Notas iniciais
Certeza que a Desee vai adorar o nome do capítulo HUSHAUSHA
Enfim, nesse capítulo tem o término do julgamento. Será que o Frank vai ser inocentado?
Boa leitura :)

Demorados minutos depois, o juiz e o juri voltaram tomando seus lugares.


–Silêncio, por favor. — Pediu. — A decisão foi tomada.


Senti minhas pernas tremerem diante dessas palavras.


–O juiz e o juri decidiram que o senhor Frank Anthony Thomas Iero Jr. é... Inocente. Deixando de ter que cumprir 11 anos e 2 meses. E que o delegado Richard Benjamin Tavares perde sua licença de exercer sua função de delegado, sendo sujeito também a cumprir 3 anos de pena. O julgamento se dá encerrado por aqui.


Era mentira, um sonho, eu não estava ali, eu acordaria em minha cela fria e imunda em 3,2,1... Não! Era verdade. Senti lágrimas de felicidade transbordarem por meus olhos e também uma mão tocar em meu ombro, virei para ver quem era.


–Booooooys doooon't cry! — Cantarolou Gerard, me abraçando em seguida.

–Gee obrigado eu...

–Eu te amo. — Falamos juntos.


Depois de assinar uns documentos com o auxílio de Ray, fui liberado, enfim eu poderia ir pra casa, deixar aquele lugar que fazia parte de meus pesadelos. Eu e Ray seguimos por um corredor entre salas até encontrarmos Tavares, com uma expressão horrível, se segurando pra não chorar.


–Você me paga Iero! — Murmurou.

Nem se quer olhei para trás, com desprezo saímos o mais rápido possível, até encontrarmos o delegado Steve.


–Muito bem Frank! — Disse, apertando minha mão com um sorriso. — Posso te chamar assim né?

–Claro, como não? Muito obrigado, sua ajuda foi fundamental. — Agradeci.

–É minha função. Agora... Boa sorte com sua nova família. — Desejou.

–Obrigado. — Falei.

–Doutor Raymond, excelente trabalho. — Disse apertando a mão de Ray. — Agora tenho que resolver algumas coisas. Até.


Fomos até o estacionamento onde Gerard me esperava do carro. Eu estava orgulhoso por sair pela porta da frente e sem algemas dessa vez.


–Tchau Ray, valeu cara!

–Que nada Frank, próxima confusão que se meter, tô aí. — Riu.

–Nem fala isso. — Falei, dando um forte abraço nele. -Valeu.


Ray foi em direção ao seu carro e eu ao de Gerard, que me esperava com um sorriso que ia de orelha à orelha. Me sentei no banco da frente e fechei a porta. Gerard me deu um beijo na bochecha e disse:


–Pronto pra ver o rostinho de suas filhas pela primeira vez, papai?

–Vamos logo, não estou me aguentando de curiosidade. — Confessei.

–Mas só podemos trazê-las pra casa amanhã. — Falou, saindo com o carro.

–Mas o que? Por que? — Perguntei, desapontado.

–Elas precisam ficar na encubadora mais um diazinho ainda. Calma, vai ser bom, você pode arrumar suas coisas e...

–E você pode levar suas coisas pra lá. — Eu disse, tímido.

–Como... Co-como assim? — Perguntou, me fitando assim que paramos no semáforo.

–Gerard, nós nos amamos, podemos criar Cherry e Lily juntos, se você aceitar é claro. Eu te amo! — Falei, olhando no fundo de seus olhos.

–Mas é claro que eu aceito. Frank, eu te amo! — Disse, segurando meu rosto com as duas mãos e me beijando.


O semáforo abriu e nem nos demos conta, só percebemos quando o barulho ensurdecedor das buzinas começou a nos incomodar. Gerard abriu a janela do carro e gritou:


–Vão se foder, eu tenho filhas agora!


Começamos a rir, ele pisou no acelerador e saímos novamente.


–Elas vão me chamar de papai. — Falou, fazendo voz de emocionado.

