What the hell
4 Cachorro engarrafado.
Notas iniciais
"O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado."
POV´ em terceira pessoa.
Alice estava sentada na banqueta giratória em frente ao balcão, com a mão esquerda, segurando uma caneca com achocolatado, suas unhas batiam repetidamente no balcão de mármore da cozinha americana. Tinha vasculhado toda a casa a procura de Felipe, inclusive esteve procurando na casa da Srª Lapaz, mãe da Ana Luísa – vulgo vadia –. Porém ele não estava em nenhum desses lugares, e seu celular estava sem carga, sobre a mesinha de centro.
Quando ouviu o barulho de chaves, e depois a porta batendo. Largou rapidamente seu copo e correu para a sala de estar.
— Oi... — Felipe sorriu — Pens...Eu, não te dormi? — sobressaltando uma sobrancelha — Digo, te deixei dormindo. — gargalhou, tombando a cabeça para o lado.
— Felipe, você andou bebendo? — caminhou na direção do irmão — Felipe? Isso é Wisk? — Alice olhou para uma das mãos de Felipe, onde continha uma garrafa, incompleta de um liquido âmbar.
— Não! — meneou com cabeça, logo escondendo a garrafa de wisk atrás do corpo. — Eu não! — sorriu.
— Oh, droga! — resmungou, passou as mãos sobre os cabelos, enquanto parecia uma barata tonta, andando de um lado para outro. — Felipe, por que você bebeu?
— Eu não bebi. — bateu um dos pés no chão, a garrafa de wisk caiu no chão, quebrando-se em pedacinhos e molhando o assoalho, visivelmente estava bêbado. — Eu estou be... só quero dormi. — Felipe soltou uma lufada de ar pela boca, enquanto fungava seu nariz.
— Você, precisa de um banho. — Alice suspirou, pegou a mão de Felipe e o puxou escada acima.
— Eu não preciso de um banho, eu quero dor... — Felipe contraía seu corpo, impedindo que Alice caminha-se livremente com ele.
— Também precisa escovar esses dentes. Que bafo! — revirou os olhos verdes, e balançava as mãos sobre o nariz, espantando o pequeno odor da bebida.
Foi realmente complicado, subir todos os degraus arrastando Felipe, quando chegou no último degrau, Alice suspirou agradecida, por não ter descido as escadas rolando. Felipe era considerado como um morto-vivo naquele momento, Alice colocou-se atrás de Felipe e usando uma força desconhecida por ela, conseguiu empurrar Felipe até o banheiro do quarto.
A banheira estava sendo completa por água e sais neutros. Felipe estava sentado no vaso sanitário, rezingando algumas palavras emboloradas, enquanto Alice tirava boa parte da sua roupa, o deixando apenas de cueca boxer.
A temperatura da água em um modo satisfatório, porém Felipe reclamava, chorava, gargalhava e reclamava novamente, Alice o remediava enquanto lhe dava banho.
Trinta minutos foi o suficiente para que Felipe estivesse tomado banho e escovado os dentes. Com uma toalha, cobrindo suas partes intimas, Felipe se encontrava sentado em sua cama, Alice estava logo a sua frente, procurando – em meio a toda bagunça no armário de roupas – procurando uma ceroula – cueca samba canção –, após muita persistência, em meio a tantas blusas, meias e tantas outras peças, Alice conseguiu encontrar a cueca. Para afastar a cueca das outras peças de roupa, Alice a colocou entre os dentes – N/A: é um pouco nojento haha –, em seguida deu início a uma dura batalha com as roupas, jogando-as dentro do guarda roupa de qualquer jeito, amassando-as e deixando todas emboladas. Fechou rapidamente as portas do guarda-roupa, evitando que toda a pilha de roupas, caíssem do armário em um estrondo. Entregou a roupa para Felipe, depois de vestido, ele se deitou na cama e Alice o cobriu com a grossa camada de edredom. Felipe permitiu um espaço na cama, para que a irmã se sentar-se..
