What's a Soulmate?
2 Capítulo 2 - Temos Tempo
No sábado pela manhã, Susan iria embora da Ilha. Todos acordaram cedo por conta disso e até mesmo os empregados que cuidavam da manutenção da mansão foram até o heliporto para se despedir da matriarca Duncan.
Mesmo sabendo que era por causa daquela mulher gananciosa que Cosima viveria o resto dos seus dias presa naquela Ilha, mesmo sabendo que não passava de um projeto, de uma cobaia em um experimento, a garota não conseguia odiar Susan. Pelo contrário. Tinha sentimentos por ela. A amava como uma mãe.
Susan viu os olhos verdes marejados por de trás das lentes e se aproximou de sua criação, segurando o rosto dela delicadamente entre as mãos.
“Vai ficar tudo bem, criança” sussurrou amorosamente “Nós vamos conseguir a cura.”
Mas a menina não estava pensando nisso. Claro que Cosima queria se curar, não tinha a pretensão de morrer tão jovem, mas essa não era sua única preocupação. Estava sofrendo porque a única família que conhecia estava partindo.
“Oh...” a menina não conseguia disfarçar seu desapontamento, suas emoções eram sempre explícitas. “Ok...” murmurou antes de dar meia volta e sair chorando do heliporto, sem nem ao menos ver o helicóptero partir.
Delphine, que observou a cena, sentiu-se comover pela dor da garota. Ao contrário de todos ali, a médica parecia ser a única que conseguia se colocar no lugar de Cosima, que conseguia entender sua dor.
Assim que o helicóptero partiu, a cientista foi atrás dela.
Cosima estava sozinha na enorme biblioteca. Sentada à mesa de madeira com a cabeça apoiada entre as mãos, Cosima chorava baixinho.
A francesa adentrou o cômodo e foi se aproximando devagar. Parou ao lado da mesa e perguntou gentilmente: “Posso me sentar?”
Mais que depressa, Cosima ergueu o rosto e enfiou os dedos por dentro dos óculos, secando suas lágrimas.
“Ah, uhn, claro... Claro, senta aí.”
Delphine sentou ao lado dela, lhe encarando. Seu olhar era solidário, gentil.
“Deve estar pensando em como eu sou idiota por chorar por aquela mulher...” sorriu, debochando de si mesma. “A mulher responsável pelo projeto LEDA, que fez de mim um clone, uma propriedade...”
“É totalmente normal que você tenha sentimentos por ela, Cosima. Susan criou você por todos esses anos. Ela é sua mãe de criação.” falou a francesa serenamente.
“Acho que Susan deve ter uma ideia bem distorcida do que é ser mãe” franziu o queixo e fungou, sentindo o nariz carregado. “Mas é bom que ela tenha ido embora, a gente vai poder trabalhar em paz. Minha m... Susan, eu não gostava de trabalhar com ela.”
Delphine sorriu para a garota.
“Espero que goste de trabalhar comigo.”
“Quer começar?” Cosima sugeriu, sorrindo com a ideia.
“Mas Susan havia dito para folgarmos e começarmos na segunda...”
Cosima deu de ombros.
“Ela não está mais aqui, está?”
Delphine olhava encantada para a expressão da garota. Ela era esperta. Bem espertinha.
***
Passaram horas a fio dentro do laboratório estudando o DNA de Cosima. E mais uma vez as duas se viram impressionadas uma com a outra. Cosima já esperava que a médica fosse incrivelmente inteligente, por ter Doutorado em Imunologia, mas não imaginou que as duas fossem ter um encaixe tão absurdamente grande. Parecia que faíscas saíam da mente de ambas, numa atração avassaladora.
Delphine estava estatelada. Ela encarava Cosima enquanto a garota falava sem parar e fazia suas próprias pesquisas e pensava em como era surreal que um clone de dezoito anos fosse capaz de entendê-la como nunca ninguém havia o feito. Elas tinham uma sintonia inacreditável.
Não tardou para que um dos empregados da casa surgisse trazendo uma bandeja com um lanche para a dupla de cientistas. Elas pararam o trabalho por um momento para comer.