–O papai mais lindo de todos. — Eu disse.

–Depois de você.


Nós parecíamos -e éramos- um casal apaixonado. Eu estava morto de ansiedade pra ver pela primeira vez o rosto de minhas filhas. Digo, nossas filhas.

Um bom tempo depois, chegamos ao hospital. Gerard estacionou o carro e depois descemos e fomos direto à maternidade. Ele se identificou na recepção, pegamos o elevador e subimos até o andar do berçário. Uma enfermeira bem gorda, ruiva de pele pálida nos deu máscaras, uma touca e um avental, nos trazendo até o quarto onde estavam as encubadoras com as bebês. Gerard tinha ficado lindo com aquele avental, luvas e máscara verdes, parecia uma fantasia. Ri de mim mesmo ao pensar isso. Chegando no quarto, vi dois seres pequenos e indefesos que nem pareciam fazer parte dessa atmosfera terrestre de tão angelicais, de olhos fechados cobertos por um pano branco.


–Quer pegá-las senhor Iero? — Perguntou a enfermeira, arqueando as sobrancelhas.

–E-eu posso?

–Mas é claro que sim. Quer começar por quem, Cherry ou Lily?

–Frank, você fica com a Lily e eu pego a Cherry. — Disse Gerard.

–Okay. Vou pegar a Lily. — Falou a enfermeira, abrindo a encubadora.


Eu tinha medo de pegar Lily no colo, ela era tão pequena, parecia ser tão frágil, eu podia machucá-la.


–Venha papai, pode pegar. — Falou a enfermeira, estendendo os braços com Lily para mim.


Peguei o mais cauteloso possível Lily nos braços e a ajeitei. A sensação de ter minha filha pela primeira vez nos braços era indescritível. Ela era linda! Me lembrou Jamia. Meus olhos ameaçaram chorar, mas eu me segurava.


–Vai chorar Frank? — Gerard perguntou, rindo.

–Não, claro que não. — Falei, me esforçando para não chorar.

–Faz assim Fran, me passa a Lily e pega a Cherry. — Sugeriu.

–Tá, pega ela, mas com cuidado. — Eu disse.

–Tá bem. Vem com o titi... Vem com o papai. — Falou, me olhando e tomando Lily nos braços.


A enfermeira se virou para observar quando ouviu o ''papai''.


–Perdão, mas o senhor é o Iero? — Perguntou, olhando para Gerard.

–Não, sou Gerard Way. Por que a pergunta?

–É que... Na certidão de nascimento o senhor Iero está registrado como pai. — Disse a enfermeira.

–Ah, sim, nós somos os pais. — Disse Gerard.

–Ah, senhor Iero, pegue a Cherry. — A enfermeira disse, me dando Cherry.


Peguei ela nos braços com cuidado, assim como fiz com Lily, ela era linda, tão angelical, me passava paz.


–Frank, agora pegue as duas. — Disse Gerard.

–Não! Nem pensar, eu posso derrubar, sou um desastrado. — Respondi, assustado.

–Você é um ótimo pai, vamos, agora estenda o braço esquerdo. Eu te ajudo.


Obedeci, Gerard me deu Lily. As duas tinham um cheirinho de bebê maravilhoso. Agora ter minhas duas filhas em meus braços ao mesmo tempo me deixou tão feliz, que eu mal podia falar.


–Vamos, uma foto agora. Olha pra cá Fran. — Disse Gerard, ligando uma máquina fotográfica.


Sorri e fiquei praticamente cego com o flash. Eu odiava fotos. Só Gerard mesmo pra fazer isso, ele com certeza era a ''mulher'' da relação.


–Não queria interromper os senhores mas... O horário de visitas acabou. — Informou a enfermeira.

–Mas já? — Perguntei.

–Sim, infelizmente. Amanhã elas já podem ir pra casa.

–Tudo bem. Papai ama vocês. — Falei, beijando-as.