— Por que ela fez isso comigo, Al? — sussurrou rouquenho
— Quem? Isso o que? — Alice indagou, enquanto suas mãos brincavam nos cabelos negros de Felipe.
— Eu lhe dei meu coração, ela o quebrou. — aspirou fortemente pelo nariz.
— Quem? — Alice parou com o cafuné no cabelo de Felipe.
— Traídora! Vagabunda! Filha da puta! — passou a mãos sobre o olho, enxugando-o.
— Quem é Felipe? — Alice perguntava novamente.
— Ela engravidou de outro, que agora, não quer saber dela. Bem feito! — sorriu — Tenho pena da criança, coitado (a), ter uma mãe daquelas, vadia desgraçada. — cuspiu as palavras em um tom de nojo.
— Que porra! Quem é? — levantou-se da cama, já estressada.
— Ana Luiza, porra! — gritou, em seguida colocou a mão sobre a cabeça, sentindo um pequeno pesar.
Alice o olhou surpresa, sabia muito bem que a Ana era uma vadia, esqueceu-se de quantas vezes falou isso para seu irmão, porém não acreditava que ela seria capaz de traí-lo, já que sua família, são de pessoas evangélicas. Apenas disse um: descanse para Felipe, e saiu do quarto apressadamente. Em passos longos, Alice corria nas escadas, sua pressa era tanta que pulava dois e dois degraus, poderia tropeçar e ficar marcada lá em baixo, pois a garrafa quebrada de Felipe, estava ao pé da escada, esperando que alguém a retira-se.
Puxando as chaves da fechadura, abrindo e batendo a porta, em movimentos rápidos, Alice correu para fora de casa e atravessou a rua silenciosa. Estava tarde para fazer uma visita amigável – nesse caso inimigável –, passavam-se das duas horas da manhã. Apenas a noite estrelada e os postes iluminavam a vizinhança, as casas estavam todas com as luzes apagadas.
~campainha~ ding dong – ding dong – ding dong – ding dong – ding dong
Alice tocava desesperadamente a sineta de mão, o barulho ecoava por todo o quarteirão. Não importando-se com quem abriria a porta, iria acertar as contas com Ana. Após três longos minutos, Ana Luiza atendeu a porta, vestida em uma camisola de mangas compridas, calçando uma sandália confortável e com o cabelo preso em bobes.
Ao ver a figura de Alice em sua frente, Ana coçou os olhos e resmungou:
— O que você quer? — entortou os olhos.
— Era com você mesmo, que eu queria falar. — seus lábios abriram um sorriso maléfico.
— Não poderia esperar até amanhã? — resmungou.
— Não!
Alice a puxou pelos braços e fechou a porta de sua casa.
— Que história é essa que o Felipe me contou? — encruzando os braços, em frente ao peito.
— Me poupe, eu não devo satisfações a uma pirralha. — caminhou de volta para casa.
Segurando em seus cabelos, Alice a puxou de volta.
— Estás louca? — gritou empurrando-a
— Estou! Ninguém faz o meu irmão de otário. — empurrando-a também.
— Eu faço quem eu quiser de abestado! — gritou — Não venha você, uma vagabudinha adolescente, querer mandar em mim. Eu faço o que eu quiser!
— Felipe não é brinquedo, ele tem sentimentos! Já pensou nisso? — gritei
— Foda-se você, foda-se ele, e foda-se os sentimentos dele. — expôs o dedo do meio. — Quero mais que vocês, tomem no cu!
— Quem vai tomar no cu, é você! — empurrando-a com raiva, Ana caiu no chão ralando o cotovelo. — Minha vontade é de lhe dá um bons tapas, mas não irei fazer isso por causa dessa criança. — apontando-lhe na cara o dedo indicador.
Ana Luiza fez um ligeiro movimentos nos lábios, passando o pé entre as pernas de Alice, dando-lhe uma rasteira. Alice, sendo pega desprevenida, caiu no chão, batendo sua cabeça no asfalto e ferindo uma das mãos.