De repente Delphine riu olhando para Cosima e a adolescente ficou com cara de boba pensando se havia feito alguma coisa estúpida.
“Que foi?”
“Sua boca...” a francesa pegou um guardanapo e entregou a ela “Está suja.”
“Oh, merda!” depressa Cosima limpou os lábios com o guardanapo, corando. Mas Delphine reparou que o cantinho deles ainda estava sujo da maionese do sanduíche. “Eu geralmente não costumo comer como uma porquinha.”
O humor da pequena cientista era adorável.
“Eu diria que você come como uma criança” falou seca, voltando sua atenção para seu próprio sanduíche.
“Espero que você goste de crianças.” O que era para ser um pensamento privado se tornou um murmuro alto.
Ao ver a expressão de Delphine, Cosima franziu a testa. Puta que pariu. Eu disse isso em voz alta?
Antes que pudesse voltar atrás nas palavras, a loira explodiu em gargalhadas. Cosima ficou embasbacada, porque aquilo foi possivelmente a melhor coisa que já havia ouvido.
A adolescente sentiu-se extremamente contente por causar aquela alegria em sua médica, mesmo que fosse com um comentário idiota.
“Você” Delphine enxugou as lágrimas da borda dos olhos. “Você é tão... Nem sei como descrevê-la.”
“Irresistivelmente charmosa?” Cosima ofereceu com um sorriso.
“O meu pensamento chegou mais perto de algo como... estranha.”
Ouch. Cosima estremeceu com o coice inesperado e sentiu as bochechas ruborizando.
“Mas”, continuou a francesa “Eu gosto disso. Você é muito... criativa.”
Delphine não podia mensurar o quanto estava apreciando a companhia de Cosima, mas ela sabia que o quanto menos se envolvesse emocionalmente com ela, melhor seria. Por mais difícil que fosse, Cosima era uma cobaia como Dr. Leekie mesmo disse. Um clone, um projeto. E o seu trabalho naquela Ilha era encontrar uma cura para a doença de todas elas.
***
Quando não estavam no laboratório atrás de uma cura para a doença dos clones, Delphine observava Cosima e seu comportamento. Ela tratava todos os empregados da mansão com extremo carinho, especialmente a cozinheira Martha, com quem parecia ter uma ligação especial. Cosima era divertida e tagarela. Passava o dia todo fazendo as pessoas rirem. O único que não se deixava contaminar muito pelo seu humor adorável era Paul. Delphine percebia que o segurança estava sempre demasiadamente sério, com uma postura rígida. Ele mal falava, mas estava em todos os cantos, rodeando. Talvez ele não estivesse lá apenas para monitorar os passos da adolescente, mas os seus também, pensou a francesa.
“Você nunca fala nada?” a médica questionou Paul à noite, quando ficaram a sós na grande sala principal.
“Não sou pago para conversar” retrucou em tom seco.
“Bem, eu também não, mas acho que conversar é algo que os seres humanos fazem sempre, não?” ela o provocou, sorrindo. Caminhou em direção ao mini bar e pegou uma garrafa de gim. “Beber, você bebe?”
Paul a olhava de lado, mediando-a. A médica era bastante atraente. Seu sotaque francês era sexy, sua bunda grande e de formato perfeito. Ele não teria problema algum em leva-la para a cama se fosse outra situação.
“Não sei se é bom beber durante o expediente” retrucou Paul.
A francesa o ignorou, aproximando-se dele com dois copos cheios da bebida transparente.
“E quando seu expediente acaba?” perguntou em tom baixo, encarando os olhos profundamente azuis. “Acho que nunca, não é?” adivinhou ela, colocando o copo na mão dele. “Assim como o meu.”
Fazia bastante tempo que Delphine não se envolvia com ninguém. Dr. Leekie tentou seduzi-la, mas não obteve êxito. O último relacionamento da médica havia sido demasiadamente desastroso para que ela estivesse em busca de outro. Na verdade Delphine não conseguia lembrar-se de sentir prazer algum namorando alguém.
A francesa não sabia por que estava puxando papo com o segurança bonitão e hostil. Provavelmente não era uma boa ideia, mas naquele momento ela não conseguiu ver nada demais em flertar com o segurança.
