. Era bem provável que não se vissem nunca mais depois que o prazo encerrasse.
“Eu não vou te deixar” disse, mesmo sabendo que não poderia prometer aquilo.
Selou os lábios de Cosima com força e depois a beijou. Um beijo desesperado.
“Vamos aproveitar o tempo que temos. Depois pensamos em algo, okay?” sugeriu a francesa.
“Ok...”
Depois disso, elas deitaram abraçadas em uma conchinha. Delphine atrás de Cosima. E dormiram em tal posição.
***
Cosima e Delphine estavam se agarrando no laboratório. Até estavam trabalhando na pesquisa como deveriam, até que Cosima fez uma piada que foi a deixa para a loira agarrá-la, lhe cercando na mesa e roubando beijos deliciosos. Foram flagradas em cheio por Martha e depressa se soltaram e afastaram, com os lábios avermelhados.
“Nós estávamos apenas fazendo uma ciência louca” disse Cosima ao ver a cara de espanto da mulher mais velha de olhos azuis.
Delphine pôs a mão na boca para não cair na gargalhada. Ela olhava para Cosima, que também se controlava para não rir.
“Tudo bem, eu deveria ter batido antes. Não queria atrapalhá-las” a empregada falou sem graça, colocando a bandeja com lanche sobre a mesa às pressas. “Já estou de saída. Com licença.”
Depois que a empregada saiu, as duas caíram na gargalhada e Delphine foi depressa para perto de sua mini gênio mais maluca.
“Ciência louca?” questionou as gargalhadas. “Você é demais, Cosima.”
“E não é verdade? Nós duas fazemos ciências loucas juntas...” murmurou, erguendo as sobrancelhas várias vezes, brincando com a médica, que lhe agarrou pela cintura.
“Muito loucas...”
Beijaram-se apaixonadamente, mas logo foram interrompidas novamente pelo Skype tocando no notebook. Cosima correu para atender ao chamado de sua mãe, a professora Duncan.
“Hey, mom...” disse com um sorriso aberto. Delphine surgiu ao lado da morena.
“Oi, minha querida” Duncan estava aparentemente em sua sala. “Olá, Delphine.”
“Olá, professora Duncan” a francesa parecia receosa.
“Como vão as coisas por aí?” quis saber a professora, perguntando a sua filha.
“Ah, hm... Vai tudo bem” Cosima trocou um olhar com Delphine “Estamos trabalhando direitinho, até fizemos progressos interessantes que enviamos por e-mail a vocês.
“Eu e seu pai vimos” contou a professora, sorrindo. “Vocês realmente formam uma bela dupla.”
O comentário da mulher mais velha deixou o casal sem graça. Duncan notou que havia algo estranho no ar. E mesmo há quilômetros de distância, Duncan soube pela forma como viu Cosima olhar pela câmera para Delphine que a garota estava apaixonada.
“Semana que vem eu ligo para saber como estão as coisas e trazer novidades.” Disse a loira mais velha. “Até logo, queridas.”
“Tchau, mãe.
“Au revoir, Susan.”
Quando o skype foi desligado, as duas se entreolharam.
“Que novidades serão essas?” Cosima estava bastante curiosa.
“Não faço ideia. Eu não tenho acesso a esse tipo de informação.” falou com sinceridade para a garota.
“Eles sabem da nossa relação” não foi propriamente uma pergunta, mas a adolescente ainda queria uma confirmação da loira, que com receio, assentiu.
“Eu contei ao meu superior.”
Cosima não soube o que responder, então ficou calada, pensativa.
“Ei...” Delphine se aproximou devagar. “Não se chateie. Vem cá...” puxou-a pelas mãos para perto de si. “Nossa relação pode ser o que nós quisermos que ela seja.”
Cosima assentiu e abraçou Delphine.
***
Paul, assim como Delphine, era um empregado, uma peça dentro do jogo complexo e gigantesco que era o projeto LEDA. Ele estava na Ilha porque era obrigado. Obrigado a monitorar uma das clones. Mas com tantos anos fazendo tal serviço, ele acabou se apegando à garota. Paul realmente se importava com Cosima, e conhecendo bem como conhecia os empregados da Dyad, ele não conseguia confiar em Delphine. Achava que ela estava fingindo estar apaixonada por Cosima só para conquistar sua confiança, para mantê-la sob sua vigilância e conseguir alguma coisa que a Dyad quisesse e não pudesse obter sozinha.
As duas estavam na praia juntas e Paul as observava da varanda. Elas corriam pela beira da água, jogando água uma na outra e riam. Mesmo tão distante, ele podia ouvir as gargalhadas. Cosima parecia feliz. As duas pareciam felizes, mas ele permanecia desconfiado de Delphine. Ele, melhor que ninguém, sabia como as pessoas poderiam ser capazes de fingir risos e qualquer outra coisa, caso necessário.
“Você não gosta dela, não é?” Martha perguntou, surgindo de repente ao lado do segurança, que estava com um semblante sério.
“E por que eu gostaria?”
“Ela é francesa, tem um cabelo lindo e um sorriso gentil, além de ser muito inteligente” disse a empregada, sorrindo. Martha era uma mulher perspicaz, não era a toa que trabalhava para os Duncan, ainda que fosse como governanta da mansão na Ilha.
“Não confio nela.”
“Só por que ela conquistou Cosima e você não?”
Paul revirou os olhos e riu do comentário sarcástico da mulher. Martha gostava de provoca-lo, mas eles tinham uma boa relação.
“Claro, obviamente é por isso” respondeu com ironia.
“Você se preocupa demais, Paul. A menina está feliz como nunca esteve antes” comentou, ambos olhando na direção da praia, vendo o casal de mulheres se beijarem. “Isso é o que importa.”
“Vamos ver até quando isso vai durar.”
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