Entreguei as duas para a enfermeira e eu e Gerard saímos do berçário. Nos pegamos o elevador e fomos até o carro. Eu enfim voltaria para casa depois de meses naquele lugar horrível. Eu mal podia esperar pra deitar em minha cama.

Nossa casa não era muito longe dali, chegamos rápido, Gerard estacionou fechou o carro e abriu a porta. Assim que coloquei o pé dentro de casa, me enchi de paz. De volta. Lar doce lar.

Fui correndo até o quarto, planejando me jogar na cama, até que achei em uma cadeira perto da mesma, a blusa preferida de Jamia, uma de rendas preta. Peguei a blusa nas mãos e coloquei contra meu rosto, seu perfume ainda estava nela. Por consequência, uma cachoeira parecia descer involuntariamente de meus olhos, molhando toda a blusa. Gerard chegou no quarto, tentei disfarçar colocando a blusa onde tinha encontrado.


–Não precisa esconder Frank, eu te entendo. É difícil, mas vamos superar. — Ele disse.

–Obrigado por me compreender. — Falei.

–Eu tenho uma ideia, mas só se você concordar é claro.

–Diga. — Pedi.

–Nós podemos juntar todas as coisas de Jamia e colocar num baú, tudo que for dela, do jeito que ela deixou. Guardamos e colocamos no quarto de hóspedes. Você pode visitar as coisas quando quiser. — Sugeriu.

–Eu acho ótimo. — Eu disse.

–Temos que arrumar o quarto das bebês. Ela já deixou tudo meio arrumadinho, mas as bebês vieram sem avisar. Que tal a gente dar uma ajeitadinha?

–Tudo bem, você arruma o baú e eu o quarto. — Falei.

–Ótimo. Vou começar agora mesmo.

–Tá, eu vou tomar um banho e me trocar, comer alguma coisa.

–Vai lá, você precisa mesmo, comer e engordar um pouco. — Riu. — Vou colocar uma roupa mais confortável também, odeio ternos.

Sai e fui tomar um banho. Como era bom tomar banho com água quente depois de passar frio, tremer com aquela água gelada. Estava me ensaboando quando ouvi Gerard entrando no banheiro.


–Vou começar a recolher as coisas dela por aqui. — Falou.

–Você quer me ver nu, eu sei. — Ri.

–Pra que? Agora você é meu, eu posso fazer isso quando eu bem quiser.


Gerard recolheu o cesto de roupas do banheiro e algumas coisas nas prateleiras, saindo logo depois.

Terminei de tomar meu banho, me sequei e me vesti, eu estava morto de fome, fui direto para a cozinha. Gerard estava com um avental de costas, virado para a pia.


–Eu fiz o almoço, se é que isso pode ser chamado de almoço. Não tinha nada de bom na geladeira, vê se você gosta. — Falou.

–Hmmmm, lasanha. — Falei, olhando para a travessa que me dava água na boca. — Isso é porque não tinha nada de bom na geladeira.

–Agora coma, vou terminar de arrumar as coisas.


Depois de dias comendo aquela comida horrível, sem gosto e muitas vezes fria, lasanha e coca-cola era tudo que eu precisava. Enquanto eu comia, também pensava no que tinha feito, praticamente pedi Gerard em casamento dias depois da morte de minha esposa, mãe de minhas filhas, mas com relação à isso eu estava bem resolvido, sem culpa. Na prisão eu tive dias e dias para pensar e repensar meus sentimentos em relação à Gerard. Eu o amava, não fazia sentido eu ficar sofrendo sozinho se ele sentia a mesma coisa por mim. A vida é curta, não posso perder se quer um minuto sendo infeliz. Um dos meus maiores medos é morrer infeliz, sem ter realizado coisas que eu planejei, e um dos meus sonhos é ter uma família. Jamia queria me ver feliz, eu sei que esteja onde estiver ela me apoia.

Terminei de comer, me levantei e fui procurar Gerard. Encontrei ele fechando a porta do quarto de hóspedes.


–Já terminou? — Perguntei, pasmo.

–Já sim, tá tudo bem arrumadinho, forrei a cama de lá e coloquei o baú ao lado. Agora, próximo round. — Falou.