Os dois beberam o gim ao mesmo tempo, encarando-se. Paul estava esperando para ver até onde a cientista iria.
“O que você faz aqui?” a loira quis saber, sentando-se no braço do sofá.
“Trabalho como segurança particular da cobaia em questão, como a própria Dra. Duncan lhe disse ontem.” Mesmo após uma dose de gim, Paul permanecia rígido e em alerta.
“Mas por quê?” colocou seu copo na mesinha de vidro em frente ao sofá. “Para que Cosima precisa de segurança vivendo em uma Ilha deserta? Como ela fugiria daqui?”
“Não há maneira de fugir” concordou ele com o raciocínio dela, caminhando em direção ao sofá, dando a volta e sentando-se de frente para ela em uma poltrona. “Mas isso não diminui os perigos que ela corre mesmo estando aqui.”
Perigos? Delphine franziu o cenho, interessando-se pelo rumo do assunto. De que perigos Paul estava falando? O que poderia acontecer com Cosima na ilha supostamente deserta?
A médica se levantou e foi atrás da garrafa, enchendo novamente seu corpo, virou-se para olhar o segurança.
“Aceita mais uma dose?”
“Está tentando me embriagar para obter informações?” ele foi direto na pergunta, levantando-se e avançando tão rapidamente na direção da médica que ela se viu cercada.
“E que informações que eu já não tenha um segurança poderia me oferecer?” o sorriso de deboche e alteridade no rosto da francesa deixou Paul irritado.
“Se acha muito esperta, Dra. É melhor tomar cuidado e não se esquecer de qual é o seu trabalho aqui.”
Ele se afastou e desapareceu dali.
***
Delphine estava indo para seu quarto no andar de cima quando ouviu Beethoven tocando. Reconheceu imediatamente a música: 5 Secrets. Mas percebeu que havia algo de diferente na melodia e de repente uma voz masculina começou a cantar. Era alguma adaptação da música que a francesa não conhecia. Ela seguiu o som e deu de cara com a porta do quarto de Cosima ligeiramente aberta.
“Licence?” pediu, com medo de incomodar a garota.
Cosima estava de costas sentada em sua cama e se levantou assim que ouviu aquela voz. Sorriu largamente.
“Pode entrar... Estava lendo quadrinhos” confessou, olhando na direção da pilha sobre sua cama.
Delphine adentrou o quarto, seus olhos girando rapidamente pelo lugar. Era a primeira vez que estava ali e era impressionante o que ela via...
Uma das paredes era toda desenhada. Desenhos de quadrinhos. Havia o Superman, Batman e outras figuras da DC em metade da parede, na outra metade havia os heróis da Marvel em peso. Nesse canto do quarto havia um grande sofá de couro cheio de almofadas coloridas. Na outra parede estavam uma estante enorme cheia de livros, revistas, HQ’s, CD’s e DVD’S. O quarto ainda tinha uma cama enorme decorada com uma colcha perfeita de Star Wars. O chão era coberto por tapete e Cosima tinha um móvel branco projetado que servia como um espaço particular onde ficava seu notebook.
“Muito nerd, né?” a garota perguntou ao ver a cara de Delphine.
“Demais” admitiu, rindo brevemente. “Mas lembra muito você.” Delphine fixou seu olhar no notebook, de onde saía o som da música. “É Beethoven, não é?”
“Beethoven misturado com uma banda chamada OneRepublic, é americana.”
“Acho que nunca ouvi falar” disse, sentindo-se um tanto quanto deslocada do universo adolescente que Cosima vivia, mesmo não tendo contatos com outros de sua idade. “Mas é uma boa mistura” admitiu, olhando para os olhos verdes.
“Deixe-me te mostrar outras músicas deles...”
Cosima correu até a mesinha, sentando-se em sua cadeira, mexendo no notebook. Delphine ficou em pé atrás dela. Inclinou-se um pouco, pois era demasiadamente alta e queria ver de perto o que Cosima pesquisaria. Colocou as mãos na cadeira e baixou o tronco, ficando com seu rosto próximo ao da garota, Delphine sentiu mais uma vez o cheiro único da garota, que agora era uma mistura de morangos, lavanda e madeira.
