What if us...
1 Se fosse um filme... Mas não é.
Notas iniciais
Se isso aqui fosse um filme da Disney (ou qualquer conto de fadas colegial), imagine a cena do primeiro dia de aula. A câmera desceria para a entrada da escola, adolescentes por todos os lados, uma música animada tocaria de fundo. Poderiam ser vistos os grupos bem distinguidos: os nerds, os valentões, os populares — incluindo as patricinhas e os jogadores-, os góticos, e muito mais. Por fim, um close na chegada (possivelmente embaraçosa) da protagonista, que por um acaso é novata. Chegaria sem jeito, não teria amigos ainda. Olharia aquele garoto bonito num uniforme de (insira esporte americano aqui), com uma loira pendurada ao seu pescoço. E, antecipando o final do filme, num baile de inverno, a nossa protagonista finalmente beijaria o garoto popular. Só sorrisos.
Mas isso aqui definitivamente não é um filme, muito menos um conto de fadas.
De qualquer forma, pegaremos emprestado um início clássico. A garota corre pelo colégio, fones de ouvido pendurados, atrasada. Para em frente à porta da sala de aula, para por o cabelo de volta no lugar. Tenta controlar a respiração, apesar de ainda estar um pouco ofegante. Ergue a mão fechada para bater na porta.
- Alícia, isso são horas? — A coordenadora surge, literalmente, do nada. Alícia tomou um leve susto, mas se virou para responder.
- Eu tive um problema e... — Era boa com desculpas, mesmo não precisando usá-las com frequência. O que não gostava nem um pouco, era da coordenação.
- É a segunda vez essa semana, em sequência! Não deixarei passar da próxima vez. Entendeu? — E atrás da coodenadora Luíza, uma garota, que ela não conhecia, observava calada. — Vamos entrar.
Sendo o que lhe restava a fazer, abriu a porta da sala. E tanto a metade dos alunos que prestava atenção, quanto a outra metade que fazia bagunça, virou-se para ver quem estava atrasado. Entrou, fingindo não sentir os olhares que caíam sobre ela, e sentou no seu lugar, à frente. Logo, aquela concentração foi desviada para a tal garota junto à Luíza, que estava na frente da sala.
- Bom dia, essa é a Hanna, nova aluna daqui. Espero que todos se deem bem com ela!
Havia uma cadeira vaga nas últimas fileiras, mas um garoto deu seu lugar à Hanna, que então sentou ao lado de Alícia. A novata atraiu alguns olhares masculinos logo no início do dia, e umas nada discretas encaradas femininas. No primeiro tempo de intervalo, Alícia e Hanna convesaram nas arquibancadas, enquanto "assistiam" a uns garotos que jogavam basquete.
Alícia tinha cabelos castanhos e bem ondulados, com algumas mechas claras e cacheadas nas pontas. Sua altura era um pouco abaixo da média, e seu peso também. Seus olhos eram castanhos e conseguiam se destacar, em meio à negra máscara de cílios que os envolvia.
Já Hanna, com cabelo liso e louro escuro, olhos verdes acinzentados, e estatura um pouco acima da média, preferia sua maquiagem na cor azul marinho.
POV's Alícia
Foi algo sem explicação. Sentamos próximas durante as aulas naquele dia. E, apesar de tanta gente querendo fazer amizade com a novata super linda, ela encurtava as conversas ao menor tempo possível. Algumas das garotas da nossa sala já a olharam como uma nova recruta, enquanto outras nem quiseram chegar perto. Não sei se foi por minha causa. No colégio, eu não era bem o conceito correto de popular. Os de turmas mais novas sempre queriam se aproximar de mim. Os mais velhos, nem tanto. Conseguia fazer mais amizade com garotos. Com meninas, nem tanto. Não saía muito de casa, não ía a festas. Mas, minhas notas? Sempre foram de fazer inveja. Aos 15 anos, eu ainda não entendia minha própria personalidade.
Ao fim da primeira semana após a chegada de Hanna, sabia algumas coisas sobre ela. Sua mãe negociava acordos numa empresa multinacional de engenharia, acho. Por causa disso, era comum se mudar tanto. Tinha um irmão mais novo, Lucas. Seu estilo musical era bem parecido com o meu, de Paramore à Jessie J, de Maroon 5 à Green Day. Também gostava de escrever, se inspirando nas emoções. Resumindo em poucas palavras, daríamos boas amigas.
Na terceira semana, comecei a ir à sua casa. Às vezes saíamos, e ela me dava algumas dicas para ser mais social. Até para mim mesma, comecei a parecer mais... Garota. E, parando para pensar, alguns meninos da minha idade estavam começando a olhar para mim. Antes de completar um mês, fomos convidadas para uma festa. É claro, Hanna foi convidada. Por estarmos quase sempre juntas, fui também por consequência.
- Vamos, Alícia. É a chance de por em prática o que te ensinei. — Segundo ela, eu tinha que ir e ponto.
E então, decidi que iria. Ela meio que decidiu por mim. Eu fui para a casa de Hanna, então ela me arrumaria e tudo o mais. Quase uma festa do pijama, foi engraçado. Passamos o dia discutindo sobre os garotos que estariam lá, minha roupa que estava muito simples, se ia ter bebida alcoólica, minha roupa, besteirinhas de garotas, minha roupa, e ela escolheu por fim me emprestar uma saia mais chamativa (e por chamativa, quero dizer mais curta). Protestei, supliquei, mas não deu outra. Começamos a nos arrumar. Hanna fez minha maquiagem, meu cabelo, tudo. Até porque nunca tive jeito pra nada disso. E finalmente estávamos prontas.
- Olha como você tá, Ali, olha no espelho! — Ia perguntar quem tinha dado a permissão de me conceder um novo apelido, mas ao ver meu reflexo fiquei ainda mais desconcertada.
- Hanna, eu tô... Como conseguiu? — Ela riu e pôs-se ao meu lado.
- Estamos lindas, eu sei.
O cabelo liso e claro dela estava cacheado nas pontas, e o meu estava penteado para um lado só, em meu ombro. Não consigo descrever melhor, mas sei que estávamos muito "wow". Enfim, estava na hora de ir. A mãe da Hanna nos daria carona. No caminho até a festa, Hanna me lembrou que não tinha com o que me preocupar, e isso realmente ajudou. Seria minha primeira festa, festa. Sabe? Nada de criança, nem aniversário, nem pais supervisionando. Eu seria minha própria responsável, e como isso provavelmente daria errado, a Hanna estaria lá.
Notas finais
Até o próximo cap...
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