What Is Love
16 Falling in love
Notas iniciais
Falling in love
Ryu Sanada
Observo Chizu enquanto ela continua petrificada na porta de casa. Acho que foi por causa de algo relacionado a mãe dela ter falado sobre netos.
Sorrio para mim mesmo, enquanto Chizu ainda se recupera.
– E você pensa que está rindo de que? – ah, ela percebeu.
– Nada demais – continuo com o mesmo sorriso enquanto ela fica vermelha, não sei se ainda de vergonha ou de raiva. Provavelmente os dois.
– Olha aqui, nada de gracinhas senão eu volto sozinha! – Chizu cruza os braços e me olha exasperadamente.
– Eu nunca fiz gracinhas com você, porque ia fazer agora? – eu instigo-a – A propósito, melhor irmos logo, senão vamos perder o filme.
Ela me olha por uns instantes como se duvidasse de algo, mas como a Chizu que eu conheço, logo se cansou e baixou a guarda.
– Ótimo. Vamos então – ela vai andando rapidamente na minha frente e eu logo a alcanço e faço parar.
– Espere, tem algo que você está esquecendo.
– O que, Ryu? – Aponto para meu braço com o queixo.
– Seu braço está doendo? – Faço que não com a cabeça – ah, tem algo no seu braço e você quer que eu tire, é isso?
Chizu sendo Chizu, isso vai demorar.
– Não, me dê seu braço – peço.
Ela me olha assustada.
– Meu braço?! Para que? Vai arrancar meu braço e vender no e-bay, é isso?!
– De todas as possibilidades essa foi a que passou mais longe e não Chizu. Estou pedindo seu braço para encaixa-lo no meu enquanto nós vamos andando – ela me olha boquiaberta – então?
Observo enquanto ela tenta, em vão, falar alguma coisa mas as palavras não saem, ou ela realmente não sabe o que dizer e está balbuciando coisas desconexas. Sem conseguir falar nada ela para de tentar e lentamente estende seus braços em minha direção. Pego seus braços suavemente e os encaixo aos meus enquanto ela observa tudo.
– Agora sim, vamos – digo dando-lhe um sorriso tranquilo. Ela nunca teve medo de mim, nunca precisou e com certeza não precisa ter agora.
Assim que damos os primeiros passos para fora da calçada escutamos um grito feminino vindo da casa da Chizu. Olhamos ao mesmo tempo para tras e pela janela da sala vemos a mãe da Chizu com um telefone na mão e gritando finalmente. Olho para Chizu e ela encara sem acreditar no que está vendo, por fim, balança a cabeça murmura um ‘não tem jeito mesmo’ e recomeça a andar novamente.
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Enquanto vamos andando e chegando nas ruas mais movimentadas os assuntos surgem e começamos a conversar normalmente, como sempre foi, até eu me declarar para ela e tudo ficar diferente entre nós.
– Seu pai volta quando? – pergunto. O pai de Chizu sai semana passada para uma viagem a trabalho.
– Essa semana ainda. Ah e disse que vai trazer presentes, e também disse que vai trazer um para você Ryu, mas não me pergunte porque eu não sei – ela diz animadamente. Ela agora está mais relaxada e parece até se esquecer que estamos andando de braços dados e que todos podem nos ver assim.
– Bem, então esperemos para ver – Digo e sorrio para ela. Ela me devolve o sorriso brilhante.
– Olhe só para eles ali, você não me trata da mesma maneira que ele trata ela! Que tipo de namorado é você?!
Nos viramos ao mesmo tempo e vemos um casal de adolescentes brigando. A garota está com a mão na cintura e bate o pé repetidas vezes, enquanto o cara a sua frente olha para todos os lados da rua, como se para ver se alguém estivesse prestando atenção na sua namorada lhe dando uma bronca por não ser um namorado dedicado.
De repente ela para e vem em nossa direção, pelo jeito que está pisando no chão com força, provavelmente pela raiva que está sentindo do namorado, é inacreditável que não abriu nenhum buraco no chão.
– Ei, vocês dois, á quanto tempo que estão juntos? – ela pergunta nos olhando intercaladamente. Chizu se assusta com a pergunta inesperada e a situação também.
– Hã, olha não é bem ... – Antes que Chizu pudesse terminar é interrompida pelo namorado da garota estranha.
– Deixe eles em paz, não está vendo que está incomodando. Aliás, isso é o que você faz de melhor – diz monotonamente olhando para a rua como se estivesse esperando uma oportunidade de escapar.
– Ah, então quer dizer que agora a culpa é minha?! – ela se vira, abra os braços e grita exasperadamente. Isso não vai acabar bem. Olho para Chizu emitindo um sinal de ‘na primeira oportunidade, corre’. Seu braço me aperta cada vez mais, querendo me puxar para longe dali, mas é falta de educação sair correndo assim.
–Então, vamos indo porque temos um filme para ver ás 8 e já está quase na ...
– Ah, mas antes fala para o seu namorado bonitão ai dizer para o meu raquítico como é ser um namorado decente – Chizu mais uma vez é interrompida, mas dessa vez pela namorada rejeitada que apontava para mim agora.
O namorado revira os olhos e suspira alto.
– O que? N-não, ele não é meu ... – Chizu diz veemente negando com a cabeça.
– Você garota! Você devia dar valor ao que você tem! – Mais uma vez Chizu é interrompida e a olha assustada – Tem um cara bonito, carinhoso e atencioso só para você e fica se fazendo de desentendida. Quem me dera eu desse uma sorte dessas, mas nãaaaaaao. Agora tenho que aturar esse traste ai – ela aponta com o polegar para trás na direção do seu namorado.
Eu gostei dela.
O namorado indiferente dela cruza os braços sobre o peito e resmunga alto dessa vez.
– Mulheres problemáticas, eu devia ter aprendido com a última!
– Ultima vai ser a vez que eu ouço você reclamar! Chega, agora chega! Cansei de você! Vou arranjar alguém que me ame e que me queira assim como esses dois – ela bate o pé com força no chão vai furiosamente em direção, ao seu agora ex-namorado, e bate no peito dele com ambas as mãos, ele cambaleia um pouco e sai de sua pose original de desinteresse.
– Ei! – ele protesta.
– Okay. Para mim, chega também – Chizu fala simplesmente olhando toda a cena desenrolando abismada – vamos, Ryu. Por causa desses malucos agora vamos ter que andar mais rápido senão vamos perder nosso filme.
Sou simplesmente arrastado, sem ao menos dar tempo de se despedir de nossos ‘amigos’ recentes.
– Aproveitem bem! Eu vou encontrar alguém tão bom para mim, quanto o seu gato é para você. Obrigado por abrir meus olhos, querida! – ouço de longe a namorada ignora gritar para Chizu que simplesmente vai andando sem falar nada enquanto somos observados pelos pedestres curiosos que viam a cena de longe.
– Mas é cada uma que me acontece – Chizu resmunga durante o trajeto.
– Eu gostei dela – sorrio, enquanto ela pega o sentido do que eu quis dizer e fica vermelha e sem graça.
– Eu disse sem gracinhas!
Acho que nii-san tinha razão, isso é um sinal. Sorrio para mim mesmo enquanto Chizu e eu continuamos caminhando de braços dados.
Tenho o pressentimento que essa noite vai ser, finalmente, nossa noite.
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