Cosima colocou alguns clips da banda no youtube e Delphine aproveitou para continuar ali, desfrutando daquele cheiro tão delicioso.
“O que acha?” a adolescente virou o rosto de repente, encarando a médica de perto, podendo ver todo seu rosto claramente.
A francesa tinha algumas pintinhas espalhadas pela pele alvo. Seus olhos eram dois planetas desconhecidos e extremamente atraentes, assim como seus lábios rosados. Delphine mordeu o lábio inferior ao notar o olhar desejoso da adolescente para sua boca. Ela sempre mordia o lábio quando estava nervosa.
“Eu...” a francesa se afastou depressa, receando o que poderia acontecer se permanecessem tão próximas. “Très bon. Muito... muito bom, quero dizer.” Ficou visivelmente nervosa e Cosima notou.
“Delphine, tudo bem?”
A loira colocou a mão na testa e notou que estava quente, nervosa. Deu um sorriso tenso e balançou a cabeça.
“Sim. Desculpe-me. Eu estou cansada, acho que já vou dormir.”
“Ahn, ok, então. Boa noite!”
“Bonsoir.”
A médica saiu às pressas daquele cômodo, sentindo-se sem ar. Correu até seu novo quarto e só depois de fechar a porta se sentiu a salvo da presença demasiadamente forte de Cosima.
“O que diabos aconteceu há pouco?” Delphine se questinou em tom alto, encarando seu reflexo no espelho.
Quando as duas se olharam nos olhos, tão perto uma da outra, Delphine sentiu o coração disparar e era como se existisse uma força invisível lhe atraindo para a garota. Quando viu o olhar de Cosima para sua boca, quando viu que a menina desejava lhe beijar, algo dentro da francesa quis muito que Cosima o fizesse e aquilo era assustador.
***
Cosima ouvia música do celular pelos fones de ouvido e ria de si mesma deitada em sua cama. No que estava pensando ao encarar a boca de sua médica daquele jeito? Claro que Delphine percebera. Deve ter ficado assustada, por isso praticamente fugiu. Como Cosima desejou beijá-la naquele instante, mesmo nunca tendo beijado ninguém antes.
Nunca teve a oportunidade de conviver com outros jovens. As pessoas que conheceu além dos pais foram seus empregos e seguranças. O número de gente não chegava a trinta. Os outros rostos que via era pela internet, à distância. E a distância qualquer um poderia parecer atraente. Por conta desse isolamento obrigatório, Cosima nunca namorou ninguém, não fazia sequer ideia do que era estar apaixonada, por mais que assistisse séries e filmes que retratassem o amor. Cosima se sentia um ET.
Com pensamentos confusos em relação à francesa, Cosima adormeceu. Mas no meio da madrugada acordou com um acesso de tosse.
Cosima tossia sem parar, sentindo os pulmões doerem. Colocou as mãos na frente da boca e viu uma quantidade assustadora de sangue. Nunca havia colocado tanto sangue assim para fora.
A francesa que dormia no quarto ao lado acordou com a tosse incessante de sua paciente e se levantou depressa. Cosima viu-a adentrar seu quarto usando um robe branco que deixou-a ainda mais parecida com uma criatura celestial.
“Cosima, você está bem?” foi depressa até a cama, sentando-se ao lado dela.
“É... Acho que já estive melhor...” mostrou as mãos cheias de sangue e o olhar da Dra. Cormier foi demasiadamente preocupado para alguém que mal a conhecia.
Delphine se levantou, saiu sem dizer nada e voltou com um pedaço de papel higiênico dobrado. Usou-o para limpar as mãos e os lábios da garota.
Cosima encarava a loira a sua frente bestificada com todo seu jeito preocupado e cuidadoso. Se bem que... Ela era sua médica. Estava lá para se certificar que uma das cobaias do Projeto LEDA não morresse. Mesmo assim, Cosima sentia que aquela mulher se preocupava com ela.
“Você é linda” a adolescente deixou escapar o pensamento que veio a sua mente enquanto olhava para a francesa. Cosima estava se sentindo esquisita, quente, meio molenga e com a vista embaçada. “Merda, você é muito linda.”
