What if?
1 Prólogo
Notas iniciais
Mais do que nunca, Hermione Granger vivia uma rotina entediante. Entre correr todas manhãs, trabalhar todos os dias e voltar sozinha para seu pequeno flat todas as noites, evitava a todo custo pensar nos últimos meses. No tempo que lhe restava, mergulhava em livros para tentar distrair-se e contava os dias para retornar à Hogwarts, lendo e relendo inúmeras vezes a carta que recebeu da escola:
Prezada Srta. Granger,
A nova diretora da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Prof.ª M. McGonagall, convida-a para completar seu 7º ano.
Caso decida terminar seus estudos, queira registrar que o novo ano letivo começará dia 1º de setembro. O expresso de Hogwarts partirá da estação de King’s Cross, plataforma 9 3/4, às onze horas.
Solicitamos que a Srta. adquira uniformes lisos, como os dos primeiranistas, sem o símbolo de nenhuma de nossas casas.
Estamos anexando, nesta oportunidade, a lista de livros para o próximo ano.
Atenciosamente,
Prof. Slughorn
Vice-diretor
Surpreendentemente, faltando pouco mais de dois meses para o início das aulas, a bruxa ainda não tinha seus materiais, diferente dos anos anteriores nos quais não perdeu tempo em comprar seus livros escolares no Beco Diagonal. Não que pretendia retornar a para seu último ano sem antes estudar os conteúdos que seriam explorados em aula, de forma alguma. Hermione Granger poderia até ter mudado, e drasticamente, sem dúvidas, mas esses eram um dos traços que não havia abdicado. Afinal, já havia abdicado de muito.
Seus cabelos, antes no meio das costas, encontravam-se na altura dos ombros. Desistiu de ter um corte longo pois não suportava a ideia de alguém puxá-los da forma que Bellatrix fez quando a torturou. Não permitiria jamais que alguém o fizesse novamente, mesmo que seus pesadelos a lembrassem constantemente da situação.
Queria poder dizer que tais pesadelos remetiam apenas a aquela noite na Mansão Malfoy, mas estaria mentindo. Era atormentada com mais memórias da guerra, muitas vezes distorcidas, vendo os rostos daqueles que não conseguiram sobreviver a perseguindo. PerdeU as contas de quantas noites passou em claro, aterrorizada com suas lembranças e ainda mais na possibilidade de revivê las em forma de sonho, o que levou Granger a desenvolver um vício em poções para sonos sem sonhos, quais pararam de ter o efeito desejado depois de semanas consumidas diariamente.
Infelizmente, seus terrores não assombravam-na apenas durante a noite: a cicatriz em seu antebraço não a deixava esquecê-los. Usava um feitiço de desilusão para evitar que os trouxas com que convivia percebessem as palavras marcadas em seu braço. No entanto, o feitiço não impedia que a jovem lesse “Mud Blood” toda vez que olha-se para a própria pele.
Deixou de viver rodeada pelas pessoas que amava e se afastou do mundo bruxo após o fim da guerra. Perdeu o contato com os Weasleys — o que incluía Harry — após o término de seu relacionamento com Ronald. Não queria mais ver o ruivo depois de ter seu coração destroçado por ele, e nao queria que a família dele, que um dia também havia sido sua, ficasse em uma posição desconfortável. Amava muito eles e admitia que sentia muitas saudades, mas em algum momento Hermione achou que se afastar era a melhor opção — e ela não era conhecida por voltar atrás em suas decisões. Deixou de receber cartas de Ginny e de Harry quando contou que tomaria um tempo para si, e recebeu uma resposta seca alegando que eles fariam o mesmo pois, caso contrário, Ron acharia que eles estariam o “traindo” e “tomando o lado de sua ex”. Passou a viver em um bairro trouxa para fugir dos holofotes evitar mais comentários sobre a atuação da bruxa na guerra, principalmente por parte dos jornais. E o pior de tudo, podia ser, oficialmente, considerada órfã. Nao porque o Sr e Sra Granger haviam falecido, nao. Era órfã pois, mesmo sendo a bruxa mais brilhante de sua idade, Hermione não conseguiu reverter o feitiço que colocou para protegê-los, e não permitindo que os pais reconhecem a própria filha.
Perdia as contas de quantas vezes se pegava culpando a si mesma por algumas escolhas, as que considerava que a tinham levado até ali, culpando-se por elas e por tanto mais, mesmo sabendo que, no fundo, não deveria. Tinha completa noção de que tudo que havia acontecido não era apenas feito seu.
Assim, mais do que tudo, Hermione Granger só queria sua vida de volta. Queria voltar a ter seus amigos, a ter seus pais. Queria voltar para antes da guerra implodir, antes de ter considerado começar o namoro desastrado com o Weasley. Hermione queria voltar para época em que suas preocupações eram tiram boas notas em Hogwarts e resolver alguns casos misteriosos com seus melhores amigos. Queria andar pelos corredores do castelo sem lembrar-se dos que morreram neles durante a batalha. Queria um pouco de normalidade, queria que tudo voltasse a ser como antes.
Mas ela sabia que isso não ia acontecer, que isso não era possível. E, alguma parte de si teve certeza que sua vida tomaria rumos ainda mais inesperados quando, em um dia de chuva, reconheceu uma figura encharcada adentrou a cafeteria em que trabalhava.
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