— Vagabunda! — rosnou, por entre dentes.
Tapas, murros, puxões de cabelo, mordidas e arranhões. Aquilo estava uma verdadeira confusão. Com os latidos dos cachorros de rua, e das casas vizinhas. Muitos curiosos assistiam a luta de rua, não era possível saber quem estava batendo e quem estava apanhando. Alice e Ana, estavam engalfinhadas na pista. Um vizinho da casa ao lado de Alice, filmava o fight pela câmera do celular. Felipe dormia tranquilamente em seu quarto, mesmo com o barulho, não levantará para saber o que estava acontecendo. Também pudera, ele passou a noite toda acordado, vigiando o sono de Alice, na noite anterior.
Seu Orlando e dona Perlla, assustaram-se com a barulheira e os latidos vindos da rua, curiosos — como todo vizinho é -, desceram as escadas correndo, para saber o motivo da confusão. Ao perceber que a garota de cabelos castanhos, se tratava de sua filha, Orlando e Perlla, correram para apartar a briga.
Após estarem separadas, Alice lutava para conseguir segurar nos cabelos daquela puta.
— Volta aqui, eu não terminei! — gritando.
— O que está acontecendo aqui?! — Orlando, que segurava Alice, perguntou cansado de toda confusão.
— Pergunta sua filha. — Alice disse olhando a garota. — Ou eu devo dizer, mamãe? — sorriu.
Ana olhou assustada para Alice, e engatou-se em um choro falso, reclamava de dores no corpo e dizia que foi bastante machucada.
— O que aconteceu Ana? — Perlla perguntou a filha, que chorava em seus braços
— Mamãe! — sussurrou — O irmão dela, me desonrou. — olhou para a mãe com os olhos cheios d'água.
— Mentira! — Alice gritou — Ela está grávida de um outro homem, um qualquer, que meteu o pé no mundo, quando soube do bebê. Ela traiu a confiança do meu irmão! — apontando o dedo para a morena — Ela é uma vagabunda, meteu um belo par de chifres na cabeça de Felipe.
— Isso é verdade Ana Luiza?! — Orlando, que já tinha libertado Alice dos seus braços, olhava perplexo para a filha.
— Não! É mentira dela! — correu para agredir Alice, porém o corpo rechonchudo do seu pai, lhe impedira. — Vou matar você!
— Mentira nada. Garanto que um bom teste de gravidez irá comprovar, e um teste de DNA também, meu irmão não será crucificado por algo que ele não fez. — olhou ferozmente para Ana.
— Já para casa! — seu pai resmungou.
— Mais...
— AGORA! JÁ PRA CASA, ANA LUIZA! — gritou, enquanto indicava o caminho da porta.
Ana Luiza, obedeceu rapidamente a ordem do seu pai, sua mãe logo foi atrás da filha, lhe dá um devido consolo. Orlando abaixou-se pegando um pequeno maço de chaves do chão, entregando para Alice.
— Você também, vá pra casa. — disse naturalmente, enquanto entrava em sua casa.
Alice caminhou para sua casa, sobre os olhares curiosos dos vizinhos, estava tentando abrir sua porta, quando percebeu um flash em sua direção. Olhou para a janela da casa vizinha, e lá estava Pedrinho, um menino ruivo, cheio de sardas.
— Seu filho da puta. Se você colocar isso na internet, eu mato você! — Alice falou ríspida, assustando o pobre garoto, que fechou as janelas, chamando sua mãe.
Alice entrava em casa, e suspirou ao ver que os cacos da garrafa de wiski, ainda continuavam ali, fechou a porta, e colocou sua chave, em seu antigo lugar.