Delphine a olhou espantada e viu que sua aparência estava estranha, então tocou-a na testa.
“Cosima, você está ardendo em febre!” disse alarmada. “Oh mon dieu! Precisamos controlar essa febre agora...”
“A Doutora é quem manda” falou com a voz pastosa, sorrindo como uma tola.
“Tire suas roupas” mandou, levantando-se da cama ainda com uma expressão tensa no rosto. “Um banho frio vai ajudar.”
Delphine adentrou o banheiro do quarto da garota e ligou a água fria da banheira, querendo enchê-la o mais rápido possível.
Uma Cosima confusa começou a livrar-se de suas roupas, ficando apenas com um conjunto de calcinha e top na cor preta. Mas ao tirar as roupas, começou a bater os dentes de frio.
“Oh, merda. Que frio, que frio, que frio!” a morena se abraçou com os próprios braços, tremendo. Delphine voltou do banheiro bem a tempo de presenciar tal cena. “Eu não sei se vou querer esse banho gelado, não.”
“É preciso, Cosima. Você está ardendo em febre. Venha...” estendeu suas mãos para a garota, que se soltou para segurá-las.
Delphine pode ver o corpo pequeno quase totalmente nu. Todas as partes de Cosima eram pequenas, de uma aparência frágil. A médica guiou Cosima até a banheira que já estava cheia. Cosima choramingou ao entrar na mesma, tremendo o dobro que antes.
“Eu sinto muito, mon cher, mas não há alternativa” murmurou carinhosamente “Eu vou buscar um remédio para você.”
Delphine correu até seu quarto e pegou sua maleta. Depois de alguns minutos ela retornou ao banheiro com um copo d’água e o comprimido para Cosima, que ainda tremia dentro da banheira.
“Pronto, isso deve abaixar sua febre logo” disse depois de vê-la engolir o comprimido.
Delphine sentou-se no chão ao lado da banheira, fazendo companhia para a menina que batia os dentes e olhava para o nada, parecia num estado de semiconsciência por causa da febre.
“Ainda estou viva?” a adolescente perguntou depois de minutos em silêncio.
“Está, sim” Delphine se inclinou, encarando-a com um sorrisinho contido. “Deixe-me ver...” colocou a mão gentilmente na testa dela, sentindo a pele macia e suada. “Abaixou um pouco. Já pode sair daí.”
“Graças a Deus...”
Delphine pegou uma toalha e recebeu a adolescente frágil nos braços, envolvendo-a com a toalha. E mesmo por cima do tecido, Delphine podia sentir o calor que Cosima emanava, podia sentir seu cheiro. Levou-a depressa de volta ao quarto e Cosima vestiu roupas de tecido mais leve.
Alguns minutos se passaram. Cosima estava deitada em sua cama, descoberta. Delphine sentada em sua cadeira, próxima a ela, lhe guardando. Em silêncio, ambas pensavam no que estava acontecendo. Na razão pela qual estavam se sentindo tão diferentes com a presença uma da outra.
Delphine estava ainda ali porque tinha que se certificar de que Cosima ficaria bem, pois era sua paciente. Mas não só por isso. Estava lá porque queria que a menina ficasse bem não só pelo sucesso do seu trabalho, mas por se importar com ela.
Cosima nunca teve amigos, nunca teve ninguém “de verdade”. Todos que estavam ao seu redor pareciam peças em um jogo no qual ela estava inserida desde que nasceu. E de repente, agora, ela tinha Delphine. Que mesmo sendo sua médica, parecia diferente de todos.
“Será que isso vai funcionar?” murmurou Cosima com um olhar perdido.
Sua pergunta poderia se referir há muitas coisas. Poderia se referir a eficácia dos métodos para conter sua febre, poderia se referir ao trabalho que ela e a Dra. teriam ao longo de um ano para encontrar uma cura para sua doença. Também poderia se referir à aproximação delas. No fim, se referia há todas as alternativas.
Delphine entendeu todas as referências da adolescente e num rompante segurou a mão dela que estava na cama. Cosima a olhou nos olhos, e sem óculos seus olhos verdes ganhavam ainda mais destaque.
“Nós temos tempo para descobrir.”
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