–Okay, vamos pro quarto das meninas.


Fomos até o quarto das gêmeas, precisava de uma limpeza e uma arrumada nas coisas. Eu arrastei os móveis e Gerard foi limpando. O quarto tinha as pardes roxas e cor de rosa. Jamia tinha me explicado que para não confundirmos as bebês, Cherry sempre estaria de rosa e Lily sempre de roxo. Arrumamos os berços, deixamos os carrinhos preparados, o porta-fraldas, as bonecas e brinquedos, colocamos as cortinas. Eu arrumei as gavetas das roupas e Gerard as prateleiras. Depois de um bom tempo de faxina, o quarto ficou ótimo, mas uma dúvida me veio na cabeça: Como eu ia amamentar?


–Gerard, as bebês precisam mamar. — Falei.

–Claro que precisam, que óbvio.

–Mas eu não tenho peitos. Precisamos comprar leite.

–É, amanhã nós perguntamos pra enfermeira qual o leite certo, a quantidade e ela vai nos ajudar. — Disse, fechando a porta do quarto.

–Tô tão nervoso com esse negócio de ser pai. É estranho, elas dependem de mim e eu não sei fazer nada. Não sei nada de bebês.

–Calma, a Alicia vai vir nos ajudar, vai dar tudo certo. — Me disse, pegando minha mão enquanto chegávamos no nosso quarto.


Sentamos na cama, Gerard olhava em meus olhos com uma expressão carinhosa e cuidadosa, nossos rostos começaram a se aproximar como ímãs. Seus lábios encostaram nos meus e uma de suas mãos subiu até minha nuca, me trazendo para mais perto, enquanto outra mão desabotoou minha bermuda e abriu meu zíper. No mesmo momento em que nossas línguas se encontravam numa dança singular, senti uma das mãos de Gerard percorrer minha barriga e entrar na calça, massageando meu membro por cima da cueca. Coloquei minha mão em seu peito o afastando de mim e interrompendo nosso beijo.


–Gee, me desculpa eu... Não é o momento ainda, eu não tô preparado. — Falei, ofegante.

–Eu que tenho que pedir desculpas, te entendo. Acho que forcei agora.

–Foi acontecendo mas ainda não dá, desde a última vez e tudo que ocasionou, melhor esperar.

–Claro. É que faz muito tempo desde a última, tô com saudade. — Disse, tímido.

–Nós teremos todo o tempo pra fazer isso quanta vezes quisermos. Você sabe que eu não encaro só como uma transa, e com tudo acontecendo, eu...

–Tudo bem, meu sentimental. — Falou, mexendo em meus cabelos. — Não quer descansar um pouco? O dia foi bem cheio.

–Ah, sim.

–Vem, tira esses sapatos e relaxa, eu vou pra sala.

–Não, fica aqui comigo. — Pedi.

–Tá, deita, eu vou pegar os travesseiros e um cobertor. — Falou, indo em direção ao armário.


Gerard voltou e colocou só um travesseiro, o outro era de Jamia e devia estar no baú, abriu o cobertor fino e deitou-se ao meu lado, de costas pra mim. Eu virei para o lado em que ele estava o abraçando e trazendo para mais perto. Olhei no relógio que ficava encima do criado mudo, 18:14, eu com certeza só acordaria no outro dia.


–Gerard, que horas temos que buscar as bebês? — Perguntei.

–Amanhã às 10:00.

–Tá, vou colocar pra despertar então.


Programei o despertador para as 08:00 horas, pois tinha que tomar meu remédio. Eu podia levantar com calma, tomar banho, tomar meu café e ir pro hospital. Deitei novamente abraçando Gerard e adormecendo em seguida.

Notas finais
Tão felizes agora? HAUHSAUH Frank parou de sofrer um pouco.
Acho que só faltam mais dois capítulos pra terminar :')
O Frank ainda tem que buscar as bebês, etc. Então, aguardem pq tem mais HAUSHASUH