(...) Alice estava abaixada, com os joelhos no chão, suas mãos faziam um movimento de vai e vem, com o pano molhado de água e detergente de maçã, Alice esfregava o assoalho de madeira, tirando o cheiro de wisk da sala. Em um canto, próximo ao balde com água, estava um saco com os cacos de vidro. Após o chão ficar limpo, Alice guardou os produtos de limpeza, jogou o saquinho no cesto de lixo, lavou as mãos e sentou-se no sofá. Não sentia sono e seu corpo encontrava-se com disposição, então ligou a televisão, assistindo os programas sem sentidos, exibidos na madrugada, enquanto comia alguns biscoitos recheados, com achocolatado em caixa.
(...)
Felipe acordou com uma forte dor de cabeça, revirou-se na cama, sentindo todo o seu corpo dá uma estalada, balbuciou vários palavrões, culpando o maldito wisk, pelas dores. Uma sensação desconfortável, e logo sentiu náuseas em seu estômago, moveu-se com velocidade para o banheiro, e vomitou. Esses eram os efeitos da ressaca.
Após tomar um banho extremamente frio e vestir apenas uma bermuda tactel, desceu a escadaria, sem pressa alguma, com passos lentos e calculados, chegou a sala-de-estar. A televisão estava ligada, ele não fez questão de saber qual programa estava sendo exibido. Caminhou para cozinha, e encontrou Alice, em frente ao fogão, fazendo alguma comida.
— Bom dia. — sentou-se em uma cadeira — Está fazendo o que?
— Strogonoff de frango. — Alice respondeu, enquanto seus dedos deslizavam uns nos outros, colocando algum tempero na comida.
— O que foi isso em sua mão? — Felipe indagou, olhando a mão esquerda da irmã, que estava coberta com atadura e um pedaço de esparadrapo.
— Briguei. — respondeu tranquila, após desligar o fogo.
— Você brigou? — apoiou o cotovelo sobre a mesa, e encostou sua cabeça em sua mão. — Com quem?
— Ana. — disse, enquanto pegava a panela e colocava em um "descanso de panela" que estava em cima da mesa transparente.
— Você brigou com ela? — esbugalhando os olhos verdes — Por que?
— Ela te colocou um par de chifres. Isso já é um bom motivo. — pegando os pratos e talheres no armário.
— Ela está grávida! — bateu a mão sobre a mesa.
— Eu sei — falou no mesmo tom. — Porém ela começou, e não sou de levar afrontas para casa. — dando uma piscadela com o olho. — Contei pros pais dela. — sentou-se na mesa.
— Coitada da garota. — sussurrou, colocando sua comida.
— Coitado de você. — revirou os olhos — Estive vendo os classificados de hoje, tem casas ótimas, alugando em Niterói. — colocou uma quantidade de comida sobre a boca. — Hm... — mastigou um pouco, colocando a comida em um canto da boca — Mas em São Paulo, tem uma casa ótima, vendendo, pelo preço de três alugueis, que pagaríamos lá em Niterói. Se Caso, resolvêssemos mudar. — voltou a mastigar.
— Você está pensando em se mudar?
— Sim! — suspirou — Eu sei, é cedo de mais. Sei também que irei sentir falta desta casa, dos nossos pais, e dos momentos vividos aqui, mas eu quero recomeçar. Não quero ficar aqui, me prendendo a um passado. — coçou o braço, espantando um mosquito. — Além do que, chegou uma ótima proposta de emprego pra você, em São Paulo.
— Mais, e a Identidade Visual? — lembrou-se da empresa — Nossos pais, batalharam tanto.
— Pedimos para o Antônio, cuidar de tudo. Ele é sócio, e um antigo amigo da família. — bebericou um pouco de refrigerante. — Acertamos com ele, e todo mês ele nos manda 50% dos lucros da empresa. — engolindo o refrigerante — A casa, podemos colocar em um anuncio, calculamos o valor dela, e o valor dos moveis, eletrodomésticos. Vendemos ela. — coçou a cabeça. — Vamos Felipe, por favor?!
— Você quer mesmo?!
— Sim. Vai ser muito duro, se desfazer de tudo. — sussurrou olhando em volta.
— Certo, iremos para São Paulo. — confirmou, terminando de almoçar, sua comida morna.
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